20 de nov de 2015

O que matou a Playboy?

Bruna Lombardi foi uma das glórias da Playboy nos anos de ouro da revista
O fechamento de uma revista já não é notícia há um bom tempo, dada a frequência com que isso ocorre, em escala mundial, na Era Digital.

Mas o fim da Playboy no Brasil, anunciado pela Abril, carrega um significado único, pelo que a revista representou ao longo de 40 anos para o homem brasileiro.

A edição brasileira da Playboy foi tão bem sucedida que ofuscou, durante muito tempo, a versão original americana.

O maior milagre da revista foi conseguir ser aceita, no Brasil, como uma publicação séria, relevante, não restrita a mulheres nuas.

O leitor podia ler a Playboy num restaurante ou num bar sem se sentir embaraçado.

O prestígio intelectual da Playboy levou-a ao melhor dos mundos: ela era um sucesso de bancas e de publicidade.

Algumas edições eram disputadas avidamente nas bancas. Cópias toscas eram feitas em impressoras e vendidas a preços incríveis. Mais exemplares eram impressos rapidamente para atender uma demanda invencível.

A revista chegou a tirar mais de 1 milhão de exemplares na década de 1990. Nos últimos tempos, vendia uma fração miserável daquilo: 15 mil, 20 mil exemplares.

O autor do milagre foi o jornalista Mário de Andrade, de longe o melhor editor que a revista teve no Brasil. Ele contou com a supervisão brilhante de seu superior e mentor Thomaz Souto Corrêa.

Mário era um chefe insuportável. Não fazia a menor cerimônia em ligar para os subordinados nos finais de semana. Comunicava-se por bilhetes, na redação, mesmo com pessoas que estavam a poucos passos de sua sala.

Ao lado da Veja, a Playboy sob Mário era o pior lugar para trabalhar na Abril. A rotatividade era extraordinária.

Mas o trato difícil, áspero, às vezes brutal era compensado por um talento incomum e uma capacidade de trabalho sem paralelo. Nunca houve uma Playboy como a feita por Mário de Andrade.

Mário morreu de tanto trabalhar. Tinha pouco mais de 40 anos. Saiu um dia para almoçar e não voltou mais. Teve um enfarto fulminante.

Deixou mulher, filho e enteado. Este é Luciano Huck, que frequentemente diz que Mário foi a maior influência de sua vida.

Mário não viu o declínio de sua revista amada. Uma das primeiras vítimas da internet foram as publicações com mulheres nuas.

O hábito de ver nudez logo se transferiu das revistas para a internet. Era o começo do fim.

Depois de Mário, a Playboy ainda chegou a ter um editor marcante: Ricardo Setti. Mas, se Mário se orgulhava do que fazia, Setti parecia incomodado por editar uma revista de mulher nua. Era e é, fundamentalmente, um jornalista da área política.

Tomei conta da revista, como diretor superintendente de uma área da Abril, no começo dos anos 2000. Mas, sob mim, a revista jamais foi sombra do que fora sob Mário.

Minha paixão no campo das revistas masculinas era um outro tipo de publicação, as chamadas lads magazines inglesas. Eu cuidava da Playboy por obrigação. Da Vip, que tinha a alma das revistas inglesas, com amor, com a paixão que Mário dedicara à Playboy.

Eu falo de um mundo que ruiu, o das revistas.

Nesta mesma semana, foi anunciado em Londres o fechamento de duas das mais inovadoras  entre as lads magazines inglesas que encantaram os homens nos anos 1990.

A Playboy cujo fim foi anunciado ontem já estava morta, a rigor, há anos.

Mas a Playboy feita por Mário de Andrade estará sempre presente entre as lembranças mais preciosas da Era de Ouro das revistas.

Paulo Nogueira
No DCM
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Deputado do PDT gaúcho renuncia ao mandato em programa de rádio ao vivo

Parlamentar leu carta no programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba

Deputado Diógenes Basegio renuncia ao cargo ao vivo na Rádio Guaíba
Foto: Bruna Cabrera / Especial / CP
O deputado estadual Diógenes Basegio (PDT) renunciou ao cargo na Assembleia Legislativa ao vivo no programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba, nesta sexta. "Renuncio em respeito a minha trajetória pessoal e profissional e aos meus familiares." Ele leu o documento intitulado "Carta ao Povo Gaúcho", composto por 14 páginas, onde apresentou os motivos que o levaram a tomar a decisão de abandonar o parlamento gaúcho. Em vários momentos durante a leitura chegou a chorar. Disse que sofreu um linchamento moral e que a renúncia serviu para "dar sangue a quem queria ver sangue".


Médico de formação, Basegio afirmou que nunca abandonou a Medicina. "Tenho para onde voltar e volto com orgulho para a Medicina". Destacou que trabalhou durante todo o tempo do mandato para melhorar a vida das pessoas.

O parlamentar se queixou de não ter tido espaço em outros veículos de comunicação para ser ouvido. Disse que sofreu ataques pessoais de forma injusta. "A partir de um ato solerte e covarde, fui citado em matéria de âmbito nacional e jamais tive espaço para o contraditório. Fui alvo de uma campanha sórdida pela minha cassação".

No lugar de Basegio, Juliana Brizola assume a cadeira na Assembleia Legislativa e Vinicius Ribeiro entra como suplente.


O ex-deputado revelou que agora vai buscar se defender na Justiça Comum. Relatou que vai fazer vir à tona "as verdades que não deixaram mostrar".

Processos contra Basegio

No último dia 10 de novembro um novo processo foi aberto pelo Corregedor-Geral da Assembleia Legislativa (AL) do Estado, Marlon Santos (PDT), contra Basegio. Os dados levantados pelo Ministério Público envolvem os cargos de confiança (CCs) e uma lista feita pelo deputado. A suspeita é de que esses novos valores apresentados sejam relativos ao pagamento de parte dos salários dos CCs a Basegio.

CCJ rejeita relatório que pedia suspensão de Basegio

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa rejeitou na terça-feira da semana passada o relatório do deputado Ciro Simoni (PDT) que solicitava a suspensão do deputado Diógenes Basegio (PDT). Foram dez votos pela não suspensão e dois a favor. Apenas os deputados do PDT votaram pela aprovação do parecer.

Justiça determina bloqueio dos bens de Basegio e ex-assessores

Em outubro, a Justiça havia determinado o bloqueio dos bens do deputado estadual e seus cinco ex-assessores. A ação por improbidade administrativa foi ajuizada pelo Ministério Público Estadual (MP). Entre os ex-assessores citados, está Neuromar Gatto. Na ação proposta pela promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público, o deputado e os ex-assessores são acusados de enriquecimento ilícito, lesão aos bens do Estado e perda patrimonial à Assembleia Legislativa. Segundo o MP, os fatos que deram origem à ação de improbidade tem relação com os delitos de peculato, concussão, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Os danos aos cofres públicos podem chegar a R$ 2,4 milhões. O que, considerada a multa prevista na Lei de Improbidade Administrativa de até três vezes o valor do acréscimo patrimonial, atingiria a cifra de R$ 7,4 milhões. Assim, conforme compreensão do Superior Tribunal de Justiça, o valor do dano e da multa civil, somaria a importância total de R$ 7,5 milhões a ser levada em conta para fins de decretação de indisponibilidade de bens.

Denúncias

Basegio foi acusado, pelo ex-chefe de gabinete Neuromar Gatto, de recolher parte dos salários dos servidores do gabinete, de contratar uma funcionária fantasma, que supostamente recebia sem trabalhar, e de coordenar a alteração dos odômetros dos veículos do gabinete, fazendo o ressarcimento ser maior que o custo da gasolina realmente utilizada. O deputado disse que exonerou Gatto pelo fato de o servidor ter se envolvido em um esquema de fraude no uso do cartão para abastecimento.

Segundo Basegio, as acusações são infundadas e o assessor o chantageou depois que ter sido denunciado ao Ministério Público (MP), por uso indevido de dinheiro público. O pedetista também salienta que o caso só chegou à imprensa porque Gatto queria se vingar da exoneração.

O julgamento da cassação de mandato de Basegio estava previsto para a próxima terça-feira.

Relembre o caso aqui:



Veja mais também aqui.


http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=7884

Renúncia ao vivo no Esfera Pública

Eu não tinha visto algo semelhante.

Uma renúncia de deputado ao vivo em programa de rádio e televisão.

O deputado Diógenes Baseggio renunciou ao vivo em nosso Esfera Pública.

Na Rádio Guaíba.

Saiu atirando na RBS.

Prêmios não me fascinam, mas eu daria o prêmio Esso nacional ao Esfera Pública.

A Taline também merece.

Fica o registro.

O Esfera Pública já é o programa do ano.
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Entrevista com Jessé Souza, presidente do IPEA


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Lei do Direito de Resposta é hostil à liberdade de imprensa, diz Ayres Brito

Ele
O ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Carlos Ayres Britto afirma que a nova Lei do Direito de Resposta é "constitucionalmente duvidosa" porque contém dispositivos que tolhem o direito de defesa de veículos de comunicação.

Artigos da nova lei como o que dá 24 horas para o juiz decidir sobre retratações, mesmo sem ouvir a defesa de quem supostamente ofendeu, ou o que restringe recursos a um colegiado de desembargadores dão margem para questionamentos no STF, afirma o ex-ministro.

Relator das ações que declararam a inconstitucionalidade da chamada Lei de Imprensa (1967) e das restrições ao humor em cartuns no período eleitoral, o ex-ministro crava: "É uma lei hostil à liberdade de imprensa".

A seguir, os principais trechos da entrevista concedida por telefone.

Qual a sua avaliação sobre a Lei do Direito de Resposta?

A lei trabalha mal com as categorias constitucionais sobre liberdade de imprensa e direito de resposta. O texto também não compreendeu bem as decisões do Supremo, como o fim da Lei de Imprensa. Ela foi hostil à liberdade de imprensa e de pensamento.

Por quê?

A lei parte de uma presunção equivocada, que é a do abuso da liberdade de imprensa, e não do uso. Ela não é deferente com este valor constitucional maior, que é o da liberdade. É uma lei desconfiada que não cita uma vez sequer a palavra pensamento. Vários dispositivos parecem, para dizer o mínimo, de constitucionalidade duvidosa.

Quais?

O artigo 7º afirma que o juiz, nas 24 horas seguintes à citação, tenha ou não se manifestado o responsável pelo veículo de comunicação, poderá deferir o direito de resposta em até dez dias se tiver "justificado receio" de ineficácia do provimento final. Ou seja, sem ouvir a parte contrária, e "justificado receio", como está no texto, convenhamos, é muito subjetivo. Outro problema é que a lei elimina a possibilidade de um juízo monocrático no âmbito dos tribunais. Os defeitos pontuais parecem muitos, do ponto de vista da constitucionalidade.

Quando cita o direito de resposta, a Constituição diz que ele deve ser proporcional. O que isso significa?

O direito de resposta deve ser necessariamente proporcional à ofensa, mas a lei não trabalha com a categoria da proporcionalidade.

Na prática, qual o efeito disso?

Do jeito que foi aprovado, o texto permite, por exemplo, que se quatro pessoas se sentirem agravadas em uma notícia de televisão, cada uma delas pode pedir e obter o mesmo direito individual na mesma extensão [da reportagem] como resposta. A proporcionalidade foi ignorada pela lei, o que é grave.

Graciliano Rocha
No fAlha
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10 respostas para entender o direito de resposta

Nova lei do direito de resposta já está valendo e dá direito à retratação mesmo sem o ofendido entrar na Justiça. Entenda.

O histórico direito de resposta de Brizola foi lido por Cid Moreira no JN de 15 de março de 1994

1. A nova lei do direito de resposta já está valendo?

Sim, está em vigor desde o dia 11 de novembro, data da publicação da sanção pela Presidência da República.

2. É verdade que o direito de resposta está previsto na Constituição? De que forma?

Sim, no Capítulo I, dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, Art.5º, inciso V: "É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem". Sem uma lei específica, entretanto, para determinar o rito de concessão do direito de resposta, ele vinha sendo sistematicamente negado, inclusive na Justiça, àqueles que o solicitavam.

3. O espaço da resposta terá que ser o mesmo da matéria original? Pode ter foto ou quadros informativos? A diagramação será a mesma?

A nova lei estabelece, como a Constituição já prevê, que a resposta ou retificação deverá ter, no caso da mídia impressa, o mesmo "destaque, a publicidade, a periodicidade e a dimensão da matéria que a ensejou". Ou seja, deverá ocupar o mesmo espaço do texto que levou ao pedido de resposta. Não há nada na lei acerca de quadros informativos ou fotos para ilustrar a resposta, cabendo ao juiz definir sobre isso.

No caso da TV ou rádio, deverá ter a mesma duração da matéria original. O ofendido poderá requerer resposta ou retificação divulgada, publicada ou transmitida nos mesmos espaços, dias da semana e horários do agravo. O alcance também deverá ser correspondente. Qualquer divulgação, publicação ou transmissão que desobedeça essas normas será considerada inexistente.

4. Hoje algumas pessoas, entidades e empresas já conseguem direito de resposta pela Justiça. Na prática, o que muda?

A lei vem para garantir o direito de resposta sem a necessidade de se entrar na Justiça. Trata-se de uma norma com prazos para os veículos atenderem ao pedido daqueles que se sentiram ofendidos ou prejudicados por informações erradas veiculadas sem precisar acionar a Justiça e arcar com custas processuais. Caso os veículos não concedam extra-judicialmente o direito, então a pessoa poderá ir à Justiça. E, neste caso, a lei também estabelece prazos para os juízes se manifestarem sobre os casos, garantindo rapidez e efetividade na retratação. Hoje há casos de pedidos de direito de resposta aguardando há mais de 5 anos por um posicionamento da Justiça.

5. Vi que Dilma sancionou a lei do direito de resposta mas vetou uma parte relacionada à rádio e TV. O Direito de Resposta valerá ou não para rádio e TV?

Vale. O trecho vetado pela presidenta impede apenas o ofendido de exercer diretamente o direito de resposta no rádio e na TV, por exemplo, através da veiculação de um vídeo em que ele apareça. A nova legislação concede ao ofendido o direito de redigir um texto a ser lido e veiculado pelos próprios funcionários da empresa de comunicação. Foi o que ocorreu no caso Brizola x Globo, em 15 de março de 1994 (assista abaixo).



6. Como alguém que se sentir ofendido ou caluniado deve fazer para conseguir o direito de resposta?

Quem se sentir vítima, ainda que por equívoco de informação, de uma matéria que atente contra sua honra, intimidade ou reputação, poderá solicitar diretamente ao veículo, em até 60 dias a partir da veiculação da matéria, um pedido de retratação. Caso o direito de resposta não seja concedido pelo veículo em até sete dias, a pessoa poderá acionar a Justiça. Um juiz então analisará o caso, ouvirá a empresa envolvida e determinará ou não o exercício do direito de resposta. Caso o veículo de comunicação não se manifeste em 24 horas depois de ter sido notificado e o juiz considere haver elementos para tomar uma decisão, ele poderá determinar o direito de resposta, a ser publicado ou veiculado em no máximo dez dias. Estes prazos rigorosos buscam evitar que um eventual dano causado pela matéria não se amplie com o passar o tempo.

7. O direito de resposta vale também para “ofensas”. Não é algo muito relativo?

Quem julgará cada pedido é um juiz. E a legislação brasileira já oferece todos os elementos para os juízes julgarem ações de injúria, calúnia e difamação, que também podem ser consideradas subjetivas. Todas as partes envolvidas também poderão se manifestar, buscando o equilíbrio no julgamento.

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) é o autor da lei
que regulamentou o direito de resposta
8. Parte da imprensa diz que o direito de resposta cerceia sua liberdade de expressão. Isto é verdade?

Não. Como explicado, o direito de resposta está previsto em nossa Constituição e é um direito garantido na maioria dos países democráticos, sem configurar qualquer cerceamento à liberdade de imprensa. Trata-se de um direito fundamental para permitir aos cidadãos se defenderem de eventuais abusos da imprensa e buscar um mínimo de equilíbrio diante do grande poder dos meios de comunicação. Vale lembrar que os veículos só serão alvos de ações na Justiça caso não concedam um pedido feito diretamente pelo cidadão ofendido, e só terão que veicular uma resposta ou retratação após uma decisão judicial, da qual também têm o direito de recorrer.

9. A imprensa não vai mais poder falar mais mal de ninguém?

Obviamente vai. A crítica é um aspecto central do exercício do jornalismo. Entretanto, caso haja abusos, erros ou inverdades, os veículos poderão responder por isso. Vale lembrar que figuras públicas — como políticos, parlamentares e governantes — estão sujeitos a um grau mais profundo e constante de críticas e opiniões por parte da imprensa do que o cidadão comum. E a Justiça deve considerar este aspecto ao decidir se irá ou não conceder um direito de resposta a figuras públicas.

10. O direito de resposta foi feito para beneficiar o PT, Dilma e Lula?

Não. O objetivo principal da lei é garantir um mecanismo de defesa para o lado mais fraco da relação cidadão-imprensa, e não para proteger homens e mulheres que já detêm poder e outras formas de se defenderem de abusos da imprensa ou dos meios de comunicação em geral.

Bia Barbosa é jornalista, mestra em Políticas Públicas e integrante da coordenação do Intervozes; Lino Bocchini é editor geral de mídia online de CartaCapital.
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Deputados franceses aprovam extensão do estado de emergência por três meses no país

Além de prorrogar o estado de emergência, a decisão permitirá o governo de bloquear sites e redes sociais que façam apologia ao terrorirismo ou incitem atos terroristas

Assembleia Nacional da França, em Paris: estima-se que texto deve ser aprovado sem grandes dificuldades
pelos senadores hoje
A Câmara Baixa do Parlamento da França aprovou nesta quinta-feira (19/11) a extensão do estado de emergência por três meses no território nacional.

Na votação com quase unanimidade, 551 deputados votaram a favor e seis, contra o projeto de lei defendido pelo presidente, François Hollande, desde domingo (15/11).

Além de prorrogar o estado de emergência, a decisão permitirá o governo de bloquear sites e redes sociais que façam apologia ao terrorirismo ou incitem atos terroristas.

Entre outras coisas, a medida também garante mais poderes à polícia francesa para fazer apreensões e buscas de suspeitos, bem como assegura autoridades de proibir o movimento de pessoas e de veículos em horários e locais específicos.

O projeto de lei, que irá para votação no Senado nesta sexta (20/11), vem poucos dias após uma onda de atentados em Paris que matou ao menos 129 pessoas e feriu mais de 350. O Estado Islâmico reivindicou o ataque.

Nesta manhã, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, declarou perante os parlamentares na Assembleia Nacional de Paris que não descarta os riscos de atentados químicos e biológicos no país.

O alerta veio em meio à tentativa do premiê de conseguir apoio dos deputados para a aprovação da extensão do estado de emergência, decisão defendida pela ala governista.

Constituição francesa

Em discurso com prefeitos para debater medidas de segurança no território, Hollande admitiu que algumas liberdades estariam temporariamente restritas, mas garantiu que a França ainda é um "país do movimento".

Na terça-feira (16/11), o chefe de Estado francês falou por quase 30 minutos na sede do Legislativo, em Paris, a respeito da necessidade de revisar a Constituição para adaptá-la a novas ameaças terroristas.

Embora dependa da aprovação dos senadores, a decisão dos deputados hoje pretende alterar uma legislação que estava em vigor desde 1955 e que o estabelece que o estado de emergência pode ser decretado em todo território ou em parte do país por apenas 12 dias, em caso de "perigo iminente" por alterações graves da ordem pública, diante de eventos que, por sua natureza ou gravidade, "possam apresentar um caráter de calamidade".

"Nós devemos fazer evoluir nossa Constituição para agir, em conformidade com o Estado de direito, contra o terrorismo de guerra", argumentou Hollande na terça, acrescentando que a Carta não está adaptada à "atual situação".

"Estamos em guerra. Esta guerra pede um regime constitucional de estado de crise", prolongou, apontando, sem entrar em detalhes, que é necessário alterar os artigos 6 e 26 da Constituição.

Operações no subúrbio

A aprovação do projeto de lei pelos deputados vem poucos minutos após a Procuradoria de Paris confirmar que o suspeito morto ontem por agentes policiais em Saint-Denis, no subúrbio de Paris, é de fato o principal mentor dos ataques na capital.

Trata-se de Abdelhamid Abaaoud, um belga de origem marroquina que havia se aliado ao Estado Islâmico na Síria, em 2014, mas foi encontrado num edifício em Saint-Denis após investigações do serviço de inteligência francês.

Na madrugada de terça, a polícia francesa realizou uma grande operação envolvendo mais de 100 homens no subúrbio. Além de Abaaoud, sua prima, Hasna Aitboulahcen, também morreu no local. Ela é a mulher-bomba que se explodiu no local, deixando um cão policial morto e sete agentes feridos.

Outras seis operações acontecem hoje em Bruxelas, capital da Bélgica, em busca de outros suspeitos de terem coordenado os ataques em Paris. Ao menos nove foram detidos nesta tarde.

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Golpista acampado em frente ao Congresso promete ‘carnificina’

Líder do acampamento em frente ao Congresso Nacional diz que não há chances de deixar o local de forma pacífica. "Vamos resistir. Estamos armados e se houver isso (retirada) vai ter uma carnificina aqui", ameaçou

Homem armado durante Marcha das Mulheres Negras no centro de Brasília

Um dos líderes do acampamento que está em frente ao Congresso Nacional e que defende a deposição do governo e a “intervenção popular”, Felipe Porto, afirmou nesta quinta-feira, (19/11) que não há chances de que o movimento deixe o local de forma pacífica. “Vamos resistir. Estamos armados e se houver isso (retirada) vai ter uma carnificina aqui”, afirmou.

No gramado em frente ao Congresso há pelo menos quatro grupos distintos acampados, a maioria pedindo a saída da presidente Dilma Rousseff.

O grupo a que Felipe pertence, denominado “Ocupa Brasília”, é composto majoritariamente por ex-militares e ex-policiais. Por isso, afirmam, estão armados legalmente.

Não há reforço policial no momento. O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, está reunido neste momento com os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, para tentar articular a retirada de todos os acampamentos.

Na quarta-feira, (18/11) foi registrado conflito na área entre membros do grupo de manifestantes militares e integrantes da Marcha das Mulheres Negras. Foram registrados tiros e dois manifestantes foram presos.

Porto diz que o objetivo do grupo é fazer uma “deposição total dos Três Poderes”. “Não defendemos a intervenção militar e sim a intervenção popular”, afirmou. Questionado sobre como funcionaria essa deposição, Porto disse que com o apoio do Exército.

O grupo de Porto é o mesmo responsável pela manifestação de domingo, dia 15 de novembro, para “defender a pátria”. O protesto, entretanto, teve baixa adesão.

Porto disse que apesar de poucos adeptos o grupo tem condições de “chamar reforço armado” caso haja confronto. “O cenário de guerra está armado”, ameaçou.

De acordo com Felipe Porto, vários dos integrantes do "Acampamento Patriota" estão armados e não pensam em deixar o local.

"Vocês acham que alguém aqui tem medo? Vi gente daqui ligando para a família e dizendo que não sabe se volta. Aqui tem patriota, é sangue verde-amarelo. Tem gente disposta a morrer pelo Brasil", disse. "Do lado de cá tem arma sim. Barraca é casa. E se alguém invadir, tenho direito de defender a propriedade", assegurou, segundo reportagem do Globo.

Segundo ele, entre os membros do movimento que representa — que defende uma "intervenção popular" capaz de sitiar os três poderes, para que as "forças legalistas", como forças armadas e polícias militares, montem um governo provisório e convoquem novas eleições, com cédulas em papel, sem o uso da urna eletrônica — estão militares, colecionadores de armas, ex-policiais e ex-militares, que possuem o direito de portar armas de fogo.

Porto disse, ainda, que o Acampamento Patriota está instalado bem em frente a um outro acampamento, este ligado a CUT, o que tem gerado "um cenário de guerra" entre eles. "O cenário de guerra está armado. Pode acontecer uma carnificina", destacou.


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Dia da Vergonha faz tetraplégica ficar em pé

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2015/11/20/dia-da-vergonha-faz-tetraplegica-ficar-em-pe/


É nos momentos de crise política aguda que as pessoas se revelam para o bem ou para o mal, oferecendo exemplos extremos de canalhice ou de superação.

Foi o que vimos nesta quinta-feira, 19 de novembro de 2015, o Dia da Vergonha no Congresso Nacional, tendo, de um lado, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, acoelhando-se no papel de homem-bomba para escapar da cassação; de outro, a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), uma senhora tetraplégica que ficou em pé na sua cadeira de rodas para comandar a retirada do plenário.

Graças a uma cadeira tipo ortostática, com reclinação que permite à pessoa deficiente física ficar na posição vertical, algo que muitos políticos já não conseguem, Mara fez um emocionante discurso olhando na cara de Eduardo Cunha, que permaneceu sentado, absolutamente impassível.

Em dois minutos e quatro segundos, como podemos ver no vídeo do Facebook dela encontrado no Google, com voz pausada e firme a deputada detonou a imagem do ex-todo poderoso comandante das tropas da oposição, até outro dia aliado do PSDB, agora ameaçado de perder o cargo, o mandato e a liberdade.

"Convido todos os deputados a deixarem essa sessão, pela ética, pela moral e pelo povo brasileiro que nos trouxe aqui. Levante desta cadeira, Eduardo Cunha!", conclamou Mara Gabrilli, acompanhada na retirada por mais de 100 deputados com vergonha na cara.

Nada resume melhor do que este vídeo tudo o que se viu de degradante e pusilânime no plenário da Câmara dos Deputados, um verdadeiro escárnio, uma afronta ao País, uma séria ameaça às instituições democráticas.

Com a palavra, a deputada Mara Gabrilli:



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PF investiga irregularidades em repasses da Odebrecht a Instituto FHC

Em comunicações por e-mails, entidade pede que não sejam registrados contratos de palestra do ex-presidente feita a empresários

Instituto FCH afirma que não há irregularidades nos pagamentos
Sheyla Leal/ObritoNews/Fato Online
Durante as investigações da Operação Lava-Jato, policiais federais começaram a apurar indícios de desvios de finalidade ou ocultação de origem em pagamentos feitos pela empresas Odebrecht e Braskem ao iFHC (Instituto Fernando Henrique Cardoso). A entidade, do outro lado, nega qualquer tipo de irregularidade nos repasses das empreiteiras.

Laudos da Polícia Federal, no âmbito das investigações relacionadas à Odebrecht, apontam que o iFHC recebeu R$ 975 mil da Odebrecht entre novembro de 2011 e dezembro de 2012. Oficialmente, o Instituto FHC explicou que os valores são referentes a doações feitas ao fundo de manutenção da entidade. Entretanto, a PF começa a suspeitar que, na realidade, a Odebrecht pode ter feito pagamentos por palestras ou serviços de consultoria prestados pelo ex-presidente e que não foram contabilizados.

Isso porque comunicações por e-mail do iFHC interceptadas pela PF apontam conversas entre funcionários do Instituto e executivos da Odebrecht tratando de pagamentos a uma possível participação do ex-presidente em uma das reuniões da Apla (Associação Latino Americana da Indústria Petroquímica).

Em uma destas comunicações, uma funcionária do iFHC questiona a um funcionário da Braskem, identificado como Pedro, como seria a melhor forma para se efetuar “doações” em nome da Odebrecht ou da Braskem. No mesmo trecho, a servidora afirma que o Instituto pode firmar um contrato, porém não podem associar a qualquer tipo de serviço do ex-presidente.

“Gostaria que você verificasse com a Braskem qual a melhor maneira para fazer a doação. Temos as seguintes opções: - uma doação direta, de acordo com as normas e rubricas deles, e então enviaremos um recibo. Acho que a Braskem / Odebrecht já fez doações para a Fundação iFHC. - A elaboração de um contrato, porém não podemos citar que a prestação de serviço será uma palestra do Presidente”, destaca a comunicação por e-mail da secretaria do iFHC.

Pagamentos

“Dessa forma, é possível que outros pagamentos [da Odebrecht] tenham sido feitos e não tenham sido encontrados”, informa a Polícia Federal em laudo expedido no início de novembro. Ainda de acordo com a PF, é possível que os pagamentos tenham ocorrido por meio de “uma triangulação entre Grupo Odebrecht, o contratante do serviço (exemplo do evento APLA) e o Instituto Fernando Henrique Cardoso”, apontam os investigadores.

Os pagamentos ao iFHC por meio da Odebrecht ocorreram por meio de 12 pagamentos mensais. Onze deles no valor de R$ 75 mil e um no valor de R$ 150 mil. O último pagamento ocorreu no dia 14 de dezembro de 2012. Os pagamentos constantes ao instituto levantaram a suspeita dos investigadores visto que não são comuns doações.

O Instituto FHC afirmou, em nota oficial, que as suspeitas “não procedem”. Anteriormente, o iFHC já havia ressaltado que “estranha a forma pela qual vem sendo tratada a informação de que a entidade recebeu aporte no valor de R$ 975 mil do grupo Odebrecht”. “Basta o mais elementar bom senso para perceber o absurdo de supor que a doação feita à Fundação iFHC pudesse ter qualquer relação com o propósito de obter vantagens governamentais. Causa estranheza, portanto, que ela conste do relatório da PF que trata da corrupção na Petrobras”.

A Odebrecht também já se manifestou sobre esse episódio declarando que a “CNO fez contribuições pontuais ao Instituto Fernando Henrique Cardoso, dentro do seu programa de apoio às iniciativas que ajudam a fortalecer as democracias. Apoiamos também iniciativas de outros institutos no Brasil e no exterior, sempre que possuam ligação direta com as posições institucionais da Odebrecht”.

Wilson Lima
No Fato Online
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Consciência Negra: as cidades que decretaram feriado nesta sexta-feira

20 de novembro, Dia da Consciência Negra, é considerado feriado oficial em mais de mil cidades do Brasil. Data da morte de Zumbi dos Palmares é comemorada há mais de 30 anos


O Dia da Consciência Negra é comemorado em 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares. Ele foi o último líder do maior dos quilombos do período colonial, o Quilombo dos Palmares.

Comemorado há mais de 30 anos por ativistas do movimento negro, a data foi incluída em 2003 no calendário escolar nacional. Contudo, somente a Lei 12.519 de 2011 instituiu oficialmente o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.

A data é feriado em mais de mil cidades brasileiras. A lista completa de 1.044 cidades brasileiras onde dia 20 de novembro é feriado oficial, com a respectiva lei que regulamenta a data, pode ser conferida em levantamento realizado pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) em 2014.

A lista abaixo poderá ser atualizada a partir da publicação ou revogação dos decretos que determinam o feriado.

Acre: no Acre, o 20 de novembro não é feriado oficial em nenhum município.

Alagoas: de acordo com a Lei Estadual n° 5.724 de 1995, todos os municípios do estado de Alagoas tem feriado no Dia da Consciência Negra.

Amazonas: desde 2010, por força de uma lei estadual, o dia 20 de novembro passou a ser considerado feriado em todos os municípios do Amazonas. A capital Manaus também tem uma lei municipal que decreta 20 de novembro feriado do Dia da Consciência Negra.

Amapá: a Lei Estadual Nº 1169, de 2007, garantiu feriado oficial em 20 de novembro em todas as cidades do estado do Amapá.

Bahia: apenas três municípios baianos têm o Dia da Consciência Negra no calendário oficial de comemorações: Alagoinhas, Camaçari e Serrinha. Em todos eles, o feriado foi determinado por lei municipal.

Ceará: no estado do Ceará, o Dia da Consciência Negra não é feriado em nenhum município.

Distrito Federal: Distrito Federal não tem feriado para comemorar o Dia da Consciência Negra.

Espírito Santo: as cidades de Cariacica e Guarapari têm feriado oficial no dia 20 de novembro, por determinação de leis municipais.

Goiás: quatro cidades goianas celebram oficialmente o Dia da Consciêcia Negra em 20 de novembro: a capital Goiânia, Aparecida de Goiânia, Flores de Goiás e Santa Rita do Araguaia.

Maranhão: apenas o município de Pedreiras terá feriado no dia 20 de novembro, garantido por uma lei municipal de 2008.

Minas Gerais: 11 cidades mineiras têm feriado do Dia da Consciência Negra em 20 de novembro: Além Paraiba, Betim, Guarani, Ibiá, Jacutinga, Juiz De Fora, Montes Claros, Santos Dumont, Sapucai-Mirim e Uberaba. Em Belo Horizonte não haverá o feriado.

Mato Grosso do Sul: só a cidade de Corumbá tem feriado oficial em 20 de novembro, por força de lei municipal de 2008.

Mato Grosso: uma lei de 2002 determina feriado do Dia da Consciência Negra em 20 de novembro em todos os municípios do estado.

Paraíba: o 20 de novembro é oficialmente feriado apenas na capital, João Pessoa.

Pará: não é feriado em 20 de novembro em nenhuma cidade do estado.

Paraná: só duas cidades paranenses, Guarapuava e Londrrina, tem feriado oficial no 20 de novembro. Nos dois casos, o feriado foi determinado por lei municipal de 2009.

Pernambuco: não é feriado em 20 de novembro em nenhuma cidade do estado.

Piauí: não é feriado em 20 de novembro em nenhuma cidade do estado.

Rio de Janeiro: lei estadual de 2002 garante o feriado do Dia da Consciência Negra em todos os municípios fluminenses.

Rio Grande do Norte: não é feriado em 20 de novembro em nenhuma cidade do estado.

Rio Grande do Sul: desde 1987, uma lei estadual determina que o 20 de novembro é feriado em todos os municípios gaúchos.

Rondônia: não é feriado em 20 de novembro em nenhuma cidade do estado.

Roraima: não é feriado em 20 de novembro em nenhuma cidade do estado.

Santa Catarina: Florianópolis

São Paulo: não há uma lei estadual que determine o feriado de 20 de novembro no estado. Entretato, a data está no calendário oficial de 101 cidades por leis municipais, incluindo a capital São Paulo. São eles: Aguai, Aguas Da Prata, Aguas De Sao Pedro, Altinópolis, Americana, Americo Brasiliense, Amparo, Aparecida, Araçatuba, Aracoiaba da Serra, Araraquara, Araras, Atibaia, Bananal, Barretos, Barueri, Bofete, Borborema, Buritama, Cabreuva, Cajeira, Cajobi, Campinas, Campos do Jordão, Canas, Capivari, Caraguatatuba, Carapicuíba, Charqueada, Chavantes, Cordeirópolis, Cruz das Almas, Diadema, Embu, Embu Das Artes,Estância De Atibaia, Florida Paulista, Franca, Franco Da Rocha, Francisco Morato, Franco da Rocha, Getulina, Guaira, Guarujá, Guarulhos, Hortolândia, Ilhabela, Itanhaem, Itapecerica da Serra, Itapeva, Itapevi, Itararé, Itatiba, Itu, Ituverava, Jaguariuna, Jambeiro, Jandira, Jarinu, Jaú, Jundiaí, Juquitiba, Lajes,Leme, Limeira, Mauá, Mococa, Olímpia, Paraiso, Paulo de Faria, Pedreira, Pedro de Toledo, Pereira Barreto, Peruíbe, Piracicaba, Pirapora do Bom Jesus, Porto Feliz, Ribeirão Pires, Ribeirão Preto, Rincão, Rio Claro, Rio Grande Da Serra, Salesópolis, Salto, Santa Albertina, Santa Isabel, Santa Rosa de Viterbo, Santo André , Santos, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São João Da Boa Vista, São Paulo, São Vicente, Sete Barras, Sorocaba, Sumaré e Suzano.

Sergipe: não é feriado em 20 de novembro em nenhuma cidade do estado.

Tocantins: só o município de Porto Nacional tem, por lei municipal, feriado no 20 de novembro.

No Pragmatismo Político
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As "Pedaladas", as Reservas Internacionais e a CPMF

http://www.maurosantayana.com/2015/11/as-pedaladas-as-reservas-internacionais.html

Fiel à sua tática de continuar produzindo novos factoides, a imprensa conservadora anuncia que o TCU pode "obrigar" o governo a “pagar” R$ 60 bilhões de reais em pedaladas fiscais.

Colocando os pingos nos is, o TCU não pode obrigar o governo a fazer nada.

O Tribunal de Contas da União não é órgão do Judiciário, seus membros nunca passaram em concurso para magistrados e suas recomendações dependem de aprovação do Congresso Nacional, de quem não passa de um órgão auxiliar.

Caso o governo resolva “pagar” essas “pedaladas” fiscais — que o professor Dalmo Dallari, em entrevista na Globo News, afirmou que não acarretaram nenhum prejuízo para o país, porque não passam de um acerto de contas dentro do próprio setor público e "fazem parte das atribuições da Presidente da República" de manter em funcionamento os programas sociais de interesse da população, bastaria à Presidente Dilma Roussef converter 15 dos 370 bilhões de dólares que o país dispõe em reservas internacionais para "pagar" esses 60 bilhões de reais.

E ainda sobrariam, nas arcas do tesouro, o equivalente a 1 trilhão e 440 bilhões de reais em reservas internacionais, em dólares, ali colocados nos últimos 10 anos, depois do pagamento, ao FMI, da conta de 40 bilhões de dólares deixada pelo economicamente tão decantado, em prosa e verso, governo de Fernando Henrique Cardoso, que também deixou como herança uma dívida pública líquida de 60%, duplicada com relação à do governo Itamar Franco, que representa, hoje, diminuída pela metade, aproximadamente 34% do PIB.

Ao admitir — montada nas sextas maiores reservas internacionais do mundo, e na condição de que o Brasil goza, neste momento, de terceiro maior credor individual externo dos EUA, como se pode ver pela página oficial do tesouro norte-americano, o discurso da mídia de que o país está em uma crise sem saída, a senhora Dilma Roussef — que já deveria ter convocado cadeia nacional de rádio e televisão para apresentar esses dados — não apenas comete um suicídio político e um verdadeiro desastre do ponto de vista da comunicação, mas também continua a fazer o jogo de seus adversários, deixando-se mansamente pautar pelos "moralistas sem moral" a que se referiu outro dia em discurso, e pela mídia de oposição.

O mesmo vale para a CPMF, mais uma faca que a Presidente da República coloca nas mãos de seus adversários, junto a uma opinião pública que, desinformada e intoxicada, dia a dia, semana a semana, pelo discurso neoliberal vigente, acredita no dogma de que o Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do planeta e um dos estados mais inchados do mundo. Algo que, nos dois casos, não resiste a uma comparação ligeira com países da Europa ou os próprios EUA, ou a uma mera leitura das estatísticas de instituições e órgãos financeiros internacionais.

Como disse o Prêmio Nobel de Economia, e colunista do New York Times, Paul Krugman, em recente entrevista à Folha de São Paulo — na qual reduziu praticamente à insignificância os recentes "rebaixamentos" do Brasil pelas agências internacionais — o Brasil tem problemas, boa parte deles derivado de uma situação econômica internacional negativa, que atinge boa parte do mundo, mas vive uma situação macroeconômica ímpar, que não pode ser comparada às enfrentadas e vividas no passado.

A Presidente Dilma — aproveitando uma eventual troca de Ministro da Fazenda — poderia lançar mão de parte das reservas para resolver os problemas pontuais e imediatos que o país enfrenta.

Assim, ela evitaria pisar nas cascas de banana que lhe atiram todos os dias.

E caso também diminuísse os juros, sem aumentar impostos, beneficiando ainda mais a indústria e setores como o turismo interno, que tendem a se fortalecer com as recentes altas do dólar, o Brasil poderia começar o ano que vem sob outra perspectiva econômica e institucional.

Isso, se fosse possível superar a incompetência estratégica do governo — que há muito tempo deveria ter lançado uma campanha nacional com os reais dados macroeconômicos para combater a "crise" — que é de dar lástima, em sua comunicação com o povo brasileiro.
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O público e o privado na lista completa dos ‘empréstimos’ de aeronaves de Minas por Aécio

O DCM teve acesso à relação completa dos vôos de Aécio Neves durante os 7 anos e três meses de seu governo em Minas Gerais, entre 2003 e 2010, através da Lei de Acesso à Informação.

O uso que Aécio fez dos dois jatos, um Citation e um Learjet, um helicóptero Dauphin e um turboélice King Air pertencentes ao estado é um caso de estudo em matéria de patrimonialismo.

Foram 1430 viagens ao todo, 110 com pouso ou decolagem do famoso aeroporto de Cláudio, construído nas terras do tio Múcio Toletino, que ficou com a chave por um bom tempo.

Pelo menos 198 vezes ele não estava a bordo. Um decreto de 2005 estabelece que esse equipamento destina-se “ao transporte do governador, vice-governador, secretários de Estado, ao presidente da Assembleia Legislativa e outras autoridades públicas” e serve “para desempenho de atividades próprias dos serviços públicos”. A linha entre o interesse público e o privado é tênue.

Parte desses empréstimos de aeronave foi objeto de matéria da Folha do início de novembro. Parte.

Luciano Huck, companheiro de Aécio presente nas horas incertas como a “festa da vitória” em 2014, foi a Tiradentes em agosto de 2004. Alguns dias depois, com Sandy, Junior e o empresário da dupla, rumou para Santa Bárbara. Estavam gravando um quadro para o programa.

Milton Gonçalves, José Wilker e Boni também foram usufrutuários, assim como Boni, que foi, segundo ele, “fazer uma análise da TV Minas”.

Ricardo Teixeira fez seis vôos, três em 2006 e mais três em 2010, um deles com José Serra a bordo. O detalhe é que, em 28 de agosto de 2007, um dos passageiros era Ray Whelan, executivo-chefe da Match Services acusado de envolvimento num esquema de venda ilegal de ingressos da Copa do Mundo do Brasil. Whelan chegou a ser preso no Complexo de Bangu.

Roberto Civita, ex-dono da Abril, e a mulher Maria Antônia passaram o fim de semana de 27 e 28 de março de 2010 em Minas. O casal foi de Belo Horizonte a Brumadinho, onde fica o fabuloso museu de Inhotim, no helicóptero. De volta à capital, Aécio os levou a São João del Rey no Learjet. No domingo, pegaram novamente uma carona nas hélices do Dauphin até Confins.

A lista completa, no entanto, traz muitas outras surpresas.

Fernando Henrique Cardoso usou os aviões e o helicóptero em pelo menos dez ocasiões, sem a presença do governador. A maioria em 2006 (três, uma delas com uma “comitiva”) e 2008. Em quatro viagens o pacote foi completo: de Belo Horizonte direto para São Paulo.

Roberto Irineu Marinho, um dos donos da Globo, foi de BH a Brasília em 11 de setembro de 2007. No dia seguinte, da capital mineira a Diamantina. Esteve acompanhado do então senador Sérgio Guerra, do PSDB.

Ex-presidente do partido, Guerra foi citado pelo delator Paulo Roberto Costa, que afirmou ao Ministério Público Federal ter dado propina ao tucano para ajudar a esvaziar uma CPI da Petrobras de 2009. Morreu em 2014, aos 66 anos, de câncer no pulmão (foi substituído por Aécio).

Com o amigo Acciolly
Com o amigo Acciolly
A Fundação Roberto Marinho tem várias obras de restauração em MG. Em Diamantina fica a Casa de Chica da Silva. É uma relação boa: Aécio, por exemplo, pavimentou uma estrada no interior que faz um desvio na fazenda dos Marinhos em Botelhos, produtora de um café de alta qualidade.

O amigo Alexandre Acciolly foi premiado, também. Dono de academias de ginástica, sócio do Gero e do Fasano, bon vivant, ele é da turma carioca de Aécio, integrada por Huck, Mário Garnero e outros. Foi padrinho do casamento de Aécio com Letícia Weber em 2013, no Rio.

Cabo eleitoral do amigo, ele deu uma entrevista à revista Alfa, em 2012, em que admitiu que foi sonegador: ”Eu tomava decisões de risco na minha empresa de telemarketing. Não tinha dinheiro para investir e minha carga tributária era de 40%. Eu ia pagar imposto ou comprar computador e pagar salário? Eu falei: ‘No c*, imposto!” Em abril de 2009, voou no Dauphin até Confins (com Aécio, passeou mais quatro vezes).

Houve espaço até para o presidente do Rotary International, Dong Kurn Lee, e Hipólito Ferreira, ex-membro de um certo Comitê de Revisão da entidade. Em setembro de 2008, eles viajaram de helicóptero de Belo Horizonte a Ouro Preto com suas respectivas senhoras.

A generosidade com a própria família é enorme. Tios, primos (inclusive Tancredo Tolentino, o Quedo, que seria denunciado em 2012 por negociar a compra de habeas corpus de dois traficantes), ex-mulher, parentes, contraparentes — todos voaram. Andrea Neves, a irmã de Aécio, esteve em São João del Rey, Brasília, Viçosa e Rio de Janeiro, com e sem o irmão.

Para quem era, no papel, presidente do Serviço Voluntário de Assistência Social, é um bocado. No debate da Band, Aécio, retrucou uma acusação de nepotismo de Dilma Roussef. “Quero saber onde minha irmã trabalha”, disse ele, desafiador.

Bem, além do tal cargo “voluntário”, Andrea era a responsável pela distribuição de verbas publicitárias. Durante sua gestão, os gastos com publicidade subiram 300% (de R$ 24 milhões para R$ 96 milhões). Uma parcela foi destinada aos veículos do clã: as rádios Arco Íris, São João e Colonial, ambas de São João del Rey, e um jornal também de lá.

A reverência com relação a ela é tamanha que é das poucas identificadas como “Dra.” no relatório. Sua xará Andrea Falcão, por exemplo, entra apenas com nome e sobrenome. Andrea, ex-mulher de Aécio, mãe de Gabriela, voou para locais como Rio de Janeiro, onde as duas moram, e em março de 2007 para Manaus (Sergio Cabral também estava nessa).

Em 31 de março de 2010, o King Air aterrissou na Cidade Maravilhosa com Andréa Falcão, Gabriela Falcão Neves, Luiza Falcão e Matheus Falcão.

A listagem de vôos, como foi dito, é grande e cada uma tem sua história com suas imbricações. Outras serão contadas aqui.

Aécio e Andrea Neves
Aécio e Andrea Neves

Kiko Nogueira
No DCM
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