17 de dez de 2015

Jornalista alinhado com Temer espalha visões conspiratórias da crise


Não gosto de personalizar as críticas à mídia. Mas as matérias do repórter Raymundo Costa, do Valor Econômico, devem ser lidas com bula. Raymundo é militante, tem lado.

É dele matéria recente mencionando reunião de conspiradores no Palácio Jaburu (residência oficial do vice-presidente) e ao mesmo tempo colocando o anfitrião como o mediador, em pose solene de quem não se envolve com quizilas conspiratórias.

A estratégia manca consistia em apresentar Temer como político acima das conspirações, mas ao mesmo tempo anunciar que ele não faltaria ao seu dever de conspirar. Gerou um dos grandes ridículos jornalísticos nesses tempos de ridículo reiterado.

Ao insinuar espionagem de Ricardo Berzoini, a acusá-lo de chefe dos "aloprados", Costa comete dois ataques aos fatos.

O primeiro, por se limitar a reproduzir suspeitas em nenhuma base factual de apoio. O segundo, supor que o mais desprotegido governo da história, incapaz até de nomear um Ministro da Justiça minimamente atuante, possa significar ameaça a quem quer que seja.

A única ameaça desse governo é contra si mesmo, graças à sua incapacidade crônica de se defender.

Do Valor

Temer receia espionagem do governo e é atacado por Renan

Por Raymundo Costa

O vice-­presidente da República, Michel Temer, suspeita que está sob vigilância. Seus aliados mais próximos desconfiam da Abin, serviço de inteligência que na última reforma ministerial deixou o guarda­-chuva do Gabinete de Segurança Institucional e foi se alojar na Secretaria de Governo, comandada por Ricardo Berzoini, ex-­presidente do PT e suposto chefe do "bando de aloprados" que na eleição de 2006 fabricou um dossiê contra o tucano José Serra, então candidato ao governo de São Paulo.

Os assessores de Temer dizem que o vice tem sido fotografado por pessoas que não são da imprensa, assim como os visitantes que recebe no Palácio do Planalto ou na residência oficial, o Palácio do Jaburu. O momento é de tensão em Brasília, diante da perspectiva da abertura de um processo para impedir a presidente Dilma Rousseff. O vice Michel Temer é o primeiro na linha de sucessão. Se tem alguém de olho nele, o vice também está com um olho no Palácio do Planalto e outro no PMDB.

Luís Nassif
No GGN
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Gilmar cita artigo de Serra e diz que Brasil está “sem governo”


O ministro Gilmar Mendes disse esta tarde, em sessão do Supremo Tribunal Federal, que o Brasil está “sem governo” e que qualquer interferência do tribunal nas regras da Câmara em relação ao rito do impeachment favorece a “oligarquia” partidária.

A sessão do STF define o rito de impeachment a ser seguido pelo Congresso, respondendo a ação movida pelo Partido Comunista do Brasil.

Gilmar votou em linha com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. que decidiu por escolher a comissão do impeachment e através do voto secreto com disputa entre chapas.

Em seu discurso, nervoso, Gilmar disse que o governo Dilma não pode contar com o STF para superar a falta de apoio parlamentar no Congresso. Chegou a citar a agência de classificação Fitch, que retirou o grau de investimento do país.

Em sua fala, o ministro citou o seguinte artigo do senador tucano José Serra:

José Serra: Uma escolha e duas tragédias

“Há duas tragédias na vida. A primeira é não obter o que seu coração mais deseja. A segunda é obter”
G. Bernard Shaw

Não há como deixar de abordar os dois temas que desassossegam a opinião pública: a crise econômica e o impeachment. A atual crise econômica é a pior que já tivemos no Brasil contemporâneo.

A previsão de queda do PIB acumulado em 2015-16 é de pelo menos 6,5%; no período serão destruídos cerca de 3 milhões de empregos com carteira assinada. A contração dos investimentos no triênio 2014-16, prevê-se, será de 30%!

A queda da produção industrial, de cerca de 18%. Some-se ainda nessa equação uma inflação superior a 10% ao ano.

Entre parênteses, a participação da indústria no PIB voltou ao nível de meados dos anos 1940. A marcha de desindustrialização segue em frente, promovida pelos governos petistas. Não me parece injusto repetir o que já disse no Senado: o PT é a vanguarda do atraso.

Em relação às finanças públicas, a situação é desesperadora: em 2015 o déficit nominal saltou para 10,5% do PIB, vindo de 6,2% em 2014. Em dinheiro: de R$ 344 bilhões para R$ 630 bilhões! A despesa com juros aumentou R$ 200 bilhões.

A responsabilidade original por esse desastre cabe ao ex-presidente Lula, que em seu segundo mandato jogou fora os frutos da bonança externa.

Entre 2002 e 2008 o País ganhou U$ 100 bilhões por conta da melhora de preços do nosso comércio exterior, mas isso literalmente foi torrado em bens de consumo importados, turismo externo e expansão alucinada dos gastos correntes do governo.

Foi Lula, nesse período, que consagrou a filosofia macunaímica que plasma a alma petista: “Investimento? Produtividade? Ai, que preguiça!”. A economia seria como uma clara de ovo, que basta chacoalhar para crescer.

“Emagreça comendo, exercite-se deitado, aprenda inglês dormindo.” Resultado: no final do segundo governo Lula o Brasil tinha uma taxa de câmbio supervalorizada, a maior carga tributária entre os emergentes, déficit em conta corrente em rápida ascensão e era um dos cinco países entre os emergentes que menos investiam em infraestrutura (em proporção do PIB).

Sob a Presidência de Dilma, a farra foi perdendo fôlego: fim da bonança externa, piora da situação fiscal e incapacidade do petismo – e do governo, em particular – de lidar com a economia em declínio.

Um erro antológico foi a desoneração previdenciária das folhas de salário, empinando o déficit fiscal sem aumentar os investimentos desses setores. Sua inépcia e sua má ideologia tornaram inviável o aumento da presença do setor privado nos investimentos de infraestrutura.

Mais ainda, o governo capitaneou os investimentos megalomaníacos e mal feitos da Petrobrás e promoveu contenção eleitoreira dos preços administrados de energia elétrica e combustíveis, criando desequilíbrios que depois da eleição de 2014 levariam ao estouro da inflação e à contração da economia/emprego.

Dilma começou seu segundo mandato sem aquele mínimo crédito de confiança necessário a um novo governo num contexto de crise. Tudo só piorou ao longo do ano: produção, emprego, contas fiscais e sustentação no Congresso – esta altamente correlacionada com a perda de popularidade da presidente.

Outro fator negativo foi a deterioração das políticas sociais, com destaque para o atendimento à saúde, hoje a segunda maior aflição das pessoas, depois da corrupção. O setor já vinha sofrendo danos na era petista: má gestão, falta de prioridades, surtos de corrupção.

O desabamento da arrecadação da União, assim como dos Estados e municípios, que têm participação dominante no SUS, representou um golpe fatal para o setor ao longo de 2015.

Na economia, a contrapartida da rejeição popular foram as expectativas pessimistas dos agentes econômicos, que se retroalimentam numa espiral negativa.

De um lado, não se investe por causa dessas expectativas. Do outro, a contração dos investimentos e do gasto privado piora a situação econômica. Hoje ninguém acredita que Dilma tenha ou venha a ter capacidade para enfrentar a crise.

O quadro econômico, social e político é o pano de fundo do juízo político que a Câmara fará ao admitir ou não as acusações de crime de responsabilidade contra a presidente, bem como do julgamento do Senado, caso a Câmara admita as acusações.

Ou seja, a matéria irá além da simples qualificação jurídica. Diz respeito, também, a uma crise política de sérios contornos.

O Congresso deve trabalhar para que o processo do impeachment ande sem delongas, de maneira séria, e seja concluído o quanto antes.

O lulopetismo já naufragou. Estamos na transição para outro ciclo político e vivemos, por isso, o pior dos mundos: o velho se foi e o novo ainda não surgiu. Uma fase especialmente mórbida da História brasileira.

Se o impeachment ocorrer, o day after está esboçado: assume o vice-presidente Michel Temer, que se empenhará em formar um governo de união nacional para restabelecer a estabilidade política e enfrentar a crise.

Se não houver o impeachment, realiza-se o que o coração da presidente Dilma mais deseja: sua continuidade no cargo, mesmo que seja por um número pequeno de votos. O mínimo é de 171 deputados, mas digamos que obtenha 200…

O governo Dilma permanecerá sem crédito de confiança e sem sustentação política, sem levar em conta sua carência crônica de aptidão administrativa e sua alienação sobre o que deve ser feito. O day after será a reiteração enjoativa do pesadelo que experimentamos em vigília.

A tragédia 1, que terá sido evitada para Dilma, dará lugar à tragédia 2: o prolongamento do retrocesso mórbido e desestabilizador, com Dilma no centro de tudo.

É hora de a presidente encarar as duas tragédias que a espreitam: salvar-se, mantendo o País acorrentado na desesperança; ou deixar o mandato, criando a possibilidade de que o Brasil, com alguma sorte e juízo de suas lideranças, consiga retomar os caminhos do desenvolvimento.

No Viomundo
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Vídeo de intelectuais: não vai ter Golpe!

Belluzzo: Miguel Reale Jr é Golpista desde criancinha!

Reale (careca da E) entrega o Golpe nas mãos do Estadista do Golpe

Vídeo do Ato na Faculdade de Direito - USP, no Largo São Francisco, com Luiz Carlos Bresser-Pereira, Roberto Schwarz, Alfredo Bosi, Marcos Nobre, Marilena Chauí, Dalmo de Abreu Dallari (final da sua intervenção), Paulo Arantes, Pronunciamento da ADUSP, Maria Ermínia Maricato, Miguel Nicolelis (trecho), Luiz Gonzaga Belluzzo, Leda Paulani e Fábio Konder Comparato



Em tempo: o Gilmar (PSDB-MT) disse que o Reale não é um advogado, mas um homônimo. Quá, quá, quá!

No CAf
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As nuvens anti-impeachment no horizonte da crise


Nesses movimentos de catarse, o roteiro é definido ex-post. Não existe narrativa pronta e acabada. Abre-se a caixa de Pandora, os gnomos da política se espalham, montam-se nuvens por todos os lados, que vão adquirindo formatos diversos, se juntando aqui e acolá. Mas só depois se tem a resultante final.

Esse quadro intrinsicamente caótico é potencializado pelo fim do monopólio da velha mídia, pelas redes sociais implodindo a narrativa convencional. Pois se trata de uma guerra de informações e de formação de opinião.

Nos últimos dias, os seguintes movimentos começaram a ganhar força:

1. A incapacidade e impopularidade de Dilma Rousseff  são um dado da realidade, com o que contavam os golpistas. Colocaram o bloco na rua julgando que a presidente cairia por gravidade. Para sua surpresa, despertaram um valor muito maior, mais legítimo e mais abrangente: a defesa da legalidade. Esse tema colocou em movimento a grande frente formada por juristas, intelectuais de várias áreas, personalidades artísticas e midiáticas, movimentos sociais, políticos independentes. A beleza do tema fez o movimento se despregar do peso de Dilma e do próprio PT.

2. O desmanche acelerado da imagem de Michel Temer. Hoje, em O Globo, Temer passa recibo sobre os danos de imagem que sofreu desde a malfadada carta enviada a Dilma. Em poucos dias, a imagem do político mediador, do grande jurista rolou ladeira abaixo e voltou a do parlamentar que pavimentou sua carreira como o mais legítimo representante da política mais anacrônica: o que recorre apenas às indicações de apaniguados para cargos públicos. É só conferir seu papel nos tempos em que o Congresso dispunha de uma elite que conduzia o baixo clero. Jamais atuou como agente catalizador das boas ideias.

Setores formadores de opinião deram-se conta que a Ponte Para o Futuro — o plano econômico de Temer — era uma gambiarra de última hora, não uma bandeira de toda a vida. Os ataques de Renan Calheiros ajudaram no desmanche ao revelar que a) Temer não é unanimidade nem no partido que preside; b) em todo esse tempo de vice-presidente, só batalhou por cargos, jamais por propostas.

Temer deixou de ser pule de dez.

3. As apostas do PSDB na terra arrasada, destruindo a imagem de agente mediador entre a velha política e as forças modernizantes, que detinha na transição do governo Collor. Tornou-se um DEM sem a credibilidade junto ao seu novo eleitorado.

São três formações de nuvens que ganham consistência e atuam como forças anti-golpe.

Mas persistem fatores estimuladores do golpe.

O principal deles é a baixíssima confiança na capacidade de Dilma de reconstruir seu governo, em caso de se abortar o impeachment.

A saída de Joaquim Levy poderá ser o caminho para o golpe final na tese do impeachment — ou para alimentar ainda mais a fogueira.

Se o indicado para o cargo for pessoa de largo trânsito — inclusive no mundo político — e com poderes de primeiro ministro, acenando com um discurso anti-crise, anti-pessimismo, conseguirá o que parecia impossível: a terceira chance para o governo Dilma. Ganharia fôlego para derrotar de vez as manobras golpistas, permitindo mais à frente Dilma renascer das cinzas com uma reforma ministerial de peso.

No fundo, a solução da crise está em Dilma. E a grande incógnita do jogo continua sendo a capacidade de discernimento de Dilma. Até hoje ela mostrou não ter nenhuma. Pode ser que o tamanho da crise provoque algum estalo de Vieira.

Luís Nassif
No GGN
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STF barra golpe de Eduardo Cunha e oposição: Impeachment tem que seguir o ordenamento jurídico


O Supremo Tribunal Federal acabou de votar contra os interesses golpistas do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), e da oposição composta pelo PSDB, DEM, Solidariedade e outros partidos de direita que são contrários à redução das desigualdades e defendem a manutenção dos interesses das elites financeiras.

A votação foi 6 X 5 pelo voto aberto, 7 X 4 sobre proibição da candidatura avulsa e 8 X 3 sobre o Senado.

Parabéns Ministros Barroso, Teori Zavascki (fora sua posição pelo voto fechado), Rosa Weber, Fux, Cármen Lúcia, Marco Aurélio, Celso de Mello (apenas com relação ao Senado) e Lewandowski.

A Câmara dos Deputados vai ter que eleger novamente a comissão especial do Impeachment, sem voto secreto e sem candidatura avulsa. E cabe ao Senado instaurar ou não o processo de Impeachment. Apenas com a instauração do Senado a presidenta Dilma Rousseff (PT) seria afastada para a decisão de mérito, pelo próprio Senado.

Desta vez não concordei com os votos dos Ministros Fachin, Toffoli e Gilmar Mendes, e parcialmente com Zavascki e Celso de Mello.

No Blog do Tarso
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Críticas ao voto do Fachin

Uma a favor e outra — mais relevante — contra


O Otto Lara Resende dizia a seu colega na Globo: jornalista entende de tudo, logo não entende de nada!

Apesar do Otto (não se controla a descendência...), o ansioso blogueiro considera que o voto do relator Fachin tem méritos indiscutíveis:

— devolve a decisão aos representas do povo, na Câmara e no Senado;

— e ali a Dilma tem os votos, numa e noutra casa;

— como a Oposição e o Gilmar (PSDB-MT) não têm os votos, a Câmara vai matar esse Golpe que já morreu nas ruas;

— o papel do Supremo é secundário, quase terciário nesse processo, embora o Gilmar (PSDB-MT) e suas explicitas extensões no PiG procurem remeter tudo ao Supremo (do Gilmar);

— a comissão especial, que pode ser escolhida por voto secreto, disse Fachin, é inócua. Não serve para nada, a rigor. Simplesmente OPINA sobre a decisão do presidente da Câmara. Vai fazer muita espuma nas extensões pigais do Gilmar (PSDB-MT) e nada mais.

Porém, o ansioso blogueiro preferiu submeter suas inúteis considerações a valor mais alto.

A amigo de invejável sabedoria e inúmeros e merecidos títulos universitários:
Não gostei do voto.

Obviamente, o STF não deve se imiscuir no mérito da questão, nisso ele acertou. Mas deve esclarecer o procedimento em caso de disputa, como está ocorrendo (veja um artigo bem feito sobre isso http://brasil.estadao.com.br/blogs/direito-e-sociedade/o-papel-do-stf-no-impeachment), no que ele não foi feliz, ao preservar as bizarrices do Cunha (na comissão especial).

Além disso, esse voto está em contradição com o voto dele sobre o voto aberto no caso Delcídio.

Ele ainda deve estar com bronca do perrengue por que passou no Senado: em todas as decisões ele tira competências do Senado. Na do Delcídio tirou e agora também. O Senado pode aceitar ou não o processo, não está vinculado à decisão da Câmara. Foi assim no impeachment do Collor.

A diferença é que o impeachment era quase consenso na época e o Mauro Benevides, então presidente do Senado, fez tudo muito rápido. Tanto que a decisão da Câmara foi em 29 de setembro e o Collor foi afastado em 02 de outubro, após o Senado aceitar prosseguir o processo de impeachment.

O Fachin transformou o Senado em mero apêndice da Câmara nesse caso.

E não é !

E hoje a Dilma tem os votos para escapar. No ano que vem, em março, abril ou maio, não tenho tanta certeza assim.

Um abraço
Em tempo: o plenário do Supremo ainda pode alterar o voto do relator. O que, também, a rigor, não terá muita importância — o Supremo não foi escolhido pelo povo... O Supremo (com exceção do Gilmar (PSDB-MT) não terá mais nada a declarar sobre o impítim. Como disse o Fachin... — PHA

No CAf
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A travessia do Mar Vermelho e outras passagens dos Dez Mandamentos que a ciência explica

Cientistas investigam há décadas se episódios bíblicos de fato ocorreram
Uma das principais figuras religiosas do mundo, o profeta Moisés e sua história fundamentam há séculos a fé de bilhões de pessoas — e intrigam cientistas em igual medida.

A Bíblia diz que Moisés foi escolhido por Deus para liderar a saída dos hebreus do Egito, onde eram escravos, rumo à terra prometida de Canaã. Após o reino ser atingido pelas dez pragas, o faraó Ramsés 2º admite sua libertação, pedida por Moisés.

Durante o êxodo, um dos momentos mais marcantes, segundo o relato bíblico, é a abertura do Mar Vermelho pelo profeta para que seu povo fugisse da perseguição do faraó, que havia se arrependido de sua decisão. É nesta jornada que Moisés recebe de Deus as tábuas dos dez mandamentos.

Após vagar 40 anos no deserto, os hebreus chegam a seu destino, mas Moisés falece no fim do caminho, depois de avistar Canaã ao longe.

Esta história está na base não só do Cristianismo, como também do Judaísmo, e Moisés também é reconhecido pelo Islamismo e outras religiões.

Ela também inspirou diversas interpretações artísticas no cinema, no teatro e na televisão. Entre as produções mais recentes, está o filme Êxodo: Deuses e Reis (2014), dirigido por Ridley Scott. Atualmente no ar, a novela Os Dez Mandamentos, da TV Record, vem atraindo o interesse do público brasileiro e obtendo altos índices de audiência para a emissora.



De forma inédita, o folhetim foi líder de audiência na Grande São Paulo durante a exibição de todo o capítulo em que Moisés abre o Mar Vermelho, com pico de 31 pontos no Ibope e média de 28,1 pontos (cada ponto equivale a 67 mil domicílios), tornando-se o programa mais visto no país neste dia.

Estes resultados fizeram a Record anunciar uma segunda novela bíblica para substituir a atual produção e uma continuação de Os Dez Mandamentos para o próximo ano.

Mas seria o texto bíblico ficção ou um reflexo de fatos históricos? Seus acontecimentos têm correspondência em registros históricos desta sociedade antiga? Quais evidências foram encontradas em investigações científicas realizadas ao longo das últimas décadas?

Moisés

Moisés era hebreu, mas não escravo, segundo a Bíblia, porque foi encontrado em um cesto em rio pela filha do faraó, que o adotou.

O egiptolólogo Jim Hoffmeier, autor de Israel Antigo no Sinai (Oxford University Press, 2005) explica que esta prática era comum no Egito Antigo e que persiste de certa forma até os dias de hoje.

"Era uma forma antiga de colocar uma criança à mercê do destino determinado pelos deuses. Hoje, colocamos bebês em cestos e os deixamos na porta de igrejas", afirma Hoffmeier.

A história da primeira infância de Moisés ainda compartilha muitas semelhanças com um antigo mito da Babilônia de um rei chamado Sargon, que foi encontrado em um cesto boiando em um rio.

Entre 600 e 300 a.C., escribas judeus em Jerusalém registraram as lendas e histórias antigas de seu povo, para que fossem passadas de geração em geração.

Ilustração do momento em que Moisés foi resgatado do rio pela filha de Ramsés II
Eles teriam se baseado no mito de Sargon para criar a história de Moisés? É uma teoria possível, pois os judeus foram capturados pelos babilônios em 587 a.C e mantidos em exílio por algum tempo. Neste momento, o mito de Sargon poderia ter servido de base para o relato sobre o profeta.

Hoffmeier ainda explica que seria normal a adoção de Moisés pela filha do rei. Registros deixados pelos faraós mostram que os palácios tinham creches onde os filhos da realeza eram educados e que crianças estrangeiras também eram trazidas para participar.

"Nesta época em que supomos que viveu Moisés, crianças que não faziam parte da nobreza passaram a poder integrar estas instituições, assim como os filhos de reis estrangeiros, que eram levados para elas para aprender a ler e escrever", diz Hoffmeier.

Teria sido simples para filha do faraó, segundo o especialista, colocar um bebê encontrado por ela em uma destas creches.

Estudiosos do tema ainda questionam se os hebreus eram de fato escravos neste período do Egito Antigo, pois, além do texto bíblico, não existe provas históricas ou arqueológicas disso.

"Havia semitas, alguns dos quais poderiam chamar a si mesmos de hebreus, que faziam parte de grupos de trabalho. Eles não eram propriedade de um indivíduo. Eles viviam em vilarejos de trabalhadores", afirma Carol Meyes, professora de estudos bíblicos da Universidade Duke, nos Estados Unidos.

O rabino Burton L. Visotzky, professor do Seminário Teológico Judaico, em Nova York, afirma que, apesar da Bíblia determinar claramente que os hebreus eram escravos que foram libertados, "há muito pouca evidência desta escravidão" além deste texto.

"A lição final do (livro bíblico) Êxodo é que a liberdade vem da aceitação da soberania de Deus."

As Pragas

Na Bíblia, as dez pragas são um ato de Deus, que age por meio da natureza. São elas:
  • As águas do rio Nilo viram sangue;
  • Rãs cobrem a terra;
  • Piolhos atormentam a população;
  • Moscas escurecem os céus;
  • O gado morre;
  • Chagas afligem homens e animais;
  • Uma chuva de granizo destrói plantações;
  • Nuvens de gafanhotos consomem cultivos;
  • Trevas encobrem o Sol por três dias;
  • Os primogênitos morrem.
Especialistas de diversas áreas, como climatologistas, oceanógrafos e vulcanólogos, sugerem haver evidências de uma série de eventos naturais que poderiam explicar estas pragas.

O epidemiologista especializado em desastres naturais John Marr, autor de um artigo sobre o assunto publicado no jornal americano New York Times, que que serviu de base para um documentário da BBC, acredita que as pragas podem ter sido causadas pela proliferação de um micro-organismo, o Pfiesteria piscicida, nas águas do Nilo, o que teria envenenado os peixes e levado uma série de eventos trágicos.

Esta teoria explica as seis primeiras pragas. Em 1999, ocorreu uma catástrofe ambiental na cidade americana de New Burn, no Estado da Carolina do Norte. Ao acordar, seus habitantes viram que um rio local haviam ficado vermelho.

Mais de um bilhão de peixes morreram. Pessoas que trabalhavam próximo do curso d’água ficaram cobertas por feridas.

A causa foi poluição, após milhões de litros de excrementos dos animais serem despejados na água em uma fazenda de porcos localizada à beira do rio. A contaminação causou uma mutação genética no Pfiesteria, que fez com que o micro-organismo passasse de inócuo a letal.

Para Marr, o micro-organismo teria matado os peixes, o que teria feito com que o rio assumisse um tom avermelhado. A poluição teria forçado as rãs a invadir a terra, onde elas morreriam, gerando uma multiplicação de moscas e piolhos — que teriam perdido seus predadores naturais. Por sua vez, as moscas poderiam ter transmitido doenças virais para os animais, levando-os à morte.

O cientista ainda aponta que "pragas" como gafanhotos e chuvas de granizo continuam a assolar o Oriente Médio até hoje. O golpe final — a morte dos primogênitos — poderia ser um resultado direto da combinação da tradição local e tentativas de lidar com as outras pragas.

Os cultivos que resistiram aos gafanhotos e ao granizo poderiam ter sido colhidos e armazenados ainda úmidos, criando as condições perfeitas para a proliferação de toxinas mortais. Em uma posição social privilegiada, os primogênitos teriam sido alimentados com duas porções dos grãos contaminados.

Outra teoria dá conta de que as pragas teriam sido causadas pela erupção de um vulcão. Em maio de 1980, o monte Santa Helena, no noroeste dos Estados Unidos, entrou em erupção, matando tudo em um raio de quase 38 km. As cinzas expelidas na atmosfera ainda escureceram os céus num raio de 160 km.

Marr argumenta que cinzas de um vulcão poderiam ter dado início a uma proliferação de algas, com efeito tóxico, no rio Nilo, desencadeando os mesmos eventos que teriam sido causados pelo Pfisteria.

Erupção em ilha grega teria gerado tempestade de raios que poderia ser vista do Egito
Esta teoria parece frágil diante do fato de não existirem vulcões ativos no Egito, mas a ilha grega de Santorini fica a 800 km ao norte do delta do Nilo. No século 16 a.C., a ilha foi destruída por uma grande erupção, milhares de vezes mais potente que uma bomba nuclear e uma das mais fortes dos últimos 10 mil anos.

Os efeitos deste evento poderiam ter atingido o Egito? Quando a erupção ocorreu, o vento soprava na direção sudeste, rumo ao reino egípcio. Amostras das cinzas foram coletadas do fundo do oceano, e sua maior concentração foi encontrada na direção do delta do Nilo.

O oceanógrafo Jean-Daniel Stanley, do Instituto Smithsonian, em Washington, nos Estados Unidos, coletou amostras de lama e lodo para verificar se as cinzas teriam chegado tão longe e identificou no Egito fragmentos vulcânicos ligados a esta erupção.

"Deve ter sido uma experiência aterrorizante. Primeiro, teria sido ouvida a explosão. Depois, as pessoas teriam sentido a queda das cinzas jogadas no ar", diz ele.

Mas como isso poderia ter levado às pragas? Mike Rampino, especialista em modelos climatológicos da New York University, simulou com a ajuda de um programa de computador os efeitos da erupção em Santorini.

Suas cinzas teriam bloqueado o Sol e levado a escuridão ao delta do Nilo. Isso teria sido acompanhado por eventos climáticos adversos relacionados a erupções, como tempestades de raios e granizo.

A erupção também teria levado a uma queda de 2ºC na temperatura, o que teria reduzido as chuvas e feito o nível dos rios baixar e sua água se estagnar. Junto com minerais tóxicos das cinzas trazidos pela chuva, isso teria provocado um grande impacto no Nilo e gerado as condições ideais para a proliferação de pragas.

O Êxodo

História de Moisés fundamenta a fé cristã e judaica
Segundo a Bíblia, quando os hebreus deixaram o Egito, o faraó mudou de ideia e enviou 600 bigas para perseguir os escravos. Este número seria um exagero bíblico?

Em 1997, no sítio arqueológico onde ficava a cidade de Ramsés 2º, arqueólogos descobriram as fundações de um estábulo, com espaço suficiente para ao menos 500 cavalos e suas bigas.

O texto bíblico diz ainda que Deus guiou os hebreus em sua jornada com uma coluna de fumaça durante o dia e de fogo à noite.

Se este êxodo ocorreu no século 16 a.C., estas colunas poderiam ser explicadas pela erupção em Santorini?

Apesar da ilha grega estar a 800 km de distância, a coluna de fumaça saída do vulcão poderia ter atingido até 64 km de altura acima do nível do mar.

O climatologista Mike Rampino diz que isso permitiria que ela fosse vista desde o Egito. Durante o dia, as cinzas poderiam ter sido confundidas com fumaça e, à noite, a eletricidade estática na atmosfera poderia ter gerado raios no céu.

A Travessia

Travessia teria ocorrido em um pântano, não no Mar Vermelho
Trata-se do episódio mais famoso — e controverso — do êxodo hebreu.

Ao ler a Bíblia em hebraico, é possível notar que a palavra "vermelho" foi traduzida de forma errada. Nesta versão, Moisés e seu povo cruzam o "yam suph", ou "mar de junco (tipo de planta)".

"Esta é uma história estranha. Você pode imaginar que cruzar o Mar Vermelho seria uma tarefa muito difícil, mas fazer o mesmo em um mar de junco seria algo bem diferente. Esta é uma área de pântano e é provavelmente o local da travessia", diz o egiptólogo David Rohl, ex-diretor do Instituto de Estudos de Ciências Interdisciplinares e autor de Êxodo: Mito ou História (Thinking Media Man, 2015).

Mas como explicar o relato de que o mar teria retornado a seu estado original e afogado os soldados do faraó?

"Se estamos falando de um pântano raso composto por juncos, haveria ali no máximo dois ou três metros de profundidade. Então, este tipo de fenômeno seria fisicamente possível", afirma Rohl.

"Na verdade, isso já foi testemunhado nos últimos cem anos. O exército egípcio pode não ter sido completamente dizimado. Muitos cavalos teriam morrido e as bigas ficado presas na lama."

Mas e quanto à famosa imagem do cânion formado pela elevação da água? Isso teria qualquer correspondência na realidade?

Simulações da erupção de Santorini mostram que o colapso da ilha gerou um enorme tsunami de 182 metros de altura, que viajou a 640 km/h.

O geólogo e especialista em tsunamis Floyd McCoy, da Universidade do Havaí, nos Estados Unidos, diz que essa foi uma das maiores ondas já registradas na história e provavelmente atingiu o Egito.

"Acredite ou não, encontramos evidências dela no fundo do oceano. Tsunamis de fato rasparam o fundo do Mediterrâneo e moveram sedimentos. Podemos encontrar estes sedimentos — e isso nos dá uma ideia de sua direção", diz McCoy.

"Um modelo computacional nos mostrou ondas irradiando por todo o Mediterrâneo e atingindo o delta do Nilo."

Esse tsunami poderia ter dividido as águas do "mar de juncos"? Ao analisar as ondas pouco antes de quebrarem, percebemos que a água se retrai da costa.

Um mega tsunami teria feito o mesmo com bilhões de litros de água — não apenas da costa, mas de rios e lagos conectados ao litoral — fazendo com que a terra "secasse" por até duas horas.

"Um tsunami de dois metros provoca uma mudança rápida do nível do mar de mesma proporção e viaja por vários quilômetros terra adentro", diz Costas Synolakis, especialista neste fenômeno da Universidade da Califórnia do Sul. "A força destrutiva de um mega tsunami seria mais do que suficiente para destruir um exército."

Outra evidência torna esta teoria plausível. Em 1994, a ilha de Mindoro, nas Filipinas, foi atingida por um tsunami e um terremoto. O tremor abrir uma grande rachadura no fundo de um lago localizado a 1,5 km da costa.

Uma testemunha contou na época que viu a água do lago escorrer como em uma cachoeira, sendo tragada até revelar o fundo.

O tsunami ainda percorreu 1,5 km de um rio, levando consigo uma embarcação de 6 mil toneladas. A mega onda que atingiu o delta do Nilo foi mil vezes mais devastadora do que este fenômeno recente.

Outra teoria formulada por cientistas americanos ainda dá conta que o movimento dos ventos poderia ter aberto uma passagem de terra nas águas, o que permitiria a travessia.

Os resultados, divulgados na publicação científica Plos One, foram baseados em simulações de computador, nas quais os pesquisadores mostram como um vento forte vindo do leste e soprando ao longo da noite poderia ter provocado a retração das águas no local onde um rio antigo se encontrava com uma lagoa costeira no delta do Nilo. Quando o vento perdeu força, as águas teriam voltado ao normal.

"A simulação vai de encontro ao relato do êxodo", diz o líder do estudo, Carl Drews, do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica dos Estados Unidos.

A pesquisa faz parte de um projeto científico mais amplo que avalia o impacto de ventos em corpos de água e, ao identificar o local no sul do Mediterrâneo onde a travessia teria ocorrido, pode ajudar arqueólogos na busca por novas evidências.

No BBC
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Investigada na Zelotes, RBS - afiliada da Globo muda comando da empresa


As alterações mantêm Duda Sirotsky no cargo. O presidente, porém, vai precisar dividir com outro executivo a gerência da área noticiosa da empresa

A RBS, afiliada da Rede Globo no Sul do Brasil, anunciou mudanças relevantes na sua estrutura organizacional nesta segunda-feira (14). Há tempos especulava-se sobre a substituição do presidente do grupo de comunicação, Eduardo Sirotsky Melzer, o Duda.

Em setembro, a Carta Maior noticiou que um eventual afastamento poderia ser uma tentativa de evitar o depoimento de Duda em uma CPI do Congresso Nacional. É que a RBS é uma das investigadas na Operação Zelotes, da Polícia Federal, que trata da compra de sentenças para a redução de débitos tributários no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e seu presidente já havia sido chamado a prestar esclarecimentos ao parlamento.

Outra razão para a alteração foi a desastrada tentativa de reduzir os gastos da empresa com a folha salarial, que culminou com a publicação de um comunicado aos funcionários, em agosto do ano passado, anunciando a demissão de 130 trabalhadores por e-mail, o que Duda escreveu considerar uma demonstração de “coragem e desapego”.

As alterações mantêm Duda no cargo. O presidente, porém, vai precisar dividir com outro executivo a gerência da área noticiosa da empresa a partir da criação do posto de CEO de operações de mídia, que será ocupado pelo atual vice-presidente de Finanças, Claudio Toigo Filho.

Por outro lado, o herdeiro da família proprietária de quatro canais e 18 retransmissoras de TV, oito jornais impressos e sete rádios no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina acumulará a função de presidente do Conselho de Administração do grupo, substituindo o tio, Nelson.

“O atual presidente do Conselho de Administração do Grupo RBS, Nelson Sirotsky, após uma vida dedicada à empresa, decidiu continuar contribuindo com a RBS como membro do conselho e em questões editoriais e institucionais, mas sem funções executivas”, justificou um comunicado publicado na página da corporação de mídia.

Nelson foi presidente da RBS até 2012, quando Duda assumiu.

As relações entre os dois Sirotsky que se revezaram no poder estavam azedadas desde que Duda implementou o impopular plano de corte de gastos na empresa, que teve péssima repercussão — inclusive entre leitores, ouvintes e telespectadores da empresa.

Pior: haviam afetado um dos homens de confiança de Nelson, o diretor de jornalismo, Marcelo Rech. Segundo Luiz Cláudio Cunha provocou “uma cisão irreparável nas relações entre tio e sobrinho”.

A mudança no comando da empresa remedia a situação, criando a Vice-Presidência Editorial para Rech, que também assume a liderança do Comitê Editorial da RBS.

As mudanças passam a valer a partir de janeiro de 2016.

Naira Hofmeister
No Desacato
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Comissão aprova Orçamento sem cortes no Bolsa Família euma certa Maria Victória

Ricardo Barros - PP-PR
Depois de quase cinco horas de discussão, a Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprovou o Orçamento Geral da União para 2016. Com a aprovação, tanto o Orçamento como a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) poderão ser votados pelo Congresso Nacional em sessão conjunta marcada para amanhã (17) às 10h.

Inicialmente, a sessão conjunta da Câmara e do Senado para votar a LDO estava prevista para hoje. No entanto, a demora das discussões levou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a adiar a retomada da sessão para esta quinta-feira.

Na votação do último destaque, foram mantidas restrições para o governo remanejar recursos do Orçamento por meio de decretos, que não exigem a aprovação do Congresso Nacional. As vedações constavam no texto final do relator-geral da proposta, deputado Ricardo Barros (PP-PR). O texto-base do Orçamento de 2016 tinha sido aprovado pouco antes das 18h, com a nova meta reduzida de esforço fiscal de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país).

Após a aprovação do texto-base, a CMO começou a votar os destaques. Na primeira e mais polêmica votação, o governo conseguiu evitar o corte de R$ 10 bilhões do Bolsa Família. Apesar da redução da meta fiscal, que abriria espaço para mais recursos, Barros queria manter a diminuição da verba do Bolsa Família. Vários parlamentares apresentaram destaque e derrubaram o corte.

Na votação de outros destaques, a comissão aprovou o remanejamento de R$ 500 milhões de emendas coletivas para o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da febre chikungunya e do vírus zika. Além disso, foi aprovado um destaque que recompôs, em R$ 220 milhões, o corte da dotação para a Justiça do Trabalho.

No início da tarde, a CMO tinha alterado a LDO e diminuído a meta de superávit primário – economia para pagar os juros da dívida pública. Apresentada pelo relator da LDO, deputado Ricardo Teobaldo (PTB-PE), a redução foi negociada pelo governo com os líderes partidários na comissão.

Os parlamentares aceitaram a meta mais baixa, porém rejeitaram a inclusão de um mecanismo de abatimento de investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e de gastos com desastres naturais e epidemias que permitiram reduzir o esforço fiscal a zero em caso de frustração de receitas.

Wellton Máximo
No Agência Brasil



Por que a deputada que defendeu o corte do Bolsa Família causou tanto mal estar

Ela
A deputada estadual Maria Victoria (PP) é jovem. Pouco tempo atrás, era uma desconhecida no Paraná, até porque viveu boa parte do tempo fora do país, estudando na Europa. Ninguém pode criticá-la por isso: se a sua família teve condições, dar a ela as melhores oportunidades é quase uma obrigação. Investir em sua educação, idem. Criticá-la por isso seria criticá-la pelos motivos errados.

De volta ao Brasil, Maria Victoria entrou para o PP e se elegeu deputada estadual aos 22 anos. De novo: tudo dentro das regras. Fez campanha, conseguiu votos, entrou para a Assembleia Legislativa. Está em seu direito, que deve ser respeitado. No entanto, é preciso atentar para um detalhe: ela não se elegeu simplesmente por ser quem é, e sim por ser filha de que é.

A deputada é filha de Ricardo Barros, ex-prefeito de Maringá, e de Cida Borghetti, atual vice-governadora do estado. Isso não invalida sua eleição — o sistema político brasileiro permite. Mas mostra como existe na sociedade brasileira (e em quase todas as outras) uma perpetuação da posição social das famílias. Um dado a mais: o avô dela já foi prefeito de Maringá; Como dizia a musiquinha: o de cima sobe e o de baixo desce.

Vem daí o mal-estar causado pela declaração da deputada contra o Bolsa Família. Nesta semana, depois de seu pai, relator-geral do orçamento de 2016 no Congresso, ter optado por cortar R$ 10 bilhões do principal programa de assistência social do governo, a deputada saiu em defesa do pai. Apesar de o governo dizer que isso jogará oito milhões de pessoas na miséria, a deputada apelou para um velho chavão: seria preciso ensinar a pescar ao invés de dar o peixe.


O “peixe” que o governo federal dá são R$ 77 mensais. Segundo a deputada, a maior parte dos beneficiários tem outra fonte de renda, o que mostra que ninguém ficaria na miséria caso ficasse sem o programa. Mas o Bolsa Família é exatamente isso: um programa que complementa a renda de pessoas que, tirado esse dinheiro, ficam abaixo da linha da miséria.

E essa linha é extremamente baixa. Para receber o benefício, é preciso ter renda per capita na família de R$ 77. Ou seja: uma família de cinco pessoas teria de ter renda máxima de R$ 385 para ter acesso ao benefício. É dessas pessoas que se quer cortar ao auxílio. São essas pessoas que a deputada diz que não vão ficar na miséria. Por definição, isso está errado.

Maria Victoria não tem culpa de ter nascido rica. Tem todo o direito de tirar proveito do que sua família tem — todo mundo tem, desde que o dinheiro seja obtido licitamente. Tem direito de representar seus eleitores, de ter sua ideologia. Mas a sociedade também tem todo o direito de ver na declaração dela um descolamento impressionante entre o que pensa a elite econômica (e política) do país e a realidade social.

Se há mau gasto, se há fraudes no Bolsa Família, elas devem ser combatidas. Mas isso precisa ser feito com provas. Precisa ser feito com o mesmo cuidado (ou muito mais!) do que teve Ricardo Barros ao votar contra o prosseguimento do processo contra Eduardo Cunha no Conselho de Ética. Se para Cunha ser processado (nem estamos falando de condenado) é preciso ter provas, para o pobre perder seus R$ 77 não é necessário nem indícios?

Os R$ 77 do Bolsa Família são menos de 0,4% do salário de um deputado estadual. Maria Victoria tem todo o direito de receber o que recebe, mesmo que isso tenha a ver muito mais com o que a loteria da vida lhe destinou do que com uma ascensão social — ela nunca precisou “subir”, já nasceu no alto. Mas nada justifica a defesa de um corte que afeta quem mais precisa, de quem pela mesma loteria, nasceu no fundo do poço.



Deputada Maria Victoria expõe telas na Assembleia

A deputada estadual Maria Victoria (PP) foi a única dos 54 parlamentares a decidir expor num projeto da Assembleia Legislativa que reserva espaço para funcionários e deputados, o “Prata da Casa”.

Desde segunda-feira, cinco telas da deputada estão exposta nos corredores da Assembleia Legislativa.

Segundo o site de Maria Victoria, que é filha de Ricardo Barros e da vice-governadora, Cida Borghetti, ela começou a pintar aos quatro anos, a óleo, mas descobriu ser alérgica e hoje usa tinta acrílica.

“O gosto pela pintura começou cedo. Hoje, uso como meio para aliviar o stress e também como forma de expressar certos sentimentos e ações que nem sempre podem ser ditas”, disse Maria Victoria.

Abaixo, os quadros, que falam por si.


Rogério Galindo
No Gazeta do Povo
Com ajuda da Meg
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Operação Sangue Negro deflagrada hoje mira corrupção na Petrobras no governo FHC, em 1997

Demorou. Mas parece que finalmente a Policia Federal encontrou o endereço do ninho tucano. Depois de varios delatores terem confessado que a corrupção começou no governo de FHC, só agora começa se investigar. Nova operação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira, 17, mira desvios na estatal a partir do governo FHC, em 1997


A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira, 17, a Operação Sangue Negro, que investiga o desvio de dinheiro de contratos da Petrobrás para o pagamento de propina a partir de 1997. A PF cumpre 9 mandados: 5 de busca e apreensão e 4 de prisão preventiva no Rio, em Angra e Curitiba.

Segundo a PF, a apuração teve início antes da Operação Lava Jato, ’embora todos os seus alvos estejam relacionados aquela investigação’. Dois mandados de prisão foram expedidos contra pessoas já presas em Curitiba, base da Lava Jato: o ex-diretor de Serviços Renato Duque, e o ex-diretor da área Internacional Jorge Zelada, ligado ao vice-presidente Michel Temer.

As buscas estão sendo feitas nas residências dos investigados e em uma empresa do ramo da prospecção de petróleo.

De acordo com a PF, a empresa alvo de buscas recebia repasses de contratos entre a Petrobrás e a SBM, da ordem de 3% a 5%, dos quais 1% eram depositados em offshores no exterior. “Esse dinheiro retornava em forma de pagamento de propina”, diz nota da PF.

São investigados na operação os crimes de sonegação fiscal, evasão de divisas, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro.
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PGR retrata Eduardo Cunha

homem do impeachment foi atacadista de emendas parlamentares, mas quem ficou milionária na Suiça foi a “dona-de-casa” Cláudia


As 190 páginas que a Procuradoria Geral da República escreveu para justificar o pedido de afastamento de Eduardo Cunha tanto do mandato de deputado federal quanto da presidência da Câmara dos Deputados são reveladoras.


Há muita coisa requentada, já vazada aqui e ali. Porém, a apresentação do “conjunto da obra” impressiona.

O “homem do impeachment” — cujas manobras foram praticamente endossadas pelo ministro Luiz Edson Fachin, do STF — nas palavras de Rodrigo Janot transformou o Congresso em balcão de negócios.

Não é propriamente uma novidade, mas nunca isso tinha sido demonstrado de forma tão clara, a partir de mensagens de texto trocadas entre Cunha e seus “contratantes”.

O STF foi colocado numa situação vexatória: tem de decidir ao mesmo tempo sobre o rito do impeachment autorizado por Eduardo Cunha e sobre o afastamento do homem que instalou o processo!

Mas, sendo o processo de impeachment eminentemente político, as duas coisas não se confundem?

Para o STF, aparentemente, não.

A comissão instalada por Eduardo Cunha com maioria da oposição provavelmente será mantida, enquanto ele corre o risco de perder o mandato!

Mas, o que fazia o agora aliado do PSDB na aventura do golpe contra Dilma Rousseff?

Segundo o PGR, ele vendeu emendas parlamentares numa dimensão nunca vista antes neste país, como deputado e presidente da Câmara.

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Segundo Janot, as emendas eram escritas por empresários e abraçadas por Cunha ou aliados dele em troca de propina.

Manuel Ribeiro Filho, diretor da OAS, trocou mensagens de texto com o atual presidente da Câmara em 2012, narrando um acerto envolvendo R$ 1,5 milhão, mais R$ 400 mil, pela apresentação de emendas que beneficiavam a empreiteira.

Uma das medidas provisórias, a 584, dizia respeito a obras para as Olimpíadas de 2016.

Aparentemente a pedido do prefeito Eduardo Paes, Cunha atuou para que emendas de interesse da OAS fossem apresentadas.

Segundo a PGR, depois das tratativas de Cunha coube ao então deputado federal Francisco Dornelles (PP-RJ), hoje vice-governador do Rio, apresentar nada menos que 15 emendas à MP, uma delas dando desoneração tributária às obras de mobilidade feitas para as Olimpíadas.

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As mentiras de Eduardo Cunha ficam ainda mais transparentes depois da leitura do documento da PGR.

Embora Janot reproduza muitas denúncias publicadas na imprensa para reforçar seus argumentos, há documentos de clareza límpida.

Eduardo Cunha e seu amigo, o doleiro Lúcio Funaro — que a mídia às vezes elegantemente chama de “corretor” — negam relações comerciais, mas Funaro comprou dois dos automóveis da frota de luxo do presidente da Câmara!

Presentes avaliados em R$ 180 mil reais. Na verdade, segundo acusação da PGR, foi em pagamento por serviços prestados por Cunha a Funaro em… emendas parlamentares.

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Outro detalhe curioso diz respeito às famosas contas de Eduardo Cunha na Suiça, aquelas das quais ele se diz apenas “usufrutuário”.

Depois de descrevê-las pormenorizadamente,com seus valores altíssimos — não declarados à Justiça Eleitoral, nem ao Fisco —, Janot faz questão de introduzir um documento que sustenta a pergunta seguinte.

Como é que a mulher de Cunha, Cláudia, poderia ter aqueles valores depositados no Exterior, se ela se declarou dona-de-casa — housewife — ao preencher formulário bancário na Suiça?

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Eduardo Cunha nega todas as acusações e diz que é vítima de retaliação da PGR para desviar o foco do processo de impeachment. A pergunta que não será feita pela mídia é se Cunha comprou votos de deputados para se eleger presidente da Câmara. Isso, não vem ao caso…

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Dilma mostrou que tem as ruas

Golpe não tem votos — nem as ruas!

Na manifestação contra o impeachment da Presidenta Dilma, nesta quarta-feira (16) em que a equipe da Rede Globo foi expulsa dos protestos, os movimentos sociais defendem a cassação do mandato do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Em São Paulo, milhares foram às ruas. O Conversa Afiada reproduz o que viu.

Em tempo: Pobres e negros ocupam a Paulista onde antes só se manifestaram brancos.



Veja algumas fotos dos manifestantes:

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As ideias simples

As ideias simples são sedutoras. São soluções ou explicações fáceis para questões complexas, e seu principal atrativo é que nos eximem de pensar. Agora mesmo, o candidato a candidato do Partido Republicano nas próximas eleições presidenciais nos Estados Unidos, Donald Trump, teve uma ideia exemplar na sua simplicidade. Admira que ninguém a tenha tido antes. Como nunca se sabe se o muçulmano que chega aos Estados Unidos vai se comportar ou vai sair matando americanos, Trump propõe — simplesmente — que se proíba a entrada de muçulmanos no país. À Estátua da Liberdade, que, na entrada do porto de Nova York, simboliza a acolhida indiscriminada que os Estados Unidos sempre deram a imigrantes e visitantes, só restaria guardar sua tocha e ir pra casa. Dizem que, com a eleição de Trump, pela primeira vez o país, que já teve na presidência todo tipo de gente, de líderes legítimos a escroques confessos, terá eleito uma piada. Mas a piada perde a graça quando se sabe que Trump lidera a tropa de candidatos republicanos em todas as pesquisas de intenção de votos.

Ideia simples, também, é que basta extrair a Dilma, como um foco infeccioso, do governo e tudo melhorará. Como não há razão jurídica para depor a Dilma — opinião não minha, um perigoso bolchevique, mas de vários juristas respeitados —, o impedimento da presidente passa a ser apenas uma obsessão, ou uma ideia simples fixa. A baixa popularidade da Dilma e o índice de aprovação do seu governo lá embaixo seriam razões não jurídicas para derrubá-la. Mas isto seria um mau precedente. O Brasil, com sua mania de criar moda (só no Brasil alguém poderia dizer que fundos na Suíça e contas na Suíça são duas coisas completamente diferentes e continuar presidindo a Câmara), estaria inventando o governo por pesquisa de opinião. Cotação muito baixa nas pesquisas — rua! Um péssimo precedente. Não esqueçamos que, pelo critério da popularidade, o Fernando Henrique não teria sobrevivido até o fim do seu mandato.

Ideias simples também comandam o terrorismo mundial: o que pode ser mais basicamente irracional, mais antidiplomático e intolerante — enfim, menos complicado — do que explodir tudo à sua volta, e a você mesmo, por uma causa ou um deus? Infelizmente, as ideias simples ganham força em todo o mundo. E o pior é que os próprio meios de combatê-las ficam cada vez mais infectados por elas. Nos Estados Unidos, estão dizendo que Trump só teve a coragem de falar o que muita gente pensa, mas não fala.

Luís Fernando Veríssimo
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Melhorar para o pior

O breve e quase gratuito comentário de Fernando Soares, o Baiano, que é um dos mais prolíficos delatores da Lava Jato, faz uma advertência sem tal intenção: "Tem muito ainda para acontecer na Lava Jato". Ou seja, os abalos políticos e judiciais não se encerram no seu atual capítulo. O que leva a pensar no estado do regime democrático submetido a um processo assim.

O Supremo Tribunal Federal fez, com a sessão desta quarta (16), a abertura de uma previsível etapa, com propensão a se tornar histórica, de interferências em situações de choque e de desafio à construção democrática. Escrevo quando o STF faz ainda essa primeira sessão. Mas antes mesmo se viu e ouviu o suficiente para saber que faltam certas providências, algumas indispensáveis, com que enfrentar mais abalos e choques, sem que terminem por ferir conquistas alcançadas com muita dificuldade.

Os resultados positivos da Lava Jato não diminuem as indagações deixadas por seu desenrolar. Nem, sobretudo, os reparos aos fatos a que foram expostas, na visão de respeitáveis advogados e juristas, muitas circunstâncias das defesas e dos suspeitos ou acusados. Não são problemas atribuídos só ao grupo propriamente da Lava Jato, mas também à Procuradoria Geral da República e mesmo ao Supremo.

Dispõe-se de uma recente e valiosa instância para exame daquele gênero de problema. No ano e nove meses de ação da Lava Jato, no entanto, o Conselho Nacional de Justiça esteve alheio a tais questões, mesmo para a mera coleta de informação. A menos que o tenha feito em tamanho sigilo, que de nada se soube. Mais ou menos o mesmo se pode dizer do conselho paralelo, o que se ocupa dos procuradores da República, se bem que, no caso, as expectativas sejam diminuídas pelo excessivo corporativismo da classe.

A invasão das práticas corruptas não deixa dúvida de que, se estendidas investigações em qualquer direção, a ação da Lava Jato se projetaria em direção à eternidade, desdobrada em incontáveis sucedâneas. Isto não é esperável, mas tudo leva a crer, com Fernando Baiano, que a Lava Jato ainda trará muito, e outras investigações são promissoras.

Com isso, para proteger a construção democrática dos efeitos também lesivos do enfrentamento à corrupção, as instâncias competentes tornam-se devedoras, ao país, de uma revisão dos métodos e dos meios até aqui utilizados. É de sua responsabilidade assegurar que fiquem adequados à medida exata dos rigores e dos direitos do Estado de Direito democrático. Do contrário, o êxito, por um lado, vai destroçar o já construído em outro. Não faltam exemplos assim.

Confissão

A constatação de que Michel Temer também praticou "pedaladas" financeiras no governo, estando sujeito ao mesmo que coubesse a Dilma Rousseff, criou uma articulação no Tribunal de Contas da União para deslocar as acusações feitas pelo relator Augusto Nardes, dirigindo-as aos então ministro da Fazendo e secretário do Tesouro.

É um plano sórdido, na sua implícita confissão de propósitos não mais do que políticos na acusação à presidente, dando repentina interpretação nova a uma prática sempre aceita pelo TCU.

Eduardo Cunha não tem exclusividade de nada.

Janio de Freitas
No fAlha
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