13 de mar de 2016

Lula no governo?

Todas as condições estão dadas para ex-presidente, no Executivo, conduzir o país à retomada do crescimento com distribuição de renda, apoio político e legitimidade popular. Tudo que a direita não quer

Poucos temas atuais apontam para eventuais superações da conjuntura em que o país está preso há tanto tempo, girando em falso, sem conseguir sair do labirinto, como a possibilidade de que Lula entre para o governo da Dilma. Convidado por ela, que não se importa de que ele poderia virar um “super ministro”, a possibilidade passou a ser tema de discussão na esquerda. A direita repudia imediatamente, comprovando que foi pega desprevenida e que poderia deslocá-la dos termos com que ela age na conjuntura atual.

Contra essa possibilidade se situam argumentos como o de que ele pareceria fugir das acusações do Judiciário para se abrigar no foro privilegiado do ministério, assim como o de que ele abandonaria sua mulher e filho que, sem as mesmas prerrogativas, poderiam pagar pela sanha vingativa de promotores que o perseguem abertamente hoje.

Inclui-se também o argumento de que ele poderia ser arrastado pelo fracasso do governo e se queimasse como líder político.

Nessa lógica de argumento, Lula deveria enfrentar as acusações nas condições atuais, as contornaria ou até seria preso, mas terminaria se desvencilhando delas.

Essa linha de pensamento encontra argumentos opostos. Primeiro, em que, indo para o governo, Lula não deixaria de responder às acusações que lhe são feitas, mas responderia diretamente ao STF, libertando-se do que a maioria aceita que é uma perseguição política de promotores. Além de que ele manteria sua capacidade de falar, instrumento fundamental, que ele perderia totalmente e passaria a ter sua imagem pública linchada caso fosse preso.

Indo para o governo, Lula enfraqueceria a Lava Jato, no que ela evidentemente tem de perseguição a ele. Ao mesmo tempo, fortaleceria o governo e enfraqueceria o impeachment.

Fortaleceria o governo por aumentar sua capacidade de articulação política, a de intermediação com a esquerda e os movimentos sociais, com setores do empresariado. Além de ter alguém que assuma o discurso do governo e que pode, também, de dentro do próprio governo, contribuir para adequações fundamentais na política econômica, que hoje não encontra nenhum tipo de apoio para se sustentar.

Além disso, no governo, Lula assumiria realmente o papel de um super ministro, como menciona Dilma, dando coerência e consistência às ações governamentais. Preencheria o perigoso vazio que o governo tem deixado e que tem sido ocupado pela oposição, tanto partidária, quanto midiática.

Quanto ao argumento sobre os destinos do governo se este fracassar, mesmo sem Lula dele participar, o ônus cairá sobre si e sobre o PT. Trata-se, portanto, muito mais do que proteger o ex-presidente das arbitrariedades de promotores e da Polícia Federal, de fortalecer o governo e colocá-lo em condições de superar positivamente a crise atual.

Dilma reiterou o pedido de que Lula participe do governo e colocou ênfase em que se orgulharia muito de que ele aceite o convite. Todas as condições estão dadas para que ele componha o alto escalão do Executivo e possa conduzir o país para a retomada do crescimento econômico com distribuição de renda, com apoio político e legitimidade popular.

Emir Sader
No RBA

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