25 de mar de 2016

Globo deturpa notícia para tentar justificar o golpe após repercussão internacional — assista


Após uma repercussão negativa na imprensa internacional, que em grande número de veículos vê a democracia brasileira ameaçada por um golpe parlamentar, o Jornal da Globo e o Jornal Nacional exibiram uma mesma reportagem, pela primeira vez, na defensiva em relação ao processo de impeachment.

Esta semana publicações como o Der Spiegel (Alemanha), BBC (Inglaterra), El País (Espanha), Público (Portugal), The Guardian (Inglaterra), Página 12 (Argentina) e até mesmo a rede de televisão Al-Jazeera, entre outras, denunciaram a ameaça contra a democracia brasileira. 

Mesmo no Brasil vem crescendo o entendimento de que o processo conduzido por Eduardo Cunha (PMDB-RJ) com o apoio do DEM e PSDB, partidos cada dia mais atolados em esquemas de corrupção, é um golpe parlamentar. Esta semana, o ex-ministro dos governos José Sarney e Fernando Henrique Cardoso, o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira disse  que considera o processo de impeachment da presidenta da República Dilma Rousseff um “golpe branco”. Segundo ele, a crise atual repete as que antecederam as quedas dos ex-presidentes Getúlio Vargas e de João Goulart.

Para combater o crescimento desse entendimento, a reportagem do Jornal Nacional tentou justificar o impeachment deturpando o discurso dos que consideram o atual impeachment como um golpe.

A reportagem da Globo afirmava que a presidente Dilma Rousseff ou qualquer pessoal que compara o atual impeachment como golpe estava se referindo à prerrogativa constitucional do impeachment e não ao processo originado nas ‘pedaladas fiscais’ e  promovido por parlamentares acusados de corrupção e da própria base governista.



Daí, sem qualquer constrangimento, a Globo entrevistou o ministro do Supremo, Dias Toffoli, perguntando: o impeachment é golpe? O ministro, obviamente, respondeu que impeachment está previsto na Constituição.

Assim também fizeram com relação à ministra Carmem Lúcia, também do Supremo. Ela respondeu corrigindo o repórter que havia afirmado que Dilma Rousseff disse que impeachment é golpe. “Eu tenho certeza que a presidente deve ter dito que, é que se não se cumprir a Constituição, poderia haver algum desbordamento. O que não pode acontecer, de jeito nenhum, é um impeachment sem a observância das regras constitucionais”.

Traduzindo: se a Constituição for desrespeitada, e esse é o entendimento, impeachment é golpe. Veja a reportagem.

Veja alguns links de notícias internacionais:

1- A justiça partidária e o limiar do golpe no Brasil – Publico – Portugal

2- Golpe frio no Brasil – Der Spiegel – Alemanha

3- Juiz Moro pode ter ido longe demais – The Economist – Inglaterra

4- Juízes justiceiros que sonham com Watergate – El País – Espanha

5- The Listening Post (Full) – Dilma Rousseff’s Watergate – Al Jazeera – Emirados Arábes

6- O Brasil perante o abismo – El País – Espanha

7- Os deslizes do juiz Sérgio Moro – The Huffington Post – Estados Unidos

No Carta Campinas

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