25 de dez de 2015

O economista irrelevante da 'Folha'

Ele
Colunista da Folha e frequentador assíduo do Instituto Millenium — o antro conspiratório dos barões da mídia e de vários empresários que sonegam impostos —, Alexandre Schwartsman é conhecido pela agressividade dos seus artigos. Ele não polemiza, mas dá coices! Não argumenta, mas relincha. Ele adora xingar os seus oponentes: "Dona Anta", referindo-se à presidenta Dilma; "jumentinho de ouro", quando caluniava o ex-ministro Guido Mantega; entre outros rótulos maldosos. 

Com já escreveu o blogueiro Luis Nassif, "há tempos Alexandre Schwartsman converteu-se em uma espécie de Arnaldo Jabor da economia. Não solta análises: faz pregações. E com um estilo debochado que impressiona seus colegas, menos pelo conhecimento, mais pela falta de compostura em uma comunidade em geral menos disposta a brigas de botequim". 

Adorador do "deus-mercado", o ex-economista-chefe do Grupo Santander-Brasil e ex-integrante do Banco Central é um defensor radical dos dogmas neoliberais do desmonte do Estado, da nação e do trabalho. Ele prega abertamente o aumento da taxa de juros como único mecanismo para o controle da inflação, mesmo que isto cause desemprego. Danem-se os trabalhadores! Sua sinceridade tacanha, porém, incomoda até os banqueiros. Segundo a enciclopédia virtual Wikipédia, "a sua demissão do Santander em 2011 foi atribuída ao seu estilo, que alguns na instituição consideravam como sendo 'agressivo' e 'arrogante'". Atualmente, ele é sócio da consultoria Schwartsman & Associados. 

Nesta quarta-feira (23), o neoliberal obrou mais um de seus detritos. No artigo intitulado "Barbooosa (ou O ministro irrelevante)", ele tentou desqualificar o novo titular da Fazenda com suas grosserias. "A ascensão e a queda de Joaquim Levy são prova eloquente de que até mesmo um ministro bem-intencionado e tecnicamente preparado está longe de ser suficiente para levar a cabo o ajuste requerido pela economia brasileira após anos de maus-tratos... Se sua trajetória à frente da Fazenda teve algum propósito, foi o de demonstrar que nenhum economista sério teria como aceitar o cargo em circunstâncias semelhantes... Restou, portanto, Barbosa, cujas traquinagens na formulação da chamada "Nova Matriz Econômica" são bem conhecidas". E conclui: "Nelson Barbosa não tem mesmo a menor importância". 

Alguns dias antes, um grupo de renomados economistas e intelectuais já havia enviado uma carta à direção da Folha com duras críticas ao seu colunista desequilibrado e irrelevante. Vale conferir:

* * *

Ao jornal Folha de S. Paulo

Nós, abaixo assinados, vimos a público protestar veementemente contra a vileza de Alexandre Schwartsman (“O Porco e o Cordeiro”, Folha de S. Paulo, 16/12/2015), que atinge de forma acintosa a professora Leda Paulani e o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, com quem o colunista mantém divergências públicas no campo das ideias, aludidos covarde e indiretamente como “Leitoa” e “Porco”.

A agressão é duplamente vil, porque, cifrada, só pode ser compreendida pelas pessoas que tenham conhecimento de outras ofensas, igualmente violentas, perpetradas pelo mesmo colunista aos dois professores.

A falta de decência também se manifesta no chamar de “jumentinho italiano” e de “Dona Anta” duas autoridades legítimas de governo eleito e democrático.

Em geral, tal tipo de vilania merece ser desconsiderado, pois visa sempre a estampar manchetes, às quais não logra o agressor chegar por mérito, talento ou conhecimento. Mas há limites até para a sordidez!

Repudiamos o desrespeito no plano pessoal, a intolerância inadmissível no plano da disputa política democrática e a violação de todas as regras elementares do debate plural e civilizado de ideias.

Repudiamos também a conivência da Folha de S.Paulo e do respectivo editor na prática de tamanha torpeza, transgredindo o código de ética que o próprio jornal afirma seguir.

Assinaturas:

Ademir Aparecido Paschoa, produtor.

Adriana Nunes Ferreira, economista.

Adriano Biava, economista.

Airton Paschoa, escritor.

Alcides Goularti Filho, Unesc.

Alcides Silva de Miranda, Professor Associado – Cursos de Graduação, Pós-graduação e Laboratório de Apoio Integrado em Saúde Coletiva – UFRGS.

Amilton Jose Moretto, economista.

Ana Mesquita, economista.

Ana Rosa Ribeiro de Mendonça, professora do IE/Unicamp.

Ana Tereza da Silva Pereira Camargo, médica, Diretora Administrativa do CEBES.

Anderson Henrique dos Santos Araújo, professor, Universidade Federal de Alagoas.

Andre Lázaro, professor da UERJ e pesquisador da Flacso-Brasil.

André Martins Biancarelli, professor e diretor associado do Instituto de Economia (IE/Unicamp).

André Paulani Paschoa, Advogado.

Andrés Vivas Frontana, economista, professor de Economia da ESPM e da Fecap.

Anivaldo Padilha, presidente do Fórum 21.

Antônio do Amaral Rocha, jornalista e editor, São Paulo.

Antonio Prado, economista.

Antonio Tadeu Oliveira, demógrafo.

Barbara Fritz, director of the Institute for Latin American Studies (Freie Universität Berlin).

Bruno de Conti, economista.

Camila Gripp, pesquisadora, The New School for Social Research.

Carlos Alonso B. de Oliveira, economista.

Carlos Eduardo Silveira, economista.

Carlos Salas, economista.

Ceci Vieira Jurua, economista.

Celso Amorim, diplomata.

Christy Ganzert Pato, professor da Universidade Federal da Fronteira Sul.

Cilaine Alves Cunha, professora de literatura brasileira (FFLCH/USP).

Claudio Castelo Branco Puty, professor UFPA e secretário executivo do Ministério do Trabalho e Previdência.

Cornelis Johannes van Stralen, psicologo social e cientista político, professor aposentado da UFMG.

Dainis Karepovs, historiador.

Daniel Brazil, roteirista e diretor de TV.

Daniela Magalhães Prates, economista, professora associada do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisadora do CNPq.

Danilo Araujo Fernandes, professor da Universidade Federal do Pará.

Denis Maracci Gimenez, professor do Instituto de Economia da Unicamp.

Domingos Leite Lima Filho, Programa de Pós-Graduação em Tecnologia, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

Eduardo Fagnani, economista (IE/Unicamp).

Eleutério F. S. Prado, professor titular da USP.

Eli Iola Gurgel Andrade, professora associada da Faculdade de Medicina da UFMG.

Elias Jabbour, professor adjunto da FCE-UERJ.

Elizabeth Harkot de La Taille, professora associada, Estudos Linguísticos e Literários em Inglês, Departamento de Letras Modernas (FFLCH/USP).

Elizete Mitestaines, jornalista.

Emilio Chernavsky, doutor em Economia (FEA/USP).

Erminia Maricato, professora titular aposentada da USP.

Fabrício de Oliveira, economista.

Fernando Caldas, historiador, mestre pela USP.

Fernando Ferrari Filho, professor de Economia da UFRGS.

Fernando Nogueira da Costa, professor titular do IE-UNICAMP.

Fernando Rugitsky, professor da FEA/USP.

Francisco Alambert, professor de História (FFFLCH/USP). istóriaHist´roia

Francisco Luiz C. Lopreato, economista e professor do IE/Unicamp.

Francisco Menezes, economista.

Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti, professor.

Frederico Gonzaga Jayme Jr., professor Economics Department, Cedeplar (UFMG).

Frederico Mazzucchelli, economista.

Gaudencio Frigotto, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Gema Martins, advogada.

Giorgio de Marchis, Università degli Studi Roma Tre, Dipartimento di Lingue, Letterature e Culture Straniere.

Guilherme Leite Gonçalves, professor de Sociologia do Direito da UERJ.

Guilherme Mello, economista.

Heloísa Fernandes, socióloga, USP.

Iná Camargo Costa, professora aposentada da USP.

Isabel Frontana, historiadora, mestre pela USP.

Isabel Loureiro, professora de Filosofia (UNESP).

Isabela Soares Santos, cientista social.

João Policarpo R. Lima, Departamento de Economia da UFPE/Pesquisador do CNPq

João Sayad, economista, professor da FEA/USP.

João Whitaker, professor livre-docente (FAU/USP) e secretário municipal de Habitação de São Paulo.

José Carlos Braga, economista.

Jose Dari Krein, economista.

José Esteban Castro, Newcastle University, Reino Unido.

Juan Pablo Painceira, economista, Banco Central do Brasil.

Julia Braga, professora associada da Faculdade de Economia da UFF.

Jurema Alves Pereira, assistente social, doutoranda (UERJ).

Laura Carvalho, professora da FEA/USP.

Laura Tavares, economista.


Lauro Mattei, professor de Economia da UFSC.

Lena Lavinas, professora titular do Instituto de Economia da UFRJ.

Lenina Pomeranz, professor da FEA/USP.

Léo Heller, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz.

Leonardo Boff, teólogo, professor emérito de ética da UERJ e membro da Iniciativa Internacional Carta da Terra.

Ligia Giovanella, médica, pesquisadora Fiocruz.

Luciana Vieira, economista.

Luiz Eduardo de Vasconcelos Moreira, psicanalista.

Luiz Eduardo Simões de Souza, Universidade Federal do Maranhão – PPGDSE.

Luiz Fernando de Paula, economista (UERJ).

Luiz Filgueiras, professor de Economia da UFBA.

Magda Biavaschi, desembargadora aposentada e pesquisadora CESIT

Manuela Lavinas Picq, Universidade San Francisco de Quito.

Marcelo de Carvalho, docente do Curso de Ciências Econômicas (Unifesp).

Marcelo Miterhof, economista.

Marcelo Weishaupt Proni, economista.

Márcio Lupatini, professor da UFVJM.

Marcio Pochmann, economista.

Marcio Sotelo Felippe, advogado.

Maria Augusta Bernardes Fonseca, professora universitária.

Maria Ciavatta, PPG-Educação Universidade Federal Fluminense.

Maria de Lourdes Rollemberg Mollo, professora do Departamento de Economia da Universidade de Brasília.

Maria Elisa Cevasco, professora (FFLCH/USP).

Maria Noemi de Araujo, psicanalista.

Maria Rita Kehl, psicanalista.

Marildo Menegat, professor (UFRJ).

Marina Macambyra, bibliotecária.

Mário da Costa Campos Neto, professor titular em Geologia Estrutural e Geotectônica do Instituto de Geociências (USP).

Maryse Farhi, economista.

Maurílio Maldonado, advogado.

Miguel Bruno, economista.

Nazareno Affonso- Urbanista e artista Plástico

Nelson Fernando de Freitas Pereira, médico.

Niemeyer Almeida Filho, professor titular do Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia e presidente da Sociedade Brasileira de Economia Política.

Paula Motagner, economista.

Paulo Daniel e Silva, economista.

Paulo Sérgio Fracalanza, diretor do IE/Unicamp.

Paulo Henrique Furtado de Araujo, economista, professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e diretor da Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP).

Pedro Cezar Dutra Fonseca, professor titular do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFRGS.

Pedro Paulo Zahluth Bastos, professor associado (livre-docente) do Instituto de Economia/Unicamp.

Pedro Rafael Lapa, economista.

Pedro Rossi, economista.

Pierre Salama, Professor emeritus, economia, Universidade de Paris XIII

Potyara Pereira, professora da Universidade de Brasília.

Ramón García Fernández, professor (UFABC).

Raquel Raichelis, assistente social, professora da PUC/SP.

Remi Castioni, Faculdade de Educação (UnB).

Rennan Martins, jornalista e editor do Blog dos Desenvolvimentistas.

Ricardo Antônio de Souza Karam, especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, doutor em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (PPED/UFRJ).

Ricardo Musse, professor de Sociologia (FFLCF/USP).

Ricardo Oliveira Lacerda de Melo, professor associado da Universidade Federal de Sergipe/ Departamento de Economia.

Roberto Schwarz, professor de Literatura, Unicamp.

Rodrigo Pimentel Ferreira Leão, mestre em Desenvolvimento Econômico.

Ronaldo Coutinho Garcia, técnico de Planejamento e Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Rosana Icassatti Corazza, economista, doutora em Política Científica e Tecnológica e professora do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas.

Rosangela Ballini, Professora – IE/Unicamp

Rubem Murilo Leão Rego, professor (Unicamp).

Rubens Luis Ribeiro Machado Jr., professor da ECA/USP.

Rubens Sawaya, economista.

Salete de Almeida Cara, professora (FFLCH-USP).

Sandra Regina Alouche, professora universitária.

Sebastiao Velasco, IFCH/Unicamp.

Sérgio Alcides Pereira do Amaral, professor da Faculdade de Letras da UFMG.

Sérgio Rosa, bancário.

Silvio Antônio Ferraz Cario, economista e professor da UFSC (Campus Florianópolis).

Simone Deos, economista.

Solange Puntel Mostafa, professora da USP.

Tania Bacelar de Araujo, doutora em economia e professora aposentada da UFPE.

Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul.

Tiago Oliveira, economista, mestre e doutor em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp.

Vanessa Petrelli Corrêa, professora titular, IE/UFU.

Wagner Nabuco, editor da Caros Amigos.

Waldir Quadros, professor.

Walquiria Domingues Leão Rego, professora universitária, Unicamp.

Walter Belik, economista.

Wilson Cano, economista.

Wladimir Pomar, economista.

Altamiro Borges
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Brasil registra alta de 26% nas vendas online para o natal

As vendas de Natal no varejo eletrônico registraram R$ 7,4 bilhões, segundo a empresa E-Bit/Buscapé


As vendas de Natal e Black Friday no varejo online brasileiro tiveram alta de 26% na comparação com o mesmo período de 2014, para R$ 7,4, segundo informou a empresa E-Bit/Buscapé, nesta sexta-feira (25).

O varejo online tem crescido mais que o varejo físico no Brasil, uma vez que sua base é menor e cada vez mais consumidores têm realizado suas primeiras compras pela Internet.

De acordo com a empresa Buscapé Company, o crescimento das vendas no período de 15 de novembro a 24 de dezembro superou as expectativas, que estava em torno de 22%. Os números incluem também as vendas da Black Friday.

“As três categorias que mais venderam foram eletrodomésticos, moda e acessórios e telefonia e celulares”, disse a empresa em comunicado.

A quantidade de pedidos foi de R$ 17,6 milhões, aumento de 16% ano contra ano. O valor médio foi de R$ 420,08, avanço de 8,4% na mesma base de comparação.

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O Pior Brasileiro do Ano

Golpista
Não faltaram candidatos fortes, mas é de Aécio, com folga, o título de Pior Brasileiro do Ano.

Aécio só não fez o que deveria fazer: trabalhar no Senado. Fazer jus ao salário e mordomias que os brasileiros lhe pagam.

Ele consumiu seu tempo em conspirações contra a democracia em 2015. Tentou, e continua a tentar, cassar 54 milhões de votos, sob os pretextos mais esdrúxulos, cínicos e desonestos.

Adicionou um novo e definitivo rótulo a sua imagem de playboy do Leblon, adepto de esforço mínimo e máximas vantagens: o de golpista.

Para tanto, andou sempre nas piores companhias da República. Esteve constantemente junto de Eduardo Cunha, que só não levou o título de Pior Brasileiro porque Aécio existe.

Aécio foi vital para que Cunha se sagrasse presidente da Câmara dos Deputados. Depois, quando já eram avassaladoras as provas de ladroagem de Cunha, Aécio armou um esquema de blindagem para que ele não respondesse por seus crimes. Tudo isso para que suas pretensões de golpista obtivessem sucesso.

Aécio protegeu, preservou Cunha. E assim contribuiu decisivamente para que ele chegasse ao fim do ano ainda na presidência da Câmara, o que representa uma tonitruante bofetada moral no rosto da nação.

Pode-se dizer que Cunha é filho de Aécio. São sócios no crime de lesa democracia.

Tanto ele fez que teve acabou recebendo uma resposta espontânea da sociedade. Fazia muito tempo que um político não era motivo de tantas piadas.

2015 foi o ano do Aécio golpista, e também o ano do Aécio piada.

Sua incapacidade patológica de aceitar a derrota se transformou em gargalhadas nas redes sociais.

Qualquer pessoa que caísse no ano, a piada estava pronta. Se o Mourinho cair, assume o Aécio?

Houve humor de outra natureza, também. Memes brotaram em profusão, dias atrás, depois da coroação equivocada como Miss Universo da candidata da Colômbia. Nestes memes, Aécio aparecia como a Miss Colômbia.

O que todos lembravam, ali, eram os escassos momentos pelo qual Aécio se julgou vencedor das eleições presidenciais de 2014.

Ele recebera já informações segundo as quais ganhara de Dilma, e armara uma festa em Belo Horizonte. A comemoração foi brutalmente abortada quando foram anunciados os resultados oficiais.

A imagem da decepção ganhou as redes sociais numa das fotos mais compartilhadas das eleições.

Tivesse grandeza de espírito, Aécio faria o básico. Ligaria para Dilma para cumprimentá-la e tentaria entender onde errou para corrigir os equívocos, eventualmente, numa próxima vez.

Mas não.

Da derrota emergiu um monstro moral, um golpista sem limites e sem pudor, um demagogo que provoca instabilidade no país e depois fala, acusatório, da instabilidade como se não fosse ele o causador dela.

Por tudo isso, e por outras coisas, é de Aécio o título de Pior Brasileiro do Ano.

Paulo Nogueira
No DCM
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Lewandowski é o brasileiro do ano

Jandira, a brasileira!


O DataCaf não leva o Datafalha e o Globope a sério.

Por isso resolveu fazer a sua própria pesquisa para eleger os brasileiros do ano, especialmente do fim do ano miserável de 2015.

A brasileira do ano é Jandira Feghali, por seu destemor diante da barbárie Golpista.

Firme, enérgica sem perder a ternura!

Vou voltar com meu título para Rio e votar nela!

Para o que der e vier!

Lewandowski foi o único juiz que tratou Gilmar (PSDB-MT) como merece.


E, portanto, o sistema carcerário brasileiro não corre o risco de, num recesso de trevas, se desmoralizar com dois obscenos HCs Canguru, que a própria Globo tratou de enxovalhar.

Depois, Lewandowski desejou boa viagem ao ministro que agrediu os colegas e os brasileiros.

O que, no contexto, equivalia a "vade retro"!

Por fim, Lewandowski expôs à imprensa o Cunha, o pirata internacional que o Janot deixa solto até esgotar-se sua serventia!

Na frente de todos, Lewandowski mostrou ao desqualificado do Cunha que qualquer outra interpretação ao que o STF, pela sabia revisão do Ministro Barroso, decidiu dá em cadeia, por obstrução da Justiça.

O Brasil funciona!, como ensina o professor Wanderley.

Paulo Henrique Amorim
No CAf
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Meu primeiro esculacho

Em Londres a vida é mais calma
Espero um amigo na frente do Ráscal do Villa Lobos para almoçar. Dou meu nome para a lista de espera, e tocam nas minhas costas.

Era uma mulher de uns 40 anos. Pensei que pudesse ser alguma amiga que eu não estava reconhecendo.

Mas o olhar de ódio mostrou logo que não.

Não a conhecia, mas ela me conhecia. Não trabalho em televisão. Como ela sabia quem eu era? Pelo DCM.

Para quem sempre trabalhou em revistas, como eu, é uma novidade ser reconhecido. Dias antes, numa padaria, um homem de uns 50 anos disse para mim: “Você é o Paulo Nogueira?” Confirmei. Seria um antigo amigo? Sorridente, ele tratou de esclarecer. “Sou leitor do DCM.” Antes de partir, ele acrescentou: “Olha. Concordo com tudo que você escreveu sobre o Ciro.”

Minha mulher ficou impressionada. “Caramba. Você acabou de postar aquele texto.” Verdade. Eu publicara o artigo minutos antes de ir para a padaria.

Mas ali no Villa Lobos a atmosfera era outra.

“Que vergonha, Paulo Nogueira! Defendendo esses ladrões. Que vergonha!”

Ia dizer que defendo apenas um ‘Brasil escandinavo’, igualitário, sem os extremos de riqueza e miséria que nos marcam. Luto por um Brasil sem favelas, por um país em que o filho do lixeiro frequente a mesma escola pública de alto nível que o filho de um magnata. Mas desisti. Seria inútil.

“Socialista você, hem? Camisa Lacoste e almoço no Ráscal. Que socialista você!” Imagino que seja uma leitora, ou vítima, da Veja. Lacostes, para ela, devem ser exclusividade para pessoas de sua classe, bem como almoços no Ráscal e todas as chamadas coisas boas da vida.

“Deve estar rico de tanto ganhar dinheiro do governo.” Essa é fácil de responder. Todo o dinheiro que ganhei veio dos Civitas e dos Marinhos. Só que eu dei a eles muito mais do que recebi.

Mas não falei nada. Não me interessava esticar aquela conversa.

Em outras circunstâncias eu poderia ficar irritado. Mas não. Disse apenas: “Não vou discutir com uma analfabeta política.”

Ela: “O que? Tá me chamando de analfabeta?”

Eu: “Não. Tô chamando de analfabeta política.”

Ela resmungou alguma coisa que não ouvi, e virou as costas para retomar as compras.

Quanto a mim, meu amigo enfim chegou e fomos almoçar. Por alguns segundos pensei como a vida está perigosa na minha São Paulo. Reacionários se acham no direito de perturbar o sossego de um homem com ideias diferentes das deles.

Depois desfrutei, em plena paz, da delícia que é um almoço com um velho amigo.

Paulo Nogueira
No DCM
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O ódio no Brasil

Publicado em 01 de agosto


O que na história e no cotidiano do Brasil nos leva ao ódio e à violência? É possível sempre “amar o povo” (entendido como uma “multidão”), mesmo sendo invasivo, grosseiro, violento em suas manifestações históricas? Índio, negro e europeu: a “alma brasileira” detesta a si mesma? Apenas a fome leva o homem ao gosto pelo mal? Gravado no dia 23 de setembro de 2011 em Campinas.

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Leandro Karnal e a corrupção no Brasil

Publicado em 23 de maio


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Moreira Franco: uma ponte para o passado


Hoje, em O Globo, há uma reportagem de Fernanda Krakovics sobre Moreira Franco, o principal parceiro de Michel Temer na aventura de fazer o PMDB embarcar no golpe de Estado.

Talvez bastasse o primeiro parágrafo para descrever o personagem:

“Ele já foi chamado de “gato angorá” por Leonel Brizola, e recebeu o apelido de “anjo mau” no governo Fernando Henrique Cardoso. Agora o ex-ministro Moreira Franco é apontado pela ala anti-impeachment do PMDB como o mentor de cada ameaça de desembarque do partido do governo Dilma Rousseff ou subida de tom do vice-presidente Michel Temer, de quem é próximo.”

Mas não basta. Para nós, cariocas e fluminenses, infelizmente, mesmo neste dia de perdão e tolerância, não é fácil calar diante deste personagem.

Este cidadão é, para nós, uma figura nefanda, uma praga que assolou nosso Estado.

Não é apenas, como descrito na matéria, o fato de ter  — acreditem, foi esse o nível de demagogia para que se elegesse, além do clima farsesco do Plano Cruzado — prometido  acabar com a violência em seis meses, promessa que só poeria sair da boca de um calhorda.

Moreira fez mais. Abandonou e fechou as escolas generosas de Darcy Ribeiro e Leonel Brizola, os Cieps, espancou professores diante do Palácio Guanabara, destruiu as empresas públicas e uma série de barbaridades que fizeram com que ele seja, hoje, no Rio de Janeiro, um homem detestado.

O tal “Ponte para o Futuro”,  documento que é uma “oferta do golpismo ao mercado”, só de vir de suas mãos mereceria o nome de “Uma Ponte para o Passado”, ou para o pântano.

Portanto, em nome do direito a que todos se informem, reproduzo um caso, lembrado pela Istoé, mas convenientemente esquecido pela imprensa, que ficou tristemente famoso como exemplo do perfil dos acompanhantes do então Governador no Palácio Guanabara.

Moreira é, a mim e a muitos, uma figura tão repugnante que posso afirmar, sem medo de errar, que foi um dos maiores atos de tolerância aceitar que ele pudesse estar enganchado, com cargos e rapapés, num governo progressista.

morreiraistoe

Fernando Brito
No Tijolaço
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Imperdível — A palestra que Eduardo Cunha não assistiu

Este post foi publicado em 19 de julho e 16 de novembro



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Ética e petróleo

Segundo o Michaelis, ética é a parte da Filosofia que estuda os valores morais e os princípios ideais da conduta humana. Trata-se de definição abrangente, que se adéqua a um número razoável de situações e contextos.

Assim, é aético o administrador de estatal ou órgão público, que aceita suborno em troca da permissão de roubos de recursos públicos, escamoteados nos preços de bens e serviços. São também aéticos os entes privados corruptores dos servidores públicos.

Não são éticos os administradores públicos que, como prepostos do capital, inclusive o externo, realizam programa de privatização de pouco interesse para a sociedade brasileira. Também são aéticos aqueles que alocam recursos públicos para beneficiar grupos políticos e econômicos, criando estrutura de corrupção no Estado, com os objetivos de perpetuação no poder e conquista de riqueza.

É aético o mandatário do executivo que compra votos dos legisladores para a aprovação de projetos do seu interesse ou do seu grupo, inclusive para conquistar o direito de se reeleger. Também não são éticos os empresários que corrompem legisladores para obter leis que os favorecem, tradicionalmente prejudicando a sociedade como um todo. Não menos aéticos são os legisladores traidores dos interesses do povo.

Não são éticas as coberturas jornalísticas da mídia convencional do nosso país, comprometida com o capital, que não informam corretamente a sociedade e buscam manipulá-la. Inclusive, só denunciam uma parcela dos sem ética, aquela que é sua inimiga política, quando não buscam enxovalhar reputações dignas.

Continuando a encaixar o conceito de ética em mais situações, são aéticos os governantes que colocam seus mandatos para satisfazer, unicamente, as classes mais ricas da população, seguindo o princípio de que é fácil enganar os mais pobres, na véspera das eleições, pois também são os menos politizados. Se bem que, nos últimos anos, esta afirmação não tem sido mais uma verdade absoluta.

Contudo, são extremamente éticos os governantes que visam satisfazer prioritariamente os mais carentes, frágeis e indefesos da sociedade, mesmo sendo eles politicamente confusos e, portanto, inconsequentes. Estes éticos buscam aumentar os rendimentos dos até então “sem esperança”, para eles poderem satisfazer suas necessidades mínimas, disponibilizar moradias dignas a favelados, melhorar o atendimento médico para os que só têm a medicina pública, abrir mais universidades públicas para os filhos dos que estavam sob o portal do inferno etc.

É aético o mandatário que privilegia os “rentistas”, estes cafetões do povo sofrido, que com muito suor gera superávits primários para satisfazê-los. Os maus mandatários não determinam uma auditoria da dívida, que possivelmente resultaria em diminuição da necessidade de rolagem de papéis e pagamento de juros.

Dentre os mais aéticos estão os políticos e mandatários que são servos de empresas e países estrangeiros. Estes entregam os recursos naturais do nosso país, os lucros obtidos no mercado nacional e a mais valia da mão de obra mal remunerada existente na nossa sociedade.

O empresário que remunera mal seus empregados, visando um excessivo acúmulo de lucro, também não é ético. Pessoas corporativas de grupos não carentes, como, por exemplo, as que advogam a entrega de benefícios só para os seguidores da sua religião ou os integrantes da sua classe profissional ou os membros da sua sociedade secreta, em detrimento do conjunto de oprimidos da sociedade, são aéticas. Lideranças comunitárias e sindicalistas são corporativistas, mas também pessoas exploradas da sociedade e, desta forma, são lideranças bem-vindas.

Da lista dos que infringem a ética, os que causam efeitos mais deletérios na sociedade são os agentes do Estado, como, por exemplo, o juiz, o fiscal e o policial. Aplicando as leis, são esperados deles comportamentos exemplares. Quando não são íntegros, o fator multiplicador dos seus maus exemplos é desestabilizador da paz social.

O empresariado que é contra a criação da CPMF e não abre mão do imposto pago até pelo cidadão carente, que o governo lhe repassa, o permitindo manter o SESI, o SENAI, o SESC, o SENAC, as Federações Estaduais da Indústria e do Comércio e as Confederações da Indústria e do Comércio, é composto de empresários aéticos.

Rentabilidades imensas de empresas em uma sociedade carente, apesar da definição constitucional do país como capitalista, são no mínimo deploráveis. É difícil dizer, por exemplo, que os bancos brasileiros, com seus lucros estratosféricos, são entes éticos.

Um caso exemplar da manipulação do cidadão comum, para permitir que ele aceite decisões que o prejudicam, graças à ignorância em que vive pela falta de mídia, pode ser verificado, por exemplo, ao se analisar o que ocorre no setor de petróleo.

Muitos dos ditos especialistas em petróleo, que conseguem espaços na mídia aética, só lutam pelos interesses das empresas estrangeiras, que os remuneram. Como lobistas, encontram as portas de muitos deputados e senadores sempre abertas, o que seria normal, em uma democracia, se estas mesmas não estivessem sempre fechadas para os representantes de sindicatos e de entidades do movimento social. Estes políticos e seus corruptores, todos aéticos, prejudicam a sociedade.

Se formos nos ater aos crimes ambientais, corre-se o risco de concluir que a livre iniciativa é incompatível com a proteção ao meio ambiente. Haja vista o caso do vazamento de óleo no campo de Frade de posse da Chevron, que foi causado, apesar das explicações detalhadas dadas unicamente para tergiversar, por diminuição do nível de segurança do empreendimento para baratear os investimentos previstos.

Excetuando a Petrobrás, as demais grandes empresas petrolíferas atuantes no Brasil, que são todas estrangeiras, não se esforçam para serem éticas, o que pode ser conferido no artigo ‘Caráter’ das petrolíferas estrangeiras, publicado por mim neste Correio da Cidadania.

Não só seres humanos e empresas podem ser aéticos. A lei 9.478, a das concessões de blocos de petróleo, é aética porque não atende a condições mínimas de satisfação da sociedade brasileira, como, por exemplo, entrega o petróleo descoberto integralmente para a empresa descobridora, tolhendo o país de ter maior retorno sobre seu petróleo e a possibilidade de executar ações geopolíticas e estratégicas. Também entrega blocos para empresas que relutam em fazer encomendas de bens e serviços no Brasil, assim como em contratar desenvolvimentos tecnológicos aqui.

O que aconteceu no setor petrolífero neste ano que finda foi somente mais do que sempre ocorreu. As petrolíferas estrangeiras insistiram em avançar sobre as nossas jazidas, em especial, sobre o Pré-Sal. Atuando com o modelo de script do policial mau e do outro bonzinho, em uma primeira ação, representantes das petrolíferas estrangeiras no Congresso Nacional propuseram a revogação da lei dos contratos de partilha. No segundo momento, o senador José Serra, em sinal de grande benevolência, apresentou um projeto de lei para mudar só dois pontos da lei dos contratos de partilha. Ele não falou que ia mutilar estes contratos com suas mudanças em dois pontos cruciais.

Ainda por cima, somos obrigados a ouvi-lo dizer com escárnio que está tirando um ônus da Petrobrás e colocando um bônus. Primeiramente, a Petrobrás só é importante por trazer benefícios para a sociedade brasileira. Não há interesse em satisfazer a empresa sem satisfazer a sociedade. Em segundo lugar, mesmo o que ele declara como bom para a Petrobras, na verdade, não é. E nem é bom para a sociedade.

O projeto dele traz um grande prejuízo para nossa sociedade, que é retirar a Petrobrás da condição de operadora única do Pré-Sal. Transformar as petrolíferas estrangeiras em operadoras do Pré-Sal significa a compra de plataformas só no exterior, como tem ocorrido desde o término do monopólio em 1997, encomendas de desenvolvimentos tecnológicos só fora do Brasil, pouca geração de empregos no país, possibilidade de declaração de volumes e custos de produção não verdadeiros, possibilidade de execução de desenvolvimentos de campos menos seguros, possibilidade de produção predatória etc. Artigos veiculados pelo Correio da Cidadania já mostraram em detalhes todas estas afirmações.

Boa notícia: leilões frustrados

Ocorreu em 2015 a 13ª rodada de blocos para exploração e produção de petróleo, promovida pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Esta agência continuou neste ano atuando como um órgão neoliberal na administração pública brasileira, descompromissado com o interesse da nossa sociedade. Esta rodada, como todas as anteriores, foi decidida por imposição das petrolíferas estrangeiras. Pelo meu ponto de vista e para minha surpresa, foi uma rodada positiva, pois pouco petróleo foi entregue para os estrangeiros, minimizando os danos para nossa sociedade. Ressalte-se que as petrolíferas estrangeiras ficaram fora não porque as ofertas não eram boas, mas porque a Petrobrás não entrou. A ironia do destino é que maus brasileiros têm ódio da Petrobrás, enquanto as petrolíferas estrangeiras adoram participar de consórcios com ela, pois é uma garantia de descoberta de petróleo.

Houve o descobrimento do roubo promovido pela quadrilha incrustada na Petrobrás, esperando-se que esta lição seja aprendida, e nunca mais seja reeditada. Cabe à empresa, além de trabalhar para ter o dinheiro do roubo restituído aos seus cofres, criar mecanismos para evitar a repetição destes tristes fatos. Além disso, ela pode pedir para que não seja mais contemplada com a deferência de não ter que se submeter à lei 8.666, o que é uma atração forte para o ladrão.

Os neoliberais estão criando um quadro preocupante, em seus artigos, sobre os processos em tramitação na justiça dos Estados Unidos. Não se pode deixar de lembrar que nada disso aconteceria se ações da empresa não tivessem sido lançadas neste país. Não há nada de errado em captar recursos através do lançamento de ações. O erro está em o governo se submeter à legislação de outro país e aceitar outro fórum para dirimir litígios. Se a justiça de lá for tendenciosa, poderá ser cobrada da Petrobrás o pagamento de cifras imensas. Se isto ocorrer, salvo outras considerações, o Estado brasileiro precisa se posicionar.

Neste mar de seres e entidades aéticas, um dos meus principais horrores são as notícias do cotidiano, sendo quase todas tentativas de manipulação. São, na verdade, versões de interesse de poderosos e representam grande atraso social. Mas, na falta de outra versão para criar o confronto, elas são aceitas pacificamente pela população. Seria uma gratuidade inconcebível para os veículos de direita entregar fatos verdadeiros. Assim, eles única e eternamente buscarão manipular mentes. Nunca adotarão a nobre tarefa de comunicar. Vive-se em um pântano de iniquidades, no qual o afundamento parece ser inevitável.

Paulo Metri
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Clóvis de Barros Filho - sobre deus


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Neste Natal, responda o teste sem titubear: Jesus de Nazaré ou Karl Marx?

Produzi este teste no início deste ano e ele foi um sucesso. Então, em homenagem ao aniversariante de hoje, Isaac Newton, trago-o novamente.

Você consegue identificar qual dos dois personagens históricos disse isso?

Assinale a alternativa correta:

1) Não pensem que vim trazer paz. Vim trazer a espada. Vim causar a divisão entre filho e pai, filha e mãe, nora e sogra. Criar inimigos dentro da própria casa.

( ) Jesus de Nazaré
( ) Karl Marx

2) No final das contas, será muito difícil salvar um rico.

( ) Jesus de Nazaré
( ) Karl Marx

3) Venda tudo o que tem e dê aos pobres.

( ) Jesus de Nazaré
( ) Karl Marx

4) Não importa o quanto você tem. Importa quem você é.

( ) Jesus de Nazaré
( ) Karl Marx



Respostas: 1) Jesus (Mateus 10: 34-39); 2) Jesus (Lucas 18:18-30); 3) Jesus (Mateus 19:21); 4) Jesus (Mateus 6: 19-21)

Resultados: Se você acertou todas, meus pêsames. Estes últimos tempos de intolerância e falta de diálogo devem estar bem pesados pra você, né?

Leonardo Sakamoto
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Mãe de Santo dialoga com evangélica


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A falsa onda conservadora

Uma afirmação que é atualmente tratada como evidência clara como o sol refere-se à hipótese de vivermos no turbilhão de uma onda conservadora. O caráter pretensamente evidente de tal afirmação serve-se de uma série de eventos esparsos, como a composição atual do Congresso Nacional, o sucesso de uma telenovela evangélica, as manifestações de rua no começo do ano a favor do impeachment, a grande venda de livros ensinando a encontrar comunistas na escola de seu filho, a cruzada contra as teorias de gênero, entre outros fenômenos. Para coroar o processo nacional, teríamos o curso do mundo caminhando ao passo de partidos racistas e protofascistas com recordes de votação e discursos xenófobos cada vez mais institucionalizados.

No entanto, há de se perguntar se tal evidência de uma onda conservadora é real ou fruto involuntário de uma leitura cômoda de nossa situação atual. Notem que quem diz "onda" está a falar de um acúmulo maior de força, de uma conquista irresistível de "corações e mentes". Mas seria interessante se perguntar se o fenômeno que vemos hoje é realmente uma onda conservadora ou simplesmente a decomposição radical do que poderíamos chamar de "campo das esquerdas". Uma decomposição que não foi fruto de complôs internacionais e de recrudescência do ódio, mas de impasses e erros próprios. Como política é um jogo de forças, decomposta uma das forças, a outra toma todo o espaço.

O Brasil sempre foi um país com uma grande parcela de sua população claramente identificada ao pensamento conservador. Se necessário, tal população ia às ruas e mobilizava milhares de pessoas em nome de Deus, da família e da propriedade. Eles votaram em Jânio Quadros mais de uma vez, em Paulo Maluf, afirmaram que, se Collor perdesse a eleição, o apartamento que você tem seria dividido no melhor estilo Dr. Jivago. Décadas atrás, livros de Paulo Francis, Roberto Campos e José Guilherme Merquior inundavam livrarias. Contrariamente ao que acreditam alguns, seus argumentos eram, muitas vezes, tão rasteiros e caninos quanto os que ouvimos atualmente. Nada disto mudou muito, só perdeu seu contraponto.

Diria que o que mudou foi a necessidade atual de uma narrativa que justifique nossa paralisia. A ideia de uma "onda conservadora" é boa para alguns porque ela nos faz agir a partir do medo do que pode vir. Quem tem medo não discute muito, simplesmente aferra-se à situação atual, por mais que ela seja ruim. Assim, a hipótese da onda conservadora nos reconcilia com nossa própria paralisia e incapacidade de criar alternativas, de discutir novos modelos de organização política e fazer a autocrítica honesta de nossos erros e dos modelos que foram implementados na última década. O chamado "campo das esquerdas" está preso atualmente entre a defesa de cadáveres e a fragmentação impressionante de seu discurso devido ao desinteresse em construir uma perspectiva de implicação geral. Quando ela consegue sair deste duplo impasse, como vimos na Espanha com a votação impressionante do Podemos nas eleições do último domingo, ninguém mais vê onda conservadora alguma.

Um dos argumentos aparentemente mais fortes dessa chamada onda conservadora é a composição atual do Congresso. Como se um Congresso fruto de campanhas milionárias e leis eleitorais casuísticas fosse a "representação" da população brasileira. Décadas de dificuldade em criticar a democracia representativa dão nisso. Mas há ainda uma distorção suplementar que faz desse Congresso atual uma mera aberração. A última eleição teve uma candidata com 20% de votos e, no fundo, sem partido, já que Marina Silva foi alçada à disputa sem um grupo de candidatos de uma agremiação que lhe fosse própria.

Vejam que onda conservadora bisonha. Digamos que teríamos eleições gerais hoje. Segundo pesquisas, Aécio Neves teria 26%, Lula 20%, Marina 19%, Ciro Gomes 6%, Bolsonaro 4%, Luciana Genro, entre 2 e 3%, e qualquer candidato do PMDB entre 1 e 2%, além de 14% de indecisos. Até segunda ordem, Lula, Marina, Ciro Gomes e Luciana não fazem parte de onda conservadora alguma e somam muito mais do que os outros candidatos juntos. Se houvesse eleições para o Congresso, e aceitando que há uma tendência do voto de presidente influenciar os demais votos, o Congresso que sairia dessas eleições seria muito diferente e melhor do que a camarilha que temos atualmente. Acrescente-se a isto o fato de que boa parte dos 60 deputados indiciados seriam pegos pela lei da Ficha Limpa em alguns meses e que leis contra financiamento empresarial de campanha foram aprovadas.

Mas, bem, mesmo assim há de se reconhecer que falar em onda conservadora é a melhor coisa que podemos fazer quando não sabemos o que fazer ou quando temos medo de fazer qualquer coisa.

Vladimir Safatle
No fAlha
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Jingle Bells


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Natal: Por Trás da Cortina


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O Petralha: um conto de Natal

Ilustra exclusiva do Cris Vector
Dia de Natal na Paulista. Manjadas versões de músicas estrangeiras, canções natalinas de Frank Sinatra e o disco da Simone se revezam nas caixas de som ao longo da avenida. Pinheiros de plástico com luzes, neve artificial, trenós e renas decoram as áreas externas de bancos e prédios comerciais. Criancinhas posam para fotos ao lado de um urso polar em pleno verão brasileiro. Pela primeira vez em muitos anos não há engarrafamento de carros para ver a decoração: a avenida Paulista está aberta para os pedestres.

Em frente à Fiesp, um pequeno grupo de pessoas está acampado nas ciclofaixas no último protesto do ano pelo impeachment da presidenta, berrando as palavras de ordem de sempre.

– Fora, filha da puta! Vaca! Vadia! Vai tomar no cu!

Um repórter da Globo News faz transmissões ao vivo do local a cada dez minutos. Em uma das inserções, o líder intelectual dos protestos, um magricela com traços orientais recém-saído da adolescência, dá entrevista.

– Por que vocês acamparam em cima da ciclofaixa?

– Achamos que é simbólico dos desmandos deste partido. Quem precisa de ciclofaixas, mano? Fala sério! Queremos derrubar o governo e acabar com essa palhaçada de bicicleta. São Paulo é para os carros! Estamos reivindicando também o aumento da velocidade nas pistas, que o atual prefeito vermelho diminuiu.

– Mas isto fez cair o número de mortes…

– O número de vidas poupadas é insignificante diante do tempo no trânsito que o paulistano está tendo que passar. Tá ligado no que é ficar horas dentro de um carro parado ouvindo os comentaristas da Jovem Pan? É de deixar qualquer um louco! Estes comunistas só pensam nos pobres! Como se rico também não sofresse… Abaixo o preconceito com a burguesia!

Diante da câmera, atrás do entrevistado, um homem barbudo, vestido de vermelho dos pés à cabeça, passa caminhando tranquilamente, no meio da minifestação. Um sujeito de roupa camuflada segurando um cartaz com os dizeres “intervenção militar já!” dá o alarme:

– Olha o petralha! Provocação, não!!! Vamos quebrar esse cara!

O barbudo de vermelho desce a avenida em direção ao Paraíso, correndo como louco, com uma dúzia de fortões atrás. Eles o alcançam na esquina com a rua Pamplona e começam a distribuir safanões, socos e pontapés.

– Calma, calma! É um engano, deixa eu falar!

– Que falar o quê, rapaz! Vamos te encher de porrada para você aprender a não se meter com cidadãos de bem.

– Pára! Pára! Eu sou Papai Noel, porra!!!!

– Hahahahaha. Conta outra.

– Vocês não têm espírito de Natal, não?

– Espírito de Natal uma ova, seu petralha!!

– É sério! Tô vestido assim para a festa dos meus sobrinhos, pô!

– Ah, tá! E a estrela aí na sua camisa?

– É a estrela de Belém, caralho!!!

– Mas e essa barba, mané???

– Barba… Papai Noel… Barba… Ahn? Ahn? Sacaram?

Finalmente, a turba titubeia e se acalma.

– Pô, truta, foi mal.

– Desculpa aí o mau jeito.

– Feliz Natal, hein? Hehehe.

– Vão se fuder, animais.

Papai Noel ajeita a roupa e desce a Pamplona caminhando. Na esquina com a Jaú, ele entra numa vilinha estreita, muito bem escondida ao lado da padaria Flor dos Jardins. Pára diante de um sobrado com o número 13 e toca a campainha. Três toques curtos, ritmados. A porta abre. Ele entra pelo portão lateral, desce dois lances de escada e chega a uma sala no subsolo, onde um grupo de homens e mulheres está reunido.

– Camaradas, vocês nem imaginam do que me livrei agora. Menos mal que esqueci em casa a boina do Che…

Cynara Menezes
No Socialista Morena
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