2 de mar de 2016

Tempos seletivos


Se a indignação corrente contra casos de corrupção — a maioria ainda baseada em precárias denúncias de meliantes, barcos de lata e pedalinhos infantis — é seletiva, por que a memória não seria?

No início dos anos 2000, o procurador federal Luiz Francisco de Souza atazanava tucanos ligados ao presidente FHC.

Era ridicularizado pela chamada grande imprensa: um falso paladino, falso asceta (dirigia um fusca 1985) e petista. Tratamento não apenas diferente, mas contrário ao recebido pelos procurados da lava jato.

O jornal O Globo era o mais preocupado com a — cito um editorial — “ofensiva contra a imagem do próprio presidente da República”.

Ao analisar ações de membros do MPF que se aproximavam do gabinete presidencial, o mesmo editorial dizia ser “incorreto que se confundissem indícios com provas, possibilidades com certezas e, acima de tudo, desejos com fatos”.

Os “desejos”, no caso, seriam as motivações político-partidárias do procurador. O Globo pedia calma. Estava correto.

Agora, encontre esse bom senso em quaisquer edições globais nos últimos anos.

O editorial é do dia 15 de agosto de 2000.

Segue uma versão dele, na íntegra.

E um trecho destacado, que me parece uma das maiores pérolas do esquecimento brutal que acometeu os outrora SENSATOS editorialistas de O Globo.


Captura de Tela 2016-03-02 às 13.39.59Sei que caixa alta parece grito, mas é necessário, creiam neste perplexo postante.

Ao criticar um procurador federal por excessos que estavam turvando a imagem do presidente, o Globo, em sua nobre página de opinião, naquele ancestral agosto, PUBLICOU isso:
“(…) o interesse público pede principalmente algo bastante elementar: que guardem suas denúncias PARA O FIM DO PROCESSO INVESTIGATÓRIO E NÃO AS ALARDEIEM NO INÍCIO, QUANDO SÃO AINDA SUSPEITAS.”
O editorial chega a sugerir uma revisão nas prerrogativas do Ministério Público garantidas na Constituição de 1988. E encerra com um galante FH falando à já notável repórter Mirian Leitão. Vale a pena a leitura, basta colar as colunas.

Dito isto, lido o editorial, te pergunto: que tal?




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Rodrigo Aguiar
No Viomundo

Um comentário:

  1. Olá! Boa tarde a todos... As postagens de comentários ¨digitados¨ nas redes informatizadas, equivalem-se a comentários ¨vocalizados¨ em um círculo de conversas pessoais... As vezes, durante um comentário vocalizado, algumas palavras ou sentenças, necessitam de uma ênfase especial, um destaque na oratória, para sobressaltar a relevância do enunciado... e isso se dá no aumento do tom de voz do palestrante...
    Na escrita ou digitação, o único/melhor jeito de imprimir essa sobrecarga de emoção na expressão que se quer realçar, é a utilização da caixa alta... Então, nem sempre, o uso desse artifício, signifique desconhecimento, má educação ou descontrole emocional...
    Aliás, como em tudo na vida, é precipuamente fundamental, analisarmos o contexto em que surgem, o inesperado, para determinarmos, mesmo que somente para nos mesmos, ¨aquela possível abstração¨...

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