26 de fev de 2016

Mônica Moura desconstrói tese de Moro para criminalizar Dilma


A empresária Mônica Regina Cunha Moura, esposa e sócia do publicitário João Santana, responsável por campanhas eleitorais petistas, desmentiu as duas teses dos investigadores da Operação Lava Jato que poderiam relacionar o casal ao esquema de corrupção da Petrobras para beneficiar a campanha da presidente Dilma Rousseff, em 2014. 

O elo entre Santana, a existência de uma offshore com dados não declarados à Receita e o lobista investigado na Lava Jato foi uma carta da esposa do marqueteiro a Zwi Skornicki — lobista ligado ao estaleiro Keppel Fels, anteriormente investigado na Lava Jato — e seu filho Bruno, com dados da conta da offshore do casal Shellbill para depósito e um modelo de contrato com outra empresa, controlada pela Odebrecht.

Mônica afirmou que a quantia recebida de Zwi Skornicki de US$ 4,5 milhões, valores sugeridos pela PF como resultante de propina, foi, na realidade, o pagamento da campanha eleitoral de José Eduardo Santos, para a presidência de Angola. "[Zwi] foi indicado por uma mulher responsável pela área financeira da campanha presidencial de Angola", disse Mônica Moura, em depoimento nesta quarta-feira (24), ao delegado Márcio Anselmo e ao procurador da República, Digo Castor de Mattos. 

De acordo com a publicitária, o valor era uma parte do custo total de US$ 50 milhões para a campanha do angolano, que incluía uma pré-campanha, a campanha e uma pós campanha que era uma consultoria para pronunciamentos". A declaração de Mônica coincidiu com a de João Santana, prestada no dia seguinte, quinta-feira (25). 

A empresária ainda descreveu que, deste total, US$ 30 milhões foram recebidos por meio da Polis Brasil, a empresa do casal e os outros US$ 20 milhões "foram pagos por meio de um contrato de gaveta, não contabilizado", disse, confessando a não declaração à Receita. Em uma das transferências, o casal afirmou que foi, inclusive, ao escritório de Zwi Skornicki, por indicação da área financeira do presidenciável, para acertar a transferência de US$ 4,5 milhões na conta da Shellbill, offshore do casal. Mônica comprometeu-se a apresentar o contrato para a eleição de Angola para a Polícia Federal. 

O outro suposto elo do marqueteiro da presidente Dilma e a Lava Jato seria o recebimento de quantias de uma offshore da Odebrecht, empreiteira também investigada na Lava Jato. A empresária Mônica Moura esclareceu que, em 2011, também foi orientada a procurar Fernando Migliaccio — executivo da Odebrecht e suposto pagador de propinas no esquema de corrupção da Petrobras — para receber parte dos valores da campanha realizada pelo casal para a reeleição de Hugo Chávez, na Venezuela. 

A esposa de João Santana explicou que a campanha chavista teve "um alto custo" de US$ 35 milhões e que, por isso, "grande parte desse valor foi recebida de maneira não contabilizada", ou seja, não declarada à Receita. Também admitiu que, "diante das dificuldades de pagamento", vários doadores efetuavam repasses. Ainda assim, negou que as quantias eram ilícitas e também se prontificou a apresentar documentos que comprovam os trabalhos prestados em campanhas eleitorais pelo casal.  

Ao contrário da correlação apontada, tanto pelos procuradores da equipe da Operação Lava Jato, quanto pelos desdobramentos em reportagens de noticiários, das quantias recebidas com as campanhas da presidente Dilma Rousseff e do vice Michel Temer, em 2010 e 2014, Mônica lembrou que as transferências identificadas pela PF, que registram valores a partir de 2011, foram no período de três grandes campanhas presidenciais em que o casal trabalhou: Hugo Chávez (Venezuela), José Eduardo Santos (Angola) e Danilo Medina (República Dominicana).

A publicitária ressaltou, ainda, que no Brasil os dois "só atuam no marketing eleitoral e que os principais clientes, no Brasil, são o PT, o PDT e o PMDB".

No GGN

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