14 de abr de 2016

Os dois lados do mapa do impeachment

No lado do golpe predomina o ódio, a intolerância, a raiva. No lado da legalidade e da democracia prevalece a alegria, a tolerância, a pluralidade.


O mapa do impeachment está desenhado. Ele tem dois lados:

— num lado, Michel Temer, personagem sorumbático e traidor que passa as horas vagas de vice “decorativo” conspirando para derrubar a Presidente que lhe fez vice-presidente sem que ele tenha recebido um único voto popular; e

— noutro lado, Dilma, Presidente eleita com 54.501.118 votos que jamais participou de conspiração ou traição, mesmo quando foi torturada pelos fascistas que deram o golpe de 1964.

Num lado, está Eduardo Cunha, sócio de Michel Temer no golpe e multi-réu por corrupção, lavagem de dinheiro, fraude de licitações, contas milionárias na Suíça e dono de uma bancada de mais de uma centena de réus-deputados que ostentam currículos não menos criminosos; e

— noutro lado, está Dilma, sobre quem não há nenhuma acusação de ter cometido um único crime sequer — nem pelo roubo de um alfinete — e que, assim mesmo, é vítima do julgamento de exceção arquitetado por Temer e Cunha.

Num lado, está a Rede Globo estimulando o golpe e o fascismo; e

— noutro lado, estão aqueles que aprenderam com Leonel Brizola que, “se a Globo for a favor, somos contra. Se a Globo for contra, somos a favor”.

Num lado, estão os justiceiros fascios de camisa preta, os procuradores jacobinos de cabelo engomado, os policiais federais com uniforme tucano e um juiz do STF de plumagem azul e amarela: estão aqueles que partidarizam e aparelham o Estado para aniquilar desafetos, adversários e inimigos ideológicos; e

— noutro lado, estão aqueles que vestem a camiseta da justiça, da Constituição, da verdade: todos aqueles que lutaram para derrubar a ditadura e ajudaram a construir a democracia que permite que até fascistas tenham o direito de expressar suas idéias feias.

Num lado, está a FIESP enganchada com a burguesia comercial, industrial e financeira e com as oligarquias agrária, imobiliária e financeira: estão os mesmos que em 1964, junto com a Globo, promoveram o golpe para implantar a ditadura que durou 21 anos; e

— noutro lado, estão os trabalhadores do campo e da cidade, as juventudes, as mulheres, os negros, as LGBTs, os sem-teto, os sem-terra, o povo pobre e trabalhador e todas as pessoas de bem que defendem a continuidade do projeto de desenvolvimento com igualdade social inaugurado por Lula em 2003.

Num lado, estão os caciques do PSB que associam esse histórico Partido a Cunha, Temer, FHC, Aécio, FHC, Serra, PSDB, DEM, PPS, PTB, PP, SD para a empreitada golpista; e

— noutro lado, está a memória de Sérgio Buarque de Hollanda, Antonio Cândido, Antonio Houaiss, Miguel Arraes, Evandro Lins e Silva, Barbosa Lima Sobrinho, João Mangabeira e de outros socialistas ilustres que saberiam o lado da história que o PSB deveria estar hoje.

No lado do golpe estão peemedebistas como Cunha, Temer, Padilha, Jucá e outras figuras lastimáveis que mancham a história da resistência democrática da qual o MDB fez parte; e

— no lado oposto a eles estariam Tancredo Neves, Ulysses Guimarães e Teotônio Vilela.

No lado do golpe predomina o ódio, a intolerância, a raiva; é o lado cheio de gente carrancuda e agressiva; e

— no lado da legalidade e da democracia prevalece a alegria, tolerância, pluralidade, diversidade, respeito; este é o lado do Chico Buarque, da Letícia Sabatella, Anna Muylaert, Fernando Morais, Gregório Duvivier, Wagner Moura, Camila Pitanga...

O impeachment é um golpe de Estado contra um governo que promoveu as maiores mudanças na vida da maioria da população brasileira. Os que apóiam o golpe ferem a democracia e a Constituição para fazer o país andar para trás; para destruir direitos sociais e trabalhistas, para privatizar a saúde e a educação, entregar as riquezas do país ao capital estrangeiro e hipotecar a soberania nacional.

Proteger e defender a democracia e a Constituição da ameaça golpista é, por isso, um requisito fundamental para salvaguardar os avanços, as conquistas e os direitos do povo brasileiro.

Jeferson Miola
No Carta Maior

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