18 de nov de 2015

Sebastião Salgado, a Vale e o Jornal Nacional

Salgado em seu Instituto Terra, em Minas, com a mulher Lélia
Seja qual for a quantia que a Vale paga para patrocinar Sebastião Salgado, é pouco diante do serviço de relações públicas que ele presta.

Salgado, seguramente um dos melhores fotógrafos do mundo, foi cobrado por sua parceria com a mineradora depois do desastre na barragem de Mariana (a Vale é controladora da Samarco).

A empresa é patrocinadora dele desde, pelo menos, 2008. Banca o Projeto Gênesis, um ambicioso registro de uma volta ao globo por 32 regiões extremas. “É sobre um planeta intocado”, diz ele. Para a Vale, no site oficial, é “uma ilustração artística do compromisso com o desenvolvimento integrado nas comunidades em que atua (…). O projeto mostra que a coexistência harmônica entre o homem e a natureza é primordial para o equilíbrio”.

Mais: “Um hino visual à grandeza e à fragilidade da Terra”.

Depois da catástrofe, porém, Salgado não rompeu com a antiga parceria. Veio ao Brasil (ele mora em Paris) para tentar emplacar uma iniciativa bacana: a criação de um fundo para recuperar as nascentes do rio Doce. Reuniu-se com Dilma e com outras autoridades.

Quem vai bancar? A Vale, se Deus quiser.

A ficha corrida da corporação é barra pesada e isso não é novidade. Recentemente, recebeu de ativistas o título de “pior empresa do mundo” por causa de suas relações trabalhistas, impactos no entorno e as chamadas pegadas ambientais (aqui uma boa matéria sobre esses estragos).

Na África o cenário é triste. Há três anos, um choque entre a polícia da Guiné e trabalhadores da mineradora deixou seis manifestantes mortos. Em dezembro de 2013, mineiros de carvão em Moçambique invadiram a sede para cobrar o pagamento de indenizações por terem perdido as casas em obras das minas. E um longo etc.

Salgado funciona como um brilhante escudo ético para a Vale. A prova de que ela é “sustentável”, dando dinheiro para esse tipo de empreendimento com um artista ligado a causas nobres.

Na maratona de entrevistas que anda concedendo, Salgado apareceu no Jornal Nacional. Ernesto Paglia — dono do sotaque paulistano mais caricato que o das nonna do Bixiga, que não existem, e Adoniran Barbosa juntos — foi até a ONG de Salgado em Aimorés.



Ele repetiu novamente o mantra de que “aprendeu a nadar naquele rio”, falou do reflorestamento, das nascentes. Paglia, num momento de pieguice extra, sobre um fundo musical hediondo, ajoelhou-se à frente de um fio d’água e suspirou, depois de passar umas gotinhas na calva: “Um pouco de esperança aqui, jorrando no meio dessa matinha”.

No final, uma Renata Vasconcelos com os olhos marejados, ainda com o eco da música melosa, arrematou: “A Vale afirmou que tomou conhecimento da criação do fundo proposto pelo fotógrafo Sebastião Salgado e que está disposta a apoiar, no que for possível, a recuperação do Rio Doce.” Viva!

SS tem o direito inalienável de ser bem remunerado por sua obra  — de resto, grandiosa. Mas é realmente necessário, a essa altura, permanecer associado a uma companhia que detona, para começar, a natureza de seu próprio estado há décadas? Que sentido tem isso?

Como escreveu Drummond:

O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.

(Ou o velho Macca: boy, you’re gonna carry that weight a long time).

Kiko Nogueira
No DCM
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Confederação de escolas privadas pede para STF banir crianças deficientes


A pedagogia moderna entende que crianças “deficientes” devem frequentar escolas comuns, evidentemente que contando com infraestrutura especializada. Eis por que o último Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado em 2014, prevê, ainda que de forma algo dúbia, a universalização desse instituto civilizatório.

A Lei nº 13.146, sancionada pela presidência da República no dia 6/7/2015 e publicada no Diário Oficial da União no dia 7/7/2015, veio com o fim de assegurar e promover a inclusão da pessoa com deficiência.

Artigo 1º da lei 13146/2015:

É instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania

Tragicamente, a busca pelo lucro a todo custo fez com que a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen) recorresse ao Supremo Tribunal Federal contra essa lei por uma razão muito simples de entender.

A lei supracitada determina que escolas privadas não possam recusar alunos com necessidades especiais sob risco de penalização criminal. Além disso, obriga esses estabelecimentos a fornecer toda a infraestrutura necessária a esses alunos, o que, obviamente, implica em mais custos e, portanto, em menores lucros.

A lei em questão começa a viger a partir de janeiro de 2016.

Por conta disso — e visando somente interesses comerciais —, a Confenen foi ao Supremo com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) pretendendo desobrigar as escolas privadas das obrigações impostas pela nova lei.

Além disso, a ADIN da Confenen pede uma liminar para suspender os efeitos do texto legal, de forma que todas as crianças que estiverem em escolas privadas terão ou que pagar pelos “serviços especiais” — tais como “cuidadores”, instalações adequadas e treinamento de professores — ou, simplesmente, terão que ser desligados desses estabelecimentos.

É um horror.

Diante disso, algumas escolas já estão impondo um questionário a ser preenchido pelos pais de seus alunos antes de as matrículas serem aceitas. A medida, ilegal, chegou a ser comentada pela imprensa carioca.

inclusão 1

Como se poderia esperar, veículos de comunicação como a revista Veja vêm tratando de combater uma política pública que colocou o Brasil como um dos líderes mundiais em Educação Inclusiva.

A colunista Lya Luft,em artigo publicado na revista Veja (“O ano das criancinhas mortas”, p. 221, edição 2.302), utiliza de sua liberdade de expressão para refletir sobre o direito ao acesso e permanência na educação para as pessoas com deficiência, fazendo parecer, inclusive, que o direito vem sendo exercido apenas por ser politicamente correto.

inclusão 2

Ruim mesmo, trágico mesmo, porém, é o texto da ADIN da Confenen. A certa altura, a entidade tenta colocar pais de crianças deficientes contra os pais das crianças “normais”, “alertando-os” para o “custo” a mais que recairá sobre as mensalidades caso a lei passe a vigorar.

“Os dispositivos impugnados violam, ainda, o princípio da razoabilidade extraído do preceito constitucional insculpido no artigo 5º, inciso LIV da CF porquanto: obrigam à escola comum, regular, pública ou privada, não especializada e despreparada para a incumbência de receber todo e qualquer portador de necessidade especial, de qualquer natureza, grau ou profundidade; prometem ao portador de necessidade especial uma inclusão social com eficiência, tratamento e resultado, de que carecer cada um que a escola regular, comum, não conseguirá propiciar; jogam ônus dos sobrecustos para a escola particular e para todos seus demais alunos, alterando injustamente o orçamento familiar, com verdadeira expropriação; frustram e desequilibram emocionalmente professores e pessoal da escola comum, regular, por não possuírem a capacitação e especialização para lidar com todo e qualquer portador de necessidade e a inumerável variação de cada deficiência; causarão o desemprego e o fechamento de escolas particulares; lançam sobre a iniciativa privada encargos e custos de responsabilidade exclusiva dos poderes públicos”.

Os argumentos da Confenen também são falaciosos no sentido de que colocam as escolas privadas como incapazes de cumprir a lei, quando o cumprimento desta depende, exclusivamente, de investimentos.

O relator dessa peça triste no STF é o ministro Edson Facchin. A ele, a ASSOCIAÇÃO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO DE DEFESA DOS DIREITOS DOS IDOSOS E PESSOAS COM DEFICIÊNCIA – AMPID, dirigiu a defesa do texto legal que a Confenen tenta derrubar.

A peça é um horror — quem quiser, pode ler no link destacado no parágrafo anterior. Os termos que usa, aliás, tratam as crianças deficientes de uma forma inaceitável. Em um ponto do texto, a Confenen usa expressão quase inacreditável:

Lembre-se ainda que educação não se confunde com adestramento coletivo

“Adestramento”?! É assim que essa entidade enxerga o tratamento que a lei impõe que dê a crianças especiais?! Isso já não é nem mais preconceito, é bestialidade mesmo…

O fato, porém, é que a Confenen, mesmo exercendo seu direito de recorrer à Justiça, por vias transversas está incentivando a violação da lei, conforme sua reprodução a seguir:

Art. 8º Constitui crime punível com reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa:

I – recusar, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer cessar, sem justa causa, a inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, por motivos derivados da deficiência que porta;

…Vide Lei nº 13.146, de 2015:

Art. 98. A Lei no 7.853, de 24 de outubro de 1989, passa a vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 8o Constitui crime punível com reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos e multa:

I – recusar, cobrar valores adicionais, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer cessar inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, em razão de sua deficiência;

A ADIN da Confenen Impõe a pessoas com deficiência normas diferenciadas e ônus pela condição, ônus para a humanidade e violação de preceitos fundamentais. Enseja uma grave violação aos Direitos Humanos a toda a sociedade ao tratar pessoas com necessidades especiais como fardos para a sociedade, gerando “razão” para preconceitos, expondo as crianças que já estudam em escolas comuns, inclusive, a bullying.

A reação jurídica à iniciativa da Confenen conta com o apoio das Apaes e até da OAB. O que essa entidade de classe está fazendo atenta contra os direitos fundamentais da pessoa, contra o Estado de Direito e contra o próprio direito do deficiente de meramente existir socialmente, condenando à segregação e à invisibilidade que tanto mal já causou àqueles que constituem-se os mais fracos entre os fracos.

O tema Educação Inclusiva é extremamente extenso. O caso em questão, idem. Se o Blog fosse abordar a questão na sua integralidade, produziria um post cansativo que, muito provavelmente, muitos não teriam paciência e/ou tempo para ler.

Desse modo, esta matéria constitui a primeira de outras que voltarão ao tema.

Há uma bela, porém longa entrevista com Claudia Grabois, membro da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária (CDHAJ) da OAB/RJ, coordenadora do Fórum Nacional de Educação Inclusiva, do Portal Inclusão Já! e da Rede Inclusiva Direitos Humanos Brasil.

A advogada Claudia, ao lado da jornalista Meire Cavalcante, que já apareceu neste Blog em artigos sobre Educação Inclusiva, vem lutando com destemor contra o preconceito e, inclusive, está à frente na reação judicial aos desatinos da Confenen.

Concluo esta matéria, pois, pedindo aos leitores que se posicionem a favor de uma medida civilizatória como é a Educação Inclusiva e contra os arroubos mercantilistas dessa entidade que, de modo preocupante, está à frente dos estabelecimentos privados de ensino.

Estamos falando sobre seres humanos, pessoas que compõe a diversidade humana e que integram o imenso “quebra-cabeça” da humanidade. Não se trata de politicamente correto: pessoas com deficiência existem, são gente! Pessoas com deficiência têm direitos humanos!

Apoie essa luta. Para fazê-lo, basta divulgar a reação à postura inaceitável da Confenen, posicionando-se a favor da Inclusão quando surgir oportunidade para tanto.

Concluo relatando ao leitor uma situação que mostra que nenhum de nós sabe quando poderá adentrar — ou ser conduzido — ao mundo das pessoas com necessidades especiais, um mundo “invisível” que depende de sua visibilidade para que seus habitantes possam se integrar à sociedade a que pertencem.

Até 1998, este blogueiro tinha três filhos já grandinhos. Todos “perfeitos”, sem qualquer deficiência. Eis que me vem a quarta filha com “paralisia cerebral”, conduzindo-me a uma realidade que poucos conhecem, mas que todos estão sujeitos a vivenciar. Ninguém deve se considerar livre de depender da solidariedade e da generosidade alheia.

Ninguém está pedindo dinheiro, ninguém está pedindo trabalho a quem quiser apoiar essa causa. Só o que se pede é um minuto de seu tempo para divulgar o material que você acaba de ler e, sempre que puder, defender essa medida civilizatória que é a Educação Inclusiva. Milhões de brasileiros “deficientes” contam com você.

Eduardo Guimarães
No Blog da Cidadania
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Os estudantes que ocuparam as escolas devolvem a esperança de uma SP melhor

Eles construirão uma cidade mais humana
Foram os melhores dos tempos, e foram os piores dos tempos.

Assim começa, numa tradução bem livre, um clássico de Dickens. Ele mostrava como uma mesma época pode ser vista de diferentes maneiras.

A grande frase dickensiana cabe perfeitamente para a São Paulo deste 2015 que vai terminando.

Foram os piores dos tempos, por um certo ângulo. A cidade pareceu dominada pelo que há de mais reacionário em todas as esferas.

Alguns símbolos disso: os panelaços, as manifestações em que desvairados pediam coisas como intervenção militar, as agressões a petistas em bares e restaurantes.

A São Paulo popular, obreira, corintiana, a terra da mortadela, pareceu desaparecer.

Mas eis que também os melhores dos tempos se manifestam enfim em São Paulo neste 2015.

São os estudantes que vão ocupando escolas e reagindo à política antieducação de Alckmin.

Eles devolvem a esperança numa cidade humana, popular, solidária.

Como eles escaparam da torrente conservadora que se irradiou entre os paulistanos?

Uma hipótese é que, por serem jovens, não estão expostos ao noticiário brutalmente manipulador da mídia.

A Veja, para eles, simplesmente não existe. Nem o Jornal Nacional, e nem a Folha, e nem o Estadão.

Eles pertencem à Geração Digital, e formam suas opiniões a partir de outras coisas que não o conteúdo das grandes empresas jornalísticas.

Os múltiplos vídeos que se espalham pelas redes sociais mostram quanto são articulados e politizados.

Num deles, uma garota é perguntada por um repórter da Globo sobre quanto tempo iria durar a invasão de determinada escola.

“Invasão não”, ela responde prontamente. “Ocupação.”

Clap, clap, clap.

São dois lados antagônicos que se enfrentam. Qual deles vai triunfar?

É absolutamente previsível que seja o lado jovem. Em poucos anos estes jovens estudantes serão adultos, e levarão a São Paulo seus valores progressistas.

É muito mais fácil vê-los pedalando bicicletas do que xingando ciclistas em carrões.

É muito mais fácil vê-los clamando justiça social do que pedindo que militares matem comunistas.

É muito mais fácil vê-los falando contra a desigualdade e não repetindo velhíssimos clichês ligados à corrupção.

É muito mais fácil vê-los combatendo preconceitos do que alimentando-os.

São Paulo pareceu mumificada em boa parte de 2015.

Mas eis que meninas e meninos ocuparam escolas prestes a fechar e devolveram a todos nós, paulistanos, a esperança de uma cidade mais humana — e melhor.

Paulo Nogueira
No DCM
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Ainda existe diferença entre esquerda e direita?

A queda do Muro de Berlim não significou o fim das ideologias políticas
“Qual a diferença entre esquerda e direita?”

Eu já ouvi essa pergunta de muitas formas, em muitas ocasiões, muito embora essa indagação seja feita, quase sempre, pelo mesmo perfil de gente: pessoas de direita com convicções bastante arraigadas nas zonas mais sombrias dessa parte do espectro ideológico.

A pergunta em si, não o questionamento acadêmico, costuma ser usada para induzir agressividade ao debate político. Não é feita para ser respondida, é mais um insulto do que uma questão. É como se o interlocutor lhe perguntasse: “Quem é tão estúpido para ainda se preocupar com isso?”

A esquerda, claro.

Um dos clichês preferidos da direita é o de apelar para o Muro de Berlim, supostamente uma prova física, material e documentada de que esquerda e direita teriam deixado de existir.

Trata-se de um silogismo simplório: se a linha de ferro e concreto que dividia o socialismo real do capitalismo ocidental ruiu, ruíram também os conceitos de esquerda e direita.

Acontece que uma das pistas para se descobrir se uma pessoa é de esquerda diz respeito, justamente, à capacidade de ela conseguir enxergar além do óbvio e de aceitar a complexidade da vida. O que é exatamente o oposto da lógica racional das pessoas ideologicamente conservadoras.

Imaginar que um conceito civilizatório como o socialismo possa ser pulverizado por um momento histórico é, no fim das contas, desconhecer — ou desprezar — a História em si.

Os regimes socialistas autoritários que se organizaram como Estados opressores abandonaram o pensamento de esquerda, que é, como toda ideologia, uma ideia à procura de um espaço físico. É, por isso mesmo, também uma busca pelo poder.

Em um país conflagrado politicamente, como o Brasil desses dias, a atual argumentação anticomunista é, na verdade, antiesquerdista. Ela foi quase que totalmente moldada a partir de velhas cartilhas da Guerra Fria com conceitos forçosamente adaptados ao antipetismo e, em grau avançado, ao bolivarianismo — uma ideia que não só ocupou um espaço físico (a Venezuela) como se transformou numa curiosa ideologia local adorada e combatida, a depender do que se enxerga nela.

Ao neoanticomunismo criado para combater a recente guinada da América Latina à esquerda uniu-se o fenômeno da internet, no todo, e das redes sociais, no particular. Foi dessa circunstância que nasceu essa militância feroz de Facebook, onde analfabetos políticos conseguiram se reunir em bando para produzir clichês fascistas em série.

Há, contudo, um grupo distinto da direita, formada por intelectuais, artistas e cidadãos de boa escolaridade, que naturalmente sabe dos efeitos maléficos desse movimento anticomunista anacrônico e absurdo. E, ainda assim, nada fazem para neutralizá-lo, quando não o adequam ao próprio discurso para dele se utilizar como arma política.

Guardadas as proporções, é como a piada pronta do deputado Paulinho da Força, do Solidariedade, ao se solidarizar com Eduardo Cunha, mesmo sabendo de tudo, por acreditar nesta adesão como iminente catalisadora do impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Como na política, há também desfaçatez na ideologia.

O pensamento de esquerda é transversal e, ainda que muitas estultices sejam vendidas como verdade pela mídia, não é sequer homogêneo no antagonismo ao capitalismo. Até porque o conceito de socialdemocracia, resumido no Estado de bem-estar social, é uma experiência de esquerda, bolada para, justamente, estabelecer parâmetros de comportamento mais solidário e justo dentro do capitalismo.

Ser de esquerda, portanto, é uma opção política ligada ao humanismo, à condição humana que nos obriga a conviver socialmente e, portanto, a decidir em grupo.

Mas não deixa de ter um problema da aplicação prática, e não apenas por conta da oposição de direita, mas por ser uma opção, ainda, revolucionária, sobretudo do ponto de vista dos costumes.

Não por acaso, tem sido a religião a histérica voz da direita contra a esquerda nos parlamentos, terceirizada para defender exatamente aquilo que deveria condenar: a desigualdade e a exploração humana.

A consequência visível dessa terceirização é o fenômeno tão brasileiro dos pobres de direita. Pessoas que, em nome da fé, desprezam o único modelo político com chances de trazer algum alento social para si e ao País.

E elegem seus algozes.

No Brasil, a nova esquerda produziu, entre outras maquinações, o movimento dos blogs, a partir de 2008, quando o pensamento de esquerda pôde se disseminar além da mídia, onde era confinado a currais específicos, quando não escondido no porão.

Movimento que evidenciou a existência inalterada, sim, da luta entre esquerda e direita, esta transposta diariamente às redes sociais e às ruas.

Não há porque temê-la, e menos razões ainda para ignorá-la.

Minha satisfação é saber que, enquanto a direita se mantém atrelada ao discurso do ódio, na idolatria ao individual e à competição, a esquerda mantém-se presa a seus sonhos de sempre.

Estou do lado certo.

Leandro Fortes
No DCM
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Fascistas atacam em Brasília


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O engodo de atribuir a corrupção ao desenvolvimentismo


Em sua coluna em O Globo, a colunista Mirian Leitão levanta uma tese torta, mas que serviu de fundamentação ideológica para a Operação Mãos Limpas, na Itália. A corrupção seria decorrência do fechamento da economia permitindo a prática de sobre preços. A abertura da Itália, decorrente da adesão à União Europeia, teria desnudado esses vícios.

Esse tipo de postura ideológica foi fortemente influenciado pelos acordos de cooperação internacionais com o Departamento de Justiça e o Ministério Público dos Estados Unidos.

* * *

Sérgio Moro copiou a estratégia e o ideário dos colegas italianos. E os Procuradores brasileiros não abriram mão da fornida ajuda dada pelo Departamento de Justiça norte-americano, inclusive apontando corrupção na Eletronuclear — que sequer estava na mira da Lava Jato, mas estava na mira do governo dos EUA. Retribuíram fornecendo subsídios para que o Departamento de Justiça processe a Petrobras nos Estados Unidos.

Para Mirian, a corrupção só floresce onde existem políticas públicas que beneficiam setores e empresas. É uma mania recorrente de ideologizar até respiro.

Com isso, pretende dar uma vestimenta ideológica à corrupção e usá-la em suas tertúlias político-ideológicas.

* * *

É evidente que quanto mais concentrado os processos de decisão, maior a possibilidade do mau uso do poder concedido. Nesse sentido, as decisões individuais sobre os tais campeões nacionais e o voluntarismo de Dilma Rousseff com seus presentes fiscais, provavelmente comprometeram as ideias desenvolvimentistas por décadas.

Daí a tentar concentrar a corrupção nas políticas desenvolvimentistas vai uma distância considerável.

* * *

Abusos, voluntarismo, benefícios indevidos são frutos de uma democracia imperfeita, não de linhas ideológicas à esquerda ou à direita. Nas últimas décadas, as grandes corrupções nacionais e globais decorreram da falta de regulação — não do excesso.

* * *

Agora mesmo, denúncias vindas dos Estados Unidos identificaram no mercado cambial brasileira a formação de um cartel constituído de grandes bancos estrangeiros, visando manipular o mercado de câmbio. Operaram por anos e anos sem serem incomodados pelo Banco Central. O que provocou esse crime: excesso ou falta de regulação?

Curiosamente, o Ministério Público Federal deu pouca divulgação ao caso e o remeteu ao CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), embora da denúncia constassem manipulação de spreads e golpes nos clientes.

* * *

Há inúmeros argumentos contra e a favor das políticas proativas de governos.

Pretender que as barbeiragens dos últimos anos sejam intrínsecas a uma suposta nova matriz econômica é o mesmo que supor que a elevação da dívida pública de 15% para 50% do PIB no governo Fernando Henrique Cardoso é decorrência automática da adoção dos modelos neoliberais.

Em ambos os casos, o que houve foi barbeiragem pura e simples, sem respaldo nas respectivas teorias econômicas.

* * *

A única diferença entre a corrupção nos modelos fechados e abertos é o grau de sofisticação dos golpes aplicados. Como, por exemplo, o uso de Taxas Internas de Retornos impossíveis na privatização, visando rebaixar o preço dos ativos. Ou apreciar o câmbio em 15% da noite para o dia, enquanto os mesmos economistas que implantavam o real jogavam na queda do dólar no mercado futuro.

Pretender que a mão invisível conduza à economia às virtudes públicas é engodo.

Luís Nassif
No GGN
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Teste rápido: Você faz papel de idiota nas redes sociais?

Meteoro. Se bobear, um dia ele aparece.
Escolha apenas uma alternativa:

1) Após ler o título de um texto sobre um assunto que te interessa, você:
a) Parte para esculhambar e xingar o autor

b) Começa a elogiar e endeusar o autor

c) Diz que aquela postagem é a prova que os Illuminati estão dominando o mundo

d) Avisa que aquilo não tem importância alguma porque Cristo vai voltar em breve

e) Lê o texto
2) Você recebeu uma mensagem no WhatsApp com uma denúncia séria, mas com autoria desconhecida e sem fontes de dados confiáveis. Então:
a) Encaminha a postagem para 50 amigos no WhatsApp

b) Encaminha a postagem para 50 amigos no WhatsApp e replica no Twitter

c) Encaminha a postagem para 50 amigos no WhatsApp, replica no Twitter e bomba no Facebook

d) Encaminha a postagem para 50 amigos no WhatsApp, replica no Twitter, bomba no Facebook e mita falando dele no Snapchat

e) Dá um google para checar e, caso haja uma dúvida razoável, avisa a quem te mandou a fim de que evite espalhar conteúdo que pode ser falso
3) Quando percebe que não manja muito de um assunto em um debate nas redes sociais, você:
a) Inventa dados para ganhar o debate

b) Cria histórias para sustentar seus argumentos

c) Enfia palavras na boca de terceiros

d) Distorce o que não é favorável a você

e) Não tem vergonha de dizer “não sei'', “não faço ideia'' e “me explica''
4) Quem xinga alguém durante uma discussão nas redes sociais está:
a) Colocando a pessoa no seu devido lugar

b) Mostrando a ela quem manda por aqui

c) Deixando claro a todo mundo quem é o pica das galáxias

d) Dando uma lição em quem se atreveu a questioná-lo

e) Sendo um babaca
5) Alguém que discorda educadamente do seu post é:
a) Um petralha imundo que mama nas tetas do governo

b) Um tucanalha nojento e insensível à dor do semelhante

c) Uma feminazi maldita que quer destruir os homens de bem

d) Um gayzista que quer transformar meus filhos em sodomitas

e) Alguém que discorda educadamente do meu post
A quem respondeu qualquer coisa que não fosse a alternativa “e'': Há pessoas preocupadas em ganhar debates e ignoram as dores do outro. E ofendem, xingam, maltratam, espantam. E há aquelas que querem construir algo através de conversas nas redes sociais. E ouvem, entendem, toleram, absorvem. Qual desses grupos de pessoas você acha que vai deixar saudades se partir? Qual desses grupos de pessoas você acha que são fundamentais para o futuro do país?

Leonardo Sakamoto
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Cinco vazamentos por dia. Moro trabalha e zé, não!

"Seu" Frias emprestava as caminhonetes. Os herdeiros, as páginas


O ansioso blogueiro se deu ao trabalho de contar o numero de vazamentos nos jornais (impressos) do PiG, nessa manha de quarta-feira (18/11).

Foram cinco.

Cinco diferentes!

Tem sido assim há um ano, todos os dias, em todos os pigais veículos.

O PiG vaza mais que a Vale — e uma lama mais densa e perniciosa.

Porque o Rio Doce será recuperado.

A Justiça, não!

O Juiz Sergio Não Vem Ao Caso Moro já disse com todas as letras que a imprensa (o PiG) é um instrumento indispensável à execução da Justiça.

Depois que a moral e a honra dos condenados no PiG tiverem sido enxovalhadas, aí, então, se procede ao julgamento!

O Juiz do não vem ao caso merecia a Medalha Gushiken do Mérito!

Mas, o que fazer?

O Supremo e o PiG conferem ao Não Vem Ao Caso a mais irrestrita autonomia!

Só os juízes militares — do tipo "coronel Ustra" — do regime militar dispuseram de tantos instrumentos de trabalho quanto o Dr não vem ao caso.

O "seu" Frias emprestava as caminhonetes aos torturadores.

Os herdeiros emprestam as páginas.

Fazer o que?

O amigo navegante já ouviu algum ministro do Supremo — fora o Ministro Marco Aurélio — vir ao distinto público questionar os meios e os métodos do Não Vem Ao Caso?

Qual o maior aliado do Não Vem Ao Caso?

O PiG!

Qual o segundo maior aliado do Não Vem Ao Caso?

O zé da Justiça, que não apura UM ÚNICO MÍSERO caso de vazamento.

Nem quem grampeou o mictório do Youssef!

Porque, se apurasse, se fosse ao fundo, à origem do vazamento, aonde ia chegar o zé?

À lama pastosa e gosmenta que se instalou no leito do rio da Justiça!

Onde o mesmo procurador que se horizontalizou no Banestado agora se verticaliza na Lava Jato e se considera um Pai da Pátria!

A manipulação da imprensa é instrumento do "Direito"!

Viva o Brasil!

Paulo Henrique Amorim

No CAf
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Parente de Serra participou de esquema de propinas


De acordo com depoimento do delator Fernando Soares no âmbito da Operação Lava Jato, o empresário Gregorio Marin Preciado faria parte de um esquema de pagamento de propinas durante a compra, pela Petrobras, da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA).

Preciado é casado com uma prima do senador José Serra (PSDB-SP) e ajudou em campanhas eleitorais do PSDB em São Paulo. Além disso, ele também foi conselheiro banco Banespa e, de acordo com o livro "A Privataria Tucana", do jornalista Amaury Ribeiro Jr. (Geração Editorial, 2011), Preciado teve papel central no esquema do Banestado, com movimentações financeiras em paraísos fiscais em negócios com o ex-tesoureiro de Serra, Ricardo Sérgio de Oliveira.

Segundo Fernando Soares, o empresário ficou com US$ 500 mil ou US$ 700 mil por ter cedido uma empresa sob seu controle e registrada em nome de familiares para receber e distribuir uma propina de US$ 15 milhões relativa à venda da refinaria.

Da Folha

Companhia de empresário repassou propina de Pasadena, diz delator

Rubens Valente
Depoimento prestado na Operação Lava Jato pelo delator Fernando Soares, o Baiano, revela o papel do empresário Gregorio Marin Preciado, descrito pelo Ministério Público Federal como "operador", no episódio de pagamento de propina durante a compra, pela Petrobras, da refinaria de Pasadena (EUA).

De origem espanhola e radicado no Brasil, Preciado é casado com uma prima do senador José Serra (PSDB-SP) e ajudou em campanhas eleitorais do PSDB de São Paulo.

De acordo com o depoimento de Baiano, tornado público nesta segunda-feira (16) nos autos da Lava Jato, Preciado ficou com US$ 500 mil ou US$ 700 mil por ter cedido uma empresa sob seu controle e registrada em nome de familiares, a Iberbrás Integración de Negocios y Tecnologia, para recebimento e distribuição de uma propina no valor de US$ 15 milhões relativa à venda da refinaria.

A informação foi revelada pelo "Correio Braziliense" — a Folha teve acesso ao mesmo documento.

Segundo Baiano, o dinheiro entrou nas contas da Iberbrás e foi repassado, em parte, a funcionários da Petrobras, incluindo dois ex-diretores, Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa.

Baiano contou que o homem na Astra responsável por montar a operação de pagamento, Alberto Feilhaber, disse que precisava de uma empresa para justificar a saída do dinheiro dos cofres da Astra, por meio de um contrato fictício de prestação de serviços.

Baiano então recorreu a Preciado, com quem tinha trabalhado no passado. O espanhol, segundo Baiano, aceitou fechar o contrato e manteve diversas reuniões sobre o assunto com ele e o representante do grupo de funcionários da Petrobras interessados no recebimento da propina.

De acordo com Baiano, os US$ 15 milhões que saíram da Astra e chegaram às contas da empresa da família de Preciado foram divididos da seguinte forma: US$ 5 milhões para Alberto, US$ 6 milhões para funcionários da área internacional da Petrobras, incluindo Cerveró, e US$ 4 milhões divididos entre Paulo Roberto Costa e o próprio Baiano. Foi dessa última parcela que Baiano repassou entre US$ 500 mil e US$ 700 mil para Preciado em contrapartida pelo uso de sua empresa.

O relato de Baiano já foi confirmado documentalmente pela Lava Jato em pontos relevantes: registros bancários de pagamentos no exterior aos funcionários da Petrobras e diversos repasses de Baiano para a sócia-proprietária da Iberbrás, filha de Preciado. Ela recebeu do delator R$ 1,63 milhão, conforme consta em trecho da denúncia oferecida pela PGR (Procuradoria Geral da República) contra o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em inquérito que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal).

Os arquivos da Petrobras obtidos pela PGR também que em diversas reuniões mantidas com Costa na sede da Petrobras, no Rio, Baiano apresentava-se como representante da Iberbrás.

Preciado foi procurado pela Folha na tarde desta segunda-feira (16), mas não foi localizado. Em dois telefones registrados em seu nome, em Porto Seguro (BA) e São Paulo, ele não foi encontrado.

No GGN
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DEMos permanecem no 'Somos todos Cunha'


A bancada do DEM decidiu, em reunião na tarde desta terça-feira, 17, adiar a decisão sobre o rompimento oficial com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

"A maioria reafirmou a nota que lançamos no dia 10 de outubro e decidiu só se posicionar no Conselho de Ética", disse o líder do partido, Mendonça Filho.

Na oposição, o DEM deve ser o único a não assumir uma bandeira mais firme contra Cunha nos próximos dias, alvo de um processe de cassação por ter omitido suas contas no exterior em depoimento à CPI da Petrobras.

Segundo o Broadcast Político, o PSB deve lançar nota apoiando o parecer do relator, deputado Fausto Pinato (PRB-SP) e o PPS pode seguir o PSDB e anunciar o rompimento com Cunha até o fim da semana.

No 247
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O mistério do ano: o que Claudia Cruz pretendia com suas fotos exibicionistas?

O enigma das fotos
Escrevi uma vez e repito: a personagem mais fascinante do casal Cunha é sua mulher, Cláudia.

Lamentavelmente, para os leitores, Cláudia Cruz foi miseravelmente coberta pela imprensa preguiçosa, viciada na tarefa fácil de coletar telefonicamente vazamentos de gente da Lava Jato.

Vistas as coisas em retrospectiva, o que mais impressiona em Cláudia é a coleção de fotos extravagantes que ela foi postando no Facebook ao longo dos últimos meses, até que as coisas se complicassem para o seu marido. (Aqui, você tem várias delas.)

A pergunta de 1 milhão de reais, ou de dólares até, é a seguinte: ela estaria de alguma forma se entregando ali?

É uma ocorrência comum na história da patologia humana: a pessoa, de alguma forma, se entregar indiretamente sob o peso esmagador da consciência culpada.

A pessoa não pega o telefone e diz: “Sou culpado disso e daquilo. Me prendam, por favor.” Mas espalha pistas para olhos atentos.

É aí que parecem se enquadrar as fotos de Cláudia Cruz postadas no Facebook. Elas mostram um estilo de vida incompatível com o salário de um deputado federal.

Os cenários, os destinos, os hotéis, as roupas, os acessórios, as joias: ali está consagrado o clássico não poupo despesas.

Ela não é de família rica, e nem tinha ou tem um negócio relevante.

Até pela formação jornalística, Cláudia sabe quanto ganha um deputado como seu marido. Não existe o milagre da multiplicação, pelas vias honestas, no salário de um deputado, por maiores que sejam as mordomias e facilidades.

Estaria Cláudia mandando um recado?

É a possibilidade na qual aposto.

Um segundo caminho para entender leva a outra direção. Cláudia seria um exemplo típico do que o brilhante economista Thorsten Veblen, norueguês que se radicou nos Estados Unidos no final do século 19, chamou de “consumo conspícuo”.

Veblen observou, na plutocracia americana, coisas como festas milionárias para cães de madames.

Ele desenvolveu a teoria, que se consagrou e é aceita até hoje, de que para as classes abastadas não basta ter dinheiro. É preciso mostrar.

Daí o “consumo conspícuo” (notável).

No caso de Cláudia, os dois fatores podem, a rigor, ter se juntado. Com seu “consumo conspícuo” ela acabaria chamando a atenção para o marido deputado.

Ou deveria, pelo menos, chamar num mundo menos absurdo.

Nem a mídia e nem a Polícia Federal pareceram interessadas em checar de onde vinha o dinheiro para Cláudia levar uma vida ostensiva de mulher rica.

Em suas intermináveis etapas, a Lava Jato de Moro também passou ao largo disso.

É a vida como ela.

Qualquer que seja a real explicação para a série de fotografias reveladoras de Cláudia Cruz, o certo é que ela, Cláudia, é infinitamente mais interessante que o marido.

Ele é um corrupto mitomaníaco, um político da pior espécie a serviço de causas que representam o atraso do atraso. Ela é um mistério que enfeitiça e desafia, um enigma fascinante ainda por desvendar.

Paulo Nogueira
No DCM
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