6 de abr de 2016

A ironia em torno do massacre do vídeo Delação

Delação à Moro: humor dessacraliza Lava Jato
E eis que surge a mais nova vítima do ódio e da intolerância “amigos”. Antônio Tabet, um dos criadores do Porta dos Fundos, utilizou a sua página do facebook para desabafar sobre o massacre que estão promovendo contra o seu canal.

O humorístico está sendo alvo de um verdadeiro linchamento na internet onde a “turma do bem” está os ameaçando e solicitando que todos os seus seguidores se desinscrevam do site. Já chegaram até a divulgar um manual ensinando os seus asseclas a “descurtir” a postagem.

O motivo de tudo isso foi o vídeo “Delação”, que retrata em exatos dois minutos e trinta e oito segundos de puro humor toda a metodologia utilizada pela Polícia Federal e pelo juiz Sérgio Moro na obtenção das delações premiadas em mais de dois anos de existência da Lava Jato.

Ninguém com um mínimo de isenção pode ignorar os abusos cometidos pela PF e a seletividade na utilização das delações, inclusive para os seus vazamentos, quando se trata de algo relacionado ao Partido dos Trabalhadores.

Basta mencionar que um cidadão como o eterno derrotado Aécio Neves, mencionado nada menos que oito vezes nessas mesmas delações, não foi merecedor de qualquer atenção por parte da Lava Jato.

A escandalosa lista da Odebrecht que revelou mais de trezentos nomes de políticos de cerca de 24 partidos que participavam do seu esquema também ficou engavetada. Assim que revelada, foi devidamente enviada aos cuidados do STF, ao contrário das escutas ilegais. Dilma nem Lula constavam na lista.

Como se vê claramente, é notório que existe uma partidarização escancarada nos procedimentos da PF, nas investigações do MPF e no julgamento do juiz Sérgio Moro, mas a questão vai muito além disso.

O desprezo pelas regras democráticas por quem perdeu as eleições e o aparelhamemto ideológico de fascistas nas instituições brasileiras e nos tribunais de justiça transbordaram para a sociedade civil.

Na falta de um debate sério e responsável, imbecilidades como criticar a utilização legal dos benefícios da Lei Rouanet se tornam uma prática recorrente. Isso se quem utiliza não compactua exatamente do pensamento e prática dos “guardiões da moralidade”. Lobão, por exemplo, pode utilizar desse direito tranqüilamente.

Tabet, que defende a derrubada de um governo democraticamente eleito, agora sente na pele as consequências de compartilhar ideais completamente estranhos ao que se queira democrático e republicano.

Em um trecho do seu desabafo afirma que “não abre mão da democracia e da liberdade”. O problema é que ao defender o golpismo, é justamente a democracia e a liberdade que estão sendo abdicadas. Agora o fascismo bate à sua porta da frente.

Carlos Fernandes
No DCM

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