18 de abr de 2016

Empresários apresentam 'pacote do golpe'

Em suas mansões ou restaurantes luxuosos, a elite empresarial brasileira deve estar em êxtase com a aprovação do impeachment de Dilma. Afinal, ela é a grande vitoriosa deste vergonhoso golpe na democracia. Os deputados são apenas os seus serviçais e os “midiotas” da chamada classe média são somente a sua massa de manobra. Caso a farsa seja confirmada pelo Senado Federal, em votação prevista para 11 de maio, a burguesia internacional e colonizada dará um passo importante para impor o seu plano regressivo e destrutivo ao Brasil. Será a revanche neoliberal! O “pacote de maldades” inclusive já está no forno, conforme divulgou neste sábado (16) a Folha tucana.

Segundo a reportagem, “a votação do impeachment acontecerá neste domingo, mas o empresariado não esperou para virar a página. As lideranças dos principais setores produtivos já trabalham nas propostas para entregar ao vice Michel Temer, se ele realmente assumir a Presidência do país. Representantes da indústria, da agricultura e do comércio querem emplacar medidas que vão contra o receituário adotado pela presidente Dilma Rousseff. Estão na agenda: enterrar a ideia de recriar a CPMF e aumentar outros impostos, a flexibilização das leis trabalhistas e deixar de controlar o retorno das empresas que vencerem leilões de concessões de serviços públicos, entre outros pedidos”.

Ainda segundo a Folha tucana, “em um cenário mais abrangente, os empresários querem medidas de austeridade fiscal, que eles identificam como uma das principais falhas do governo da presidente Dilma. Pedem redução do número de ministérios e dos gastos públicos com funcionalismo e racionalização no uso dos recursos destinados a programas sociais e de estímulo à economia”. Em termos mais diretos: cortes nas verbas para o “Bolsa Família” e o “Minha Casa Minha Vida” e demissões e arrocho dos servidores públicos – inclusive de muitos que foram às ruas rosnar pelo impeachment de Dilma. A vida é cruel!

Ao mesmo tempo em que penaliza os trabalhadores, o pacote de maldades garante que os empresários mamarão ainda mais nas tetas do Estado. A Folha até elaborou uma listinha das benesses. Para a agricultura: “garantia de crédito para produção com taxas mais baixas; liberação de pelo menos R$ 750 milhões em recursos para o seguro agrícola; flexibilização da legislação trabalhista”. Para a indústria: “aumento da terceirização; negociações trabalhistas serem feitas diretamente entre empresas e seus funcionários”. Em outro artigo, a mesma Folha afirma que o “setor público enxuto vira bandeira de empresários” e informa: “O empresariado tentará emplacar, com Michel Temer, temas que foram rechaçados pelo PT e pelos governos de Dilma Rousseff”.

Conforme aponta o jornal, “o empresariado tentou aprovar esses temas com Dilma, mas enfrentou resistência de grande parte da base de apoio do governo, formada pelo PT, sindicatos e movimentos sociais. A CNI (Confederação Nacional da Indústria) prepara uma lista, por enquanto com 38 propostas, que estão sendo condensadas num documento com o título provisório de ‘Agenda para o Brasil Sair da Crise’... Para marcar posição contra um eventual aumento de impostos, o empresariado vai defender a eficiência e o enxugamento do setor público. ‘Precisa cortar ministérios e os gastos públicos’, disse Paulo Skaf, presidente da Fiesp (que reúne as indústrias de São Paulo)”.

O “pacote de maldades” da elite empresarial também inclui outra medida drástica, conforme revela Mônica Bergamo: “Caso assuma a Presidência, Michel Temer deve encaminhar ao Congresso Nacional proposta de mudanças na Previdência que pode prever inclusive o estabelecimento de idade mínima para a aposentadoria. Seria uma das prioridades máximas do governo. A ideia já é discutida abertamente por senadores do PMDB que apoiam Michel Temer. A reforma nas aposentadorias seria útil para dar um ‘choque de confiança’ no mercado. A aprovação, que precisaria do voto de 308 deputados e depois do aval do Senado, mostraria que o vice tem apoio sólido no Congresso” e “soaria como música para o mercado financeiro”.

Eufóricos neste domingo (17), muitos “coxinhas” vão se lamentar amanhã.

Altamiro Borges

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