13 de nov de 2015

Omissões, responsabilidades, e a metáfora no mar de lama tóxica da Samarco...


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Levandowski dá tiro de misericórdia no golpe numa sexta-feira 13


Mais uma vez se confirmam as previsões do jurista Dalmo de Abreu Dallari, quem deu a honra a esta página de fazer aqui a sua primeira previsão de que o golpe naufragaria no Supremo Tribunal Federal — em que pese tudo que aconteceu no julgamento do mensalão.

Mais adiante, o jurista, em entrevista ao programa de Web TV Contraponto, voltou a afirmar a este blogueiro que o golpe não passaria no STF. Lembrado do comportamento daquele Corte durante o julgamento do mensalão, o jurista ponderou que o atual STF difere muito daquele que condenou petistas sem provas, via invenção do “domínio do fato”.

Em 26 de agosto deste ano, naquela entrevista ao Blog, Dallari já deixava ver o que ocorreria se a Câmara insistisse em promover a farsa de mudar o rito constitucional para processos de impeachment de forma a afastar Dilma Rousseff por maioria precária daquela Casa Legislativa.

À época, o jurista chamou as pretensões de cassar Dilma de “fantasia política”.

Confira, abaixo, a pergunta e a resposta do jurista:

Blog da CidadaniaAlguns analistas já estão dizendo que a derrubada da presidente da República e a posse daquele que ela derrotou são favas contadas. O senhor concorda com isso ou acredita que o jogo não terminou e, apesar dessa decisão, é possível reverter o quadro no decorrer da ação?

Dalmo DallariEu acho que não há o mínimo risco [de derrubada do governo] porque não tem consistência jurídica. Antes de mais nada, essa decisão [do TSE] foi só para reabertura [do processo], não é decisão do Tribunal condenando, reconhecendo falhas, erros, ilegalidades. É só reabertura da discussão. Isso tudo vai muito longe e a presidente Dilma tem o direito de ser ouvida, inclusive de exigir a verificação de documentos, a busca de provas e, eventualmente, até oitiva de testemunhas. Derrubada da presidente pelo TSE é apenas uma fantasia política. Do ponto de vista jurídico está muito distante a possibilidade de que, a partir daí [da decisão do TSE de reabrir o processo], se afaste a presidente Dilma Rousseff.

Eis, portanto, que o golpe falece em uma sexta-feira 13. Nesse dia, durante palestra em uma faculdade de Direito da capital paulista, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, deu a mais contundente declaração contra as tentativas de interrupção do mandato da presidente Dilma Rousseff.

Lewandowski disse que o País precisa ter maturidade para aceitar o resultado das eleições passadas. “Com toda a franqueza, devemos esperar mais um ano para as eleições municipais. Ganhe quem ganhe as eleições de 2016, nós teremos uma nova distribuição de poder. Temos de ter a paciência de aguentar mais três anos sem nenhum golpe institucional”, afirmou o presidente do STF.

Para Ricardo Lewandowski, a crise vivenciada atualmente no país tem mais fundo político do que econômico. “Estes três anos [após o ‘golpe institucional’] poderiam cobrar o preço de uma volta ao passado tenebroso de trinta anos. Devemos ir devagar com o andor, no sentido de que as instituições estão reagindo bem e não se deixando contaminar por esta cortina de fumaça que está sendo lançada nos olhos de muitos brasileiros”, afirmou.

Uau!

Sabe quem disse isso? O presidente de um dos três Poderes da República, o Judiciário. Agora, pois, dois terços dos Poderes constituídos estão contra o golpe. E, de quebra, Lewandowski ainda citou a conspiração golpista em curso ao acusar que uma “cortida de fumaça” está sendo “lançada nos olhos de muitos brasileiros”.

Não é pouco devido ao poder quase discricionário que tem o presidente do STF. Qual seja, a Pauta. Lewandowski põe e tira de pauta o que quiser, quando quiser. Dirão que o poder do presidente da Corte não é absoluto, não pode impedir que matérias entrem em votação. É verdade, mas aquele colegiado já demonstrou, recentemente, que não deixará que estuprem a Constituição com fins político-partidários-eleitorais.

A grande sorte deste país é que o momento político mais dramático desde a sua redemocratização se abateu sobre nós no momento em que um Poder tão determinante quanto o STF está sendo presidido por alguém da estatura moral e intelectual de um Ricardo Lewandowski, de quem passei a privar de uma relação mais próxima lá em 2012, quando publiquei o post mais lido desta página desde sua criação.

Em 11 de agosto, esta página publicou um desagravo ao ministro que recebeu 5.084 comentários. Alunos, ex-alunos, parentes, amigos, artistas deixaram mensagens de desagravo após a campanha difamatória que ele sofreu por ter se recusado a condenar réus do mensalão sem provas.

Diante disso, o ministro, mui gentilmente, convidou este blogueiro a ir ao STF entregar-lhe as manifestações dos leitores desta página em defesa de um homem íntegro, corajoso, que não teve medo de seguir a sua consciência apesar da campanha de desmoralização que a mídia e grupos políticos dispararam contra ele.

Naquela oportunidade, o ministro chegou a gravar um vídeo com uma mensagem aos leitores deste Blog:



Há muito tempo este Blog vem dizendo que os devaneios golpistas estão fadados ao fracasso por conta do temor de ruptura institucional que moldou a Constituição de 1988. Confundem a facilidade que o Congresso teve para cassar Collor nos estertores de 1992.

O caso do ex-queridinho de Globo, Folha, Veja e Estadão foi muito diferente. Houve vários rastreios de dinheiro do esquema PC Farias nas contas pessoais do ex “caçador de marajás” que a mídia construiu no primeiro dos 26 anos durante os quais mantém uma guerra de aniquilação contra o PT e, sobretudo, contra Lula, quem a vem derrotando há quase 13 anos ininterruptos.

Não se sabe o que poderá ocorrer em 2018. A direita nunca teve chance melhor de voltar ao poder desde que Lula venceu sua primeira eleição presidencial. Pode ser que o quadro político continue como o de hoje durante os próximos três anos e um tucano — ou Marina Silva — vença.

Esse é o pior quadro para o PSDB. Mesmo que Lula não saia candidato ou seja um candidato sem força suficiente para enfrentar tudo que se armou contra ele mesmo e contra a PT — e também tudo o que o partido fez consigo mesmo —, uma coisa é certa: o PSDB fica mais longe do Poder sem uma perspectiva de impeachment.

Marina Silva seria a adversária mais à esquerda e, na ausência de opções, a esquerda — inclusive a petista — votará nela em peso para impedir a volta dos tucanos, que todos sabem o que significaria para o país.

Não que eu ache Marina uma boa opção ou uma opção de esquerda — se acham que Lula endireitou, esperem para ver o que aconteceu com Marina se ela chegar ao poder.

Mas é claro que ela não representa a volta da ultradireita que se envolveu nessa orgia política com o ex-partido da “social democracia” brasileira, o PSDB.

Enfim, só posso concordar com o amigo Ricardo Lewandowski, quem diagnosticou bem um dado alentador que deve nos fazer refletir muito: as instituições brasileiras estão resistindo bem ao famigerado golpismo que marcou a história política deste país.

Alvissarás!

Eduardo Guimarães
No Blog da Cidadania
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Entrevista com João Pedro Stédile


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Prejuízo da Petrobras é barulho para enganar trouxa. Empresa opera com alto lucro


Com seu ódio mortal à Petrobras, a imprensa brasileira faz um carnaval com o balanço negativo em R$ 3,75 bilhões da Petrobras do terceiro trimestre do ano. Um bilhão de dólares, em números redondos.

Foi um desastre?

Absolutamente não. Tanto que o mercado “after hours” de Wall Street apresenta, no instante em que escrevo, uma alta de 1,5% no valor das ADRs (equivalentes a ações) da empresa, nos EUA.

Mas eles deixam de lado o dado que mostra a saúde da empresa: nos nove primeiros meses do ano o lucro operacional da empresa — o que ela ganha menos o que gasta para funcionar, excluído os pagamentos de financiamentos, subiu 149%.

Os investidores americanos não são bobos como os nossos editores de economia.

A Petrobras saiu-se melhor do que muitas das suas concorrentes no trimestre.

A Shell, por exemplo, teve um prejuízo seis vezes maior — US$ 6,1 bilhões —  e seus investidores bateram palmas, porque ela fez isso assumindo os prejuízos por maus negócios, como o da fracassada exploração no Ártico.

Depois, o resultado veio absolutamente dentro do que estava, já, “precificado” pelo mercado, por conta da desvalorização cambial e da persistência dos preços deprimidos do petróleo: as previsões variavam de um resultado contábil negativo entre US$ 0,5 e US$ 1,8 bilhão. E considerando que a empresa teve despesas extraordinárias de US$ 0,8 bi com a quitação de seus débitos ficais (que foram parcelados, com o pagamento de uma “entrada”) o resultado foi bem próximo de zero.

E seria de lucro, e lucro alto se a empresa não tivesse as pesadas dívidas que tem,

Por que?

Porque as dívidas da Petrobras são em dólar e o dólar, entre o primeiro dia de julho e o último de setembro subiu mais de 26%.

E porque a Petrobras deve tanto? Por causa das roubalheiras de Costa & Companhia por lá? Nem de longe. Eles são ladrões, roubaram uma fortuna que nós, mortais, nem conseguimos imaginar mas, perto do que a Petrobras investia e investe, não tapa nem o buraco da cárie.

A Petrobras deve porque está desenvolvendo o maior projeto exploratório  de petróleo no mundo que, se é rentável ao extremo, também exige gastos imensos: cada uma das dezenas de sondas, por exemplo, tem um custo de arrendamento que, na cotação de hoje, é de US$ 518 mil por dia!

E tem de gastar, porque, do contrário, o Brasil terá de entregar seu maior tesouro mineral ao saque internacional.

Parece claro, claríssimo, que à Petrobras não falta senão um processo de estruturação de sua dívida, talvez por um tipo de securitização que encontre, em agentes financeiros internacionais voltados para o fomento econômico, a estabilidade pelo alongamento dos créditos e sua garantia em equivalente-petróleo, porque é um negócio sem risco de xabu a exploração de nosso pré-sal.

Mais cedo ou mais tarde, é o que ocorrerá, se houver lucidez e coragem. É muito melhor que ir vendendo, picados, ativos lucrativos da empresa e fazendo a política de “suspende pagamento” que arruina a indústria nacional voltada para a cadeira de petróleo, sobretudo a naval.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Deputada desconstrói bancada evangélica com discurso pró-Ciência e é aplaudida

Deputada toma a palavra durante audiência pública na Comissão de Educação após ouvir que a ciência deveria estar circunscrita às universidades, e não ao Estado. Vídeo da resposta da deputada, que também é professora universitária, viralizou nas redes sociais

Ela
Durante audiência pública da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, na manhã da última terça-feira, 10 de novembro, a deputada federal Margarida Salomão (PT) defendeu o debate das questões de gênero nas escolas públicas e foi aplaudida com entusiamos (vídeo abaixo).

O tema da discussão foi a inclusão da “ideologia de gênero e orientação sexual” entre as diretrizes da Conferência Nacional de Educação de 2014 para aplicação do Plano Nacional de Educação (Lei 13.005/14).

Em sua fala, a deputada, que é mestre em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutora também em Linguística pela Universidade de Berkeley (EUA), afirmou que “respeita profundamente as diferentes crenças, mas isso não me impede de fazer alguns posicionamentos com muita clareza”.

Após ouvir que a ciência deveria estar circunscrita às universidades, e não ao Estado, a deputada rebateu:

“A educação moderna é inteiramente comprometida com a ciência. O Estado, sendo o principal propositor das políticas educacionais, acaba se comprometendo sim. Por exemplo, vou lhe dizer, nós não ensinamos na escola que a Terra se move em torno do Sol. Nós ensinamos na escola que a Terra se move em torno de si mesma.

Isso foi considerado, há coisa de 400 anos atrás, uma heresia. Em 1992, quando se comemorava os 350 anos da morte de Galileu, o papa João Paulo II pediu perdão a Galileu em nome da Igreja. Pediu perdão pelo sofrimento e a perseguição que infligiu a Galileu.

Eu pergunto: Quanto tempo será que vamos demorar para pedir perdão às mulheres, aos homossexuais e aos transgêneros simplesmente por não querermos fazer aquilo que nós estamos cientificamente endossados para fazer?”


No Pragmatismo Político
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Comentários sexistas de Jô Soares chamam a atenção em entrevista com Jout Jout


A intenção era ser uma entrevista informativa, com uma abordagem sobre o vídeo “Não tira o batom vermelho”, em que a vlogueira discute o problema de relacionamentos abusivos. Porém, as opiniões do apresentador causaram constrangimento por reforçar o preconceito contra as mulheres

Na última edição de seu programa, exibida na madrugada desta sexta-feira (13), o apresentador Jô Soares recebeu a vlogueira Júlia Tolezano, do canal Jout Jout Prazer no YouTube. Era para ser uma entrevista informativa, com uma abordagem sobre o vídeo “Não tira o batom vermelho”, em que ela discute o problema de relacionamentos abusivos. Porém, as opiniões de Jô chamaram a atenção dos telespectadores pelo preconceito.

Júlia — ou Jout Jout, como é conhecida — dizia que a ideia da gravação era alertar as mulheres a respeito da opressão masculina, e contou o caso do namorado de uma amiga, que tentou obrigar a companheira a tirar o batom vermelho, alegando que ela ficava “com cara de puta”.

Em seguida, o apresentador fez uma série de comentários sexistas que deixaram a convidada visivelmente desconfortável. “Não tem nenhuma que esteja realmente com ‘cara de puta’?”, questionou. “O que é ‘cara de puta’, não é mesmo?”. “Não se fala isso, não existe essa cara”, ela tentou explicar.

Assista:



No Fórum
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Tucano é intimado para explicar o trem da alegria, com dinheiro público

O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), foi intimado pela Justiça a fornecer informações sobre uma estadia de dois dias em Paris durante missão internacional, realizada no mês passado. A parada do governador na capital francesa, que não estava na programação oficial da viagem, foi divulgada em reportagem da Folha de S.Paulo. Richa e a mulher, a secretária Fernanda Richa, além de outros dois membros do governo, ficaram hospedados num hotel cinco estrelas, próximo à avenida Champs-Élysées, durante um fim de semana. Não houve agenda oficial no período. 

O governo justifica que foi uma "parada técnica", numa escala em direção à China, e que não havia outros voos disponíveis. Todos os gastos da viagem, afirma a gestão, foram divulgados no Portal da Transparência — segundo o site, foram R$ 38 mil por pessoa, para 13 dias de missão. Nesta terça-feira (10), o juiz Roger Vinicius de Camargo Oliveira, da 3ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, determinou que o governo informe os nomes de quem compunha a comitiva, a agenda da viagem, os comprovantes de pagamento e a justificativa formal da parada em Paris.

 O Estado terá 20 dias, a partir da notificação, para fornecer as informações. A ordem atendeu a um pedido de um grupo de advogados chamado Direito para Todos, que ajuizou uma ação popular contra o governo. A petição inicial solicita que, caso a viagem a Paris não se justifique ou fique comprovado um "desvio de finalidade", o governo restitua os valores aos cofres públicos. O Paraná passa por um momento de restrições orçamentárias: no início do ano, aumentou impostos e congelou um quarto do orçamento. Desde então, houve aumento de receita -o governo promete quitar todas as dívidas com fornecedores até o fim do ano, e pretende investir R$ 6,8 bilhões em 2016. 

Entre os autores da ação, estão membros do PSOL e PSTU. O representante do grupo, o advogado Ramon Prestes Bentivenha, afirma que a atuação do coletivo, porém, é "técnica e independente". Procurado, o governo do Paraná informou que só se manifestará após ser notificado oficialmente da decisão.
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Russomanno é sócio de delator que confessou ter pago R$ 60 milhões em propina na Lava Jato

Líder nas pesquisas para a disputa à Prefeitura de São Paulo em 2016 mantém negócios com Augusto Ribeiro Mendonça Neto, que admitiu ter repassado valores ilícitos para o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato de Souza Duque e para o PT

Russomanno (à esq.) e Mendonça Neto (à dir.)
Líder nas pesquisas para a disputa à Prefeitura de São Paulo, o deputado federal, Celso Russomanno (PRB-SP), é sócio de um empresário que confessou ter repassado R$ 60 milhões em propina ao ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato de Souza Duque e ao PT no âmbito da Operação Lava Jato.

O nome do empresário é Augusto Mendonça Neto, o primeiro executivo a firmar, em dezembro do ano passado, um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal e a Justiça na força-tarefa que investiga um esquema de corrupção na Petrobrás. Mendonça Neto é um dos poucos empresários investigados pela Lava Jato que ainda está solto.

O executivo pertencia à empresa Toyo Setal, que atuava no ramo de estaleiros. A empresa seria uma das que compunham o cartel que se apoderava dos maiores contratos da Petrobrás, segundo denunciou o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, em uma de suas delações prestadas ao Ministério Público. Mendonça Neto deixou o conselho da Toyo Setal no início deste ano.

Russomanno e Mendonça Neto são sócios do Bar do Alemão, localizado em região nobre de Brasília
Foto: Andressa Anholete/Estadão
Em sua delação, Mendonça Neto afirmou que desde 2004 houve uma combinação entre as empreiteiras do “clube” alvo da Operação Lava Jato para pagamentos de comissões para o ex-diretor de Serviços da Petrobrás e para o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa. “O valor da comissão partia em torno de 2% sobre o valor dos contratos, mas isso era negociado posteriormente, como no caso da Repar (Refinaria Presidente Getúlio Vargas, no Paraná), cujo valor de ‘comissão’ chegou a quase R$ 60 milhões no total”, afirmou Augusto Mendonça Neto.

Mendonça Neto e Russomanno são proprietários do Bar do Alemão, restaurante localizado no Lago Paranoá, região nobre de Brasília. O estabelecimento foi inaugurado logo depois das eleições municipais de 2012, disputada por Russomanno. Naquele ano, o parlamentar liderou as pesquisas de intenção de voto até o fim do primeiro turno, mas despencou depois de virar alvo de seus adversários.

Pouco antes do primeiro turno das eleições de 2012, o Estado revelou que Russomanno era sócio majoritário do bar sem ter gasto, segundo ele próprio na época, nenhum real.

A aquisição do estabelecimento às margens do Lago Paranoá foi responsável pelo aumento de 100% de seu patrimônio entre 2010 e 2012 — passou de R$ 1,1 milhão para R$ 2,2 milhões, segundo declarações entregues ao Tribunal Superior Eleitoral.

Segundo os registros da Junta Comercial do Distrito Federal, Russomanno tem participação de R$ 2,21 milhões no negócio — a maior do empreendimento, que tem, no total, R$ 7 milhões de capital. Ele aparece no documento como sócio-administrador do bar.
A operação financeira para tirar o projeto do papel contou com recursos de outros investidores. A principal sócia de Russomanno, Luna Gomes, é filha do ex-deputado Eduardo Gomes.

Além de Luna, também são sócios do parlamentar Geraldo Vagner de Oliveira e as empresas Unialimentar Comércio e Serviço de Alimentos e a Yellowwood Consultoria — cujos proprietários são Mendonça Neto e a irmã, Maria Stela Ribeiro de Mendonça. A Yellowwood tem participação de R$ 1,16 milhão no negócio.

O nome de Maria Stela também aparece nos autos da Operação Lava Jato como uma das sócias da empresa SOG Óleo e Gás. Em 2014, ela assinou um acordo de leniência com os investigadores da força tarefa, documento no qual também consta a assinatura do irmão. Procurada pela reportagem, Maria Stela se recusou a passar qualquer tipo de informação.

Procurado pelo Estado, Russomanno disse que vendeu suas cotas na sociedade depois de assumir o mandato na nova legislatura. “Assumindo o mandato nesta legislatura, e com o tempo escasso em face dos compromissos político-partidários assumidos na condição de Líder de Partido, Membro titular em Comissões e também do tempo destinado às gravações do programa, tornou-se inviável minha permanência no negócio, razão da venda do que me cabia na sociedade”, afirmou Russomanno, por meio de nota. O nome do deputado também aparece como sócio-administrador nos registros da empresa no banco de dados da Receita Federal.

Em nota enviada à reportagem, Russomanno tratou Mendonça Neto como amigo. Disse ter conhecido o executivo em 1979, quando o empresário namorou a prima do parlamentar — com quem, segundo ele, se casou mais tarde. “Conheci o Augusto em 1979, namorando minha prima Isabel, que depois se casaram. Desde então, somos amigos. Ele foi um dos investidores no Bar do Alemão com 16,66% de participação”, escreveu o deputado.

Ainda no texto, Russomanno afirmou que sua saída da sociedade deve ser registrada na Junta Comercial do DF “nos próximos dias”. O parlamentar negou ter tido acesso aos negócios de Mendonça Neto com a Petrobrás. “Quero deixar registrado que nunca tive acesso aos negócios do Augusto com a Petrobrás e que tomei ciência dos fatos pela imprensa”, disse o parlamentar.

Mendonça Neto não quis se manifestar sobre o assunto.

O Estado também telefonou para o Bar do Alemão à procura de Mendonça Neto. O gerente do restaurante confirmou à reportagem que o empresário era sócio do empreendimento e afirmou que ele dificilmente aparecia no bar.

Ricardo Chapola
No Estado
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Protesto contra Cunha fecha quatro das seis faixas do Eixo Monumental

Estudantes e representantes de movimentos sociais participaram do ato.

Grupo também pede legalização do aborto e melhorias na educação.


Movimentos sociais e estudantes favoráveis ao governo da presidente Dilma Rousseff ocuparam três faixas do Eixo Monumental, no centro de Brasília, em protesto pela saída de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara dos Deputados. Eles também manifestam em defesa da democracia, pela legalização do aborto, por melhorias na educação pública, contra o ajuste fiscal e a favor da Petrobras. A Polícia Militar acompanhou o ato e interditou uma quarta faixa, por segurança.

A manifestação, organizada por cerca de 60 entidades, também pediu o afastamento do Ministro da Fazenda, Joaquim Levy. O grupo deu a volta no Congresso Nacional e retornou pelo Eixo Monumental no sentido Rodoviária do Plano Piloto. Parte do grupo parou em frente ao Ministério da Educação e pediu aumento na assistência estudantil, reformulação do ensino médio e mais investimentos na área.

Estudantes e representantes de movimentos sociais em protesto contra Cunha no centro de Brasília (Foto: Carolina Cruz/G1)
Estudantes e representantes de movimentos sociais em protesto contra Cunha no centro de
Brasília 
Foto: Carolina Cruz/G1
Líder do protesto, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, afirmou que o ato é "pela democracia" e "contra ações golpistas empreendidas pela oposição". Apesar do apoio ao governo, ele disse ser "radicalmente contra o ajuste fiscal e a política econômica".

"Os economistas que apoiam o ajuste não entendem de economia. São os mesmos que quebraram a Grécia e a Espanha", continuou Freitas. "O ajuste travou o mundo e não queremos que trave o Brasil."

Diretor de Relações Internacionais da Federação Única dos Petroleiros (FUP), João Antônio de Moraes criticou a atual gestão da Petrobras. Segundo ele, o corte de gasto empreendido pela estatal compromete a economia brasileira.

"[A redução de investimentos na Petrobras] significa mergulhar o Brasil numa recessão", afirmou o representante da categoria, em greve desde 7 de novembro.

De acordo com o diretor da FUP, a empresa pretende vender até R$ 200 bilhões de ativos e reduzir os investimentos em até R$ 500 bilhões. Para ele, o "problema da Petrobras não é a Lava Jato", e sim o corte de gasto na estatal. Mesmo afirmando que irregularidades na companhia devessem ser apuradas, ele defendeu a influência política na empresa. "Não somos contra indicações políticas na empresa. Esse não é um problema", afirmou. "O problema é o financiamento privado."

Estudantes e representantes de movimentos sociais em protesto contra Cunha no centro de Brasília (Foto: Carolina Cruz/G1)

A Polícia Militar calculou em 5 mil juntando todos os manifestantes. A União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) fala em 10 mil o número só de alunos participando do ato. O grupo partiu do Parque da Cidade e seguiu em direção ao Museu Nacional, onde encontrou representantes da CUT e do MST.

A estudante Beatriz Freitas faz parte do grupo que saiu caminhando do Parque da Cidade. Cansada, ela resolveu parar na frente do Ministério do Planejamento. "Andei bastante. Agora estamos dando uma pausa", disse a garota, que ainda insistia em marchar até o Congresso.

Faixa exibida por estudantes e representantes de movimentos sociais pede saída de Eduardo Cunha da presidência da Câmara dos Deputados (Foto: Carolina Cruz/G1)
Faixa exibida por estudantes e representantes de movimentos sociais pede saída de Eduardo
Cunha da presidência da Câmara dos Deputados
A presidente da Ubes, Barbara Melo, de 20 anos, diz que estudantes de todos país devem sair de casa para reivindicar direitos. Segundo ela, Cunha deve ser retirado imediatamente da Câmara dos Deputados.

"Foi comprovada publicamente a corrução dele. Ele tira todos os direitos dos estudantes e da mulher. Somos contra o reajuste fiscal, precisamos de mais investimento nas escolas públicas que são precárias", afirmou.

Representantes da CUT durante protesto em Brasília pela saída de Eduardo Cunha da presidência da Câmara dos Deputados (Foto: Jéssica Nascimento/G1)
Representantes da CUT durante protesto em Brasília pela saída de Eduardo Cunha da presidência
da Câmara dos Deputados
Foto: Jéssica Nascimento/G1
O grupo usou carros de som e faixas para reforçar as mensagens do protesto. Organizador de um grupo de juventude, Otávio Mancuso saiu de São Paulo especialmente para a marcha.

"Eduardo Cunha representa o que tem de mais podre na nossa política. Tanto o governo e a oposição tentaram fazer acordo com ele", afirmou. "Isso mostra como é nosso parlamento hoje."
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Documentos complicam defesa de Cunha


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A “musa dos protestos” é a única honesta da velha turminha do impeachment

Ela
Juliana Isen, a empresária que virou “musa do impeachment” ao tirar a roupa nos protestos da Paulista, é a única golpista honesta do Brasil.

Juliana tem apresentação marcada para dezembro numa casa de strip tease em Goiânia chamada Estância MM, informa o Blog do Marcus Vinícius. Segundo ele, um outdoor anuncia o show na Rua 115, ao lado do diretório do PSDB.

Meses atrás, ela foi capa da revista Sexy. Fez ensaios sensuais para alguns sites. “Ser de direita é não gostar do PT”, declarou numa entrevista.

Faturou e vai continuar faturando em cima de sua participação nas micaretas direitistas. Seu perfil no Twitter a define como “peladona das manifestações”. Ali estão seu telefone e o email do assessor de imprensa.

Além do fato de que Ju Isen tem o direto de fazer o que quiser em Goiás, Copacabana ou Piracicaba, ela nunca enganou ninguém.

Agora veja a hipocrisia do pessoal que apoiou Eduardo Cunha até não caberem mais marcas de batom em sua cueca.

Carlos Sampaio, o deputado federal tucano implacável com as pedalas de Dilma, deu a Cunha “o benefício da dúvida” e disse a ele na CPI da Petrobras, depois de uma longa elegia: “Eu, mais uma vez, enalteço a postura de Vossa Excelência”. (assista o vídeo abaixo).

Seu colega Izalci Ferreira (PSDB-DF) afirmou que Cunha saía da audiência “muito maior do que entrou”. O mesmo Sampaio agora fala na defesa “desastrosa” de EC, como se em algum momento tivesse sido diferente.

Aécio Neves, que foi bater palma para Eduardo numa recepção da Força Sindical, de Paulinho da Força, fala que seu partido tomou a decisão “mais adequada” ao pedir o afastamento do presidente da Câmara.

Kim Kataguiri, o líder do MBL, o movimento com mais líderes desde o Rancho da Pamonha, tem a desfaçatez de inventar que nunca foi “aliado de Cunha”. “Nós nunca o defendemos”, afirma.

Aquele abraço coletivo em Cunha na Câmara com o dedo levantado, a decisão de poupa-lo nas ruas, a puxação de saco — nada disso importa mais. São todos virtuosos, éticos, limpos e virgens. O velho Eduardo é o único canalha do pedaço.

Juliana Isen mantém a coerência desde o primeiro adesivo de Fora Dilma que colocou nos seios. Putaria é o que fazem seus ex-companheiros de avenida.

Kiko Nogueira
No DCM



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Apple se desculpa após expulsar alunos negros de loja


Funcionários pediram a estudantes negros para sair de loja na Austrália para ‘não roubar algo', postado em redes sociais, vídeo já teve mais de 62 mil visualizações.


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Nem as netas de FHC votam no PSDB, e isso não é piada

As netas de FHC Joana e Helena com o pai Paulo Henrique
A Piauí que está nas bancas tem um furo sensacional.

Nem as netas de FHC votam no PSDB.

Num perfil sobre Jean Wyllys, FHC revela que elas votaram nele, JW. Como sociólogo, ele afirma que JW, “um fenômeno”, defende as causas que comovem e mobilizam os jovens de hoje.

Isto tem um nome. Zeitgeist. Em alemão, espírito do tempo.

Jean Wyllys representa o Zeitgeist: defende as minorias, combate pelo meio ambiente contra a predação da plutocracia e daí por diante.

O que o avô FHC parece não ter se dado conta é que seu partido é o anti-Zeitgeist. É um partido que parece ser ainda mais velho que o próprio FHC com seus 84 anos.

Não há nenhum motivo para jovens se interessarem por um partido tão embolorado, tão sem graça, tão atrasado.

Que causa progressista os tucanos abraçaram nos últimos anos? Nenhuma. As causas conservadoras, em compensação, têm tido irrestrito apoio do PSDB.

Isto posto, você pondera o seguinte. Os jovens não querem nem saber dos tucanos. Eles olham para um lado e vêem Serra. Olham para o outro lado e vêem Aécio. Sobem numa escada para enxergar mais adiante e dão com Aécio ou FHC.

É um cenário absolutamente desolador para a juventude, e não só para ela, aliás.

Agora: neto é neto. Neta, mais ainda, dado o carinho das meninas. A neta pode não se empolgar pelo partido do avô, mas vota nele por amor, por devoção, por lealdade.

Isso quer dizer o seguinte: se nem as netas de FHC votam no PSDB é porque é um partido tecnicamente morto.

Como sociólogo, FHC deveria estudar este caso familiar. E tentar aprender.

Em vez de ir a programas irrelevantes como o Roda Viva para vender seu livro novo, deveria reunir os tucanos e dizer: “Amigos, nem minhas netas estão votando em nós. Que fazemos?”

Não adianta, como é costume entre os líderes tucanos, ir bater nas portas dos barões da mídia.

Foi isso, essencialmente, que o PSDB fez nestes últimos anos todos. Em vez de procurar o eleitor, o povo, foi atrás dos donos da mídia.

“Esse rapaz não faz nada sem me consultar”, Roberto Civita dizia de Aécio a seus interlocutores na Abril.

Nenhum conselho de um Civita, de um Marinho, de um Frias vai levar o PSDB a se reinventar e passar a fazer sentido para jovens como as netas de FHC.

O que elas estão dizendo, ao recusar os tucanos, é que o partido está em adiantado estado de putrefação.

Mas é aquela história.

FHC vê as netas votarem em Jean Wyllys e, em vez de aprender com isso, prefere dar uma entrevista sobre o assunto para a Piauí, viciado em mídia que é.

O PSDB não é mais um partido. É uma múmia.

Ponto, pelo menos, para a nova geração de Cardosos representada pelas netas de FHC.

Paulo Nogueira
No DCM
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Veja quem está otimista com o futuro do Brasil

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2015/11/13/veja-quem-esta-otimista-com-o-futuro-do-brasil/

"O barco do Brasil não está afundando. Existem poucos lugares no mundo para ser tão otimista como no Brasil".

Quem será o autor desta frase? Certamente não é de nenhum político, empresário ou economista brasileiro, muito menos de algum colunista da nossa grande imprensa.

E quem terá feito esta previsão: "Economia brasileira pode se recuperar com facilidade. Está havendo um excesso de pessimismo sobre o Brasil"?

A primeira afirmação é do ex-presidente americano Bill Clinton, amigão do ex-presidente FHC, que pensa exatamente o contrário.

A segunda foi feita pelo economista americano Paul Krugman, premiado com o Nobel.

Ambos fizeram estas afirmações aqui no Brasil, em Brasília, durante o 10º Encontro Nacional da Indústria promovido pela CNI para uma plateia de incrédulos empresários, mas não tiveram muita repercussão na mídia nativa. Se tivessem falado mal do Brasil e do governo, certamente mereceriam mais destaque.

Clinton falou no encerramento do encontro, na quinta-feira, segundo a Agência Brasil, onde encontrei suas declarações:

"Eu conclamo vocês a refletir sobre as notáveis mudanças que ocorreram no país nos últimos 20 anos". Citou como exemplos o "sucesso dramático" do Brasil em diversificar a economia e conter a devastação de florestas tropicais.

Segundo ele, "é natural que eventos negativos dominem as manchetes, mas o futuro é forjado pelas perspectivas de longo prazo". Aos que não acreditam nisso, o ex-presidente americano recomendou a leitura do livro A Conquista Social da Terra, de Edward O. Wilson, um microbiologista que narra como homens e insetos constroem uma complexa vida social e conseguem se defender de inimigos e sobreviver por meio da cooperação.

"O mundo pertence aos cooperadores", concluiu Clinton. É exatamente o que está faltando por aqui nestes tempos de Fla-Flu do salve-se-quem-puder, em que impera o ódio, a desesperança e a total falta de compromisso com o futuro da Nação, alargando a desigualdade social no abismo aberto entre o mundo político e a realidade.

Como se tivessem combinado suas falas, o economista Paulo Krugman foi na mesma linha, deixando-nos esta singela lição: "Este país tem tudo para sair da atual crise quando a inflação cair e o Banco Central puder reduzir as taxas de juros".

Quem, quando e como pode fazer isso?

Vamos pensar nas respostas ao final desta semana agitada que, apesar de tudo, terminou melhor do que começou.
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PM prende manifestante e apreende armas em frente ao Congresso

Arma de fogo e armas brancas apreendidas em frente ao Congresso Nacional
A Polícia Militar do Distrito Federal apreendeu nesta quinta-feira (12) uma arma de fogo e diversas armas brancas que estavam escondidas no carro de um manifestante acampado em frente ao Congresso Nacional. Pelo menos uma pessoa foi presa.

De acordo com relato da Polícia Civil, uma denúncia levou os PMs a abordarem o manifestante e a revistarem seu carro.

No veículo foram encontradas uma pistola Taurus .380, um soco inglês, sprays de mostarda, diversos furadores de coco e um porrete.

O preso, cujo nome não foi divulgado na noite desta quinta, seria um sargento reformado da PM do DF. Ele estaria junto com manifestantes que pregam a volta da intervenção militar no país.

Um dos líderes do movimento, que se identifica como Dom Werneck, 38, afirmou que foram eles próprios que chamaram a polícia. "O nosso movimento é família, cristão, pacífico, não apoiamos esse tipo de atitude", afirmou. Segundo ele, o homem dizia que iria matar Dilma Rousseff e jogar uma bomba no Congresso Nacional.

O caso foi registrado na 5ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal.

Desde o mês passado, ativistas anti-Dilma, entre eles o Movimento Brasil Livre, armaram barracas no gramado em frente ao Congresso Nacional para pressionar pela abertura do processo de impeachment contra a presidente da República.
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'O que arrebentou a economia foi o real forte', diz ex-ministro

Bresser-Pereira é amigo pessoal e ex-ministro de FHC, mas apoiou Dilma Rousseff nas últimas eleições
Em tempos de polarização da política e do debate econômico, o professor da Fundação Getúlio Vargas Luiz Carlos Bresser-Pereira se recusa a se enquadrar em categorias preconcebidas.

Amigo pessoal e ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso (FHC), ele apoiou Dilma Rousseff nas últimas eleições.

É um orgulhoso desenvolvimentista (linha que defende ação ativa do Estado na promoção do desenvolvimento econômico), mas também um defensor do ajuste fiscal que está cortando o orçamento da saúde e educação.

Seu apoio ao governo também não o dissuade de classificar a gestão Dilma como "desastrosa" em muitos aspectos.

Nem de acusar Luiz Inácio Lula da Silva de promover um "populismo cambial" ao manter o dólar a R$ 2 para garantir a eleição de sua sucessora e apaziguar a classe média, que hoje, segundo ele, teria desenvolvido um ódio "profundo" e "irracional" ao PT.

"O dólar a R$ 2 foi o pior legado de Lula, a bomba que ele deixou para Dilma", afirma. "Fala-se no superávit primário, mas até 2012 não tivemos problema nessa área (...) O que arrebentou a economia foi o câmbio, que provocou uma desindustrialização."

Aos 81 anos, Bresser já esteve no PMDB e foi um dos fundadores do PSDB. Foi ministro da Fazenda do governo José Sarney (quando um plano com seu nome falhou no controle da inflação), ministro da Reforma do Estado no primeiro mandato de FHC e de Ciência e Tecnologia no segundo.

Ele falou com a BBC Brasil em seu escritório, em São Paulo, dias antes de receber o Prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano da União Brasileira de Escritores.

Muitos de seus colegas desenvolvimentistas estão criticando o ajuste fiscal. Como vê essas críticas?

São críticas dos desenvolvimentistas populistas ou keynesianos vulgares. Acredito que o Estado deve ter uma intervenção moderada na economia e uma política macroeconômica ativa.

O mercado é uma maravilha para coordenar setores competitivos, mas os baseados em monopólios ou quase monopólios, como o de infraestrutura, precisam de uma intervenção forte e planejada. Mas não há nenhuma razão para eu defender a irresponsabilidade fiscal, que o governo possa gastar dinheiro sempre que quiser. John Maynard Keynes (economista britânico) deve estar rolando na cova de irritação diante dessa irresponsabilidade que a gente vê em nome dele.

O governo está cortando onde deveria?

Nenhum ajuste corta no lugar certo. Estamos reduzindo o investimento (público), que já estava baixo. O governo está cortando onde pode, no fundo é isso. Defendo o retorno da CPMF: é um imposto pequeno, necessário.

Mas o ajuste é o que tem de ser feito. Por outro lado, não sou a favor desse aperto monetário. Sei que a inflação está alta, mas com essa recessão não precisamos de juros mais altos para segurar os preços — o que, além de ser um empecilho para a retomada dos investimentos, têm um custo financeiro enorme.

O Banco Central está ‘descontando’, como dizem as crianças. Em 2011 fizeram uma redução grande na taxa de juros que não deu certo. A inflação subiu, a Dilma teve que voltar atrás e eles ficaram com a imagem prejudicada junto ao sistema financeiro. Agora, disseram à sociedade brasileira: ‘vocês vão ver’. E estamos vendo.

No seu livro A Construção Política do Brasil (Editora 34), o sr. fala das coalizões de classes que se formaram no país. A Lava Jato colocou em evidencia um problema estrutural da relação do Estado com o grande empresariado ou o que revelou foi uma exceção?

Não vejo nada de estrutural nisso. É natural que existam estatais e um Estado que faz compras e, nesse quadro, infelizmente, sabemos que a corrupção é grande. Nesse caso, ainda temos um fato adicional: o partido de esquerda no poder fez uma coisa que normalmente os partidos não fazem. Só posso entender isso como uma loucura stalinista que atingiu uma minoria do PT, mas o fato é que algumas pessoas com posição de líderes, especialmente o José Dirceu, inventaram essa história de que era legítimo no capitalismo você financiar um partido com dinheiro de corrupção.

Quando você financia uma campanha específica é diferente. É menor. A coisa ficou muito grande e foi um desastre. E está desmoralizando um partido que tem pessoas admiráveis e que dedicaram sua vida para fazer um Brasil melhor.

Mas uma coisa boa dessa crise é que ela não foi denunciada por políticos, nem pela imprensa, e sim pelo próprio Estado. O Ministério Público já tem liberdade há muito tempo. E a partir de 2004, houve uma série de mudanças que deram à polícia mais autonomia e melhores salários. Hoje, temos órgãos do Estado capazes de defender o Estado. O que mostra que nossa política vai mal, mas o Estado não vai tão mal assim.


Mas se há uma ideologia de que um Estado forte deve defender o interesse dos grandes empresários, não se cria muitas oportunidades para associações espúrias?

Essa é a tese liberal: o Estado tem de ser pequeno para evitar a corrupção. Mas sabemos que a corrupção dentro das empresas também é grande.

Não sou a favor de um Estado imenso. A grande maioria dos investimentos tem de ser feita pelo setor privado. Agora, o Estado tem um papel social fundamental — e para isso precisa de recursos. Estão querendo até acabar com o SUS (Sistema Único de Saúde), imagine.

O sistema de saúde pública é uma grande conquista da democracia e do capitalismo. O consumo coletivo (de serviços de saúde) não é só mais justo, é mais barato e eficiente. Na Europa, o total gasto com saúde é de 11% do PIB, por exemplo. Nos EUA, onde o serviço é baseado no setor privado, é 17%.

O sr. apoiou a Dilma na campanha. Ela prometeu uma política econômica e ao ser eleita aderiu a outra, fazendo cortes até em áreas como educação e saúde. Houve estelionato eleitoral?

De nenhuma maneira. A Dilma cometeu erros graves como a irresponsabilidade fiscal, que atribuo ao desespero. Não conseguia fazer o país crescer e, de repente, acreditou na bobagem de fazer uma política industrial agressiva.

Mas, em outubro de 2014, quem estava prevendo que o Brasil entraria em uma gravíssima recessão econômica, com queda de 3% do PIB? Ninguém. Não sabíamos. A economia é uma cienciazinha muito modesta, só é perfeita na cabeça dos economistas ortodoxos. Só se começou a falar em crise em dezembro.

As pessoas dizem que ela (Dilma) passou a fazer o que “a direita quer”, mas a mudança de política mostra algo admirável: ela reconheceu o erro. O que ela é, de fato, é incrivelmente incompetente do ponto de vista político. Em dezembro ela já devia estar sabendo que a situação das contas estava ruim e precisava reajustar o que havia desajustado.

Por que a crise chegou a esse ponto?

Essa crise está ligada a uma grande insatisfação da classe média tradicional, que nos anos 80 liderou a transição democrática. Tivemos 35 anos de baixo crescimento e (mais recentemente) uma clara preferência pelos pobres. O PT não traiu os pobres, foi coerente nesse ponto, embora também tenha deixado os ricos ganharem muito dinheiro. Então os ricos e os pobres ganharam e a classe media ficou de fora.

Quando o PT começou a se perder, primeiro com o mensalão e depois com o problema da expansão fiscal, começaram as manifestações. Essa classe (média) desenvolveu um ódio profundo ao PT e o governo. Uma coisa irracional, perigosa e antidemocrática.

A democracia é uma forma de governo de pessoas que lutam entre si, mas é uma luta de adversários. De repente nos vimos em uma luta de inimigos. Ainda é um setor minoritário, mas há um setor da sociedade brasileira que radicalizou para a direita e passou a adotar posições pior que udenistas, fascistas.

O sr. já tinha defendido essa tese do ódio das elites ao PT. Mas a Dilma tem uma aprovação em torno de 10%. Não é exagero falar que a rejeição vem só da elite e classe média? 90% da população é elite?

A Dilma de fato perdeu popularidade em todos os setores. Quando ela percebeu que tinha errado tinha de falar para a imprensa: “Olha, fiz uma reavaliação, algumas coisas não deram certo e vou ter de mudar a política. Peço desculpas por não ter previsto isso antes.”

Em vez disso, depois que ela foi eleita, desapareceu, e só apareceu de novo ao lado do (ministro da Fazenda Joaquim) Levy, já com a política definida e sem explicações. Só reconheceu que errou há um mês. Como disse, ela é muito inábil politicamente. Isso dificulta a sua vida. E a nossa.

Como o sr vê o debate sobre o impeachment?

Acho que é resultado desse ódio (da classe média ao PT) e do oportunismo de alguns deputados, que se sentem ameaçados por essas investigações (de corrupção). Resolveram contra-atacar.

E o contra-ataque se faz à presidente, porque ela não barrou a Polícia Federal e o Ministério Público (nas investigações). Mas o debate amorteceu. O grande problema do país hoje é se a Dilma consegue levar o ajuste fiscal adiante.

Quais seriam as consequências econômicas de um impeachment?

Seria um caos danado. Até eu iria para a rua. Nunca vou para a rua, sou um intelectual, mas se houvesse um impeachment com as razões que eles tem aí, pedaladas, TCU, eu iria. Agora, se descobrirem algum crime que a Dilma praticou é outra coisa. Como no caso do Collor.

Acho que as elites brasileiras, e as empresariais principalmente, perceberam que isso (impeachment) não adiantaria nada. Poderia até piorar a crise. Então de um ponto de vista conservador, eles são contra.

É uma crise de um modelo de desenvolvimento?

A crise é por falta de modelo. Não temos modelo desde os anos 80. Estamos semiestagnados e sem saber o que fazer.

Houve um momento em que muitos intelectuais acreditaram que o Brasil estaria criando um novo modelo. A Economist chamou de Capitalismo de Estado, alguns acadêmicos, de um desenvolvimentismo repaginado.

De fato houve quem visse um novo modelo e quem tenha se entusiasmado. A própria Economist colocou o Cristo Redentor decolando na sua capa. Foi um grande equívoco. O que houve no Brasil entre 2005 e 2010 foi um boom de commodities, que fez as exportações triplicarem. Isso enganou os economistas da esquerda e da direita.

É possível ter um governo um governo de esquerda e um Estado forte com equilíbrio fiscal?

Um ajuste fiscal é necessário para por as finanças do Estado em boa forma, uma condição para um Estado forte, capaz. Para que (esse Estado) não quebre, nem dependa de credores. O mesmo vale para o Estado-nação, que inclui o setor privado: você fica devendo para outros países quando tem deficits em conta corrente (que inclui importações e exportações e transferências unilaterais). Em 2014, esse deficit foi de 4,6% do PIB. Uma loucura.

Esse problema começou há algum tempo. Eu participei do governo Fernando Henrique, que é meu amigo, mas descobri que discordava fortemente da parte econômica dele. Foi no governo Itamar (Franco) — sem duvida, com a liderança de Fernando Henrique — que o Brasil estabilizou seus preços. Mas os oito anos do governo FHC foram muito ruins, o crescimento foi baixo. Ele começou dizendo que o Brasil cresceria com poupança externa, ou seja, com deficit em conta corrente financiado com empréstimos (lá fora) ou (atração de investimentos de) multinacionais. Naquela época não havia arcabouço teórico para criticar isso. Fiquei assistindo. Depois passei a fazer a crítica a esse esquema.

Como?

A questão é que quando o dinheiro entra no Brasil, o câmbio aprecia (o real fica mais forte em relação ao dólar). Mas os investimentos caem, porque sem um câmbio competitivo os empresários não têm acesso a demanda efetiva (os consumidores preferem importados). Portanto, a taxa de investimento depende do câmbio. Mas dizer isso é uma revolução.

Nos países em desenvolvimento há uma tendência à sobreapreciação cíclica e crônica da taxa de câmbio que leva o país de crise em crise. Na crise, a taxa cai, depois começa a subir de novo. Até que um dia a dívida começa a aumentar, os credores se preocupam, há um efeito manada e o país quebra. É o ciclo.

Ou seja, o sr. está dizendo que se um jantar em São Paulo está mais caro que um em Nova York algo vai mal, uma crise se avizinha?

É isso.

Que patamar do dólar é ideal para o crescimento?

Hoje deve estar perto de R$ 3,8. Já foi R$ 3,6, mas teve a inflação. Mas agora está no lugar certo porque houve uma crise. Não uma crise total, mas uma semicrise. Em 2002, a taxa a preços de hoje foi a R$ 7. Agora foi a R$ 4 - e já está caindo.

O sr. é bastante crítico do governo FHC nessa questão. E o governo Lula?

Foi um desastre do ponto de vista cambial. Lula recebeu o governo com uma taxa de cambio que seria hoje equivalente a R$ 7 por dólar. E entregou para a Dilma a uma taxa de R$ 2, R$ 2,10. Com isso segurou a inflação, aumentou os salários dos trabalhadores e elegeu sua sucessora. Agora, para Dilma receber essa taxa de R$ 2 foi receber uma missão impossível. Como a Dilma não é o Tom Cruise — é uma mulher corajosa, meio turrona, nem sempre muito brilhante —, fez o que pode. Não conseguiu o desenvolvimento econômico nos primeiros dois anos de seu primeiro mandato e depois foi irresponsável fiscalmente. E aí foi um desastre.

O dólar a R$ 2 foi o pior legado de Lula, a bomba que ele deixou para Dilma. Fala-se no superavit primário (economia que o governo deve fazer para pagar juros da dívida), mas até 2012 não tivemos problema (nessa área). A própria Dilma só se perdeu nos dois últimos anos, quando inventou as desonerações e outras coisas do tipo. A história que contam do déficit estrutural, isso e aquilo, não existia há três anos. O que arrebentou a economia foi o câmbio, que provocou uma desindustrialização.

O Brasil por muito tempo teve um projeto nacional que se resumia nessa palavra: industrialização. Chegamos a ter 28% de participação da indústria no PIB. Hoje é 10%. Foi uma queda brutal e prematura. De duas, uma: ou nossos empresários são todos incompetentes, ou a taxa de câmbio inviabilizou seu negócio.

A quem interessa uma taxa sobrevalorizada?

Aos rentistas, aos interesses estrangeiros.

Isso é o populismo cambial. Temos o populismo o fiscal, que é o Estado gastar mais que arrecada, e esse cambial. Quem percebeu esse processo primeiro foi o economista argentino Adolfo Canitrot, nos anos 70.

Quando você aprecia o câmbio, todos os rendimentos, salários, lucros e dividendos, aluguéis, tudo vale mais em dólar. Como muitas mercadorias em uma economia aberta têm seu preço impactado pelos preços internacionais, você fica mais "rico". Os eleitores ficam felicíssimos. E é mais fácil para um político a se reeleger. O Fernando Henrique fez isso — e o Lula fez mais.

Mas logo há uma desvalorização (do real), o salário cai de qualquer maneira. Tudo fica mais caro. A classe media perdeu muito com a queda do real. Continua viajando para Miami, mas menos. A quantidade de brasileiros que comprou casas lá... uma tristeza.

A perda da ideia de nação mais essa preferência pelo consumo imediato são dois males da sociedade brasileira que precisam ser repensados. O Brasil só voltará a crescer se fizer essa crítica da taxa de cambio apreciada.

Em 2008 o senhor previu o fim da onda neoliberal, mas países que apostaram no desenvolvimentismo enfrentam problemas. Brasil, Venezuela, Argentina… Fala-se em refluxo da esquerda na região.

Tivemos uma crise do capitalismo americano em 2008 que expandiu para o europeu. Foi uma crise do liberalismo econômico, porque foi a aplicação de suas teorias que deu nesse desastre com o qual o mundo sofre até hoje. O neoliberalismo continua em baixa, mas isso não significa que caminhamos para um desenvolvimentismo progressista.

Agora, sobre a América Latina, a Venezuela teve um presidente corajoso, com vontade de salvar o país e beneficiado pela alta do petróleo, mas que adotou um populismo violento que está liquidando com a economia local. Antes disso, os liberais sempre governaram a Venezuela e foi um fracasso atrás do outro. Apenas as elites ganhavam. O (ex-presidente Hugo) Chávez pelo menos melhorou o padrão de vida da população. Mas o mal do populismo é muito forte. Ele tinge tanto a esquerda quanto a direita - mas mais a esquerda e os desenvolvimentistas que os liberais.

 
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