6 de dez de 2015

Para justificar o golpe, Aécio evoca a instabilidade que ele mesmo cria

Demagogo e golpista
Aécio é uma pândega.

Ele fala coisas que nada têm a ver com o que ele próprio faz.

Na campanha, como um papagaio passou a usar a palavra “meritocracia”. Ora, Aécio jamais praticou a meritocracia. Encheu o governo de Minas de parentes, amigos e assemelhados. A eminência parda de suas gestões foi, meritocraticamente, sua Andrea, aquela que dava dinheiro público de publicidade oficial para a mídia amiga e sufocava à míngua a mídia independente.

Sua própria trajetória é a negação da meritocracia: Aécio ganhou tudo de bandeja — de empregos a votos — por ser integrante de uma oligarquia mineira.

Bem, fiel a sua tradição de falar coisas absurdas, ele agora declarou, em tom acusatório e olhando para Dilma, que há muita instabilidade no Brasil.

Ora, ora, ora.

O nome da instabilidade é Aécio. Ele vem promovendo acintosamente instabilidade no país desde que saíram os resultados da eleição em que ele foi derrotado.

Aécio esteve à frente de todas as manobras sujas para contestar o desejo do povo expresso nas urnas. Ele já começou renegando os números e exigindo recontagem.

Quer dizer: os votos que elegeram Alckmin eram limpos, mas os que deram um segundo mandato a Dilma eram sujos.

Daí para a frente, Aécio não parou mais de estimular instabilidade pelo país. O terceiro turno se tornou uma obsessão sua, uma coisa mesquinha, patológica, alimentada pelos coronéis da mídia e abençoada por FHC.

Se Aécio fizer um exercício reflexivo sobre quais foram suas atividades no ano que se encerra, uma linha será suficiente. Ele fez um terceiro turno.

Nem a direita venezuelana, um exemplo mundial de predação e exclusão, chegou aos extremos de Aécio, FHC e cúmplices.

Aécio e FHC, somados e misturados, viraram um Frankstein que você pode batizar de Carlos Lacerda.

Lacerda passou a vida destruindo democracias e votos dos brasileiros. Recebeu a merecida resposta do destino depois do golpe militar pelo qual ele tanto se bateu. Ele queria que os militares derrubassem Jango e lhe dessem de bandeja a presidência.

Terminou cassado, e morreu do amargor de ver o colapso de seus planos sórdidos. Passou para a história como um corvo, como um conspirador impenitente, como um inimigo do povo e de suas escolhas.

Getúlio Vargas, para cujo suicídio ele tanto contribuiu, é uma figura de extraordinário relevo na história nacional. É merecidamente reconhecido como o presidente que construiu um Brasil novo, no qual greves, sindicatos e questões sociais já não eram mais “caso de polícia”, para usar a infame expressão de um antecessor de GV.

Aécio receberá da história a justa resposta. Será lembrado como um golpista, um demagogo que fala em democracia ao mesmo tempo que a sabota de todas as maneiras possíveis.

Aécio usar a palavra instabilidade para promover sua causa suja é o mesmo que Nero apontar para as chamas de Roma e bradar contra o incêndio.

Como Lacerda, e como Nero, o lugar de Aécio — e de seus comparsas como FHC — já está garantido no panteão dos inimigos da democracia.

Estivéssemos em 1964, ele estaria rastejando de quartel em quartel — as vivandeiras dos bivaques como celebrememente se referiu o general Castelo Branco aos civis que pediam aos generais que depusessem Jango.

Aécio não é mais nem menos que isso: uma vivandeira modelo 2015.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Sistema eleitoral da Venezuela não permite fraude


A Venezuela tem seus problemas, como qualquer país do mundo. Sua economia não está em boas condições e há altos índices de insegurança nos centros urbanos. Uma área onde a Venezuela supera os demais países democráticos do mundo é seu processo eleitoral e os níveis de participação no âmbito político do país.

Classificado como “o melhor processo eleitoral do mundo” por Jimmy Carter, cujo Centro Carter observou mais de 100 processos eleitorais a nível internacional, o sistema na Venezuela está blindado.

O processo de votação na Venezuela tem proteção tripla contra a fraude. Primeiro, cada eleitor apresenta seu registro de identificação com seu número de identidade, foto e impressão digital que estão registrados e verificados em uma base de dados do Centro Nacional Eleitoral (CNE). Segundo, o eleitor vai para a máquina eletrônica e seleciona suas opções na tela. Seu voto é registrado imediatamente no sistema eleitoral. E por último, a máquina produz um recibo de papel com a decisão do eleitor para sua verificação, que depois é depositado em uma urna. Após isso, para impedir a possibilidade de uma nova votação, um dedo do eleitor é coberto com tinta indelével.

Em nenhuma parte desse processo a identidade do eleitor é relacionada com sua decisão eleitoral. O voto é completamente secreto e está protegido pelo sistema eleitoral venezuelano. No total, são menos de dois minutos para realizar todos esses passos. Quando fecham as mesas eleitorais, depois que todas as pessoas da fila tenham votado, automaticamente 54% das máquinas são submetidas a uma auditoria com testemunhas de todos os partidos políticos. Esta auditoria é comparada com os recibos de papel nas urnas.

Levando em conta este nível de segurança do processo eleitoral venezuelano, as críticas do governo dos EUA, da OEA e da mídia internacional colocando em dúvida a credibilidade das eleições na Venezuela são absurdas. Os Estados Unidos têm um dos piores sistemas eleitorais do mundo. Nem sequer leva-se em conta o voto de cada cidadão, e não existe um sistema uniforme, automatizado ou protegido. Basta preciso recordar a vergonha da primeira eleição de George W. Bush contra Al Gore em 2000 para se ter um exemplo de fraude massiva em um processo eleitoral estadunidense. E nos EUA é proibida qualquer observação internacional do processo eleitoral, algo que Washington de maneira hipócrita exige da Venezuela.

Neste dia 6 de dezembro centenas de acompanhantes internacionais observam o processo eleitoral na Venezuela, ao contrário do que disseram alguns meios de comunicação. Uma delegação da Unasul, liderada pelo ex-presidente da República Dominicana Leonel Fernández está em pelo menos 11 estados do país como testemunha do processo de votação. Entre outras figuras e especialistas internacionais, o ex-presidente da Espanha José Luis Rodríguez Zapatero também está acompanhando o processo eleitoral.

Porta-vozes da oposição na Venezuela têm antecipado sua vitória sobre o oficialismo, inclusive declarando que em caso contrário seria uma fraude. A democracia não funciona somente quando se é vitorioso, é também para os perdedores. A oposição na Venezuela tem uma história de cantar fraude quando perde, e quando acha que não tem chances de ganhar chama à abstenção.

Desta vez, as pesquisas indicam um resultado bastante apertado. A maioria, até agora, tem favorecido a oposição. Só é preciso lembrar algumas pesquisas realizadas por empresas como a estadunidense Penn, Schoen e Berland, que em 2004 apontava para uma vitória opositora por 20 pontos no referendo revogatório contra Chávez, ou que em 2006 dizia que a diferença entre Chávez e Manuel Rosales era de apenas 2 pontos. Em 2004 Chávez saiu vitorioso por 59% a 41%, e em 2006 ganhou por 62,8% a 36,9%. As pesquisas, como qualquer analista político sabe, não são sempre de confiança.

Não pretendo especular sobre o resultado eleitoral deste domingo. São as eleições mais difíceis que o chavismo enfrentou em 15 anos. Não obstante, pensar que a existência e a sobrevivência do projeto bolivariano depende apenas da presença física de Hugo Chávez junto a um barril de petróleo acima de cem dólares seria uma errada conclusão.

A Venezuela tem vivido uma profunda transformação durante os últimos 15 anos. Não só houve mudanças no modelo socioeconômico, mas também na maneira de fazer política. A maior conquista do chavismo não foi a extraordinária redução da pobreza e a garantia dos serviços sociais, mas o despertar de uma consciência coletiva que reconhece o valor de cada ser humano. A consciência e a dignidade não dependem do petróleo nem podem ser vendidas ou compradas.

Eva Golinger
No Desacato
Leia Mais ►

Os “líderes” de João Dória estão presos

Na caça dos votos tucanos para viabilizar a sua candidatura à prefeitura de São Paulo, o empresário-picareta João Dória ainda não teve tempo para visitar os seus heróis — e talvez financiadores da sua campanha — na cadeia. Segundo o site do Grupo Lide, entidade que congrega e bajula os principais ricaços do país, o banqueiro André Esteves, em 2013, e o empreiteiro Marcelo Odebrecht, em 2012, foram agraciados com o prêmio “Líderes do Brasil”. Será que nas eleições do próximo ano, caso consiga seduzir os convencionais do PSDB, o elitista João Dória exibirá nos programas eleitorais de rádio e tevê as festanças destas premiações em pleno Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo?



Como se sabe, os dois “Líderes do Brasil” estão presos, acusados de corrupção pela midiática Operação Lava-Jato. Já o oportunista João Dória segue fazendo discursos hipócritas pela “ética na política”, conclamando seus seguidores a participarem das marchas golpistas que rosnam pelo impeachment de Dilma e pela volta dos militares ao poder. Criador do fracassado movimento “Cansei”, que reuniu a nata — ou esgoto — da elite e algumas celebridades midiáticas, o empresário-picareta sempre bajulou os ricaços. Como medíocre apresentador de TV, na Band, ele também pratica esse puxa-saquismo rastaquera.

A próxima premiação do “Líderes do Brasil” ocorrerá nesta segunda-feira (7), também no Palácio dos Bandeirantes. Recentemente, o Grupo Lide montou um palanque para o correntista suíço Eduardo Cunha, ainda presidente da Câmara Federal. Neste momento de dificuldade, em que teme ser cassado e até preso, bem que ele poderia receber o agrado das mãos do "ético" João Dória. A premiação serviria de apoio à ação golpista de Eduardo Cunha, que abriu o processo de impeachment de Dilma. É certo que não daria para usar como peça de campanha na programa de rádio e tevê em 2016. Os outros dois amigos presos, o banqueiro e o empreiteiro corruptos, também sumirão das telinhas!

Altamiro Borges
Leia Mais ►

Banda podre da política quer golpe contra Dilma


Além da força dos negócios na área do petróleo, cristalizada no projeto de lei do senador José Serra, uma das coisas que está por trás da movimentação da oposição, que tem à frente Eduardo Cunha como a mais bem acabada expressão da banda podre da política brasileira, é a ira latente pelo fim da política de Estado de combate à corrupção.

A oposição e Eduardo Cunha não estão aguentando ver os destroços da estrutura da corrupção endêmica que sempre dominou a política brasileira.

Eles não estão suportando olhar para o horizonte e ver o deserto em que está se transformando o cenário político sem os esquemas de financiamento de campanhas eleitorais e de domínio do poder econômico sobe a política.

Eduardo Cunha foi eleito presidente da Câmara dos Deputados com os votos da oposição, que optou por abandonar o candidato dela, Deputado Júlio Delgado, para derrotar o candidato, Arlindo Chinaglia.

Em seguida se juntou com Aécio Neves para o golpe, rompeu com o governo em 16 de julho deste ano, jurou de morte o governo, por ter sido flagrado na Operação Lava-Jato, e disse que faria uma tempestade na vida da Presidenta Dilma.

Eduardo Cunha, em conluio com a oposição, conseguiu aprovar na Câmara, depois de atropelar o Regimento, o financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas, na lei da Reforma Política.

Dilma vetou.

Eles intensificaram as ameaças de impeachment.

Naquele momento, o Supremo Tribunal Federal também havia decidido pela inconstitucionalidade do financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas.

O ministro Gilmar Mendes, que costuma atuar na mesma linha política da oposição, finalmente devolvera o processo, o qual ele havia pedido vista e engavetado, mesmo tendo o STF decidido pela inconstitucionalidade por seis votos a um.

Em seguida o ministro do Tribunal de Contas da União, Augusto Nardes, produziu o tal parecer das tais ” pedaladas fiscais”,  que mais parece uma peça de ficção, com intenções claras de  dar à oposição e a Eduardo Cunha um instrumento para articular o impeachment da Presidenta Dilma.

Augusto Nardes está sendo investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Federal por suspeita de ter embolsado R$ 1,65 milhões, segundo a Operação Pelotes.

O que Eduardo Cunha e a banda podre da política querem é desmontar a política de Estado criada pelo Presidente Lula e continuada pela Presidenta Dilma, de combate à corrupção, que está implodindo as bases da estrutura de corrupção no Brasil, levando grandes empresários, banqueiros e políticos inescrupulosos à prisão.

Querem voltar ao que era antes. Consta, por exemplo, nos arquivos do judiciário e do Ministério Público, que durante os dois mandatos do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso foram arquivadas 217 investigações e engavetadas outras 242, envolvendo 194 deputados, 33 senadores, 11 ministros, e quatro contra o próprio ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso.

O “Mensalão Mineiro”, o escândalo do Metrô de São Paulo, e muitos outros, dormem nos órgãos de fiscalização e controle e no judiciário.

Uma oposição que quer esconder seu passado, assim como escondeu os escândalos dos seus governantes, quando nomeava para cargos dos órgãos de fiscalização e controle do país pessoas para bloquear as iniciativas de investigação dos desmandos contra o Estado.

cunha-e-sampaio-600x399

Uma oposição hipócrita, que tenta se apropriar da bandeira da ética e do combate à corrupção, juntamente com a imprensa que serve a ela, com discursos e práticas trapaceiras de manipulação da opinião pública.

A corrupção não é um mal brasileiro, não foi inventada pelo PT, como quer a oposição e a mídia que serve a ela, impingir à sociedade brasileira. Mas um problema mundial que precisa ser enfrentado com política de Estado.

O último relatório do Parlamento Europeu sobre corrupção, por exemplo, informa que os desvios, as propinas, na União Europeia, em 2013, atingiram a cifra de 120 bilhões de Euros.

A diferença está no compromisso de combatê-la ou não.

O combate à corrupção e aos desmandos seculares tornou-se uma política de Estado a partir dos governos do ex-Prersidente Lula e da Presidenta Dilma.

A Presidenta Dilma sentenciou no discurso de posse do seu segundo mandato, referindo-se às investigações da “Operação Lava-Jato”:

“Nosso país não pode manter a impunidade daqueles que cometem atos de corrupção.”

“Não vou deixar pedra sobre pedra”. “O Brasil mudará para sempre”.

É o que estamos vendo. Os órgãos de fiscalização e controle estão atuando com absoluta autonomia e com todo apoio necessário para realização das investigações.

Mas, parece que esse compromisso não está sendo correspondido com a absoluta isenção, por parte de agentes públicos dos órgãos responsáveis pelo trabalho de investigação e pelos processos de julgamento.

Nem todas as autoridades envolvidas no combate à corrupção estão à altura do que requer as instituições da República numa sociedade democrática. Até por que, a democracia no Brasil não passa de lampejos históricos.

Alguns agentes públicos, talvez no afã de combater a corrupção, outros, tomados pela disputa política, segundo juristas e instituições da sociedade civil, estão negligenciando garantias legais dos cidadãos e infrigindo leis e direitos constitucionais consagrados pelo Estado democrático de direito.

Os governos Lula e Dilma enfrentaram e enfrentam a corrupção como nenhum outro governo republicano no Brasil.

A partir de 2003, no âmbito da União, foi fortalecido o sistema institucional de defesa do Estado, responsável pela prevenção e pelo combate à corrupção.

Naquele mesmo ano foi sancionada a Lei que criou a Controladoria-Geral da União (CGU), órgão que coordena o sistema de fiscalização e controle da República.

O então Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, por meio de leis, decretos e portarias, promoveu a reestruturação da Polícia Federal, criou o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, a Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro, e a Reforma do Judiciário.

Em 2004, foi criado o Portal da Transparência; em 2005, regulamentado o pregão eletrônico; e em 2008, criado o Cadastro de Empresas Inidôneas (CEIS).

Em 2009, foi sancionada a Lei da Transparência, que determina a disponibilização, em tempo real, de todas as informações sobre a execução orçamentária e financeira da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Antes, uma caixa-preta.

Em 2012 foi aprovada a Lei de Acesso à Informação.

Todas essas normas jurídicas consolidam a transparência do exercício da função pública e o controle social da gestão dos recursos públicos e dos atos governamentais.

Em setembro de 2013, na reunião de chefes de Estado, na ONU, na presença da Presidenta Dilma, o presidente Barack Obama apresentou o Brasil como referência de governo transparente, para o mundo.

Todos os órgãos de fiscalização e controle tiveram seu corpo funcional ampliado e qualificado por meio da realização de concursos públicos, capacitação, dotação de recursos financeiros e tecnológicos modernos para dar suporte às atividades dos agentes públicos.

O orçamento da Polícia Federal, por exemplo, teve um aumento de R$ 2,9 bilhões, mais que duplicou o efetivo de agentes, assim como mais que duplicou o orçamento do Ministério Público, que, por sua vez, realizou concursos, capacitou funcionários e afirmou sua autonomia.

Em 2013, a Presidenta Dilma sancionou a lei que define a figura do corruptor e responsabiliza pessoas jurídicas por atos contra a administração pública.

Essa lei é que está possibilitando ao Ministério Público, à Polícia Federal e ao Judiciário irem fundo nas investigações contra a corrupção.

Com base nela, estão sendo levados à prisão empresários, empreiteiros e banqueiros, que sempre agiram nas sombras da corrupção sem que a polícia e a justiça pudessem alcançá-los.

Com esse conjunto de medidas, consolidadas numa Política de Estado, incontestavelmente, os governos Lula e Dilma entram para a história como os que mais fizeram pelo combate à corrupção no Brasil.

Com o fim do financiamento empresarial de campanhas eleitorais, raiz da corrupção, abre-se a possibilidade de melhoria da representação política, e, quem sabe, atrair pessoas ilibadas, altamente qualificadas, lideranças populares, que honrem e elevem o nível da representação política no país.

O que a sociedade brasileira precisa fazer nesse momento é impedir o golpe da oposição corrupta, obscurantista, e avançar.

Organizar Comitês de Defesa da Democracia a fim de aglutinar as forças políticas comprometidas com o desenvolvimento sustentável e inclusão social para avançar na afirmação de direitos e na consolidação da democracia e não permitir o retrocesso.

O Brasil precisa organizar um movimento nacional como foi a campanha Diretas Já, com as organizações do movimento social, partidos políticos, artistas e intelectuais, governadores, prefeitos e representações políticas comprometidos com a democracia.

Laurez Cerqueira
Leia Mais ►

Eduardo Cunha recebe homenagens



Leia Mais ►

Impeachment não é para luta política, diz autor de pedido contra Collor

O jurista Marcello Lavenère, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que assinou o pedido de impeachment do ex-presidente Fernando Collor, criticou, em entrevista ao jornal “Folha de S. Paulo” publicada neste domingo (6), as investidas da oposição contra a presidenta Dilma Rousseff.

Hoje fala-se em medo de que o processo de impeachment paralise o país. Havia o mesmo sentimento em 1992?

Marcello Lavenère - Talvez em 1992 esse medo fosse menor porque a economia não passava pela mesma dificuldade que passa agora. Não é que estivesse nadando em um mar de rosas, mas não havia essa crise mais aguda que nós estamos vivendo, após 12 anos de estabilidade.

Isso aumenta as chances de o pedido atual seguir?

A presidente Dilma tem o direito de dizer que essa não é uma crise causada por um comportamento irregular dela. No caso do Collor, o próprio presidente da República era o acusado de praticar coisas ilícitas. O Congresso criou uma CPI, Collor teve amplo direito de defesa. No fim, foi feito um relatório, aprovado por unanimidade, apontando que o presidente cometeu ilícitos. Ninguém pediu impeachment antes do fim da CPI.

Como o sr. entrou no processo?

Recebi uma visita dos senadores Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Pedro Simon (PMDB), e dos deputados Vivaldo Barbosa (PDT) e Aldo Rabelo (PC do B). Pediram que eu assinasse o impeachment. Simon disse que, vindo deles, seria visto como disputa política. O Conselho Federal da Ordem autorizou.

Collor renunciou pouco antes do fim do processo. Pegou vocês de surpresa?

Na manhã do último dia do julgamento, a sessão abriu, e o advogado do Collor apresentou a renúncia. O vice-presidente, Itamar Franco, foi empossado. Criou-se uma indagação: agora que temos um novo presidente, o processo vai terminar? O processo continuou por causa da pena secundária, de inelegibilidade por oito anos.

E por que o sr. acredita que a situação é diferente hoje?

Há posição pré-estabelecida contra a Dilma antes de qualquer julgamento. Em janeiro, quando ela tinha 15 dias de governo, o PSDB pediu um parecer ao jurista Ives Gandra Martins. Não era possível que com 15 dias de governo já houvesse a presidente da República cometido tamanhos desvarios que já justificassem o impedimento. O impeachment não é para luta política. O que ela fez? Roubou? Recebeu propina? Recebeu vantagem ilícita? Perdeu o decoro do cargo? Cometeu algum dos ilícitos que estão contidos na Constituição e na Lei do Impeachment? Não. Vamos arrumar uma desculpa aqui: pedalada fiscal.

E a edição de decretos para aumentar o orçamento?

Nesta semana o Congresso mudou a meta fiscal e, com isso, excluiu qualquer alusão a pedalada neste ano. O argumento de que houve manobra em 2015 desaparece. Resta a acusação do ano passado. Mas, pela doutrina do STF e pelo direito constitucional, o fato de outro mandato não compromete o atual.

O sr. não acredita que isso poderia ser revisto?

O instituto do impeachment não é de uso frequente. O princípio é: os atos irregulares cometidos por alguém que tenha um mandato podem acarretar a perda desse mandato. Se a Dilma tiver roubado em 2014, matado, cometido toda a sorte de crimes, ela pode responder penalmente, pode ficar inelegível. Mas o mandato que ela tem agora não é contaminado.

Com a crise política, o impeachment pode acontecer?

Eu poderia dizer que tudo pode acontecer. Mas imagino que vá ser improvável. Não estou preocupado em defender o mandato da Dilma. O que me preocupa é a regularidade e o respeito às instituição republicanas, à democracia e ao futuro do país.
Leia Mais ►

A imolação de Cunha

Ao tentar queimar Dilma Rousseff, o presidente da Câmara, ainda em exercício, ateou fogo às suas vestes

Este senhor se ilude, o impeachment não vai dar certo
Não foi por qualquer razão de natureza técnica. Ao contrário. A decisão tomada por Eduardo Cunha, presidente da Câmara de Deputados, de acolher o pedido de impeachment de Dilma foi, acima de tudo, um ato de desespero.

Este é o fator preponderante de um movimento, muito além de mero jogo político, temperado pelo sentimento de vingança. Cunha jogou a toalha. Um gesto simbólico de desespero.

Ele confiava desconfiando no acordo com feitio de chantagem imposto por ele ao Partido dos Trabalhadores. Esperava contar com os votos de três angustiados deputados petistas, integrantes do Conselho de Ética.

Nota distribuída pelo presidente do PT, Rui Falcão, anunciou o afastamento de Cunha. O partido juntou os cacos e uniu-se contra a maldita aliança que provocava engulhos. Com isso, perdeu a maioria no Conselho de Ética. A suposta barganha foi para o espaço. Cunha reagiu.

Sem a maioria no Conselho de Ética, ele será empurrado em direção ao cadafalso na Câmara que preside. Vai responder à denúncia de ter mentido a seus pares quando garantiu não ter contas no exterior, conforme a denúncia contra ele encaminhada pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal. Os argumentos apresentados por Cunha são frágeis. Risíveis até. Ele está sem saída.

Meses atrás, ao anunciar seu rompimento com Dilma, ele prometeu “incendiar” o governo. Isso porque julgava que Dilma pudesse interferir nas ações do Ministério Público Federal ou mesmo nas ações da Polícia Federal. Se quisesse, não deveria.

Cunha, no centro da crise política, foi mais longe. Com apoio da oposição, notadamente o PSDB, atrapalhou bastante, e ainda atrapalha, a administração de Dilma. Ele contribuiu efetivamente para a desmontagem da base do governo no Congresso.

Ao perder o apoio envergonhado do PT, voltou ao ninho tucano. Estimulado, fez o que os adversários do governo pretendiam. Mas não terá o apoio necessário para evitar a reação interna. Para tentar queimar Dilma ateou fogo às vestes. Agora arde sozinho. Será que os tucanos vão blindá-lo?

O golpe, em formato de impeachment, dificilmente será bem-sucedido.

Os números governam o processo se ele seguir o curso. Uma comissão especial com 66 titulares, representação proporcional ao tamanho das bancadas. Se não cair nesta fase, será discutido e votado pelo plenário da Câmara. O processo de impeachment, para ser aberto, precisará alcançar dois terços da Câmara. Ou seja, 342 deputados.

No Senado a aprovação será ainda mais difícil. A maioria necessária para aprovação é de dois terços. Nesse caso, 54 senadores dos 81 existentes. A oposição, ciente disso, vai promover com os meios que tiver e a influência nos meios de comunicação os movimentos ditos “espontâneos”. Essa é outra história.

Mas o curso do destino de Eduardo Cunha está traçado. Será desonroso. Voltará mais cedo para casa. Talvez antes passe pela cadeia.

Maurício Dias
No CartaCapital
Leia Mais ►

O dia da infâmia


Indignado, o polido deputado Tancredo Neves surpreendeu o plenário aos gritos de "Canalha! Canalha!".

No crepúsculo deste 2 de dezembro, um patético descendente dos golpistas de 64 deu início ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

A natureza do golpe é a mesma, embora os interesses, no caso os do deputado Eduardo Cunha, sejam ainda mais torpes. E no mesmo plenário onde antes o avô enfrentara o usurpador, o senador Aécio Neves celebrou com os golpistas este segundo Dia da Infâmia.

Jamais imaginei que pudéssemos chegar à lama em que o gangsterismo de uns e o oportunismo de outros mergulharam o país. O Brasil passou um ano emparedado entre a chantagem de Eduardo Cunha — que abusa do cargo para escapar ao julgamento de seus delitos — e a hipocrisia da oposição, que vem namorando o golpe desde que perdeu as eleições presidenciais para o PT, pela quarta vez consecutiva.

Pediram uma ridícula recontagem de votos; entraram com ações para anular a eleição; ocuparam os meios de comunicação para divulgar delações inexistentes; compraram pareceres no balcão de juristas de ocasião e, escondidos atrás de siglas desconhecidas, botaram seus exércitos nas ruas, sempre magnificados nas contas da imprensa.

Nada conseguiram, a não ser tumultuar a vida política e agravar irresponsavelmente a situação da economia, sabotando o país com suas pautas-bomba.

Nada conseguiram por duas singelas razões: Dilma é uma mulher honesta e o povo sabe que, mesmo com todos os problemas, a oposição foi incapaz de apresentar um projeto de país alternativo aos avanços dos governos Lula e Dilma.

Aos inconformados com as urnas restou o comparsa que eles plantaram na presidência da Câmara — como se sabe, o PSDB, o DEM e o PPS votaram em Eduardo Cunha contra o candidato do PT, Arlindo Chinaglia. Dono de "capivara" policial mais extensa que a biografia, Cunha disparou a arma colocada em suas mãos por Hélio Bicudo.

O triste de tudo isso é saber que o ódio de Bicudo ao PT não vem de divergências políticas e ideológicas, mas por ter-lhe escapado das mãos uma sinecura — ou, como ele declarou aos jornais, "um alto cargo, provavelmente fora do país".

Dilma não será processada por ter roubado, desviado, mentido, acobertado ou ameaçado. Será processada porque tomou decisões para manter em dia pagamentos de compromissos sociais, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida.

O TCU viu crimes nessas decisões, embora não os visse em atos semelhantes de outros governos. Mas é o relator das contas do governo, o ministro Augusto Nardes, e não Dilma, que é investigado na Operação Zelotes, junto com o sobrinho. E é o presidente do TCU, Aroldo Cedraz, e não Dilma, que é citado na Lava Jato, junto com o filho. Todos suspeitos de tráfico de influência. Provoca náusea, mas não surpreende.

"Claras las cosas, oscuro el chocolate", dizem os portenhos. Agora a linha divisória está clara. Vamos ver quem está do lado da lei, do Estado democrático de Direito, da democracia e do respeito ao voto do povo.

E veremos quem se alia ao oportunismo, ao gangsterismo, ao vale-tudo pelo poder. Não tenho dúvidas: a presidente Dilma sairá maior dessa guerra, mais uma entre tantas que enfrentou, sem jamais ter se ajoelhado diante de seus algozes.

Fernando Morais
Leia Mais ►

Desaba mercado da tevê por assinatura

Valdir Macedo não se interessa pela Globo!


Observação preliminar.

A NET do mexicano Slim tem um contrato leonino com a Globo para lhe dar preferência na programação.

É de onde a Globo tira dinheiro na teve por assinatura.

Foi o que sobrou para a Globo quando, quebrada, vendeu a NET ao Slim.

(No livro "O Quarto Poder" se vê que o Slim salvou a Globo de ir, de novo, à concordata!)

Como os Estados Unidos, primeiro foram os jornais e revistas.

Depois a tevê paga.

E depois a tevê aberta.

Tudo perde audiência — e receita — para o celular e os produtos OT — over the top, como a Netflix.

As agências de publicidade e os anunciantes fecharam os jornais e as revistas, vão fechar a teve por assinatura e se preparam para dar um tiro no peito da tevê aberta — nos Estados Unidos.

Por enquanto, como diria o Farol de Alexandria.

Ah, dizem os globistas: a Globo perde na aberta mas ganha na tevê fechada.

Aí, responde o Valdir Macedo, preciosa fonte do Conversa Afiada: ele não se interessa pela Globo.

A audiência não paga a folha:

Mercado de TV paga registra primeira retração no acumulado de 12 meses

O mercado de TV paga brasileiro passou a operar no vermelho no acumulado de doze meses. Segundo os dados divulgados pela Anatel, a indústria fechou outubro com 19,399 milhões de assinantes, o que representa 255 mil assinantes a menos do que o número de assinantes registrado há 12 meses, ou uma queda de 2,4%. É a primeira vez que o crescimento da indústria aparece negativo na comparação anual. No mês, a perda líquida foi de 80 mil assinantes. Considerando-se grupos econômicos, apenas a Telefônica cresceu no mês, cerca de 1 mil assinantes. As operações da antiga GVT tiveram um crescimento de 3,4 mil clientes, para 1,047 milhão de assinantes, mas as plataformas que já pertenciam à Vivo TV caíram 2,4 mil assinantes, para 790 mil. No consolidado, o grupo Telefônica tem hoje 1,838 milhão de assinantes.

No maior grupo operador do país, a América Móvil, a queda de base foi de cerca de 45 mil clientes no mês, para 10,087 milhões de assinantes, mas olhando-se o desempenho das plataformas, é possível ver que as redes da Net (cabo) continuam crescendo: foram 38 mil clientes a mais no mês, para 7,128 milhões de assinantes. O problema do grupo foi mais uma queda significativa na plataforma de DTH, que registrou 84 mil assinantes a menos, fechando outubro com 2,95 milhões de assinantes (é a primeira vez desde outubro de 2012 que a Claro HDTV tem menos de 3 milhões de assinantes).

A Sky perdeu 58 mil assinantes no mês de outubro, para 5,48 milhões de clientes. A OiTV perdeu 1,8 mil, para 1,168 milhão de assinantes.

No CAf
Leia Mais ►

Palavras

Nunca encontrei uma explicação satisfatória para a origem da palavra “sacanagem”. Como ela tem um som algo francês, e como os franceses têm uma palavra para tudo, especula-se que seja um galicismo adaptado. Viria de “sac a nager”, bolsas de ar que ajudavam os franceses arcaicos a boiar e que acabou adquirindo o significado de sacanagem como a conhecemos hoje. Talvez devido à prática de furar os sacos para afundar os franceses, que ficavam se debatendo na água e gritando “Mon sac a nager! Mon sac a nager!”, enquanto os ingleses, na margem, disfarçavam o riso.

Uma palavra ótima é “enfadonho” para descrever alguém. Tem o mesmo sentido de aborrecido, cansativo, chato, mas não é a mesma coisa. Não corresponde nem ao seu sentido literal, aquilo ou aquele que dá enfado. Pense nas pessoas enfadonhas que você conhece. Nenhum outro adjetivo salvo “enfadonhas” as descreveria, certo? O enfadonho não enfada, apenas. Sua enfadonhice tem algo de denso e irrecuperável. Deveria existir o verbo “enfadonhar”, como em “Não me enfadonhe!”. Porque, além de tudo, a enfadonhice é contagiosa.

Louco por futebol, eu acompanhava pelo rádio e pelos jornais (não existia TV na época, acredite) o futebol de Buenos Aires, a grande cidade mais próxima de Porto Alegre. Um dia, a turma da zona decidiu que nosso futebol de terreno baldio e calçada merecia um nome. A sugestão vencedora foi a minha: Racing. Não era o meu time em Buenos Aires — por alguma razão, torcia pelo River Plate —, mas o nome soava bem. Lembrava “raça”, nada mais argentino. Só muito depois me dei conta que “racing” era inglês, um dos tantos vestígios que os ingleses deixaram na língua e na alma dos argentinos. Mas, na época, nossa intenção era sermos argentinos.

Do valoroso “Racing” só ficaram estas lembranças — e um esboço de escudo, que eu mesmo fiz e encontrei, anos mais tarde, entre outros papéis guardados. Levei algum tempo para decifrar as letras no escudo: RFR. Por que RFR? E então me lembrei. Alguém tinha sugerido “Racing de Futebol e Regatas”. Ninguém se lembrou de perguntar onde e como praticaríamos regatas no nosso bairro, que não tinha nem um açude. Era influência do Rio, onde os times de futebol também eram de regatas. O nome completo foi aceito por aclamação. Porque pouco importava se não tínhamos como cumprir o que dizia o escudo. Ser “de regatas” nos dava uma dimensão especial. Além de argentinos imaginários, éramos também cariocas no nome. Não era preciso ter barco e remos ou sequer chegar perto do Guaíba para ser “de regata”. “Regata”, no caso, nem era uma palavra. Era um símbolo hierárquico. 

Sinal de que não éramos pouca coisa.

Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

O diretor da Globo para o qual os estudantes de SP estavam brincando de Primavera Árabe

Mais Marinho que um Marinho: Erick Bretas
Aconteceu o previsível.

No programa de Fátima Bernardes, uma repórter da Globo foi cobrir os protestos da garotada de São Paulo ao vivo.



Foi um embaraço. Mais um.

Assim que os estudantes viram quem estava ali, começaram a gritar: “O povo não é bobo. Abaixo a Rede Globo.”

O pano teve que descer rapidamente. A Globo transmitiu, ela mesma, o ódio que desperta num público mais politizado, como os estudantes paulistas que ocuparam as escolas.

Não é implicância.

Qual vinha sendo o teor da cobertura da Globo? Bem, você pode ver por uma extraordinária postagem no seu Facebook feita por um dos principais jornalistas da Globo, Erick Bretas.

Bretas ocupa a função absolutamente estratégica de diretor de novas mídias da Globo. Isso significa que compete a ele fazer da Globo uma empresa relevante na mídia do futuro, a internet.

Tão logo anunciada a demissão do secretário da Educação de São Paulo, Bretas endereçou ironicamente parabéns a “vocês que estão achando o máximo o cancelamento da reorganização das escolas de São Paulo”.

Ele louvou o demitido, sabe-se lá com base em que, e fuzilou o movimento dos estudantes. Disse que os alunos estavam brincando de “Primavera Árabe”.

O secretário teria se cansado, segundo Bretas, da “brincadeira”. Fora tudo, há um erro de informação básica: ele foi demitido. Não saiu por “cansaço”. Para coroar, Bretas agrediu a gramática. Escreveu “viva os prepostos das empreiteiras”, em mais um rasgo de civismo obtuso. O certo, claro, é “vivam”.

image

Você tem em Bretas o espírito da Globo. Como Ali Kamel e Merval Pereira, ele reproduz as ideias dos Marinhos. É mais Marinho que um Marinho real.

São estes que fazem carreira na Globo. A Globo se aparelhou no jornalismo. Não há pluralismo. Não há debates de ideias. Há uma série de Bretas nas posições importantes nas várias plataformas da casa, jornalistas como Diego Escosteguy, editor chefe da Época. Escosteguy é o campeão dos furos imbecis, coisas tolas e inúteis e quase sempre inverídicas que ele trata como se fossem réplicas de Watergate.

São representantes da direita oca, na qual há pouca leitura, pouco reflexão, pouca sofisticação — e doses copiosas de reacionarismo entusiasmado.

O futuro digital da Globo repousa nas mãos de um homem precocemente velho, um quase ancião com 40 e poucos anos.

Bretas não captou o espírito do tempo, o Zeitgeist, ao contrário dos jovens paulistanos que ocuparam as escolas e fizeram Alckmin dobrar os joelhos.

A Globo, assim, continuará a ser a mesma Globo de sempre em sua atuação digital. Estará condenada a levar esculachos diante de gente que pensa, como se viu no programa de Fátima Bernardes.

O noticiário contaminado da empresa nasce de diretores e editores como Bretas e Escosteguy, que interpretam à sua maneira o que imaginam que os Marinhos queiram ver nos seus jornais, revistas, sites, telejornais, rádios. Há uma anedota segundo a qual um editor da Globo, ao chegar à empresa, dizia: “Agora vou ler o editorial para descobrir o que eu penso.”

Simpatia zero pelo garoto esmurrado: isto é Bretas
Simpatia zero pelo garoto esmurrado: isto é Bretas
E assim as escolhas são feitas. Alguma simpatia pelos estudantes que defenderam suas escolas de serem fechadas sem nenhuma satisfação e, por isso, apanharam de policiais truculentos e mal-encarados?

Zero.

Os estudantes, na visão de Bretas, estavam brincando de “primavera árabe”.

Nem Roberto Marinho era exatamente um filósofo e nem seus três filhos são. Mas perto de Bretas e similares são, todos eles, intelectuais de alto relevo.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

O lado bom

Tudo tem o seu lado bom. Até as nuvens mais negras têm seu lado ensolarado. As pessoas, principalmente as pessoas petistas, que não encontram nada para comemorar nos dias que passam, é porque não procuraram o bastante. Tomem a rejeição das contas do governo Dilma pelo Tribunal de Contas da União, por exemplo. Ao mesmo tempo em que soubemos da condenação, soubemos que a última vez que o TCU rejeitou as contas de um governo foi em 1937. O que significa que durante, deixa ver, 78 anos, nenhum governo brasileiro teve suas contas questionadas ou, em alguns casos, sequer examinadas pelo TCU. De 1937 até agora, para o grande orgulho cívico até do PT, todos os nossos governos foram de uma irretocável lisura fiscal. E ainda dizem que brasileiro não sabe votar!

Especulou-se que os três petistas no Conselho de Ética que decidirá sobre a cassação ou não do Eduardo Cunha apoiariam Cunha, a pedido do Planalto, para que ele não aceitasse a proposta de “empixamento” da Dilma. Se a barganha fosse adiante, só restaria ao PT fechar suas portas, entregar as chaves e ir fazer artesanato. Mas não era verdade: os três petistas anunciaram que votariam contra o Cunha, que retaliou detonando o processo de cassação da presidente, que negou ter pensado na troca aviltante, o que preservou o mínimo de coerência necessária para um partido continuar a existir. E é outra razão para se comemorar, em meio ao mau tempo.

O próprio Eduardo Cunha é uma nuvem negra com um lado bom. Há muito tempo se discute se é o Homem com suas escolhas e ações que produz a História ou se é a História que forja seus protagonistas necessários. Cunha acabou com a discussão, pelo menos no Brasil. Nunca o caráter de um só protagonista se intercalou desta maneira com a história do seu tempo. Está decidido: é o Homem que determina a História. Mesmo porque, a História não seria tão madrasta conosco a ponto de nos impingir o Cunha.

Falando em determinantes históricos, também temos o tal japonês bonzinho, o policial federal que, suspeita-se, estaria vazando trechos escolhidos dos depoimentos de delatores na Lava-Jato, com evidentes efeitos na história da República. Um japonês bonzinho. Outro raio de sol em meio à escuridão.

Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

Um poder marginal

É pouca — se houver alguma — a percepção de que já estamos fora do regime democrático. É a realidade, porém. Está negada a validade do sistema jurídico, essencial no regime democrático, que tem por base o respeito aos direitos fundamentais e aos deveres a que estão sujeitos não só cidadãos em geral, mas também os ocupantes dos poderes constituídos.

A situação da atual Câmara dos Deputados foge aos seus deveres e responsabilidades constitucionais. Estar sujeita à condução de um parlamentar a quem são imputados vários atos criminosos já configura anomalia incompatível com a condição de Poder Legislativo. Assim conduzida, a Câmara dos Deputados sequer consegue que o seu Conselho de Ética opine sobre ser admissível, ou não, uma investigação superficial das acusações de delinquência e crime ao presidente da Casa.

O que se tem passado na Câmara, ao longo de todo este primeiro ano de nova legislatura, não são os meros artifícios com que casas legislativas contornam dificuldades cronológicas, impasses regimentais e acordos problemáticos. São manipulações só possíveis com o uso impróprio do poder funcional, são pressões, são ameaças, punições à resistência e recompensas indevidas. Em grande parte, à sombra do desconhecimento público, pouco e quase sempre mal abastecido, a respeito, pelos meios de comunicação outra vez cedendo espaço do jornalismo a práticas partidárias/ideológicas — o que parecia ser passado já distante no serviço noticioso brasileiro.

Foi esta e foram outras tolerâncias interessadas, com muita contribuição de parlamentares destacados, que levaram a Câmara à sua situação atual. Ou seja, expeliram a Câmara dos Deputados para fora dos seus deveres e responsabilidades.

Em paralelo, o Ministério Público cumpre um papel semelhante ao de testemunha indiferente, com a posse inconsequente da documentação que lhe foi presenteada pelo trabalho investigatório de promotores suíços. Talvez o que lhe seja permitido esteja muito aquém do mínimo conveniente, mas se um senador foi preso por palavras que, umas, provaram-se balelas, outras, não foram levadas a fato algum, documentos incriminatórios devem servir para algo mais do que se saber existirem.

O presidente da Câmara é o segundo na linha de sucessão, elevado a presidente se o vice-presidente posto em exercício precisar afastar-se, em intervalo ou em definitivo. Só isso já indica a dimensão do que a atualidade degenerada da Câmara representa, na sua marginalidade.

Correto

Se o preço era provocar um ato vingativo, o PT pagou-o. Não podia apoiar alguém como Eduardo Cunha no Conselho de Ética. Para aliar-se a ele é necessária uma qualidade especial: equivaler a ele.

Os atrasados

No noticiário sobre o pedido de impeachment para Dilma, no Rio um jornal informou o aumento imediato da Bolsa. No dia seguinte, o senador Ronaldo Caiado, com a seriedade de representante da bancada ruralista, retomava o aumento como prova do apoio "popular" ao impeachment. Jornalistas e senador esqueceram que, ao ser comunicada por Eduardo Cunha a sua decisão, a Bolsa já estava fechada havia quase três horas.

A história de um golpe tramado no Senado para soltar Delcídio do Amaral não perde para a anterior. O golpe formidável teria falhado porque o ministro Edson Fachin, do Supremo, decidiu por votação aberta dos senadores, sobre soltarem o colega ou não. Mas, na verdade, quando a decisão de Fachin foi comunicada ao Senado, já a maioria dos senadores, muito antes, decidira por votos abertos. Renan Calheiros até gozou o recurso ao STF do excitado senador Randolfe Rodrigues.

Os relógios ficcionistas estão atrasados. Como os donos.

À espera

Impeachment? Tudo indica que será preciso esperar as ações na comissão dos 65 para vislumbrar propensões. Até lá, pode haver opiniões e análises interessantes, opções políticas, e não muito mais. A deslealdade é a norma na Câmara atual. Logo, os números de quem está com quem são inverossímeis.

Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►

Muita atenção! Ciro Gomes em campanha para 2018


Leia Mais ►