16 de dez de 2015

Na Paulista, #EsseImpeachmentÉGolpe

De vermelho, movimentos sociais dizem não ao golpe
Os movimentos sociais e as centrais sindicais estão na avenida Paulista para defender a democracia contra o golpe.

Hoje é o Dia Nacional de Mobilização Contra o Impeachment, o Ajuste Fiscal e pelo Fora Cunha. Na capital paulista, a concentração teve início por volta das 17h. Outras mobilizações estão ocorrendo pelo Brasil. Em Brasília, a manifestação de rua está prevista para as 19h.

“Estamos aqui para denunciar o golpe do Eduardo Cunha, do PSDB, de quem perdeu a eleição e não aceita o resultado popular. Estamos aqui para pedir o ‘Fora Cunha’, que é uma excrescência, um desqualificado desses na presidência da Câmara dos Deputados, e para pedir o fim do ajuste fiscal e a mudança da política econômica. São esses os três eixos: contra o golpe, pelo direito de a presidenta Dilma concluir o seu mandato, pelo ‘Fora Cunha’ e chega de ajuste, vamos fazer uma política para o Brasil crescer”, disse o presidente da CUT, Vagner Freitas.

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Fachin virou um heroi da direita

Um novo Joaquim Barbosa?
No site jurídico Jota, um comentário no Twitter resumiu o que foi o voto de Fachin sobre o rito do processo de impeachment de Dilma.

“Fachin acabou de garantir que nunca mais vai ser chamado de petista”, disse o tuíte.

Ele é o relator de uma ação do PC do B que contesta vários dos procedimentos adotados por Eduardo Cunha para o impeachment.

Fachin rejeitou virtualmente tudo que interessava ao governo modificar no andamento do impeachment tal qual foi moldado por Cunha.

Fachin não acatou sequer a reivindicação de tirar Cunha do comando do processo pela parcialidade. (Isso, na prática, ocorrerá porque, na tarde de hoje mesmo, Janot pediu seu afastamento.)

Também negou o voto secreto para a eleição dos membros da comissão da Câmara que vai conduzir o caso.

É apenas o primeiro voto. Os demais serão dados até sexta. Alguma coisa pode mudar, ou até muita. Mas é fato que o voto de Fachin foi uma surpresa amarga para Dilma, e uma derrota inegável para ela.

Suas ponderações seriam previsíveis em Gilmar. Mas nele não.

Não à toa, Fachin se transformou, nas redes sociais, no novo herói da direita. Desde sua indicação por Dilma ele vinha sendo duramente atacado pelos conservadores.

No Twitter, à medida que Fachin proferia seu longo e empolado voto, colunistas de direita iam manifestando sua aprovação entusiasmada às decisões. De Diogo Mainardi a Reinaldo Azevedo, o tom era de festa.

Fachin pode estar se tornando o Joaquim Barbosa de Dilma. JB foi indicado por Lula e, na presidência do STF, foi extremamente duro com os petistas no Mensalão.

Fachin chegou ao STF por Dilma, e seu voto de hoje pode ser a porta de entrada para a derrubada dela. Dilma pode ter cometido um erro terrível ao escolhê-lo.

Justiça não é uma ciência exata. Franklin Delano Roosevelt só conseguiu emplacar as diretrizes de seu New Deal quando conseguiu formar maioria na Suprema Corte americana.

Antes disso, juízes conservadores, muito mais próximos do ideário republicano do que do democrata de Roosevelt, ceifavam medida após medida sua.

Sempre foi assim: os presidentes americanos indicam juízes afinados com seus ideais.

Por algum tipo de republicanismo cego, o PT inovou — e se deu extremamente mal. Compare com FHC, por exemplo, que indicou um juiz como Gilmar.

Num país em que a Justiça tem tanto poder, como é o caso do Brasil, e no qual ela pende tanto para os conservadores, Lula e Dilma deveriam ver suas indicações para o Supremo com extremo cuidado.

Não foi o que aconteceu. Ou não sempre. Fux, inventado por Dilma, foi uma tragédia. Barroso e Zavatscki foram aparentemente os dois únicos acertos de Dilma.

Fachin está sendo testado agora. Sua estreia agradou imensamente os conservadores, e sabemos todos o que isso significa.

Num voto de 100 páginas, alegadamente apoiado na Constituição, o que Fachin fez, numa linha, foi apoiar o golpe.

Porque é disso que se trata: golpe.

É absurdo dizer que Fachin seja golpista. Mas que ele facilitou a vida dos golpistas, disso não há dúvida.

Paulo Nogueira
No DCM
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Manifestantes expulsam Globo da Paulista

A verdade é dura...
Fora, golpistas
Nesta quarta-feira (16), uma equipe da Rede Globo, deslocada para cobrir a manifestação contra o impeachment da Presidenta Dilma, foi expulsa do protesto.

Aos gritos de "fora, golpistas" e "a verdade é dura, a Rede Globo apoio a ditadura", os profissionais da emissora tiveram dificuldade no evento.

O Dia Nacional de Mobilização em Defesa da Democracia, Contra o Ajuste Fiscal e pela Cassação do Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que acontece em várias cidades do Brasil, é organizado por CUT (Central Única dos Trabalhadores), CTB (Central dos Trabalhadores/as do Brasil), Intersindical (Central da Classe Trabalhadora), MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), UNE (União Nacional dos Estudantes) e Conen (Coordenação Nacional de Entidades Negras).

É o primeiro ato dos grupos de esquerda do Brasil desde que Cunha resolveu aceitar o pedido de impeachment contra Dilma.

No CAf
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Justiça condena o tucano Eduardo Azeredo a 20 anos de prisão por mensalão tucano

Ex-senador Eduardo Azeredo foi condenado a regime inicialmente fechado.A sentença saiu nesta quarta feira ás 20 horas. 20 anos de prisão em regime fechado

Ele
Com as barbas de molho
O ex-senador Eduardo Azeredo (PSDB), foi condenado, em primeira instância, a 20 anos e 10 meses de prisão, em regime inicialmente fechado, pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. A sentença foi proferida nesta quarta-feira (16) pela juíza da 9ª Vara Criminal de Belo Horizonte, Melissa Pinheiro Costa Lage. Ele foi considerado culpado pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. Da decisão cabe recurso e ele pode recorrer em liberdade.

Azeredo foi condenado por crimes cometidos durante a campanha eleitoral pela sua reeleição ao governo de Minas Gerais, em 1998. Outros oito réus aguardam julgamento.

Entenda o esquema

O esquema criminoso de financiamento da campanha aconteceu em 1998, quando o então governador Eduardo Azeredo (PSDB) era candidato a reeleição. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o esquema teria utilizado recursos públicos e doações ilegais, por meio do chamado Valerioduto, operado pelo empresário Marcos Valério, preso condenado do mensalão petista.

Os recursos eram liberados pelas empresas estatais — como a Copasa e a antiga Comig, atual Codemig — para a agência de publicidade com a qual mantinha contrato, a SMP&B, de Marcos Valério, com o objeto de promover eventos esportivos.

Simultaneamente, a agência contraía empréstimos em bancos, com o Bemge, que depois eram pagos com recursos públicos obtidos pela própria instituição bancária, que transferia verbas por meio de contratos simulados de publicidade autorizados pelas empresas estatais.

De acordo com a acusação, a agência de publicidade de Valério usou recursos dos empréstimos para pagar lideranças políticas e outras pessoas que organizavam e trabalhavam na campanha. Ele ainda usou os recursos dos patrocínios para quitar os empréstimos.

Ainda segundo a denúncia, Valério e seus sócios teriam realizado a saída clandestina de recursos financeiros do país, como os obtidos por caixa 2, em montante superior a US$ 628 mil, em Nova York.

Os recursos, cerca de R$ 3,5 milhões na época (Mais de R$ 9 milhões em valores atuais), eram utilizados para pagar despesas de campanha do tucano Eduardo Azeredo.
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Janot pede afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou na tarde desta quarta-feira (16) ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de afastamento cautelar de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) do cargo de deputado federal e de presidente da Câmara.
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Missão cumprida. Representação contra Cunha entregue. Cumpra-se a lei


Completa-se nesta quarta-feira uma semana desde que o Blog propôs aos seus leitores que endossassem representação ao Procurador Geral da República contra o deputado Eduardo Cunha. No total, 2.212 pessoas deixaram comentários nesta página endossando a representação.

Devido ao prazo para entregar a representação, apenas cerca de 1.700 pessoas foram incluídas no documento. Contudo, tentarei incluir posteriormente as que faltaram.

Viajei a Brasília na última terça-feira, 15 de dezembro, para entregar a representação no gabinete do procurador-geral da República. Fui acompanhado do companheiro sem-mídia Ricardo Grillo e, lá, juntou-se a nós outra companheira sem-mídia, a jornalista Meire Cavalcante, que atualmente está sediada em Brasília. Fomos muito bem recebidos no gabinete do doutor Rodrigo Janot, onde protocolamos a representação.

Abaixo, a foto da visita ao gabinete do PGR e, em seguida, reprodução do protocolo por esse gabinete e pelo MPF, pois, além da entrega diretamente ao doutor Janot fizemos a entrega formal no protocolo eletrônico da Procuradoria.

representação 2
representação 1

A data da entrega da representação foi muito feliz, pois ocorreu no dia em que a Polícia Federal deflagrou a operação “Catilinária”, que vasculhou a casa de Cunha e apreendeu material que instruirá o processo penal contra ele.

Você que endossou a representação é agora co-autor de uma iniciativa que deverá chegar à Justiça, somando-se a outras iniciativas similares. Ouso dizer, porém, que a peça endossada pelos leitores desta página será considerada uma das mais consistentes pela Justiça devido ao elevado nível do documento, e sua argumentação inquestionável.

Em suma: fizemos nossa parte. Tivemos coragem e ousadia para não ficarmos apenas no blablablá, nos queixumes. Fizemos o que se impõe à cidadania, que não aceite ser expectadora de uma situação indigna como a que protagoniza o presidente da Câmara dos Deputados. Fizemos história, na última terça-feira.

Agora, cabe às autoridades acolher e dar andamento à representação popular que receberam. Fizemos o que muita autoridade tinha obrigação de fazer e não fez. Podemos nos orgulhar de ter agido como cidadãos responsáveis que recorreram aos seus direitos constitucionais em defesa da cidadania.

*

PS: quero agradecer aos companheiros que me apoiaram na questão do custo dessa iniciativa. Apesar de a causa dizer respeito a todos nós, essa atitude de tantos companheiros e companheiras impedirá que eu arque sozinho com o peso que uma medida como essa acarreta. Um agrande abraço a todos e a todas.

PS 2: a partir de hoje o Blog volta ao normal, com postagens diárias. Ficou restrito por alguns dias ao tema representação contra Cunha devido ao trabalho que a medida gerou.

Eduardo Guimarães
No Blog da Cidadania
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'A imprensa está pautada por bandidos', alerta Jorge Furtado

Segundo Furtado, a irresponsabilidade da mídia alimenta o espírito golpista da sociedade, na medida em que não oferece uma correta leitura da realidade.


A memória prodigiosa para “lembrar de nomes esquisitos” somada à curiosidade investigativa permitiu ao cineasta Jorge Furtado criar uma pequena enciclopédia de casos que exemplificam como a imprensa trai seu compromisso de informar o cidadão no Brasil.

Ele deu uma amostra disso ao público que assistiu a sua palestra na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, no último sábado, 12 de dezembro. Disse mais: que a irresponsabilidade da mídia alimenta o espírito golpista da sociedade, na medida em que não oferece uma correta leitura da realidade brasileira.

“Os jornais estão impregnados de ideologia. A infâmia e a fama são absolutas nessa era da mídia”, lamentou.

Apesar de sua crítica da imprensa, Furtado tinha uma perspectiva positiva, graças à novíssima lei que garante o Direito de Resposta àqueles que se sintam prejudicados por uma matéria distorcida ou mal apurada. “É uma novidade que pode mudar muita coisa”, exaltou o cineasta, apontando o episódio.

Mal sabia Furtado que dois dias após sua fala, a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) — que representa os conglomerados de comunicação do país — entraria com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para cassar a recém-editada lei, nesta segunda-feira (14).

Segundo o portal especializado Jota, a Ação Direta de Inconstitucionalidade tenta anular cinco dos 12 artigos que regulamentam o Direito de Resposta. A justificativa da ANJ é que a norma “afronta garantias constitucionais a exemplo do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa”, entre outros.

“Na prática, o instituto do direito de resposta, ao invés de pluralizar o debate democrático, converteu-se em instrumento capaz de promover grave e inadmissível efeito silenciador sobre a imprensa”, defendem os jornalões.

O cineasta não sabia ainda da iniciativa dos empresários da comunicação, mas de sua palestra pode-se concluir que daria uma gargalhada diante dos argumentos.

“A imprensa publica o que quer, sem checar nenhuma denúncia. Depois, quando elas não se confirmam, ninguém volta para retificar”, condenou no sábado.

Além da investida contrária da ANJ, a força da medida ficou evidente quando O Globo publicou uma errata na capa do jornal, desmentindo uma informação que havia sido manchete em outubro e que vinculava o filho de Lula à corrupção investigada pela Operação Lava Jato - não por força da Justiça, mas por iniciativa própria do jornal, dado que a norma estava por ser assinada pela presidenta Dilma Rousseff.

O caso Rubnei Quícoli

Um dos “nomes estranhos” que Jorge Furtado nunca apagou da memória é Rubnei Quícoli — “já pensou um personagem com nome desses?”, introduziu.

Rubnei Quícoli protagonizou uma ficção em 2010, mas ela saiu no jornal como verdade e Furtado lembra do episódio com detalhes. “Deram uma foto de meia página dele com um terno preto em cima de um edifício muito alto. Parecia assim uma campanha da Hugo Boss”, comparou.

A imagem ilustrava uma reportagem em que Quícoli acusava a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra de ter cobrado propina para negociar um empréstimo do BNDES a um empreendimento seu na área de energia eólica.

Erenice chegou a ser investigada, mas nada sendo provado contra ela, o processo foi arquivado. A Folha de S.Paulo se limitou a noticiar o fim do inquérito.

A indignação de Furtado, entretanto, recai sobre o inusitado fato de que o denunciante, Quícoli, era um bandido com extensa ficha criminal. “Ele tinha várias passagens pela polícia. Chegou a tentar vender um caminhão e sua carga roubada ao antigo dono e depois tentou matar o motorista que o entregou”, recordou.

“E esse sujeito ocupa a capa da Folha de S.Paulo”, surpreende-se, passados já cinco anos do episódio.

Furtado coloca no mesmo cesto outros nomes que memórias ordinárias são capazes de reconhecer: o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) ou os delatores da Lava Jato. “São bandidos que alimentam diariamente a imprensa, são eles que fazem as capas de jornais diariamente”, conclui.

A corrupção na Petrobras

O cineasta — que levou às telas de cinema seu olhar sobre a imprensa brasileira no documentário O Mercado de Notícias (fragmentos podem ser assistidos aqui: http://www.omercadodenoticias.com.br/) — condena a partidarização da imprensa no Brasil, coisa que, aliás, foi assumida pela ex-presidente da ANJ Judith Brito, quando ainda comandava a entidade: “Os meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada”, ela explicou em 2010.

“Neste caso, a imprensa assume que deixa de fazer jornalismo e passa a fazer política. Não se dedica mais a buscar a verdade factual e isso é um grave problema para a democracia”, defendeu.

Furtado exemplificou, com o caso da Petrobras, que o senso comum já se acostumou a relacionar a uma desvalorização e desmonte que seriam consequências diretas da corrupção ocorrida nestes 13 anos de governo do PT.

“Só que outro dia descobri que a Petrobras se tornou a maior petrolífera do mundo este ano! Que bateu o recorde de exploração de petróleo, alcançando 1 bilhão de barris. Esse ano!”, repetiu.

Ele também leu manchetes dos jornais dos anos 60, nas quais eram relatados problemas de corrupção graves na estatal. Lembrou ainda que as denúncias dos jornalistas Paulo Francis, na década de 90, e Ricardo Boechat ainda nos anos 80 sobre os desvios de verba para uso pessoal na Petrobras. Boechat, hoje no grupo Bandeirantes, ganhou o prêmio mais respeitado do jornalismo brasileiro com sua investigação, O Esso.

Mesmo analisado o atual escândalo, Furtado lembra que em seus depoimentos, os delatores dizem que “essa quadrilha” operava na Petrobras desde 1997 — antes, portanto, de o PT assumir o Palácio do Planalto.

Outro elemento que lhe causou estranhamento foi ver uma reportagem sobre o pagamento de propina na estatal ilustrada com a imagem de uma lista dos receptores de dinheiro. O jornal borrou um trecho onde aparecia a inscrição “15M para JS”, seguidos do endereço e do telefone do ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB).

“Puseram uma tarja preta para não mostrar a vinculação com Serra. Mas quando o Bumlai (José Carlos Bumlai) foi preso, ele era o ‘amigo do Lula’”, comparou.

“A eleição não terminou”

O bate-papo com Jorge Furtado foi uma promoção dos gabinetes dos deputados do Partido dos Trabalhadores (PT) Stela Farias (estadual) e Henrique Fontana (federal).

Era um momento que vinha sendo acalentado desde o ano passado, ainda quando se discutia a reforma política que acabou saindo de maneira enviesada. Na ocasião, se achou melhor deixar “para depois da eleição”.

“Só que a eleição ainda não terminou, ela não termina nunca”, lamentou o cineasta.

Naira Hofmeister
No Carta Maior
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Cunha tem razão em se sentir traído pela Globo, que o conhece no sentido bíblico

Nem todo canalha era magro
Uma cena passou despercebida na coletiva de Cunha depois que a Polícia Federal deu uma batida em suas casas. (assista abaixo).

“O governo quer desviar a mídia do processo de impeachment e quer voltar a colocar no PMDB, em mim, a situação do assalto na Petrobras, que foi praticado pelo PT”, disse.

A mídia está do lado de seus inimigos, falou. E então se voltou ao jornalistas e aliviou: “Vocês não, é claro”.

Cunha sempre contou com a imprensa e está se sentindo traído. No começo do ano, sua eleição para a presidência da Câmara foi festejada em manchetes. “Aborto e regulação da mídia, só pode cima do meu cadáver”, declarou, deixando claro que estava ali para defender os amigos.

Aos poucos, diante dos flagrantes sucessivos e da avalanche dos fatos, Cunha foi abandonado até que editoriais pediram sua cabeça. Com ele, o impeachment fica desmoralizado.

Ninguém desempenha melhor esse papel de neo indignação do que a Globo, que insiste em tratar o deputado como um desconhecido — como fez com Ricardo Teixeira e tantos outros, aliás.

Na verdade, é uma relação antiga e que tem como um dos elos a mulher dele, Cláudia Cruz, que um dia sonhou ser primeira dama e agora torce para não ver o sol nascer quadrado.

Cláudia foi empregada da Globo entre 1989 e 2001. Apresentou Bom Dia Rio, Jornal Hoje, RJTV, Globo Ciência, Globo Comunidade, Jornal da Globo e Fantástico.

Em 10 de abril de 2000, deu a notícia da demissão de seu marido da presidência da Companhia Estadual de Habitação, Cehab, por causa de denúncias de fraudes em contratos. Meses depois, seria demitida.

A Globo conhece Cunha, no sentido bíblico, muito bem. Segundo matéria da Folha, em 1992 o então presidente da extinta Telerj assinou um aditivo de 92 milhões de dólares a um contrato de 1989 com a NEC Brasil — fornecedora de equipamentos para telefonia controlada, na ocasião, por Roberto Marinho.

Não houve licitação. O aditivo serviria para ampliar o número de terminais para 40 mil celulares (em 1993, um segundo aditivo foi assinado por 30 milhões de dólares por mais 40 mil terminais — 62 milhões a menos do que pagou Cunha).

Uma colunista da revista Época explicou seu modus operandi com a imprensa. Em 1996, ele teria ido parar numa delegacia da Barra da Tijuca com a ex-mulher Cristina Dytz depois de uma briga. “Cunha”, segundo o texto, “fez de tudo para impedir a publicação. Telefonou primeiro para um editor, depois telefonou para o dono do jornal. A reportagem saiu. Cunha travou com o jornalista um diálogo pesado ao telefone. E o levou à Justiça. Perdeu, porque nada havia ali que configurasse difamação ou injúria. Apenas fatos.”

Enquanto Cunha não foi apanhado com a boca na botija, Cláudia voou à vontade. Ele dançou na Cehab, ela dançou também. Durante ao menos duas décadas, a Globo não moveu um dedo de seu arsenal jornalístico para mostrar quem era EC.

Agora o jornal avisa que “venceu o prazo de validade de Eduardo Cunha”. Mas só agora?? Como numa novela vagabunda, o rapaz tem razão em se sentir usado e jogado fora quando não interessa mais.

Kiko Nogueira
No DCM



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Reportagem da Istoé dizendo que PMDB vai “recolocar o país nos trilhos” vira piada na internet


A reportagem de capa da Istoé desta semana virou motivo de piada na internet. Nela, a revista faz uma defesa de Temer e do PMDB.

Dias depois da edição chegar às bancas, a Operação Catilinárias da PF atingiu o fígado do partido. Dos caciques, faltou apenas Temer. Além de Cunha, foram alvos de mandados de busca e apreensão dois ministros peemedebistas, um ex-ministro e outros políticos.

Cunha, aliás, é citado uma única vez, en passant, na reportagem chamada “O desembarque”. Nas redes sociais, algumas pessoas disseram suspeitar que a matéria foi escrita “por um pau mandado do presidente da Câmara, de tão elogiosa”.

Alguns trechos:

O5 de outubro de 1988 foi um dia histórico para o País. Em Brasília, caíam as primeiras chuvas finas, depois de uma estiagem de quase três meses. As folhas pálidas dos arbustos retorcidos do cerrado começavam a ganhar vida e cor, quando Ulysses Guimarães, em reunião do Congresso Nacional convocada especialmente para a promulgação da nova Constituição, ergueu o volume com os originais da Carta Magna e pronunciou as seguintes palavras: “A nação quer mudar. A nação deve mudar. A nação vai mudar!”. O PMDB consumava, ali, seu projeto de consolidação da democracia em nosso País. Entregava ao Brasil a institucionalização do Estado Democrático de Direito.

* * *

Hoje, um novo desafio se impõe ao PMDB. Como dizia o ex-presidente da República Jânio Quadros, “o partido das antessalas palacianas” trabalha para retomar o protagonismo de outrora. Quando mais uma vez, para ficar no discurso eternizado por Ulysses, “a nação quer mudar”, o PMDB mostrou, nos últimos dias, disposição e condição política para liderar o País e resgatar em sua essência o velho partido das grandes causas nacionais.

* * *

Quem se apresenta como timoneiro da retomada peemedebista é o vice-presidente Michel Temer. Na segunda-feira 7, ele empreendeu o mais contundente gesto em direção ao rompimento com a presidente Dilma Rousseff. Dizendo-se cansado de desempenhar o papel de figura decorativa da República, Temer enviou uma carta a presidente em que a acusou de não trata-lo com respeito, de desprezá-lo com assiduidade e de não confiar nele nem no seu partido. No futuro, a carta poderá ficar na história como o marco da inflexão do PMDB. E do próprio vice-presidente. 

* * *

Para entender melhor o significado do movimento político de Temer, e do quão difícil deve ter sido para ele fazê-lo, primeiro é preciso conhecer um pouco do seu perfil. Ao longo de sua trajetória, o peemedebista notabilizou-se por ser um político pouco afeito a arroubos e a indisposições. Discreto e polido, sempre atuou melhor nos bastidores do que em meio aos holofotes. Em 2013, num lance de rara ousadia pública, traços de sua personalidade foram expostos no livro de poemas “Anônima Intimidade”, subscrito por ele. Na poesia “Exposição” disse: “Escrever é expor-se./ Revelar sua capacidade/ Ou incapacidade./ E sua intimidade./ Nas linhas e entrelinhas./ Não teria sido mais útil silenciar?”. Se poemas costumam ser a expressão da alma, o vice-presidente deve ter tido boas razões para, desta vez, contrariando o que escreveu lá atrás, considerar mais útil não silenciar.

* * *

Agora, novamente se apresenta como a nau mais segura para aqueles interessados em desembarcar do governo Dilma e anseiam por um pacto nacional para recolocar o País nos trilhos. Empresários e lideranças políticas concordam hoje que só uma união entre diversos setores da sociedade será capaz de tirar o Brasil da grave crise econômica e política em que se encontra. Os ventos sopram na direção de Temer.
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PODE TUDO: Discurso de ódio e antipetismo



Trabalho de conclusão de curso - Jornalismo - PUC-SP
Dezembro de 2015
Harumi Visconti
Orientação: Prof. Dr. Silvio Mieli

O documentário “Pode Tudo: discurso de ódio e antipetismo” tenta desvendar as razões por trás da atual escalada de ódio contra membros do Partido dos Trabalhadores e os efeitos da crise do PT para a esquerda brasileira.

Entrevistados (ordem alfabética):
André Singer
Bárbara Szaniecki
Gilberto Maringoni
Giuseppe Cocco
João Feres Jr.
Leonardo Sakamoto
Rosemary Segurado
Vera Guimarães



Dica de Luiz Skora
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Documento liga governo de Aécio Neves em MG a esquema de propinas da Samarco

O lobista Nilton Monteiro
O lobista Nílton Monteiro pronuncia “craro” quando quer dizer “claro” e sua imagem é a de uma pessoa de quem não se compraria um carro. O delegado de polícia Márcio Nabak, por sua vez, tem a imagem de um burocrata bem sucedido e em fotos da internet aparece sempre alinhado.

O caminho dos dois se cruzou no escândalo da Lista de Furnas e aí as imagens se invertem. Com seu jeito desalinhado e vocabulário simples, Nílton prova o que diz. Já o homem da lei Nabak diz — e até prende com base no que diz —, mas não conseguiu provar suas acusações.

Em 2005, a Samarco Mineradora S.A., uma das empresas que aparecem como doadoras de recursos ilícitos para campanhas de políticos do PSDB e de seus aliados, acusou Nílton Monteiro de falsificar documentos que a incriminavam. Eram casos de corrupção, todos no Espírito Santo, mas a empresa formalizou a acusação em Belo Horizonte, onde fica sua sede da Samarco.

Em resumo, Nílton teria inventado contratos para cobrar indevidamente comissão pela venda de créditos de ICMS da Samarco para a empresa de energia do Espírito Santo (Escelsa). Segundo a acusação, teria também forjado recibos para comprovar que seu antigo advogado, Joaquim Engler Filho, havia se vendido para a Samarco.

O inquérito até hoje não terminou. Mas em 2010, cinco anos depois da acusação da Samarco, o delegado João Octacílio Silva Neto, que assumiu o inquérito no curso da investigação, descobriu, com base em perícias, que as provas de Nílton não eram falsas.

O delegado chamou Joaquim Engler para depor e este, que já respondia a uma acusação no Tribunal de Ética da OAB, confessou que recebeu R$ 1,1 milhão da Samarco para prejudicar o cliente e repassar propina para diretores da Samarco, um juiz de direito da comarca de Anchieta, no Espírito Santo, um ministro do STJ e um desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, todos que haviam decidido favoravelmente à empresa.

Joaquim Engler confirma que gravou conversas com autoridades de Minas Gerais, na época do governo Aécio Neves, e cita algumas das descobertas, como uma conta do senador Zezé Perrella no exterior, com um secretário de Aécio Neves.

Esse depoimento daria um novo rumo às investigações, mas, no dia seguinte, quando o advogado pediu numa cópia da íntegra de seu interrogatório, a Polícia Civil transferiu o delegado João Octacílio para um município do interior do Estado, e nomeou para seu posto, na chefia de um departamento policial, Márcio Nabak.

Depois disso, o inquérito desapareceu e o cerco a Nílton Monteiro se fechou. Ele acabou preso e hoje acusa a equipe de Márcio Nabak de tê-lo torturado. O advogado Joaquim Engler cedeu partes do inquérito que tinha com ele, para remontagem do processo, mas nesse conjunto não estão as páginas de seu depoimento.

Márcio Nabak indiciou Nílton por falsificação, mas Nílton não foi condenado, por falta de provas. A acusação foi parar na imprensa e Nílton, apresentado como falsário que negociava até títulos falsos da dívida pública. Também não houve comprovação.

Não escaparam do cerco policial o advogado de Nílton, Dino Miraglia, que teve a casa invadida, o dono do site que divulgava as denúncias de Nílton foi preso e o jornalista que editava as reportagem, Geraldo Elísio, teve o mesmo destino do advogado: a polícia revirou sua casa.

O depoimento bombástico do advogado Joaquim Engler reapareceu de forma oficial há cerca de um mês, quando, por decisão judicial, o delegado João Octacílio prestou depoimento e confirmou que ouviu o advogado formalmente, como parte do inquérito.

O delegado Nabak (1º à esq.)
O delegado Nabak (1º à esq.)
Procurei o advogado Joaquim Engler. Ele diz que o depoimento atribuído a ele é falso. Teria sido forjado pelo escrivão Nélson Silva. Mas, se era falso, por que o inquérito parou depois que desapareceu? Se esse depoimento é falso, cadê o verdadeiro?

Ao ser ouvido por carta precatória há cerca de um mês, o delegado João Octacílio afirmou também que, além de ouvir Joaquim Engler, tinha lembrança de que, embora Nílton Monteiro fosse acusado de falsificação, ele “sempre colaborava com as investigações apresentando documentos e provas das alegações”. A íntegra do depoimento do delegado também acompanha esta reportagem.

Tanto o depoimento de João Octacílio como o antigo depoimento do advogado foram juntados num processo judicial em que o advogado Dino Miraglia se defende da acusação de ter sido cúmplice de Nílton Monteiro no crime de falsificação de documentos. Pelo que se está demonstrando, nem houve falsificação. Se não houve, haveria cumplicidade?

Lendo o inquérito que agora ressurge na íntegra, tem-se a imagem do desastre de Mariana. Num primeiro momento, a lama fica contida, mas, depois, por uma falha da segurança, a barreira se rompe e a lama escorre além das divisas de Minas Gerais.

O inquérito começa como uma tentativa de isolar o lobista Nílton (segurar a lama), que havia provocado um estrago enorme na política do Espírito Santo, com as denúncias de corrupção na venda dos créditos a Escelsa.

Mas, por razões ainda não muito claras, o advogado que o acusava de falsificação mudou de lado (outra vez), assumiu crimes e fez outras acusações. A lama se espalhou, mas evitou-se o desastre (político) com a troca do delegado que poderia seguir o rastro da sujeira e a prisão do lobista, do empresário, do jornalista e do advogado.

Numa das muitas manifestações judiciais que fez contra o abuso de poder da polícia civil no governo de Aécio Neves/Antônio Anastasia, o advogado Dino Miraglia usou uma frase de Martin Luther King, líder do movimento negro pelos direitos civis nos Estados Unidos, na década de 60: “Devemos construir diques da coragem para conter a correnteza do medo.”

Em Minas Gerais, alguma coisa mudou. Márcio Nabak deixou postos de comando na Polícia Civil, e o inquérito em que a Samarco passou de acusadora a acusada pode, enfim, ser retomado, com a recuperação do depoimento do advogado Joaquim Engler Filho. Quem acredita? No caso no caso da Lista de Furnas e do mensalão mineiro, as provas gritam, mas as autoridades silenciam.



Esta é a nona reportagem da série sobre a Lista de Furnas. O projeto foi patrocinado pelos leitores através da ferramenta de crowdfunding Catarse.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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As contas de perde-ganha com Temer e Dilma

As manifestações desse domingo trazem conclusões curiosas:
  1. O número de manifestantes frustrou os organizadores, mostrando que o populacho não reage mais ao simples apertar de botões.

  2. Em São Paulo a equipe da Globo foi atacada por  furiosos com a falta de empenho da emissora em mobilizar as massas.
A velha mídia entrou em uma sinuca de bico.

Primeiro, alimentou a onda de intolerância, tornando-se prisioneira da própria armadilha montada. Não pode oferecer mais sangue do que oferece, sob risco de reduzir seu público a um tropel de trogloditas. Descontenta os trogloditas, que a acusam de pouco empenho, e descontenta os demais leitores que criticam a ausência de jornalismo.

Depois, deflagrou o processo de impeachment e agora teme seus efeitos.

Subordinar o jornalismo à política sem estratégia dá nisso, comprovando que a crise de liderança que acomete os três poderes não poupou igualmente o quarto.

O fracasso das manifestações, no entanto, não zera o jogo do impeachment.

Os próximos capítulos serão decisivos e se darão em torno de três campos.

O campo econômico

A conta dos deputados — entre ficar com o governo ou embarcar na aventura Michel Temer — levará em consideração a maneira como enxergam o futuro da economia em cada alternativa. Qual seria a pior aposta: chegar em 2018 carregando o fardo Dilma ou o fardo Temer? Beneficiar-se de ser anti-Dilma ou anti-Temer?

A tal Ponte para o Futuro de Michel Temer, se bem explicada, é um filme de terror não apenas para os beneficiários de programas sociais. Significará subordinar o país a um modelo econômico que produziu os maiores níveis de desemprego na Europa, liquidando com o estado de bem-estar europeu.

Significará abortar qualquer política industrial, regredir na implantação de universidades federais, eliminar o acesso dos mais pobres ao ensino superior, destruir a rede de proteção social duramente conquistada pelo país.

Essa conta será cobrada em 2018 de quem aderir ao impeachment.

Mas o que Dilma tem a oferecer em contraposição? Até agora, apenas o ajuste fiscal de Joaquim Levy. Ou seja, outro filme de terror.

Dilma tem o ônus e o benefício de estar no poder. A cada dia que passa, o aprofundamento da crise torna mais palatável a alternativa Temer. Por outro lado, assim que apresentar uma estratégia econômica minimamente viável, recupera o protagonismo.

Com doze meses de atraso, há dois desafios (que ficaram enormes pela demora em serem enfrentados) pela frente: um movimento estratégico impedindo o aprofundamento da crise; uma visão de futuro.

A estratégia para segurar a crise passa por três movimentos óbvios:
  1. A recuperação da cadeia do petróleo e gás. Pelo menos dois pontos do PIB deve-se ao descaso com que o tema foi tratado pelo governo. Há pelo menos um ano deveria ter sido negociado um modelo de acordo de leniência que preservasse as empresas. Agora, há centenas de empresas a ponto de serem liquidadas. Esse movimento precisa ser interrompido, através de medidas heroicas de recuperação do setor.

  2. A crise fiscal, com a aprovação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Conta, para tanto, com a adesão incondicional dos governadores, que sabem onde o calo pega.

  3. Recompor a liquidez na economia. O trancamento do crédito poderá produzir um desastre ainda maior em 2016, com a crise de liquidez se espalhando pela economia.
Nas conversas com parlamentares, não se trata apenas da falta de sensibilidade política de Joaquim Levy, valendo-se do viés economicista de acenar com o fim do mundo, em vez de trabalhar o início da criação. Em Brasília brinca-se que ele tem uma carta de demissão plastificada, tantas foram às vezes que sacou do bolso para tentar impor seu ponto de vista.

Tem-se um quadro complexo para 2016, com a crise fiscal dos estados e uma inadimplência generalizada das empresas. O desafio maior será estancar essa queda para poder acenar com o próximo tempo.

O tempo de Levy acabou.  E não basta apenas substituí-lo. Tem que ser por alguém com visão estruturada da economia, capacidade de juntar todas as peças do jogo econômico e com total aval de Dilma.

Há uma bomba atômica disponível para quem souber usá-la. Pode ser a saída para a crise ou poderá ser o dia do juízo final: o uso criterioso de parte das reservas cambiais em programas de investimentos em infraestrutura e de recuperação do parque industrial.

Quadro social

É trunfo para Dilma.

O agravamento da crise de emprego atiçará mais os ânimos gerais, seja com Dilma ou Temer.  

Mas, com o impeachment, haverá um ingrediente explosivo a mais.
  1. A imagem de um Michel Temer mediador, acima das paixões e do jogo rasteiro da política ficou comprometida com o episódio oportunista da carta. Todos os que participaram da queda de Collor se sentiam, de certo modo, responsáveis pelo sucesso do governo Itamar Franco. Esse fato blindou-o, em que pese a extrema mediocridade de sua gestão. Temer perdeu esse bônus.

  2. Sem essa legitimidade, do lado esquerdo Temer enfrentará as manifestações dos sindicatos e dos movimentos sociais; do lado direito, dos paneleiros. Pesquisas junto a esses manifestantes mostram que se movem por slogans: são a favor de menos estado, mas, ao mesmo tempo, de serviços públicos gratuitos. Quando Temer der início aos cortes em políticas sociais, será tiro para todo lado.
Por outro lado, enquanto não apresentar um programa com ideias claras, não se saberá qual o lado de Dilma. A bandeira em torno dela é de defesa da legalidade, contra o golpe. Derrubada a tese do impeachment, se o governo Dilma continuar inerte, ninguém segurará as ruas em 2016.

Quadro político 

Até agora, o presidencialismo de coalizão — inaugurado por Fernando Henrique Cardoso, mantido por Lula e Dilma — consistia em lotear cargos para garantir o controle do orçamento e a implementação das políticas centrais.

Em vez de aspirar, Temer propõe coalizão injetável: repartir o orçamento. Trata-se da proposta mais irresponsável de loteamento político desde os infaustos tempos do governo José Sarney.

A estratégia de Dilma deverá ser mostrar a inviabilidade desse modelo, ainda mais em um quadro de crise fiscal. Não há o que repartir. Se tirar da saúde e da educação, em 2018 a cobrança dos eleitores será fatal.

Fica claro que se trata de uma cenoura visando abrir espaço para os novos donos efetivos do poder, Temer e seu grupo associados aos tucanos de José Serra – que levarão seu quinhão com a aprovação de uma nova lei do petróleo. Eles ficarão com os cargos; os parlamentares com a promessa de controlar um orçamento quebrado e com a conta da impopularidade em 2018.

Luís Nassif
No GGN
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