4 de abr de 2016

Folha de S. Paulo, de volta para o passado


A Folha deste domingo arranca dramaticamente a máscara de “jornal plural” e desnuda a si própria ao pedir a renúncia de Dilma Rousseff e do vice Michel Temer. O argumento central do jornalão é que “formou-se imensa maioria favorável a seu impeachment”. Formou-se onde, cara-pálida, além da redação da Barão de Limeira e das pesquisas do Datafolha? A imensa maioria que vale são os 54 milhões de eleitores que a escolheram como presidente da república.

Com o editorial, a Folha engata uma marcha-a-ré e volta a 1964, quando apoiou o golpe militar que infectou o Brasil, matou, torturou, perseguiu e exilou milhares e milhares de brasileiros. No caminho, faz um pit-stop nos anos de chumbo, quando o jornal emprestava seus veículos para os tonton macoute do general Médici caçarem comunistas.

Mesmo reconhecendo que inexistem “motivos irrefutáveis” para o impedimento da presidente da república, o jornal afirma que “seria uma bênção que o poder retornasse logo ao povo” e sugere que, após a renúncia de Dilma e Temer, sejam convocadas eleições em 90 dias. Se seguisse seu próprio manual de redação, o jornal teria que publicar na segunda-feira um “erramos” vazado nestes termos: “onde se lê ‘povo’, leia-se ‘os derrotados nas eleições de 2014’”.

Sugiro, finalmente, que o jornal demita por justa causa o autor da peça literária. O Cláudio Marques que perpetrou o artigalhão se esqueceu de propor que, antes da convocação de novas eleições, o ex-presidente Lula seja inabilitado para disputá-las. Porque até os vendedores de carros usados da Barão de Limeira sabem que, se não tirarem Lula do campo, à força, ele ganha as eleições.

Fernando Morais

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com links NÃO serão aceitos.

Os comentários são de total responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do blog

Comentários anônimos NÃO serão publicados, como também não serão tolerados spams, insultos, discriminação, difamação ou ataques pessoais a quem quer que seja.

É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O blog poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.