24 de dez de 2015

Mensagem de Natal do ContextoLivre


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Radicalizando


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Terra Cabocla

Terra Cabocla mostra a beleza e a dor da luta do Contestado.




Iniciada em outubro de 1912, na Região Sul do país, a Guerra do Contestado foi um conflito armado que opôs forças do governo (federal e estadual) e sertanejos que viviam na região disputada pelos estados de Santa Catarina e do Paraná. Estendeu-se por 4 anos, até 1916, e estima-se que tenha deixado mais de 10 mil mortos.



Com ampla cobertura da imprensa da época, os jornalistas, militares e cronistas se referiram ao conflito de diversas maneiras: guerra santa, guerra dos fanáticos, guerra dos jagunços, guerra sertaneja, movimento do contestado, ente outros títulos. A origem e a longevidade do conflito foram atribuídas de imediato à “ignorância” e ao “fanatismo” dos sertanejos que viviam na região em disputa e se reuniram em torno do monge Zé Maria para resistirem à modernização em curso.

Ao longo desses 100 anos que nos separam do início da guerra, os estudos sobre esse emblemático movimento de resistência foram se renovando e trazendo a lume novos e sensíveis elementos para a análise do episódio. Se os primeiros estudos se limitaram à compreensão do conflito a partir da ignorância, do abandono, da miséria e de uma consequente desqualificação dos valores do mundo rural, a partir da década de 1970 começaram a surgir vigorosas pesquisas que procuraram investigar o universo cultural e político daqueles homens, seus rituais de devoção, a formação da irmandade cabocla e das cidades santas, suas lideranças e seu desejo por um novo mundo. Inicialmente classificada como uma “revolta alienada”, o movimento passou a ser observado pelos pesquisadores como reflexo de demandas em sintonia com a realidade política e social de seus atores.


Também ganharam força as abordagens que se detiveram sobre a presença ostensiva do capital estrangeiro na região, como a atuação da Brazil Railway Company na construção da estrada de ferro São Paulo-Rio Grande e a instalação da Southern Brazil Lumber & Colonization Company para a exploração comercial madeireira e para a colonização dessas terras. Esses empreendimentos causaram enormes impactos no cotidiano da população local, entre os quais podemos citar a desapropriação de terras, a expulsão de moradores de seus locais de origem e as mudanças nas relações de trabalho. Outro agravante foi o enorme contingente de desempregados que se fixaram na região após o final de algumas obras. Somam-se a essa conjuntura a instabilidade política nacional e internacional do período, a necessidade de reafirmação do exército brasileiro, o interesse e a atuação dos coronéis locais, entre outros aspectos fundamentais para entendermos a enorme gama de transformações que ocorreram na Primeira República no Brasil



Entrevista com Márcia Paraíso, diretora do filme Terra Cabocla. Entrevista: Elaine Tavares. Edição: Rubens Lopes. Rádio Campeche - Florianópolis-SC





Mulheres da Terra - Curta Documentário

As mulheres do Movimento de Mulheres Camponesas no oeste de Santa Catarina e a relação com a terra e o resgate das sementes crioulas. Filmado em 2010.


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Karnal: ‘quem lê Veja não está dividido com nada, é absolutamente fascista’


Em uma palestra primorosa pelo bom humor e pelo conteúdo, o historiador Leandro Karnal arrancou risos da platéia ao expor de forma jocosa, mas também realista, o leitor da revista Veja, a mais reacionária e segregadora do Brasil.

Karnal fez uma palestra para estudantes de história, na Universidade Federal de Uberlândia, mas é fundamental para os analfabetos políticos que decidiram expor suas ideias sobre a política nos últimos anos. O analfabeto político é, por excelência, um sujeito sem referência histórica, visto que a história é, no mínimo, o ABC da política. Chico Buarque que o diga.

Na palestra Tempo, historicidade e tempo líquido, Karnal falou sobre as obras clássicas e necessárias, assim como obras capazes de ter a reflexão rigorosa sem deixar de lado a beleza da narrativa. Ele passou sobre os significados das transformações tecnológicas, na linguagem e falou sobre a vivência atual no mundo de incertezas.

Também mostrou como o Positivismo, que é muito criticado no Brasil, está mais do que presente, inclusive nas bancas de defesas de teses e dissertações. “Ser positivista é um xingamento que atinge a todas as pessoas. Não obstante, em todas as bancas os temas mais tratados são: erros de redação, falhas da ABNT e erros de data. Nós odiamos o Positivismo, mas as bancas são positivistas”, ressaltou.

Também ironizou as três grandes “teologias do século 20”: o empreendedorismo, a prosperidade e a auto-ajuda.

Um dos destaques foi a análise do discurso da Revista Veja, que entende a história com “um sentido teleológico”. Assim, os recursos persuasivos são “a história nos ensina que não deu certo…”, “a história já provou que….” é sempre uma profecia etc. “A história está conduzindo as pessoas à iluminação”, resumiu Karnal.

Mais à frente, ele disse que respeita historiadores que falam ao grande público, mas são honestos com a história, como Laurentino Gomes. “É o lúdico no sentido da grande massa, enfatiza o anedótico em detrimento do analítico”, diz. Para ele, as pessoas não estão divididas entre ler história de uma forma lúdica ou um texto de Jugen Habermas, autor alemão bastante hermético. E sentenciou: “quem lê a revista Veja não está dividido com nada; é absolutamente fascista, tapado, em qualquer sentido”. E tirou gargalhadas da platéia.

Poderia dizer em que momento estão essas falas sobre a revista Veja, mas você perderia uma bela palestra. Bom programa.

Glauco Cortez

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O procurador militante do TCU


O Procurador Júlio Marcelo de Oliveira, do Ministério Público do Tribunal de Contas, é militante político. Comparece a passeatas a favor do impeachment e, em sua página do Facebook, ele é a esposa conclamam as pessoas a aderirem à movimentos como "Vai pra rua".

É direito do cidadão, é imprudência do procurador. Do servidor público exige-se isenção política. O servidor que se vale de preferências políticas no exercício das funções de Estado desrespeita a cidadania, o serviço público e compromete sua própria corporação.

* * *

Quando levantou as "pedaladas", Júlio comportou-se tecnicamente, inclusive quando apontou as diferenças de dimensão entre 2014 e anos passados. Quando passou a superdimensionado seus efeitos, a botar fogo no TCU por uma punição radical, exagerou. Mas, ainda assim, se poderia atribuir ao excesso de zelo com a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Não ficou nisso. Passou a torpedear, uma a uma, as tentativas de amenizar os efeitos da Lava Jato na economia. Não se limitava apenas a torpedear as parcas iniciativas do governo, mas a proferir juízo de valor sobre temas como a lei de leniência.

Quando crítica o fato de haver muitas instâncias de leniência e o acusado poder fazer um leilão com a mais leniente, é uma opinião técnica. Quando investe contra qualquer acordo, e defende que a única punição correta é aquela que líquida com as empresas, age politicamente — e irresponsavelmente.

* * *

Como também age politicamente quando recorre a esse execrável expediente de barganhar reportagens e de alimentar blogs e publicações empenhadas na campanha do impeachment. E tira de vez a máscara quando avança decididamente para além das chinelas e, em entrevista à BBC Brasil defende claramente o impeachment como punição para as pedaladas.

Ontem, mais uma vez exerceu a militância, ao entrar em juízo de valores sobre a motivação do vice-presidente Michel Temer em assinar medidas que podem ser caracterizadas como pedaladas, como se o jurista e parlamentar ladino fosse um insuficiente necessitando de apoio da autoridade pública.

O fato de aparecer em passeatas pró-impeachment e de todos — literalmente todos — seus pareceres serem contra o governo compromete não apenas a ele. Ele é o responsável por sua biografia. Mas afeta a imagem de todos os procuradores que trabalham seriamente e respeitam princípios como o da impessoalidade no serviço público

* * *

A crise política e a Lava Jato — somada à inação do governo — já derrubaram o PIB em 2 pontos percentuais adicionais. Não dá mais para usar a crise como holofote para exibicionismos irresponsáveis, valendo-se do poder que foi conferido pelo Estado.

Seja a favor ou contra o governo de plantão, é um ativismo irresponsável para com o país.

Luís Nassif
No GGN
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A fúria dos que saíram do armário


Essa direita troglodita ataca à traição. E sabe que figuras públicas não costumam reagir, para não alimentar a sede mesquinha dos escrevedores de intrigas.

O que mais impressiona — e preocupa — na agressão verbal que um grupo de garotões cuja profissão principal é ser filho de pai rico lançou contra Chico Buarque na noite da segunda-feira, 21 de dezembro? Três coisas. Primeiro, a extrema fúria dessa direita desgarrada que acaba de sair do armário embutido. Segundo, a facilidade com que repetem o que dizem os grandes meios de comunicação. E terceiro, a incapacidade para qualquer gesto minimamente civilizado.

Chico saía de um jantar com amigos quando, ao buscar um táxi, passou a ser chamado de ‘petista’. Ouviu a repetição de clichês idiotas repetidos à exaustão pelos meios de incomunicação e pelos deformadores de opinião. A um dos garotões ele respondeu com humor. Dizia o valentão que defender o PT quando se mora em Paris é fácil. ‘Você mora em Paris?’, perguntou Chico. E o rapaz respondeu: “Não, quem mora em Paris é você!’. Chico, então, perguntou: ‘Você andou lendo a Veja?’. A ironia continua sendo uma válvula de escape. Mas para ter ironia é preciso inteligência, artigo definitivamente raro na praça.



Não foi a primeira nem a décima agressão verbal que ele e seus amigos ouvem, todas relacionadas ao PT, a Lula e a Dilma. O mais recomendável é, sempre, fazer ouvidos moucos. Mas também essa regra tem suas exceções. O episódio de segunda-feira foi inevitável: Chico estava no meio da rua, é pessoa pública, reconhecível a milhas marítimas de distância.

Mais grave é saber que não foi a primeira nem a decima ocasião, e também não terá sido a última. O país está polarizado como poucas vezes esteve nos últimos 50 ou 60 anos. O grau de agressividade, de furiosa intransigência dessa direita recém-saída de um imenso armário — certamente embutido — é o que mais chama a atenção. E preocupa. Muito. Dizer na cara de alguém ‘Você é um merda’ pode ter consequências sérias. Chico sabia e sabe que qualquer reação à altura não faria outra coisa que atiçar ainda mais a fúria dessa direita desembestada, fartamente alimentada pela grande imprensa. Até nisso a direita recém assumida em sua verdadeira essência é covarde. Até quando?

O país se acostumou às tristes cenas de violência entre torcidas organizadas no futebol. Elas pelo menos têm a decência de se uniformizar, ou seja, é fácil identificar o adversário à distância.

Essa direita troglodita, não. Ataca à traição. E sabe que figuras públicas como as que foram atacadas à sorrelfa não costumam reagir, para não alimentar a sede mesquinha dos escrevedores de intrigas.

Há poucos registros, que eu me lembre, de alguém que tenha saído do armário com tanta sede de ação. Cuidado com eles: tantas ganas reprimidas, quando subitamente liberadas, desconhecem limites.

Eric Nepomuceno é jornalista e escritor, estava com Chico no episódio relatado

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Especial de Natal - Jesus Cristo


É no Natal que ele vira as atenções para si. Ele que, apesar de sua história, passa o ano inteiro esquecido, vivendo na memória de alguns poucos que ainda insistem em o ouvir. Estamos falando, é claro, do Roberto Carlos. Mas, hoje, o dia é do aniversariante. Portanto, sem mais delongas, apresentamos um especial todo dedicado à esse homem, que inspirou milhões, é responsável pelos maiores êxitos esportivos da História e deu nome a mais de 85% da população masculina de Porto Rico. Com vocês, o Especial de Natal de Jesus Cristo.

Elenco:
Antonio Tabet
Camillo Borges
Clarice Falcão
Gregorio Duvivier
Gabriel Totoro
João Vicente de Castro
Julia Rabello
Luis Lobianco
Marcos Veras
Rafael Infante
Rafael Portugal
Thati Lopes

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Iniesta

A filosofia do futebol do Barcelona pode ser resumida numa frase: “Deixa eles virem”. Os primeiros 15 ou 20 minutos de cada jogo são gentilmente cedidos ao adversário pelo Barcelona. E os adversários vêm. Surpreendidos pela própria facilidade em jogar e entusiasmados com sua superioridade ilusória, lançam-se ao ataque. E durante 15 ou 20 minutos vivem um sonho impossível, o de poderem ganhar do grande Barcelona! Depois de 15 ou 20 minutos de delírio, os adversários gastaram todas as suas forças, e então o Barcelona começa a triturá-los, lentamente, metodicamente, como uma jiboia digerindo um cabrito. Foi o que aconteceu no último domingo, com o River Plate no papel de cabrito.

Falam muito, com toda a razão, do espetacular trio goleador do Barcelona, Messi, Neymar e Suárez. Mas por trás deles está o cérebro ardiloso, e impiedoso, do Iniesta. Costuma-se comparar jogadores como o Iniesta a maestros no comando de uma orquestra. No caso do Iniesta, a comparação mais exata é com um inquisidor numa sala de torturas, escolhendo o martírio a que submeterá quem teve a ousadia de pensar que escaparia. E despachando friamente seu trio de carrascos para executá-lo. Nem sempre dá certo, claro. O Barcelona não é imbatível. Mas nenhum outro time do mundo está tão perto de ser.

A tática do “deixa eles virem” do Barcelona é a mesma usada há 40 anos, no Congo, que então se chamava Zaire, na mítica luta entre os pesos pesados Muhammad Ali e George Foreman pelo título da categoria. Durante sete rounds, Ali se deixou apanhar, levando socos do Foreman de todos os lados, escorando-se nas cordas e dando a impressão de que não teria como reagir. Mesmo se não conseguisse derrubar o adversário, Foreman certamente ganharia a luta por pontos.

Ninguém estava entendendo a tática suicida de Ali. Então, veio o oitavo round e um Ali incrivelmente inteiro, apesar de tanto apanhar, partiu para cima de um Foreman exausto de tanto bater, e o nocauteou. Depois da luta, Ali explicou sua estratégia. Foreman era mais moço e mais forte do que ele. O que mais ele poderia fazer?

Há uma lição, aí, em algum lugar, para a Dilma. Que, como se sabe, está nas cordas, levando pancada de todos os lados, até do PT. Falta-lhe uma estratégia para virar a luta, como a do Muhammad Ali. Ou talvez um Iniesta no seu time.

Luís Fernando Veríssimo
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Canibais do Estado e nova estratégia golpista

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=8025

Os golpistas nunca desistem. Trabalham com estratégias, o que significa manipulação, apelido da desonestidade. Discípulos de Chacrinha, querem confundir, não esclarecer.

Inventou-se que o ministro do STF, Luiz Roberto Barroso, omitiu parte de um artigo do regimento interno da Câmara dos Deputados para favorecer o governo contra o impeachment.

A nova tese, que defende por conveniência explícita o rito do impeachment criado pelo impoluto Eduardo Cunha, não passa num teste primário de lógica e interpretação de texto.

Trata da questão da possibilidade de voto secreto para formação de comissões.

O artigo 188 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados diz que: “A votação por escrutínio secreto far-se-á pelo sistema eletrônico, nos termos do artigo precedente…” E lista os casos em que, havendo eleição secreta, será por sistema eletrônico. Por exemplo, “para a eleição do presidente e demais membros da mesa diretora, do presidente e vice-presidente das comissões permanentes e temporárias, dos membros da Câmara que irão compor a comissão representativa do Congresso Nacional e dos dois cidadãos que irão integrar o Conselho da República e nas demais eleições“.

A nova estratégia do golpismo é dizer que Barroso omitiu que a votação seria secreta nos casos citados e “nas demais eleições”. Ou seja, em todas as eleições da Câmara, o que até criança que acredita em Papai Noel sabe não ser verdadeiro. O artigo versa sobre os casos em que o voto secreto, sendo possível, será feito por “meio eletrônico”, não por cédula de papel.

Em poucas palavras, o voto secreto será por meio eletrônico em todos os casos citados e nas “demais eleições”, salvo nas situações específicas que exigirão cédulas de papel.

É claro que a revista Veja e seus eleitores, do tipo que insultam Chico Buarque, compraram a tese. Os ministros do STF são o novo alvo dessa turma. Na época do julgamento do mensalão petista, o STF estava em alta com esse pessoal. Celso de Melo era o sábio, o decano. Agora, até Celso de Melo já está sob suspeita. Toffoli é o petista. Mas Gilmar Mendes, que foi advogado-geral da União com FHC, não é apontado como tucano. Dois pesos…

A grande imoralidade do Brasil é o pedido, pelos canibais do Estado, de auxílio moradia duplo para casais “endogâmicos”: um procurador casado com uma procuradora e assim por diante. Não receber duas vezes seria um desestímulo à formação de família. O cinismo dos canibais do Estado não tem limites. O artigo de Frederico Vasconcelos, na Folha de S. Paulo, explica:


“As associações de procuradores da República e procuradores do Trabalho entraram com ação judicial em que pedem o pagamento de auxílio-moradia a membros do Ministério Público casados entre si. O advogado e ex-procurador-geral da República Aristides Junqueira representa a Associação Nacional dos Procuradores da República e a Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho. As entidades questionam restrição prevista em resolução do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

O pedido foi feito à Justiça Federal do Distrito Federal no mesmo dia em que entidades da Magistratura e do Ministério Público reagiram à iniciativa do Congresso, que inseriu na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2016 dispositivo estabelecendo que os pagamentos do auxílio-moradia — e de outros benefícios — só sejam efetuados com prévia autorização em lei específica.

Em nota conjunta, as entidades de juízes e procuradores sustentaram que houve uma ‘afronta ao ordenamento jurídico’. Três dias antes, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, suspendera decisão que autorizava juízes de Santa Catarina a receberem auxílio-moradia em duplicidade. O pagamento do auxílio-moradia vem sendo realizado com base numa liminar concedida em setembro de 2014 pelo ministro Luiz Fux. O benefício é questionado por alguns membros do Supremo. A liminar ainda não foi submetida a julgamento pelo Plenário do STF. As associações alegam que, na decisão de Fux, não há qualquer restrição ao auxílio-moradia, salvo quando há residência oficial. A ação cita decisão do Superior Tribunal de Justiça, em Recurso Especial, que considerou devido o pagamento do auxílio-moradia a ambos os membros do Ministério Público casados, mesmo quando um deles já o tenha recebido.

Junqueira alega na ação que a restrição ao auxílio-moradia duplo ‘fere o princípio da igualdade entre os membros de uma mesma instituição ou semelhante, pois conceder o benefício ao membro solteiro seria privilegiá-lo em detrimento daquele que decidiu constituir família’.

‘Pensando em um suposto caso concreto, seria justo o membro casado e com filhos residir em um imóvel idêntico ao membro solteiro que reside sozinho? A princípio, pressupõe-se que manter um lar familiar seria mais dispendioso, a começar pelo tamanho do imóvel!’ — alega Junqueira. As entidades pedem a concessão de tutela antecipada e que a decisão tenha efeito retroativo — desde a entrada em vigor da resolução do CNMP — porque, nesse período, os associados ‘tiveram uma restrição à verba indenizatória que lhes é devida’.

Enquanto o STF não julga o mérito do pagamento do auxílio-moradia, todos recebem. Se um dia o recebimento for considerado indevido, ninguém devolverá o dinheiro por ter recebido de boa fé. Quanto mais se arrasta, mais dinheiro certo no bolso. Fux é o herói dos canibais.

Um magistrado diz que o Rio Grande do Sul só paga esse privilégio por ter sido “condenado” a fazê-lo. Deve ser terrivelmente duro ter de cumprir uma sentença cruel como essa.

Aposentados também querem receber auxílio-moradia.

Usam o “convincente” argumento de que a classe é uma só e que não pode haver distinções.

Certamente muitos deles não são contra, porém, que aposentado do INSS tenha reajuste menor do que trabalhador na ativa. Aí é uma questão de “responsabilidade” nacional.

Tem pedalada que pode e pedalada que não pode.

Tem lei que o Estado deve cumprir e lei que pode descumprir.

Não pode pedir adiantamento de recursos a banco público.

Pode não pagar o piso do magistério.

Mais um ano se passou e nada mudou.

Só Papai Noel ainda acredita em isenção.
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Um erro, uma gafe

Joaquim Levy vai passar um bom Natal. Corrigir uma gafe sempre traz alívio. Muito educado e contido, como mostrou durante todo o ano de situações estressantes — o inverso do antecessor, Guido Mantega, grosseiro e irritadiço —, Levy não é dado a gafes, mas cometeu uma das grandes.

Dilma Rousseff vai passar um Natal menos ruim do que poderia prever há um mês. Graças ao alívio de Levy. Seu ar eufórico dos últimos dias comprova o reconhecimento (enfim?) do erro, tão grave, de convidar Levy à gafe de aceitar uma missão para ele impossível.

Poucos estão propensos a passar um Natal distenso de verdade, ainda que por um ou dois dias, ao final do exaustivo colar de apreensões e ansiedades que o erro de Dilma e a gafe de Levy, enquanto unidos, nos induziram dia a dia. Não foram, no entanto, os únicos autores desse encadeamento gerador de pesares, mas não de iras. Aécio Neves trouxe, difundiu e incentivou o componente odiento, de esgares, de ameaças destruidoras, de passagem da política de pessoas furiosas para a fúria sem política contra pessoas.

Aécio fez o envenenamento do ambiente, mas quem disso mais soube se aproveitar, por diferença de competências para os respectivos fins, não foi Aécio. Foi Eduardo Cunha. Uma prova de que foram no mínimo paralelos, quando não enlaçados por projetos de resultados semelhantes, é que o PSDB de Aécio e Cunha encerram um ano e começam outro de volta à aliança fraterna, domesticamente íntimos, a planejarem juntos os ardis convenientes a um e ao outro.

Ainda assim, apesar de Dilma e Levy, com ou sem Dilma e Barbosa, a economia brasileira se arranjará mais depressa, até por si mesma, do que o pântano da política se deixará drenar.

Eduardo Cunha recorre à Comissão de Constituição e Justiça. Eduardo Cunha foi ao Supremo em busca de alguma brecha, senão de uma artimanha em que o presidente Ricardo Lewandowski não caiu. Eduardo Cunha tem a Mesa da Câmara preparada para anular a sessão do Conselho de Ética que autorizou o processo de sua cassação.

Tudo isso em vão, até onde se pode perceber. No Ministério Público há a convicção de que Eduardo Cunha, mesmo que se salve dos R$ 5 milhões, das contas suíças e de tudo mais, vai sucumbir com as adulterações em medidas provisórias. São negócios que fraudaram a própria legislação.

O tal

Em obediência a uma orientação da numerologia, Delcídio Amaral prometeu-se um Natal ainda mais feliz do que todos os seus dias, com a simples providência de inserção de "do" entre seus nomes. Delcídio do Amaral receberá de um feliz Natal apenas a rima. Paupérrima. Como convém a um Natal de cadeia. Mas pode orgulhar-se de um feito: é a presença mais surpreendente, dentre todos os laçados pela Lava Jato. Nem o Ministério Público está isento de tamanha surpresa.

O presente

Filhos, pais e amigos são suficientes para tornar suave um Natal que não deveria sê-lo. Aproveite isso que eles lhe dão como o melhor dos presentes.

Janio de Freitas
No fAlha
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