25 de mar de 2016

O aviso da Força Tarefa à Odebrecht: ou denuncia Lula, ou vão para o tronco


A matéria do Estadão, repetida em diversos portais, é claríssima, apesar da vergonha dos redatores que não lhe puseram o título óbvio.

“Promotores pedem a cabeça de Lula como condição de acordo com a Odebrecht”.

O resto — só um “restinho”: Aécio, Serra, Sarney, Renan, Cunha, Cabral, Pezão, Alckmin e os outros 300 que aparecem na estranhíssima lista, ao que parece guardada para ser oferecida no momento preciso — não vem ao caso.

Ao que parece, a mesma condição que teria sido dada ao pai de Marcelo Odebrecht pela Globo, segundo o Diário do Centro do Mundo, quando este procurou a Suprema Corte da mídia:

‘Fala para o Marcelo entregar o Lula que a gente ajuda.’

O desespero desta gente é dramático: não há negócios que comprometam Lula, não há papéis que comprometam Lula, não há contas secretas no exterior ou offshores que comprometam Lula.

Então precisam de uma arrancada palavra que comprometa Lula, algo tão incrível quanto um Presidente da República ter entregue uma refinaria de bilhões, um navio-sonda de bilhão, obras de centenas de milhões em troca de uns pedalinhos, uma reforma de cozinha, um puxadinho num sítio, e depois que deixasse o Governo.

Mesmo esquecendo Lula por um momento, é inacreditável o que se faz com uma das únicas empresas brasileiras de projeção mundial, por dançar a mesma música que dança há meio século de convivência com a política brasileira, que era, certamente, tangida por anjos até 2002.

Esqueçamos também, por um instante apenas, as questões políticas: que valor pode ter uma “delação” cujos termos são determinados por aqueles que têm o poder de querer ou não transigir, reduzir ou eliminar penas?

“Se não dedurar fulano, nada feito”!

O MP e Moro, nesta Semana Santa, estão dispostos a soltar Barrabás, centenas deles, para levar Lula à cruz.

Sem ter nenhuma simpatia por empreiteiros, registro meu respeito a este rapaz, Marcelo Odebrecht, torturado com a prisão “preventiva” durante nove meses, até agora inúteis para se se tornasse um Judas.

Em tudo o que ele vier a dizer, agora, haverá a indelével marca da tortura psicológica, coisa de meganhas brutais que dizem: “fala o que eu quero ou vou te fazer mofar na cadeia”,

E o fizeram, sob o beneplácito de cortes superiores que se revelaram incrivelmente inferiores diante da “opinião que se publica”.

Daniel Dantas, por mandar oferecer propinas a policiais, foi solto em um dia.

O estuprador Roger Abdelmassih, antes foragido, foi solto por decisão de Gilmar Mendes.

Agora, numa perversão macabra, exige-se que um preso até há pouco sem condenação — e condenação na Vara de Moro é quase automática — entregue a cabeça de Lula, a menos que queria mofar eternamente na cadeia e ver seu império empresarial destruído.

Pode-se esperar muito da “colaboração ” da Odebrecht, menos a sinceridade.

Fernando Brito
No Tijolaço

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