8 de abr de 2016

Datafolha se desmoraliza na tentativa de aprovar impeachment


O Datafolha já cometeu vários deslizes em campanha eleitorais, mas talvez nada se compare a essa tentativa de aprovar o impeachment a qualquer preço e que resultou numa forçação de barra sem precedentes na história do Instituto.

Segundo matéria de hoje da Folha de S. Paulo, o Instituto teria ouvido de 21 de março a 7 de abril 291 deputados. E com base nesse universo projetou que o impeachment teria 308 votos na Câmara. Ou seja, que estaria a apenas 34 votos da aprovação.

Esse resultado é uma fraude por vários motivos.

Em primeiro lugar, como já disse Magalhães Pinto, política é como nuvem, você olha e ela está de um jeito, olha de novo e ela está de outro. E o Congresso é a política em estado bruto. Num momento como esses, uma pesquisa que demora 18 dias para ser feita já tem validade próxima de zero.

Nesses 18 dias muita coisa aconteceu. Por exemplo, só para ficar em um deles, o PP voltou a se reaproximar do governo neste período e vários deputados do partido passaram a prometer seu voto contra o impeachment. O Planalto conta hoje com 30 votos da bancada na Câmara. Até dia 21 de março não contava com cinco.

Mas o período pesquisado não é o problema central da pesquisa. O maior problema é que o Instituto faz projeção de votos num ambiente onde o correto é fazer um placar.

Se ouviu 291 e 60% são a favor, isso significa que 175 deles votam pelo impeachment e ponto final. Não dá pra fazer projeções num ambiente desses, porque se isso fosse feito teria de levar em consideração muitas variáveis.

O Datafolha diz que considerou o peso de cada bancada para projetar os 308 a favor. Mas levou em consideração a região do país de cada deputado? Pelo que informa, não. Se não levou isso pode pode levar a maiores distorções do que o peso por bancada.

Da mesma forma que os institutos não fazem pesquisa para candidatos proporcionais, os diretores do Datafolha sabem que num ambiente desses pesquisa mal serve para orientar quem está na operação de convencimento.

O que vale é monitorar a tendência de voto de cada um dos que votarão, um pouco como o Estado de S. Paulo tem feito.

Ou seja, tá valendo jogar a reputação de um instituto como o Datafolha no lixo para criar uma onda de que faltam poucos votos para aprovar o impeachment. E de repente 175 votos viram 308, numa contabilidade absolutamente sem lógica.

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