26 de dez de 2015

Relativizando o "malaise" brasileiro

Sob demanda da Foreign affairs, o prestigiado latino-americanista Jorge Castañeda, mexicano que fora chanceler na presidência Vicente Fox de 2000 a 2003 e candidato às eleições presidenciais mexicanas de 2006, vem de publicar, no mais recente número da revista, uma análise sobre conjunto de escândalos político-financeiros que contribuíram para o mal-estar da região neste ano de 2015. A preocupação inicial era claramente abordar a situação do Brasil. Mas seu Latin Americans Stand Up To Corruption acaba por esclarecer e demonstrar que o malaise brasileiro é grave, mas não isolado.

Lembra que na Guatemala, escândalos de corrupção levaram o presidente Otto Pérez Mollina à renúncia seguida de prisão em inícios de setembro. Em Honduras, o presidente Juan Orlando Hérnandez tem o instituto de seu partido, o Instituto Hondurenho de Segurança Social, sob investigação por suspeita de tráfico de influência e lavagem de dinheiro. No El Salvador, a Alba Petróleos, subsidiária da petroleira estatal venezuelano, segue sob suspeitas de beneficiamento ilícito de eleições no El Salvador e na Venezuela. 

No México, a família Peña Nieto responde por um sem número de escândalos de corrupção e malversação de dinheiro público. Na Venezuela, praticamente todos os líderes políticos, incluindo o presidente Nicolás Maduro e o presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello, são suspeitos de ter enriquecido via favorecimentos a cartéis de drogas colombianos. Os casos argentinos e chilenos dispensam menção por serem abundantes e deveras sabidos.

Nessa cartografia de escândalos latino-americanos, Castañeda vai relativizando a pretensa excepcionalidade dos contenciosos e inicia a demonstração de certo padrão de explicitação de escândalos. Em sua impressão eles decorrem de ao menos três fatores.

O primeiro advém da construção de uma nova classe média em todos os países das Américas nos últimos quinze anos em função do crescimento econômico favorável. O segundo sucede da democracia como regra geral desses países o que favorece maior expressão e exposição públicas em defesa de domínios públicos. O terceiro fator vem a ser a verdadeira internacionalização da região ao longo dos últimos trinta anos, fruto da afirmação da globalização/mundialização, que forja o contágio mundial da necessidade de melhor trato público dos negócios públicos.

Dados do PNUD e demais agências das Nações Unidas informam o melhoramento progressivo de todos os índices de sociais na região nos últimos anos. Forte provável que no biênio 2014-2015 essa melhora tenha diminuído sua marcha que vinha ascendente nos últimos vinte anos. Essa desaceleração, segundo Castañeda, interfere diretamente na percepção das pessoas sobre os regimes políticos que lhes tocam ter.

Sondagens do Latinobarómetro de 2015 sobre a satisfação com a democracia indicam uma queda importante em comparação aos dez anos precedentes. Do México à Patagônia, apenas 37% da população se diz satisfeita com os regimes democráticos latino-americanos. Essa foi a menor percentagem aferida pelo barômetro desde a redemocratização sul-americana dos anos de 1980.

No Brasil, o coeficiente dessa satisfação desceu para 21%. No México, para 19%.

Relativizando o malaise brasileiro e o diluindo na perspectiva das Américas, Casteñeda acaba por indicar certo caráter estrutural das crises e de sua eclosão em 2015. Mas, alertando para os 21% de brasileiros satisfeitos com a democracia, convida todos a acender os alertas. Vaticina-se no Brasil, desde o início da contestação ostensiva à presidência Dilma Rousseff, a impossibilidade de retrocessos em seu regime democrático incluindo retorno a regimes autoritários. Parece verdadeiramente não ser provável. Mas o improvável não é impossível. Na dúvida, melhor seguir alerta.

Daniel Afonso da Silva é pesquisador no Ceri-Sciences Po de Paris.
No GGN
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Seletividade

O pagamento de R$ 60 milhões por parte da Alstom, como indenização por uso de propina no mandato do pessedebista Mário Covas em São Paulo (Folha, 22/12), a revelação de que a dobradinha Nestor Cerveró-Delcídio do Amaral remonta ao tempo em que ambos serviam ao governo Fernando Henrique Cardoso (Folha, 18/12) e a condenação do ex-presidente tucano Eduardo Azeredo a 20 anos de prisão (Folha, 17/12), por esquema análogo ao que levou José Dirceu à cadeia em 2012 (condenado à metade do tempo), confirmam que há dois pesos e duas medidas no tratamento que a mídia dá aos principais partidos brasileiros.

Enquanto o PT aparece, diuturnamente, como o mais corrupto da história nacional, o PSDB, quando apanhado, merece manchetes, chamadas e registros relativamente discretos. O primeiro transita na área do megaescândalo, ao passo que o segundo ocupa a dimensão da notícia comum.

Isso não alivia a situação do PT, o qual, como antigo defensor da ética, tinha compromisso de não envolver-se com métodos ilícitos de financiamento. No entanto, o destaque desequilibrado distorce o jogo político, gerando falsa percepção de excepcionalidade do Partido dos Trabalhadores. A salvaguarda do PSDB pelos meios de comunicação reforça a tese de que o objetivo é destruir a real opção popular e não regenerar a República.

Note-se que o acordo feito pela Alstom não inclui os processos "sobre o Metrô, a CPTM e as acusações de que a multinacional francesa fez parte de um cartel que agia em licitações de compra de trens", diz este jornal. Os 60 milhões de reais ressarcidos dizem respeito só ao "contrato de fornecimento de duas subestações de energia". Será que o montante completo dos desvios, caso computado, não chegaria a proporções petrolíferas?

Se a mídia quisesse, de fato, equilibrar o marcador, aproveitaria o gancho para mostrar que juízes, procuradores e policiais, vistos em conjunto, têm sido parciais. Enquanto a máquina investigatória avança de maneira implacável sobre o PT, o PSDB fica protegido por investigações que andam a passo bem lento. Aposto que se uma vinheta do tipo "e o metrô de São Paulo?" aparecesse todo dia na imprensa, em poucas semanas teríamos importantes novidades.

O problema, contudo, pode ser mais grave. Hipótese plausível é que os investigadores poupem o PSDB exatamente porque sabem que não contariam com a simpatia da mídia se apertassem o cerco aos tucanos. Conforme deixa claro o juiz Sergio Moro no artigo de 2004 sobre a "mãos limpas" na Itália, a aliança com a imprensa é crucial para o sucesso desse tipo de empreitada. Trata-se de um sistema justiça-imprensa, que aqui tem agido de modo gritantemente seletivo.

André Singer
No fAlha
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Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Toquinho e Miucha — na Itália


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Argentina – a mulher que se fez passar por neta da Avó da Praça de Maio, sabia que mentia


O fantasma dos falsos positivos se constata no caso da suposta neta da senhora María Isabel de Mariani. A mulher que disse ser sua neta, sabia desde junho deste ano, que não era neta de uma das fundadoras das Avós de Praça de Maio.

Neste sábado há uma coletiva de imprensa.

Por que a suposta neta mentiu?

Quem teve a vontade de colocar em ridículo os meios de comunicação da Argentina e do mundo, sabendo que era uma ‘neta falsa’? Há montada uma tática de desmoralização dos setores que lutaram contra a ditadura?

Evidentemente, na Argentina voltaram os fantasmas dos anos de chumbo.

Dois dos principais ícones da luta popular foram, desta forma, agredidos em apenas dois dias, a Lei de Meios e a Luta por Memória, Verdade e Justiça.

Tali Feld Gleiser e Raul Fitipaldi
No Desacato
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Abujamra Presidente


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Eduardo Cunha vai pra Cuba! (+ vídeo)

 Outra barrigada de Lauro Jardim 


O declarado anticomunista Eduardo Cunha e família embarcaram hoje de madrugada para Havana, em Cuba, num voo partindo do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.

Depois de passarem o Natal no Rio de Janeiro, vão passar os últimos dias do ano na ilha de Fidel Castro.

Não consta que Cunha vá pedir asilo ou tentar uma declaração de apoio do ditador.

Até porque, há pouco, uma das filhas de Cunha enviou por meio do Instagram a foto abaixo (em homenagem aos brasileiros). Cheia de significado.

Reprodução da internet

Guilherme Amado | Lauro Jardim
No O Globo






Eduardo Cunha desmente viagem para Cuba; provocação de filha irrita internautas

Presidente da Câmara dos Deputados associa notícia divulgada na tarde deste sábado (26) a "idiotas desinformados"



Apesar da negativa, a foto publicada por uma das filhas do deputado em uma rede social provocou a ira de muitos internautas.

Gabi Cunha, filha da jornalista Cláudia Cruz (esposa do deputado), postou a sugestiva foto abaixo com a legenda em inglês "vejo vocês em Cuba". A provocação não foi perdoada por muitos de seus seguidores.

Um deles devolveu na mesma moeda, comentando "vejo vocês em Bangu", em referência ao presídio localizado na zona oeste do Rio de Janeiro, que recebeu recentemente o banqueiro André Esteves, preso na Operação Lava Jato.

"Comprou o biquíni na Suíça?", caçoou outro internauta lembrando das contas associadas a Eduardo Cunha no paraíso fiscal europeu. "Viajando com dinheiro da Petrobras", completou outro seguidor.

Apesar de muitos terem pensado que a mulher da foto era justamente a filha de Cunha, a foto é da modelo Kendall Jenner, irmã de Kim Kardashian.

Procurada pela reportagem do iG, a assessoria do deputado informou que a publicação se trata de uma brincadeira de Gabi com seus seguidores.
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Entrevista com Luís Fernando Veríssimo


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PSDB não paga o marqueteiro!

A falência não é só nas urnas — é no caixa, também


Informa o Estadão — eis aí, amigo navegante, um exemplo de oximoro: o Estado informa... — que o marqueteiro Luiz González cobra do PSDB de São Paulo, na Justiça, uma continha de R$ 17 milhões!

Eram R$ 8 milhões referentes à marquetagem que resultou na surra que o Cerra — o escreveu não leu, Kátia Abreu — tomou em 2010.

Gonzalez conduziu Cerra a essa estrondosa derrota, como àquela que se tornou um "case" na história das eleições do mundo inteiro: a de 2006, em que o Alckmin teve menos votos no segundo turno do que no primeiro!!!


O presidente do PSDB de São Paulo tinha feito um acordo "de boca" com Gonzalez, para pagar em suaves 25 prestações.

Mas, não pagou.

Quem manda acreditar no que o PSDB promete "de boca".

Lembra de quando o FHC disse que não ia desvalorizar o Real?

O Gonzalez é a prova definitiva de que o PSDB de São Paulo faliu.

Em todos os sentidos.

Como o Farol de Alexandria, o PSDB não existe na vida real.

São personagens do manual de zoologia fantástica do Borges - só tem vida real no PiG.

Fora do PiG... eles penduram a conta!

Paulo Henrique Amorim

No CAf
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O incrível mundo político do Rio de Janeiro


O Rio de Janeiro é um enigma. Capital federal por muito tempo, cidade mais internacionalizada do país desde sempre, a política interna do Rio sempre foi de uma pobreza extrema.

As grandes vocações públicas rumaram para a área federal. Durante muito tempo o Rio se considerava uma espécie de farol do país rumo à modernização. Abrigou a mais brilhante geração de homens públicos brasileiros que, a partir dos anos 50, ajudou a desenhar o país. O fato de se tornar sede da Petrobras e do BNDES, da Universidade do Brasil (futura Universidade Federal do Rio de Janeiro), a convivência com empresários e investidores internacionais que por aqui aportaram durante a guerra, tudo isso contribuiu para a glória do Rio.

Mas no plano interno repetia o cenário da Proclamação da República, quando já possuía uma câmara de vereadores dominada pelo jogo do bicho.

Alguns dias no Rio é suficiente para perceber os três temas preferenciais dos cariocas: futebol, escolas de samba e política.  Qualquer cariosa tem opiniões definitivas sobre os três temas.

Qual a razão, então, do baixíssimo nível da política carioca?

Durante muito tempo a política carioca foi dominada por Chagas Freitas, em cima do jornal O Dia. Aliás Chagas Freitas era um “laranja” do governador paulista Ademar de Barros quando, com seus bônus rotativo, montou a maior máquina de corrupção da história política do país. Espalhou seus bens por dezenas de laranjas. Quando Ademar caiu em desgraça, Chagas não devolveu O Dia. Jornal sangrento, versão carioca do Notícias Populares, mesmo assim ajudou a criar uma geração de políticos, como Miro Teixeira.

Ao longo das décadas, o Rio logrou eleger apenas dois políticos de expressão nacional, Carlos Lacerda e Leonel Brizola. O restante ou se dividia entre a mediocridade mais obtusa ao exibicionismo mais desmoralizante.

No centro dessa crise estão os grupos de influência na política carioca, a começar da imprensa.

No seu auge, o Jornal do Brasil importava-se apenas com temas nacionais. Ao contrário do que se imaginava, Roberto Marinho, da Globo, não tinha cabeça internacionalizada. Fez ótimas escolhas, quando se associou ao grupo Time-Life e quando profissionalizou a TV. E sempre se cercou da maior escola de lobistas que o país já conheceu, aquela que se formou no Rio a partir dos anos 50 e manteve sua influência na máquina pública pelo menos até a década de 90.

A escola de lobby carioca se formava em torno de novas formas de negócio e do aparelhamento continuado da máquina pública, da Petrobras ao Itamarati. Os lobistas dispunham de visão ampla e conviviam com alguns dos fundadores do Brasil moderno, como Roberto Campos, Raphael de Almeida Magalhães, Eliezer Batista, Dias Leite.

Marinho conviveu com esse grupo, aprendeu a se valer de sua influência, mas seu horizonte cultural e político era restrito. Importava-se com o jornal, com a pesca submarina e com os investimentos imobiliários. Por aí se definia a blindagem ou a guerra implacável ao prefeito ou governador de plantão. Quem atendia a seus interesses imobiliários era poupado.

O segundo grupo de influência eram os bicheiros patronos de escolas de samba. O terceiro, os cartolas de clubes de futebol reunidos em torno da CBF, em estreita parceria com a Globo. O quarto, que surgiu mais recentemente, o dos pastores evangélicos.

A esse ambiente diversificado e rarefeito soma-se certa permissividade de uma cidade de praia lindíssima, mas que jamais perdeu o clima da corte, da celebração do prazer seja dos playboys desocupados que se reúnem no Leblon, seja de governadores e empreiteiros se expondo em restaurantes de Paris.

Esse clima foi favorecido pela própria formação dos grupos empresariais cariocas, a maior parte dos quais se fez com importação e representação de grupos estrangeiros, ou com estratégias no mercado financeiro e de lobby.

É lá que Aécio Neves convive com Ricardo Teixeira, que o filho do usineiro vai aproveitar o ócio, que Paulo Roberto Costa torna-se corretor imobiliários dos Marinho. E lá que o PT foi amarrar o seu burro.

O atual sistema político do Rio é uma coisa só, com Sérgio Cabral, Pezão, Eduardo Paes, Francisco Dornelles e Eduardo Cunha. E a oposição, com o filho de César Maia e Garotinho, é de chorar.

Ao longo de diversos governos federais e estaduais, a banda carioca do PMDB logrou criar uma metodologia imbatível de apropriação da coisa pública. E, em quase todos os momentos, estava a presença ostensiva de Eduardo Cunha.

Quando Ministro da Previdência, por exemplo, Dornelles levou como assessor Eduardo Cunha. Em alguns dos inquéritos contra Cunha, ele próprio logrou cooptar o Procurador Geral do Estado e agentes da Polícia Federal.

A crise do sistema de saúde do Rio de Janeiro não é mais do que consequência desse modelo, a pior síntese de um sistema político que apodreceu.

Quando se vê e estabilidade da República entre o oportunismo de Michel Temer, a falta de limites de Eduardo Cunha e a frente política do PMDB carioca, constata-se que definitivamente o modelo acabou.

Luís Nassif
No GGN
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Antipetistas “esquecem” que Fernando Henrique Cardoso recebeu R$ 6,7 milhões via Lei Rouanet


O jovem que se referiu a Chico Buarque como “um merda”, durante um bate boca no Leblon, Rio de Janeiro, certamente não havia nascido quando comecei a trabalhar como repórter-mirim no Jornal da Cidade de Bauru, no interior de São Paulo, em 1972.

Guilherme Junqueira Motta Luiz não pôde testemunhar, portanto, como foi construída a fortuna de sua família, que hoje controla a Usina Açucareira Guaíra, na Fazenda Rosário, perto de Guaíra.

Pelo jeito que ele se referiu a Chico — um mérrrrrrda —, acho que posso dizer que temos em comum o sotaque do interior paulista.

Gullherme aparentemente apagou seus perfis no LinkedIn e no Facebook, mas antes de fazer isso deu para medir qual foi a reação dele diante da repercussão do incidente.

Primeiro ele reproduziu um meme:


guilhermeDepois, um link segundo o qual “Governo liberou, via Lei Rouanet, mais de 800 mil para namorada de Chico Buarque”.

Da última vez que olhei o texto tinha sido compartilhado 172 mil vezes. O que dá a vocês a dimensão de quantos são os analfabetos políticos por aí.

Eles imaginam que Dilma foi pessoalmente entregar a mala de dinheiro.

É uma obsessão dos antipetistas.

Seja através do Bolsa Família ou da Lei Rouanet, eles acreditam que os governos Lula e Dilma compraram apoio.

Como se eles próprios não decidissem seus votos a partir de interesses de classe.

As quatro vitórias eleitorais, portanto, não valem nada.

O que diz mais sobre eles do que sobre os que teriam sido “comprados”.

Revela incapacidade de aceitar que alguém possa pensar — e votar — diferente.

Se não concorda comigo, foi corrompido!

O incidente no Leblon é o passo seguinte: suprimir no grito aqueles com os quais não se concorda.

Milícias digitais já temos. Se a gente conhece um pouco da História, em seguida vão atacar sedes de partidos políticos…

Já aconteceu? Então estamos a caminho dos espancamentos, que precedem a eliminação física.

A não ser que os brucutus sejam isolados politicamente. O que já está acontecendo.

Um arma para fazer isso, acredito, é a informação.

Tenho um colega repórter que acha que Chico Buarque fez sua última obra relevante nos anos 70 e, depois, foi uma decadência só.

Não sei se está apenas reproduzindo o que leu nas redes sociais, é possível que sim. É jovem. Talvez não conheça a discografia de Chico, não tenha lido os livros dele.

O certo é que o antipetismo carrega uma dose tão grande de ódio de classe que bloqueia o raciocínio, impede a análise dos fatos como eles são e transforma teorias conspiratórias em “verdades absolutas”, de tanto que são repetidas.

Tipo filho do Lula = dono da Friboi. Não, o filho do Lula não é dono da Friboi!

Conheço Chico Buarque apenas da sala-de-espera de uma dentista que frequentamos no Leblon. Sei que ele nunca foi de família pobre. Tem uma longa carreira, mais de 50 anos de sucesso.

É filho de um intelectual que escreveu um livro seminal para entender o país, Raízes do Brasil. E não mudou de posição no espectro ideológico. Ele não se “tornou” de esquerda por oportunismo, depois que Lula assumiu o poder, em 2002.

Faz sentido, portanto, que ele tivesse decidido apoiar governos petistas por causa de dinheiro obtido através da Lei Rouanet? Só um analfabeto político pode acreditar que um artista tão bem sucedido precisa disso.

O que Chico Buarque faz é dar retorno. E, como a Lei Rouanet é basicamente um instrumento de mercado, é fácil encontrar quem banca os projetos dele. Para as empresas, é chique associar sua imagem a alguém respeitado em todo o mundo, que é garantia de casa cheia.

Mas, peraí, os antipetistas não se dizem liberais, que defendem o mercado?

O problema é que são desinformados. E nem se dignam a usar o Google.

Poucos sabem, por exemplo,  que a Lei Rouanet  não foi inventada pelo PT: é de dezembro de 1991.

Leva a assinatura do ministro da Justiça de Fernando Collor, o “comunista” Jarbas Passarinho, coronel reformado do Exército e quadro importante da ditadura militar (minha primeira entrevista na vida, como repórter de um jornal escolar, foi com Passarinho, quando ele era ministro da Educação do governo Médici).

Sim, há muita controvérsia sobre a Lei Rouanet, mas não, ELA NÃO FOI UMA INVENÇÃO DO PT.

Sobreviveu, com ajustes aqui e ali, aos governos Itamar Franco, aos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, aos dois de Lula e ao primeiro de Dilma Rousseff. Milhares de projetos foram aprovados ao longo destes 25 anos!

Numa década foram 10 mil, envolvendo quase R$ 5 bilhões em renúncia fiscal.

E é óbvio que nenhum presidente da República saiu por aí dando dinheiro: Dilma não “deu” 800 mil reais à namorada de Chico Buarque, assim como FHC não foi pegar pessoalmente 500 mil reais nos cofres da Sabesp.

Aliás, se houve um caso controverso foi este, que os antipetistas fazem de conta desconhecer: uma empresa de economia mista, cujo controle é do estado de São Paulo, governado pelo tucano Geraldo Alckmin, abateu 500 mil reais do imposto de renda e os repassou ao instituto de FHC para uma série de projetos.

Aparentemente, cumpriu as regras.

É assim que funciona a Lei Rouanet: o dinheiro vem de pessoas físicas ou jurídicas, autorizadas a abater respectivamente 6% ou 4% do imposto de renda para financiar os projetos, que passam pelo crivo de um corpo técnico do Ministério da Cultura.

O Minc não aplica critério ideológico: analisa a viabilidade do projeto. Tanto que, se você se der ao trabalho de analisar as planilhas de projetos aprovados (está tudo no site do Ministério), vai encontrar de tudo.

Nós mesmos, aqui neste site, já protestamos pelo fato de que R$ 5,2 milhões foram captados para bancar uma temporada do Disney On Ice, em 2011! Em outro episódio que deu o que falar, por causa do preço salgado dos ingressos, uma empresa captou R$ 22,3 milhões para temporadas do Cirque Du Soleil em 2006.


Será que o Guilherme Motta, obcecado pelo Chico Buarque, sabe que a bilionária Rede Globo pagou 81% da minissérie Serra Pelada (R$ 6,8 milhões) com recursos captados pela Lei Rouanet? Que em 2008 a Fundação Roberto Marinho já tinha colocado R$ 6,2 milhões no Museu do Futebol, em São Paulo, usando o mesmo caminho?

A Globo fez um bom negócio com requintes de crueldade: ocupou um espaço físico em um estádio municipal, o Pacaembu, abateu a grana do imposto de renda, “controlou” a História do futebol (não há referências à corrupção no Museu do Futebol da Globo) e associou seu nome ao esporte mais popular no país. Houve protestos dos que agora se levantam contra Chico Buarque?

Veja, clicando aqui, quem o governo Dilma “comprou” na última reunião da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura, que tem gente especializada para tomar as decisões: o Catraca Livre, do Gilberto Dimenstein! Mais um petralha…por R$ 2.230.360,00.

Como os antipetistas não entendem ironia, que fique registrado: Dimenstein é crítico do PT.

Os antipetistas amaram disseminar este link, sobre uma peça dirigida por Jô Soares em 2014, com financiamento de quase R$ 2 milhões via Lei Rouanet.

Era a “prova” para explicar uma suposta “mudança de lado”.

Por este raciocínio, Rita Lee e Cláudia Leite também estão no bolso de Dilma. Assim como… Fernando Henrique Cardoso.

Como explicar que o Instituto FHC foi autorizado a captar mais R$ 6,2 milhões pela Lei Rouanet, em 2014, para digitalizar seu acervo? Vai ver que é o motivo para FHC não ter comparecido às manifestações pró-impeachment.

Finalmente, é preciso deixar claro que o atual ministro da Cultura do governo Dilma, Juca Ferreira, acha que a Lei Rouanet, no formato atual, já deu o que tinha de dar. É uma opinião razoavelmente disseminada:
Oitenta por cento do total renunciado vai para (os estados de) Rio e São Paulo. Sessenta por cento, para duas cidades (as capitais), e são sempre os mesmos (proponentes) que recebem: os que dão retorno de imagem às empresas. Não é culpa da empresa. Se criamos um mecanismo para isso, ele pode ser usado. Mas não é parceria público-privada. É outra coisa.

É o quê?

Esse dinheiro corresponde a 80% do que o governo federal tem para financiar atividades culturais no Brasil. Levando em consideração o que eu falei, me diga: é possível desenvolver política pública assim? A Rouanet dá a aparência de parceria público-privada, mas é a empresa decidindo onde vai aplicar o dinheiro, é a privatização de recursos públicos para construir imagens de empresas, algumas delas altamente lucrativas.
Provavelmente — é impossivel assegurar — o ministro estava se referindo entre outros ao Itaú Cultural, que por vários anos liderou o abatimento de impostos via Lei Rouanet (entre 2010 e 2012, R$ 81 milhões).

Não haverá manifestação de antipetistas segunda-feira diante do bilionário Banco Itaú.

Eles jamais vão admitir que a Lei Rouanet é um mecanismo de mercado, “conservador”, pelo qual as empresas abatem impostos e investem na associação de sua imagem a este ou aquele projeto/artista.

Não é o governo Dilma, como não foi o de FHC, quem comanda o jogo. São as empresas, que privilegiam o que dá retorno: Holiday On Ice inclusive.

É um jeito muito mais barato de fazer marketing do que comprar anúncios de 30 segundos que custam 600 mil reais (tabela cheia) no Jornal Nacional.

Este é um debate rico e muito interessante, com diversos pontos-de-vista. Mas os antipetistas não estão interessados nele. Vão continuar recortando a realidade que lhes interessa e usando as pílulas de informação que alimentem o ódio contra Chico Buarque, Jô Soares ou quem lhes aparecer no caminho.

Nossa mídia rasteira não ajuda. Fulanizou a Lei Rouanet. Foca na Maria Bethânia, mas esquece o Itaú Cultural.

Fornece informações descontextualizadas aos analfabetos políticos, que formam uma espécie de exército da ignorância digital. É uma batalha de informação desigual, mas que precisa ser travada.

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Áudio sobre Chico: Eric enquadra coxinha da Band

Não foi bem assim, minha filha...




No CAf
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Chile: Aprueba que la educación universitaria sea gratuita

Un hombre escribe un cartel el 22 de diciembre de 2015, durante la marcha “Ni un peso más al mercado.
Educacion gratuita y de Calidad” convocada por la Confederación de Estudiantes de Chile (CONFECH) en el
centro de Santiago de Chile (Chile).
Foto: Elvis González / EFE
La universidad en Chile será gratis a partir de 2016. El Congreso chileno aprobó este miércoles la ley de gratuidad en la educación superior, después de una intensa tramitación parlamentaria que ha resucitado las protestas del movimiento estudiantil ante el temor de que la promesa del Gobierno de Michelle Bachelet quedara desdibujada.

La Cámara de Diputados dio el visto bueno a la Ley Corta de Gratuidad con 92 votos a favor, dos en contra y una abstención, ratificando así la decisión del Senado. La ley estuvo a punto de morir el pasado 10 de diciembre cuando el Tribunal Constitucional se pronunció en contra al considerar que era “discriminatoria” por favorecer a las universidades seleccionadas para disfrutar de la gratuidad.

Para reactivarla, el Gobierno decidió modificar el título de beneficiarios, que finalmente abarca a las universidades públicas que se comprometan a mantener o mejorar su “acreditación institucional” (certificado de calidad) y a las privadas que lo mantengan o mejoren al menos cuatro años y no tengan fines lucrativos.

La Moneda ha salvado el espíritu de la ley al incluir una ayuda estatal para las universidades públicas, que pasará de 2.500 a 5.000 millones de pesos (de 3,2 a 6,5 millones de euros) y se financiará con los aportes del sistema privado. Además, aunque los Centros de Formación Técnica y los Institutos Profesionales han quedado fuera de la gratuidad (en contra de lo que pedía la oposición), se ha aumentado el importe de las becas para sus alumnos.

Fruto de las luchas estudiantiles

La presidenta de Chile, Michelle Bachelet, celebró ayer la promulgación de la esta ley que se empezará a implementar a partir de 2016. “Ayer, como país, dimos un paso importante en el camino de la gratuidad en la educación superior, un paso que hace tres años era impensable y parecía imposible de realizar“, dijo la mandataria.

Bachelet manifestó su agradecimiento a todos los parlamentarios que apoyaron el proyecto del Gobierno y “se la jugaron por las familias”, pues gracias a ellos “miles de jóvenes podrán estudiar gratis” en 2016.

La promulgación de la nueva norma “no fue fácil”, según Bachelet, quien señaló que “ha prevalecido la sensatez y este 27 de diciembre, cuando los chiquillos tengan que postular, (…) van a poder acceder a la gratuidad las y los jóvenes pertenecientes al 50 % más vulnerable y que estudien en instituciones que cumplan condiciones de calidad y que no tengan lucro“.

La gratuidad en la educación superior universitaria fue una de las principales demandas de los estudiantes que, desde 2011 se lanzaron a las calles para reclamar su derecho a estudiar sin estar condicionados por su capacidad económica.

No CubaDebate
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A prova de que a Globo e a CBF arruinaram o futebol brasileiro

Não tem um único jogador em atividade no Brasil! Um único!


O excelente jornal inglês The Guardian fez uma rigorosa pesquisa com eleitores — entre eles o Zico — de todo o mundo para escolher os melhores jogadores de futebol de 2015.

É o balanço da ruína do futebol que se joga no Brasil, sob o comando (o FBI tarda mas não falha!) da Globo em conluio com a CBF.

Não há na lista um único jogador em atividade no futebol brasileiro, no momento.

Esses 'jênios' que a Globo fabrica, os do Corinthians, os Renato Augusto, Ralf, Elias, Vagner Love (!!!), essa deslumbrante mediocridade feita maravilhosa, para remunerar os patrocinadores do Brasileirinho, essa turma não chegaria à lista dos 200 melhores.

Na lista do Guardian, a Argentina tem dois jogadores em atividade lá: o Tevez, que voltou ao Boca para ajudar a eleição do Macri e o Carlos Sánchez, o uruguaio do River Plate.

A lista tem nove brasileiros e seis argentinos.

Em tempo: a única decisão da Cristina K que o Macri pretende manter foi a que tomou a transmissão do futebol do grupo Clarin (a Globo de lá) e distribuiu, através da tevê estatal, a todo mundo que quisesse transmitir.

Foi providencia tão popular que mesmo o Aecím deles não ousa reverter!

Viva o Brasil!

Paulo Henrique Amorim

No CAf
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O recado dos EUA e da UE para seus capachos antinacionalistas latino-americanos: “Façam o que dissermos. Não o que fazemos.”

http://www.maurosantayana.com/2015/12/o-recado-dos-eua-e-da-ue-para-seus.html


Para os energúmenos que dizem que nos EUA o Estado não interfere na economia, uma notícia: só na semana passada foi aprovado pelo Congresso, em Washington, o fim da proibição da exportação de petróleo norte-americano, que perdurou por longos 40 anos.

Por lá, existe uma lei de conteúdo local, o Buy American Act — que, como ocorre no caso da Petrobras, aqui seria tachada de “comunista” e “atrasada” pelos entreguistas — que, desde 1933, exige que o governo dê preferência à compra de produtos norte-americanos, e que foi complementada por outra, com o mesmo nome e objetivo, em 1983.

Na área de defesa, nem um parafuso pode ser comprado pelas forças armadas norte-americanas, se não for fabricado no país.

E se a tecnologia ou o desenho pertencer a uma empresa estrangeira, ela é obrigada a se associar, minoritariamente, a um “sócio” norte-americano, para produzir, in loco, o produto.

Quem estiver duvidando, que pergunte à EMBRAER, que, para fornecer caças leves Super Tucano à Força Aérea dos EUA, teve que se associar à companhia norte-americana Sierra Nevada Corporation e montar uma fábrica na Flórida.

No Brasil, a nova direita antinacionalista, grita, nas redes sociais, o mantra da privatização de tudo a qualquer preço. Citando, automaticamente, fora de qualquer contexto, os Estados Unidos, os hitlernautas tupiniquins não admitem que estatais existam nem que dêem eventuais prejuízos, ignorando que nos EUA — a que eles se referem, abjeta apaixonadamente, como se não vivêssemos no mesmo continente, como America — a presença do estado vai muito além de setores estratégicos como a defesa.

No nosso vizinho do Norte o transporte ferroviário de passageiros, por exemplo, é majoritariamente atendido por uma empresa estatal, a AMTRAK, que – sem ser incomodada ou atacada por isso – dá um prejuízo de cerca de um bilhão de dólares por ano, porque, nesse caso, o primeiro objetivo não pode ser o lucro, e, sim, o atendimento às necessidades da população, incluídas as camadas menos favorecidas.

A União Européia, que posa de liberal no comércio internacional, e cujos jornais econômicos — assim como o Wall Street Journal, dos EUA — adoram ficar (a palavra que queríamos usar é outra) — ditando regras para o governo brasileiro, acaba de postergar, até segunda ordem, o acordo de livre comércio com o Mercosul, mesmo depois da eleição de Fernando Macri, adversário de Cristina Kirchner, na Argentina.

Apesar da propaganda contrária por parte da imprensa brasileira, a culpa não foi do Brasil ou do Mercosul.

Como previmos no post “o porrete e o vira-lata” os europeus roeram a corda porque, protecionistas como são, não querem eliminar seus subsídios ao campo nem abrir o mercado do Velho Continente aos nossos produtos agrícolas, nem mesmo em troca da assinatura de um acordo que pretendem cada vez mais leonino — para eles é claro — com a maioria dos países da América do Sul.

Se no plano econômico é assim, no contexto político a estória também não é muito diferente.

Os bajuladores dos EUA entre nós acusam a Venezuela e a Argentina — onde a oposição venceu democraticamente as respectivas eleições há alguns dias — de ditaduras “bolivarianas”.

Mas não emitem um pio com relação a “democracias” apoiadas pelos EUA, como a Arábia Saudita — governada e controlada por uma família real com algumas centenas de membros.

Um reino que detêm um fundo, estatal e bilionário, que acaba de comprar 10% da terceira maior empresa de carnes brasileira, a Minerva Foods.

E uma monarquia fundamentalista na qual as mulheres votaram pela primeira vez, apenas na semana passada.
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O PSDB criou uma 'organização criminosa complexa'

Ex-governador tucano foi condenado a 20 anos de prisão por lavagem de dinheiro e peculato. Juíza destaca a complexa rede criada para sustentar reeleição.


Na sentença proferida no dia 16 de dezembro de 2015, a Juíza Melissa Pinheiro Costa Lage Giovanardi, da 9ª Vara Criminal de Belo Horizonte, concluiu que "diante de todo o conjunto probatório que fora exposto, não restam dúvidas de que o acusado EDUARDO BRANDÃO DE AZEREDO, para disputar a reeleição ao cargo de Governador do Estado de Minas Gerais, no ano de 1998, criou uma estrutura político-financeira a fim de legitimar, lavar, os vultuosos recursos que seriam utilizados durante a campanha. Criou se uma organização criminosa complexa, com divisão de tarefas aprofundada, de forma metódica e duradoura".

"Foi criado um caixa robusto para a campanha eleitoral, com arrecadação de fundos de diversas fontes, inclusive de recursos públicos da COPASA, da COMIG e do BEMGE, aproveitando- se do uso da máquina pública. Utilizando- se das empresas de publicidade de propriedade de MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA realizou -se o processo de legitimação do dinheiro ilícito e sua distribuição aos colaboradores da campanha, recursos esses que não constaram na prestação de contas apresentada perante a Justiça Eleitoral pela coligação PSDB -PFL".

O ex-governador tucano foi condenado a 20 anos e 10 meses pelos crimes de lavagem de dinheiro e peculato, que corresponde ao uso do cargo público para o desvio de dinheiro público. A sentença completa pode ser lida na página do Tribunal de Justiça de Minas Gerais - http://goo.gl/yOTvgq.

Na sentença, a Juíza salienta que "Diante de todas as provas acostadas e analisadas, não há outra conclusão que não seja a de que a autoria restou devidamente comprovada, sendo certo que o acusado, juntamente com seus pares, planejou e determinou a execução de toda a empreitada criminosa a fim de desviar dinheiro público das empresas estatais ...".

Esta engrenagem corrupta, que contaminou o sistema político brasileiro, foi inventada pelos tucanos nos anos 1990, e envolveu personagens e empresas conhecidas posteriormente no chamado "mensalão", como Marcos Valério, Cristiano Paz, Ramon Hollerbach, SMP&B Publicidade Ltda, DNA Publicidade e Banco Rural.

Nos escândalos atuais da Petrobrás, é instigante que tanto os personagens da era tucana como os mecanismos de corrupção e propina se repetem hoje.

O PSDB fez de tudo para impedir a apuração e o julgamento da "organização criminosa complexa" que criou em Minas Gerais, assim como faz em relação à corrupção que implantou na Petrobrás no período do governo FHC e como faz em relação aos escândalos que se sucedem em São Paulo nas duas décadas de governos tucanos naquele estado.

Jeferson Miola
No Carta Maior
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Ateísmo e religiosidade


Parece básico, mas é importante salientar a diferença entre religiosidade e religião.

Religião é manifestação humana sobre outros, com o único propósito de dominação. É expressão de poder.

Religiosidade não é manifestação.

Religião não prescinde de um deus a que tudo criou e comanda. E por comando entenda-se hierarquia. E hierarquia pressupõe escala de valores.

Religiosidade não precisa de deus. Nem de hierarquia e, menos ainda, de escala de valores.

Por isso é muito difícil ser e se manter ateu ao longo da vida.

Ser ateu, ao contrário de professar uma religião, exige constante e árduo trabalho interior, coisa que a crença não nos proporciona. Quem crê não questiona.

Ateísmo e religiosidade antecedem à religião. E, quando surgiram, deus não existia.

Deus surgiu, na história humana, ou da incapacidade de compreensão das relações entre o homem e a natureza ou quando um mané qualquer, percebendo essa incapacidade, resolveu se empoderar.

Em “2001, Uma Odisseia no Espaço”, há uma cena clássica da invenção de deus, quando um dos macacos descobre que um osso poderia ser usado para matar oponentes e, com isso, não apenas derrotar inimigos da própria espécie, mas obter louvores dos seus.



Deus nasce dessa ideia, a de que para sobreviver é necessário destruir, matar, subjugar, submeter. E, por consequência, submeter-se ao mais “forte”.

Com o osso nascem a escravidão, a propriedade e a subserviência, tão caras ao povo judeu em sua história. E não é por menos que são os judeus os autores do deus que até hoje é venerado pela maioria da humanidade: judeus, cristãos e muçulmanos.

E com eles nasce a fusão entre religiosidade e religião. Judeus criaram deus; cristãos e muçulmanos o elevaram a categoria de extremo a ser impensado.

Jesus e Maomé, cada qual ao seu modo, tentaram mostrar que havia algo além das religiões existentes em suas épocas: o judaísmo, para Jesus, o cristianismo e o judaísmo para Maomé.

Aproveitando-se do que havia de religiosidade entre os judeus, mas não da religião, foram além: propuseram um retorno à religiosidade.

A abolição do osso como fonte da essência humana.

E é isso que me parece ser a dificuldade de ser ateu: compreender a nossa essência antes do osso. Antes de precisar de um deus.

Religiosidade, osso, religião, deus.

E não é por mera coincidência que o osso se transforma em tecnologia. Deus também foi — e é — pura tecnologia.

É, sem dúvida, difícil ser ateu…

Luiz Afonso Alencastre Escosteguy
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