8 de mar de 2016

Procurador da Lava Jato é chamado de “raposa no galinheiro” em reportagem da revista IstoÉ


Uma reportagem de 2003 da revista IstoÉ sobre o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima traz o título curioso “Raposa no galinheiro”. A matéria, assinada pelos jornalistas Amaury Ribeiro Jr. e Osmar de Freitas Jr., foi publicada na edição número 1770 da revista.

A reportagem trata da ida aos EUA de uma comissão de autoridades brasileiras encarregadas de apurar o escândalo do Banestado em busca de provas e documentos sobre lavagem de dinheiro e remessas ilegais de recursos para o exterior.

“Procurador Santos Lima, casado com ex-funcionária do Banestado, tentou barrar quebra de sigilo de contas suspeitas”, destaca o texto logo abaixo da manchete.

Carlos Fernando dos Santos Lima integra a força-tarefa do Ministério Público Federal que investiga corrupção na Petrobras e foi um dos procuradores que pediram ao juiz Sergio Moro para mandar a Polícia Federal conduzir coercitivamente o ex-presidente Lula para depoimento na última sexta-feira.

Segundo a reportagem de Amaury Ribeiro Jr. e Osmar de Freitas Jr., “Santos Lima, quando servia em Curitiba, foi quem recebeu e manteve engavetado, desde 1998, o dossiê detalhadíssimo sobre o caso Banestado e uma lista de 107 pessoas que figuram na queixa-crime sobre remessa de dólares via agência em Nova York”.

A revista IstoÉ volta ao caso na edição seguinte, número 1771, de 10 de setembro de 2003. “CPI do Banestado investiga conduta de procurador que apura lavagem”, é o título da reportagem, assinada por Amaury Ribeiro Jr. e Sônia Filgueiras.

Na época, segundo a revista, o então procurador-geral da República, Cláudio Fonteles saiu em defesa de Santos Lima e reforçou que o procurador agiu de forma “perfeita”. Santos Lima, por sua vez, anunciou que entraria na Justiça contra a ISTOÉ por se julgar prejudicado pelas reportagens sobre o Banestado.

Ironia ou não, foi a IstoÉ que divulgou trechos de suporta delação do senador Delcídio Amaral, na semana passada, em que o petista teria citado a presidente Dilma Rousseff e Lula por implicação no esquema da Petrobras.

Reprodução do site da revista IstoÉ
Reprodução do site da revista IstoÉ

O escândalo do Banestado, entre 1996 e 2000, até hoje não foi devidamente esclarecido. O presidente da República na época era Fernando Henrique Cardoso.

Já Carlos Fernando dos Santos Lima, Deltan Dallagnol e Roberson Henrique Pozzobon, equipe da força-tarefa do Ministério Público que atua na Operação Lava Jato, foram premiados em setembro do ano passado pela Global Investigation Review, em Nova York, pelo bom trabalho de combate à corrupção.

Leia as reportagens da IstoÉ:


Leia na Gazeta do Povo sobre o prêmio:


Célio Martins
No Certas Palavras

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com links NÃO serão aceitos.

Os comentários são de total responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do blog

Comentários anônimos NÃO serão publicados, como também não serão tolerados spams, insultos, discriminação, difamação ou ataques pessoais a quem quer que seja.

É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O blog poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.