2 de mar de 2016

Lula 2016: e se Getulio Vargas tivesse sido preso em 1954?

Cortejo fúnebre de Getulio na praia do Flamengo, 25.ago.1954
CPDOC/AnC
Ok, o “se'' não conta em história, vale o que aconteceu.

O que não impede que se especule com o passado para esboçar hipóteses sobre o futuro imediato.

Na madrugada de 24 de agosto de 1954, o presidente Getulio Dornelles Vargas sofreu um golpe de Estado edulcorado por eufemismos.

Horas mais tarde, deu cabo da vida com um tiro no peito.

O ex-ditador estava acossado, sobretudo depois do atentado contra Carlos Lacerda no começo do mês. Naquele 5 de agosto, foi assassinado o major-aviador Rubens Vaz, que colaborava na segurança do jornalista de oposição.

Com o pretexto da arma usada no homicídio, exclusiva das Forças Armadas, as investigações foram transferidas para a Aeronáutica, que instalou a dita República do Galeão.

A história mostraria que a encomenda ao pistoleiro para matar Lacerda partira do chefe da guarda pessoal do presidente, e que talvez um irmão de Getulio tivesse participado do plano.

O que não impediu que oposicionistas, de Lacerda ao Partido Comunista, acusassem o governante de responsável pelo atentado.

Nunca houve prova de que Getulio Dornelles Vargas soubesse da trama. Esta se tornou também a opinião de Carlos Lacerda, já distante dos entreveros de outrora, no fim da vida.

No auge do cerco ao presidente, houve quem clamasse por sua prisão.

Sem que, reitero, houvesse prova de crime cometido por Getulio.

Ele parecia isolado, quando saiu da vida para entrar na história.

Já na manhã de 24 de agosto, Brasil afora, multidões demonstraram que estavam com Getulio. Vejam a foto no alto, do dia seguinte.

O golpe não se consumou, ao menos não plenamente, e o vice assumiu, como determinava a Constituição.

Fico matutando sobre os idos de 1954: se Getulio tivesse sido preso, sem tempo para o suicídio, o povo que mudou a história nas ruas também teria se manifestado?

Como a história, aquele capítulo, teria terminado?

Matuto mais: se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva for preso em 2016 pelos investigadores da Operação Lava Jato, as dezenas de milhões de brasileiros que o apoiam ficarão em casa?

O Datafolha acaba de mostrar que Lula continua a ser considerado, de lavada, o melhor presidente do país em todos os tempos. Não julgo se a opinião majoritária é correta ou não, enfatizo que ela existe.

Com todo o bombardeio midiático contra ele, Lula permanece em ótimas condições de ir para o segundo turno da eleição presidencial de 2018, também constatou o Datafolha _o mérito da intenção de voto não é o tema deste post.

Como em 1954, Lula se vê acuado, embora já fora do governo.

Há muita gente torcendo por sua prisão ou mesmo a pedindo.

Como há 62 anos, não se conhecem — ao menos até agora — provas de que Lula seja autor de crime.

Não há prova nem mesmo de que o triplex do Guarujá e o sítio de Atibaia sejam de sua propriedade.

O que não que dizer que não tenha ocorrido promiscuidade, como comprova a disposição de um dono de empreiteira de servir de guia-vendedor em visita de Lula ao apê do Guarujá, não do bairro chique de Higienópolis.

De crime, contudo, hoje inexiste prova.

Prova há, sim, de que delegados da Lava Jato atacaram Lula na internet. Deve ser o tal “espírito republicano'', “independência'', “autonomia'' na investigação.

Enfim, eis a questão: se Lula for em cana sem provas, ele estará liquidado ou a prisão o fortalecerá ainda mais?

Mário Magalhães

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