8 de mar de 2016

Grotesco e perigoso: em pleno 2016, vivandeiras querem intervenção militar



O mundo gira, a lusitana roda, e as vivandeiras continuam na ativa. Pelo menos no Brasil.

Eu as supunhas extintas, como contei no ano passado, em post reproduzido abaixo.

Agora, elas chegaram ao jornalismo. Ou melhor, regressaram, décadas mais tarde.

Como no século XX, ninguém diz que quer intervenção militar para rasgar a Constituição.

As vivandeiras falam em proteger a ordem constitucional. Mas, cá entre nós, pode chamar de golpismo.

A essa altura do século 21, as vivandeiras são grotescas.

Podem ser também perigosas.

* * *

Tudo é história: vivandeiras

(Publicado no blog em 14 de outubro de 2015)

Um bom método para avaliar se o Brasil melhorou ou piorou, e levantar um pouco o astral, é catar palavras que caíram em desuso.

Muitos jovens nunca ouviram falar em “anjinhos''. Não que eles não mais existam. Mas é cada vez mais difícil encontrá-los, graças à decadência da mortalidade infantil.

Anjinhos são bebês ou crianças mortos. Quase sempre por doenças associadas à desnutrição, ou à fome, para falar em bom português. Eram comuns nos cenários nordestinos.

Quantos brasileiros sem cabelos brancos sabem o que é “empastelamento''?

Houve uma época, no trepidante século XX, em que as autoridades empastelavam jornais. Isto é, fechavam na marra publicações que não acolhiam as ideias do poder.

E “vivandeira'', alguém ainda liga o nome à pessoa?

Na origem, como ensina o verbete do “Houaiss'' reproduzido no alto, era a “mulher que acompanha uma tropa, vendendo ou levando mantimentos e bebidas''.

Mais tarde, ganhou outra conotação, a de quem incentiva a desinteligência entre militares. E atiça a sua intervenção ilegal e ilegítima na ordem constitucional, derrubando e promovendo governos.

As vivandeiras grassaram no país da década de 1920 à de 1980.

Eu as supunha extintas, como a varíola.

Lembrei-me delas por causa do assanhamento de um pessoal que anda provocando as Forças Armadas a fazerem o que, salve, salve, elas têm reiterado que não farão. Quer dizer, não pretendem estuprar a democracia.

Para frustração das, como é mesmo?… vivandeiras.

Mário Magalhães
No Esquerda Caviar



Leal a Dilma, Exército desmente Noblat e Merval


"Quando empregamos tropas em eventos de pacificação ou de garantia da lei e da ordem, a determinação nos é dada por meio da Presidência da República. Se algum governador desejar a participação das tropas para qualquer coisa, tem que pedir à Presidência, esse é o fluxo", disse o general Otávio Rêgo Barros, do Centro de Comunicação Social do Exército; no fim de semana, os colunistas Ricardo Noblat e Merval Pereira, do Globo, afirmaram que os militares já estavam de prontidão para ir às ruas e também dialogando com seus interlocutores no meio político para acelerar o impeachment; era só terrorismo midiático; segurança do dia 13 será dada pela polícia de cada estado

As Forças Armadas reafirmaram sua lealdade à presidência de Dilma Rousseff, em nota divulgada pelo general Otávio do Rêgo Barros, do Centro de Comunicação do Exército. No documento, ele nega que oficiais militares teriam oferecido "reforços" para governadores, a fim de garantir a paz e a ordem durante os protestos marcados para o dia 13 de março.

"Quando empregamos tropas em eventos de pacificação ou de garantia da lei e da ordem, a determinação nos é dada por meio da Presidência da República. Se algum governador desejar a participação das tropas para qualquer coisa, tem que pedir à Presidência, esse é o fluxo", disse o general Otávio Rêgo Barros, do Centro de Comunicação Social do Exército.

Ele afirmou ainda, em entrevista ao Valor, que a mensagem principal do Exército é pedir "união" neste momento de crise. "É essencial que as Forças Armadas, até pela credibilidade que têm, tenham papel completamente institucional e de Estado. Consideramos muito importante que a instituição fique pairando acima de qualquer viés ideológico", diz (leia aqui).

Pedido de reforço do Globo

A suposta entrada dos militares na crise política foi noticiada pelos jornalistas Ricardo Noblat e Merval Pereira, do Globo. Noblat dizia que os militares cobravam de seus interlocutores no meio político uma solução rápida para a crise, ou seja, o impeachment. Merval afirmava que os generais estavam prontos para colocar tropas nas ruas.

Como se vê pela nota do general Rêgo Barros, era tudo mentira de dois dos principais colunistas do Globo, que apoiou o golpe militar de 1964. Incitadora do golpe, a Globo imaginava que a suposta delação de Delcídio Amaral e a ação policial contra o ex-presidente Lula criariam o ambiente perfeito para as manifestações de 13 de março.

No entanto, a reação foi contrária e o que se viu foi a formação de uma onda em defesa da democracia e em solidariedade ao ex-presidente Lula. Além disso, a Globo foi alvo de manifestações em frente à sua sede, no Rio de Janeiro, e em Paraty (SP), onde foi construído um triplex atribuído aos donos da Globo — o que os Marinho negam.

No 247

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