26 de nov de 2015

Em concentração para o Encontro...

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Vivíamos na busca incessante da mulher nua. Tinha mulheres nuas em filmes franceses proibidos até 18 anos, mas – danação! – nós não tínhamos 18 anos. E os porteiros de cinema, a categoria humana mais desumana que existe, não caíam na nossa conversa.

– Eu juro que tenho 18 anos.

– Mostra a identidade.

– Esqueci em casa.

– Vai buscar.

Propina não adiantava. E, mesmo, quem tinha dinheiro para subornar porteiros? Os abençoados pela Natureza (que tinham 18 anos) nos contavam como eram os filmes que não podíamos ver. Só para aumentar nosso sofrimento.

– Aparece mulher nua?

– Nuinhas.

– Se vê tudo?

– Bom, tudo não.

Mesmo nos filmes franceses não aparecia tudo. Apareciam seios e bundas, geralmente da Martine Carol. Tudo não. Tudo aparecia nas revistas de nudismo feitas na Alemanha (ou na Holanda, sei lá), que trocávamos entre nós. Mas, nas revistas de nudismo, mulher bonita mostrando tudo era raro, o que mais se via eram famílias inteiras peladas. E quem se interessava em ver mulheres feias e famílias como as nossas, só mais brancas, nuinhas?

A própria Playboy, lançada nos Estados Unidos em 1953, custou a mostrar tudo. Só anos depois do famoso primeiro número, com a foto da Marilyn Monroe, começaram a aparecer os pelos pubianos. Mais tarde, numa progressão natural, veio tudo mesmo. Li que a edição brasileira da Playboy vai deixar de ser publicada, pelo menos por enquanto. A disponibilidade atual de sexo e nudez nas redes, para todas as idades, talvez tenha tornado a pelada impressa obsoleta, ou no mínimo supérflua. Mas a notícia mais intrigante vem dos Estados Unidos, onde anunciaram que a Playboy deles continua, mas vai alterar sua política editorial e dar menos ênfase a mulher nua e mais aos textos, seguindo uma preferência dos leitores. O que traz para a realidade uma brincadeira que se fazia aqui.

– Compras a Playboy?

– Compro, mas só pelos artigos.

Luíz Fernando Veríssimo
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O parlamentar e o banqueiro

Apesar de menos escandalosa, a prisão do banqueiro André Esteves é tão ou mais importante, em vários aspectos, do que a prisão do senador Delcídio do Amaral. Até agora, as empreiteiras e um ou outro fornecedor da Petrobras compunham a imagem dos grandes patrocinadores da corrupção. A entrada em cena de um poderoso banqueiro necessitado de silenciar um delator não é a "ponta de um iceberg": é um grão no terreno arenoso da corrupção brasileira em sua verdadeira extensão.

As relações capitalistas adotam predominantemente, no Brasil, procedimentos à margem da lei e da ética. Qualquer que seja o setor de atividade, é inexpressiva a parcela que não se vale, com permanência, de vantagens ilegais. A verdade mais brasileira é que são práticas comuns a sonegação, a fraude, caixa dois, adulterações, produtos irregulares, e a corrupção com subornos que evitam fiscalizações e apagam multas, ou, no outro extremo, asseguram negócios, preços assaltantes e contratações ilícitas.

No setor financeiro, as manobras irregulares de especulação são o mais regular. Agora mesmo começa a despontar um caso gravíssimo de manobras cambiais de bancos dos Estados Unidos, ou sobretudo destes, inclusive com a moeda brasileira. O Banco Central tem muito a dizer a respeito, e o dever de dizê-lo, mas faz papel de espectador desinteressado. Trata-se, no entanto, de corrupção em altos bilhões.

A menção a André Esteves na reunião com Delcídio do Amaral, para salvarem-se ambos do perigo personificado por Nestor Cerveró, é só um flash das relações capitalistas no Brasil. Personagem de prestígio aqui e no exterior, André Esteves é conhecido também como abastecedor financeiro de alguns políticos, não só em campanhas eleitorais. O poder político é um dos seus negócios.

O pasmo causado pelo novo passo da Lava Jato não decorreu da prisão, sem precedentes, de um senador em exercício do mandato. Estão no Senado outras presenças a atestar que não há motivo para tamanho estarrecimento com a busca de um senador pela Polícia Federal. O espantoso veio sobretudo de ser Delcídio do Amaral, embora já estivesse citado em vazamento antigo da Lava Jato. Mas, parlamentar eficiente e bem conceituado mesmo pela oposição ao PT e ao governo, inclusive como negociador, Delcídio do Amaral figuraria em toda lista dos bons senadores.

O que o sereno Delcídio pretendeu, com André Esteves, foi livrar-se da acusação de um crime por meio de outro. Mas a falta de percepção com que o imaginaram diz mal de ambos. Era lógico que, à fuga de Nestor Cerveró desejada pelo parlamentar e pelo banqueiro, a família preferiria a delação premiada de seu chefe, para com ele gozar, pelo resto da vida, o saldo de riqueza que o acordo de delação deixa ao delator.

Fosse a fuga de perseguido político, aqui não poderia haver comentário reprovador. Auxílio à fuga de corrupto, por si mesma inaceitável, agrava-se porque os próprios Delcídio e Esteves seriam beneficiados, livrando-se, sem fugir, de acusações a que estavam sujeitos. Seu plano vale como uma confissão de culpa.

Por mais que os trombadinhas do impeachment explorem contra o governo a prisão de Delcídio do Amaral — houve até quem dissesse que agora a Lava Jato "caiu dentro do gabinete da presidente Dilma" — o efeito de fato é a perda do líder hábil da bancada governista no Senado. Tudo o que compromete Delcídio é estritamente pessoal. No mais, as coisas seguirão, com as mesmas dificuldades e as mesmas urgências.

Janio de Freitas
No fAlha
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