25 de mar de 2016

Aécio disse a verdade sobre dinheiro que recebeu. Mas, falta saber: empresas que doaram R$ 60 milhões desde 2010 serviram de fachada para a Odebrecht?

O post da equipe de Aécio no Facebook e a sede de empresas que doaram uma enormidade, na Baixada
Fluminense
No conjunto de documentos apreendidos no apartamento do executivo Benedicto Barbosa da Silva Júnior, da empreiteira Odebrecht, três páginas chamam especialmente a atenção: é uma planilha impressa com o registro de doações de altos valores feitas por empresas de nomes e atividades modestas: a Leyroz de Caxias Indústria Comércio e Logística Ltda. e a Praiamar Indústria Comércio e Distribuição Ltda.

Citado na contabilidade paralela da empreiteira, o senador Aécio Neves, presidente do PSDB, disse que as doações em nome dele e do PSDB foram legais e estão declaradas à Justiça Eleitoral. Fato.

Porém, uma consulta ao Sistema de Prestação de Contas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral mostra algo espantoso: juntas, a Praiamar, a Leyroz e sua sucessora, a Rof Comercial Impex Eireli, doaram mais de R$ 60 milhões a partidos e candidatos nas eleições de 2010, 2012 e 2014.

A pergunta é óbvia: as empresas serviram apenas de fachada para doações que, na verdade, partiram dos cofres da Odebrecht? Só a investigação da Polícia Federal poderá determinar.

Curiosamente, a Praiamar e a sucessora da Leyroz dividem endereço na rua Silva Fernandes, 184, no Parque Duque, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Uma sede modestíssima para quem jogou tanto dinheiro na política.

O senador Aécio Neves, em uma postagem no Facebook, admitiu ter recebido R$ 1.696.000,00 da Leyroz em 2010, quando foi candidato ao Senado.

Naquele ano a empresa fez doações a outros candidatos tucanos: José Anibal, Arthur Virgílio, Jutahy Magalhães Junior, Antero Paes de Barros, Antonio Duarte Nogueira Jr. e Bruno Araújo. Tudo com recibo e declarado.

A Leyroz também colocou dinheiro nas campanhas de José Serra ao Planalto (R$ 1,2 milhão) e Geraldo Alckmin ao governo de São Paulo (R$ 600 mil).

Uma pergunta que não cala: por que uma empresa de Duque de Caxias, no Rio, doaria a um candidato a governador de São Paulo e a um político que pretendia se eleger deputado federal por Pernambuco?

No total, em 2010, a empresa de Duque de Caxias deu mais de R$ 4,5 milhões ao PSDB, cerca de 25% de suas contribuições eleitorais daquele ano.

Já a Praiamar doou mais R$ 1.300.000, 00 às campanhas do PSDB em 2010. Na lista do TSE, foram R$ 24 mil para o candidato ao Senado Aécio Neves, R$ 100 mil para o candidato ao governo paulista Geraldo Alckmin e R$ 300 mil para o postulante tucano ao Planalto, José Serra.

As doações eleitorais das empresas seguiram um patamar estranho.

A Leyroz doou mais de R$ 25 milhões em 2010, caiu para cerca de R$ 8 milhões em 2012 e desapareceu em 2014.

Já a Praiamar saltou de R$ 7 milhões em 2010 para cerca de R$ 21 milhões em 2012.

Nas eleições de 2014, a Leyroz foi substituída pela Rof Comercial Impex Eireli, com o mesmo CNPJ. Supostamente é uma empresa de comércio varejista de artigos de vestuário e acessórios.

Porém, o valor das doações das duas empresas caiu vertiginosamente naquele ano: juntas, a Praiamar e a Comercial Impex doaram “apenas” R$ 3,3 milhões a candidatos e partidos.

Registre-se que nas três eleições as empresas doaram democraticamente a candidatos e comitês de vários partidos.

Quem poderá desfazer o mistério em torno das empresas acima citadas? Simples: o executivo da Odebrecht Benedicto Barbosa, que fazia o meio-de-campo entre a empreiteira e políticos. Por que planilhas com os nomes de duas delas estavam em seu poder?

Da mesma forma, dirigentes da Leyroz poderão dizer às autoridades qual o interesse tinham na eleição de tantos deputados, senadores e governadores em 2010, ou de vereadores em Viamão, Santana do Livramento, Esteio e outras cidades do Rio Grande do Sul, em 2012. Vai ser interessante acompanhar os depoimentos.

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No Viomundo

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