5 de mar de 2016

O “convite” do Dr. Moro: “Quer vir espontaneamente agora, Lula? Não. Mas vai, desgraçado!”


Recebi o despacho do juiz Sérgio Moro sobre o pedido de condução coercitiva de Lula.

É um prodígio!

Funciona assim: ele defere “parcialmente” o mandado de condução coercitiva.

Como assim? Seria acaso conduzir um pedaço de Lula? Porque não é possível conduzir “parcialmente” uma pessoa e, claro o Dr. Moro logo explica o que é o “parcialmente”.

É assim: a PF chega lá na casa dele e pergunta: “quer vir conosco agora, já?”

Pelo mandado de Moro, se Lula disser: “Não, agora não, pode ser  daqui a duas horas? Poxa, são seis da manhã, acabei de acordar”. Então a resposta, com o aval de Moro é: “não quer,  mas vai, teje conduzido!”

Mude os personagens: o delegado para os meganhas: “vocês vão lá e tragam aquele fdp pra delegacia”. “E se ele não quiser vir, doutor”. “Ué, tragam assim mesmo”.

Inacreditável.

As desculpas de Moro sobre a “segurança” que queria garantir seriam todas elas desnecessárias se  determinasse que, querendo, o ex-presidente depusesse em seu apartamento. Mesmo não sendo um triplex, não duvido que faltem três cadeiras e uma mesa para colocar um laptop.

Sérgio Moro produziu um despacho cínico, onde dá o que a sede de sangue da Força Tarefa do MP quer, mas diz: cuidado, rapazes, não deixem cair comida no chão e usem guardanapo.

Mas a “condução-não-quer-mas-vai” é seu maior prodígio.

“O senhor está convidado a depor nos próximos cinco minutos, caso contrário será conduzido sob vara”.

Não, Moro não se intimidou com a “reação popular” às seis e meia da manhã.

Isso faz parte das suas preocupações desde o início de tudo o que planejou.

Monta-se a matilha e ele surge de moderado.

Mordam, mas não estraçalhem.

Pior do que um fanático explícito, só um dissimulado.

Fernando Brito
No Tijolaço

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