24 de nov de 2015

Que redação teria peito para repudiar um editorial como fizeram os argentinos?

Jornalista é jornalista, dono é dono: o protesto da redação do La Nación
Viralizou nas redes sociais uma foto em que jornalistas do diário argentino La Nación manifestam sua rejeição a um editorial.

Nele, os donos do jornal sustentam que é hora de perdoar, ou coisa parecida, os militares que cometeram atrocidades durante a ditadura.

A redação se incomodou. O repúdio se espalhou e disso resultou uma imagem épica, na qual os jornalistas aparecem com cartazes em que dizem o que pensam.

Nas redes sociais no Brasil, a pergunta que mais se fez foi esta: você consegue imaginar isso na Folha, no Globo ou em qualquer redação?

Claro que não.

Minha hipótese é que o similar brasileiro seria uma foto na qual os jornalistas diriam em cartazes: “Eu apoio o editorial!” (Com exclamação, provavelmente.)

Isso mostra quanto as redações brasileiras foram aparelhadas pelos donos e seus prepostos.

É uma lástima, uma vez que se perde o debate de ideias e visões que mesmo na ditadura militar vigorava nas redações. É destruído, também, um certo equilíbrio de forças do qual o beneficiário foi sempre o leitor.

A situação clássica no jornalismo, no Brasil e em qualquer parte, é mais ou menos a seguinte. Os donos são conservadores, por razões óbvias. E os jornalistas são progressistas, por motivos igualmente óbvios.

Internamente, os dois lados esgrimam em torno de seu pensamento. Uma síntese sai daí.

Alguns casos notáveis: a Folha nos anos 1970, quando teve no comando da redação o jornalista Cláudio Abramo, de esquerda. Cláudio negociava o espírito do jornal com Frias, de direita.

Durante muitos anos, a coexistência na Folha de duas mentalidades tão diferentes em posições-chave resultou num jornal interessante. A Veja no período Mino Carta-Civitas é outro bom exemplo.

Mas o que se viu nos últimos anos foi a virtual eliminação do progressismo nas redações.

Começou com os diretores — não mais Cláudios, não mais Minos. E seguiu pelos escalões inferiores.

Os colunistas, hoje, repetem as opiniões dos donos. Todos falam, basicamente, as mesmas coisas. Você lê um e não precisa ler os outros.

E os repórteres publicam o mesmo tipo de vazamento, sempre contra aqueles dos quais seus patrões não gostam.

Há histórias icônicas. O diretor de mídias digitais da Globo, Erick Bretas, é mais Marinho que a família Marinho. Em sua conta no Facebook, ele convocou os seguidores a aderir às manifestações pelo golpe no auge delas. Bretas avisou que iria para a rua, e colocou como avatar no Facebook esta frase sepulcral: “Game Over”.

Acabou, numa tradução livre. Quer dizer, Bretas derrubou Dilma alguns meses atrás.

Este tipo de jornalista patronal ocupou as redações. São centenas de Bretas que diariamente produzem o conteúdo que chegará ao público da grande mídia.

É dentro desse quadro que se instalou o desequilíbrio que marca hoje jornais e revistas.

Já não há confronto de ideias. Vigora uma ideia única, a dos donos.

A foto da redação do La Nación mostra que na Argentina é outra a realidade — e muito mais arejada.

Existe algo de profundamente errado numa redação em que o repórter acha exatamente as mesmas coisas que o dono.

E é isso o que acontece nas redações brasileiras.

Paulo Nogueira
No DCM
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Imagens de drone da devastação de Mariana (MG)



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Em evento (vazio) da Abril, Moro diz que mídia não é enviesada

Moro é “entrevistado” em encontro de editoras de revista
De acordo com o site oficial do hotel Renaissance, em São Paulo, a maior sala para eventos é o auditório com espaço de 496 m² e capacidade máxima de 420 pessoas. Com cadeiras de cor azul confortáveis, o espaço estava vazio no final da tarde de segunda-feira (23) pouco antes da palestra do juiz Sérgio Fernando Moro. A conferência estava prevista para começar às 16h e todos — sem exceção — atrasaram.

O IX Fórum da Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) ocorreu durante o dia todo. Não havia 100 pessoas na plateia, formada em sua grande maioria por jornalistas da Abril, Caras e Globo.

A palestra anterior foi justamente sobre cortes de custo e demissões nos grupos editoriais, organizada por Carlos Alberto Priolli, diretor-sênior da consultoria Alvarez & Marsal Brasil. “Nos grupos de vocês não se pode cortar talentos indiscriminadamente. Mas é necessário, sim, fazer demissões com base zero, ignorando o passado da empresa. Vocês precisam se perguntar: a gente precisa estar trabalhando no prédio em que estamos?”, questionou Priolli. Quem trabalha na Abril deve ter achado graça na pergunta.

Nesse clima de baixo astral, Sérgio Moro chegou 12 minutos atrasado. Não só ele. Com 33 minutos de atraso, Thomaz Souto Corrêa, conselheiro e lenda viva da Abril, apresentou Moro. “Não, gente, eu não sou Giancarlo Civita. Ele infelizmente não pôde comparecer aqui hoje”, disse em tom de deboche e arrancando algumas risadas, explicando o cano do MC original.

Segundo Thomaz, Moro trabalha a favor da democracia e da imprensa. “Nós estamos, na verdade, torcendo pelo senhor”, completou.

Sérgio Moro foi entrevistado por Frederic Kachar, presidente da ANER e diretor-geral da Editora Globo e Infoglobo. Havia cerca de dez jornalistas cobrindo o evento, e mais cinco câmeras. Moro iniciou elogiando os protestos contra a corrupção.

“O acesso potencializado [às delações premiadas] na imprensa é muito mais benéfico do que maléfico. A população precisa saber desses processos e discutir os trâmites dos processos. Recebemos críticas sobre os vazamentos, mas em geral as reclamações foram sobre documentos que já estavam devidamente encaminhados para a publicidade”, disse.

Para ele, a imprensa acerta por divulgar as informações e não deve sonegá-las. “O caso do mensalão foi até corretamente criticado pelo excesso de transparência, mas todas as críticas são naturais”, frisou.

Para o cabeça da Lava Jato, as informações de investigações no período eleitoral são justificáveis e benéficas para a decisão na urna. “Claro que as palavras dessas pessoas [em vazamentos] são de indivíduos envolvidos com crimes e devem ser analisadas. Mas muitas das palavras registradas foram comprovadas posteriormente”, afirmou.

Kachar aceitou perguntas da audiência e outras previamente preparadas. Sérgio Moro respondeu que não acredita que a imprensa é enviesada e culpou os agentes públicos nas acusações de corrupção quando ocorre o julgamento de autoridades políticas. “O governo [Dilma] lançou propostas para combater corrupção no começo do ano pelo que lembro e, no meu entender, foram iniciativas muito vagas”, falou.

“E o que o senhor acha do direito de resposta recentemente aprovado?”, questionou Kachar.

“Foi uma iniciativa que, embora tenha boas intenções em sua formatação, ficou com problemas procedimentais de defesa da imprensa e muito vaga na minha opinião. Fala-se no projeto de lei do ‘ofendido’. Qual ofendido? E se as informações divulgadas forem embasadas com razoável cuidado? A minha crítica com essa lei de imprensa, embora saiba que não sou um especialista, não é tanto contra o direito de resposta em si, garantido constitucionalmente, mas sim sobre o procedimento e sua vaguesa”, argumentou Moro, criticando a iniciativa do senador Roberto Requião, que se declara seu amigo.

Todos os jornalistas que puderam fazer perguntas reforçaram que a operação Lava Jato é um avanço. O próprio juiz foi um pouco cético quanto a isso, citando a operação Mãos Limpas na Itália. “Acho que vamos levar 10 anos para entender a importância desses processos jurídicos, incluindo a ação penal 470 [do mensalão]. Foram exceções na Justiça que se tornaram regra ou serão exceções que não vãoo se repetir. Na Itália isso se tornou uma motivação para políticos reagirem”, disse.

“O público que lê essas informações sobre corrupção precisa ter pensamento crítico. Criminosos confessos devem ser vistos com reservas. Mas acredito que estamos avançando. Se eu vejo num processo que um executivo de uma estatal está desviando milhões, eu não devo decretar a prisão preventiva dele? O que o torna menos perigoso do que um traficante de drogas?”, perguntou.

O juiz da Lava Jato lembrou dos crimes empresariais cometidos em estatais. ZZZzzzzzz… Considerando o baixo quórum que o prestigiou, as ausências e o clima triste, Sergio Moro e seus vingadores param este ano e só voltam depois do Carnaval.

Minutos antes do juiz subir ao palco, a plateia mais vazia do que em show do Lobão
Minutos antes do juiz subir ao palco, a plateia mais vazia do que
show do Lobão

Pedro Zambarda
No DCM
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Moro prende Bumlai para evitar riscos à investigação e à reputação de Lula

Além da liberdade do pecuarista poder interferir no andamento das investigações que envolve o contrato do navio-sonda Vitória 10.000, com a cooptação de testemunhas, fraude de documento, Moro alerta para o "uso indevido do nome de autoridades"


"Não há nenhuma prova de que o ex-Presidente da República [Lula] estivesse de fato envolvido nesses ilícitos, mas o comportamento recorrente do investigado José Carlos Bumlai levanta o natural receio de que o mesmo nome seja de alguma maneira, mas indevidamente, invocado para obstruir ou para interferir na investigação ou na instrução. Fatos da espécie teriam o potencial de causar danos não só ao processo, mas também à reputação do ex-Presidente, sendo necessária a preventiva para impedir ambos os riscos", disse o juiz Sergio Moro, na decisão desta terça (24), que mandou prender o pecuarista José Carlos Bumlai, na 21ª fase da Lava Jato.

Bumlai foi preso por suspeita de intermediar propinas envolvendo o contrato do navio-sonda Vitória 10.000 da Petrobras, o mesmo contrato a que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, é investigado em uma das linhas da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). 

A imprensa, de imediato, divulgou que o foco da Operação de hoje afetaria a imagem do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e, consequentemente, o governo da presidente Dilma Rousseff. "PF deflagra Operação Passe Livre, 21ª fase da Lava Jato, e prende amigo de Lula", publicou o Estadão. Contrariamente à mira da investigação, a Folha de S. Paulo foi além: "Nova fase da Lava Jato foca Lula e pode prejudicar Dilma, avalia Planalto".

O juiz federal alertou que o envolvimento do nome de Lula teria sido usado por Bumlai, "por mais de uma vez e de maneira indevida", para "obter benefícios" em negócios fechados no esquema. "Havia o uso do nome do ex-presidente, mas até o momento, em nossos levantamentos não houve alguma intercessão, apenas ouvimos nos depoimentos que as ordens vinham de cima", completou, ainda, o procurador da República, Carlos Fernando dos Santos.

Os jornais da grande imprensa preferiram, contudo, dar credibilidade ao conteúdo dos depoimentos dos envolvidos no esquema de corrupção, ignorando, em um primeiro momento, que o próprio juiz Moro alertou para a necessidade de cuidado.

Em uma dessas delações, o ex-gerente da área internacional da Petrobras, Eduardo Musa, disse que havia uma dívida de R$ 60 milhões da campanha presidencial de 2006, na qual Lula foi eleito, com o banco Schahin, e que o contrato de operacionalização do navio-sonda Vitória 10.000 estaria "abençoado pelo presidente Lula".

Leia alguns trechos da decisão de Moro:


Posteriormente, o blog de Fausto Macedo, no Estadão, publicou o trecho da decisão de Moro, que ressaltava que não havia nenhuma prova contra o ex-presidente petista no empréstimo de R$ 12 milhões do banco Schahin, e que o envolvimento de seu nome seria estratégia dos próprios envolvidos, para alcançar os benefícios. 

O que a reportagem omitiu, entretanto, é que uma das justificativas utilizadas pelo juiz da Lava Jato para prender Bumlai é que, além do risco de fraudar documentos e cooptar testemunhas, o pecuarista poderia tentar interferir no andamento das investigações utilizando o nome de Lula, causando "danos à reputação do ex-presidente". 



Patricia Faermann
No GGN
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Prisão de Bumlai expõe o “método” Moro

Encarcerado, abandonado pela família e os amigos, com câncer terminal — o jn diz que ele é inocente!​


A prisão e a sumária condenação do “amigo do Lula”, o cidadão brasileiro José Carlos Bumlai é o a-b-c “do método” Moro de julgar.

Julgar?

É assim que o Não Vem ao Caso julga.

Primeiro, vaza.

Vaza contra os inimigos e para os amigos — os amigos no PiG.

Por que ele não vaza para o Mino Carta?

E por que só vaza uma parte?

A parte que ferra o PT?

Por que não vaza para o Nassif o longo passivo do Aecím com a Andrade Gutierrez, que o Rogério Correia da Assembleia de Minas revelou?

Por que não aproveita que o pessoal da Camargo está lá dentro e vaza o que a Camargo fez para abafar a Castelo de Areia?

E manda o vazamento ao Paulo Nogueira?

Por que não vaza a relação platônica entre a Camargo e o iFHC?

E por que não tira a tarja preta do tarja preta e dá de presente, embrulhada para o Natal, ao Viomundo do Azenha?

É para “julgar” o suspeito no PiG e só no PiG.

Daqui a dez anos, quando o suspeito já estiver miseravelmente condenado, sem amigos, esquecido pela família, preso à cama com um câncer, aí o Supremo considera que ele nunca foi culpado de nada…

A segundo etapa do “método“ Moro prevê que a vitima do pré-julgamento tente se socorrer no próprio PiG.

Em defesa da sua reputação e da família, e sócios, colaboradores, o coitado recorre ao PiG para expor sua versão.

Foi o que condenado do Bumlai tentou várias vezes.

Não adianta nada, porque o PiG dará sempre a versão que melhor se encaixar ao “método”.

A vítima será sempre o cordeiro que turva água do lobo (de Curitiba).

Portanto, o “método” Moro prevê que a vítima se enforque no PiG, ao se defender.

O que atinge o superior objetivo de manipular a opinião pública contra o suspeito.

(Especialmente perto das eleições. Para ferrar o PT.)

O condenado se torna duplamente condenado: no vazamento e na versão que o PiG dá à sua defesa.

O “método” contém uma terceira etapa.

O enjaulamento do suspeito.

Fazer ele mofar no cárcere de Curitiba.

Quanto mais tempo melhor.

Para que mais vazamentos surjam, e para que o previamente condenado resolva confessar.

Delatar.

Confessar que mandou crucificar Jesus Cristo!

Confessar o que for, para poder ir embora.

Deve ser um tratamento de Copacabana Palace, como deu a entender o Dr Moro, na exuberante exposição para a Veja.

Longe de ser uma Guantánamo, um Abu Ghraib…

Ou uma sala de recepção do Coronel Ustra...

(O único risco é um delegado aecista grampear seu mictório, ou entregar ao PiG o bilhete que o condenado escrever à mulher… Coisa à toa.)

E, com as confissões, mais delações selecionadas — contra o inimigo e para os amigos (do PiG).

E assim segue a Justiça de Guantánamo!

Depois vem a sentença do Dr Moro!

Condenação sumária!

(Também, de terno preto, camisa preto e gravata roxa, esperar o quê?)

O moribundo, desmoralizado, escorraçado, encarcerado recorre a instâncias superiores.

Daqui a dez anos, exangue, pobre, deserdado pela família e os amigos, contrai um câncer.

E sabe pelo jornal nacional que era inocente!

Seria uma trama para Franz Kafka?

Não.

Mais simples.

Tudo não passa de um exercício para cumprir a missão de prender o Lula até o Natal.

O que inevitavelmente acontecerá com esse zé na Justiça!

Que o trata o Moro com a deferência que só Ruy Barbosa mereceria!

Um Ruy Barbosa que não sabe nem falar em público!

Como testemunharam os gatos pingados da Veja...

Não é isso, Bessinha?

Paulo Henrique Amorim

No CAf
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Mais prisões do Dr. Moro.O show não pode parar…


Não sei se o pecuarista José Carlos Bumlai fez ou não falcatruas, é obvio.

Mas qualquer um vê que a sua prisão segue um roteiro político claro.

O caminho até Lula.

É a obsessão do Dr. Sérgio Moro de ser a versão brasileira do “Mano Puliti”, o Mãos Limpas italiano, que aliás pariu o honestíssimo Sílvio Berlusconi.

Ontem, como um Diógenes togado, se disse um solitário na luta contra a corrupção, enquanto confraternizava com as vestais da Veja e da Época, numa reunião da Associação de Revistas.

As “fases” da Operação se sucedem e se repetem o “prende até ele confessar”.

Já são 48 “delatores premiados”, que pegam um “caquinho” de pena e a vida segue…

Como escreveu semana passada o Nassif, “o delator sabe o que os procuradores querem: Lula. E esse desejo expresso, público, notório dos procuradores é a condição para a aceitação da delação do delator. Então, se é isso que eles querem….”

Mas the show must go on, e vem a “12132ª” fase da operação, agora para prender um sujeito que se arvora em “amigo do Lula”.

E, de novo, o Nassif cantou a pedra e esgotou o que se tem a dizer:

A Lava Jato esgotou seu potencial midiático. Não ganha mais as manchetes principais, e quando ganha é por mera solidariedade partidária dos jornais. Mas não desperta mais o interesse do leitor porque tornou-se uma repetição menor dos procedimentos inciais: anuncia-se uma nova etapa, prende-se a arraia miúda (porque a graúda já foi presa), vaza-se uma delação do delator que ouviu dizer que fulano ouviu dizer que beltrano ouviu dizer que Lula sabia de tudo.

E vamos lá, no roteiro do que o Nassif chama de “o Santo Graal”: a prisão de Lula, que virou o impeachment que não conseguiram fazer.

Triste país.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Tudo que você precisa saber sobre você mesmo, mas tem medo de perguntar

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Com Debate e Placa, Barão de Itararé homenageia Vito Giannotti


O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé debate e homenageia, no dia 26 de novembro, o legado de Vito Giannotti, histórico lutador pela democratização dos meios de comunicação no Brasil. A atividade consistirá em um bate-papo com Cláudia Santiago Giannotti (Núcleo Piratininga de Comunicação), Nilton Viana (editor do jornal Brasil de Fato) e Sebastião Neto (Projeto Memória da Oposição Sindical Metalúrgica). Além disso, também ocorrerá o descerramento de uma placa com o nome do revolucionário ítalo-brasileiro, que batizará o auditório do Barão de Itararé.

Operário, dirigente sindical, comunicador popular e coordenador do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) — entidade que é referência em comunicação popular e sindical no país — Vito Giannotti faleceu no dia 24 de julho de 2015, aos 72 anos de idade. Na ocasião, o Barão de Itararé publicou a nota Vito, um grande abraço.

A atividade, com início marcado às 19h, é aberta e ocorre na sede do Barão de Itararé (Rua Rego Freitas, 454, conjunto 83 - República - São Paulo/SP).
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Turquia abate avião militar russo e Putin promete 'consequências significativas'

Turquia abate avião militar russo no que já é considerado o incidente mais grave desde o início da intervenção da Rússia no conflito sírio. Otan convoca reunião de emergência de seus 28 representantes permanentes. Vladimir Putin classifica episódio como "facada nas costas" e fala em "consequências significativas"

Caça da Rússia é abatido pela Força Aérea da Turquia

A presidência da Turquia confirmou ter abatido nesta terça-feira (24) um avião militar russo Su-24, que caiu em território sírio perto da fronteira com o país. O governo turco afirma que a aeronave violou seu espaço aéreo e não respondeu a diversas advertências, tendo sido derrubado por um caça F-16. As informações são do The New York Times e The Guardian.

Os pilotos da aeronave se ejetaram durante a queda. Segundo a emissora CNN-Türk, um deles morreu e o outro foi capturado por rebeldes sírios turcomanos. Os rebeldes lutam contra o regime do presidente Bashar al-Assad nas montanhas da fronteira turca, perto da província de Hatay (sul da Turquia), e são um dos alvos dos bombardeios russos no país.

Os turcomanos, uma minoria síria que fala turco, recebem apoio da Turquia, enquanto os aviões russos respaldam o regime de Assad, o que acrescenta complicações diplomáticas ao incidente.

O Ministério de Defesa da Rússia informou que o avião de guerra abatido era da Força Aérea do país, mas não violou o espaço aéreo turco.

“Durante o voo, o avião permaneceu todo o tempo sobre o território da Síria, como ficou registrado nos radares. O avião voava a 6 mil metros de altitude. Estamos esclarecendo o que ocorreu com os pilotos que, segundo dados preliminares, conseguiram abandonar a aeronave”, informou o ministério.

O Exército turco alegou que o avião foi informado mais de dez vezes durante cinco minutos sobre a violação.

Mais tarde, o porta-voz do governo da Rússia, Dmitri Peskov, afirmou que a queda do SU-24 é “muito grave”.

As televisões difundiram imagens da queda do avião em chamas nas montanhas perto da fronteira turca, na província de Hatay. Imagens da agência turca Anadolu mostraram os dois pilotos deixando a aeronave derrubada utilizando paraquedas.

A Otan convocou uma reunião extraordinária de seus 28 representantes permanentes. A Aliança Atlântica afirmou anteriormente que estava em contato com a Turquia a respeito do incidente.

Trata-se do primeiro avião perdido pela Força Aérea russa que bombardeia posições de organizações terroristas na Síria desde o último dia 30 de setembro.

A Turquia, que se opõe à intervenção militar russa na Síria, pediu o estabelecimento de uma área de exclusão aérea na fronteira entre os dois países.

A Rússia inicialmente se concentrou em atingir rebeldes oposicionistas ao governo de Assad, mas passou a mirar o Estado Islâmico depois da bomba que derrubou um avião russo da Metrojet e deixou mais de 200 mortos no Egito — o atentado foi reivindicado pelos extremistas.

‘Facada nas costas’

O presidente Vladimir Putin classificou como “facada nas costas” a derrubada do avião militar russo realizada pela Força Aérea da Turquia, próximo à fronteira com a Síria.

“Esse evento está além da luta contra o terrorismo. Nossos militares estão fazendo um trabalho heroico contra o terrorismo, mas a perda de hoje é uma facada nas costas, protagonizada por cúmplices dos terroristas. Não consigo descrever de outra forma”, afirmou Putin em coletiva de imprensa na presença do rei da Jordânia, Abdullah II.

“Estamos analisando tudo, e o evento trágico de hoje terá consequências significativas, incluindo nas relações entre Rússia e Turquia. Sempre tratamos a Turquia como um Estado amigável. Não sei quem estava interessado no que aconteceu hoje, mas a gente certamente não. E em vez de entrarem em contato imediatamente com a gente, a Turquia se virou para seus parceiros na Otan para discutir o incidente, como se tivéssemos abatido um avião deles, e não o contrário”, afirmou o presidente russo.

Vídeo:



No Pragmatismo Político
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#ForaCunha e leva o Aécio junto!

A situação do lobista Eduardo Cunha é tão calamitosa que até antigos aliados, que frequentavam sua residência tramando golpes e orquestrando a votação de projetos retrógrados, já evitam tirar "selfies" ao seu lado. Na semana passada, o cambaleante Aécio Neves, que curtiu dez meses de namoro com o correntista suíço, pediu seu afastamento da presidência da Câmara Federal. Como no navio à deriva, o tucano virou um rato! Esse quadro de isolamento ajuda a entender o desespero de Eduardo Cunha, que usou seu cargo para sabotar a reunião da Comissão de Ética que discutiria sua cassação. O abuso do poder revoltou os deputados e cerca de cem deixaram o plenário da Câmara na quinta-feira (19).

A cena grotesca serviu de álibi para o cínico presidente do PSDB anunciar o rompimento com seu ex-aliado. "Ele perdeu as condições de conduzir a Casa", teatralizou Aécio Neves na sexta-feira (20). Na prática, a abrupta ruptura revela o mais puro oportunismo. Para o derrotado na eleição presidencial de outubro passado, Eduardo Cunha tornou-se um estorvo para a abertura do processo de impeachment de Dilma. Ele não teria mais legitimidade para liderar o golpe. Daí a traição de Aécio Neves, que joga fora o bagaço do achacador. O tucano sequer esconde a manobra e reclama. "Acho que o presidente da Câmara já teria todas as condições de ter colocado a questão [do impeachment] para ser discutida".

Aberta a temporada de traíragens, outro oportunista convicto, o ex-presidente FHC, também reforçou o coro. "Fernando Henrique Cardoso defendeu nesta segunda-feira (23) que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), renuncie ao cargo. 'Se ele tivesse um pouco mais de visão de Brasil renunciaria ao cargo', mas, 'não tendo, vai ter que ser renunciado'. FHC disse que Cunha 'não tem mais condições morais nem políticas' de continuar à frente da Câmara. A declaração foi mais dura do que a do último dia 10, quando o tucano abordou o tema com cuidado e disse, após um evento em seu instituto, que 'o afastamento se dá depois que é culpado, antes, não", relata a Folha tucana.

Traições e manobras

Com estas duas declarações, o PSDB deverá intensificar a pressão pelo afastamento do presidente da Câmara Federal, inclusive obstruindo as votações — o que ajuda a desgastar o governo Dilma. A sigla já havia aprovado o rompimento no início de novembro, mas o lance foi de mentirinha. Nem a mídia tucana acreditou nas bravatas de Carlos Sampaio, o líder dos tucanos que sempre manteve relações carnais com Eduardo Cunha. Até as legendas satélites do PSDB agora decidiram pedir a cabeça do lobista. O PPS já anunciou que ingressará com um mandato de segurança no STF pelo afastamento do ex-aliado. E os "éticos" do DEM também adentraram ao teatro da hipocrisia e da traição.

Até no seu partido, conhecido pelo aguçado senso de oportunidade na política, a situação se agrava a cada dia que passa. "Deputados do PMDB que ainda apoiam Eduardo Cunha começam a se afastar do presidente da Câmara. Relatam que, em suas bases, a sustentação dada ao peemedebista tem sido tão questionada quanto a permanência do partido no governo Dilma Rousseff. Cunha, no entanto, tem a proximidade do recesso parlamentar a seu favor. 'É como um boxeador quase nocauteado esperando o fim do round', diz um aliado, sobre as seis semanas que ele terá para se recompor. Os peemedebistas não querem dividir com Cunha o ônus de seu desgaste quando o processo de cassação do presidente da Câmara for levado a plenário", descreveu a coluna Painel da Folha deste sábado (21).

Diante deste quadro dramático, o ex-todo poderoso presidente da Câmara ainda tenta resistir. Ele joga com a ameaça da abertura do processo de impeachment contra Dilma para inibir o governo e as siglas governistas. Ao mesmo tempo, conhecedor do regimento parlamentar, ele já prepara a sua defesa para evitar a cassação. Segundo noticiário desta segunda-feira (23), ele pretende ingressar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) contra as "falhas" na condução do seu processo no Conselho de Ética. Seu objetivo é ganhar tempo e, se possível, barganhar alguma saída menos traumática. Para barrar novos retrocessos no país, o ideal seria encerrar logo esta novela dantesca. Fora Cunha e leva o Aécio junto!

Altamiro Borges
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Entidades pedem ao MPF/SP cancelamento de licenças de rádio e TV controladas por 40 parlamentares



Representação cita congressistas de 19 estados; em São Paulo já foram ajuizadas ações contra três deputados federais sócios de empresas de radiodifusão

O Ministério Público Federal em São Paulo recebeu nesta segunda-feira, 23 de novembro, representação de 13 organizações da sociedade civil denunciando 40 parlamentares de 19 estados brasileiros que, segundo o Sistema de Acompanhamento de Controle Societário (Siacco), da Anatel, são sócios de emissoras de rádio e televisão no país. As entidades solicitam que o MPF atue para que estas empresas tenham suas licenças canceladas, tendo em vista que a Constituição proíbe que congressistas sejam sócios ou associados de concessionárias de serviços de radiodifusão.

O documento entregue ao MPF elenca 32 deputados federais e 8 senadores dos estados de Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. A representação será encaminhada às unidades do Ministério Público Federal em cada um dos estados para que os procuradores analisem as medidas a serem tomadas localmente.

Ações em SP

Na capital paulista, o MPF, por meio da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), ajuizou na última quinta-feira, 19 de novembro, três ações civis públicas solicitando o cancelamento do serviço de radiodifusão sonora outorgado a seis emissoras de rádio que possuem deputados federais em seus quadros societários. São elas a Rádio Metropolitana Santista LTDA., cujo sócio é Antônio Carlos Martins de Bulhões (PRB), Rádio Show de Igarapava LTDA. e Rádio AM Show LTDA., que conta com a participação de Luiz Felipe Baleia Tenuto Rossi (PMDB), e Rádio Cultura FM Santos LTDA., Sociedade Rádio Cultura São Vicente LTDA. e Empresa de Comunicação PRM LTDA., de Paulo Roberto Gomes Mansur (PRB). Os três parlamentares constam da lista entregue pelas entidades nesta segunda-feira.

Para o MPF, o controle de outorgas de radiodifusão por empresas cujos sócios são parlamentares viola a liberdade de expressão e o direito à informação. “A divulgação de opiniões e dados pode ser limitada pelos interesses destes associados, impedindo que os meios de comunicação cumpram seu dever de divulgar todas as informações e pontos de vista socialmente relevantes e de fiscalizar o exercício do poder público e as atividades da iniciativa privada”, afirmam as ações.

Além disso, a restrição de informações divulgadas pela imprensa e o possível favorecimento dos “sócios-parlamentares” pelas emissoras ao longo do mandato eletivo e do processo eleitoral são contrários à democracia, ao pluralismo político e à soberania popular, considerando o forte poder que um canal de radiodifusão possui para influenciar a opinião pública.

Legislação

Segundo o artigo 54, inciso I, a, da Constituição Federal, deputados e senadores não podem celebrar ou manter contratos com concessionárias de serviço público, o que inclui as emissoras de rádio e TV. Já o inciso II, a, do mesmo artigo veda aos parlamentares serem proprietários, controladores ou diretores de empresas que recebam da União benefícios previstos em lei. Tal regra também impede a participação de congressistas em prestadoras de radiodifusão, visto que tais concessionárias possuem isenção fiscal concedida pela legislação.

Além da proibição prevista na Constituição, o Supremo Tribunal Federal também já se manifestou contra o controle de parlamentares sobre veículos de comunicação. A situação revela ainda um claro conflito de interesses, uma vez que cabe ao Congresso Nacional apreciar os atos de concessão e renovação das licenças de emissoras de rádio e TV, além de fiscalizar o serviço. Dessa forma, parlamentares inclusive já participaram de votações para a aprovação de outorgas e renovações de suas próprias empresas. Nas ações propostas em São Paulo, o MPF requer ainda que a União não volte a conceder aos réus a autorização para exploração do serviço de radiodifusão, bem como realize nova licitação para que outras empresas disputem a concessão.

Leia a íntegra das ações clicando nos números: 0023969-33.2015.4.03.6100, 0023970-18.2015.4.03.6100 e 0023971-03.2015.4.03.6100. Para consultar a tramitação, acesse http://www.jfsp.jus.br/foruns-federais/

A representação entregue nesta segunda-feira ao MPF foi assinada pelo Intervozes - Coletivo  Brasil de Comunicação Social, Andi Comunicação e Direitos, Inesc - Instituto de Estudos Socioeconômicos, Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social, Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, Idec - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, Associação Juízes para Democracia, Artigo 19, Levante Popular da Juventude, MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, MTST - Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e Proteste - Associação Brasileira de Defesa do Consumidor.

No MPF
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Direita, volver

O La Nación, o mix de Veja e Globo que domina a mídia argentina, no dia seguinte à vitoria do direitista Mauricio Macri, fez um editorial pedindo perdão e liberdade para assassinos e torturadores presos, na última década.

Na Argentina, a ditadura militar assassinou nada menos que 20 mil pessoas. Muitas sob tortura, outras executadas, e algumas jogadas, ainda vivas, em alto mar.

Este, no entanto, é um desfrute ao qual a mídia brasileira nem precisa se dar, no caso de vivermos um retrocesso político semelhante.

Não há um único torturador ou assassino da ditadura militar preso, no Brasil.

Resta aos nossos reacionários comemorar a volta das trevas do outro lado da fronteira.

Leandro Fortes

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A lição que o candidato derrotado na Argentina deu para Aécio

Soube perder: Scioli, o candidato derrotado na Argentina
Daniel Scioli perdeu as eleições na Argentina por uma margem parecida com a de Aécio no Brasil: ele teve cerca de 48,5% dos votos. Macri, o vencedor, teve cerca de 51,5%.

Mas as diferenças, lamentavelmente para o Brasil, terminam aí.

Scioli fez o que qualquer candidato derrotado deve fazer numa democracia: aceitou a vitória do adversário.

Os eleitores optaram por tirar o kirchnerismo do poder na Argentina? Que se faça a vontade soberana do povo.

Isso dá estabilidade a uma democracia. O embate vai até as urnas. Depois delas, os vitoriosos vão cuidar de suas responsabilidades e os perdedores vão se reorganizar para tentar uma vitória na próxima.

É o que Scioli fez.

Não é exatamente uma grande novidade, mas é uma lição para Aécio, que se comportou como um delinquente golpista desde que perdeu.

A tentativa de golpe se iniciou logo de cara, com acusações absurdas de irregularidades nos votos eletrônicos.

Quer dizer: os votos que elegeram Alckmin eram impecáveis, mas os que deram um novo mandato a Dilma eram fabricados ou coisa parecida.

A partir dessa base ridícula, Aécio e seu PSDB não pararam mais de querer transformar o país numa republiqueta onde os votos podem ser obliterados.

Aécio aliou-se, em determinado momento, a Eduardo Cunha em seu macabro projeto de cassar 54 milhões de votos.

Não fossem as autoridades suíças, com suas provas de corrupção devastadoras contra Cunha, e os dois ainda estariam de braços dados para fazer o que os militares fizeram em 1964, por outras vias.

Não se deram bem, felizmente.

Aécio perdeu porque é um candidato ruim, sejamos realistas. Ele foi abjetamente favorecido por toda a mídia. Nas vésperas das eleições, a Veja produziu uma capa criminosa que, exaustivamente exposta em São Paulo, carreou dezenas, centenas de milhares de votos para Aécio.

A revista disse que um delator disse que Lula e Dilma sabiam de tudo no caso Petrobras. Era mentira, como se viu quando o real depoimento do delator veio à luz.

Mesmo assim, e com os inesquecíveis vazamentos seletivos da Lava Jato que fizeram a alegria dos barões da imprensa, ele conseguiu apanhar.

Teria perdido com dignidade se aceitasse o resultado. Mas não. Comportou-se imediatamente como um golpista.

Se existe alguma justiça neste mundo insano, Aécio vai pagar o preço pelo mal que fez à democracia — e ao Brasil.

A crise econômica talvez fosse mais branda não fosse a brutal instabilidade política trazida por Aécio.

Que os brasileiros não esqueçam isso.

Você vê Scioli, o argentino que perdeu, e tem a dimensão da atitude antidemocrática de Aécio.

Ele tinha que ter reconhecido a vitória de Dilma na hora certa. Não adianta agora ele recuar do impeachment e das pretensões golpistas.

Seu golpismo impenitente já está registrado na história política do país como um dos seus capítulos mais tenebrosos e mais repulsivos.

Paulo Nogueira
No DCM
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