20 de abr de 2016

A vergonha dos jornalistas do golpe diante dos seus colegas estrangeiros


Comentei, ontem, que a imprensa brasileira, na frase concisa de Xico Sá, está desarvorada porque a imprensa estrangeira percebe o golpe de estado, que ela teima em esconder.

A colunista da “massa cheirosa”, Eliane Cantanhêde, também o percebeu.


O PT e o governo estão ganhando a guerra da comunicação com o mundo. Jornais importantes das Américas e da Europa vêm encampando a tese de que ocorre um “golpe de Estado” no Brasil, apesar de o impeachment da presidente Dilma Rousseff estar seguindo todos os trâmites legais, com votação na Câmara, agora no Senado, supervisão do Supremo Tribunal Federal e direito a transmissão ao vivo pela TV de todos esses passos do processo.

Transmissão ao vivo, muito bem. Mas  o que se viu nas transmissões ao vivo? “Alô mamãe”? ‘Por meus filhinhos”? “Para a minha namorada’?

Tens uma palavrinha sobre isso, que todo mundo viu, Eliane? Ou “não vem ao caso” e “podemos tirar, se achar melhor”.

Vai ela adiante:

São três os pontos aos quais a imprensa internacional recorre para desqualificar o impeachment de Dilma: não estaria caracterizado o crime de responsabilidade; o comando do processo é do PMDB e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ambos envolvidos em denúncias de corrupção; e a acusação de que, caso o vice Michel Temer venha a assumir a Presidência, ele iria sabotar a Lava Jato. Esta última versão foi admitida, incrivelmente, até pelo prestigiado jornal The Guardian, de Londres.

Incrivelmente, Eliane? “Tás brincando?”, como no bordão do personagem de Chico Anysio? Bastam os recortes aí da ilustração do post, não é?

Pedro Zambarda, no Diário do Centro do Mundo dá conta do esforço de outro rapaz do golpe na mídia, Diego Escosteguy para convencer os jornalistas estrangeiros de que o golpe não é golpe.

Não adiante. O circo da Câmara todo mundo viu, e na cabeça de qualquer jornalista estrangeiro aquilo que se viu foi tão escrachado que não tem como ser entendido de outra forma.

Aliás, não só na cabeça de jornalistas de fora, não. Também na dos brasileiros.

A diferença é que muitos não podem e alguns não querem dizer que o circo foi o circo do horror golpista.

Têm ainda este microscópico pudor da vergonha do criminoso.

Fernando Brito
No Tijolaço

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