20 de mar de 2016

Já que não se pode cassar o voto, casse-se o candidato

datafmar

Lula tem, segundo o Datafolha, 57 % de rejeição.

Portanto 43% de potencial aprovação, até porque 35% seguem achando que ele foi o melhor presidente que o país já teve.

Nada mau para um sujeito que só falta ser apontado como ladrão de picolé de criancinha, todos os dias.

Todos os dias, e em todos os jornais e em todas as tevês, a começar pela Globo.

Horas e horas dizendo que roubou triplex, pedalinho, puxadinho.

O Jornal Nacional faz uma hora de “horário eleitoral” todo santo (ou diabólico) dia contra ele.

É como você jogar baldes e baldes de lama sobre uma pessoa, durante meses e então perguntar às pessoas: ele é limpinho? ele está  bonito?

Qualquer avaliação eleitoral sobre Lula está, evidentemente, contaminada pelo processo imundo que se vem realizando contra uma pessoa que é acusada de…ainda não se sabe do quê.

No máximo, até agora, de ter falado alguns palavrões em conversas privadas por estar, como diz ele, “puto com esta sacanagem”

A imensa matilha judicial-policial-midiática atirada. em horário integral e sem qualquer limitação, não possui nada que indique que ele tenha favorecido alguma empresa  em troca de vantagens.

Nada, a não ser a ilógica suposição que quem comandava um Governo que contratava centenas de bilhões em obra tenha recebido de propina um puxadinho ou um apartamento de 200 metros quadrados na simplória praia do Guarujá, que poderia ter comprado com duas palestras para as quais era contratado, inclusive pela própria Globo, que martela estas acusações.

Portanto, do futuro eleitoral de Lula só três coisas pode-se afirmar: a) que ele dispõe de uma parcela do eleitorado capaz de resistir aos mais demolidores ataques; b) que depende do fim da loucura judicial com que se o ataca, com o exame um pouco mais sereno do STF, porque de Sérgio Moro não há ninguém que possa dizer mais que é um juiz imparcial e c) da recuperação do Governo Dilma, paralisado e impossibilitado de agir em meio à crise real da economia e ao caos criado na política.

Não é por eleições que se trama e executa o golpe, é na conspiração já nem escondida e de que tratarei no próximo post.

Mas a pesquisa serve para outras observações.

Marina, a quem o jornal trombeteia “liderar em todos os cenários” não cresceu ou só o fez dentro da margem de erro. Continua sendo “cavalo matungo”, serve para ocupar a raia do lado popular e atrapalhar a carreira, esperando que avance alguém pela direita. Já foi assim duas vezes e será a terceira.

Marina tem, no máximo, o benefício do “efeito redoma”: como não aparece, não se desgasta. Mas como não aparece, senão vez por outra pra grasnar sua pureza, também não cresce.

Já sobre Aécio, como explicar que o autoproclamado “presidente moral” do país só encolha, encolha e encolha?

Há dois fatores mais destacados.

O primeiro deles é que se formou uma corrente de extrema-direita a quem ele não basta: é preciso alguém mais truculento. A sua expulsão, aos berros, pelos manifestantes da Paulista no domingo passado é sua evidenciação.

O outro, é que sua pequenez política vai ficando patente e, mesmo entre seus apoiadores, não se lhe reconhecem as virtudes de liderança que o país precisa.

Aliás, entre os três principais competidores da pesquisa, é evidente que só a parcela que está firme com Lula vê em seu escolhido estas qualidades. De Marina, a principal virtude é que “não fede nem cheira”. De Aécio, o hexadenunciado que “não vem ao caso” na Lava Jato, nem isso talvez se possa dizer.

É o que se presta á análise no Datafolha, de resto só parte da imensa campanha de destruição da imagem de Lula que o golpismo põe em curso desde a campanha eleitoral de 2014.

Se há aquela famosa frase de Joseph Goebbels de que uma mentira repetida mil vezes torna-se uma verdade, o que esperar quando as mil vezes tornam-se um milhão, sustentada por gente de muitos bilhões, que controla a mídia brasileira.

PS. E o “herói nacional”, o salvador da pátria Sérgio Moro, hein? 8% para o homem que se anuncia capaz de abrir as águas do Mar Vermelho e conduzir o Brasil para a Terra Prometida da Moralidade? É melhor chamarem de volta o Joaquim Barbosa.

Fernando Brito
No Tijolaço

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