10 de dez de 2015

Ciro Gomes: Eduardo Cunha será cassado e vai para a cadeia


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Janot está sendo um auxiliar do golpe

Inocentemente (espera-se) ou abjetamente, Janot auxilia o golpe
– “Erga omnes – assim foi nomeada recentemente, pelo MPF e pela PF, uma fase da Lava Jato”

É preciso perder algumas ilusões: Rodrigo Janot, inocentemente (espera-se) ou abjetamente, está sendo um auxiliar do golpe. E observe-se que ele não tem idade e nem conseguiu chegar ao cargo atual por ser ou para ser ingênuo. Mas quem sabe, se o gangster Eduardo Cunha (P-MDB) recebeu o ‘benefício da dúvida’ de alguns entre os seus cúmplices, por que o PGR não o mereceria também, agora de todos os cidadãos?

Ao não tomar as iniciativas penais cautelares – entre as quais o afastamento do cargo e mesmo a prisão – contra o notório criminoso Eduardo Cunha (P-MDB), que não só obstrui escancaradamente as investigações contra si, mas chantageia um país inteiro pela televisão – ao vivo – para se safar dos seus crimes, o PGR Rodrigo Janot está auxiliando a consecução do objetivo principal do bandido, e dos seus cúmplices, que é aplicar um golpe na democracia brasileira, tornar o Congresso em um Colégio Eleitoral para eleger INDIRETAMENTE Michel Temer (P-MDB), com o PROGRAMA INTEGRAL DE GOVERNO – agora com o nome pomposo de ‘Uma ponte para o futuro’ – que o povo derrotou nas eleições de 2014 e que continua a rejeitar, mesmo na aplicação parcial a que o governo Dilma foi chantageado e forçado a conceder até aqui.

Já são meses que a Suíça transferiu para o Brasil – estranhamente, pois abrindo mão de sua soberania judicial – uma AÇÃO PENAL contra o gangster Cunha (P-MDB). E até hoje Janot não abriu ação no STF a respeito. É problema de tradução? É desconfiança da Justiça Suíça? É proibido adicionar novos dados aos autos de um processo?

Mas veja-se que a primeira denúncia que Janot ajuizou no STF contra o gangster Cunha (P-MDB), há mais tempo ainda. O gangster protelou o quanto pode a decisão do STF sobre a aceitação da denúncia, até aí faz parte. Mas o próprio Janot ajudou o gangster, retardando a decisão do STF, ao ofertar prazo adicional para a defesa responder acusações do delator Fernando Baiano, que Janot ADITOU ao processo antes do julgamento da aceitação da denúncia original. Janot podia muito bem fazer isso após o gangster tornar-se réu. Por que cabe uma pergunta: se Janot tinha dúvidas na denúncia original, por que a fez, antes da hora?

Não há dúvida que, bem sucedido o golpe, Michel Temer (P-MDB), diretamente ou por interpostas pessoas, realizará todos os atos necessários para beneficiar cada um dos golpistas que o elegerem, PRINCIPALMENTE o gangster Eduardo Cunha, O SEU PRINCIPAL ELEITOR. Se temos, referendada pelo STF, uma Lei de Anistia a estupradores, torturadores e assassinos da ditadura, por que razão, motivo ou circunstância, não se poderia anistiar, ou de outra forma premiar, os crimes de um Eduardo Cunha (P-MDB)? Ora, essa infâmia já virou jurisprudência, à revelia do Supremo, ao ser aplicada pelo juiz Moro a Alberto Youssef, concedendo-lhe a liberdade e entregando-lhe, IMPUNEMENTE, sabe-se lá quanto da fortuna oriunda dos seus crimes, inacreditavelmente lavado – mais branco impossível – pela própria Justiça brasileira.

Como já se escuta falar, por que Moro e Janot, inocentemente (espera-se) ou abjetamente, não podem virar ministros de um STF ampliado ou nas vagas de alguns ministros atuais legalistas, que se recusem a apoiar o golpe?

PS: P-MDB é abreviação de Podre-MDB, a Banda Podre do PMDB de Temer & Cunha, associada aos golpistas do PSDB, DEM, PPS, PSC, SD e às bandas podres de outros partidos.

Francisco de Assis
No Viomundo
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E Kátia Abreu jogou vinho em Serra



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Temer se revelou um político menor


A carta do vice-presidente da República — pobre, patética, beirando a infantilidade — dá a justa medida do estado moral lastimável em que se encontra a política brasileira, apequenada, amesquinhada, aviltada e envilecida.

Desnudando-se, o presidente do PMDB revela-se um político menor, como menores são seus companheiros da ópera bufa em que foi transformado, pela miséria da política, um dos momentos mais dramáticos de nossa História recente, tão vazia de estadistas e miseravelmente tão plena de pulhas.

Pois grave é a crise ignorada pela vendetta e pelo ódio. No encontro da saturnal dos ódios — ódio amador e ódio profissional, ódio gratuito e ódio remunerado e, até, ódio puro ódio, o ódio irascível do perdedor sem consolo, ódio que cega e embrutece — nesse encontro de ódios com a compulsão dos interesses os mais vários, interesses pessoais, interesses de grei, interesses de súcias-partidos, só não são considerados os interesses do País, os interesses coletivos. Ninguém se dá conta dos riscos que corre o processo político quando a ordem constitucional se transforma em espaço para traficância.

Na missiva do vice, ‘um copo até aqui de mágoa’, apenas lamúrias, queixumes e muxoxos; nenhuma reflexão, nem uma só palavra sobre a crise de que seu partido, insaciável consumidor de cargos e verbas públicas, é um dos atores e artífices.

Crise grave — pois a um só tempo crise política, crise econômica, crise institucional, crise de representatividade — da qual, rompendo com toda e qualquer noção de ética, Temer pretendeu aproveitar-se, sem pejo do papel de traidor doméstico, o mais pérfido de todos.

O vice-presidente reclama de cargos e carguinhos para os mais chegados, reclama de afagos negados, de convites não formulados, de acenos evitados. O País? O País passa ao largo.

A pequenez de espírito salta nas primeiras linhas, quando o missivista se diz informado por “tudo o que me chega aos ouvidos das conversas no Palácio”. Ou seja, o rompimento político, a justificativa da maquinação golpista, se alimenta não em uma crise de Estado, num conflito de visões político-ideológicas, mas nas tricas e futricas das salas e antessalas dos palácios da Corte!

Bate-papo de comadres. Este o personagem que se oferece à oposição ensandecida para suceder a presidente Dilma ao fim do golpe de Estado comandado, na Câmara dos Deputados, pelo seu correligionário e assecla e sócio Eduardo Cosentino da Cunha.

Pobre política, pobre país.

Temer se queixa de haver passado “os quatro primeiros anos de governo como vice decorativo”. Ora, só um traste, um obnóxio, se prestaria a tal papel; só um carreirista voraz ainda desejaria outros quatro anos de igual ostracismo. Pois, findo o primeiro mandato de Dilma Rousseff, o desconsiderado Temer — à míngua de votos que lhe ensejassem um voo solo — ainda lutou para ser o vice da presidente candidata à reeleição.

Agora choraminga porque um ministro de sua intimidade não foi reconduzido do primeiro para o segundo mandatos, e porque outro, de igual domesticidade, não teve confirmada a nomeação de um apaniguado qualquer para um cargo qualquer. Cargos, cargos, verbas, sinecuras! Faz beicinho de ciúmes, pois a presidente conversou diretamente com o líder (já defenestrado) do seu partido, e não com ele — e vaidoso, ressente-se de não haver sido convidado para encontro da presidente com o vice-presidente dos EUA de passagem por Brasília.

São essas as razões do estadista Michel Temer, vice-presidente da República e presidente do PMDB. São essas as suas razões para a carta, pois, consabidamente, ela não se destinava, apenas, a desafogar um coração magoado.

Destinava-se, sim, a formalizar, documentar, justificar o abandono, pelo vice, da “lealdade pautada pelo Art. 79 da Constituição Federal” à titular da Presidência, abandono aliás que logo transitou para a conspiração plena, já tornada pública pela imprensa, que, aliás, também dá conta de suas articulações para a montagem de seu hipotético governo.

Enquanto isso e coerentemente com tudo isso, coerentemente com tanta baixeza, seu correligionário ainda presidente da Câmara dos Deputados, e ainda à solta, prossegue, lépido e fagueiro, na faina despudorada e impune de desmoralizar o Poder Legislativo. Se este se amesquinhava com sua simples presença, mais se degrada com sua presidência que associa a ostensiva, despudorada e cínica ausência de ética com um absolutismo cujo sucesso é outro indicador do nível de miséria a que chegou a maioria da Casa.

A persistente presidência de Cunha ultrapassou, e ultrapassa ainda, todos os limites da plausibilidade, ofendendo o decoro parlamentar, rasgando regimento, rasgando a Constituição, ofendendo normas parlamentares, tudo em função de suas duas prioridades do momento: fugir da sua própria cassação, motivada por reiterados atos de improbidade, e promover, a ferro e fogo, a qualquer preço, a cassação do mandato da presidente Dilma.

Para isso se serve de uma coorte de áulicos na qual desponta figura exemplarmente deprimente como o sr. Paulinho da Força (cujo prontuário inclui ação penal no STF por lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro nacional), líder da Comissão de Frente que abre-alas para Aécio Neves e outros menos cotados, como Mendonça Filho, os Bolsonaros e uma penca de caronistas que nem vale citar.

Diz-se que a história forja os personagens de que necessita. Isso é injusto conosco, não merecemos Temer, Cunha e seus quejandos, ainda menos o vazio humano que possibilitou essa safra. A média brasileira é muito melhor. Portanto, ainda podemos confiar, com esperança, no papel da organização social, a sociedade reagindo mediante seus mecanismos de ação, intervindo no processo, ditando e corrigindo as lamentáveis rotas de hoje.

Roberto Amaral
No Blog do Miro
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Folha de S.Paulo volta a distorcer declaração de Lula


A Folha de S.Paulo tem o costume de distorcer e até inventar falas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesta quinta (10), fez isso mais uma vez, ao repercutir a entrevista que Lula deu ao jornal espanhol El País. 

Agindo de má-fé, atribuiu ao ex-presidente uma fala que não existiu. Em nenhum momento, Lula afirmou que os pobres terão de deixar de comer carne para comer somente arroz durante a crise. A Folha distorceu um trecho da versão que leu (mal) em espanhol. Para deixar mais clara sua má-fé, o jornal escolheu a distorção como manchete de uma matéria que apenas toca superficialmente nos temas discutidos durante a conversa e deu a ela destaque na home do UOL.

No site em português do El País, a Folha poderia ter encontrado a transcrição do que foi dito, sem precisar recorrer à tradução criativa:

"São 12 anos em que houve o maior processo de mobilidade social da história de 500 anos desse país, em que nós dobramos o número de jovens nas universidades, e que o salário aumentou quase 74% em termos reais e foram 12 anos em que, foi um momento mais extraordinário de participação da sociedade na discussão das políticas públicas do governo. Você poderia perguntar para mim eles vão perder? Eu acho que não. Estamos passando por uma certa dificuldade, ou seja, nós passamos a comer carne quase todo dia, agora eu vou ficar um dia sem comer carne."

A irresponsabilidade da Folha de S.Paulo não é nenhuma novidade, mas não deixa de ser lamentável. 

A entrevista sem traduções criativas está no site do El País Brasil, em português e gratuitamente: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/12/09/politica/1449698628_947345.html

A Folha de S.Paulo reconheceu que errou e publicou uma ressalva ao final do texto, além de ter mudado o título da matéria. Mas insistiu no erro de usar a matéria em espanhol como fonte e repetir o erro de citar incorretamente a fala do ex-presidente: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/12/1717165-pobres-terao-que-comer-arroz-sem-carne-durante-crise-diz-lula.shtml

No Instituto Lula
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#NãoVaiTerGolpe


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No Conselho de Ética e Decoro



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Ou o Brasil acaba com Eduardo Cunha ou Eduardo Cunha acaba com o Brasil

O casal Cunha
Ou o Brasil acaba com Eduardo Cunha ou Eduardo Cunha acaba com o Brasil.

É inacreditável, é intolerável, é ultrajante para todos os brasileiros o que ele vem fazendo para rebaixar o país ao nível de uma republiqueta.

O depoimento hoje do ex-relator da Comissão de Ética que pode — enfim — determinar sua cassação, Fausto Pinatto, é estarrecedor. Mas não surpreendente, dado que não é o primeiro nessa direção.

Pinatto disse que teve medo de morrer.

“Fui abordado em aeroporto, o meu motorista foi abordado, recebi alguns recados em aeroporto de pessoas desconhecidas. Sofri todo tipo de pressão que você pode imaginar”, disse em entrevista à imprensa. “Falaram para pensar na minha família, que eu tinha filho pequeno, filha pequena, irmão pequeno.”

Pinato afirmou fez um boletim de ocorrência confidencial na Secretaria de Segurança de São Paulo. A família, disse, passou a se locomover num carro blindado. Um policial militar foi destacado para dormir em sua casa para protegê-lo e à família.

Isso tem um nome: terrorismo.

Depoimentos de delatores da Lava Jato contaram a mesma história. Nos vídeos das delações, era visível o pavor deles ao falar em Eduardo Cunha. As ameaças sempre incluíam as famílias.

E com tudo isso, e mais as provas acachapantes despachadas pelos suíços para as autoridades brasileiras, Eduardo Cunha continua de mãos livres para cometer suas barbaridades.

É evidente que ele deu um jeito de se livrar de Pinatto, que a esta altura deve estar dando graças a Deus por não mais comandar um processo que poderia e deveria dar na cassação de Eduardo Cunha.

Já são mais de dois meses em que todo o Brasil sabe o que fez e do que é capaz o presidente da Câmara dos Deputados, o terceiro cargo na hierarquia nacional.

E nada.

Ele está obstruindo os trabalhos da Comissão de Ética à frente de 200 milhões de brasileiros para escapar dos crimes que cometeu.

E nada.

Janot, Moro, o ministro da Justiça — ninguém é capaz de dar um basta? Você tem aí o confronto do esperto, Cunha, contra os tolos, os tíbios, os fracos, como os listados acima. Cunha tem, a seu favor, a mão amiga e cúmplice de políticos despudorados como Aécio, Serra, FHC e outros tantos da oposição.

Quem perde, nisso tudo, é a sociedade.

Um jornalista expressou hoje no Facebook o que é um sentimento amplamente espalhado hoje pelo país.

Ele propôs que Eduardo Cunha ficasse com tudo — a começar pelo dinheiro que roubou dos brasileiros, e continuando pelo cargo. “Mas devolva o Brasil”, acrescentou o jornalista.

Cunha sequestrou o Brasil. Transformou o país numa versão de Chicago dos anos de Al Capone.

Ninguém mais poderá alegar surpresa se algum opositor seu aparecer morto. Ameaças, se não são fortemente reprimidas, terminam em realidade, num momento ou em outro.

Quem ameaça uma família, e duas, e três, é porque pode sim dar o passo seguinte.

Eduardo Cunha tem que sofrer uma punição exemplar — e para ontem — por tudo de mal que vem fazendo ao país.

Tem que ser cassado e preso já. E tem que ser exposto em praça pública para que a sociedade saiba o que acontece com quem desce aos abismos morais a que ele rebaixou a si próprio — e ao Brasil.

É como se o Brasil estivesse acorrentado aos pés de Eduardo Cunha.

E então repito.

Ou o Brasil acaba com Eduardo Cunha ou Eduardo Cunha acaba com o Brasil.

Paulo Nogueira
No DCM
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Quem são os líderes da ‘tropa de choque’ que blinda Cunha na Câmara


Aliados do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), conseguiram nesta quarta-feira o sexto adiamento da votação que decidiria sobre a possível abertura de um processo que, no limite, pode levar à cassação de seu mandato.

Desta vez, eles não apenas adiaram a decisão como podem ter conseguido fazer todo o trâmite regredir à estaca zero com a escolha de um novo relator para o caso.

Cunha é alvo de uma representação, encabeçada por PSOL e Rede, que pede sua cassação por corrupção e por ter mentido à CPI da Petrobras sobre a posse de contas no exterior. O deputado nega as acusações e diz que os recursos que ele e seus familiares têm na Suíça tem origem lícita.

Apesar das acusações, o peemedebista conserva o apoio de uma verdadeira "tropa de choque" que lança mão de toda a sorte de manobras regimentais (recursos previstos no regimento da Câmara) para impedir que seu líder seja processado. E o fato de seus seguidores ocuparem postos-chave na Casa, como cargos na Mesa Diretora, potencializa ainda mais o sucesso dessas tarefas.

Nesta quarta, o vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), acatou recurso de Manoel Junior (PMDB-PB), também aliado de Cunha, para destituir Fausto Pinato (PRB-SP), do cargo de relator do processo contra ele no Conselho de Ética.

O argumento foi de que o PRB, partido de Pinato, fazia parte do mesmo bloco do PMDB e, por isso, ele não podia relatar o caso — a proibição, prevista no regimento, teria por princípio evitar que aliados do acusado assumissem a função de relator desse tipo de caso.

O presidente do conselho, José Carlos Araújo (PSD-BA), havia denominado Pinato para a relatoria porque o bloco de 13 siglas do qual PMDB e PRB faziam parte rachou em outubro.

No entanto, diante do parecer contra Cunha, Manoel Júnior lançou mão do argumento para pedir o afastamento de Pinato.

"Eu, propriamente, e nenhum dos membros da bancada do PMDB fizemos nenhuma manobra antirregimental. As questões de ordem que colocamos foram todas pautadas dentro do regimento (da Câmara) e do regulamento do conselho", argumentou Junior.

Parlamentares anunciaram que recorrerão ao plenário e ao STF para tentar derrubar a decisão de Maranhão. "Acho que isso é golpe!", disse Araújo. Enquanto isso, Marcos Rogério (PDT-RO) foi escolhido o novo relator do caso.

Veja, a seguir, quem são os líderes da "tropa de choque" que tenta impedir o processo contra Cunha na Câmara e o ajuda em outros casos.

Paulinho da Força (SD-SP)


Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, tem se mostrado um aguerrido defensor de Cunha. Ele não esconde que o principal motivo da aproximação é o interesse no impeachment de Dilma Rousseff.

"O nosso negócio é derrubar a Dilma. Nada nos tira desse rumo", disse ao jornal Folha de S.Paulo em outubro. Na ocasião, o presidente da Força Sindical também frisou que está com o peemedebista "para o que der e vier".

Paulinho é líder de seu partido, o Solidariedade, e assumiu a cadeira que cabia ao partido no Conselho de Ética após a representação contra Cunha.

Após o PSOL liderar o pedido de abertura de processo contra Cunha, Paulinho apresentou uma representação contra o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) no conselho, movimento que foi visto como tentativa de retaliação.

Em setembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) tornou Paulinho réu de uma ação na qual é acusado de se beneficiar de um esquema que desviou recursos do BNDES. Na Operação Lava Jato, o empreiteiro Ricardo Pessoa disse que fez doações ao deputado para obter influência em movimentos sindicais e evitar greves. Ele nega as acusações.

Manoel Junior (PMDB-PB)


Outro aliado de Cunha com cadeira no Conselho de Ética, Manoel Junior tem estado à frente das articulações para retardar a decisão para abertura do processo.

Formado em Medicina, ele chegou a ser cotado para assumir o Ministério da Saúde em outubro, numa tentativa do Planalto de conquistar mais apoios entre os aliados de Cunha. No entanto, as diversas críticas públicas que o paraibano já havia feito ao governo criaram um obstáculo para sua nomeação.

A vaga acabou ficando com Marcelo Castro (PMDB-PI), que era próximo a Cunha, mas depois se afastou dele devido a embates na tramitação de proposta da Reforma Política.

Arthur Lira (PP-AL)


Arthur Lira é presidente da comissão mais importante da Casa, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ele conseguiu o cargo, com aval de Cunha, após ter o apoiado na eleição para o comando da Câmara.

Caso o Conselho de Ética abra um processo contra o peemedebista e recomende a cassação do seu mandato, ele ainda poderá recorrer à CCJ antes de o plenário votar a questão.

Em setembro, a Procuradoria-Geral da República apresentou ao STF denúncias contra Arthur Lira e seu pai, o senador Benedito de Lira (PP-AL). Ambos, acusados de corrupção e lavagem de dinheiro no escândalo da Petrobras, negam os crimes.

Waldir Maranhão (PP-MA)


Apesar de ser presidente da Câmara, Cunha não pode decidir diretamente sobre questões ligadas a ele no Conselho de Ética. No entanto, essas decisões acabam recaindo sobre outros integrantes da Mesa Diretora da Casa que são seus aliados, caso de Waldir Maranhão.

Como vice-presidente da Câmara, Maranhão acatou recurso apresentado por Manoel Júnior para destituir o relator Fausto Pinato. Antes disso, já havia tomado decisões que resultaram no adiamento de sessões do Conselho de Ética, que avalia a representação contra Cunha.

Maranhão é um dos 32 integrantes do PP investigados na operação Lava-Jato. Ele foi apontado pelo doleiro Alberto Youssef como um dos deputados que recebeu dinheiro por meio da empresa GFD, usada para distribuir propina a políticos. Maranhão nega as acusações.

Felipe Bornier (PSD-RJ)


Felipe Bornier é outro aliado de Cunha na Mesa Diretora – ocupa a 2ª Secretaria.

Ele cancelou a primeira sessão que analisaria a abertura do processo contra Cunha, em 19 de novembro.

Sua decisão, porém, gerou revolta e levou mais de 50 deputados a deixarem o plenário aos gritos de "Fora Cunha" – com isso, o presidente da Câmara teve de reverter a decisão.

André Moura (PSC-PE)


André Moura foi um dos poucos a se postar ao lado de Cunha durante a entrevista coletiva que ele convocou, em julho, para rebater as acusações de que teria recebido US$ 5 milhões em propina desviados da Petrobras.

Parceiro do peemedebista na defesa de pautas consideradas conservadoras, foi presidente da comissão que discutiu o projeto de redução da maioridade penal – proposta que acabou aprovada na Câmara, mas até hoje não foi apreciada no Senado.

Em agosto, após Paulo Teixeira (PT-SP) criticar o presidente da Câmara em discurso no plenário, Moura pediu "respeito" a Cunha. Irritado, Teixeira chamou o deputado do PSC de "puxa-saco" e "lambe botas" do peemedebista.

Logo após a deflagração do impeachment, quando Dilma alfinetou Cunha ao dizer que nunca fez "barganha" política, o peemedebista acusou a presidente de mentir e disse que ela negociou com Moura um acordo no qual a aprovação da CPMF seria moeda de troca no apoio do PT para evitar o processo no Conselho de Ética.

Inicialmente, Moura disse que "assinava em baixo" do que Cunha dizia, mas depois confirmou a versão do ministro Jacques Wagner (Casa Civil), que negou encontro dele com Dilma.

Mariana Schreiber
No BBC Brasil
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Impeachment em Palomas


Umbigo do mundo, pólis irmã da grega Delfos, Palomas não poderia ficar fora da discussão do impeachment da presidente brasileira Dilma Rousseff. Foi em Palomas que tudo começou. Assim.

– Pegamos a guerrilheira.

– Que guerrilheira?

– A anta. A presidanta.

– O que ela fez?

– Um crime bárbaro, hediondo, absurdo, revoltante.

– Matou, roubou, recebeu propina?

– Isso certamente também, mas não podemos provar ainda.

– Se não podem provar, como podem ter certeza?

– É lógico. Ela tinha que saber…

– Isso é chute, ilação, especulação ou o quê?

– É a teoria do domínio do fato. Mas não importa. O que conta mesmo, por enquanto, é que pegamos a anta com a mão na botija. Flagrante. Desta vez, ela não escala. Flagrante.

– De quê?

– Mandou bancos públicos adiantarem o bolsa-família, seguro-desemprego, Minha Casa Minha Vida e outros programas assistencialista do seu governo populista e demagógico.

– Isso é crime?

– Crime terrível. Pedalada. Dá impeachment. É pior que matar a mãe.

– Mas todo mundo pedalou desde 1937. O TCU nunca rejeitou contas.

– Não justifica. Não é porque a direita roubou no passado que a esquerda pode roubar agora. E o volume de recursos era diferente. Uma coisa é uma pedaladinha. Outra, essa vergonha.

– O crime então depende do volume dos recursos?
– Acontece que o PT se dizia ético e apontava o dedo para os outros.

– Então é ressentimento?

– O PT pediu o impeachment do Itamar e do FHC.

– Então é vingança? E vocês disseram, na época, que era golpe.

– Acontece que ela cometeu estelionato eleitoral. Mentiu na campanha.

– Então vocês vão pedir o impeachment de todos os governadores? Geraldo Alckmin, em São Paulo, prometeu que não haveria racionamento de água. Sartori jurou que não aumentaria impostos a não ser que o povo pedisse. Não ouvi o povo pedir, mas o aumento já aconteceu.

– É que o quadro mudou. Vai ser melhor para o Brasil trocar.

– Então é recall? Mas não está previsto na Constituição.

– Tchê, para com esse legalismo todo que só serve para defender um governo corrupto, essa quadrilha que tomou conta do país como  nunca se viu antes. Até parece que tu tens ficha no PT. Nós queremos derrubar a Dilma. Compreendeu? É isso que interessa ao país.

– Nem que tenham de se aliar com o Eduardo Cunha das contas na Suíça?

– Precisamos respeitar a presunção de inocência do Eduardo Cunha. O que a Dilma fez é muito mais grave. É crime pavoroso e imperdoável. O Brasil não pode conviver com isso.

– Acho que me convenceste. Como ela pôde fazer uma coisas dessas?

– Não sei. Fere mortalmente a Constituição. É crime doloso.

– Que horror! Adiantar dinheiro público para miseráveis.

– Nossa posição é técnica.

– Eu estava achando que era golpe.

– A ideologia cega. Precisamos de racionalidade, isenção e justiça.
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Representar ao MPF contra Cunha é obrigação cidadã como votar. Quem topa?


Aliados de Eduardo Cunha conseguiram afastar o relator do processo contra ele no Conselho de Ética, Fausto Pinato (PRB-SP). A manobra pretende colocar no lugar de Pinato um de três deputados alinhados com o presidente da Câmara. Até que o novo relator seja escolhido, o Conselho de Ética fica paralisado.

Ao mesmo tempo, Cunha conseguiu que o deputado federal Leonardo Picciani (PMDB-RJ), aliado de Dilma, fosse destituído da líderança do PMDB na Câmara.

Com essas manobras, o gangster que preside a Câmara vai construindo sua impunidade enquanto trata de empurrar naquela Casa processo ilegal que visa tirar o mandato de uma mulher de vida limpa, contra quem não existe uma única prova — e nem mesmo uma acusação formal — de ter cometido qualquer ato antiético.

Eis, portanto, a situação que se configura para a nação: um indivíduo contra quem pesam graves acusações, recheadas de provas materiais, pode estar para conseguir tirar o mandato LEGÍTIMO outorgado pelas urnas à presidente Dilma Rousseff enquanto, com uma bofetada no rosto de cada brasileiro, ameça a todos nós de ficar impune.

A cidadania está sendo esbofeteada. A mera hipótese de um criminoso ficar impune enquanto uma pessoa decente é punida constitui humilhação a cada um dos 200 milhões de brasileiros.

A cidadania nos impõe direitos e deveres. Entre os deveres dos cidadãos está, por exemplo, o de votar. É um ato cívico do qual alguns abrem mão, mas que a grande maioria dos brasileiros exerce por considerar uma obrigação. Afinal, os rumos da terra em que nascemos e vivemos é afetada pelos atos daqueles que chegam ao poder pelo voto popular.

Votar, porém, não é o único dever cívico que os cidadãos podem escolher se exercem ou não. A participação no processo político não se encerra com o mero digitar de alguns números na urna eletrônica. A mesma cidadania que nos concede deveres, cobra-nos mais.

O atentado à decência, à verdade, à justiça que Cunha pratica diariamente com um sorriso debochado no rosto exige que cada brasileiro se posicione da mesma forma como faz ao votar. Mas como posso me posicionar efetivamente, de forma a produzir consequências?, perguntará o leitor.

A senha para essa reação da sociedade ao deboche que Cunha nos dedica foi recentemente explicada pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Há cerca de uma semana, quando do acolhimento por Cunha do processo de impeachment da presidente Dilma, o ministro, em entrevista ao UOL, explicou que a defesa do mandato dela se basearia em “3 vertentes”:

1) a tese do “desvio de poder” por parte de Eduardo Cunha;

2) o questionamento do rito processual adotado dentro da Câmara, inclusive no que diz respeito ao direito de defesa;

3) o mérito da ação de impeachment em si (a tese das pedaladas fiscais em 2015).

Dessas três teorias, apenas uma delas diz respeito diretamente à postura dos cidadãos; as outras duas cabem ao partido da presidente e à própria. Refiro-me à tese de “desvio de poder”.

Segundo o ministro da Justiça, “O crime de desvio de poder está na lei que permite ação popular. [lei 4717], Qualquer cidadão pode processar o presidente da Câmara na primeira instância, pois, nesse caso, não há a prerrogativa de foro”.

“Desvio de poder” é um conceito jurídico segundo o qual um governante não pode agir de maneira a desviar suas ações para finalidades que não estão estipuladas em lei. Ao ter reagido ao rompimento consigo anunciado por deputados do PT que anunciaram voto contra si no Conselho de Ética, o presidente da Câmara acolheu o pedido de impeachment não apenas por vingança, mas para desviar as atenções das acusações de que é alvo.

Trocando em miúdos: Cunha usou o cargo para dele se beneficiar.

A cada dia, o infame presidente da Câmara usa e abusa do cargo em benefício próprio. Não atua para aprovação de projetos ou leis, como deveria agir um parlamentar e, sobretudo, o presidente dos parlamentares; atua para se proteger e para se vingar.

A Presidência da Câmara foi transformada em instrumento para as vendettas e os interesses pessoais de um único homem. Ao arrepio da vontade e dos interesses da coletivididade.

Com as manobras desta quarta-feira, Cunha fez com que a Câmara dos Deputados se abstivesse de cumprir seu dever de tirar da Presidência daquela Casa um político contra quem pesam acusações gravíssimas.

Em seguida, o PSol e a Rede Sustentabilidade protocolaram uma representação junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo o afastamento de Cunha da Presidência da Câmara. Contudo, não é suficiente.

Como cidadão, sinto-me em falta com meu país. Conforme explicado pelo ministro da Justiça, eu, Eduardo, e você, leitor, temos a prerrogativa de representar contra Cunha. Diante do mal que ele está promovendo para o país, essa prerrogativa se transforma em obrigação.

Não importa quantas representações serão feitas à Procuradoria pedindo que esta peça à Justiça que tire Cunha daquela cadeira para que pare de usar seu cargo em benefício próprio. Cada uma dessas representações será um ato cívico como o de votar.

Quero ter em minha biografia que não fiquei indiferente ou omisso diante de um indivíduo que, além de roubar este país, ainda debocha dele e usa suas instituições como se fossem sua propriedade e de seus amigos (comparsas) sem ética.

Não sei quantos companheiros e companheiras estarão dispostos a assinar embaixo dessa representação, mas posso garantir a todos que cada cidadão que colocar seu nome embaixo de tal iniciativa estará prestando um serviço inestimável a centenas de milhões de brasileiros.

A “sua” ou a “nossa” representação pode não ser acolhida? Pode, claro. Pode ser alguma outra ou pode não ser nenhuma. A Procuradoria Geral da República ou o Supremo Tribunal Federal podem agir como a Câmara dos

Deputados e faltarem com seus deveres. Isso mudará o fato de que você, ao menos, cumpriu sua obrigação? Claro que não.

Se as instituições falharem, que falhem. Você, como cidadão, levará em sua biografia a honra de não ter se omitido, de não ter deixado de cumprir sua obrigação cidadã tendo condições e meios para fazê-lo.

Quais são os meios? Não é preciso dinheiro nem poder para representar à Procuradoria contra Cunha. Só é preciso vontade.

Nesse aspecto, mais uma vez este blogueiro se propõe a compor a peça jurídica e a postá-la nesta página para que quem quiser possa deixar seu apoio via comentário. Como sempre fiz aqui, para facilitar a representação será assinada só por mim.

Arcarei com a responsabilidade legal pela iniciativa, mas juntarei os nomes de quem a apoiar.

Desse modo, exorto cada pessoa que vier a ler estas palavras a se juntar a mim e a deixar seu nome em cobrança que será feita às autoridades para que tomem uma providência contra esse gangster debochado que está fazendo 200 milhões de brasileiros de palhaços.

Não se omita. Não deixe passar a oportunidade de mostrar aos Poderes Constituídos como age um cidadão de verdade. Se a Câmara dos Deputados não cumpre o seu dever, mostraremos àquela casa como agem homens e mulheres dignos da Cidadania Brasileira. Se o Legislativo é irresponsável, nós não somos.



Eduardo Guimarães
No Blog da Cidadania
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Bia Lula denuncia assédio do Grupo Globo


Bia Lula, neta do ex-presidente Lula fez, em sua página no Facebook, um relato contra o assédio que diz estar sofrendo da repórter Fernanda Krakovics, do Jornal O Globo: "Quero deixar claro que o Grupo Globo não me pauta, e que não vai fazer comigo o que tem feito com minha mãe, desde as eleições de 89, e com os meus tios, diariamente difamados e caluniados pela imprensa golpista"; "Sei me defender, esta prática mesquinha de terrorismo midiático não me mete medo", completa.

Leia na íntegra:
Venho publicamente relatar o que vem acontecendo comigo nos últimos dias, e de tão indignada, resolvi compartilhar com vocês que venho sendo incomodada, da maneira inconveniente e porque não dizer, assediada pela repórter Fernanda Krakovics, do Jornal O Globo.


Quero deixar claro que o Grupo Globo não me pauta, e que não vai fazer comigo o que tem feito com minha mãe, desde as eleições de 89, e com os meus tios, diariamente difamados e caluniados pela imprensa golpista.


Sem contar o que fazem com o maior amor da minha vida e o melhor Presidente que este País já teve, meu avô, Luiz Inácio Lula da Silva. Sim, meu nome é Bia Lula e tenho SIM, o maior orgulho de toda sua trajetória de vida. Meu avô, minha liderança, tirou milhões de brasileiros do mapa da FOME e da MISÉRIA, e milita em nível mundial na erradicação da FOME e da POBREZA.


Mas ok, na verdade, o que incomoda essa gente, é o fato dele ser um retirante nordestino, que sobreviveu à fome, uma liderança que surgiu do chão da fábrica, um verdadeiro BRASILEIRO.


Não me venham com este procedimento baixo e truculento.


Não devo satisfações da minha vida e não devo nada a ninguém, quem deve é o Grupo Globo, que nada mais é que uma concessão pública que subestima e tenta manipular a inteligência do nosso povo


Sei me defender, esta prática mesquinha de terrorismo midiático não me mete medo, se querem conhecer minha militância, ai vai.


#FORAGLOBO
#FORACUNHA
#DILMAFICA
No 247
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Solidariedade ao Página|12


Colegas de Página 12

Desde Brasil, el Portal Desacato.info, a través de su Dirección Editorial en la persona de la periodista, Tali Feld Gleiser, y la presidenta de nuestra Cooperativa Socialista de Comunicación, Rosângela Bion de Assis, se solidariza con ustedes ante el ataque que han sufrido.

Del mismo modo, el coordinador del Centro de Estudios de Media Alternativa, Barão de Itararé/SC, periodista José Carlos Ferreira, y el Coordinador Jurídico de la Associação Brasileña de Radios Comunitarias/SC, abogado, João Carlos Santín, hacen llegar su solidaridad a los colegas de Página 12, en la persona de su Director, Hugo Soriani.

La Patria Grande sufre momentos difíciles para la Libertad de Expresión ante el odio brutal de clase que nuevamente ocupa los espacios de dirección de nuestras naciones.

Les enviamos nuestra fraternidad y nos colocamos à disposición para reproducir en portugués, todo lo que ustedes publiquen en beneficio de la verdad sobre este infame ataque que han vienen sufriendo.

Atentamente,

Raul Fitipaldi, Jornalista y editor del Portal Desacato.info

Brasil, dia 10 de diciembre de 2016.
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Felação premiada

Se o Temer assumir a presidência da República, certamente escolherá como seu ministro da Fazenda um nome que sinalizará para o mercado e para o público uma mudança na política econômica do País, de acordo com o receituário neoliberal de austeridade e responsabilidade fiscal com o sacrifício de programas sociais, e... Espera um pouquinho. Há algo de errado neste começo. Onde é que eu estou com a cabeça? A mudança na política econômica do País já aconteceu. O receituário neoliberal já foi adotado. Pela Dilma! Seguindo a lógica — o que é sempre temerário, sem trocadilho, no Brasil —, Temer, na presidência, restauraria a política do PT abandonada pela Dilma. Seu ministro da Fazenda seria algum anti-Levy. E as multidões que pedem a queda da Dilma nas ruas estariam, indiretamente e sem se darem conta, pedindo a volta do Mantega.

Também é difícil entender como a carta lamurienta que o Temer mandou para a Dilma foi parar nos jornais. Suspeita-se que seja obra do japonês bonzinho, aquele agente da Polícia Federal responsável — especula-se — pelo vazamento de trechos escolhidos das delações premiadas para a imprensa. O japonês bonzinho teria expandido seu campo de ação e contaria com comparsas dentro do próprio Planalto. Ele teria lido a carta do Temer antes mesmo da própria Dilma, e escolhido para quem mandar cópias.

Enquanto isto, o Eduardo Cunha consegue protelar o próprio julgamento pela comissão de ética do Congresso. Quando estourou o escândalo do presidente americano Bill Clinton e a estagiária que fazia hora extra, entre outras coisas, no seu gabinete, Clinton jurou que não tinha tido relações sexuais com a moça. A partir daí, a questão passou a ser se, tecnicamente, felação era um ato sexual ou não. Durante semanas, a nação se entregou à discussão sobre a natureza da felação e o exato significado, à luz da semântica, da anatomia e até da filosofia, de “relações sexuais”. No fim, Clinton conseguiu não ser ‘impixado’, ficou até o fim do seu mandato e hoje faz palestras. A estagiária não faz palestras.

Uma discussão parecida com a que retardou o julgamento de Clinton tem ajudado o Cunha. Ele alega que o dinheiro que ele e a mulher têm na Suíça não está, tecnicamente, em contas, mas em fundos. Assim, ele não mentiu quando declarou que não tinha conta na Suíça.

Não se sabe como tudo isso vai acabar. De qualquer maneira, olho no japonês bonzinho!

Luís Fernando Veríssimo
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Eduardo Cunha no Planalto

A responsabilidade é em tudo idêntica: também Michel Temer liberou verbas pela modalidade das ditas "pedaladas fiscais", que os advogados Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaina Paschoal invocaram para a proposta de impeachment de Dilma — e, sem o saber, puseram o vice-presidente sob a mesma ameaça que quiseram criar para a presidente. Logo, se as tais "pedaladas" forem motivo para destituir Dilma, o mesmo destino estará aberto a Temer. E o presidente da Câmara será o seguinte, na hierarquia constitucional das sucessões, a receber a Presidência da República. Você já sabe um pouco de quem se trata.

As "pedaladas" do vice, reveladas pelo jornal "O Estado de S. Paulo" anteontem, têm três agravantes que negam a alegada ingenuidade de Temer ao assinar os créditos suplementares. São pelo menos sete atos, não um ato ocasional. O montante não é coisa que um presidente, apesar de interino, devesse assinar sem noção do que faria: R$ 10,8 bilhões. Se "pedaladas" deste ano agravam para Dilma, também o fazem para Temer, que as assinou em 2014 e 2015.

Vê-se que Temer, o decorativo, não o é na medida em que diz. O que não impediria seu sentimento de suscitar em Dilma "absoluta desconfiança". Se assim foi "sempre", como diz sua carta à presidente, autoriza uma pergunta e uma dedução: por que, então, candidatou-se à reeleição de vice de Dilma e se mostrou um candidato tão empolgado? Inclusive na posse, em que se fez acompanhar do seu lado de fato decorativo. Ou foi um candidato hipócrita ou é inverdadeiro agora. Duas hipóteses que recomendam economia de confiança.

Agora mesmo, como presidente do PMDB, Michel Temer tem óbvia conivência com as atitudes do seu subordinado partidário que, também com contribuição sua, detém a presidência da Câmara. Temer, o fisiológico, que só se mostrou interessado em cargos — seu método também quando "coordenador político" do governo —, não é isento de responsabilidade na criação e no prolongamento da crise política que agrava a crise econômica. E desmoraliza mais o país.

Sem uma só palavra do presidente do PMDB contra a degradação da Câmara e da Constituição, o Conselho de Ética fez nesta quarta (9) a sexta tentativa de decidir entre aceitação ou recusa de "investigação" sobre Eduardo Cunha, o imperador da Câmara. Na manhã desta quinta (10) fará a sétima, se sua alteza não a impedir. Na sessão suspensa com intervenção da Mesa Diretora da Câmara, sob chefia do próprio personagem a ser avaliado, estreou o novo líder do PMDB. O anterior foi destituído, com a conivência do presidente peemedebista Michel Temer, por cumprir o regimento e indicar, como é próprio dos líderes, os nomes do PMDB na comissão de 65 que sugerirá ou recusará o processo de impeachment.

A inexperiência do (ex) líder Leonardo Picciani foi onerosa não só para ele. Ao escolher oito prováveis votantes contra o impeachment, desagradou a outra banda do partido. Ao fazer as indicações com antecedência, ainda na semana passada, deu tempo a Eduardo Cunha, e outros, de transformar o desagrado em rebelião da bancada e desordem geral. Mas houve também um resultado positivo.

A baderna regimental, física e ética do que seria uma votação na Câmara foi levada ao Supremo Tribunal Federal, em busca ao menos de alguma compostura jurídica e constitucional nos procedimentos e decisões dos deputados. Ainda não deu para saber se as marés do Supremo também dependem da Lua, da fartura dos lanches na Casa, ou da concepção ideológica de cada magistrado. O fato é que não se sabe quanto o STF derrubará ou manterá das vigarices na Câmara contra o regimento e contra a Constituição, em torno do impeachment e da cassação de Eduardo Cunha.

Bem, se você pensa na hipótese de que a Lava Jato, se pegou um senador, pegue Eduardo Cunha antes que chegasse à Presidência: é possível. Mas vale lembrar que Delcídio do Amaral não é do PMDB do vice. E tinha relações com Lula, o que é sempre perigoso no Brasil atual.

Janio de Freitas
No fAlha
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Bloqueio digital à liberdade de expressão



Durante seis dias consecutivos, a versão digital de Página/12 sofreu um ataque informático que impediu aos leitores acessar as notícias e opiniões publicadas. “Tal bloqueio informativo constitui um dos maiores ataques à liberdade de expressão sofrido por um meio nacional nos últimos anos”, expressou este jornal mediante comunicado. Advogados de Página/12 se comunicaram ontem com a Procuração Geral da Nação, que iniciou uma investigação preliminar por meio da Unidade Fiscal Especializada em Ciberdelinquência (Ufeci) a cargo do fiscal federal Horácio Azzolín.

Vários funcionários do governo nacional se comunicaram com a empresa para ficar a disposição e arbitrar os meios necessários para investigar o acontecido. Por outro lado, tanto dirigentes políticos como sociais, agrupações jornalísticas e organismos de direitos humanos expressaram sua solidariedade com o jornal.

Os primeiros indícios aconteceram na quinta-feira passada. “Em duas oportunidades o sítio do jornal sofreu ataques informáticos que o fizeram colapsar. Os encarregados do servidor detectaram essa manobra e denunciaram que nunca antes tinham sofrido uma de tal magnitude”, informou este jornal no dia seguinte. A situação repetiu-se durante cinco dias consecutivos.

“Um ataque à liberdade de expressão”, titulou ontem o comunicado. “O principal afetado, obviamente, não é esta empresa editora, porém, o direito à informação dos milhões de leitores em todo o país e no exterior que dia a dia escolhem Página/12 como fonte imprescindível para conhecer e interpretar o que acontece na Argentina e no mundo” advertiu. “As dimensões do ataque e sua sofisticação técnica dificultaram uma resposta rápida. Apesar do que, o jornal e seus fornecedores informáticos estão trabalhando ativamente em mecanismo de mitigação”, assinalou. “Também se colocarão em funcionamento todas as instâncias legais que correspondem para que tal agressão não fique nas sombras”, anunciou.

A 48 horas da assunção do novo governo nacional, o jornal destacou que “não só os leitores de Página/12 e os que o fazem todos os dias merecem ter essa resposta, senão que é um requisito indispensável para que corra risco a saúde e continuidade da cultura democrática que compartem 40 milhões de argentinos”.

“Quinto dia sem Página/12 web por hackeio. Coincidência. Rompamos a censura compartindo imagens do jornal impresso”, escreveu na sua conta de Twitter o socialista Jorge Rivas. Por essa mesma rede social se pronunciou Leopoldo Moreau: “Nossa solidariedade com Página/12 que faz 5 dias sofre ataques informáticos que lhe impedem publicar normalmente sua edição digital”.
A agrupação Comunicadores da Argentina (Comuna) expressou sua “profunda preocupação pelos reiterados ataques ao sítio do jornal Página/12” e advertiu que se produzem “em meio de um clima hostil à liberdade de expressão, evidenciado pelo anúncio de não cumprimento da Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual” por parte do eleito presidente Maurício Macri e colaboradores seus designados como ministros. “Da mesma forma, estes personagens macristas ameaçaram reiteradamente com silenciar jornalistas e espaços de informação e opinião pelo único motivo de não resultar do agrado da força política que se prepara para assumir o governo nacional, concluíram desde a Comuna.

O Sibrepa, além de repudiar o episódio e solidarizar-se com os trabalhadores do jornal, chamou a atenção “sobre o silêncio dos grandes meios de comunicação que, nos últimos anos, manifestaram reiteradamente sua enorme preocupação “pela liberdade de expressão”.

Versão em português: Raul Fitipaldi, de América Latina Palavra Viva, para Desacato.info

Fonte: http://www.pagina12.com.ar/diario/ultimas/20-287882-2015-12-09.htm
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