26 de abr de 2016

Governo Temer/Cunha já nascerá morto!

O vice-presidente Michel Temer, o Judas, ficou bastante animado com a aprovação do impeachment de Dilma na vergonhosa votação da Câmara Federal. Segundo o noticiário, ele festejou o golpe num jantar no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice, ao lado da primeira-dama "recatada e do lar" — segundo a descrição medieval da 'Veja'. Só faltou a presença de Eduardo Cunha, chefão do "consórcio de bandidos" e líder do atentado à democracia. Agora, o conspirador articula nas sombras para repetir a dose golpista no Senado, que deve votar a admissibilidade no impeachment na primeira quinzena de maio. Mas toda esta alegria pode durar pouco tempo. Caso o golpe seja concretizado, o tempo de permanência de Michel Temer no Palácio do Planalto tende a ser curto e traumático.

Os sinais desta dificuldade já são visíveis. Antes mesmo da votação na Câmara Federal, o Judas já se apressou para "montar um governo de conciliação nacional". As respostas, porém, não foram muito animadoras. Seu "ministério de notáveis", com a presença de banqueiros e "juristas de renome", deu chabu. Ninguém topou a aventura, temendo o rápido desgaste e o caos no país. No âmbito partidário, as coisas também são complicadas, com a deflagração da briga fratricida entre as siglas fisiológicas — como o DEM, PPS, SD, PSB e outras tranqueiras. Nem sequer o PSDB, que imaginava capitalizar o desfecho golpista, está convencido da viabilidade desta aventura.

As bicadas no ninho tucano

Uma notinha no site da Época neste domingo (24) aponta uma das razões do vacilo tucano. "Sabe por que o PSDB não quer endossar a indicação de ninguém para o Ministério da Fazenda num provável governo Temer? Porque não quer estar associado a medidas impopulares na economia que o próximo ministro terá de tomar se quiser ver o Brasil sair do atoleiro. Simples assim", relata o repórter Murilo Ramos. A resistência, porém, não é apenas pelo medo do forte desgaste. Há também a eterna briga no ninho tucano. É certo que o oportunismo e o fisiologismo podem reverter estas resistências, mas as bicadas no ninho tucano tende a ficar ainda mais sangrentas.

O cambaleante Aécio Neves, presidente da sigla, já anunciou que é contra a ocupação de cargos no futuro governo. Já o senador José Serra, que viu seu sonho presidencial afundar no passado, sonha em ter um posto de relevo na Esplanada dos Ministérios, mas é alvo de ataques dos outros tucanos de alta plumagem. Segundo reportagem da Folha, "aliados do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, decidiram pregar que PSDB exija o licenciamento de tucanos que integrarem uma eventual gestão capitaneada pelo vice-presidente Michel Temer. O principal alvo da ofensiva é José Serra, que é amigo pessoal do peemedebista e é cotado para um ministério de proa, como Fazenda ou Educação".

A urgência das reformas impopulares

Além do transtorno na montagem do "ministério de notáveis" e dos entraves resultantes para garantir a governabilidade no Congresso Nacional, Michel Temer também terá dores de cabeça para emplacar o projeto dos que incentivaram sua aventura golpista. Os ricos empresários já cobraram a conta. Após enriquecerem no período de bonança da economia, eles agora têm presa em jogar o peso da crise nas costas dos trabalhadores. Entre outros pontos indigestos, a ambiciosa burguesia exige que o governo da "conciliação nacional" eleve o tempo das aposentadorias, flexibilize as leis trabalhistas, elimine a política de valorização do salário mínimo e reduza os gastos públicos — ou seja, que corte programas sociais como o "Bolsa Família" e o "Minha Casa Minha Vida".

Artigo publicado na Folha logo após a votação do impeachment na Câmara Federal, na segunda-feira (18), confirma que "as reformas impopulares são sonho de empresários para governo Temer". A elite não esconde o seu projeto regressivo, numa típica revanche neoliberal. "Os empresários acham que o novo governo terá de acabar com a obrigatoriedade dos gastos fixos em saúde e educação e fazer as reformas da Previdência e das leis trabalhistas... Eles esperam que, em no máximo seis meses, o novo governo apresente suas propostas, mas sabem que haverá uma distância entre o sonho e a realidade". O maior temor é com a explosão da revolta popular, que poderá incluir até setores manipulados pela imprensa — os "midiotas" — que rosnaram pelo "Fora Dilma". Muitos vão lamentar o tiro no pé!

Cunha vai apunhalar Temer?

Por último, vale registrar que o "ético" Michel Temer ainda corre o risco de ser investigado e punido por várias denúncias de corrupção. Matéria recente da insuspeita revista Época, da famiglia Marinho, cita o depoimento de um dos donos da construtora Engevix, preso em setembro passado no bojo da Operação Lava-Jato. O empresário José Antunes Sobrinho afirma ter repassado R$ 1 milhão para o caixa-dois da campanha de Michel Temer em 2014. Este não é o único escândalo envolvendo o falso moralista. Em sua "delação premiada", o senador Delcídio Amaral garantiu que o vice-presidente foi padrinho na indicação de diretores da Petrobras hoje acusados de corrupção. Leo Pinheiro, um dos sócios da OAS, apontou Michel Temer como beneficiário de um pagamento de R$ 5 milhões.

Já o correntista suíço Eduardo Cunha, que seria o vice em exercício do novo governo, está metido em vários escândalos de corrupção — e só não foi cassado e preso até agora devido a estranha morosidade do Supremo Tribunal Federal (STF). Para se safar, o chefe do "consórcio de bandidos" pode até rifar seu aliado em mais uma ação diversionista. No início de abril, Eduardo Cunha encaminhou ofício aos 25 partidos com representação na Câmara Federal solicitando a indicação de deputados para compor a comissão especial destinada a analisar o pedido de impeachment de Michel Temer, atendendo a solicitação do STF. Muitos analistas encararam a medida como uma faca no pescoço do Judas.

Estes e outros fatores confirmam que a vida de Michel Temer no Palácio do Planalto, caso o assalto ao poder se concretize, não será nada fácil. Para quem prometia a "volta da estabilidade", o cenário politico tende a ficar ainda mais inflamável. Será que a elite burguesa topa pagar o alto preço do caos social? Nos próximos dias, ela terá algum tempo para refletir sobre estes e outros graves riscos. Já os setores que não admitem o "golpe dos corruptos" e a instalação de um governo ilegítimo terão o seu tempo para reforçar a pressão social. Os próximos dias prometem muita adrenalina e várias surpresas!

Altamiro Borges



Temer já definiu seu primeiro escalão


O vice-presidente Michel Temer praticamente fechou a definição do primeiro escalão de seu eventual governo, que poderá se tornar realidade no dia 12 de maio, caso o Senado confirme o afastamento temporário da presidente Dilma Rousseff.

A definição mais importante aconteceu no dia de ontem, quando Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, venceu a disputa interna contra o senador José Serra (PSDB-SP), que também almejava o Ministério da Fazenda. Temer avalia que Meirelles, que presidiu o Banco Central durante oito anos do governo Lula, simboliza a credibilidade diante do mercado internacional. Na Fazenda, Meirelles poderá também indicar o chefe do BC.

Em seu primeiro escalão, Temer também contaria com seus principais aliados, no PMDB, para a concretização do impeachment. Eliseu Padilha iria para a Casa Civil, tornando-se responsável pela articulação política. Moreira Franco comandaria o superpoderoso ministério da Infraestrutura, que uniria pastas como Transportes, Portos e Aviação Civil. Romero Jucá, por sua vez, assumiria o Planejamento. Além deles, Henrique Alves deve voltar para o Turismo.

Dos partidos aliados, o PSDB indicaria José Serra para a Educação, mesmo com resistências de políticos como Geraldo Alckmin e Aécio Neves. Do PP, viriam os deputados Ricardo Barros (PP-PR), para a Saúde, e Cacá Leão (PP-BA), para a Integração Nacional. O Desenvolvimento, que desenvolve políticas de comércio exterior e está também acima do BNDES, deve ser ocupado por Paulo Skaf, atual presidente da Fiesp.

Tudo depende, evidentemente, da votação do relatório da comissão especial do Senado, no dia 12 de maio, que pode afastar a presidente Dilma temporariamente do cargo — até que seja julgado o mérito do processo de impeachment.

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