14 de nov de 2015

Como os Estados Unidos criaram o ISIS

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As raízes do terror islâmico

A reação dos jornais franceses
Diante de uma tragédia como a de ontem em Paris, duas atitudes se impõem.

A primeira é chorar cada morte. Na última contagem, 120 pessoas foram mortas pelos atos conjuntos de terrorismo, e dezenas estão feridas, muitas em estado crítico.

A palavra mais comum nos jornais franceses deste sábado é, previsivelmente, horreur, horror.

Derramadas todas as lágrimas, vem a segunda atitude. Tentar compreender como uma violência de tal magnitude pôde acontecer.

É um passo essencial para evitar que outros episódios dantescos como o desta sexta em Paris possam se repetir.

Mas há, aí, uma extraordinária dificuldade em sair de lugares comuns como a “violência radical” do islamismo e dos islâmicos.

Trechos do Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, são citados em apoio dessa tese falaciosa e largamente utilizada.

A questão realmente vital é esta: o que leva ao extremismo tantos muçulmanos, sobretudo jovens? Por que eles abandonam vidas confortáveis em seus países de origem, abraçam o terror e morrem sem hesitar pela causa que julgam justa?

Os líderes ocidentais não fazem este exercício porque a resposta àquelas perguntas é brutalmente indigesta para eles.

O terror islâmico nasce do terror ocidental, numa palavra.

Há muitas décadas os países ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, promovem destruição em massa nos países islâmicos.

Querem garantir o petróleo, a que preço for, e fingem que estão naquela região com propósitos civilizatórios.

O último grande ato de predação foi a Guerra do Iraque. Sabe-se hoje que as razões alegadas pelos americanos e seus aliados britânicos para realizá-la foram mentirosas.

O Iraque de Saddam Hussein simplesmente não tinha as armas de destruição em massa que serviram de pretexto para a guerra.

Um levantamento reconhecidamente criterioso calcula em cerca de 120 000 as mortes de civis iraquianos. Outras fontes falam em meio milhão.

Quem paga por este crime de guerra chancelado por Bush nos EUA e Tony Blair na Grã Bretanha?

Ninguém.

Você pode imaginar o tipo de reação que ações como a Guerra do Iraque provocam entre os sobreviventes da violência ocidental.

Mais recentemente, os drones americanos — os aviões de guerra teleguiados — vem semeando mortes em quantidade pavorosa nos países árabes.

Apenas nos anos de Obama, calcula-se que 500 civis tenham sido mortos pelos drones, muitos deles crianças e mulheres.

No mesmo dia do drama parisiense, os americanos comemoraram a morte, por um drone, do terrorista do Estado Islâmico que se tornou conhecido como Jihadi John. Aparentemente JJ foi quem degolou várias pessoas em medonhas execuções filmadas e postadas na internet.

Brutalidade gera brutalidade.

Bin Laden foi o cérebro por trás de uma mudança radical nas retaliações islâmicas. Ele levou a guerra para dentro dos países ocidentais. O maior exemplo disso foram os atentados de 11 de Setembro.

O que a mídia ocidental quase não noticiou é que Bin Laden virou um ídolo entre os muçulmanos e como tal foi chorado ao ser executado pelos americanos.

Os atentados de Paris obedecem à mesma lógica: transportar os combates para a casa dos inimigos.

O que torna esta guerra ainda mais complicada para os ocidentais é que os soldados islâmicos não se importam de morrer pela causa. Alguns deles se explodiram ontem em Paris.

Sem refletir profundamente sobre as origens do terror islâmico é impossível que a situação mude.

Obama, quando anunciou a morte de Bin Laden, disse famosamente que o mundo ficara mais seguro.

Os episódios de ontem em Paris mostram quanto Obama se equivocou — lamentavelmente.

Paulo Nogueira
No DCM
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Reportagem da Globo rasga "Princípios Editoriais" do Grupo



SEÇÃO I

OS ATRIBUTOS DA INFORMAÇÃO DE QUALIDADE

Para que o jornalismo produza conhecimento, que princípios deve seguir? O trabalho jornalístico tem de ser feito buscando-se isenção, correção e agilidade. Porque só tem valor a informação jornalística que seja isenta, correta e prestada com rapidez, os seus três atributos de qualidade.

1) A isenção:

Isenção é a palavra-chave em jornalismo. E tão problemática quanto “verdade”. Sem isenção, a informação fica enviesada, viciada, perde qualidade. Diante, porém, da pergunta eterna – é possível ter 100% de isenção? – a resposta é um simples não. Assim como a verdade é inexaurível, é impossível que alguém possa se despir totalmente do seu subjetivismo. Isso não quer dizer, contudo, que seja impossível atingir um grau bastante elevado de isenção. É possível, desde que haja um esforço consciente do veículo e de seus profissionais para que isso aconteça. E que certos princípios sejam seguidos. São eles:

a) Os veículos jornalísticos do Grupo Globo devem ter a isenção como um objetivo consciente e formalmente declarado. Todos os seus níveis hierárquicos, nos vários departamentos, devem levar em conta este objetivo em todas as decisões;

b) Na apuração, edição e publicação de uma reportagem, seja ela factual ou analítica, os diversos ângulos que cercam os acontecimentos que ela busca retratar ou analisar devem ser abordados. O contraditório deve ser sempre acolhido, o que implica dizer que todos os diretamente envolvidos no assunto têm direito à sua versão sobre os fatos, à expressão de seus pontos de vista ou a dar as explicações que considerarem convenientes;

(...)

d) Não pode haver assuntos tabus. Tudo aquilo que for de interesse público, tudo aquilo que for notícia, deve ser publicado, analisado, discutido;

(...)

f) Todos os jornalistas envolvidos na apuração, edição e publicação de uma reportagem, em qualquer nível hierárquico, devem se esforçar ao máximo para deixar de lado suas idiossincrasias e gostos pessoais. Gostar ou não de um assunto ou personagem não é critério para que algo seja ou não publicado. O critério é ser notícia;

(...)

m) O Grupo Globo é independente de grupos econômicos, e os seus veículos devem se esforçar para assim ser percebidos. Por esse motivo, as decisões editoriais sobre reportagens envolvendo anunciantes serão tomadas a partir dos mesmos critérios usados em relação aos que não sejam anunciantes;

(...)



Equipe de reportagem da Globo interrompe entrevista porque morador denuncia Samarco/Vale




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O deputado que quer cassar Jean Wyllys

Chamar de escória pode?
O deputado federal João Rodrigues, um arquiconservador do assim chamado baixo clero da Câmara, virou notícia nacional em duas ocasiões.

Em nenhuma delas foi por algum projeto interessante que tenha feito. Não consta que jamais ele tenha aprovado projeto nenhum.

A primeira vez que seu nome emergiu foi em maio passado quando ele foi flagrado vendo filme pornográfico no celular em plena votação da Reforma Política.

Posteriormente, ele alegou que estava apagando um vídeo que recebera de amigos no Whats’App. Mas a justificativa remete mais à carne moída de Eduardo Cunha do que a qualquer outra coisa.

É um caso clássico em que você pode invocar a senteça imortal de Wellington, o algoz de Napoleão em Waterloo: “Quem acredita nisso acredita em tudo.”

O segundo estrelato de João Rodrigues veio agora.

Um vídeo que registrou um bate-boca entre ele e Jean Wyllys na Câmara viralizou. Você pode vê-lo aqui:
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Quem começou a briga foi Rodrigues. Ele atacou os parlamentares que se opunham a uma medida que facilita o porte de armas. Citou nominalmente JW, a quem chamou de “escória”. Fez questão de vinculá-lo ao BBB de maneira escarnecedora. Gabou-se da “macheza” dos catarinenses.

Rodrigues estava exaltado, ou fingiu bem.

Mas o que fez o vídeo se tornar um sucesso instantâneo na internet foi a resposta épica, eletrizante de JW.

JW disse tudo aquilo que os progressistas gostariam de falar a deputados como João Rodrigues, um dos responsáveis pelo Congresso ser o que é — o pior que o dinheiro pôde comprar. (Rodrigues mesmo coletou 1,6 milhão de reais de financiadores para sua campanha.)

JW chamou-o de “fascista” e lembrou o episódio do filme pornográfico. Também evocou um caso policial da vida pregressa de João Rodrigues.

Em 1999, quando era vice-prefeito de Pinhalzinho, em Santa Catarina, ele foi condenado por crime contra a Lei de licitações na compra de uma retroescavadeira.

O pior programa de tevê, disse com acerto ele, é melhor do que roubar dinheiro do povo.

No melhor momento da resposta, JW lembrou que os conservadores que dominam a Câmara terão que aguentá-lo, um “homossexual assumido” extraordinariamente combativo nas causas sociais.

Mas, poucos dias depois, ficaria claro que os opositores de JW não estão dispostos a aguentá-lo.

O partido de Rodrigues, o obscuro PSD, pediu esta semana a cassação de JW por “quebra de decoro parlamentar” por conta da resposta que ele deu depois de ser chamado de escória aos berros.

Pela estranha lógica, xingar de escória e safado pode. De fascista, em resposta, não.

Agredir pode. Reagir, não.

Se houve quebra de decoro, ela foi do agressor. A vítima, para usar uma expressão dos tribunais, agiu em legítima defesa.

É altamente improvável que tudo isso vá dar em alguma coisa. Parece ser muito mais uma tentativa de intimidar a mais potente das vozes progressistas num Congresso ocupado pelo atraso.

Mas não deixa de ser exemplar o episódio.

Dizer sucessivas lorotas, como vem fazendo Eduardo Cunha desde que foi desmascarado pelos suíços, é tolerado e até apoiado por centenas de deputados.

Dizer certas verdades depois de ser pesadamente insultado, como fez Jean Wyllys, traz o risco de cassação.

Definitivamente o mundo político nacional deixou de fazer sentido em 2015, um annus horribillis sob todos os aspectos.

Paulo Nogueira
No DCM
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O arsenal no acampamento do MBL mostra que aquilo é uma bomba relógio

O arsenal pego com um “manifestante” no acampamento do MBL em Brasília
Um sujeito foi preso pela PM do Distrito Federal em frente ao Congresso Nacional na noite de quinta (12). Ele estava acampado com outros manifestantes. A iniciativa é do MBL, que se instalou ali com seus militantes no dia 18 de outubro para “fazer pressão lá na porta dos políticos para o impeachment de Dilma Rousseff”.

O nome do cidadão é Jorge Luiz Damasceno, sargento reformado. Em seu carro havia: uma pistola, um soco inglês, uma corrente, luvas, sprays de mostarda, ao menos dezessete furadores de gelo e um porrete de madeira. Foi preso na Papuda por porte ilegal de armas.

O maluco faz parte de um grupelho que pede a intervenção militar. É um negócio “família, cristão, pacífico”, diz um dos “líderes”, Dom Werneck. Imagine se não fosse. De acordo com Dom, seu amigo falou que queria “matar Dilma” e jogar uma bomba no Congresso.

O MBL já se tem jurisprudência em micos de proporções bíblicas. Depois da famosa caminhada do nada ao lugar nenhum, esse camping é uma idiotice histriônica. Mais do que isso, é uma tragédia anunciada.

Inevitável que comece a chegar gente. Todo desocupado paranoico vai para lá porque um dia aparece na televisão. O sargento é apenas um.

O tal Werneck, como não poderia deixar de ser, se define como “bolsonarista”. Ele e a namorada desfilam com uma camiseta com a face do Jair estampada. Escreveu no Facebook, direto de Brasília: “AGORA É A HORA! Estoquem alimentos e combustível.” ???

No Recife, skinheads neonazistas recepcionaram a família Bolsonaro. A eterna desculpa é de que se tratava de “infiltrados”.

É a mesma ladainha usada pelo MBL com o terrorista capturado. Renan Santos — aka Renan Haas, um de seus vários nomes — gravou um vídeo em que aparece apoplético, um Collor fase supositório, afirmando que “a mídia comprada e governista tenta difamar” o movimento. Claro que denuncia também uma “arapuca” do governo. O sargento é José Dirceu disfarçado.

Renan e seus colegas não são apenas imbecis, mas imbecis e irresponsáveis. Quanto mais tempo ali, mais loucos aparecerão. Ou eles pretendem anotar nome e cpf de cada palhaço?

É curioso como esse pessoal reclama do “bolivarianismo” e da “ditadura lulopetista” enquanto faz o que quer. Quando é que as autoridades competentes tomarão alguma atitude? Imagine, apenas imagine, se você e seus amiguinhos resolvessem montar barracas em frente à Casa Branca. Cana antes do fogareiro acender.

Esses meninos não têm pais? Não tem um tutor legal? Uma babá? Ninguém trabalha? Ninguém tem conta para pagar? Ninguém estuda?

O verdadeiro papito, o Cunha, saiu para comprar cigarros na Suíça e nunca mais voltou. Eles esperam, agora, o novo messias do golpe. Está na hora de pararem de brincar com explosivos porque é perigoso.

Kiko Nogueira
No DCM
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A execução de mais um blogueiro, o império da pistolagem e o ataque à liberdade de imprensa no MA

Blogueiro Ítalo Diniz executado com 4 tiros
O Maranhão mais uma vez assiste a execução covarde de um blogueiro, desta vez o ataque aconteceu na noite de ontem (13) na pequena cidade de Governador Nunes Freire (localizada a 181 km da capital São Luis), a vítima, o jovem blogueiro Ítalo Diniz, 28, segundo informações ele foi executado próximo à sua residência, dois homens em uma motocicleta teriam se aproximado, um dos suspeito teria descido da moto e disparado ao menos quatro tiros, todos atingiram o blogueiro que morreu na hora.

A principal suspeita do motivo desta execução, é que o comunicador tenha sido mais uma vítima do ataque a imprensa maranhense, segundo a polícia da cidade não está descartada a possibilidade do crime ter ligação com a atividade desenvolvida por Ítalo, o jovem em sua página eletrônica publicava várias denúncias sobre política de sua região e recentemente em uma rede social, teria dito que estaria recebendo ameaças de morte.

No momento do crime, Ítalo estava na companhia de um amigo identificado por Werberth Saraiva, que também foi atingido com dois tiros de raspão, mas foi encaminhado para para o hospital sem risco de morte.

O caso, retoma à discussão, sobre o ataque da pistolagem que ainda impera no interior do Estado e que tenta à bala, calar jornalistas, blogueiros, radialistas e ativistas da comunicação, este já o segundo caso em menos de quatro anos, em 2012, o jornalista e blogueiro Décio Sá, foi executado em plena Av. Litorânea.

Cabe as autoridades de segurança, elucidar o caso e colocar atrás das grades todos os envolvidos, à nós jornalistas, blogueiros e comunicadores de modo em geral, permanecer unidos e não se curvar diante de atentados como este.

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Asesinan al líder campesino colombiano Daniel Abril en Casanare


Un sicario le disparó en repetidas ocasiones al líder campesino Daniel Abril Fuentes la noche de este viernes en un establecimiento público del municipio de Trinidad.

La defensora de los DDHH y exsenadora colombiana, Piedad Córdoba, informó este viernes que el líder social campesino Daniel Abril, reconocido defensor de derechos humanos, fue asesinado hace unas horas en Trinidad (Casanare) en manos de paramilitares.

De acuerdo a lo reseñado por la prensa libre de Casanare, el dirigente comunitario se había destacado por sus posiciones a favor de las comunidades de las zonas de influencia de la industria petrolera, la protección de los recursos naturales de la región.

Abril Fuentes también integraba organizaciones no gubernamentales de Derechos humanos a nivel regional como el movimiento social del Centro Oriente colombiano.


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Prefeito fecha ferrovia da Vale contra “irresponsabilidade do capital"

“É um desastre sem precedentes”, afirmou o prefeito de Baixo Guandu, no Espírito Santo, Neto Barros (PCdoB), em entrevista ao Portal Vermelho. Ele bloqueou por seis horas a Estrada de Ferro Vitória a Minas na madrugada desta sexta-feira (13), para pressionar a Samarco-Vale a apresentar soluções para conter os danos causados após o rompimento das duas barragens de propriedade da mineradora em Mariana, Minas Gerais.



Ferrovia da Vela bloqueada em Baixo Guandu, no Espirito Santo
Willian Henrique Westphal
O bloqueio deu resultado e representantes da empresa se reuniram com o prefeito. O prefeito utilizou seis tratores para fechar a linha férrea que transporta a matéria-prima da mineradora Vale. Neto classificou como “absurda” a situação atual provocada pelo crime ambiental da empresa. Ele enfatiza que a Samarco-Vale não tinham preparação para conter qualquer tipo de imprevisto ou plano de contenção para evitar esse desastre.

“Agora, somos destinatários dessa irresponsabilidade do grande capital financeiro que se sobrepõe aos interesses de todas as pessoas, seja ambiental ou da vida humana”, repele.

Representantes da Samarco-Vale se reuniram com o prefeito nesta sexta-feira (13) e se colocaram à disposição do município se comprometendo a ajudar. “Se a gente não faz isso [bloqueio] eles não teriam se reunindo com a prefeitura. Eles fazem a sujeira e são os últimos a chegar”, rechaçou Neto, afirmando que os representantes fizeram questão de dizer que “dinheiro não é o problema”, mas que eles têm problemas “muito maiores do que a nossa cidade para enfrentar”.

Colonialismo jurídico

Neto criticou também a postura do Judiciário frente a tragédia vivida pela população. Para ele, por conta dos “resquícios do colonialismo”, o Judiciário ainda é dotado de “um pensamento arcaico e conservador”, que defende o patrimônio de grandes corporações ignorando até mesmo a legislação.

“Diante da falta de uma resposta concreta da Vale-Samarco e da passividade da Justiça, resolvi paralisar as ferrovias. A interrupção foi de seis horas porque a Justiça foi muito ágil em atender o pedido da empresa e me localizar para intimar a retirar em meia hora o maquinário dos trilhos, sob pena de multa de R$ 30 mil para a prefeitura e outros R$ 25 mil para mim. Quer dizer, há oito dias acontece um crime e nada é feito, mas para atender os interesses do capital e das empresas em poucas horas o Judiciário se prestou a dar uma resposta. É surpreendente”, denunciou.

Neto destacou ainda que se um pescador fosse flagrado dentro do Rio Doce com um barco pescando lambari estaria preso e seria capa de jornal. “E para quem mata todo o Rio Doce, qual é a punição?”, questiona.

E acrescenta: “Todos estão assistindo passivamente a lama tóxica descer o rio até chegar ao oceano. Já são 100 quilômetros de dejetos químicos misturados com a lama descendo o rio há oito dias, e até agora não apareceu nenhum especialista, técnico, engenheiro para tentar amenizar esse problema e impedir que afete todos os municípios”.

Apesar da situação grave que o município enfrenta e os desafios do futuro diante das consequências do crime ambiental, Neto reafirmou o seu compromisso com a população. “A gente não perde a capacidade de se indignar com isso. É preciso mobilizar a sociedade. A Vale tem um passivo ambiental muito grande com a população tanto do Espírito Santo, quanto de Minas Gerais, e deve ser responsabilizada por isso”, frisou.

Consequências

Na entrevista, Neto Barros ressalta que o departamento de saneamento e água da cidade recolheu amostras no leito do Rio Doce e Governador Valadares que apontam a contaminação.

“Coletamos água em Governador Valadares onde a lama tóxica não chegou ainda, e as amostram revelam alta contaminação com elementos como chumbo, alumínio e ferro. É intratável, mas a empresa continua a dizer que não tem nada disso. Que vai comprovar que se trata de elementos do solo”, declarou.

O prefeito informou que o município já realiza obras para garantir uma captação alternativa, já que a captação do Rio Doce será interrompida. “Vamos fazer a captação do Rio Guandu, mas para isso precisamos de recursos e eles [Samarco-Vale] não se prontificaram a nos ajudar até agora. Estamos com mais de 50 pessoas trabalhando às pressas para desobstruir um canal antigo e tentar levar a água até um determinado ponto para fazer a captação. Mas existem cidades que não tem essa condição e vão sofrer muito”, lamentou.

Neto também contestou as afirmações da Samarco-Vale, de que se trata apenas de um acidente. “Dizem que foi por conta de um abalo sísmico, que não há contaminação na água, enfim, daqui a pouco tudo isso vai virar um incidente. E nós somos destinatários da irresponsabilidade desse entendimento”, frisou.

O prefeito lembrou que essa é a época do chamado defeso, ou seja, não se pode pescar. “O Rio Doce está morrendo. Estão matando a fauna e a flora do rio. E quando voltarmos ao período de pesca não haverá o que pescar porque não tem desova, não tem reprodução, portanto, teremos um problema econômico grave”, pontuou.

Dayane Santos
No Vermelho
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Bento Rodrigues: a cidade que a Vale destruiu!

O FHC gosta de geleia produzida com a pimenta biquinho ? E o 'Cerra'?

Passagem da lama pelo Rio Doce causa desastre ambiental em Governador Valadares.
Foto: Leonardo Merçon - Instituto Últimos Refúgios. Fonte: Empresa Brasil de Comunicação - EBC.

Tragédia em Minas Gerais: Crime contra a Humanidade

É impossível contabilizar, neste momento, a dimensão da tragédia que vivenciam os moradores de Bento Rodrigues, distrito de Mariana, MG, após o rompimento de duas barragens da mineradora Samarco, que pertence à Vale e à BHP Billiton. Em reportagem da TV Cultura sobre o sonho de alguns moradores de desenvolver a economia local com a exportação da geleia produzida com a pimenta biquinho, já com o mercado local consolidado e o registro da Anvisa em mãos, conhecemos um pouco mais da pacata vida da pequena cidade de um município histórico.

“Local de parada para os tropeiros que percorriam os caminhos das minas gerais em busca do ouro”, a arquitetura colonial de Bento Rodrigues, o sonho dos dirigentes da associação de hortifrutigranjeiros reativada, a produção da agricultura familiar, fauna, flora, solo, e tudo o mais que era vivo hoje está morto, soterrado por um rio de lama de rejeitos que segue a caminho do mar.

Bento Rodrigues, o Brasil e o mundo aguardam as conclusões dos processos que apuram responsabilidades e a implementação de uma fiscalização efetiva, além da punição exemplar de todos os responsáveis por uma das maiores catástrofes ambientais do país.

Assista ao vídeo para conhecer um pouco da vida em Bento Rodrigues antes do rompimento das barragens e para ver imagens da região depois da tragédia.



No CAf
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Justiça suspende reintegração de posse em escolas ocupadas em SP

Juiz disse que questão não é proteção da posse, mas de política pública.
Decisão suspende reintegração em escolas em Pinheiros e Diadema.




O juiz Luis Felipe Ferrari Bedendi, da 5ª Vara de Fazenda Pública, suspendeu na noite desta sexta-feira (13) a reintegração de posse nas escolas estaduais Fernão Dias Paes, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, e Diadema, no ABC. Os estudantes ocuparam os prédios em protesto contra a reestruturação do ensino estadual, que prevê o fechamento de escolas.

Na decisão, o juiz, o mesmo que havia decidido pela reintegração nesta quinta-feira (12), disse que a questão “não é a proteção da posse, mas uma questão de política pública, funcionando as ordens de reintegração como a proteção jurisdicional de uma decisão estatal que, em tese, haveria de melhor ser discutida com a população”.

Ele afirma que a simples reintegração dos prédios não promoverá "a solução do caso concreto, com a pacificação social". "A cada dia, uma nova escola pode ser invadida; expede-se, na sequência, a reintegração de posse, é ela cumprida e o ciclo se repete, com a possibilidade, inclusive, de existir a reocupação de uma escola já liberada."

A suspensão do pedido de reintegração nas escolas atende a pedidos do Ministério Público, da Defensoria Pública e do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). O magistrado diz que tomou a decisão após a reunião ocorrida nesta tarde entre estudantes e representantes da Secretaria da Educação, que terminou sem acordo.

O fato de existirem adolescentes entre os manifestantes também levou o juiz a rever a decisão. "Caso imprescindível a utilização de força policial, por mais preparada e capacitada seja a Corporação Estadual, existe a probabilidade de ocorrer algum prejuízo aos menores, já que o calor da situação, aliado à pressão popular no entorno da escola são elementos suficientes a algum acontecimento trágico", diz.

A assessoria do Palácio dos Bandeirantes disse que decisões judiciais devem ser cumpridas.
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Em Paris, novo triunfo da barbárie

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=7849


Os Iluministas enfrentaram a superstição a golpes de racionalidade. A humanidade pensava ter vencido o obscurantismo. Pavoroso engano. A barbárie é atualmente mais forte do que nunca. Os novos atentados de Paris revelam a face mais hedionda do fanatismo. A ideia certamente foi mostrar que ninguém está seguro. Vários pontos foram atacados simultaneamente. Qualquer um podia morrer. Os atentados aconteceram em distritos parisienses com moradores de várias nacionalidades. O mundo terá de engajar-se num combate total contra o terrorismo. O vídeo gravado pelo jornalista Daniel Psenny, disponível no site do jornal Le Monde, é devastador. Psenny mora atrás da casa noturna Bataclan. As imagens que gravou são de campo de guerra.


Uma mulher permanece minutos infindáveis pendurada numa janela.

Homens arrastam corpos pela rua.

Tiros ensurdecem os desesperados.

O Ocidente é refém daquilo que de melhor produziu: a ideia de tolerância.

Para não ser intolerante, submete-se aos supostos valores de outros.

Mas é vítima também de si mesmo e das suas intervenções onde não foi chamado.

Essa última afirmação tem seu limite. Deveria o Ocidente deixar infelizes para sempre submetidos a ditadores sanguinários? Ou só se deveria intervir tendo algo melhor para colocar no lugar? Um monstro assombra o mundo. Chama-se Estado Islâmico.

Teremos chegado ao momento de reinventar o Estado-nação com a liberdade de estabelecer regras dentro do seu território sem delas abrir mão em respeito a supostos direitos de outros?

Terá chegado a hora de estabelecer um novo universal contra os particularismos assassinos?

Paris já não é uma festa.

Paris é um campo de mortos.

A superstição da sexta-feira 13 se impôs.

Por que o Bataclan foi atacado?

Por ser uma casa noturna onde tocava uma banda americana?

Também.

Mas principalmente por se situar no Boulevard Voltaire.

Um ataque contra Voltaire, contra o nome do iluminismo, contra as luzes, contra a razão.

Uma fuzilaria contra o nome do homem que gritou “esmagai o infame”.

O infame era o fanatismo religioso.

As luzes da cidade se apagam.
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Lula avisa: eles têm medo é da minha volta

"Eu irei lutar contra qualquer candidatura que signifique o retrocesso na conquistas sociais do povo brasileiro."




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