24 de abr de 2016

Cunha cospe na cara dos 'midiotas'

Manipulados pela mídia golpista, milhares de brasileiros foram às ruas para exigir o "Fora Dilma" e o fim da corrupção no Brasil. Muitos destes "midiotas" não tinham a dimensão de que estava em curso um "golpe dos corruptos" e de que eles eram apenas massa de manobra dos moralistas sem moral. Na prática, eles foram cúmplices do chefão do "consórcio dos bandidos", o correntista suíço Eduardo Cunha. Nos últimos dias, o presidente da Câmara Federal, que comandou a deprimente votação do impeachment de Dilma, deve estar rindo à toa. Ele já orquestra uma manobra para seguir desfrutando das ricas benesses do poder e cospe na cara dos inocentes midiotas.

Logo após a votação, os jagunços da sua tropa de choque explicitaram a trama. O deputado Paulinho da Força, mais sujo do que pau de galinheiro, defendeu um "prêmio" para o chefe da quadrilha. "Todo mundo sabe que sem Eduardo Cunha não teria o impeachment. Ele merece ser anistiado", afirmou na maior caradura. Já na segunda-feira (18), o deputado Waldir Maranhão (PP-MA) anunciou novas medidas para inviabilizar a cassação do seu chefe no Conselho de Ética da Câmara Federal, excluindo do processo os documentos que o envolvem no escândalo do chamado "petrolão". Com isso, ele só seria acusado de "mentir" sobre as contas na Suíça — e não por corrupção —, o que abrandaria a sua pena.   

Antes desta manobra grotesca, outra já havia ocorrido. Diante da suspeita renúncia de Fausto Pinato, que votou contra Eduardo Cunha na Comissão de Ética, o PRB de Celso Russomanno indicou para o seu lugar a deputada Tia Eron, que já declarou ter "grande admiração" pelo correntista suíço. A troca muda a correlação de forças nesta instância legislativa. Na primeira votação sobre o futuro do lobista, que foi sorrateiramente anulada, a sua cassação foi aprovada por 11 votos a 10. Agora, o placar na Comissão de Ética da Câmara Federal se inverte, beneficiando o "réu" por corrupção no STF.

A "operação salva Cunha" constrange até setores da mídia, que ajudaram a blindar o chefão do golpe. Em editorial publicado nesta sexta-feira (22), a Folha tucana tentou livrar a sua cara. "Não só entre os adversários do afastamento da presidente Dilma, mas também entre os que a querem fora do governo, a presença de Cunha é vista como incompatível com qualquer ideal de moralidade pública. Também a imprensa internacional aponta sem hesitações o paradoxo de que um réu no STF, acusado de receber propinas milionárias, tenha sido o regente de toda a cerimônia... Sua presença na Câmara dos Deputados é uma vergonha, um insulto, uma provocação a todos os brasileiros". 

De fato, é um cuspe na cara dos brasileiros — inclusive dos "midiotas" que foram usados como massa de manobra pelos golpistas.

Altamiro Borges

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