17 de abr de 2016

Merval Pereira, enfim, a confissão

Para quem ainda tinha dúvidas de que toda esta campanha de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, sem que lhe apontassem um real crime de responsabilidade, nada mais é do que a longa luta da oposição pelo terceiro turno, a coluna de Merval Pereira neste domingo (17/04) coloca os pingos nos iiii.
“…começa hoje uma transição que poderia ter sido iniciada na eleição presidencial de 2014″.
Nem vou me alongar, pois é desnecessário. Apenas registro aqui o que todos nós que defendemos o Estado de Direito, a Democracia, o respeito ao voto popular — o que nem sempre significa defender o governo Dilma — insistimos em dizer. Querem ganhar no tapetão o que não conseguiram no voto. Ainda tenho confiança de que, mais uma vez, serão derrotados afinal, impeachment sem crime de responsabilidade, é golpe.

Para eles, não importa quem seja o ocupante da cadeira presidencial. Antes queriam Aécio Neves (PSDB). Hoje se contentam com Michel Temer de presidente e Eduardo Cunha, de vice, os dois do PMDB, que jamais teriam condições de chegar a esses cargos pelo voto popular.

Nem importa o passado dos dois. Tampouco que Eduardo Cunha, com todas as acusações e processos contra ele por corrupção já confirmada nas contas de bancos da Suíça, presida um julgamento como o de hoje.

Culpa sim da omissão — acovardamento? — dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Eles, desde dezembro, guardam na gaveta o pedido do Procurador-Geral da República para afastar Cunha da presidência da Câmara. Por que não enfrentaram esta questão?

Na coluna, Merval ainda diz que é simplificação afirmar que uma presidente honesta está sendo destituída por corruptos. Não, Merval, não se trata de simplificação. Trata-se sim de uma verdade irrecorrível: políticos acusados de roubalheira — e Cunha é apenas um deles — estão destituindo uma presidente honesta que foi escolhida pelo voto popular. Errou muito, tem responsabilidade por parte da crise que o país vive,mas não roubou e nem cometeu crime de responsabilidade como exige a Constituição. Logo, está sofrendo um golpe.

Simplificar é dizer que ela foi eleita com dinheiro sujo e não olhar para os doadores das campanhas do PSDB, quase os mesmos. Ai vale a perguntar: o dinheiro que irrigou a campanha do PT é sujo e o do PSDB limpo? Só falta querer nos convencer que a verba destinada aos tucanos saiu do salário/lucro/dividendos dos empresários e não do caixa um, dois ou três das empresas.

Marcelo Auler

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