4 de dez de 2015

Lava Jato: Adivinhem quem estava na cela com Cerveró?

Nestor Cerveró (à dir.) sentiu-se traído pelo advogado Edson Ribeiro
que teria entregue copia da delação premiada ao senador
Delcídio do Amaral
 Foto Gustavo Lima – Agência Câmara
Um novo e importante personagem surge na história do possível vazamento do rascunho da delação premiada do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, que, segundo consta, teria ido parar nas mãos do banqueiro André Esteves, dono do Banco BTG Pactual.

Teoricamente, este novo personagem que o blog descobriu na tarde de quinta-feira (03/12), não tem o menor interesse naquilo que Cerveró e seus defensores estavam oferecendo à Procuradoria Geral da República (PGR), em Brasília, para poder conquistar algum benefício na sua pena. Mas, tratando-se de quem é, tudo é possivel e até mesmo seu advogado admite que será inevitável investigarem seu cliente.

Cerveró estava na custódia da Polícia Federal do Paraná enquanto seus advogados negociavam com a PGR, sem participação dos delegados federais da Força Tarefa, a delação premiada. Não se trata de um procedimento simples. O acordo é feito em um documento no qual se estipula o que cada parte vai oferecer à outra. Mas, a ele juntam-se os chamados “anexos” que são resumos dos casos que o delator pretende contar. Estes resumos é que são analisados pelos procuradores para se ter certeza de que a delação terá informações novas. Toda esta preparação demora porque o preso é obrigado a escrever o que sabe, passar para seus advogados digitarem e depois apresentarem aos procuradores que podem exigir mais detalhes. É um vai e volta de papel, no qual o preso sempre acrescenta à caneta algo mais do que está digitalizado.

Delcidio do Amaral tinha uma cópia impressa da delação de Cerveró
e falou de outra com anotações à mão que estaria com o banqueiro
André Esteves
Pelo que consta, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) — preso desde o dia 25, na superintendência da Polícia Federal em Brasília —, tinha uma cópia digitalizada de um ou mais anexos. Ela(s) lhe(s) teria(m) sido entregue(s) pelo então advogado do ex-diretor da Petrobrás, Edson Ribeiro, que foi preso ao desembarcar no Rio, vindo de Miami (EUA) no último dia 27.

Na conversa gravada pelo filho de Cerveró, Bernardo, no dia 8 de novembro, em um hotel de Brasília, Delcídio e Ribeiro falam da existência de outra cópia do rascunho da delação que estaria em poder do banqueiro Esteves. Esta, segundo eles, com anotações à caneta, feitas à mão, pelo próprio ex-diretor da Pertrobras. Ou seja, se a cópia existe, foi feita de um papel que estava com o preso na custódia da SR/DPF/PR.

Por conta dessa conversa gravada o ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), na sessão do dia 25 de novembro, em que ele levou à 2ª Turma do Supremo a sua decisão de prender todos, desbafou:

“Vem à tona a grave revelação de que André Esteves tem consigo cópia de minuta do anexo do acordo de colaboração premiada assinado por Nestor Cerveró, confirmando e comprovando a existência de canal de vazamento na operação Lava Jato que municia pessoas em posição de poder com informações de complexo investigatório”.

Há, porém, uma questão básica. Pelo que o blog levantou, o tal documento em poder de Esteves até agora não apareceu. Isto foi dito por pessoas próximas a todos estes fatos que estão em Curitiba e confirmado pelo advogado do banqueiro, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Cacai, em Brasília; “ele não tinha documento nenhum, nunca viu este documento, nem tinha o menor interesse no que Cerveró ia ou não denunciar. Foi tudo fala do senador Delcídio do Amaral”, declarou o defensor ao blog.

Conforme explicamos quarta-feira (2/12) na reportagem “Lava Jato: DPF delega investigação do vazamento” é fundamental saber se o vazamento do documento contou ou não com a participação de Cerveró. Aparentemente, ele não teria o menor interesse em dividir este papel com outras pessoas; Afinal, o que estava em jogo eram os benefícios que poderá ter para reduzir as penas que já teve — até hoje, só em dois processos são 17 anos — e ainda poderão vir. Logo, resta a hipótese de alguém dentro da Polícia Federal ter providenciado a cópia.

Newton Hidenori Ishii pode estar sendo vítima de uma grande
injustiça com as acusações de que vazou documentos
Injustiça com o “japonezinho bom”

O nome falado até o momento é do agente federal Newton Hidenori Ishii, que ganhou notoriedade por dois motivos: além de aparecer em diversas fotos escoltando os presos da Lava Jato, tem um passado nebuloso.

Ele foi acusado de facilitar o contrabando e o descaminho de mercadorias na fronteira com o Paraguai, motivo pelo qual foi preso na Operação Sucuri, a primeira desevolvida no governo Lula, quando a Polícia Federal era dirigida pelo delegado Paulo Lacerda.

Por conta disso, já foi expulso do DPF em Processos Administrativos Disciplinar (PAD) que acabaram anulados entre outros motivos por terem usado como prova gravações as quais, mesmo feitas com autorização judicial, não eram admitidas em PADs. Sua situação está ainda subjudice o que leva alguns acharem que ele não deveria se expor (ou ser exposto) como tem ocorrido.

Ele, porém, pode estar sendo vítima de uma grande injustiça. Advogados de presos destacam ser o único que olha seus clientes como seres humanos. Foi colocado nessa história pelo chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira, na reunião no hotel em Brasília, no dia 8 de novembro, quando disse que o vazamento foi feito “pelo japonês bonzinho”. Bernardo, filho de Cerveró, para incentivar a conversa, concordou: “sim, sim”.

Na quarta-feira (02/12), conforme notícia do site BandCuritiba, através dos advogados do pai, Bernardo encaminhou e-mail aos delegados da Força Tarefa da Lava Jato desculpando-se e explicando que não teve a intenção de “complicar a vida do agente. Que tudo não passou de suposição. E que admira o trabalho de Newton Hidenori Ishii como servidor público”.

Apesar de chefiar o Núcleo Operacional da Superintendência — o que o faz aparecer nas fotos — Ishii não frequenta a custódia e jamais ingressou em uma cela onde estivesse Nestor Cerveró, conforme o blog ouviu nesta quinta-feira, em Curitiba, de alguém que está naquele ambiente quase que diariamente.

Alberto Youssef recebeu Cerveró em sua cela que conta
com bens como televisão
Foto: reprodução www.nominuto.com
Youssef o companheiro de cela

O que ninguém ventilou até hoje é que desde que chegou a Curitiba preso, em janeiro, Cerveró dividiu “aposentos” na custódia com o doleiro Alberto Youssef, um dos primeiros a ser detido nesta Operação Lava Jato. Os dois só se separaram no último dia 18, justamente quando o ex-diretor da Área Internacional da Petrobrás assinou a deleção premiada e foi transferido para o sistema penitenciário do Paraná. Voltou à carceragem da Superintendência, por questão de segurança, no dia da prisão do senador Delcídio, do banqueiro Esteves e do chefede gabinete, Diogo. Hoje divide cela com o pecuarista José Carlos Bumlai, preso desde o último dia 24.

Por ser delator premiado, a situação de Youssef é confortável em toda esta Operação.

Seu próprio advogado Antônio Augusto Lopes Figueiredo Bastos, admite que a situação do cliente não é das piores: “ele está na praia, enquanto os demais estão no mar se debatendo com os tubarões”.

Coluna de Fabio Campana, em Curitiba,
republica nota do Painel da Folha sobre a
descoberta do celular na cela de Youssef
em julho de 2014
Parlatório quebrado

Com autorização judicial, segundo Figueiredo Bastos, o doleiro desfruta de televisão na cela e outras regalias. Mas já criou problemas também. Não foram poucos. No ano passado, durante uma crise, com uma cadeira quebrou os vidros do parlatório, ambiente onde os advogados falam com seus clientes presos, sem contato físico.

O incidente deveria ter sido registrado e, segundo alguns delegados, o doleiro indiciado em flagrante por dano ao patrimônio público. Mas nada foi feito e quando um policial da Corregedoria local cobrou do delegado de plantão uma justificativa para não ter feito o flagrante, acabou afastado da função. Figueiredo Bastos, porém, diz que ele arcou com todo o prejuízo causado.

Em julho de 2014, descobriu-se que ele estava usando um celular na cela. O fato foi noticiado no Painel da Folha e republicado na coluna Fábio Campana, no Paraná. Um trecho da nota dizia:

Alô, doleiro – A Polícia Federal descobriu que o doleiro Alberto Youssef, preso na operação que apura desvios na Petrobras, conseguiu usar um celular atrás das grades. Os investigadores acreditam que ele fez as ligações, de dentro da carceragem em Curitiba, para ocultar provas do caso. Foram identificados cinco suspeitos de receber propina para permitir o uso ilegal do telefone. Eles estão lotados no setor de custódia da PF paranaense e serão investigados por crime de corrupção passiva.

Na mira – A delegada que apura o uso do celular pediu ontem, em ofício sigiloso, “levantamentos detalhados” com o endereço, o patrimônio e os “principais relacionamentos” dos cinco funcionários da carceragem.

Alvos – Os investigados são um agente da Polícia Federal, três guardas municipais e uma funcionária terceirizada. A delegada ainda não sabe se todos colaboraram para a entrada do telefone” (…)

O principal suspeito da entrega do celular, segundo muito policiais ouvidos pelo blog, era o antigo carcereiro Paulo Romildo Rosa Filho, o “Bolacha” . Ele, como noticiamos também em “Lava Jato: DPF delega investigação do vazamento” já foi acusado, por familiares de presos, de ter cobrado propina dentro da carceragem.

Mas, as investigações da propina e com relação ao celular não foram adiante. A delegada encarregada da apuração, teria alegado que o noticiário atrapalhou seu trabalho e começou a investigar quem tinha vazado a informação.

Hoje, como todos sabem, com um celular é facílimo se fotografar qualquer coisa — inclusive documentos — e remeter a foto para quem se desejar. Se Youssef voltou a ter celular na cela não se sabe. Seu advogado garante que não. Diz ainda que o cliente não teria o menor interesse na deleção premiada de Cerveró. Mas admite que será inevitável que ele seja investigado. Torna-se, portanto, um novo personagem no misterioso vazamento que surpreendeu os ministros do STF.

Marcelo Auler
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Entrevista com Levy e A contribuição milionária da imprensa para ampliar a crise econômica





Só notícias ruins
Existe uma expressão em inglês chamada self fulfilling prophecy. Numa tradução livre, profecia auto-realizável. O termo foi cunhado em 1949 pelo cientista social americano Robert Merton.

É mais ou menos o seguinte.

Você tanto fala numa coisa com bases falsas que ela acaba se tornando realidade. Um exemplo comumente citado é o de alguém que, ao acordar, já fala que vai ter um mau dia. Se ele colocar isso na cabeça, acabará por criar as condições para que seu dia seja, efetivamente, ruim.

O Brasil vive um momento de profecia auto-realizável. Tanto a mídia, por motivações políticas, gritou que o Brasil vivia um inferno econômico que as coisas, efetivamente, se complicaram.

Não há economia que resista a maciços ataques de catastrofismo.

Seria um ano difícil, sem dúvida. O Brasil vinha de dez anos de crescimento ininterrupto, e não há vento que sempre bata para um só lado na economia.

Adicionalmente, a crise global começou a cobrar — enfim — seu preço do Brasil. Mundo afora, o dólar estourou, para ficar num caso.

Mas a imprensa se apressou em atribuir o drama do dólar apenas ao Brasil. Não era o universo em convulsão. Era o Brasil. Quer dizer, era o governo Dilma.

Demorou semanas para que alguém, na mídia, mostrasse a floresta, e não a árvore: o dólar crescera diante de todas as moedas, do euro ao yuan chinês.

Agora, imagine. Você é empresário, e está submetido a uma corrente interminável de previsões apocalípticas.

O que você faz?

Vai para a defesa, naturalmente. Isso significa demitir, cortar investimentos e coisas do gênero.

Pronto. A profecia se auto-realizou.

Os rugidos negativistas da mídia encontraram o parceiro ideal numa oposição obcecada em derrubar Dilma, e cassar assim 54 milhões de votos, a qualquer preço.

Projetos fúnebres para o país — as apropriadamente chamadas pautas bombas — foram aprovados com a execução de Eduardo Cunha e a contribuição milionária do PSDB de Aécio.

A crise política nascida abjetamente do desejo sujo de dar um golpe na democracia acabou piorando, também, a crise econômica. Mais uma vez, era a profecia auto-realizável em ação.

Ainda haveria um outro fator para dar dimensões muito maiores a um problema que poderia ser relativamente pequeno: a Lava Jato, com seu espalhafato.

Segundo a BBC, a Lava Jato pode ter tido um impacto negativo no PIB de 2,5 pontos. Uma recessão de coisa de 1% negativo pode chegar a menos 3,5%. Grandes corporações ficaram imobilizadas com a Lava Jato.

Alguém terá feito a conta do custo benefício da Lava Jato? Moro pegou uma calculadora? Duvido.

Haveria uma forma de enfrentar a corrupção no mundo do petróleo sem o custo devastador que se apresentou? Muito provavelmente.

E o ciclo pode continuar. O economista Gustavo Loyola, presidente do Banco Central na era FHC, está no noticiário dizendo que a crise econômica vai até 2018.

É bom que se desconfie dessa previsão, muito mais fundada na política do que nos fundamentos econômicos.

Até porque, se ela se propagar, poderemos perfeitamente estar, neste final de 2015, começando a fabricar uma crise que cederá apenas em 2018.

A isto o professor americano Merton deu, em meados do século passado, o nome de profecia auto-realizável.

Paulo Nogueira
No DCM
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Entrevista com Marcos Nobre


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Quem apoia a tentativa de golpe de Eduardo Cunha?

Dilma Rousseff é uma pessoa honesta, trabalha muito e quer o melhor para o Brasil. Desde o início de sua carreira, Dilma é conhecida por sua capacidade de trabalho, sua honestidade e seriedade. Ela sempre lutou pela democracia, à custa de sua saúde e segurança. Você pode concordar ou discordar de suas decisões, da maneira como se expressa ou conduz seu governo, das alianças que fez em nome da tal “governabilidade” (que se revelou ingovernável), mas não há contra ela qualquer acusação de malfeito ou crime, ou sinal de qualquer favorecimento pessoal no exercício do cargo.

Dilma foi eleita e reeleita pela maioria dos brasileiros, venceu os dois turnos de duas eleições, e sancionou leis que estão ajudando a revelar as entranhas repugnantes da política brasileira, atividade que foi tomada de assalto por uma quadrilha de malfeitores, e faz tempo. Foram as leis sancionadas por Dilma, a da delação premiada e a que pune também os corruptores — além das inéditas autonomia e atividade, em seu governo, da Polícia Federal, do Ministério Público, da Procuradoria Geral da República, e também da fiscalização da imprensa e das redes sociais —, que milionários e políticos corruptos, algumas quadrilhas que atuavam no governo pelo menos desde a década 90 do século passado, foram parar na cadeia e estão sendo investigados. Esperamos que eles paguem por seus crimes e devolvam o dinheiro que roubaram. Entre estes políticos corruptos, investigados pela Polícia Federal no governo Dilma, destaca-se a figura de Eduardo Cunha.

Eduardo Cunha tem em seu currículo uma longa lista de malfeitorias. Em todos os lugares onde passou, deixou um rastro de imoralidades e ilegalidades. Que ele tenha sido eleito presidente do Congresso Nacional revela a indigência mental e moral da maioria dos nossos congressistas, no momento. Eduardo Cunha começou a carreira de homem público como assessor de P.C. Farias, o tesoureiro do Collor, o que dispensa comentários. Passou pela Telerj de onde foi defenestrado por grossa roubalheira.

Cunha defende todas as causas atrasadas — a que dificulta o atendimento médico às mulheres estupradas, a que facilita o porte de armas, a que isenta de impostos pastores que arregimentam fiéis —, tudo que leva o país de volta a idade média tem o seu apoio. Cunha registrou em seu nome, na internet, duas centenas de endereços que envolvem o nome de Jesus, perto dele os vendilhões expulsos do templo eram amadores. Cunha diz-se fiel proprietário de uma igreja, dona de várias rádios que, como muitas outras igrejas, explora a ignorância de pessoas carentes e necessitadas, extorquindo-lhes dinheiro não tributável em troca de lugares no paraíso, igreja que — segunda a denúncia da Policia Federal — serve de lavagem do dinheiro do suborno, aleluia!

Cunha mentiu a todos, ao vivo, dizendo que não tinha contas não declaradas, e tinha, e muitas, milhões de dólares em contas na Suíça, fruto de vários subornos, dinheiro roubado dos cofres públicos — e dos hospitais públicos, e da segurança pública, e da educação pública — que Cunha usou em benefício próprio, para sustentar seus luxos vulgares.

Cunha é, antes de tudo, um chantagista, que prometeu derrubar Dilma se os deputados do PT não ajudassem a salvar o seu pescoço. O PT preferiu salvar o próprio pescoço, sabe que o partido deixaria de existir se apoiasse Cunha, e fez o que devia ter feito, o que sempre deveria ter feito: não se curvar aos corruptos. Para tentar se manter no poder o PT aliou-se a tipos com Roberto Jeferson, Collor e Eduardo Cunha. Quem se curva a chantagistas está perdido.

Agora é um bom momento para saber quem apoia o golpe e quem defende a democracia, quem é cúmplice de Eduardo Cunha e quem quer que os ladrões sejam presos e devolvam o dinheiro que roubaram.

Se não tivermos, entre 513 deputados federais, 171 deputados que não estejam dispostos a lançar no país numa aventura, entregando o governo a Eduardo Cunha e seus cúmplices, é sinal de que os canalhas venceram. Eu duvido. Acho que não passarão.

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Aécio explica por que decidiu adiar o golpe


O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), admitiu que o partido não tem apoio da população para retirar a presidente Dilma Rousseff do cargo. Tanto que defendeu que haja o recesso parlamentar e as discussões em torno do impeachment fiquem para depois de janeiro. 

"Nosso sentimento inicial era de que isso deveria ocorrer o mais rapidamente possível. Mas o que estamos percebendo é que há um atropelo enorme do governo. O que existe até agora são ponderações dos movimentos sociais com os quais temos contato e que gostariam de ter um tempo maior para que a população pudesse de alguma forma acompanhar mais de perto os desdobramentos deste processo. Não há uma decisão formal, mas ela será tomada na terça-feira", afirmou Aécio, durante evento na cidade de Juiz de Fora.

O líder tucano lidera um argumento defendido com mais clareza pelo seu líder no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), segundo o qual, para vingar, o impeachment precisa de apoio popular, o que até o momento ainda não tem. "O impeachment do Collor nasceu na rua e veio para o Congresso Nacional. Agora o pedido nasce no Congresso e tem que ir para a rua. Só vai ter impeachment se houver rua", defende Cunha Lima (leia mais). 

Aécio Neves defendeu o papel das instituições na condução e acompanhamento do processo de impeachment. "Felizmente no Brasil hoje as instituições funcionam. Funcionam de forma sólida, altiva, independente como os tribunais, como o Ministério Público, a Polícia Federal, o Poder Judiciário em todos os seus níveis. E é exatamente a solidez das nossas instituições que vai nos permitir superar essa crise", afirmou.

No 247
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O avanço dos Indicadores Sociais no Brasil em uma década

A SIS 2015 (Síntese de Indicadores Sociais), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (4), aponta uma série de mudanças na série histórica entre 2004 e 2014, com base em dados coletados em estudos como o Censo, a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), projeção da população, entre outros.

Os pesquisadores verificaram que, em dez anos, houve avanços em recortes de gênero e cor e raça, por exemplo, mas ainda há desafios que merecem atenção especial, como gravidez na adolescência e falta de saneamento básico.

Confira abaixo alguns dos principais destaques da pesquisa de indicadores sociais do IBGE.

Infância sem saneamento

Zulmair Rocha/UOL

No ano passado, 9,6% das crianças e adolescentes com até 14 anos estavam em domicílios prejudicados por falta de saneamento básico (água, esgoto ou lixo). A principal inconformidade foi a ausência de esgotamento sanitária via rede geral ou fossa séptica, que, em 2004, atingia 53,7% das crianças e adolescentes. Já em 2014, a proporção foi de 44,3%.

Mais trabalhadoras formais

Renata Nogueira/UOL

O número de mulheres em trabalhos formais cresceu 60% em dez anos (de 2004 a 2014), enquanto entre os homens esse avanço foi de 43,6%. Por outro lado, houve redução de 7,6% no contingente de pessoas trabalhando com atividades informais.

Aluguel pesado para o bolso

Getty Images

Entre os domicílios alugados no país, quase 30% declararam que o custo de locação era excessivo em 2014, isto é, excedia o valor correspondente a um terço da renda familiar mensal, de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais. Dez anos atrás, essa proporção era de 24,6% dos domicílios.

Inversão de cor e raça

05.mar.2010 - Lula Marques/Folhapress

Em 2014, mais da metade (53,6%) dos brasileiros se declarava de cor ou raça preta ou parda, e os que se declaravam como brancos representavam 45,5%. Dez anos atrás, o cenário era inverso. Os brancos eram 51,2% do país, e a proporção de pretos ou pardos foi calculada em 48,2%. No ano passado, a participação da população negra foi bastante expressiva no Maranhão (80,6%), Bahia (79,3%), Pará (78,6%) e Tocantins (77,6%).

Queda na fecundidade

Getty Images

A taxa de fecundidade no país passou de 2,14 filhos por mulher, em 2004, para 1,74 filho por mulher, em 2014, o que representa uma queda de 18,6%. Em 2014, o índice estava acima do nível de reposição populacional (2,10 filhos por mulher) apenas no Acre (2,52), Amapá (2,34), Amazonas (2,32), Roraima (2,27), Maranhão (2,22) e Pará (2,15). Os menores valores neste indicador foram observados em Santa Catarina e Distrito Federal (1,57 filho por mulher), Rio Grande do Sul (1,58) e Rio de Janeiro (1,60).

Gravidez na adolescência

Divulgação/A Nossa Visão

Apesar da queda na taxa de fecundidade, o número de jovens grávidas entre 15 e 19 anos é considerado alto pelo IBGE. A participação desse grupo etário na fecundidade total passou de 18,4%, em 2004, para 17,4%, em 2014. Por sua vez, as mulheres de 20 a 24 anos são as que têm maior propensão a ter filhos no país. No ano passado, foi o grupo que teve a taxa mais alta, chegando a 91,9 filhos por mil mulheres de 20 a 24 anos, correspondendo a 26,5% da fecundidade no ano.

Geração canguru

Reprodução

A proporção de indivíduos de 25 a 34 anos que formavam a chamada "geração canguru" (pessoas que moravam com ao menos um dos pais) passou de 21,2%, em 2004, para 24,3%, em 2014. Entre eles, 59% eram brancos, 50,9% eram de cor preta ou parda e 47% moravam na região Sudeste. As pessoas da geração canguru eram mais escolarizadas, pois 34,9% tinham ensino superior incompleto ou nível mais elevado.

Não estudam nem trabalham

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Na população de 15 a 29 anos, segundo o IBGE, um em cada cinco jovens não estudava nem trabalhava em 2014, o que se manteve praticamente sem variações desde 2004. Entre as pessoas nessa condição, no ano passado, 45,6% residiam no Norte ou no Nordeste, 69,2% eram mulheres, sendo que 58,1% delas tinham um filho ou mais, e 62,9% eram pretos ou pardos. Quase metade ocupava o domicílio na condição de filho, isto é, também fazia parte da geração canguru.

Trabalho doméstico sem carteira

Leticia Moreira/Folhapress

Os empregados domésticos sem carteira de trabalho contabilizavam, no ano passado, 4,3 milhões de pessoas de 16 anos ou mais e apresentavam a mais baixa taxa de contribuição previdenciária (14%). O percentual, porém, mais que triplicou no período de dez anos (2004-2014). Além disso, entre 2013 e 2014, houve um aumento de quase 18% no percentual de empregados domésticos sem carteira que contribuíam individualmente para a Previdência Social.

Maioria feminina

Getty Images

A maioria (92%) dos empregados domésticos no país é de mulheres e, considerando apenas a participação feminina na categoria entre 2004 e 2014, verificou-se aumento significativo na proporção de trabalhadoras de 16 anos ou mais ocupadas com carteira e que contribuíam para a Previdência Social individualmente. A proporção passou de 27,8% para 40,3% em dez anos.

Distância entre rendimentos

iStock

O rendimento dos 10% da população com os maiores rendimentos financeiros representava 4,3 vezes o rendimento dos 40% com os menores ganhos em 2004. Dez anos depois, essa diferença passou a ser de 3,1 vezes (isto é, a desigualdade na apropriação da massa de rendimentos teve uma redução de 27,9%).
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Fernando Morais e Stédile comentam caráter plebiscitário das eleições na Venezuela


Durante entrevista coletiva de imprensa concedida nesta quinta-feira (03/12), o escritor e jornalista Fernando Morais e o líder do MST João Pedro Stédile comentaram o suposto caráter plebiscitário das eleições legislativas da Venezuela

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Nasce o jornal Brasil Popular


O jornal impresso Brasil Popular, que hoje sai às ruas pela primeira vez, em Brasília, devendo depois ser distribuído pelo país, vem a com a manchete GOLPE NUNCA MAIS!, como forma de denunciar a campanha do impeachment, processo agora iniciado formalmente pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, como uma tentativa de ruptura da institucionalidade e restabelecimento do regime neoliberal, que devastou o continente latino-americano, na época Menem-FHC, nos anos 90.

Jornal impresso, que já instalou seu site na internet, www.brpopular.com.br, é um trabalho cooperativo de militantes progressistas, inquietos com a falta de um veículo de comunicação que se diferencie da ditadura do pensamento único da mídia corporativa. Há seis meses, eles vêm se reunindo nas redes sociais, a partir de Brasília, a capital da República, para propor a criação deste Brasil Popular, com o fim de  defender os valores democráticos de uma sociedade mais igualitária,  que acreditam estarem sendo vilipendiados, de forma sistemática, desde as eleições de outubro de 2014

Esses militantes, a maioria jornalistas e atores sociais, vão eles mesmos distribuir, pessoalmente o  primeiro número impresso do jornal, a partir das, às 16h30, de hoje, 04/12/2015,na Plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto (Banca de Jornal), em Brasília. Às 12 horas, os militantes estarão na sede da TV Cidade Livre de Brasília, Canal 12 da NET (só DF), localizadano Setor Gráfico (veja aqui no mapa), onde recepcionarão a comunidade brasiliense, que está toda convidada, para um show artístico e jornalístico, com bandas e cantores da cidade e breves entrevistas contando a saga do novo veículo de comunicação..

Distribuição gratuita

O Brasil Popular quer tem como fim principal proporcionar ao Brasil, principalmente suas camadas populares, o acesso a fatos e acontecimentos da conjuntura brasileira, a partir de uma visão baseada nos princípios éticos humanitários, se propõe a informar em linguagem amena, sem apelos féaceis de sensacionalismo, propiciando ao leitor  sustentar uma opinião crítica ao que é publicado na grande mídia e apoiá-lo como protagonista das lutas democráticas, a partir de um diálogo franco com a verdade e o mundo real.

Com distribuição gratuita, impresso em oito páginas e tiragem inicial de 20 mil exemplares, o jornal tem ainda como meta transformar-se em quinzenal e depois semanal, em formato tabloide. Juntamente com o site brpopular.com.br,  ele vai engajar sua militância, que já conta com uma rede social nas redes sociais, entre elas Whatsap, FacebookTwitter, Google Plus, Youtube etc, (Leia aqui reportagem especial no site Carta Maior) na luta brasileira e global pela democratização comunicacional..

À frente de sua produção está uma equipe de editores, repórteres, diagramadores e fotógrafos, que conta com a colaboração solidária de outros jornalistas e não-jornalistas, especialistas em saúde e economia, sociologia e sindicalismo, ecologia e agricultura, arte e cultura, e outras áreas.

“Raros são os veículos de alcance popular que se contrapõem ao dilúvio de mentiras diariamente lançadas à sociedade”, diz a equipe fundadora.” Nosso jornal nasce para combater as iniquidades, defender justiça social e propagar solidariedade. Nasce modesto e com grande chance de êxito, pois abraça uma grande causa e, na história do Brasil, sempre que uma grande causa esteve ameaçada, surgiram jornais porta-vozes em sua defesa, como nas lutas pela abolição da escravidão e pelo fim da ditadura militar”.

Essa demanda e essa aspiração explicam, segundo ela, o surgimento do Jornal Brasil Popular para defender as causas democráticas, os direitos dos trabalhadores e as políticas de distribuição de renda que farão do Brasil um país mais próspero e mais justo.

Todos os militantes progressistas que lutam pela efetiva democratização dos meios de comunicação estão convidados a participar do evento de lançamento e distribuição da primeira edição.

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Gilmar acusa o PT de fazer "test drive de juíz"

É ou não é uma esculhambação?

Na foto, Luisito Suárez morde o petista italiano
O deputado Wadih Damous já deu a resposta que o Ministro (sci) Gilmar tinha solicitado: Gilmar destila ódio e não esconde o partidarismo.

(A propósito, veja o que o PT disse dele e do Moro e os dois se calaram)

Nessa sexta-feira, 4/11, num evento em São Paulo, o ministro (sic) votou, de novo, fora dos autos e do Supremo (porque no STF ele é irremediavelmente minoria).

E acusou o PT e seus três deputados de fazer "test drive" de juiz!

E denunciou a "fraude" à OAB!

Para quem chamou o Lula de fraudador, isso é pouco!

É ou não é uma esculhambação, amigo navegante?

Como diz aquele amigo navegante: na próxima, o Gilmar vai morder a orelha de um petista, como o Luisito Suárez...

Em tempo: a CBN diz que Gilmar acusa o Governo. Não é verdade. Gilmar se refere a "eles". Porque "nós" devem ser o Aecím, e mais o Cunha e o Pauzinho do Dantas, que participaram do histórico café da manhã para organizar o impitim.

Paulo Henrique Amorim

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'Pela saúde da democracia, temos que defendê-la contra o golpe', diz Dilma


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Impeachment é ‘vingança’ de Cunha e mais um golpe à imagem do país, dizem brasilianistas

Alvo da investigação da Lava Jato, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) lançou Brasil em cenário incerto ao aceitar
pedido de impeachment, dizem brasilianistas
A decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de aceitar o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff foi interpretada por analistas americanos como "atitude vingativa" e última opção para tentar tirar a atenção das denúncias de corrupção que ameaçam o cargo e o mandato do deputado.

"É quase certo que ele está de saída, então é uma atitude muito vingativa da parte de Cunha. E que irá gerar muita confusão pelos próximos meses no país", disse à BBC Brasil o cientista político Matthew Taylor, professor da American University, em Washington, e co-editor do livro Corrupção e Democracia no Brasil.

"Cunha e Dilma vinham há meses em um tipo muito estranho de teatro kabuki (forma de teatro japonês conhecida pela estilização do drama), em que Cunha usava (a ameaça de) impeachment para enfrentar o governo e o governo ameaçava uma investigação ética, mas não fazia muito para levar isso adiante. Ambas as partes tinham bons motivos para ameaçar e não agir", analisa.

"A gota d'água foi, obviamente, o voto dos três deputados do PT no Conselho de Ética da Câmara", afirma Taylor sobre a decisão da bancada do PT de votar pela continuidade do processo de cassação contra Cunha, que é acusado de mentir sobre a existência de contas bancárias na Suíça.

Distração

Para o cientista político Riordan Roett, diretor do programa de estudos da América Latina da Universidade Johns Hopkins, em Washington, o deputado parece ter se sentido "encurralado" e agora usa o impeachment para "distrair colegas na Câmara para que não o removam da presidência da Casa e, possivelmente, do Congresso".

"Cunha estava contra a parede, e sua única opção era tentar distrair a Câmara de seus problemas e agir pelo impeachment", afirmou Roett.

O presidente emérito do instituto de análise política Inter-American Dialogue, Peter Hakim, disse à BBC Brasil que o fato de Cunha enfrentar acusações de corrupção afeta a legitimidade do pedido de impeachment.


Em pronunciamento após acolhimento de pedido de impeachment, presidente Dilma se disse 'indignada' e fez menções claras a Cunha

"Ele está muito enfraquecido. Se ele fosse reconhecido com um indivíduo muito honesto, o caso seria mais forte", observa.

Volatilidade

Os brasilianistas consideram cedo para prever o resultado do pedido de impeachment — protocolado pelos advogados Hélio Bicudo, ex-petista, Miguel Reale Jr., ex-ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso, e Janaína Paschoal.

São necessários 342 votos (dois terços da Câmara) para que o processo de impeachment seja aberto. Dilma precisa, portanto, de pelo menos 171 votos para barrar o processo.

"Neste momento, não há votos para impeachment. Mas não sei o que vai acontecer em duas semanas, dada a volatilidade de Brasília", disse Roett.

Incerteza

Para Hakim, a questão agora é política, não apenas jurídica, e a possibilidade de impeachment parece mais real.

"Não é apenas uma maneira fictícia de falar sobre se livrar dela (Dilma). A maioria das pessoas no Brasil quer o impeachment. E mais um passo foi dado nessa direção. Então acredito que a possibilidade de impeachment seja mais verossímil do que era ontem", ressalta Hakim.

Ele cita a possibilidade de que o episódio possa gerar mais apoio a Dilma dentro do PT.

Eduardo Cunha disse que a decisão de acatar o pedido de impeachment foi 'técnica', e não política
"Dilma não é mais muito amada no PT. E, de uma hora para outra, parece que pode ser removida do cargo. Isso pode gerar maior apoio do que ela tinha antes", diz Hakim.

Taylor disse acreditar que, no momento, as chances de Dilma sobreviver ao impeachment ainda sejam "muito boas".

"Mas isso (o processo) significa que o cenário geral da política brasileira acaba de ficar muito mais incerto", destaca.

Cálculo

Os autores do pedido acusam a presidente de crime de responsabilidade fiscal.

"Esta é, em muitos aspectos, a mais fraca das acusações que poderiam ser feitas", avalia Hakim.

Segundo ele, caso houvesse provas de envolvimento de Dilma no escândalo de corrupção na Petrobras ou de que candidatos tinham conhecimento de dinheiro ilegal no financiamento de suas campanhas, essas seriam acusações mais fortes.

Para Taylor, a grande questão é o cálculo que a oposição terá de fazer.

Para cientista político Matthew Taylor, hoje é
mais fácil 'expulsar Cunha (do cargo) do que
levar adiante o impeachment'.
"Há um cálculo muito difícil, que é se querem criar um mártir, e dar ao PT razão verossímil para alegar que isso é golpista, ou se preferem deixar que Dilma se consuma em uma crise criada por ela própria", diz.

Nesse sentido, Taylor afirma crer que a oposição ficaria secretamente aliviada se o processo não for adiante, apesar do risco de perder eleitores que apoiam a saída imediata da presidente.

Para Taylor, Cunha não é mais relevante para o que irá acontecer de agora em diante. Ele ressalta que "é muito mais fácil expulsar Cunha (do cargo e do Congresso) do que levar adiante o impeachment".

"Por outro lado, o trem do impeachment já deixou a estação", diz, ao ressaltar que, uma vez iniciado o processo, agora não há como voltar atrás.

Imagem

Os analistas concordam que a notícia representa mais um golpe à imagem do Brasil no exterior, que já vinha sofrendo nos últimos tempos.

"Ninguém consegue acreditar que o Brasil foi de uma posição tão sólida, há três ou quatro anos, a esse extraordinário conjunto de escândalos, paralisia política, colapso econômico e financeiro. É simplesmente espantoso", diz Roett.

Hakim ressalta que a imagem do Brasil como potência na América Latina e ator global já estava desgastada.

"Não acho que (o processo de impeachment) vá mudar muito", afirma.

Hakim observa que enquanto não se avistar um fim para a crise econômica e política, o Brasil continuará "enfraquecido e diminuído" no cenário internacional.

"É um momento trágico e será percebido como tal. Especialmente depois de o Brasil ter emergido no cenário mundial de maneira tão poderosa não faz nem meia década", diz Taylor.

Mas ele ressalta que, apesar disso, há um consenso de que as instituições no Brasil estão funcionando bem.

Taylor cita o fato de que qualquer menção de golpe militar é suprimida e que tanto a questão do impeachment como as investigações da Operação Lava Jato estão sendo conduzidas de modo a demonstrar a força das instituições.

"Se há um lado positivo, eu diria que é o fato de as instituições estarem funcionando, e a democracia não estar em questão", resume Taylor.

Alessandra Corrêa De Winston-Salem (EUA) para a BBC Brasil
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A personalíssima versão de FHC para a compra de votos de sua reeleição

Vítima: FHC no programa de Mariana Godoy
Vi uma entrevista de FHC para Mariana Godoy. (assista abaixo). Longe das perguntas enviadas pelo chefe Ali Kamel, Mariana Godoy é uma espécie de Risadinha de Saias, a versão feminina de Roberto Dávila.

A vida seria uma beleza se as entrevistas pudessem ser feitas apenas num ambiente de risadas.

Mas não é assim. E as melhores entrevistas da história contêm, todas elas, tensão e, não raro, antagonismo. Porque o objetivo não é alegrar o entrevistado e sim informar o público.

Uma clássica, da Playboy americana, foi bruscamente interrompida quando o entrevistado, o jovem Robert de Niro, pegou o gravador do jornalista e o espatifou contra a parede.

Mas, fora os sorrisos, o que mais me chamou a atenção na conversa de FHC com Mariana foi a postura dele em relação à compra de votos no Congresso para que ele pudesse ter um segundo mandato, então proibido pela Constituição.

FHC, durante muito tempo, negou essa realidade palpável, expressa em feias maletas cheias de numerário, conforme evidências tão fortes quanto as que trouxeram à luz as contas na Suíça de Eduardo Cunha.

Para tanto, FHC contou com o apoio da imprensa amiga, para a qual maletas com dinheiro não eram um assunto digno de ser colocado em entrevistas com FHC.

Mas a internet mudou as coisas, e em sites independentes a compra é frequentemente lembrada, em seus detalhes mais vívidos. E da internet o episódio ganhou, enfim, alguma atenção da imprensa.

Até no Roda Viva o assunto apareceu, claro que do jeito que você poderia esperar de um programa como aquele.

FHC, diante das novas circunstâncias, foi obrigado a aceitar o fato de que sua reeleição foi comprada.

Mas, e isto é fundamental, ele encontrou sua própria e personalíssima versão dos acontecimentos, como ficou claro no programa de Mariana Godoy.

FHC se coloca, indignado, como vítima da compra. O beneficiário foi ele. Tudo foi feito para ele. Cada cédula nas maletas tinha como objetivo proporcionar mais quatro anos de presidência para FHC. (Aqui, um vídeo de um repórter da Folha que cobriu a compra, em 1997.)

E no entanto ele fala do assunto como se tivesse sido vítima de uma armação infernal de forças ocultas.

Não foi coisa dele, não foi coisa do PSDB, não foi coisa do seu amigo Sérgio Motta, tesoureiro do partido e amigo seu de décadas.

Talvez FHC evolua, em breve, para a seguinte versão: foi coisa do PT. De Lula.

Em seu jorro de indignação, ele usa como argumento o fato de que a emenda foi aprovada com larga margem e que ele foi reeleito no primeiro turno.

Mas um momento.

Só faltava você comprar votos no Congresso e perder na votação, tanto mais que o dinheiro — limpo, naturalmente — só era entregue contra a demonstração do voto comprado.

Quanto à vitória nas eleições presidenciais, o que uma coisa tem a ver com a outra? Nada, mas FHC decidiu dizer que tem. Se entendi, é como se o voto popular absolvesse e abençoasse a compra.

Então ficamos assim, como vimos no programa de Mariana Risadinha Godoy.

FHC foi vítima do dinheiro que comprou seu segundo mandato.

Paulo Nogueira
No DCM



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Acredite, saiu na Veja


Geraldo Alckmin ensina como não governar

Faltam embasamento científico, diálogo, transparência e sobram decisões de cima para baixo na política de reorganização escolar do governador de São Paulo

No início dos anos setenta, o repórter José Carlos Bardawil, de “Veja”, pegou uma chave de fenda e começou a desmontar um telefone enquanto ouvia a conversa. Eram parlamentares da Arena, o partido da ditadura, em reunião fechadíssima para resolver assuntos delicados. Bardawil publicou os principais acordos feitos na reunião, deixando os políticos estupefatos. (A história está em “O Repórter e o Poder”.)

Em novembro de 2015, trinta anos após a eleição do primeiro civil à presidência desde 1960, a repórter Laura Capriglione gravou, escondida, uma reunião entre Fernando Padula, chefe de gabinete da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, professores e dirigentes de ensino. São quarenta minutos que valem por um semestre de aula de administração pública sobre como não governar. (ouça abaixo).

Padula disse estar “no meio de uma guerra”. Segundo ele, a política estaria dando errado porque “tem diretor de escola que não quer se comprometer. Tem diretor que é da oposição!”. (E os estudantes e pais de alunos, são também da oposição?)

A reunião ocorreu porque há algumas semanas, estudantes, sindicalistas, pais de alunos e professores ocupam dezenas de escolas que serão afetadas pela reorganização escolar definida pelo governo. Trata-se, segundo a versão oficial, de tentar otimizar a gestão escolar separando os alunos por nível de ensino: fundamental I – do 1º ao 5º ano; fundamental II – do 6º ao 9º ano; e ensino médio. 94 escolas correm risco de ser fechadas. O decreto que inicia a reorganização foi publicado hoje, mas a política ainda depende de regulamentação para determinar exatamente quais escolas serão afetadas.

Os efeitos podem ser nocivos. De acordo com o Cenpec (Centro de estudos e pesquisas em educação, cultura e ação comunitária), “a proposta acarretará em complicada logística com o deslocamento dos filhos para diferentes escolas, prejudicando a organização familiar e, possivelmente, aumentando os gastos com transporte escolar, além da quebra de importantes vínculos afetivos formados com alunos, professores e funcionários das escolas que frequentam. No caso do deslocamento, mesmo em um raio de 1,5 quilômetro (anunciado como a distância máxima entre as escolas), especialmente nos territórios de alta vulnerabilidade, a mudança pode gerar insegurança entre as famílias. Estudos do Cenpec indicam que nesses locais, principalmente as mães, já empreendem grandes esforços para assegurar a educação de seus filhos”.

Toda essa história mostra quatro defeitos gravíssimos, e recorrentes, do governo de Geraldo Alckmin. O primeiro é tratar de gestão escolar como se fosse nome de rua. Mudança de nome de rua pode ser feita por decreto, implementado “de cima para baixo”, como se diz na administração pública. Política educacional não. Vários autores, como Paul Sabatier, mostram que a implementação “top-down” só funciona se certas condições estão colocadas – e uma delas é o apoio dos grupos de interesse envolvidos na política pública (no caso, seriam os professores, alunos e seus pais).

O segundo é a falta de embasamento científico da proposta de reorganização. Uma análise feita por especialistas em políticas públicas (e também em educação e estatística) da Universidade Federal do ABC, mostra seis problemas com o estudo que orienta a proposta da Secretaria de Educação. São eles: i) nenhuma indicação sobre os mecanismos causais pelos quais a oferta de ciclos pode afetar a gestão e o desempenho escolar; ii) nenhuma justificativa sobre a variável de desempenho dos alunos; iii) ausência de variáveis importantes para explicar o desempenho escolar presentes nos estudos da área; iv) ausência de controle, qualitativo ou estatístico, para comparar escolas exclusivas às não-exclusivas; v) inconsistências e indefinições sobre os critérios para classificar escolas; vi) não há indicação de significância estatística nos resultados da análise quantitativa.

Também falta diálogo respeitoso sobre a política de reorganização. Na reunião gravada por Laura Capriglione, o chefe de gabinete Fernando Padula diz coisas como: “Fui olhar algumas escolas invadidas. É uma ação política, não uma ação educacional. Nós estamos no meio de uma guerra e temos que nos preparar para continuar enfrentando. Eventualmente a gente perde algumas batalhas, mas temos que ganhar a guerra final”.

Ele também disse: “Vamos documentar as reuniões (com os pais de alunos). Tirar foto, ter ata. Aí a gente coloca no nosso portal também um ‘dialogômetro’. Vamos mostrar que o diálogo só aumenta e a radicalização está do lado de lá. Temos que desqualificar o movimento. É político, partidário e para desviar o foco de Brasília”.

Padula propõe, também, realizar uma audiência pública para discutir a política porque “pode dar um bom resultado do ponto de vista simbólico”. (Simbólico, não substantivo. Simbólico, não substantivo.) Ele continua: “Vamos fazer essa audiência até para mostrar para organismos como a Defensoria Pública e o Ministério Público Estadual”. (Para mostrar, não melhorar e talvez redefinir. Para mostrar, não melhorar e talvez redefinir.)

Finalmente, o quarto defeito é a falta de transparência. O estudo que justifica a política de reorganização não está no site da Secretaria da Educação. Foi obtido pela Lei de Acesso à Informação por jornalistas de “O Estado de S. Paulo” e pode ser acessado aqui. Custa colocar lá no site para todos os interessados lerem?

Esses defeitos são suficientes, se o governo for sensato, para pedir desculpas e discutir bastante com a sociedade antes de implementar a política (que ainda depende de uma resolução governamental para se tornar realidade). Ou mesmo desistir de implementá-la, a depender das conclusões.

Sérgio Praça
Na Veja



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O mito da imprensa democrática

Os jornais brasileiros de circulação nacional, aqueles que determinam o eixo da agenda pública, encerram o mês de novembro com a mesma pauta que iniciou o ano de 2015. Não se trata da saraivada de denúncias, declarações, vazamentos e revelações factuais sobre fluxos de dinheiro ilegal ligados a campanhas eleitorais. Essa é apenas a espuma do noticiário e dificilmente saberemos em que os fatos atuais se diferenciam do histórico da corrupção, a não ser pela evidência de que alguns atores estão sendo responsabilizados.

O que a chamada imprensa tradicional do Brasil está produzindo é um projeto recorrente na política nacional, que se associa em ampla escala ao contexto do continente e, em menor grau, se relaciona também com o cenário internacional. Trata-se do programa de desconstrução de políticas que, no longo prazo, poderiam consolidar o ensaio de mobilidade social observado nos últimos anos em boa parte da América do Sul.

São muitas as razões pelas quais as principais corporações da mídia têm interesse em desmobilizar a geração que saiu da miséria para se inserir no protagonismo social na última década. A principal delas é a mudança no perfil do eleitorado de algumas regiões do País, aquelas mais impactadas pelos resultados econômicos dos projetos sociais de renda básica.

Observe-se que, nos últimos nove anos, aconteceram em São Paulo, mais precisamente na sede do Instituto Itaú Cultural, pelo menos sete eventos internacionais de análise dos efeitos dessas políticas públicas sobre a economia. Estiveram presentes economistas, sociólogos, pesquisadores e gestores de programas que engajaram dezenas de milhões de famílias nos mecanismos das contrapartidas, que melhoraram a renda da população atolada nos estratos mais baixos da pobreza.

Esses seminários chamaram a atenção de profissionais de diversas áreas, mas, até onde foi possível observar pessoalmente, não produziram a menor curiosidade na imprensa. Para ser mais preciso, deve-se dizer que, num desses eventos, esteve presente, misturado à plateia, um antigo coordenador de Economia do jornal O Estado de S. Paulo – que dizia, para quem quisesse ouvir, que se sentia tão perdido naquele ambiente como um cachorro que havia caído do caminhão de mudanças.

Essa absoluta falta de interesse diz muito sobre o funcionamento da mídia tradicional: desde o lançamento do primeiro programa de incremento da renda básica, até o advento da presente crise — que tem sido em grande medida insuflada pela própria imprensa —, os editores que ditam a agenda institucional boicotaram, quando não demonizaram explicitamente, essa tentativa de inverter o desenho histórico da pirâmide social.

O leitor e a leitora atentos devem se perguntar: o que isso tem a ver com a crise política, as dificuldades econômicas e os escândalos que não saem das manchetes?

Ora, apenas os midiotas se satisfazem com o cardápio oferecido pela mídia diariamente, pela administração cuidadosa de fragmentos vazados de investigações, pela alimentação constante das idiossincrasias internas dos compostos político-partidários e pela manipulação indecorosa de indicadores econômicos. Foi certamente por um arroubo de consciência que o jornalista e apresentador Sidney Rezende denunciou o catastrofismo do noticiário econômico – o que lhe custou imediatamente o emprego na GloboNews.

O que está em curso, na agenda da imprensa hegemônica do Brasil, é um projeto fascista de poder, que tem sua essência na conhecida lição oferecida por Roland Barthes no dia 7 de janeiro de 1977, quando inaugurou a cadeira de Semiologia Literária no Colégio de França. Esse projeto se desenvolve à sombra de mitos construídos e alimentados pelo sistema do poder arbitrário, ao qual a imprensa, como instituição, sempre serviu sob o disfarce da defesa da modernidade.

A “imprensa democrática” é um mito criado pela imprensa. O que há de democrático no ecossistema da comunicação social são as vozes dissonantes daquilo que Barthes chamou de “discurso da arrogância”, ou o “discurso do poder — todo discurso que engendra o erro”. Esse poder arbitrário se aloja na linguagem, e mais precisamente na linguagem jornalística. Mas essas vozes dissonantes — que costumamos chamar de “imprensa alternativa” —, por sua própria natureza de negação do discurso predominante, não são capazes de se impor como uma linguagem em favor da democracia.

É certo que a justificativa moral da atividade jornalística sempre foi o pressuposto da objetividade: considera-se que o texto noticioso, bem como a imagem com finalidade informativa, correspondem sempre a interpretações objetivas da realidade. Só que não. A linguagem jornalística, apropriada pelo sistema do poder arbitrário, se transforma em mera produção de conceitos com o objetivo claro de oferecer uma interpretação reducionista da realidade, subjetiva e condicionante de uma visão de mundo estreita e conservadora.

Como instrumento da linguagem, observa Barthes, a língua não é reacionária nem progressista: ela é fascista, “pois o fascismo não é impedir de dizer, é obrigar a dizer”. Como instrumento do poder, a linguagem da imprensa hegemônica do Brasil produz esse “discurso da arrogância” a serviço do fascismo.

(Para ler: “Aula”, de Roland Barthes)

Luciano Martins Costa é jornalista, mestre em Comunicação, com formação em gestão de qualidade e liderança e especialização em sustentabilidade. Autor dos livros “O Mal-Estar na Globalização”,”Satie”, “As Razões do Lobo”, “Escrever com Criatividade”, “O Diabo na Mídia” e “Histórias sem Salvaguardas”.
* Fonte: Revista Brasileiros.
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