2 de abr de 2016

Operação “Carbono14″: mandados ficaram um mês na gaveta. Por quê?

Um detalhe, nada insignificante, nesta 27ª fase da Operação Lava Jato vem corroborar uma desconfiança forte em Brasília de que o juiz Sérgio Moro joga politicamente com esta investigação.

Os mandados utilizados nesta sexta-feira (01/04) estavam assinados desde 15 de fevereiro e ficaram guardados em alguma gaveta. Por quê?

Talvez não tenha sido mera coincidência o fato de a Operação Carbono 14, que mais uma vez tem como alvo o Partido dos Trabalhadores (PT) – inclusive remexendo em um caso mal esclarecido até o momento -, ter ocorrido no dia seguinte à sessão em que o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a decisão do ministro Teori Zavascki de avocar para a corte as investigações em torno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Agora, mesmo sem poder investigar Lula por conta do sítio de Atibaia, Moro continua em cima do PT através do Caso Celso Daniel e das propinas que o ex-secretário do partido, Sílvio Rodrigues, teria recebido. Tudo girando sempre em torno do desvio de verbas dos contratos da Petrobras, segundo as justificativas dos operadores da Lava Jato. A grande curiosidade é com relação a datas.
Os mandados para a operação desta sexta-feira (01/04) foram assinados pelo juiz Sérgio Moro em 15 de fevereiro e revistos no dia 22 do mesmo mês. Apesar disso, sem qualquer explicação plausível, eles só foram cumpridos agora, decorridos 39 dias. Em Brasília, acredita-se que o juiz está jogando com as operações politicamente.
O fato de os mandados terem ficado guardados por tanto tempo e utilizados, por coincidência ou estratégia, um dia depois da sessão do STF e das manifestações pró-Dilma, chamou a atenção de autoridade do governo. Agora, se buscará saber se foi mera coincidência ou se faz parte de uma estratégia para se ganhar espaço na mídia, abafar o noticiário desfavorável e manter mobilizada a opinião pública.

O objetivo por detrás desta estratégia seria de manter a opinião pública como aliada dos operadores da Lava Jato, ainda que gerando grandes risco de conflito. Inclusive com agressões até a ministros do STF, como ocorreu com Teori Zavascki. Isso já vem sendo admitido naquela corte. Ali, o próprio ministro Marco Aurélio, na sessão de quinta-feira, ao criticar a divulgação do conteúdo dos grampos usou uma expressão direta que não deixa de demonstrar a suspeita com relação às atitudes do juiz. Na sua manifestação, acusou Moro dizendo que ele:
“colocou mais lenha em uma fogueira cuja chama já estava muito alta, em prejuízo da paz social e da segurança jurídica”.


O decano da corte, Celso de Mello, foi mais comedido, mas também cutucou Moro com relação à preocupação do juiz em satisfazer a opinião pública. Ele lertou que  o dever de proteção constitucional precisa ser respeitado “mesmo que o clamor popular se manifeste contrariamente”.

Breno Altman: “O Brasil não pode aceitar que um estado policial se
desenvolva nas entranhas de nossas instituições democráticas”.
Foto Reprodução JortnalGGN
Condução coercitiva novamente

Independentemente da questão da data e coincidência com as manifestações pró-Dilma, nessa 27ª fase a equipe da Lava Jato voltou a utilizar o expediente da condução coercitiva. O ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares e o jornalista Breno Altman, também colaborador do partido — não se sabe se como testemunhas ou suspeitos — foram forçados a acompanhar os agentes para prestarem depoimento. Isto sem que eles, antes, tenham sido intimados. Legalmente, a condução coercitiva só pode acontecer depois que a testemunha – jamais o suspeito – recusar-se duas vezes a cumprir intimações.

No artigo/depoimento que Breno Altamn escreveu no JornalGGN de Luis Nassif. — Operação Lava Jato esculacha a Constituição ,— ele corrobora a hipótese do uso político das operações:

Sou apenas mais um dos alvos deste tornado antidemocrático.

Não foi apresentada, durante o interrogatório, qualquer prova ou indício de meu eventual envolvimento no caso investigado, de suposto empréstimo ao empresário Ronan Maria Pinto.

A falta de solidez na inquirição também se revela, por exemplo, pelas perguntas que diziam respeito às atividades de antiga editora da minha propriedade, fechada há quase vinte anos, com indagações até sobre o tipo de livros que publicávamos, e à doação eleitoral de dois mil reais que fiz, em 2006, a Renato Cinco, então candidato a deputado estadual pelo PSOL do Rio de Janeiro.

O que importava, afinal, era a criação de fato político que realimentasse tanto a Operação Lava Jato quanto a ofensiva por um golpe parlamentar contra a presidente da República“.

Marcelo Auler

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