1 de dez de 2015

Desacato Entrevista Altamiro Borges e Paulo Henrique Amorim no 1º Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais de SC



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Justiça aceita queixa-crime de Lula contra tucano Marco Antônio Villa

Villa do PIG
O juiz André Carvalho e Silva de Almeida recebeu a queixa-crime proposta por Luiz Inácio Lula da Silva contra o historiador Marco Antônio Villa, que passou a ser réu na ação. Vila é acusado de cometer os crimes de calúnia, injúria e difamação, após ter feito afirmações mentirosas com o objetivo de atingir a honra do ex-presidente Luíz Inácio Lula da Silva na TV Cultura. A decisão, de 25 de novembro, é do juiz André Carvalho e Silva de Almeida, da 30ª vara criminal da Justiça de São Paulo, que recebeu, em setembro deste ano, queixa-crime dos advogados de Lula referente a comentário feito em 20 de julho.

Em 19 de novembro, Lula e Villa compareceram a audiência de conciliação, mas nem o ex-presidente retirou a ação, nem o comentarista da rádio Jovem Pan e da TV Cultura se retratou de suas declarações.

No referido comentário, Villa disse que o ex-presidente “mente, mente”, que é “culpado de tráfico de influência internacional”, além de “réu oculto do mensalão”, “chefe do petrolão”, “chefe da quadrilha” e teria organizado “todos os esquemas de corrupção”. Na ocasião, o historiador fez questão de ressaltar que “quem está dizendo sou eu, Marco Antonio Villa”, embora não tenha apresentado sequer uma evidência das graves acusações que fez.


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O contragolpe virá quando a esquerda descobrir o povo brasileiro

Ao longo de sua história a direita brasileira praticou diversos golpes contra a própria direita. Pouquíssimos foram os governos da Velha República que conseguiram levar a término o mandato único, pois o café transbordava o leite ou vice-versa de acordo com os interesses dos clãs mais fortes. Aí veio Getúlio Vargas que como Pedro II foi derrubado por ferir os clãs pelo simples fato de atender interesses mínimos das camadas populares.

A popularidade alcançada pela monarquia, sobretudo com a abolição da escravatura, não foi suficiente para promover um contragolpe contra a república dos coronéis. Apenas algumas mobilizações isoladas como a de Canudos na Bahia e os fuzilados na fortaleza de Anhatomirim em Desterro, à qual Floriano Peixoto impôs uma homenagem a si mesmo, dando à cidade o nome que até hoje se preserva: Florianópolis.

Já a popularidade obtida pelo ditador que promoveu a primeira democratização social brasileira instituindo leis trabalhistas, saúde e ensino público, impulsionando a economia do país através das primeiras indústrias de base, resultou em ser levado novamente ao cargo executivo através do voto popular que passou a ser desrespeitado por alguns jornais de São Paulo e Rio de Janeiro.

Para ser mais exato “A Tribuna da Imprensa” de Carlos Lacerda e “O Estado de São Paulo” da família Mesquita. Um que outro adotou a mesma linha de defesa dos interesses estrangeiros contra a política nacionalista de Getúlio, mas é falta de memória ou desconhecimento da história dos que tentam comparar os esforços da Mídia de hoje com aqueles tempos em que isso de Mídia praticamente inexistia e o que havia de mais próximo era o grupo Diários Associados de Assis Chateaubriand.

Apesar de viver as turras com Getúlio, amiúde trocavam favores, como quando Chatô obteve do ditador interferência na legislação para manter a guarda de sua filha após a separação matrimonial. Mas nem Lacerda nem Mesquitas puderam impedir a comoção popular promovida pelo suicídio de Getúlio em 54. Um ato individual, mas é o que se pode considerar como único movimento contragolpista de nossa história, pois quanto ao de 64 somente arremedos como o das Ligas Camponesas de Paulo Julião e do governo Miguel Arraes em Pernambuco. Movimentos suspensos por seus líderes para evitar inútil derramamento de sangue.

Desde a criação da estrategia golpista do Mensalão se ouve da própria militância e de integrantes do próprio PT muitas críticas ao governo, afirmando que deveria tomar esta ou aquele atitude, evitar isso ou aquilo. Culpa-se ao governo e ao partido pelo que cada um considera o erro primordial e apenas para citar um exemplo dessas duvidosas autocríticas, citam-se os que consideram contratação de Waldomiro Diniz como origem dos motivos do golpe como se na testa daquele ex-assessor já estivesse escrito: “Fui corrupto”, ou como se houvesse milhares de técnicos experientes a disposição e dispostos a compor uma equipe de governo, ou como se José Dirceu fosse amigo do Carlinhos Cachoeira. No entanto, raro se ouvir críticas à manipulação da Mídia através de um fato ocorrido anteriormente no governo Garotinho que sequer era aliado do PT ou do governo Lula.

E graças à esquerda brasileira o golpe prossegue. Golpe iniciado lá na abolição da escravatura e sempre presente e permanente a cada vez que algum governo brasileiro implanta medidas de interesse popular.

O inverso de tal situação se exemplifica na história de Cuba.

O Partido Comunista Cubano, como todos os partidos comunistas, não concordava com a revolução armada, mas desde a tomada de Moncada as esquerdas de Cuba se uniram em um único propósito. Fidel, Che ou Raúl não foram conscientizar a população cubana sobre estes propósitos de casa em casa. Evidentemente este foi um trabalho de toda a esquerda daquele país.

Dizer que o povo cubano era mais consciente do que o brasileiro é desconhecer a história e a localização geográfica de Cuba ao lado da Meca do consumismo da qual se tornou colônia tão logo finda a revolução da independência cubana da coroa espanhola. Em Cuba não houve independência, apenas troca de colonizadores.

Sujeito ao tráfico de drogas e intensa exploração do lenocínio, por décadas o povo cubano foi educado à subserviência profissionalmente utilizada em cassinos e hotéis de turistas americanos e a exploradores da mão de obra produtora de charutos, cana de açúcar e rum. No entanto, apesar de 5 décadas do mais restrito bloqueio comercial já imposto a um país de tão reduzido território, apesar das inúmeras tentativas de assassinato de Fidel, os Estados Unidos não se estimulam a darem um passo para invadir a Ilha mesmo após 2 décadas de finda sua única proteção internacional: a União Soviética. Atravessaram o mundo para invadir Afeganistão e Iraque e promoverem golpes em Líbia, Síria, etc.; mas o governo de Cuba está preservado.

O programa Mais Médicos tem permitido maior contato com cubanos, sejam da área da saúde ou os que para cá vieram para administração do plano binacional. Estes, mesmo quando inquiridos a respeito muito pouco se referem a Fidel ou Raúl Castro, tampouco ao comunismo ou qualquer ideologia política, mas repetidamente e com muito orgulho se referem a uma entidade: “nosotros cubanos.

Quando deixarmos de ser da Europa ou dos Estados Unidos e nos descobrirmos em nossa consciência como “nosotros brasileños”, talvez possamos vir a entender que o golpe contra o Brasil não resulta de imaginárias deficiências de comunicação e políticas de um governo que tem cumprido a risca com os propósitos de inclusão social e democratização de oportunidades e acessos à educação e saúde e outras necessidades básicas de nossa população, promovendo a retirada do Brasil do Mapa Mundial da Fome e nosso IDH como jamais nenhum outro o fez antes.

Quando a esquerda brasileira descobrir o povo brasileiro, talvez se conscientize do que realmente seja ser de esquerda e só então poderemos promover o primeiro movimento de contragolpe da história política do Brasil.

Raul Longo é jornalista, escritor e poeta. Mora em Florianópolis e é colaborador do “Quem tem medo da democracia?”, onde mantém a coluna “Pouso Longo”.
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O PT deve expulsar Delcídio Amaral?

1. O Supremo Tribunal Federal determinou a prisão preventiva do Senador Delcídio Amaral (PT-MS), basicamente sob a acusação de tentativa de obstrução da Justiça, configurando flagrante delito.

2. O Supremo Tribunal Federal tomou esta decisão com base em gravações de diálogos mantidos pelo Senador com outras pessoas, algumas das quais também foram presas. Não se conhece ninguém que questione a autenticidade e legalidade das referidas gravações, nem tampouco a gravidade do que ali é dito.

3. O Senado Federal decidiu, em votação realizada depois da prisão, validar a prisão. A maior parte da bancada do PT votou contra, argumentando que não estaria sendo respeitado aquilo que a Constituição prevê como condição para a prisão de um mandatário popular.

4. Não se trata de um tema simples, envolvendo desde interpretações da Constituição até a análise do significado político da prisão do líder do governo Dilma no Senado Federal.

5. Isto posto e por isto mesmo, somos de opinião que a maioria da bancada do PT no Senado Federal errou. Ao Partido dos Trabalhadores e ao Governo Dilma interessa separar o joio do trigo. E o fato é que o Senador Delcídio Amaral traiu a confiança do governo, traiu a confiança do PT, traiu a confiança do eleitorado popular.

6. É verdade que o STF aplica, contra petistas e filiados ao PT, um rigor que não adota quando se trata de filiados a partidos de centro-direita. Exemplo disto é o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB), que até este momento segue solto. Entretanto, não é de esquerda a tese segundo a qual enquanto não restaura-se a moralidade, locupletar-se é permitido. Está provado que o Senador usava o cargo para tentar cometer um crime, em benefício próprio e em prejuízo dos interesses do Brasil, do governo e do próprio PT, que seriam inevitavelmente acusados de estarem por trás da eventual fuga do criminoso que Delcídio Amaral queria impedir de colaborar com a Justiça.

7. Por tudo isto, a bancada do PT no Senado deveria ter votado a favor de chancelar a prisão preventiva determinada pelo STF. E com muito mais motivos — pois neste caso não está em jogo uma interpretação da Constituição, mas sim o estatuto e o código de ética do Partido —, a Comissão Executiva Nacional do PT deve abrir imediatamente um processo disciplinar contra o senador, reafirmando o caráter pessoal e anti-partidário de suas ações e sinalizando explicitamente a disposição de expulsá-lo do Partido.

8. O presidente nacional do PT, companheiro Rui Falcão, divulgou uma nota na qual declara perplexidade com a atitude do Senador. Apoiamos o presidente do Partido em sua atitude de não prestar solidariedade a Delcídio Amaral, mas não compartilhamos de sua perplexidade.

9. Registre-se que quando Delcídio Amaral pediu filiação ao PT, nós da tendência petista Articulação de Esquerda recorremos contra no seu diretório municipal. Derrotados, impugnamos a filiação no Diretório estadual do PT-MS. Derrotados, questionamos a filiação junto ao Diretório Nacional. Nós sabíamos quem ele era, acompanhamos sua trajetória pública desde então e por isto não estamos perplexos.

10. Não é necessário lembrar agora, quem patrocinou, apoiou, deu os votos necessários ou simplesmente lavou as mãos, permitindo por ação ou omissão a filiação de Delcídio Amaral.

11. Mas aquele erro está na origem do que ocorre agora, quando o conjunto do Partido sofre os efeitos da filiação de alguém que nunca teve qualquer passado de esquerda. E que em diversas oportunidades — por exemplo na CPI dos Correios, no processo do chamado mensalão, na discussão do regime de partilha do petróleo, nos temas indígenas etc. — demonstrou ter uma mentalidade empresarial e tucana, traindo inclusive aqueles que estimularam sua filiação ao PT.

12. O caso de Delcídio Amaral, assim como os de André Vargas e Candido Vaccarezza, são sintomáticos da falta de critério, da falta de vigilância, da falta de limites, do oportunismo e do pragmatismo que predominam em certos setores do Partido.

13. Se quiser sobreviver ao cerco da direita, o PT não precisa apenas mudar de política, precisa também mudar de comportamento. O que significa, em casos como este, que precisamos depurar. Por tudo isto, o PT deve expulsar Delcídio Amaral.

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Delcídio é um elo da corrupção histórica na Petrobrás

A mídia recortou os minutos convenientes da gravação e desprezou os trechos nos quais a quadrilha relembra a roubalheira deles no governo FHC

Matar mulher é feminicídio; matar presidente é magnicídio; matar criança é infanticídio; matar de vergonha é Delcídio”. 
As gravações das conversas entre o Senador Delcídio do Amaral, Bernardo Cerveró [filho do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró] e Edson Ribeiro [advogado do ex-diretor], são reveladoras do quão entranhável é a corrupção no estamento da política e dos negócios.

Se aquelas conversas fossem divulgadas sem a identificação dos interlocutores, ninguém hesitaria em reconhecer se tratar de um bando de bandidos reunidos para arquitetar crimes. Este fato é, em si mesmo, estarrecedor e escandaloso. A cassação do mandato de senador e a expulsão de Delcídio do PT serão os desdobramentos naturais.

Tão escabroso quanto este fato, entretanto, é a seletividade do condomínio policial-jurídico-midiático de oposição, que recortou os minutos convenientes da 1 hora e 35 minutos da gravação e desprezou os trechos nos quais a quadrilha relembra a podridão e a roubalheira deles na Petrobrás ainda no governo FHC.

Eles fizeram menção, por exemplo, à dinheirama depositada em bancos suíços originada de propina que receberam da empresa Alstom em 2001 e 2002, quando Delcídio era diretor da Petrobrás e Cerveró seu gerente. E também revelaram o nome do personagem que a décadas usa o lobista Fernando Baiano como preposto: o espanhol Gregório Preciado, que é casado com uma prima do senador tucano José Serra.

Qual o procedimento policial e judicial instalado para investigar estes dois aspectos reveladores da gênese da corrupção na Petrobrás? Resposta: — nenhum! Houve cobertura midiática demonstrando jornalisticamente as conexões e os tentáculos tucanos na corrupção na Petrobrás? Resposta: nenhuma!

A seletividade do condomínio policial-jurídico-midiático de oposição tem sido uma norma de conduta. Os responsáveis pela Lava Jato na Polícia Federal, no Ministério Público e no Judiciário simplesmente desconsideram testemunhos, indícios e provas que implicam políticos ligados ao PSDB e, além de não investigarem, arquivam as denúncias. E a mídia oposicionista completa o serviço, acobertando a verdade inteira.

Foi assim com Pedro Barusco, o ex-gerente que confessou ter começado sua prática delituosa na Petrobrás na década de 1990, durante o governo FHC. Diante da confissão deste funcionário corrupto que devolveu 100 milhões de dólares roubados em 20 anos, qual a apuração da Lava Jato sobre o período FHC? Resposta: — nenhuma!

Por uma estranha discricionariedade, o inquérito contra o senador tucano Anastasia foi arquivado, e a investigação sobre os 10 milhões de reais transferidos pelas empresas implicadas na Lava Jato ao PSDB na gestão do ex-presidente do Partido, Sérgio Guerra [já falecido], nunca prosperou. Qual a reação midiática a isso? Resposta: — nenhuma!

O chamado “mensalão” foi implacavelmente julgado para justiçar o período dos governos do PT. Entretanto, como está a investigação do “mensalão” mineiro, inventado pelo tucanato muitos anos antes? Resposta: — paralisada, podendo prescrever, e os envolvidos estão “todos soltos”.

A realidade não permite ilusões ou fanatismos alienantes: o Brasil está enfrentando uma das maiores crises morais e políticas da sua história. A corrupção é um fator desencadeante da corrosão moral que aflige o país. O mais importante, porém, é que pela primeira vez tudo está sendo investigado sem interferências do governo.

Esta conquista civilizatória do Brasil, de identificar e castigar a corrupção, poderá ser anulada por manobras maniqueístas do condomínio policial-jurídico-midiático de oposição, que recorta e seleciona a narrativa a ser construída, que visa preservar o PSDB e aniquilar o PT. Isso é contraproducente, porque dos mais de 100 indiciados na Lava Jato até agora, apenas 4 são identificados com o PT, e a imensa maioria pertence a outros partidos políticos.

Delcídio é um elo da corrupção histórica na Petrobrás; ele é o elo entre o presente e o passado; o elo corrupto entre o período FHC e o período Lula. Se, em razão disso, a Lava Jato não averiguar a raiz da corrupção na empresa, será uma agressão à justiça e à democracia.

Mais além da Lava Jato, é necessário um esforço de recomposição ética no Brasil, porque a corrupção está disseminada inclusive em práticas “legais”, ainda que imorais, em várias esferas da atividade pública nos três Poderes.

Só moralismo não resolve. Menos ainda o falso e seletivo moralismo. É necessário encarar esta crise de frente. O Brasil está num “mandrake político”, porque nenhuma força política se mostra crível como alternativa na crise. O país está à beira do abismo político e moral que ameaça produzir um forte estrago à economia nacional.

Este momento de impasse é, também, um momento de rediscussão de um novo ordenamento jurídico-institucional. A atual lógica, em especial quanto ao sistema político, é uma das causas da transição inconclusa da ditadura para um Estado de bem-estar social. O PMDB, Partido individualmente minoritário, domina a ciência de navegar neste sistema obsoleto e fisiológico, é um dos principais fatores do atraso e do retrocesso.

É urgente, por isso, se buscar o apoio da sociedade brasileira para a convocação de uma Assembleia Constituinte autônoma e específica, que discuta um novo ordenamento jurídico-institucional, começando pela reforma política e pela democratização profunda do Estado.

Jeferson Miola
No Carta Maior
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Jornalista Paulo Henrique Amorim lança livro no 1º Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais


Contando com a cobertura jornalística do Portal Desacato, produção de outra edição do programa Desacato Entrevista, o evento foi marcado pelo calor e pelo lançamento do livro “O Quarto Poder”

O 1º Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais de Santa Catarina começou na sexta-feira (27), no Auditório Elke Hering, da Biblioteca Universitária da UFSC — Campus da Trindade, em Florianópolis, às 14h30. Depois das 17h30 foi transferido para as salas Pitangueira e Aroeira, do Centro de Eventos. O motivo da mudança foi o calor resultante do ar-condicionado defeituoso.

O debate sobre “Conjuntura da Mídia Catarinense” foi realizado entre os jornalistas e professores Elaine Tavares e Milton Pomar. O presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, jornalista Altamiro Borges, falou sobre a “Conjuntura da Mídia Brasileira”. Segundo Borges, “o Brasil nem chegou ao capitalismo, está ainda no Feudalismo. São sete famílias que detém a imprensa brasileira”.

Destacou o enfoque dado pela imprensa à política nacional, especificamente sobre verba publicitária e o temor de tocar em assuntos econômicos. “Dilma foi à festa de aniversário da Folha de São Paulo — justo a Folha que mostrou a falsa ficha criminal dela na capa. Ela não queria bater nos bancos nem na imprensa. A esquerda política brasileira pecou porque não usou o espaço para discutir as questões prioritárias. O governo é o principal culpado, mas nós poderíamos fazer mais”, resumiu.

Lembrou que a regulação da comunicação existe no mundo inteiro. Nos Estados Unidos, desde 1920 existe a FCC, que já cancelou outorgas de mais de 100 canais de TV. No Reino Unido, desde a mesma época, a Ofcom funciona. “Pois até a bolivariana, chavista radical da Rainha Elizabeth II criou a regulação! Falou mentira, direito de resposta! No Brasil, nada regula a comunicação”, afirmou o presidente do CEMA Barão de Itararé, com ironia ao posicionamento político da monarca. Sugeriu pressão pelo Marco Regulatório da Imprensa, pelo apoio ao Direito de Resposta e a discussão sobre verbas de publicidade das secretarias de comunicação dos governos federal, estadual e municipal.

Foi iniciado o Núcleo Catarina do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e em seguida a palestra com o jornalista e escritor Paulo Henrique Amorim. Ele recordou seus tempos de funcionário da Rede Globo, como Roberto Marinho era visto e o tratamento dado a desafetos. “As instruções básicas para editar o Jornal Nacional. A segunda é: não quero preto nem desdentado no Jornal Nacional; terceira: Se uma criança recém-nascida cair na linha do trem e o Brizola se jogar para salvar, se a criança se salvar e o Brizola morrer, mesmo assim você tem que me perguntar antes se pode publicar. E a primeira, que acho genialmente clara: O (jornal) Globo é o que é não pelo que publica e mas pelo que NÃO publica”, contou Paulo Henrique que Marinho teria dito ao diretor de jornalismo da empresa, Armando Nogueira (um dos fundadores da Globo).

No livro também fala do segundo turno da eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um debate em que o ex-presidente falou e a Globo não divulgou o desastre aéreo da Gol. “O Google vai googlar a Globo. Não paga Imposto de renda, mas me paga pelo banco. A publicidade da Internet está comendo todo o dinheiro que antes era para TV aberta. Grandes empresas estão sendo substituídas pelos meninos do Youtube”, afirmou o jornalista escritor. Depois lançou o livro “O Quarto Poder, Uma Outra História” e autografou vários exemplares.

Fotos: Ana Carolina Peplau Madeira.
Ana Carolina Peplau Madeira
No Desacato
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Delcídio para nós

As dúvidas sobre a propriedade da prisão de Delcídio do Amaral, decretada por cinco ministros do Supremo Tribunal Federal, vão perdurar por muito tempo. Assim como a convicção, bastante difundida, de que a decisão se impôs menos por fundamento jurídico e equilíbrio do que por indignação e ressentimento com a crença exposta pelo senador, citando nomes, na flexibilidade decisória de alguns ministros daquele tribunal, se bem conversados por políticos.

Às dúvidas suscitadas desde os primeiros momentos, estando o ato do parlamentar fora dos casos de prisão permitida pela Constituição, continuam tendo acréscimos. O mais recente: Delcídio planejou a obstrução judicial que fundamentou a prisão, mas não a consumou. E entre a pretensão ou tentativa do crime e o crime consumado, a Justiça reconhece a diferença, com diferente tratamento.

A sonhadora reunião de Delcídio até apressou a delação premiada de Nestor Cerveró, buscada sem êxito pela Lava Jato há mais de ano. Ali ficou evidente que seu advogado Edgar Ribeiro estava contra a delação premiada. Isso decidiu o ex-diretor da Petrobras, temeroso, a encerrar aceitá-la, enfim.

Em contraposição às dúvidas sem solução, Delcídio suscitou também temas e expectativas que tocam a preocupação ou a curiosidade de grande parte da população. Sabe-se, por exemplo, que Fernando Soares, o Baiano, ao fim de um ano depositado em uma prisão da Lava Jato, cedeu à delação premiada. O mais esperado, desde de sua prisão, era o que diria sobre Eduardo Cunha e negócios com ele, havendo já informações sobre a divisão, entre os dois, de milhões de dólares provenientes de negócios impostos à Petrobras.

Informado dos depoimentos de Baiano, eis um dos comentários que o senador faz a respeito: ele "segurou para o Eduardo". Há menções feitas por Baiano que não foram levadas adiante pela escassa curiosidade dos interrogadores. Caso, por exemplo, de um outro intermediário de negociatas citado por Baiano só como Jorge, sem que fossem cobradas mais informações sobre o personagem e seus feitos. Mas saber tudo o que há de verdade ou de fantasia em torno do presidente da Câmara é, neste momento, uma necessidade institucional e um direito de todo cidadão.

Se Fernando Baiano "segurou para Eduardo Cunha", a delação e os respectivos prêmios — a liberdade e a preservação de bens — não coincidem com o que interessa às instituições democráticas e à opinião pública. E não se entende que seja assim.

Entre outras delações castigadas de Delcídio, um caso esquisito. Investigadores suíços confirmaram, lá por seu lado, que Nestor Cerveró tinha dinheiro na Suíça. Procedente de suborno feito pela francesa Alstom, na compra de turbinas quando ele trabalhava com Delcídio, então diretor Gás e Energia da Petrobras em 1999-2001, governo Fernando Henrique. A delação do multipremiado Paulo Roberto Costa incluiu o relato desse suborno. Mas a Lava Jato não se dedicou a investigá-lo e o procurador-geral da República o arquivou, há oito meses. Os promotores suíços foram em frente.

Na reunião da fuga, Delcídio soube com surpresa, por Bernardo, que Cerveró entregara o dinheiro do suborno ao governo suíço, em troca de não ser processado lá. É claro que a Lava Jato e o procurador-geral da República estiveram informados da transação. E contribuíram pela passividade. Mas o dinheiro era brasileiro. Era da Petrobras. Foi dela que saiu sob a forma de sobrepreço ou de gasto forçado. Não podia ser doado, fazer parte de acordo algum. Tinha que ser repatriado e devolvido ao cofre legítimo.

A Procuradoria Geral da República deve o esclarecimento à opinião pública, se fez repatriar o dinheiro do suborno ou por que não o fez. E, em qualquer caso, por que não investigou para valer esse caso. Foi ato criminoso e os envolvidos estão impunes. Com a suspeita de que o próprio Delcídio seja um deles, como já dito à Lava Jato sem consequência até hoje.

Mas não tenhamos esperanças. Estamos no Brasil e, pior, porque a ministra Cármen Lúcia, no seu discurso de magistrada ferida, terminou com este brado cívico: "Criminosos não passarão!" [toc-toc-toc, esconjuro] Foi o brado eterno de La Passionaria em Madri, que não tardou a ser pisoteada pelos fascistas de Franco. De lá para cá, em matéria de ziquizira, só se lhe compara aquele [ai, valei-me, Senhor] "o povo unido jamais será vencido", campeão universal de derrotas.

Janio de Freitas
No fAlha
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Darwin desmentido

Richard Nixon, aquele incompreendido, certa vez defendeu a nomeação de um correligionário notoriamente medíocre para um cargo federal com o argumento de que a mediocridade também precisava ser representada no governo. Certo o Nixon.

No caso brasileiro, por exemplo, uma maioria de congressistas capazes e honestos convive com uma boa amostra da mediocridade nacional, que não pode se queixar de estar sub-representada. O que mantém nossa fé na democracia representativa é a esperança, seguidamente frustrada mas sempre renovada, de que os bons prevalecerão sobre os ruins.

E que uma elite moral e intelectual acabará vindo à tona, nas duas casas do Congresso, por um processo darwiniano de seleção natural. Mas a realidade política brasileira insiste em desmentir o Darwin.

A evolução, nos nossos legislativos, tem produzido não líderes por mérito, mas líderes por esperteza processual, como Eduardo Cunha e Renan Calheiros, e a sobrevivência dos piores. Como é que alguém como o Delcídio Amaral chega a líder da bancada do governo no Senado, se não como um prêmio à mediocridade prestativa?

O bom dessa trama florentina de delações, conspirações nos bastidores e traições em que vive a pátria desde que o juiz Moro pôs-se a campo é que nunca faltam novidades para nos surpreender. Agora entrou em cena o filho do Cerveró, o ator Bernardo Cerveró, que, leio, fez sucesso recentemente numa peça infantil chamada “O principezinho do deserto” ou coisa parecida, e cujo gravador fatídico registrou tudo o que se dizia numa reunião com o Delcídio para combinar a fuga do seu pai antes que ele contasse o que sabe sobre o escândalo da Petrobras.

Bernardo levou sua gravação ao Ministério Publico. “O Pequeno Príncipe” do Saint-Exupéry jamais imaginou que um dia poderia derrubar uma república. Não sei se Bernardo leu o livro, mas talvez, antes de entregar a gravação, se lembrasse de uma das frases do Príncipe: “Só conheço uma liberdade, a liberdade do pensamento”. Foi a liberdade que Bernardo preferiu para o seu pai.

Não adianta suspirar por um Congresso acima de suspeitas e livre de lideranças lamentáveis, o que equivaleria a suspirar por menos democracia ou por uma Humanidade perfeita. Contentemo-nos com eventuais derrotas da mediocridade.

Luís Fernando Veríssimo
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