11 de mar de 2016

Milagre em Congonhas


Eu desconfio muito dessa história de que a Polícia da Aeronáutica, sob o comando de um coronel legalista, tenha frustrado os planos do juiz Sérgio Moro de levar o ex-presidente Lula para Curitiba.

A FAB é um ambiente incrivelmente reacionário, onde o antipetismo patológico substituiu o anticomunismo da Guerra Fria graças a um processo de envenenamento ideológico levado a cabo por várias gerações de oficiais.

Recentemente, um vídeo divulgado nas redes sociais mostrou alunos da Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epcar) entoando uma ode à tortura enquanto faziam exercícios físicos.

Meninos com idades entre 15 e 18 anos.

Mas, se for mesmo verdade, se tiver havido um coronel que impediu um ex-presidente de ser aprisionado de forma arbitrária, a FAB terá honrado a história de dois de seus maiores heróis: os capitães Alfredo Daudt e Sérgio Ribeiro de Carvalho, o Sérgio Macaco.

O capitão Daudt foi um dos oficiais que impediram a decolagem dos jatos da FAB que bombardeariam o Palácio Piratini, em Porto Alegre, na Campanha da Legalidade, em 1961.

Ele e alguns companheiros furaram os pneus das aeronaves que pretendiam matar o então governador do estado, Leonel Brizola.

O capitão Sérgio Macaco, oficial do grupo de salvamento da FAB, o Parasar, recusou-se a cumprir as ordens de um psicopata, o brigadeiro João Paulo Burnier, de explodir o gasômetro do Rio de Janeiro, em 1968.

Burnier, apontado como um dos mais sádicos torturadores da ditadura, pretendia colocar a culpa das mortes — estimadas em 100 mil pessoas — nos comunistas.

Mas não se enganem.

Daudt e Sérgio Macaco são heróis do Brasil, mas não são reverenciados na FAB.

Leandro Fortes

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