1 de abr de 2016

O estranho conceito de “força” do Exército de José Serra


Participando do Semi-Golpe de Lisboa, a vergonhosa e fracassada conspiração promovida pela empresa de Gilmar Mendes em Portugal, José Serra disse hoje, segundo a BBC, que “uma intervenção militar só não aconteceu nos dias atuais porque o Exército não tem mais a força política de antigamente.”

Serra tem uma visão ainda “banana republic” do papel das Forças Armadas.

A força que elas têm de ter — e deveriam ter muito mais — é a força militar, porque seu papel é a defesa nacional, não a política.

Os militares brasileiros, em mais de um governo chefiado por gente da caserna, viram como a obsessão pela política foi danosa a isso, embora vez por outra os governos militares — corretamente — tenham investido em alguma independência em tecnologia bélica.

Curioso que, quando se fale no Exército dos EUA, da França, da Inglaterra — para não entrar no terreno pantanoso de regimes que não simbolizam a democracia convencional — ninguém se preocupa em discutir sua “força política”, por que será?

Força política dos militares é fazer com que os governos lhes forneçam meios de equipar-se, de terem desenvolvimento operacional e tecnológico que não as tornem meros enfeites, mas vetores capazes de projetarem-se onde a soberania do país estiver ameaçada ou vulnerável.

A outra política, por definição, divide. E divisão, entre os militares, é — paradoxalmente — uma unidade de tropas sob comando único.

O Exército, como a Marinha e a Aeronáutica, têm muitos — e entre seu melhores — oficiais que compreendem que imiscuir-se no jogo político é importar a cizânia para dentro das organizações militares.

Claro que se preocupa, como é seu dever aliás, com situações de conflito interno, E justamente por isso não deixa de estar atento a quem as provoca.

Políticos, como o senhor Serra, não devem trazer o nome do Exército para a política, a não ser para que ela lhes garanta os recursos para, dentro da realidade do país, qualificar-se como escudo da Nação.

Do contrário, é expô-lo à divisão que há na política.

O que representa apoio aos militares, e seus líderes sabem muito bem, não são uma dúzia de transtornados que pedem que coloquem  um tenente em cada repartição pública.

Estamos, pela primeira vez em um século, vendo o Exército se portar como a uma força de todos, não de uma facção ou, muito menos, de si mesma.

Se José Serra tivesse uma visão um pouquinho mais generosa das instituições, veira que não podem nunca voltarem-se contra a pária aqueles que são “por ela armados”, como está no hino do Exército.

O Exército, ao contrário do que diz Serra ao afirmar que “se o Exército brasileiro ainda tivesse a força que tinha naquele momento, não tenha dúvida de que já teria tido uma militarização no país” está muito mais forte.

Inclusive em relação aos que o querem usar politicamente.

Fernando Brito
No Tijolaço

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