23 de dez de 2015

Após Dilma anunciar homologações, ruralistas disparam ameaças


Dilma Rousseff anunciou que assinará Decretos de Homologação de Terras Indígenas esta semana. Isto ocorreu no pronunciamento da Presidenta na Conferência Nacional de Política Indigenista em Brasília dia 15/12. O Grupo RBS/Globo imediatamente publicou matéria reforçando a CPI da Funai e Incra e acusando o órgão indigenista teria trazido indígenas do Paraguai para Morro dos Cavalos, SC, buscando arrecadar R$ 11 milhões em compensações do DNIT.

A mentira da imprensa catarinense é tão deslavada, que não consegue colar nem sendo repetida dezenas de vezes, como é o caso da série de reportagens maliciosas “Terra Contestada“.

O Grupo RBS é porta voz da Bancada Ruralista no sul do país, e defende os interesses do Grupo Gerdau, SLC, empreiteiras, entre outros, chegando ao ponto de o Rio Grande do Sul ter dois senadores que saíram de frente das câmeras da RBS para entrar na política: Ana Amélia Lemos (PP) e Lasier Martins (PDT).

A Terra Indígena Morro dos Cavalos, do povo Guarani, são apenas 1988 hectares no litoral de SC, em local de muito interesse imobiliário, e logístico, por ser uma das passagens milenares indígena de transposição da cadeia de montanhas da Serra do Tabuleiro, o antigo Caminho do Peabiru. Comparada a outras Terras Indígenas no Brasil, trata-se de um minúsculo espaço, porém muito disputado por uma série de interesses. Para os Guarani é um dos santuários de referência étnica em busca da Terra Sem Mal.

Água

Moradores locais não-indígenas vivem da criação de ostras no mar e, para lavar as conchas, usam água que vem das nascentes de dentro da Terra Indígena. Apesar de o abastecimento não ser interrompido com a demarcação, os moradores temem que podem ter que começar a fazer o que os brasileiro já fazem: pagar suas contas de água. No local, poucas empresas são especializadas em lavar as ostras e, caso tivessem que pagar pela água, seus lucros reduziriam. Nem os indígenas nem a Funai cogitaram em cobrar pelos serviços ambientais e pela produção de água, aliás, querem manter uma boa relação com os moradores não-indígenas.

Logística

O antigo Caminho Indígena Peabiru na região foi sobreposto pela BR-101, e no trecho de transposição do Morro dos Cavalos, conforme projeto do DNIT, está em licenciamento ambiental para instalação de dois túneis, como é comum na região montanhosa que já conta com vários túneis na BR-101. Assim o trecho que corta a Terra Indígena será desativado, reduzindo os impactos na comunidade Guarani.

O projeto mais polêmico e que tem sido usado por ruralistas na Assembleia Legislativa de SC é a construção da Ferrovia Litorânea Sul, que conectará por terra os portos de São Francisco do Sul, Itajaí e Imbituba. O projeto da obra ainda não foi finalizado por questões de engenharia, que exigirá novas obras de arte em alguns trechos como transposição de montanhas e rios, e também pelo fato de um dos trechos na grande Florianópolis ter sido sobreposto pelo projeto, já em implementação, do Contorno Rodoviário de Florianópolis, executado não pelo DNIT, mas pela Concessionária operadora da BR-101 na região, a empresa Arteris.

O licenciamento da ferrovia está no Ibama, e a Funai aguarda o Componente Indígena ser realizado pelo DNIT, mas ainda não houveram sinais de quando iniciarão os estudos. Porém, a Funai tem sido colocada como “imperradora” do desenvolvimento no estado de SC, como se dependesse da Fundação a autorização para o licenciamento. O trecho do Morro dos Cavalos tem várias alternativas que deverão ser analisadas pelos estudos ambientais e apresentadas ao empreendedor e órgão licenciador, que enfim consultará a Funai e as comunidades indígenas impactadas. Todo este trâmite é regido pela portaria Interministerial 60/2015.

Imobiliárias

A região do Morro dos Cavalos é de interesse imobiliário para instalação de condomínios, hotéis, restaurantes e pousadas. O Movimento Contra a Demarcação da Terra Indígena Morro dos Cavalos já fechou a BR-101 várias vezes, ocupou a sede da Coordenação Técnica da Funai em Palhoça, SC, e vem ameaçando a cacica Eunice Antunes.

Toda essa situação ocorre pela valorização das terras na região que é protegida pelas montanhas e muito bem abastecida de água.

Um dos porta-vozes das imobiliárias é o Deputado Federal Espiridião Amin (PP-SC), que tem financiamento de campanha eleitoral da WOA Empreendimentos Imobiliários, uma das gigantes da região, ligada ao Grupo Koerich.

R$ 11 milhões

O recurso que o Grupo RBS acusa ter rendido à Funai, é na verdade a compensação da BR-101 trata-se do Componente Indígena do Plano Básico Ambiental por conta da duplicação da BR-101 no trecho Palhoça/SC a Osório/RS, que atingiu quase 10 aldeias da etnia Guarani, sendo uma delas o Morro dos Cavalos. O Plano é chamado de Programa de Apoio às Comunidades Indígenas Guarani – PACIG.

Na época, ao invés de o DNIT ter executado as ações previstas no Plano Ambiental, contratando empresa para tal, decidiu repassar o recurso por convênio à Funai para que esta, por sua especialidade na Política Indigenista dentro dos órgãos federais, efetivasse as ações que vão desde compensação com aquisição de áreas, ações sócio-ambientais, construção de casas e pontos de venda do artesanato. As ações estão já em fase final de execução e o total dos R$ 11 milhões foi gasto nas comunidades Guarani.

Este recurso já foi objeto de prestação de contas junto ao Tribunal de Contas da União, seguindo o rito que todos os órgãos públicos obrigatoriamente devem seguir, e nenhum erro foi identificado.

Racistas e preconceituosos

O Grupo RBS e os ruralistas do sul do Brasil, além de agiram com racismo contra os indígenas, incitam que a população local a serem  preconceituosos, e assim tentam frear as ações da Funai e do governo Federal da região quando se trata de defender Terras Indígenas.

No Desacato
Leia Mais ►

Argentinos vão pra rua em defesa da Ley dos Medios


Violando a Lei, a ditadura de Macri tem feito intervenção na Secretaria Autárquica da Lei de Meios. O povo está na rua protestando, são milhares como nas duas mobilizações anteriores frente aos primeiros 12 dias de ditadura na Argentina.

Leia Mais ►

‘Eu acho que o PSDB é bandido': é de Chico a Frase do Ano

Aula de civilidade
Chico é autor de muitas das mais lindas e pungentes frases em língua portuguesa.

Algumas:

A felicidade morava tão vizinha que de tolo até pensei que fosse minha.

Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu.

Morreu na contramão atrapalhando o tráfego.

Mas foi longe de sua atividade de compositor que ele produziu sua melhor frase em muitos anos.

Eu acho que o PSDB é bandido.

Foi de improviso, sem reflexão, sem um caderno e uma caneta nas mãos, num fim de noite no Leblon. E não foi no silêncio ideal para juntar palavras, mas diante do alarido agressivo e atrevido de jovens analfabetos políticos que se sentiram no direito de importuná-lo depois de um jantar.

Era preciso que alguém, enfim, juntasse essas duas palavras: PSDB bandido. Como foi Chico, isso imediatamente se espalhou pelas redes sociais. Mesmo a mídia tão amiga do PSDB foi obrigada a dar, contrariada, a sentença de Chico.

Ao contrário dos vociferantes analfabetos políticos, Chico não ergueu a voz. Manteve o sorriso amistoso nos lábios, em vez da carranca dos que o cercavam. Ele poderia estar dando boa noite a eles, paternalmente.

Mas disse que para ele o PSDB é bandido.

A importância da frase reside na contestação da ideia, insuflada tenazmente pela mídia, de que o PT é bandido e o PSDB mocinho.

Nunca ninguém, muito menos alguém com a estatura de Chico, dissera tão claramente que o PSDB é bandido.

Não que seja: muito mais que bandido, o PSDB é reacionário, atrasado, golpista e péssimo perdedor. Chico estava apenas mostrando a insignificância desprezível deste clichê — PT bandido — que tanto contribui para a existência hoje de dois Brasis, um dos quais, o representado pelos antipetistas que o assediaram, odeia o outro.

Chico deu, de bônus, outra frase soberba, a que associou aquele tipo de comportamento feroz à leitura da revista Veja.

Leia a Veja e você se transformará num idiota como aqueles que abordaram Chico. Repetirá mentiras, dirá asneiras, se encherá de preconceitos: será, enfim, um perfeito idiota brasileiro.

Do alto de sua grandiosa estupidez, você se achará em condições de dizer para provavelmente o maior compositor da história da música brasileira: “Você é um merda!”

Chico, a seu jeito, contribuiu para o retorno do Brasil a um grau de civilidade perdido com a proliferação de analfabetos políticos.

Se a discussão fosse futebolística, e não política, Chico teria ouvido o seguinte: “O Fluminense é um horror.” E teria respondido: “Pois para mim o Flamengo que é um horror. E daí?”

E daí que podemos ter nossos gostos e preferências sem agredir os outros. A tolerância pode triunfar sobre a intolerância, a civilização sobre a barbárie, os bons modos sobre a grosseria, o bom humor sobre a rispidez. (Em sua página no Facebook, Chico postou, com seu humor de carioca, a música Vai Trabalhar, Vagabundo!)

Numa palavra, o mundo de Chico — e não estou falando de ideologia — pode triunfar sobre o mundo dos desordeiros que perturbaram sua paz no Leblon. Por tudo isso, é de Chico a frase do ano.

Eu acho que o PSDB é bandido.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

China pode derrubar EUA do posto de única superpotência


Em novembro, a China assinou um acordo para abrir sua primeira base militar na África. A medida vai permitir a Pequim controlar a mais importante "estrada de contêineres" do mundo, diz o jornal alemão Deutsche Wirtschafts Nachrichten (DWN).

Segundo a publicação, a China vem usando com sucesso uma estratégia de longo prazo para se tornar uma grande potência na economia mundial.

A importância da China já se mostra visível para as instituições financeiras controladas pelos Estados Unidos. O FMI, por exemplo, adicionou o yuan, a moeda chinesa, à sua lista de moedas de reserva. Além disso, a China criou sua própria instituição financeira: o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, que serve como alternativa às instituições lideradas pelos EUA.

Ao mesmo tempo, Pequim adota uma inteligente estratégia militar e geopolítica. No Oriente Médio, os chineses fizeram aliança com a Rússia, enquanto na África está planejando construir sua primeira base militar no Djibouti, um dos principais centros comerciais, que está entre os territórios mais estrategicamente importantes do mundo.

As atividades da China e sua expansão — tanto política quanto econômica — alarmaram os Estados Unidos, que temem perder sua posição como única superpotência na atual ordem mundial.

Os chineses caminham para um conflito direto com os interessas globais dos EUA e estão deixando Washington nervosa, diz o DWN. O jornal afirma ainda que os americanos agora têm a nova experiência de lidar com a China como um adversário em igualdade de condições.



China testa míssil balístico lançado de plataforma ferroviária


A China realizou um teste de lançamento de seu míssil balístico intercontinental Dong Feng 41 (DF-41) a partir de uma plataforma ferroviária, segundo informou o site de notícias The Washington Free Beacon, citando serviços de inteligência dos EUA.

De acordo com a fonte, os testes foram realizados em 5 de dezembro na parte ocidental do Oceano Pacífico.

Anteriormente, um relatório elaborado pela Universidade de Georgetown no âmbito do Projeto de Controle de Armas na Ásia, indicou que a tecnologia “ferroviária” para lançar mísseis balísticos havia sido transferida para a China pela Ucrânia.

Nos tempos soviéticos, de fato, a Ucrânia desenvolveu sistemas de mísseis SS-24 (segundo o código da OTAN) instalados em contêineres ferroviários.

O Dong Feng 41 tem um alcance de até 12.000 quilômetros e pode transportar até dez ogivas nucleares.

Leia Mais ►

Cuba vai fechar 2015 com mortalidade infantil abaixo de cinco mortes

Pelo sexto ano consecutivo, Cuba espera fechar 2015 com uma taxa de mortalidade infantil abaixo de cinco por mil nascidos vivos.

A nota diz que os resultados do Programa Materno Infantil são frutos dos programas de Genética Médica — que desde 1983 foi redimensionado e aperfeiçoado — e de Imunização.

Este último protege os menores de idade contra 13 doenças evitáveis ​​por aplicação de 11 vacinas ou produtos imunobiológicos, oito deles produzidos no arquipélago.

"Isso contribuiu para que há vários anos a nação caribenha apresente uma taxa de mortalidade infantil inferior a cinco, bem inferior à de países desenvolvidos, como os Estados Unidos da América e Canadá", informou a Agência Cubana de Notícias.

Além disso, no ano que termina mais de sete mil cubanos foram beneficiários com terapia celular em medicina regenerativa em doenças de angiologia, ortopedia e estomatologia, segundo o Instituto de Hematologia e Imunologia, referência nacional nesse ramo.

"Note-se que, pelo quarto ano consecutivo, foram feitas em toda Cuba um milhão de cirurgias," diz o texto.

No CubaDebate
Leia Mais ►

Gobierno argentino intervino servicio de comunicación Afsca


Macri removió a las autoridades de los organismos encargados de hacer cumplir la Ley de Medios, cuyos mandatos culminaban en 2017.

El Gobierno del recién electo presidente, Mauricio Macri, intervino este miércoles la Autoridad Federal de Servicios de Comunicación Audiovisual (Afsca) y la Autoridad Federal de Tecnologías de la Información y la Comunicación (Afstic), dos entes que regulan las telecomunicaciones y los medios audiovisuales del país suramericano.

El decreto de intervención de la Afsca fue anunciado por el ministro de Telecomunicaciones, Oscar Aguad, quien apuntó que ambos organismos y sus autoridades “no responden a las nuevas instancias”, con la llegada de Macri al Gobierno hace solo 13 días.

Leia Mais ►

Governo da Polônia planeja reforma da mídia

Mesmo antes de ter sido levada ao Parlamento, proposta de reforma do setor midiático já é motivo de polêmica. Políticos do governo falam sem rodeios que as mídias devem cumprir sua "missão nacional".


A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) disparou o alarme: ela disse estar "extremamente preocupada" com a situação na Polônia. O motivo são os planos de reforma do setor midiático. Embora eles ainda não tenham sido oficialmente apresentados ao Parlamento em Varsóvia, já foram anunciados por membros do governo.

Há motivos para acreditar que o objetivo da reforma seja enquadrar o "quarto poder". Os planos afetam as emissoras públicas de rádio e TV e a agência de notícias estatal polonesa PAP. De acordo com a proposta governamental, as atuais empresas públicas de capital aberto deverão priorizar a sua "missão nacional". Eles serão rebatizadas de mídias "públicas" para "nacionais". Em vez de sociedades anônimas, serão "instituições culturais nacionais".

O vice-ministro polonês da Cultura, Krzysztof Czabański, explica o que entende por "missão nacional": a história polonesa deve se tornar um ponto importante na programação. Com "interesses nacionais", o que está sendo sugerido é uma programação que apele aos sentimentos patrióticos da população. Críticos acreditam que, com isso, um olhar crítico sobre a história do país vai ser quase impossível na televisão pública.

Influência política

A reforma também prevê novas estruturas. O novo "Conselho das Mídias Nacionais" — escolhido pelo parlamento e pelo presidente — será responsável pela linha editorial e pela escolha de pessoal. "Dessa forma, as mídias estarão subordinadas à maioria parlamentar e à presidência, ou seja, a órgãos com um forte mandato civil", argumenta Czabański.

A instrumentalização da mídia polonesa por parte do governo tem uma longa tradição. Em 2007, quando o partido Plataforma Cívica assumiu o poder, as diretorias das emissoras de televisão também foram ocupadas por pessoas ligadas ao governo.

Embora esse ponto seja muito criticado pelo partido governista Lei e Justiça (PiS), essa crítica não significa vontade de mudança. "Não somente na Polônia, mas também em muitos países, as mídias estão sob a responsabilidade dos governantes, e até agora ninguém encontrou uma solução melhor", afirmou Czabański.

Jornalistas sob pressão

Jaroslaw Kaczynski, líder do partido governista PiS,
e a nova primeira-ministra, Beata Szydlo
Jornalistas críticos parecem ter pela frente tempos difíceis. Aqueles de quem o governo não gosta sofrem intimidações ou são suspensos, como foi o caso da apresentadora de TV Karolina Lewicka. Ao entrevistar o ministro polonês da Cultura, Piotr Gliński, ela lhe fez perguntas desconfortáveis. Em seguida, o político declarou abertamente, diante das câmeras, que ele não responderia as perguntas, pois "se trata de uma emissora propagandística, e isso vai acabar logo".

Também o programa de talk show de Tomasz Lis — um dos mais conhecidos jornalistas poloneses — vai sair do ar em breve. Lis é alvo de uma campanha de difamação. Czabański classificou o programa dele de "não objetivo, parcial, direcionado e manipulador" e chamou o apresentador de "funcionário da propaganda". Até mesmo o coordenador do serviço de inteligência Mariusz Kamiński se intrometeu no caso: "Seu nome simboliza o mal e é financiado pela TV de fundos públicos."

"Quando políticos ofendem jornalistas, chamando-os de propagandistas, e ameaçam com demissões, esse pode ser o primeiro passo para a autocensura", afirma Katarzyna Twardowska, porta-voz do atual Conselho de Televisão. Isso também pode avalizar um comportamento agressivo com os jornalistas.

Acontecimentos recentes mostram que os temores devem ser levados a sério. Numa manifestação de apoiadores do governo, podia-se ver uma pequena raposa de pelúcia onde estava escrito "Tomasz ao vivo". A raposa era uma alusão ao nome do jornalista. Em polonês, "lis" quer dizer raposa. No mesmo protesto, alguém segurava "uma gaiola para a raposa".

Em outra manifestação, um repórter da televisão polonesa foi agredido. O microfone foi arrancado à força de sua mão, e ele foi insultado diante das câmeras. Para tais eventos, a maior emissora de TV privada TVN passou a enviar seus repórteres somente com proteção individual.

"Novos tempos"

Nem todos podem fazer frente à essa situação. Alguns jornalistas já relatam que, em suas redações, a autocensura já está sendo praticada. Principalmente entre os repórteres mais jovens existe um temor pelo futuro profissional. O governo lhes promete "novos tempos" no setor midiático.

Muitos repórteres e apresentadores da televisão polonesa — incluindo celebridades — são free lancers, e frequentemente eles não têm seguro de saúde nem pagam ou encargos sociais. Quase ninguém consegue obter um contrato normal de trabalho. Com "novos tempos", o PiS também se refere às relações trabalhistas.

Melhor financiamento

Protesto contra o governo em Varsóvia:
muitos poloneses foram às ruas nas últimas semanas
Apesar das críticas, justamente o atual governo poderá conseguir melhorar o financiamento das mídias públicas. Em teoria, elas são financiadas por uma taxa de telecomunicação. Na prática, os hábitos de pagamento dos poloneses são ruins. Das dez milhões de residências, somente um décimo paga a mensalidade de 5 euros para o uso de rádio e televisão — nove milhões não pagam nada.

A culpa também é do ex-primeiro-ministro Donald Tusk. Em 2008, ele indignou a opinião pública falando de uma "forma arcaica de financiamento das mídias, de uma espécie de dinheiro de proteção." Tusk queria abolir a taxa de telecomunicação, o que acabou não conseguindo. Agora ele foi embora, mas os problemas continuaram, comenta Czabański.

O governo estaria planejando um perdão das dívidas e a introdução de uma nova taxa de telecomunicação, equivalente à metade da anterior. A nova taxa seria paga por todas as residências junto com a declaração de imposto de renda ou da conta de luz, chegando a um montante anual de 400 milhões de euros.

Capital estrangeiro

Já o futuro do projeto de reduzir a parcela de grupos de jornais estrangeiros na Polônia segue incerto. Esse projeto se volta principalmente contra editoras alemãs, muito presentes no país vizinho. Os membros do governo falam de uma "repolonização".

Também isso deve acontecer em nome dos interesses nacionais — mas ainda não se conhecem detalhes. A reforma deverá ser apresentado no mais tardar no início de janeiro.

No DW
Leia Mais ►

Manual para não enlouquecer nas festas de final de ano


Ainda pior do que as piadas do peru na boca e o pavê ou pacomê, são os tios (e suas variações) que acham que as festas de final de ano são um bom momento pra colocar em prática tudo o que leram no Facebook e receberam no Whatsapp. A pior parte é que esse tio é sempre um coxinha. Por isso, prezando pelo bem estar da família brasileira, o Muda Mais Congresso reuniu cinco passos básicos pra não enlouquecer nas festas de final de ano.

1. O tio que diz que Eduardo Cunha é “um mal necessário para tirar essa corja do poder”

Primeiro, você rola os olhos em direção ao cérebro. Isso vale pra todos os itens. Depois, você apresenta pra ele todos os indícios contra Cunha. São eles:
  •  Diversos processos do STF
  •  Recebeu propina para favorecer empresas
  •  Intimidou testemunhas, como a advogada Catta Preta na CPI da Petrobrás
  •  Abusou do poder e interferiu nas investigações contra ele no Conselho de Ética
  •  Usou o cargo de deputado pra receber vantagens indevidas
E mais um monte de coisa que não dá pra decorar. Termine dizendo que é INCOERENTE defender Cunha “contra a corrupção” e que contra ele pesam diversas acusações, diferentemente de Dilma.

2. Dilma tem que ser impichada porque roubou a Petrobras

Esse é o discurso usado pela oposição e é facinho de desconstruir. Primeiro, o pedido de impeachment é baseado em pedaladas fiscais, que não são crime, não são roubo, não são corrupção. Segundo, não existe sequer UMA acusação formal contra Dilma. Estar descontente com o governo não é motivo para terminar o mandato de um presidente. Para isso, espere até a próxima eleição.

3. Impeachment não é golpe, é constitucional

Sim, é constitucional, mas não significa que deve ser usado de forma irresponsável. Justamente por ser constitucional, só pode ser usado quando existe lastro na lei, o que não é o caso. Portanto, seria golpe.

4. Eu li na Veja que…

Levante da mesa e deixe o lugar em que estiver.

5. Com Collor não foi golpe.

Sim, porque Collor estava comprovadamente envolvido com corrupção no caso PC Farias — que apareceu morto depois em condições suspeitas —, com a Casa da Dida e etc. Dilma, novamente, não tem nenhuma acusação contra ela em órgão nenhum.

Bom natal, boas festas e até 2016. Esperamos que ninguém ganhe meias de amigo secreto.

No MudaMais
Leia Mais ►

A prisão de Cunha

Lavagem de dinheiro, definiu o STF, é crime permanente. Eis uma razão para encarcerá-lo

A esperteza de Cunha poderia transformá-lo em vítima de desacato
Pouca gente sabe, mas existe uma Escola de Cidadania na esquecida e populosa zona leste da capital de São Paulo: 3,3 milhões de indivíduos. Está instalada no bairro de Ermelino Matarazzo, funciona na Igreja de São Francisco e depende do trabalho do seu fundador, Antonio Luiz Marchione, o popular Padre Ticão.

Neste mês de dezembro participei, com o arquiteto Ruy Ohtake e a deputada Luíza Erundina, de dois colóquios de fim de ano. Os formandos e a comunidade ouviram considerações sobre a atuação e o comportamento ético de Eduardo Cunha, presidente da Câmara, e o impeachment.

Este é um instituto para julgamento político nascido no Parlamento inglês, em 1376, quando reinava Eduardo III e diante de acusações de incompetência e corrupção dos seus ministros e da sua  amante Alice Perrers: o impeachment restou incorporado ao sistema da Common Law.

Para defender a urgência na decretação da prisão cautelar de Cunha, lembrei prever o nosso ordenamento legal a prisão em flagrante delito e estabelecer o poder-dever das autoridades em dar voz de prisão, diante de situações estabelecidas na lei processual penal.

Mais, frisei o fato de poucos saberem que o nosso Código Penal contempla delitos de consumação instantânea e crimes permanentes: nos permanentes, o momento consumativo prolonga-se no tempo, como, por exemplo, na extorsão mediante sequestro. Aí caberá a prisão em flagrante enquanto a vítima for mantida em cativeiro, sob  domínio do sequestrador.

Importante lembrar, ao tempo do julgamento do “mensalão”, ter o Supremo Tribunal Federal (STF) decidido, com relação ao crime de lavagem de dinheiro (e Cunha está sendo acusado de lavagem de dinheiro), tratar-se de crime permanente.

No particular, o STF desprezou o entendimento de doutrinadores a sustentar a lavagem de capitais como crime instantâneo de efeito permanente. Pela atual jurisprudência do STF, o crime de lavagem de dinheiro se protrai, se alonga no tempo, ou seja, é crime permanente. 

No caso Cunha, a consumação delinquencial se alonga, com ocultação permanente de capitais em contas correntes. Tudo não declarado no Brasil, com evasão de divisas e dinheiro em odor de corrupção. Trocado em miúdos, pode-se dar voz de prisão em flagrante a Cunha.

Como reforço, convém lembrar o caso Delcídio do Amaral, preso preventivamente, tendo o ministro relator Teori Zavascki sustentado tratar-se o crime de formação de organização criminosa, de natureza permanente, e que poderia, até, ensejar prisão em flagrante.

Rodrigo-Janot
Janot poderia pedir a prisão preventiva de Cunha (Elza Fiúza/ Agência Brasil)
O mesmo raciocínio empregado pelo ministro Teori poderia ser adotado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, numa representação de imposição de prisão preventiva de Cunha.

Uma custódia, aliás, mais do que necessária, como é público e notório, para garantia da ordem estabelecida, conveniência da instrução criminal e a fim de se assegurar, no caso de condenação, a aplicação da lei penal.

Não se deve esquecer, ainda, poder qualquer cidadão representar ao procurador Janot para avaliar e eventualmente postular no STF a prisão preventiva de Cunha. Não se aconselha, embora legal, voz de prisão dada por comum mortal, pois a esperteza de Cunha poderia transformá-lo em vítima de desacato.

Por outro lado, a presidenta Dilma, é sabido, não está sendo acusada, ao contrário de Cunha, de corrupção e lavagem de dinheiro, crimes comuns.

Na denúncia mandada processar por Cunha, imputa-se contra Dilma autoria de crime de responsabilidade no exercício das funções presidenciais, por infração à lei em face de: 1. Créditos suplementares não autorizados pelo Congresso. 2. Irregularidades na Petrobras, com destaque à aquisição de Pasadena. e 3. Pedaladas fiscais, mediante adiantamentos realizados por bancos públicos.

Em casos de impeachment, o julgamento do mérito das acusações é político e cabe com exclusividade ao Senado, vencida a fase de admissibilidade da acusação na Câmara.

A bem da verdade, gasta-se tinta ao sustentar a falta de fundamento jurídico para o impeachment sem se bater à porta do Supremo Tribunal Federal. Em uma situação como a atual, cabe sim ao STF analisar e decidir sobre ilegalidades e inconstitucionalidades.

A Corte, assim, poderá decidir se as acusações contra Dilma, em tese, se adequam ou não ao crime de responsabilidade. E o STF poderá declarar ser inadmissível o impeachment por atos ocorridos no primeiro mandato de Dilma, conforme está claro no artigo 86, parágrafo 4º da Constituição.

É ingenuidade achar que, no Senado, haverá julgamento à luz de aprofundado exame de questões jurídicas, mais especificamente sobre a tipicidade e a presença de intenção dolosa. Num julgamento político, colhido na base do “sim” ou “não”, pode contar o fato de outros presidentes terem dado pedaladas e não ter havido dolo por parte de Dilma.

Mas pode contar a oportunidade da permanência na função e de se considerar Michel Temer como a salvação da lavoura. Caso a decisão do Senado seja condenatória, o STF, salvo irregularidades formais e nulidades, jamais cassará decisão de mérito.

Wálter Maierovitch
No Carta Capital
Leia Mais ►

Sensacional: Promotor do TCU diz que vice é decorativo e não responde pelo que assina


O facciosismo de certos elementos do Ministério Público chega a ser uma piada.

Fica-se sabendo que, na ânsia de livrar Michel Temer de responsabilidades por ter assinado decretos orçamentários idênticos aos assinados por Dilma Rousseff,  “o vice-presidente da República e demais autoridades que compõem a linha sucessória “não participam da alta administração, não exercem papel diretivo no poder Executivo, não designam a equipe do governo, enfim, não fazem a gestão do país”.

Ou seja, é decorativo.

Dois dos decretos assinados por Michel Temer, na avaliação do procurador do MP no TCU Júlio Marcelo de Oliveira são “pedaladas fiscais”, mas isso “não vem ao caso”.

Porque, segundo ele, “seria incongruente com a realidade e com a natureza das coisas exigir que o substituto meramente eventual e interino tenha pleno domínio ou ciência dos assuntos de rotina que lhe são apresentados a despacho”.

Ou seja, ele assina mas não tem responsabilidade sobre o que assinou.

Imagine, caro leitor, não ter responsabilidade sobre o que se assina.

A assinatura não é um ato menor, é ato de vontade, espontâneo.

Custa a crer que o promotor acha que se assine algo com a única razão de “você está  ali temporária e interinamente’, então dane-se e tome o jamegão…

Neste caso, teríamos “atos órfãos”.

Não são do presidente, porque este não os assinou.

Nem do vice, porque este os assinou “sem ter pleno domínio ou ciência” do que fazia.

Senhores maus administradores: querendo armar trampas e safadezas, preparem tudo, viajem e deixem seus vices assinarem.

Não dará problemas no TCU, segundo o guapo promotor, porque os vices, afinal, podem assinar tudo sem ter responsabilidade alguma, segundo a tese esdrúxula de Júlio Marcelo de Oliveira.

O Ministério Público, tão feroz com Dilma, assume uma postura cândida  com Michel Temer que não beira, mas afunda no ridículo.

O Dr. Oliveira revogou o princípio de que a lei é igual para todos. Agora, a condição de Vice transforma o cidadão em inimputável.

Aliás, já revogou também o princípio de que a atuação do MP não deve ser politicamente motivada, porque ele é vigoroso militante anti-Dilma, como qualquer um pode ver em seu facebook.

Deplorável.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Tesouro fala da Dívida Pública, mas não cita as Reservas Internacionais

http://www.maurosantayana.com/2015/12/tesouro-fala-na-divida-publica-mas-nao.html


O Tesouro anuncia, a Agência Brasil copia, e a imprensa espalha estrondosamente aos quatro ventos, que a dívida pública chegou a 2.716 trilhões em novembro, aumentando pouco mais de 2% com relação ao outubro.

Mas nem o Tesouro, nem a Agência Brasil, nem o Governo, explicam que o Brasil tem quase 370 bilhões de dólares em reservas internacionais, ou o equivalente a 1.45 trilhões de reais, em dólares, guardados.

Se esse dado — assim como o relacionado à dívida líquida pública, de aproximadamente 35% do PIB — não é considerado relevante para o Palácio do Planalto, mesmo assim deveria ser divulgado, porque implica fortemente na real situação do país e nas expectativas econômicas e de investimento.


Como brasileiros, pregando no deserto pela milionésima vez, seria o caso de nos perguntarmos: o governo federal tem vergonha das reservas internacionais do país, e da condição do Brasil de terceiro maior credor internacional externo dos EUA, ou é só — para não usar outra palavra mais forte — incompetência estratégica mesmo?
Leia Mais ►

A história do avô do rapaz que ofendeu Chico

O primeiro instante de celebridade do neto foi fotografar-se aos beijos com o ex-jogador Ronaldo.


O rapaz que ofendeu Chico Buarque é pouco informado sobre as aventuras de seu avô, Mário Garnero com o PT.

Garnero foi uma liderança estudantil importante. Depois, casou-se com uma herdeira do grupo Monteiro Aranha e passou a representar o sogro no capital da Volkswagen. Lá, como diretor de Recursos Humanos, conheceu e aproximou-se de Lula e dos sindicalistas do ABC.

Mas toda sua carreira foi pavimentada no regime militar.

Foi responsável por um seminário internacional em Salzburg, visando vender o país aos investidores externos no momento em que os ecos do Brasil Grande projetava a imagem do país no mundo.

Do seminário nasceu o Brasilinvest, um dos primeiros bancos de investimento do país tendo como acionistas diversos grupos internacionais. Garnero arrebentou com o banco desviando recursos para holdings fantasmas, como forma de se capitalizar para conquistar o controle absoluto da instituição. Quando terminou a operação, viu-se dono de um banco quebrado.

Antes disso, era o menino de ouro dos militares. Tornou-se num anfitrião de primeiríssima acolhendo em sua casa, ou em um almoço anual nas reuniões do FMI, a fina nata do capitalismo mundial. Tornou-se, de fato, um dos brasileiros mais bem relacionados do planeta. Mas jamais conseguiu transformar o relacionamento em negócios legítimos. Não tinha a visão do verdadeiro empreendedor. Terminou cercado por parceiros de negócio algo nebulosos.

Acabou se convertendo na bomba relógio que João Batista Figueiredo deixou para Tancredo Neves. A desmoralização final dos militares foram os escândalos da Capemi, brilhantemente cobertos para a Folha pelo nosso José Carlos de Assis.

Figueiredo impediu Delfim Netto de ajudar Garnero, vaticinando: o Brasilinvest será a Capemi do Tancredo. A razão maior era a presença, no Conselho de Administração, de Aécio Cunha, pai de Aécio e genro de Tancredo. E também de personagens de peso na vida nacional da época, como o presidente da Volskwagen Wolfgang Sauer, Helio Smidt, da Varig e o publicitário Mauro Salles.

Colhi depoimento de Sauer sobre o episódio e testemunhei o alemão de ferro chorar na minha frente pela traição do amigo Garnero.

Percebendo a armadilha, Tancredo incumbiu seu Ministro da Fazenda, Francisco Dornelles, de não facilitar em nada a vida da Brasilinvest. Da derrocada de Garnero, valeu-se Roberto Marinho para tomar-lhe o controle da NEC Telecomunicações.

Depois disso, continuou a vida tornando-se uma espécie de João Dória Junior internacional. Aos encontros anuais da Brasilinvest comparecia a fina flor do capitalismo — e modelos belíssimas. Aliás, a capacidade de selecionar mulheres era uma das especialidades de Garnero, que conseguiu um encontro de Gina Lolobrigida para seu sogro.

No início do governo Lula, Garnero valeu-se da familiaridade dos tempos de ABC para se aproximar de José Dirceu, ainda poderoso Ministro da Casa Civil. A aproximação lhe rendeu prestígio e bons negócios.

Graças a ela, conseguiu levar o Instituto do Coração para Brasília, em um episódio controvertido que estourou tempos depois, com boa dose de escândalo. Aliás, até hoje respondo a um processo maluco do Mário Gorla, o sócio de Garnero no empreendimento. Esteve também por trás dos problemas do Instituto do Coração em São Paulo.

Quando os chineses começaram a desembarcar no Brasil, fui procurado por analistas da embaixada da China interessados em informações sobre o país. E me contaram que estavam conversando com um BNDES privado. Indaguei que história era essa. Era o Brasilinvest — na ocasião um mero banco desativado, localizado em uma das torres do conjunto Brasilinvest na Avenida Faria Lima. Não sabiam que Garnero já se desfizera totalmente do patrimônio representado pelas torres. E tinha um banco de fachada.

Garnero ajudou na aproximação de Dirceu com parte dos empresários norte-americanos. Na véspera do estouro do "mensalão" Dirceu já tinha uma viagem agendada para Nova York organizada por ele.

Sem conseguir se enganchar no governo Lula, Garnero acabou se dedicando ao setor imobiliário. Os filhos não seguiram sua carreira, internacionalmente brilhante, apesar dos tropeços. Ficaram mais conhecidos pelas conquistas e pela vida vazia.

Já o neto consegue seu segundo instante de celebridade. O primeiro foi em um vídeo polêmico, simulando um agarra com o ex-jogador Ronaldo.

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►

O jovem incoerente que provocou Chico Buarque

A esta altura, na internet, já “viralizou” o vídeo que a Glamurama, de Joyce Pascowitch, postou com o bate-boce entre Chico Buarque e os jovens Alvaro Garnero Filho e Tulio Dek, em mais uma clara demonstração de intolerância política com quem pensa diferente. É óbvio, que nos dias atuais de radicalismo à flor da pele, haverá sempre quem defenda um ou outro. Dependerá da ideologia política de cada um. A questão, porém, passa por outra discussão comum nos dias atuais: a incoerência.

Ela veio de um dos jovens que cobraram do compositor, cantor e, escritor o fato dele “morar em Paris” com base, certamente, como disse o próprio Chico, na leitura de Veja.

Erraram, pois, é público que ele mora no Rio, onde anda diariamente pelas ruas e passa por centenas de pessoas sem ser importunado como ocorreu na noite de segunda-feira, na saída de um restaurante.

O importunaram e ainda filmaram a provocação, na expectativa de posarem de heróis — da direita xiita — por alguns momentos nas redes sociais.

Mas, enquanto Chico não faz de seu imóvel na cidade luz e de suas temporadas de recolhimento por lá um trampolim para as páginas de jornais e menos ainda colunas sociais, o mesmo não se pode falar de um dos rapazes que o provocaram com base em informação errada: “Para quem mora em Paris é fácil, não? Você mora em Paris”.

Álvaro Garnero Filho, assim como o pai, é figurinha fácil nas colunas de fofoca e futilidades. Basta googlar seu nome que logo aparecem fotos das quais deve ser orgulhar. Afinal, há gosto para tudo.

Não se sabe se os familiares de Alvarinho, forma como Lu Lacerda o trata em sua coluna social, possui imóveis no exterior. Certamente sim, pois seu bisavô era Joaquim Monteiro de Carvalho, que entre outros feitos trouxe para o Brasil empresas como a Volkswagen, a Peugeot e a Moët & Chandon. Já o avô, Mario Garnero, é o dono do Brasilinvest, um banco de negócios que em 1985 foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central.

Alvarinho pode até não dispor de imóveis da família em outros países, nem por isso, porém, deixa de desfrutar “.La Doce Vita”. E isto está mais registrado nas colunas de fofoca do que as visitas de Chico Buarque a Paris.

Alvarinho e Álvaro Garnero com o DJ Jach E em Saint-Tropez férias com o filho 29.07.2013
Alvarinho e Álvaro Garnero com o DJ
Jach E em Saint-Tropez férias com
o filho 29.07.2013

Em julho de 2013, por exemplo, a coluna de Lu Lacerda registrava o curioso ingresso do Alvaro Garnero pai no mundo político. Ele assinou a ficha de filiação ao Partido Republicano Brasileiro (PRB) do senador “Marcelo Crivella (RJ) que, na época, ocupava o Ministério da Pesca, por conta de seus conhecimentos em piscicultura.

Pois, enquanto o pai se filiou ao partido cujo político maior ocupou um ministério do governo Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, o fiçlho e seus amigos classificam os petistas e seus apoiadores, como Chico Buarque de “merdas”.

A nota do anúncio da filiação tinha como ilustração uma foto de pai e filho. Não estavam em nenhum evento político. Muito menos em uma atividade produtiva. Mas ao lado do do DJ Jack-E em uma boite em Saint Tropez, uma pequena comuna francesa, localizada na região de Provence-Alpes-Côte d’Azur, no departamento de Var, na definição da enciclopédia livre Wikipédia.

Um ano depois, Alvaro Garnero Filho voltou não apenas a uma, mas a algumas colunas sociais. Foi em agosto de 2014. Todas registravam, com louvor o grande feito do jovem, então com 18 anos, estava “pegando”, ops!, namorando a socialite, atriz, cantora, empresária, escritora, estilista de moda, modelo, compositora e produtora norte americana, Paris Hilton, quinze anos mais velha.

Na coluna de Brfuno Astuto, de Época, o registro da pegação de Alvarinho com Paris Hilton. Namoro aprovado pelo pai.
Na coluna de Brfuno Astuto, de Época,
o registro da pegação de Alvarinho com
Paris Hilton.Namoro aprovado pelo pai.
As fotos do casalzinho enamorado foram feitas em Ibiza, na Espanha, lugar frequentado pelos mais endinheirados e badalados. Aliás, vale aqui repetir o que o colunista da revista Época — ele não lê apenas Veja, viu Chico Buarque! — registrou na nota:

“O verão europeu, mais precisamente em Ibiza, na Espanha, é o palco de um novo casal jet setter que tem dado o que falar: a socialite Paris Hilton e o estudante brasileiro Álvaro Garnero, conhecido entre os endinheirados paulistas como Alvarinho, filho do empresário e apresentador homônimo, que mora em St Moritz, na Suíça. “Estive com a Paris em Mônaco e ela é supersimpática, engraçada e bonita”, diz Álvaro pai, que aprovou o novo affair do rebento, de apenas 18 anos. “Ele tem 1,98 m de altura, é bonito de doer, gente boa, esportista e onde passa a mulherada fica louca. Eles estão empolgados, mas ele mora na Europa e ela nos Estados Unidos. Só com o tempo para saber se vai dar certo”

Descobre-se então que Alvarinho mora (ou morou) na Europa. Quem diria, logo ele que foi questionar Chico Buarque por ter um apartamento em Paris, pelo menos em agosto do ano passado, morava em St Moritz, na Suíça.

Estava na Suíça, namorando a atriz famosa e posando para colunas sociais enquanto no Brasil se desenrolava a eleição mais disputadas para a presidência da República. Nela, seu pai que chegou a se inscrever como candidato a deputado federal por São Paulo, fazendo uma previsão de gasto de R$ 6 milhões, acabou renunciando à candidatura.

Já Chico Buarque, como todos sabem, participou da campanha eleitoral, coerentemente, apoiando partidos e políticos em que sempre confiou, por motivos que nunca escondeu.

Abaixo, reproduzimos o vídeo postado pela Glamurama, da discussão de Alvaro Garnero e Túlio Deck com Chico Buarque na noite de segunda-feira (21/12) no Leblon. Mesmo aqueles que já o assistiram, vale a pena ver de novo, sabendo destes pequenos detalhes sobre o jovem Alvarinho. Mas, por favor, não cobrem coerência dele.

Folha e Estadão reproduzem vídeo sem xingamento e “culpam” a vítima:



Leia Mais ►

Conheça os bastidores da House of Cunha


Leia Mais ►

Chauí: o impítim é ódio de classe!

"Já vimos, os mais velhos, esta cena acontecer no Brasil, em 1964"



Leia Mais ►

Café Filho, edição 2015


Colunista compara o momento político da época de Café Filho com Michel Temer nos dias de hoje

A história do Brasil através dos tempos retorna algumas vezes de forma repetitiva, mas sempre como farsa. A história dos vices deve ser lembrada. Em 1954, por exemplo, quando da crise que resultou no suicídio do Presidente Getúlio Vargas, que como se sabe acabou o banquete golpista, o vice Café Filho, egresso das fileiras do partido de Ademar de Barros, o tal político conhecido como “roubou, mas fez”, acabou se aliando aos golpistas, traindo o titular do cargo e o Brasil. Não durou muito tempo.

Na ocasião, Café Filho contava com o apoio ostensivo de uma mídia golpista, onde se destacava, além da Tribuna da Imprensa, o panfleto de Carlos Lacerda, o jornal O Globo, comandado pelo empresário Roberto Marinho.

Agora, em 2015, de novo surge um vice-presidente que já não esconde o desejo de ocupar o cargo no lugar da Presidente Dilma Rousseff. Trata-se de Michel Temer, considerado pelo agora pedetista Ciro Gomes como o “capitão do golpe”.

A imprensa nacional, de novo capitaneada por O Globo, passou a endeusar Temer, com matérias especiais sobre ele. E todas muito simpáticas ao vice-presidente, que passou a ser uma nova edição farsa de Café Filho.

Michel Temer dificilmente conseguiria chegar à Presidência numa eleição direta e por isso ele não se incomoda de coroar a sua carreira política ocupando o cargo máximo da nação brasileira através de um impedimento de Dilma Rousseff, impedimento, diga-se de passagem, sem base legal, a não ser pela investida de grupos que querem voltar a gerenciar o Estado brasileiro.

O “capitão do golpe” em outras ocasiões se alinhou com partidários do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Quanto a isso não há dúvidas.

Conta-se até uma história nos bastidores políticos que quando remanescentes do PMDB fundaram o PSDB, Michel Temer queria aderir, mas foi aconselhado pelos próprios tucanos, entre os quais Mario Covas, a permanecer no PMDB, pois nesse partido poderia ser de utilidade para a nova sigla que estava sendo criada.  Temer sem pestanejar obedeceu a “ordem” e durante todos os anos manteve-se fiel ao PSDB, mesmo sendo vice-presidente numa composição com o PT.

Neste momento novamente os partidos de direita como o PSDB e o DEM, incluído também o PPS, um agrupamento formado por ex-comunistas, que como todos ex de qualquer espécie acabam se tornando muito mais realistas do que o rei, voltaram às boas com Eduardo Cunha. O deputado Roberto Freire que o diga. E tudo em nome do “pragmatismo” político por ter Cunha aceito o ritual de uma nova forma de golpe de estado.

Eduardo Cunha joga todas as suas cartas, mesmo queimado, na ascensão de Michel Temer. O presidente da Câmara acredita que se tal acontecer, o amigo e correligionário vai tentar de todas as formas livrar a sua cara. Faz parte do jogo do PMDB. Cunha sabe perfeitamente que se a decisão sobre o seu futuro ficar na dependência apenas da Justiça, poderá perder as bocas. É o que pelo menos se espera.

Ele conta com os correligionários, haja vista à ação vergonhosa de alguns deles na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados, que fazem o possível e impossível para livrar a cara de Cunha.

É neste quadro lamentável que vive o Brasil. Diariamente tem havido surpresas, muitas delas negativas, inclusive o não pronunciamento judicial imediato sobre a continuidade de Eduardo Cunha na presidência da Câmara dos Deputados e até mesmo a sua prisão, já alardeada até pelo peemedebista Rena Calheiros, presidente do Senado.

Café Filho, ou melhor, Michel Temer aguarda com ansiedade o desenrolar dos acontecimentos e sem perder tempo já está pensando na formação de seu ministério para levar adiante o seu projeto Brasil, apoiado pelo PSDB. Tanto assim que nos bastidores já se fala até na indicação do senador José Serra, o tal político mencionado no site WikiLeaks como prestador de serviços às multinacionais petrolíferas, entre as quais a Chevron.

Aliás, vale uma pergunta que não quer calar: Serra seria Ministro de um governo brasileiro ou funcionário da Chevron?

Se o momento atual do Brasil é considerado ruim podem imaginar o que seria num governo de “união nacional” entre a facção golpista do PMDB, o PSDB, o DEM e o PPS?  Serra e outros do gênero, entre os quais Moreira Franco,  o tal “gato angorá”, segundo Leonel Brizola, ocupariam grandes espaços para levar adiante um projeto que em pouco tempo levaria o Brasil para o abismo total.

Mário Augusto Jakobskind, jornalista e escritor, correspondente do jornal uruguaio Brecha; membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (TvBrasil). Consultor de História do IDEA Programa de TV trasnmitido pelo Canal Universitário de Niterói, Sede UFF – Universidade Federal Fluminense Seus livros mais recentes: Líbia – Barrados na Fronteira; Cuba, Apesar do Bloqueio e Parla, lançado no Rio de Janeiro.
No Correio do Brasil
Leia Mais ►

O Trono do Estudar


Faça parte da rede que apoiará os estudantes em 2016. Inscreva-se em: bit.ly/todoscomosestudantes

Créditos:

Produção Executiva: Renata Galvão
Direção: Alessandra Dorgan
Direção Musical: Fabio Pinczowski
Idealização: Manoela Miklos

Direção de fotografia: Lívia Perini
Assistência de Direção: Cibele Galvão
Câmera: Alisson Louback Rodrigo Rosa Riccardo Melchiades

Montagem: Victor Cohen
Color Grading: Marco Oliveira

Still: Dubes Sonego Reikrauss Benemond
Maquiagem: Mima Mizukami

Mixagem: Fabio Pinczowski no Estúdio 12 Dólares
Masterização: Arthur Joly na Reco-Master
Gravado nos estúdios: 12 Dólares (SP), Marini (RJ) e Rockit (RJ) por Fabio Pinczowski.

Fotos:
Minha Sampa
Não Fechem Minha Escola
Gabriel Uchida/VICE
Felipe Larozza/VICE
Jardiel Carvalho/R.U.A Foto Coletivo
Rodrigo Zaim/R.U.A Foto Coletivo

Ilustrações: Layla Cruz

Agradecimentos:

Alessandra Orofino
Anna Livia Arida
Dado Villa-lobos
Daniel Ferro
Estevão Casé
Felipe Arêas
Gui Coelho
Isaías Rodrigues
João Erbetta
Juliana Boscardin
Kassin
Laura Dorgan Menezes
Marcos Felix
Maria Gadú
Max Galvão Montanari
Minha Sampa
Nossas Cidades
Paulo Miklos
Polar Filmes
Regina Zappa
Rosa Galvão Montanari

Música: Trono do Estudar – Dani Black

Artistas:

André Whoong
Arnaldo Antunes
Chico Buarque
Dado Villa-Lobos
Dani Black
Felipe Catto
Felipe Roseno
Fernando Anitelli
Hélio Flanders
Lucas Santtana
Lucas Silveira
Miranda Kassin
Paulo Miklos
Pedro Luís
Tetê Espíndola
Tiago Iorc
Tiê
Xuxa Levy
Zélia Duncan

Leia Mais ►

Atores do golpismo

Globo e Gilmar, tudo a ver
Nesta conjuntura vertiginosa, os acontecimentos se sucedem freneticamente. A dinâmica política confirma o lema de uma emissora nacional de rádio e televisão — “em 20 minutos, tudo pode mudar”.

As certezas e vitórias cantadas por cada lado do espectro político ao fim de cada dia — pela oposição golpista ou pelo campo democrático-constitucional de resistência ao golpe —, se evaporam durante as madrugadas. E assim os dias amanhecem com novas incertezas e com os cenários de disputa em aberto.

Não há evidências de que essa conjuntura instável, imprevisível e cheia de lances dramáticos, se altere nos próximos meses.

Neste cenário de “instabilidade constante”, o aspecto de maior previsibilidade é o comportamento dos atores golpistas mais proeminentes: movidos por um ódio irascível e obsessivo contra o PT, eles são dotados de uma capacidade impressionante de armar traquinagens e vigarices.

A lista desses atores começa, naturalmente, por Eduardo Cunha. O Presidente da Câmara dos Deputados tem uma conduta que dificulta a precisão diagnóstica, embora apresente uma sintomatologia compatível com a de um gângster psicopata.

Ele nega com um descaramento assombroso a existência de contas bancárias na Suíça, abastecidas com dinheiro sujo da corrupção na Petrobrás.

A Polícia Federal descobriu que este malandro, pródigo em truques regimentais, curiosamente usa um táxi como disfarce para transportar a si mesmo – e sabe-se lá para carregar quais ilicitudes mais.

O Mimi-Michel Temer é outro personagem especial. Vice-presidente “Decorativo” da República, na hora decisiva demonstrou que aquela fama de constitucionalista, ostentada numa postura nobiliárquica, não passa de pura empáfia: calou ante a manobra inconstitucional de Cunha, que admitiu a denúncia de impeachment sem causa determinada — ou melhor, sem nenhuma causa.

Invocando uma falsa neutralidade, Temer adota atitude olímpica frente às seguidas estripulias golpistas e ilegais de Eduardo Cunha. Como presidente do PMDB, arquitetou as tramóias partidárias na Câmara dos Deputados para conspirar e derrubar a presidente Dilma, articulando a substituição do líder da bancada partidária e indicando peemedebistas de oposição para a Comissão Especial do Impeachment.

Mimi-Michel quer ocupar a cadeira presidencial da Dilma a qualquer preço, nem que para isso tenha de sacar a máscara de democrata e constitucionalista.

Gilmar Mendes, outro ator importante do golpismo, só é ministro da Suprema Corte por uma questão acidental.

Fosse outro o país, menos tolerante com canalhices escondidas numa toga, ele já teria sofrido um processo de impeachment, porque não reúne as condições de serenidade, razoabilidade e isenção indispensáveis para o cargo.

Em lugar do embasamento jurídico, apela ao proselitismo tucano-reacionário.

Na sessão do STF que anulou o rito do impeachment manipulado por Cunha, Gilmar abandonou a hermenêutica e partiu para ataques ao governo, citando inclusive um artigo do seu líder no Senado, o Senador José Serra!

Certa feita, seu então colega de STF, Joaquim Barbosa, acusou Gilmar de ter capangas. Verdade ou não, o fato é que, pelas posições assumidas, o ministro Dias Toffoli se candidata a este título tão vergonhoso.

O PSDB, que há muitos anos se juntou à velhacaria política do Brasil, ataca em todos os flancos.

FHC, o conspirador-chefe, rege a orquestra de interesses heterogêneos onde se movem Alckmin, Aécio e Serra — todos unidos na estratégia golpista, porém separados quanto à tática e ao timing do golpe.

É uma trajetória lastimável do PSDB; um partido que abandonou tristemente sua tradição de defensor da democracia, lapidada na luta contra a ditadura.

A mídia oposicionista é outro ator importante da dinâmica do golpe, senão o mais importante.

É ela que cimenta a narrativa dos acontecimentos a partir da estratégia inteligentemente formulada pelo condomínio jurídico-policial-midiático de oposição.

Esta mídia hegemônica recorta e seleciona a realidade, tornando palavra proibida qualquer menção à gênese da corrupção na Petrobrás, que data do período do governo FHC.

No vale-tudo do golpe, assassina a verdade e a imparcialidade, em nome da sanha odiosa contra o PT, Lula, Dilma e o povo pobre.

Jeferson Miola
No Carta Maior
Leia Mais ►