15 de nov de 2015

Globo demite mais um...

...o estagiário!


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A guerra contra o terrorismo não é mais justa que o terrorismo contra a guerra

Paris vive noite de terror
Atentados como o de sexta têm que provocar reflexões muito amplas. Onde caralhos nos perdemos? Em algum momento não estivemos perdidos? Em algum momento vamos nos encontrar?

Há registros de ataques terroristas desde a Grécia Antiga, com a diferença que, de modo geral, os terroristas procuravam evitar vítimas colaterais, isto é, inocentes que não tinham nada a ver com a picuinha. No Império Russo, por exemplo, quando tentaram depor o Czar Alexandre II, houve diversos cancelamentos de ataques para evitar ferir inocentes. Até mesmo depois da Segunda Guerra Mundial, o terrorismo ainda era aceito como parte de um contexto revolucionário. A ONU considerava legítimas as lutas pela “autodeterminação” dos povos que se utilizavam de atos terroristas.

Foi só nos anos 70 que o terrorismo começou a ser discutido em âmbito global, obviamente com os países ocidentais liderados pelos EUA defendendo a repressão, enquanto a parte dos orientais e dos comunistas, defendiam a identificação e eliminação das causas. Mas você sabe qual visão se tornou padrão.

Qualquer que seja a “visão oficial” da ONU ou dos EUA, no entanto, o fato é que o terrorismo tem causa. Um bom começo para entender estas causas é assistir a uma das mais brilhante palestras já produzida pelo TED, com o sociólogo americano Sam Richards.



O terrorismo não advém de uma guerra do bem contra o mau. Nada, nunca, é uma guerra do bem contra o mau. Guerras vêm simplesmente de necessidades e crenças conflitantes. Vários conflitos poderiam ser resolvidos com o uso da razão, mas no fim das contas, nossa emoção é muito mais forte.

O problema quase sempre está em subjugar o amiguinho. Quando a Alemanha perdeu a Primeira Guerra Mundial, foi subjugada no tratado de Versalhes. A raiva gerada no povo alemão pelo tratado deu força ao movimento nacionalista de Hitler, que por fim se tornaria o movimento fascista de um dos maiores criminosos da história. Se considerarmos que sem o tratado de Versalhes provavelmente não haveria Hitler, de quantas outras burradas históricas poderíamos nos ter livrado com atitudes mais delicadas?

Eu sempre penso que o padrão ético de guerra é determinado pelo mais forte. É muito fácil, quando você tem acesso às melhores tecnologias, dizer o que é justo e o que não é na guerra.

Deixar uma bomba no metrô e utilizar mísseis teleguiados em combates contra exércitos que usam pistolas são atitudes igualmente covardes. A diferença é que o míssil visa um alvo militar.

Mas vou contar uma coisa: a guerra, pelo caráter de longo prazo, mata mais civis colaterais do que atentados terroristas. O Iraq Body Count Project afirma que mais de 70.000 civis foram mortos como vítimas colaterais de ataques militares pela guerra do Iraque. Para comparar, nós falamos de algo entre 100 e 150 em Paris.

A The Lancet, mais tradicional revista da área médica no Reino Unido, conduziu uma pesquisa no Iraque para saber quantas vítimas fatais indiretas houve em razão da guerra. Mortes provocadas pela falta de segurança, pela degradação da infra-estrutura, pela dificuldade em conseguir comida, medicamentos e, tudo o que poderia levar à piora na saúde-pública. O número gira em torno de 600.000.

Bagdad vive terror constante há mais de uma década
Bagdad vive terror constante há mais de uma década
Fica claro, então, que a guerra não é mais ética ou moralmente defensável do que o terrorismo. Por isso, em momentos como este, nada que não seja compreensão e diálogo podem resolver. A não ser que se dizime uma cultura inteira, sempre haverá uma resposta mais agressiva a qualquer repressão.

O terrorismo é a resposta possível do cara que não tem acesso a drones, mísseis teleguiados, aviões ultra-sônicos e a tecnologia mais avançada. É uma resposta que eu não apoio, fique claro. Ao menos não desta forma. Mas assim como Sam Richards, compreendo.

Da minha parte, desejo todo o amor aos amigos e familiares das vítimas deste atentado em Paris. Assim como das vítimas de todas as guerras e injustiças que motivaram os executores do ataque. Mas antes que comecem a planejar uma nova guerra ao terror, me adianto: a guerra contra o terrorismo não é mais nobre ou mais justa que o terrorismo contra a guerra.

Emir Ruivo
No DCM
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Je Suis Paris — e também Bagdá, Trípoli e Damasco

http://www.maurosantayana.com/2015/11/je-suis-paris-e-tambem-bagda-tripoli-e.html


Foram lamentáveis e brutais, sob todos os aspectos, os atentados ocorridos em Paris, que acarretaram centenas de mortos e feridos inocentes, franceses e estrangeiros.

Nas horas que se seguiram, na frágil cobertura da TV estatal francesa, que parecia só dispor de uma equipe e entrava, ao vivo, em contato, por telefone, com o seu repórter que estava no interior da Boate Bataclan, o foco foi mantido na solidariedade e na reação das autoridades e do governo.

O Primeiro Ministro François Hollande, com a mesma expressão de perplexidade mostrada por George Bush em suas primeiras declarações no dia do atentado às Torres Gêmeas, declarou que a França permanecerá unida, e que ela será implacável em sua resposta ao EI, o Exército Islâmico - o grupo terrorista que assumiu a autoria dos ataques — e que serão tomadas medidas de segurança para que a situação não se repita.

A retórica, dos jornalistas e do governo, é a única resposta que pode ser dada pelos franceses à situação de absoluta vulnerabilidade e impotência em que a França se meteu, ao intervir em outros países.

Uma retórica que serve para disfarçar — com a costumeira cortina de fumaça e de maniqueísmo — a crua e implacável realidade em que Paris se encontra, do ponto de vista desses ataques, e das escolhas que fez, nos últimos anos, em sua política externa.

Em primeiro lugar, porque há muito pouco que a França possa fazer para evitar novos atentados.

Se seus autores forem apanhados, outros os substituirão, vindos de fora, ou recrutados na periferia das grandes cidades francesas, onde muitos jovens, filhos de emigrantes, precisam apenas de um pretexto para fazer explodir seu ressentimento e sua frustração com a miséria e o desemprego, ou a falta de perspectivas de futuro, em um continente onde não se sentem bem-vindos, assombrado pela decadência e a crise, onde a extrema direita floresce, alimentada pela xenofobia, o racismo e o preconceito.

Em segundo lugar, porque, por mais que sejam terríveis, para todos nós, e para as famílias enlutadas, os atentados em Paris em nada diferem, em suas conseqüências humanitárias, daqueles que ocorrem, todos os dias, em dezenas de lugares no Afeganistão, no Norte da África e no Oriente Médio.

Por lá, pessoas explodem, a qualquer momento, ou são fuziladas, decapitadas, estupradas, às dezenas, por terroristas originalmente armados pelas mesmas potências “ocidentais” que estão sendo atacadas agora — e por pseudo “democracias”, como a Arábia Saudita onde adúlteras são punidas a chibatadas e mulheres não podem sair de casa sem véu nem um homem que as vigie — com o intuito de derrubar governos em países, que, independente da orientação política de seus regimes, viviam em situação de paz e estabilidade.

No entanto, esses atentados, em outras partes do mundo, não merecem matérias especiais de meia hora na televisão brasileira — afinal, é melhor que nos identifiquemos com a “civilização” que queremos emular e com a “democracia” que queremos emular — é muito mais conveniente, do ponto de vista do discurso de doutrinação ideológica eurocêntrico e neoliberal, discutir a dor das famílias e as medidas de segurança — absolutamente inócuas, diga-se de passagem — que devem ser supostamente adotadas — do que revelar ao público o que está realmente por trás dos acontecimentos.

Nem se vêem nas camisetas e nos cartazes que rezam “Je suis Paris”, em várias partes do mundo, espaço para frases como “Je suis Syrie”, porque, claro, são muito mais importantes as mortes de Paris, do que aquelas que ocorrem, literalmente, há anos, para lá de Bagdá, em lugares como Basra, Karbala ou Ramadi.

Finalmente, a pergunta que não quer calar, é a seguinte: se Saddam Hussein e Muammar Kaddafi — com todos seus eventuais defeitos — estivessem no poder e a Síria gozasse da mesma situação de estabilidade que tinha antes do início — estimulado pelo “ocidente” — do trágico engodo da “primavera árabe”; se os EUA – aliados da França — não tivessem armado terroristas para atacar Damasco — os mesmos assassinos que hoje militam e são a espinha dorsal do Estado Islâmico —- os atentados de Paris teriam ocorrido?

Capitais europeias não eram atacadas antes da promulgação da “Guerra ao Terror” pelos Estados Unidos, nem da “primavera árabe”, que gerou milhões de mortos e refugiados, com a destruição de centenas de cidades; nem antes do envolvimento da OTAN, a serviço dos EUA, com bombardeios na Líbia e em outros lugares — contra governos que antes eram tratados, hipocritamente como aliados pelo “ocidente” — em países em que crianças iam uniformizadas e bem alimentadas à escola todos os dias, e não caçavam, para comê-los, ratos entre os escombros de suas casas, como agora.

Nunca é demais lembrar que quem planta vento, colhe tempestade.

Que os novos atentados de Paris — e o pânico com os falsos alarmes que se seguiram — sirvam de alerta ao Brasil — país em que convivem, em harmonia, judeus e muçulmanos, e gente de todos os lugares do mundo — que, estimulado pela doutrina da repressão policialesca e pelo desejo de ser mais realista que o rei de “especialistas” que cresceram vendo enlatados de espionagem norte-americanos, está se metendo a “gato mestre”, criando leis “antiterroristas”, que podem nos fabricar inimigos onde nunca os tivemos.

Leis que são, como podemos ver, pela vulnerabilidade e impotência dos países que as adotam, tão supérfluas quanto inócuas e estúpidas.
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Estado Islâmico? Não deixe que o tratem como um tolo...


O Ocidente é tão islamofóbico que criou até o tal do estado islâmico só para incentivar mais ódio contra a religião muçulmana.

Você já reparou que esse tal de estado islâmico jamais protestou contra a ocupação da Palestina?

Você sabia que esse tal de estado islâmico defende a ocupação por israel das Colinas de Golan sírias?

Você sabia que esse tal de estado islâmico considera seu inimigo principal o Hizbullah — movimento de resistência libanês?

Você sabia que esse tal de estado islâmico é composto por mais de 90 por cento de mercenários euro-americanos?

Você sabia que cada mercenário recebe 10 mil dólares por mês?

Você sabia que os judeus sionistas que fazem parte desse tal de estado islâmico recebem 40 mil dólares por mês, desde que falem o árabe?

E adivinhe onde eles arrumam armas e dinheiro?

Você já se perguntou por que esse tal do estado islâmico cometeu o atentado na França e não nos Estados Unidos ou Inglaterra?


Pense um pouco, raciocine um pouco. Não deixe que o tratem como um tolo.

No Georges Bourdoukan
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Tarso Genro: 'Lula age para que o governo Dilma termine com dignidade'

Para o ex-ministro, "endeusamento" de Cunha pela mídia e PSDB "foi um crime doloso contra o país"

Tarso Genro: "(Joaquim) Levy está fazendo o que lhe foi recomendado pela presidenta (Dilma)"
Uma das vozes mais críticas dentro do Partido dos Trabalhadores, o ex-ministro da Justiça e ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro diz, em entrevista ao Jornal do Brasil, que sua última conversa com a presidente Dilma Rousseff foi no dia posterior à vitória do segundo mandato e que não tem informações sobre a tentativa do ex-presidente Lula de trocar o atual ministro da Fazenda, Joaquim Levy, pelo ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles.

Contudo, Genro, que pertence à corrente Mensagem ao Partido (Dilma e Lula integram a corrente majoritária do PT, Construindo um Novo Brasil — CNB), assegura que as movimentações do ex-presidente Lula têm um único e exclusivo objetivo:

"Dar estabilidade para a presidenta governar, pois do resultado do governo Dilma será fixada memória que ficará a seu respeito, a memória do seu legado. Tendo sido, a presidenta, escolhida por ele, para ser candidata e governar, é natural que ele se sinta responsável por tudo que está acontecendo com o atual governo. O presidente age a partir do imperativo moral de buscar que o governo termine com dignidade. Não tenho informação de que o presidente queira trocar o ministro da Fazenda", diz Tarso Genro.

rítico dos "humores conservadores" do PMDB, o ex-governador afirma que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não tem, como nunca teve, condições de votar a abertura de impeachment da presidente no Parlamento. "Cunha é produto da cumplicidade da mídia oligopólica com a pior parte do mundo da política (...) o endeusamento consciente que a grande mídia fez de Cunha, junto com PSDB e o DEM, para, ao fim e ao cabo elegê-lo presidente da Câmara, foi um crime doloso contra o país", argumenta.

Confira a entrevista:

A presidente Dilma está convencida de que Joaquim Levy não se sustenta mais no comando da Fazenda, como alguns que defendem a saída do ministro?

Não tenho contato com a presidenta Dilma desde o dia imediato à sua vitória, quando lhe telefonei para cumprimentá-la pelo resultado das eleições. Conhecendo-a, como a conheço há décadas, sei que ela não comentaria um assunto como esse, fora do seu âmbito mais reservado de relacionamento político. Acho, porém, que a presidenta quer o Levy exatamente onde ele está.

O senhor acredita que ele deixará a Fazenda até o final do ano?

Não creio que Levy saia até o fim do ano e entendo que ele está fazendo o que lhe foi recomendado pela presidenta.

Fala-se muito que Lula vem tentando indicar Henrique Meirelles. O que o senhor acha disso?

Sinceramente, creio que todas as ações do presidente Lula só tem um objetivo: dar estabilidade para a presidenta governar, pois do resultado do governo Dilma será fixada memória que ficará a seu respeito, a memória do seu legado. Tendo sido, a presidenta, escolhida por ele, para ser candidata e governar, é natural que ele se sinta responsável por tudo que está acontecendo com o atual governo. O presidente age a partir do imperativo moral de buscar que o governo termine com dignidade. Não tenho informação de que o presidente queira trocar o ministro da Fazenda.

Qual é a alternativa de uma política econômica para um governo petista?

Defendo as mesmas posições do Prêmio Nobel Paul Krugman, juros altos e superávit fiscal a qualquer preço é um suicídio recessivo. É o que está acontecendo com o país. Ajustes como o atual podem promover, ao seu final, um crescimento que apenas recupera o que foi perdido na recessão, até a necessidade de um novo ajuste... e uma nova recessão. Só mais distribuição de renda, juros mais baixos, reindustrialização, com uma nova política monetária, podem tirar o país do fosso.

Por que Mantega era bom naquele momento e hoje virou alvo de diferentes setores?

Mantega é a vítima predileta dos monetaristas e do neoliberalismo, pois, como todos sabem, foi o ministro que deu suporte a todas as políticas do presidente Lula, que melhoraram a vida de 50 milhões de pessoas no Brasil e não se rendeu, em regra, às chantagens das agências de risco. Quando a crise capitalista global bateu forte aqui no Brasil, Mantega foi o escolhido para ser malhado. E isto está sendo feito inclusive com agressões públicas.

O senhor é contrário a todos os pontos do ajuste fiscal? CPMF, inclusive?

Acho que o aumento do CPMF, um imposto, insonegável e limpo, cuja progressividade pode ficar transparente, é uma proposta positiva. Pena que ela não venha acompanhada de outras que desonerem quem produz, crie o imposto sobre grandes fortunas, aumente o imposto de renda no topo, diminua o imposto de renda dos setores médios, taxe fortemente os lucros do capital.

Qual é a opinião do senhor sobre a tardia manifestação do PSDB contra Eduardo Cunha?

É coerente com a trajetória do PSDB. Fortalecem qualquer um contra o PT e depois saem de ré, como se fossem os pais da moral e dos bons costumes. É um partido sem projeto, que vive da apologia da crise.

Eduardo Cunha perdeu as condições de colocar em votação a abertura de um impeachment contra a presidente Dilma?

Não só perdeu, como não tinha. Eduardo Cunha é produto da cumplicidade da mídia oligopólica com a pior parte do mundo da política, para inviabilizar o governo Dilma. Só a presidenta Dilma, ao que parece, não sabia disso. Você sabe que eu nunca defendi que qualquer partido fosse rei da moral e dos bons costumes, porque o crime está em todos os lugares, na sociedade e no Estado. Mas o endeusamento consciente que a grande mídia fez de Cunha, junto com PSDB e o DEM, para, ao fim e ao cabo elegê-lo presidente da Câmara, foi um crime doloso contra o país.

Como o senhor vê esse reaquecimento em favor do impeachment da presidente Dilma? O TSE tem um processo em andamento.

Acho que esse é o caminho que a oposição escolheu para buscar eleger seu candidato em 2018. Isso será, portanto, recorrente. Bem, mas anote: com este método de buscar a vitória, se ganharem a eleição, vai ser muito difícil governar, porque o que eles menos falam é sobre um projeto para o país e sobre como governar. Não é de graça que o Serra já está ganhando, de novo, terreno contra Aécio Neves, candidato fracassado e líder oposicionista também fracassado.

A oposição costuma dizer que à época em que o PT foi oposição ele também esgarçou o quanto pode o governo FHC, sobretudo com a proposta de impeachment. Há diferenças entre o momento atual e aquele?

Acho que o PT não fez, à época de FHC, nem a metade do que está sendo feito, hoje, contra Lula e Dilma, pois hoje a oposição conta com uma fração das instituições do Estado para manobrar e fortalecer os movimentos da oposição, a partir do Estado, com um grande apoio midiático. Prova: qual foi tratamento dado por estas instituições à compra de voto, para a reeleição de FHC? Tratamento débil e omisso.

Como o senhor vê a posição do Judiciário, sobretudo no Supremo, com as declarações do ministro Gilmar Mendes sobre o governo?

Acho que há uma "partidarização" de uma fração do Judiciário e do Ministério Público, já que politização é o seu estado normal. Acho que as declarações do Ministro Gilmar devem ser respondidas pelo governo e pelos seus pares, no âmbito de uma polêmica política entre Poderes e dentro do próprio Poder Judiciário. Se o Governo não responde fica difícil alguém de fora responder com propriedade.

É possível avaliar quais são as chances de que Cunha seja cassado no Conselho de Ética?

Depende do grau de decência que assolar os nossos parlamentares no momento, pois, pelas respostas do próprio Cunha ele já estaria enquadrado.

Como estão as movimentações da frente democrática suprapartidária para as eleições de 2016?

A Nova Frente é uma ideia em movimento e ela é a única forma de retirar a esquerda, que apoiou Dilma e Lula, da defensiva em que ela se encontra, sem um projeto claro para retirar o país da crise, subordinada aos humores conservadores do PMDB. A formação de uma frente é um processo político complexo e atualmente existem vários movimentos, no país, que vão neste sentido. Penso que depois de 2016 começará a se pensar num organismo nacional unitário, já destinado a disputar as eleições de 2018.

Como o senhor avalia a saída de Alessandro Molon do PT?

Lamento a saída do Molon. É um quadro político de esquerda e coerente. Quem pensa que o Molon vai fortalecer o conservadorismo ou a direita, esteja ele onde estiver, está enganado. O mesmo digo de Randolfe.

A Rede Sustentabilidade é um partido de esquerda?

Não é um partido de esquerda, mas pode se tornar, a depender de como se apresentar nas eleições de 2018. O PT não era um partido de esquerda? Hoje, como se sabe, está mais ao centro, não sei se de maneira definitiva. Creio que o PT poderá retornar, para 2018, como um partido renovado e de esquerda, depois destas duras lições que está sofrendo. A propósito, o que é ser de esquerda, hoje? Na minha opinião é, no mínimo, opor os valores da social democracia e do socialismo aos valores morais, políticos e econômicos- à ideologia do mercado sem travas sociais e ao projeto liberal, de liquidar com as funções públicas do Estado.

O que precisaria para se empreender a refundação do PT, como o senhor chegou a sugerir numa entrevista ao 'Estado de S.Paulo'?

Refundar o PT significa, na minha opinião, construir os velhos valores da esquerda com a âncora no presente: compatibilizar a máxima igualdade, numa sociedade em que o mercado sirva à satisfação de uma vida digna para todos e não ao consumismo elitista desenfreado. Refundar o PT significa colocá-lo, ao lado de outras forças políticas, na defesa de um projeto humanista e democrático, de desenvolvimento inclusivo, com sustentabilidade e respeito aos direitos humanos. Significa colocá-lo como vanguarda consequente, na defesa de um “novo modo de vida” e no esforço solidário para promover uma reforma democrática do Estado. A direita é regressiva. O centro, hoje, é conservador. Esse é tormento de qualquer partido de esquerda, no mundo infectado pelos ajustes promovidos pelo capital financeiro.

Eduardo Miranda
No JB
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A aula sobre racismo no Brasil da consulesa francesa em SP




Alexandra Loras, consulesa da França em São Paulo quebrou tudo no Programa do Jô. Sua entrevista teve repercussão maior do que a participação no Esquenta, Amaury Júnior e mesmo em programas sérios de jornalismo. Acontece que Jô Soares e sua produção constituíram um produto televisivo formador de opinião, principalmente da claque universitária que disputa vagas no auditório diariamente.

A consulesa, por sua vez, sabe lidar com as câmeras, com o tempo curto da TV, com a plateia do estúdio e o público de casa. Também manejou bem o entrevistador que costuma intimidar muita gente e a alguns sequer deixa falar. Além do carisma pessoal e de todos os encantos de uma mulher muito segura de si, Alexandra Loras é jornalista e desenvolveu pesquisas sobre a visibilidade das minorias na mídia. Tem também no currículo sete anos como apresentadora de TV na França.

Na entrevista do Jô ela foi performática e reflexiva. Assim, quando o apresentador perguntou se ela já havia passado por preconceito no Brasil, a consulesa sorriu e disparou: ah, era essa a pergunta que você queria me fazer. Foi uma rasteira na previsibilidade das abordagens que pretendem tratar a discriminação racial como tema ameno, aprazível para o café da tarde.

A performance vive o segundo grande momento quando a entrevistada exemplifica uma situação discriminatória vivenciada no exercício protocolar da diplomacia francesa ao receber os convidados de uma recepção na porta da Embaixada. Ela conta que várias pessoas a ignoram, não a cumprimentam, passam por trás dela. Seu discurso não deixa dúvidas de que isso ocorre porque é negra. Não há espaço para o apresentador tergiversar ou sofismar baseado nas relativizações que o brasileiro médio faz sobre o racismo e suas manifestações.

No terceiro ato Alexandra Loras bate bola com o apresentador, muda de lugar e o entrevista. Formula perguntas sobre expressões de racismo e segregação no Brasil, usa como exemplo o uniforme branco das babás. Sua larga experiência internacional é usada para dar suporte à afirmação.

A novidade é a possibilidade de a consulesa emitir uma voz negra crítica neste programa e, de resto, na mídia brasileira. A rigor, ela diz coisas que o Movimento Negro contemporâneo diz há décadas. Sem escuta.

Abdias Nascimento numa situação política em que as mulheres negras não tinham voz disse que se faria cavalo delas, ou seja, emprestaria o corpo para que suas demandas se manifestassem. Alexandra Loras tem sido cavalo dos negros brasileiros. Tem emprestado seu corpo, elegância e sabedoria para, de maneira didática e espetacular, provocar as pessoas brancas a pensar o mundo ao revés. Ou seja, ela as força, em nome da boa educação, a ouvir uma preleção sobre os lugares de subalternidade construídos para as pessoas negras no mundo, nos quais, o exercício é fazer com que os brancos assumam a posição sociocultural dos negros.

É mesmo um espetáculo o que ela encena quando propõe que as pessoas brancas tirem a mochila do passado das costas e livrem-se das responsabilidades imputadas pelo escravismo e colonialismo. A seguir introduz a questão das cotas chamando-as de feias e humilhantes. A plateia que tinha um grito de insatisfação preso na garganta depois de toda aquela chatice de ver o mundo ao revés, vai para a galera e aplaude a performer em cena aberta. Enfim, a mulher belíssima e articulada entendeu o lado deles.

Só que não. Era pegadinha ou estratégia de comunicadora hábil. Alexandra Loras retoma as rédeas da situação depois de ter desnudado os privilégios brancos gozados pela audiência.

Se fosse técnica de futebol, a consulesa seria do tipo motivacional e manipularia os aspectos psicológicos dos jogadores para conseguir os resultados desejados. Mas, que nada. Seu tema predileto por aqui tem sido a explicitação do racismo que vivencia como mulher negra que circula elegantemente pelos espaços de elite no Brasil. Estamos diante de uma grande comunicadora que prima pelo raciocínio lógico e que usa uma flauta doce para encantar najas.

Cidinha Silva
No DCM
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“Chega de notícias ruins”: a sinceridade da última coluna de um apresentador da Globo


É certo que a Globo News está realizado o que se chama eufemisticamente de “reestruturação” — aka, demitindo. No mês passado, foi o apresentador Eduardo Grillo, que trabalhava no canal desde o início, em 1996.

Agora chegou a vez de Sidney Rezende, que integrava o estafe há 18 anos. “Ao dar a notícia de que o contrato não seria renovado, Ali Kamel, diretor de jornalismo e esporte, fez questão de enaltecer para Sidney Rezende a sua qualidade profissional e o excelente desempenho dele nos muitos anos que trabalhou para a TV Globo”, diz um comunicado oficial publicado no dia 13 (sexta).

Também é certo que a última coluna que Rezende escreveu em seu blog, datada de 12 de novembro, é intitulada “Chega de Notícias Ruins”. Poderia ser endereçada a praticamente todo o time de articulistas da Globo.

Ei-la:
Em todos os lugares que compareço para realizar minhas palestras, eu sou questionado: “Por que vocês da imprensa só dão ‘notícia ruim’?”
O questionamento por si só, tantas vezes repetido, e em lugares tão diferentes no território nacional, já deveria ser motivo de profunda reflexão por nossa categoria. Não serve a resposta padrão de que “é o que temos para hoje”. Não é verdade. Há cinismo no jornalismo, também. Embora achemos que isto só exista na profissão dos outros.

Os médicos se acham deuses. Nós temos certeza!

Há uma má vontade dos colegas que se especializaram em política e economia. A obsessão em ver no Governo o demônio, a materialização do mal, ou o porto da incompetência, está sufocando a sociedade e engessando o setor produtivo.

O “ministro” Delfim Netto, um dos mais bem humorados frasistas do Brasil, disse há poucas semanas que todos estamos tão focados em sermos “líquidos” que acabaremos “morrendo afogados”. Ele está certo.

Outro dia, Delfim estava com o braço na tipoia e eu perguntei: “o que houve?”. Ele respondeu: “está cada vez mais difícil defender o governo”.

Uma trupe de jornalistas parece tão certa de que o impedimento da presidente Dilma Rousseff é o único caminho possível para a redenção nacional que se esquece do nosso dever principal, que é noticiar o fato, perseguir a verdade, ser fiel ao ocorrido e refletir sobre o real e não sobre o que pode vir a ser o nosso desejo interior. Essa turma tem suas neuroses loucas e querem nos enlouquecer também.

O Governo acumula trapalhadas e elas precisam ser noticiadas na dimensão precisa. Da mesma forma que os acertos também devem ser publicados. E não são. Eles são escondidos. Para nós, jornalistas, não nos cabe juízo de valor do que seria o certo no cumprimento do dever.

Se pesquisarmos a quantidade de boçalidades escritas por jornalistas e “soluções” que quando adotadas deram errado daria para construir um monumento maior do que as pirâmides do Egito. Nós erramos. E não é pouco. Erramos muito.

Reconheço a importância dos comentaristas. Tudo bem que escrevam e digam o que pensam. Mas nem por isso devem cultivar a “má vontade” e o “ódio” como princípio do seu trabalho. Tem um grupo grande que, para ser aceito, simplesmente se inscreve na “igrejinha”, ganha carteirinha da banda de música e passa a rezar na mesma cartilha. Todos iguaizinhos.

Certa vez, um homem público disse sobre a imprensa: “será que não tem uma noticiazinha de nada que seja boa? Será que ninguém neste país fez nada de bom hoje?”. Se depender da imprensa brasileira, está muito difícil achar algo positivo. A má vontade reina na pátria.

É hora de mudar. O povo já percebeu que esta “nossa vibe” é só nossa e das forças que ganham dinheiro e querem mais poder no Brasil. Não temos compromisso com o governo anterior, com este e nem com o próximo. Temos responsabilidade diante da nação.

Nós devemos defender princípios permanentes e não transitórios.

Para não perder viagem: por que a gente não dá também notícias boas?
Taí uma boa pergunta, cuja resposta Rezende sabe.

Kiko Nogueira
No DCM
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Células islâmicas incrustadas no Sinai poderiam desestabilizar o Egito


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Ficha falsa da Dilma vai ao STF contra Requião

Editorial da ditabranda, caminhonetes para os torturadores... de fato, esse Requião...


O PiG sentiu o murro.

Depois do Globo, esse que desmentiu o Reinaldo Jardin na primeira página, agora Otavim da 'Fel-lha' anuncia que vai ao STF contra a decisão do Congresso de dar o direito de resposta, segundo projeto do destemido senador Roberto Requião.

(Leia aqui sobre a indignação do Requião contra um veto da Presidenta: ela se curvou diante da Globo)

O PiG gosta da liberdade de imprensa dos donos da imprensa...

Gosta de receber rodoviária de presente do Maluf ...

Diz o patetico editorial, escrito na mesma cadeira do dragão em que defendeu a ditabranda:
(...)


Tudo como se a Constituição, ao tratar de garantias fundamentais, não assegurasse o contraditório e a ampla defesa, a duração razoável do processo e a apreciação, por parte do Judiciário, de possível lesão ou ameaça a um direito.

Essa lista não esgota todas as falhas da lei, mas já basta para que entidades historicamente ligadas à proteção da liberdade de expressão e de informação acionem com urgência o STF — e caberá a este, assim como fez diante da Lei de Imprensa, agir para que não se abalem esses dois pilares da democracia.

Como se sabe, no Supremo o jogo começa Otavím 1 x 0 Requião.

É o voto do Gilmar, que, sem o PiG, é um tigre de papel.

Um ombudsman do Supremo contou ao ansioso blogueiro que o Ministro (sic) Gilmar diz a quem queira ouvir: eu disse ao Otavinho...

O "Ataulpho Merval" morre de ciúmes...

Não haveria perigo, Otavím: a Dilma jamais exigiria o direito de resposta contra a ficha falsa.

Até hoje ela não processou o detrito sólido de maré baixa, que quase ganha a eleiçao de 2014, com a providencial ajuda do Ali Kamel, que mandou o Sidney Rezende embora.

A Dilma é muito gentil, Otavím.

Não é como Lula, que se levantou e foi embora depois que voce perguntou tres vezes se ele sabia falar ingles.

(E o "Seu" Frias foi ao elevador tentar convencer o Lula a voltar...)

O Lula é um nordestino grosso, não é isso, Otavím?

Paulo Henrique Amorim
No CAf




Sem defesa

Deputados e senadores, com a sanção da presidente Dilma Rousseff (PT), fizeram algo que parecia inimaginável: aprovaram a lei que regulamenta o direito de resposta sem se darem ao trabalho de corrigir as evidentes agressões à Constituição que desvirtuam todo o texto.

O resultado é desolador. Como esta Folha tem sustentado, o direito de resposta constitui contraparte indispensável à plena liberdade de expressão. Desde 2009, porém, o país via-se privado de regras claras para a prerrogativa constitucional.

Naquele ano, o Supremo Tribunal Federal derrubou a Lei de Imprensa, de 1967. Tomada em conjunto, essa herança da ditadura não se mostrava compatível com a Carta de 1988. Mas ali havia os únicos parâmetros, ainda que imperfeitos, para o direito de resposta.

Da ausência de balizas resultaram prejuízos. De um lado, quem se sentia ofendido deixou de ter uma trilha segura para exercer o direito. De outro, veículos de comunicação ficaram expostos a normas penais e civis que bem podem servir aos propósitos de quem quer inibir a investigação jornalística.

Era preciso, portanto, editar nova lei específica — mas não essa que saiu do Congresso e passou quase incólume pela mesa presidencial.

Seu maior defeito está em criar tantos obstáculos para o veículo de comunicação se defender judicialmente que, na prática, termina por constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística — o que a Constituição proíbe.

A lei recém-sancionada por Dilma Rousseff acerta ao fixar prazos relativamente curtos para ser feito um pedido extrajudicial de direito de resposta, para abertura de um processo e para seu julgamento.

Comete uma enormidade, todavia, ao estabelecer que o órgão de imprensa terá 24 horas para apresentar ao juiz as razões pelas quais não atendeu ao pedido extrajudicial e um total de 72 horas para oferecer sua contestação.

Como as ações podem ser abertas em qualquer parte do Brasil, e não necessariamente onde o veículo de informação tem sede, é fácil ver que os prazos são inexequíveis. E há mais.

O magistrado, em 24 horas, poderá dar decisão provisória em favor do ofendido, sem que ninguém tenha exercido defesa. Caso o órgão afetado queira suspender a liminar ou sentença, poderá, como de hábito, buscar um tribunal.

Ocorre que, numa aberração jurídica, a lei determina que o recurso só poderá ser analisado se passar pelo crivo prévio de um colegiado. Como não existe tal colegiado reunido a todo o tempo, o que a lei faz, no fundo, é impedir que a apelação seja examinada.

Tudo como se a Constituição, ao tratar de garantias fundamentais, não assegurasse o contraditório e a ampla defesa, a duração razoável do processo e a apreciação, por parte do Judiciário, de possível lesão ou ameaça a um direito.

Essa lista não esgota todas as falhas da lei, mas já basta para que entidades historicamente ligadas à proteção da liberdade de expressão e de informação acionem com urgência o STF — e caberá a este, assim como fez diante da Lei de Imprensa, agir para que não se abalem esses dois pilares da democracia.
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No escândalo do Carf, o que importa são os bilhões

http://www.maurosantayana.com/2015/11/no-escandalo-do-carf-o-que-importa-sao.html


Em novembro de 2011, em matéria escrita para este blog, CARF perdoa 4 bilhões de Reais em impostos do Santander republicada, entre outros lugares, pelo Correio do Brasil, já chamávamos — com estranheza e desconfiança — a atenção para a generosidade do CARF — o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, em decidir perdoar — por votação surpreendentemente unânime — uma gigantesca dívida de impostos no valor de 4 bilhões de reais do banco espanhol Santander para com o governo brasileiro.

Embora se tratasse de uma enorme quantia, de bilhões de dólares, considerando-se o câmbio da época, cujo não pagamento deu um prejuízo aos cofres públicos muito superior ao dos recursos supostamente “recuperados” — incluindo multas e outros expedientes não diretamente ligados a desvios — na Operação Lava-a-Jato até agora, a grande mídia — que hoje não deixa passar em branco quantias de algumas centenas de milhares de reais, desde que se relacionem ao caso julgado pelo Juiz Sérgio Moro, mal noticiou o assunto nem se manifestou com relação ao fato.

Hoje, quatro anos depois, levantamento do Ministério da Fazenda, divulgado pelo "Congresso em Foco", aponta que, apenas entre 2004 e 2015 — e por que não apurar também o período do governo FHC? — passaram pelas mãos dos conselheiros do CARF o julgamento de dívidas contestadas no valor de mais de 524 bilhões de reais, mais de 5 vezes os fantásticos números aventados em diferentes ocasiões por participantes da operação Lava-a-Jato, que até agora não passam, comprovadamente, de algumas centenas de milhões de reais, e que tem sido inflados midiaticamente, com a inclusão de acordos de leniência e a ameaça de multas, agora extensível não apenas a empresas — que doam a gregos e troianos porque não sabem quem vai ganhar cada eleição — mas também partidos políticos (só da situação, é claro).

O importante, no gigantesco montante do escândalo do CARF, é saber — como no caso do Santander — qual foi, percentualmente, o dinheiro “perdoado”, nesse mais de meio trilhão de reais.

Afinal, é muito mais provável que tenha havido corrupção de grandes proporções no CARF do que no âmbito do que está sendo investigado pela Operação Lava-a-Jato.

É muito mais fácil pedir a vista de um processo, emitir um parecer favorável, ou um exame de admissibilidade, ou perdoar uma dívida dentro de uma sala fechada, de forma combinada, com outras pessoas com as quais se trabalha há anos, do que vencer uma licitação para a construção de uma refinaria, de uma hidrelétrica, de um porto, de um navio, de uma plataforma de petróleo, de uma sonda petrolífera, da duplicação de uma rodovia, da construção de um novo trecho de ferrovia, de uma obra no exterior, com a diferença de que no primeiro caso, o lucro para o país foi zero, e no segundo, as obras da Petrobras e do PAC — que se tentam interromper e colocar aleatória e amplamente sob suspeição — geraram centenas de milhares de empregos, em um esforço coordenado de modernização da infra-estrutura nacional que vai beneficiar o país por dezenas de anos.

No CARF, para “levar algum”, não era preciso licitação, nem contratos, nem o suposto pagamento de propina em forma de doação eleitoral, tese a cada dia mais distante de se provar ou sustentar juridicamente.

O sujeito — ou a empresa — devia milhões, dezenas de milhões, centenas de milhões, ou vários bilhões de reais para o governo, recorria a um conselho absurdamente formado por meia dúzia de iluminados, nenhum deles guindado a tal posto por concurso público, e suas dívidas eram julgadas improcedentes ou perdoadas, aos bilhões, com repasse de comissões para quem eventualmente decidisse a seu favor, ou levasse o grupo a fazê-lo.

No entanto, estranha que a Operação Zelotes — e o caso CARF — continuem a obter — pelo menos nas aparências — muito menos atenção do que a Operação Lava-a-Jato.

E, também, que, nessa pouca atenção recebida, apesar de quase 600 bilhões de reais envolvidos, a Justiça e a imprensa dediquem tanto trabalho e tanta atenção, a um milhão e quinhentos mil reais recebidos pela empresa do filho de certo ex-presidente da República.
Um empresário que — mesmo que não tenhamos nenhum motivo para colocar em dúvida sua lisura — faria um grande desfavor aos adversários de seu pai se fechasse suas empresas e abandonasse a iniciativa privada.

Afinal, deveria preocupar mais à imprensa e à opinião pública, saber o que está por trás dos 4 bilhões de reais perdoados ao Santander — quem assinou essa decisão e se houve eventualmente enriquecimento ilícito — beneficiando um banco eivado de escândalos em sua história no exterior, que até hoje está sendo processado por “tungar” as ações que pertenciam a milhares de aposentados do Banespa — criminosamente privatizado no governo de Fernando Henrique Cardoso.
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Humanos

Desde a Segunda Guerra Mundial, com o morticínio de europeus e as bombas atômicas norte-americanas, só as mentes aprisionadas na ignorância podem surpreender-se com a ferocidade humana.

Os antigos gregos, ao tempo mesmo em que fundavam com genialidade a filosofia, faziam guerras entre si e com vizinhos. Os romanos, enquanto elaboravam o Direito e davam o nome de bárbaros aos alheios à evolução latina, submetiam imensidões e povos às suas armas. Registro ainda anterior, o Velho Testamento, nascente religiosa, é uma crônica das guerras feitas pelos hebreus aos povos da região. Estavam legados aos milênios do Ocidente os pilares da sua história: a cultura, a religião e os extermínios humanos.

O Ocidente nunca esteve sem guerra. Mudam as formas. Muçulmanos ensandecidos invertem hoje as Cruzadas medievais dos cristãos sanguinários. Paris: a matança foi de inocentes. Todas as guerras são para dominar ou exterminar os inocentes. É tão triste — e tão sem remédio.

Uma fonte

A resistência da corrupção é muito mais forte do que o ataque que lhe é feito. E a primeira fortaleza da resistência está no Congresso, onde se formam diferentes maiorias, a depender da ocasião, que usam o poder de legislar para criar, proteger e restabelecer vias de acesso à corrupção. Assim se explica que, tão logo derrubadas pelo Supremo Tribunal Federal, na quinta (12), as chamadas doações ocultas para candidatos eleitorais, parlamentares começaram a conversar sobre o seu restabelecimento. Entre eles, Eduardo Cunha.

Aprovadas entre as alterações da legislação eleitoral feitas pelo Congresso, as "doações ocultas" foram vistas pela OAB como inconstitucionais, por impedirem que os eleitores saibam quem financia os seus candidatos. A identidade do doador desapareceria com a entrega do dinheiro ao partido, que o repassaria em seu nome ao candidato. O Supremo acatou a ação da OAB, mas é uma decisão sua que dá oportunidade ao restabelecimento das "doações ocultas". Por meio de emenda ao projeto, em trânsito no Congresso, que pretende restabelecer as doações de empresas a candidatos já nas eleições de 2016.

É notório o uso de campanhas eleitorais para enriquecimento pessoal, dada a impossibilidade de controle real das doações recebidas pelos candidatos, muitas vezes extorquidas. Depois de eleições, inúmeros patrimônios de candidatos crescem, de repente, com novas residências, sítios, fazendas, e isso não é segredo, nem haveria como ser. Além de crime eleitoral, é crime comum. Mas nunca se soube de quem coletasse de doações de campanha, desviasse o dinheiro, e por isso fosse preso e condenado por estelionato.

É explicável que tantos parlamentares, de quase todos os partidos, não se conformem com a proibição às gordas doações de empresas e, agora, também às doações ocultas.

De palavra

O deputado Carlos Sampaio, líder do PSDB na Câmara, fez o seu espetáculo de rompimento com o apoio a Eduardo Cunha. O jornalista Ilimar Franco ("O Globo") desmascarou-o. Contou, com precisão até de horários, que na terça-feira Carlos Sampaio foi cedo à casa de Eduardo Cunha, acompanhado de Mendonça Filho, do DEM, e Paulinho da Força, do Solidariedade, e os três garantiram o apoio da oposição à defesa de Cunha em troca do impeachment de Dilma. No começo da noite, "dobrado pela bancada", Carlos Sampaio "procurou microfones, câmeras e luzes" e "anunciou o rompimento".

Eduardo Cunha, mais uma vez, depois de "mais de cinco encontros secretos" com aqueles oposicionistas nos últimos 30 dias, disse-lhes que responderia até quinta-feira. O negócio imoral ficou sem resposta.

Janio de Freitas
No fAlha
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