12 de nov de 2015

Direito de resposta: veto não minimiza avanço


Vigora desde as primeiras horas desta quinta (12/11) a Lei 13.188, de 11 de novembro de 2015. Sancionada pela presidenta Dilma Rousseff na quarta-feira, a lei regulamenta o direito de resposta em matéria divulgada, publicada ou transmitida por veículo de comunicação social e põe fim ao vácuo jurídico deixado pela revogação da Lei de Imprensa (Lei 5250/67), em setembro de 2009, pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Embora tenham defendido a sanção do texto na íntegra, representantes da Coordenação Executiva do FNDC mais uma vez ressaltaram o teor positivo da nova lei. Rosane Bertotti, coordenadora-geral da entidade, lembrou que durante os últimos seis anos "muita gente teve a reputação grosseiramente atacada por veículos de comunicação que não prezam pela apuração em lugar do sensacionalismo e da defesa de seus interesses ou dos interesses de grupos políticos aliados". Para Rosane, agora é preciso que a lei seja cumprida pelos meios de comunicação.

Renata Mielli, secretária-geral do Fórum e do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, avalia que mesmo tendo a possibilidade de retratação pessoal do ofendido em emissoras de rádio e TV vetada pela presidenta, a nova lei é uma boa notícia para todos que defendem um jornalismo responsável.

Para Bia Barbosa, secretária de comunicação do Fórum e membro do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, "o veto da Presidenta atende a um pleito direto dos radiodifusores, que já havia sido atendido pelos deputados, quando o PL passou pela Câmara, e que depois foi recusado no Senado. Então é preciso criticar essa decisão do governo. Porém, acredito que esta alteração não altera a lei na sua estrutura. E por isso se deve saudar a sanção. Sem dúvida devemos encarar como uma vitória, ainda mais num momento de tamanho conservadorismo nas ruas e no Congresso Nacional".

Críticas

Já o senador Roberto Requião (PMDB-PR), autor do projeto de lei, criticou o veto à retratação pessoal em rádio de TV. Ao jornalista Paulo Henrique Amorim, o parlamentar considerou o veto "sem nexo" e "sem sentido". Já Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou nota lamentando que a presidenta tenha sancionado a lei sem vetar artigos que a entidade considera críticos. Para a entidade, o prazo previsto para a veiculação do direito de resposta é exíguo.

Clique aqui para ver o inteiro teor da lei nº 13.188, de 11 de novembro de 2015.



No FNDC
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Cunha ri do #ForaCunha no Rio e em São Paulo — assista


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Juiz do caso Eike é aposentado com salário proporcional

Por dirigir sem autorização o Porsche de Eike Batista, que ele mandara apreender; retirar dos cofres da 3ª Vara Federal Criminal, onde estavam guardados, quase um milhão de Reais apreendidos com traficantes e cometer outras infrações como desaparecer com peças processuais, o juiz federal Flávio Roberto Souza ganhou de presente na tarde de hoje a sua aposentadoria. Vai para casa recebendo um salário proporcional.

Segundo o Conselho de Justiça Federal (CJF), em janeiro deste ano, o salário básico de um juiz federal era de R$ 28.947,55 sem os penduricalhos que eles fazem jus (auxilio alimentação, auxilio moradia, etc.). No entanto, o novo vencimento do juiz aposentado Flávio Roberto terá que ser calculado com base em tudo o que ele recolheu na sua vida profissional para a Previdência. Antes de ingressar na magistratura, o que ocorreu no início dos anos 2000, ele exerceu o cargo de Procurador da República. Tanto em um, como em outro, descontava mensalmente 11,5% de todo o seu salário, algo que hoje corresponde a R$ 3.200,00. Bem mais do que o desconto máximo dos trabalhadores que pagam INSS. Em compensação, se não fosse punido, garantiria o salário integral até o fim da vida.

De qualquer forma, ele não terá o que reclamar. Vai ganhar para ficar em casa e, provavelmente, mais do que R$ 10 mil, ainda que este cálculo dependa de uma série de fatores. Continuará com alguns benefícios, como o plano de saúde da magistratura. Nada mal, depois de tudo o que ele foi acusado de fazer. Como é formado em Direito, poderá também exercer a profissão de advogado.

Por tudo isso, vale a pergunta: em casos como este, quem disse que o crime não compensa?

A decisão de aposentar o ex-juiz titular da 3ª Vara Criminal foi tomada na tarde desta quinta-feira (12/11) pelo Órgão Especial do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo), composto por 14 desembargadores que são escolhidos pelo voto de seus pares. Flávio Roberto, na sessão de hoje, respondeu por três Processos Administrativos Disciplinares (PAD). Até por ter dado entrevistas. Mas a punição ocorreu, digamos, pelo conjunto da obra. E foi por unanimidade. Ele ainda responde a mais dois PADs. Além disso, foi denunciado criminalmente por peculato, falsidade ideológica e extraviar e inutilizar documentos em atos processuais.

Nesse conjunto da obra inclui-se o desvio de recursos apreendidos com traficantes cujos processos tramitavam na 3ª Vara Federal Criminal. Como a Procuradoria Regional da República da 2ª Região (PRR-2) anunciou em nota, em março passado, Flávio Roberto confessou ter desviado “as quantias de 108 mil euros e 150 mil dólares”. Isso correspondia, aproximadamente a R$ 835 mil. Para isso ele deixou tudo preparado pois como descreve a nota da PRR-2, “a guarda judicial desses valores se encontrava em circunstâncias prévia e ilicitamente articuladas para possibilitar o desvio. Tais valores estavam à disposição da Justiça em razão de processo criminal por tráfico internacional de drogas, cujos autos da medida cautelar foram extraviados, o que não impediu, inclusive, que o magistrado proferisse decisões virtuais e até verbais que possibilitaram o desvio de R$ 290.521 que estavam depositados na Caixa Econômica Federal”. Tudo somado, ultrapassa R$ 1 milhão.

Com o dinheiro desviado, segundo o MPF, Flávio Roberto comprou um veículo Land Rover Discovery e um apartamento na Barra da Tijuca. O carro foi apreendido pela Polícia Federal.

Os procuradores regionais querem confiscar também um imóvel que ele tem em Vitória e que estaria sendo usado por uma amante.

O segundo processo disciplinar foi pelo uso de bens que tinham sido apreendidos. Dois casos se destacaram. Um foi o Prosche Cayenne, do empresário Eike Batista, em cuja direção o juiz foi flagrado desfilando pelas ruas do Rio, pela reportagem do jornal Extra, em fevereiro passado. (assista o vídeo abaixo).

Também houve o desvio de um piano de cauda que apreendeu na casa de Eike Batista e “depositou” na sala do apartamento do seu vizinho de prédio.

Restam mais dois processos administrativos — um deles pelo desaparecimento de R$ 27 mil dos R$ 116 mil apreendidos na casa de Eike Batista que estavam no cofre da 3ª Vara Federal Criminal.

Há também as acusações criminais. A denúncia foi protocolada, no início de abril, no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Ela foi distribuída à desembargadora Lana Regueira que até hoje não a submeteu ao Órgão Especial para decidirem se a acatam ou não. Somente depois que a maioria se posicionar é que estará aberto o processo criminal contra o, agora, juiz aposentado.




Marcelo Auler
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'Folha' esconde favorecidos por Aécio com aviões pagos pelo governo de Minas

Trocas de vantagens nada republicanas e de inegável interesse público com políticos, jornalistas e juízes explicam muito da camaradagem da mídia pelo tucano, mas têm tratamento rasteiro do jornalão

Para jornalão, só celebridades mereceram destaque
entre beneficiados por aviões pagos com dinheiro de Minas
Quando era governador, Aécio Neves colocou aeronaves oficiais do estado de Minas para fazer com o dinheiro público o serviço que empresas de táxi aéreo deveriam fazer, transportando celebridades, empresários e cartolas de futebol para voos de natureza privada. Não era carona, com autoridades mineiras viajando junto. Eram voos alocados exclusivamente para atender o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ricardo Teixeira, o apresentador Luciano Huck e a dupla Sandy e Júnior, o ex-executivo da Rede Globo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, o falecido editor da revista Veja, Roberto Civita, os atores José Wilker, falecido, e Milton Gonçalves.

A denúncia — incompleta — é do jornal Folha de S. Paulo, que a partir de documentos obtidos pela Lei de Acesso à Informação publicou uma relação de voos solicitados pelo governador entre 2003 e 2010.

Porém, o jornalão seguiu o mesmo padrão que adotou quando do escândalo do Suiçalão, ou seja, omitiu nomes de envolvidos. No caso das contas clandestinas na Suíça de que trataram aquele escândalo, o jornal passou semanas sem tocar no nome de Octávio Frias de Oliveira — justamente o todo-poderoso da Folha — que é titular de conta no HSBC suíço.

Agora, no escândalo (sim, é um novo escândalo) dos voos do tucano mineiro, só publicou meia dúzia de nomes. E isso apesar de terem sido 1.423 vôos, sendo 198 deles sem a presença nem do governador nem de outra autoridade de Minas Gerais que pudesse caracterizar viagem oficial.

A Folha se limita a relatar que Aécio proporcionou vôos para vários políticos — com ou sem mandato — mas estranhamente não cita nenhum beneficiado, apesar do evidente interesse público. Isso permite nos darmos asas à imaginação. Seria FHC? Eduardo Cunha? Também fala de autoridades federais dos três poderes sem citar nenhum nome. Seria o ex-diretor de Furnas Dimas Toledo? A Folha não diz.

Também não cita nomes de autoridades do poder Judiciário que viajaram às custas do governo de Minas durante o governo Aécio e nos 60 vôos cedidos pelo seu sucessor Antônio Anastasia, igualmente do PSDB. A reportagem fala em magistrados estaduais e ministros do STF, mas esconde nomes e destinos.

Sobre o atual governo petista de Fernando Pimentel, a Folha encontrou um único voo cedido e, diferentemente do tratamento dado aos dois tucanos, não blindou o nome do beneficiado: foi o presidente do STF, Ricardo Lewandovsky, de Belo Horizonte para São Paulo. A assessoria de Pimentel afirmou que Lewandovsky cumpriu agenda oficial promovida pelo governo de Minas, no dia em que recebeu o Colar do Mérito Judiciário Militar.

Aécio cedeu aviões também para comitivas de jornalistas. Mesmo sem citar nomes, o jornal confessa: "A Folha esteve em um destes voos para acompanhar uma agenda de Aécio em Lavras". Teria sido mais honesto se explicasse que agenda foi esta, em que data e as razões para aceitar ter suas despesas para material de interesse jornalístico pagas com dinheiro público.

A Folha também "não teve a curiosidade" de cruzar os nomes dos passageiros com os familiares de Aécio, já que denúncias de favorecimentos e de mimos para parentes durante o período em que Aécio governou Minas são abundantes. Também nada publicou, se teve ou não, vôos para o já famoso aeroporto de Cláudio, construído pelo seu governo numa fazenda de um tio.

Caldeirão da Globo

Aécio também cedeu helicóptero para o apresentador da TV Globo Luciano Huck gravar um quadro do programa Caldeirão do Huck. A emissora afirmou que o uso do helicóptero oficial foi parte de um acordo de "facilidade de produção". Porém trata-se de despesa de uma atividade empresarial, privada e com fins lucrativos paga pelo povo de Minas.

Parece que ambos os lados têm dificuldades em separar o público do privado quando se trata de levar vantagem às custas do dinheiro do povo.

Museu privado

Em 2010, pouco antes de deixar o governo de Minas, Aécio cedeu um helicóptero para o falecido dono da revista Veja, Roberto Civita, e sua mulher, visitarem o museu de Inhotim, na cidade de Brumadinho, no interior mineiro.

O museu é propriedade privada controlada pelo empresário Bernardo Paz, irmão do publicitário Cristiano Paz, condenado no mensalão. Desde 2009 conta com o patrocínio da Cemig, por meio da Lei de Incentivo Cultural.

Na época, Bernardo Paz já era devedor do fisco mineiro e réu por um esquema de sonegação de impostos em duas siderúrgicas suas. Segundo o Ministério Público Estadual, o esquema envolvia empresas fantasmas, laranjas e uso de notas falsas para pagar menos ICMS.

Agora em 2015, após a saída do governo tucano e a intensificação da força-tarefa para cobrar impostos em débito, Bernardo Paz reconheceu uma dívida tributária de cerca de R$ 120 milhões com o Estado e fez acordo para pagá-la. O fato reforça a inconveniência de ceder um helicóptero oficial para aquela visita.

Apesar de o museu a céu aberto ter seu valor artístico reconhecido, tanto pela coleção de arte contemporânea, como pelo projeto paisagístico da edificação, a origem dos recursos que o financiaram é controversa.

Bernardo Paz fez fortuna com mineração de ferro. Em 2009, o jornal O Estado de S. Paulo descreveu uma versão de Paz para a origem do museu. Um alemão amigo dele teria assumido a gestão de uma mina sua que "não valia nada". Conseguiu valorizá-la e muito.

Venderam por US$ 480 milhões na Alemanha. Paz teria que pagar cerca de US$ 100 milhões de impostos para repatriar o dinheiro. Em vez disso, criou a empresa Horizontes Ltda, cujos donos são a offshore Vine Hill Financial, com sede no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas.

Outra empresa, no paraíso fiscal de Cayman, a Flamingo Investment Fund, emprestou US$ 126,4 milhões à Horizontes. Com esse empréstimo, a Horizontes comprou áreas em Brumadinho, fez obras, paisagismo e adquiriu obras de arte. Segundo o Estadão, Paz admitiu que o dinheiro dos paraísos fiscais veio da venda da mina no Brasil feita na Alemanha.

Em entrevista à revista Trip, Paz contou uma versão mais palatável ao Leão da Receita Federal e às autoridades. Disse que doou a mina aos alemães e, em retribuição, os alemães colocaram dinheiro no Inhotim.

Antes da visita de Roberto Civita, seu sobrinho e xará, conhecido em seu círculo como Bobby Civita, foi art planning do Instituto Inhotim, o que torna a visita do casal do ex-chefão da Veja de caráter mais pessoal ainda, desaconselhando o uso de aeronaves oficiais.

Estas trocas de vantagens nada republicanas de Aécio com os "barões da mídia" ajudam a explicar a camaradagem com que os tucanos são tratados pelos veículos de imprensa dos grupos Globo e Abril, mesmo diante dos mais escabrosos escândalos de corrupção em seus governos.

Helena Sthephanowitz
No RBA
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Fernando Siqueira demole mentiras de Serra sobre Petrobras, pré-sal, partilha e conteúdo local



As falácias do Senador José Serra afirmadas na Audiência Pública promovida pelo 
Senador Paulo Paim, em 28/09/15

1) “O pré-sal está parado. A Petrobrás não tem e não terá recursos para explorar”.

Realidade: O pré-sal já está produzindo 1.050.000 barris/dia de óleo equivalente (óleo+gás+lgn), cerca de 40% da produção nacional. O campo de Libra está sendo desenvolvido e iniciará a produção em 2017 através de uma plataforma que fará o teste de longa duração. Em 2020 será instalado o sistema piloto com previsão para 10 poços. Os campos de Tupi, Iara, área das Baleias (ES), Sapinhoá e outros estão produzindo. Os de Búzios, Carcará e outros estão em franco desenvolvimento. Donde se vê quão falaciosa é a afirmação do Senador

2) “a Petrobrás não tem recursos para investir. Está muito endividada, não tendo como obter empréstimo

Realidade: A Petrobrás tem como obter recursos, pois ela tem o maior e melhor conjunto de reservas a produzir; a dívida da Petrobrás é da ordem de R$ 500 bilhões, ou US$ 125 bilhões. Ela já descobriu 60 bilhões de barris no pré-sal (105 bilhões para um fator de recuperação de 50%). E tem ainda 14 bilhões no pós-sal. Multiplicando por US$ 68 por barril, que é o preço Brent atual, chega-se ao valor de US$ 5 trilhões. Portanto, uma dívida irrisória em relação ao portfólio a ser posto em produção.

Além disso, continua a afirmar que a Petrobras é a petroleira mais endividada do mundo em dólares por barril de petróleo produzido, ou seja, que já foi extraído e portanto não pode garanti-la pois não existe mais. A referência adequada da dívida deve ser em relação ao potencial de produção no qual ela será investida, e nesse quesito a Petrobras é a mais viável e menos endividada do mundo face ao seu portfólio de reservas nos quais vai investir justamente em aumentar a produção de petróleo e que vai garantir o financiamento.

3) “a lei de concessão ajudou a Petrobrás a deslanchar

A realidade: Durante os 25 anos anteriores a 1999, a Petrobrás foi obrigada pelo governo a comprar petróleo no exterior pelo valor médio de US$ 25 por barril e revendê-lo no mercado nacional por US$ 14 por barril. Essa perda era contabilizada numa conta chamada conta petróleo, que chegou a US$ 15 bilhões. Apenas uma parte foi ressarcida à Petrobrás com a venda de 36% das ações da companhia, em poder do governo, na bolsa de Nova Iorque pelo valor irrisório de US$ 5 bilhões. Com esse valor, o governo quitou parte da conta petróleo.

Em 1999, FHC, iniciou um processo de desnacionalização da companhia e, para premiar os futuros compradores, pôs fim àquela obrigação de perder na importação. Assim, a Petrobrás além de deixar de perder, passou a ganhar muito através do seu petróleo produzido, pois o seu custo de produção era de US$ 12 por barril, e a Sociedade Brasileira passou a pagar no combustível o valor internacional de US$ 25/barril, iniciando um período de lucros exorbitantes, dos quais 36% era transferido aos acionistas do exterior. Essa foi a causa real do deslanche da Petrobrás, e não a lei da concessão, inclusive tendo o Governo FHC cerceado a aplicação dessa rentabilidade em pesquisa e exploração de petróleo.

A desnacionalização começou com a entrega da REFAP para a Repsol, mas foi interrompida por uma ação judicial. Nisso tudo, a má intenção acabou resultando em beneficio, pois essa capitalização permitiu que a competência do pessoal, quando incrementado o investimento em pesquisa e exploração de petróleo, realizasse as grandes descobertas petróleo.

4) “A produção deslanchou de 1997 a 2002, depois estacionou, caiu

A realidade: A produção aumentou no período citado devido às descobertas ocorridas na era do monopólio, pois a colocação em produção de um campo descoberto leva de 7 a 10 anos, mas foi impulsionada pelos grandes lucros que a Petrobrás passou a obter com o a alteração do critério de valoração do petróleo nacional para valores internacionais, através de aumento real no preço dos derivados, sob a alegação de propiciar competitividade no mercado nacional. Depois diminuiu devido à queda de produção decorrente da depleção de poços antigos, com mais de 20 anos de produção, e que superou todas as previsões. Hoje o pré-sal representa 40% da produção, compensando essas perdas, e garantindo a autossuficiência atual e futura do País.

5) “O meu projeto não mexe na partilha e no conteúdo local

A realidade: Claro que mexe, pois abre o Pré-Sal para operador estrangeiro e este compra tudo em seu país de origem, em detrimento dos fornecedores e trabalhadores brasileiros. O ponto principal da partilha é a operação pela companhia, além de impedir os dois principais focos de corrupção da área internacional de petróleo: superdimensionamento dos custos de produção e medição fraudulenta. Logo, ele mexe para muito pior na lei de partilha. A AEPET lista 14 pontos negativos na mudança.

6) “O projeto apenas desobriga a Petrobrás. Se for descoberto novo Kuwait no pré-sal, basta a Petrobrás querer que ela leva”.

A realidade: a Petrobrás descobriu o Campo de Libra, o maior do mundo atual. A presidente Graça da Petrobras declarou em Audiência Publica no Senado que a Companhia queria muito o campo e não levou. O governo, sob pressão do lobby internacional, incluindo o vice-presidente americano Joe Biden, fez um leilão fajuto e entregou 60% do campo para o cartel do petróleo.

Outro exemplo dessa falácia foi o 8º. leilão de área petrolífera, que foi anulado na Justiça, pois as exigências da ANP impediam a Petrobras de concorrer em mais de um campo, sob a alegação de facilitar a entrada do capital estrangeiro no país.

7) “essa história de produzir a US$ 9 por barril não é verdadeira”.

A realidade: A Diretora de Produção da Petrobras divulgou esses dados no exterior e certamente sabe do que está falando. Os assessores do Senado, que o senador decantou como ultracompetentes, e que desmentem a diretora Solange, devem ter confundido custo de extração (US$ 9 por barril), com custo de produção, que é maior porque engloba todos os custos: pesquisa, inclusive de furos não descobridores, exploração, financeiros, depreciação, logística, transporte e produção.

Face á evidente agressão à Soberania Nacional e desnacionalização do parque produtivo brasileiro em que o Senador Serra teve papel preponderante, não vamos nos manifestar sobre sua tentativa de resgatar sua imagem de líder estudantil nacionalista.

Fernando Siqueira é engenheiro aposentado da Petobras
No Viomundo
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Ouça aqui: Reportagem de Elaine Tavares – Ato contra a PEC 215 em Santa Catarina

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Lama de Mariana: Como o jornalismo é engolido nas grandes tragédias

Resgate de cadela após quatro dias do rompimento da barragem
Foto: Douglas Magno/AFP
Dez breves considerações para uma autocrítica necessária sobre a cobertura do rompimento das barragens de rejeitos de mineração, em Mariana (MG), ocorrido na última quinta (5). Ressalto que há coberturas muito justas sendo realizadas pelas imprensas tradicional e alternativa. Ou seja, o objetivo não é generalizar, mas convidar à reflexão:

1) Onde você escreve apenas “Samarco'', como responsável pela catástrofe da barragem de Mariana, acrescente “Vale'' e “BHP''. Diga ao seu chefe para esquecer que a Vale é grande anunciante do seu veículo pelo menos desta vez.

2) Essa foi uma das maiores catástrofes ambientais do país e vai alterar a vida de milhões de pessoas e animais. Trate isso como tal e não como curiosidade mórbida. Seja decente: sensacionalismo só é bom para a sua audiência.

3) Acidente, Papai Noel e Coelho da Páscoa… Investigações estão em curso, mas o uso irresponsável da palavra “acidente'' faz crer que tudo isso seria inevitável, concedendo ao acaso uma culpa que pode ser de empresas e governos, ao destino um poder que ele não tem e dando vida a essa figura mitológica — o acidente — endeusada em falhas corporativas.

4) Se todo pequeno tremor de terra derrubasse barragem, não sobrava uma hidrelétrica de pé no Brasil, como me disse ontem um velho engenheiro barrageiro. O que é derrubado com pequeno tremor de terra é pudor de usar a justificativa do terremoto em uma matéria e não ouvir especialistas a respeito.

5) Publicar release da empresa sobre o ocorrido em formato de notícia sem checar uma informação é passaporte para o inferno sem escalas.

6) Reportagens sobre a tragédia humana são importantes para que o país tenha a dimensão do caos que se estabeleceu. Mas o estrago trazido ao não tratar das responsabilidades dos atores econômicos e políticos nunca será compensado pela cobertura “humanizada'' que você teve orgulho de fazer.

7) Importante a solidariedade de pessoas que seguem para ajudar e mandam doações. Do ponto de vista da empatia social, não da necessidade material. Porque deveria ser a Vale a estar pagando agora até pelo banho e tosa do cachorro atingido pela massa de dejetos e não a sociedade brasileira. E links de TVs deveriam estar em vigília na sede da empresa questionando isso ao invés de mostrar apenas galpões repletos com sacolas de doações.

8) O governo mineiro tratar a empresa ora como “vítima'' ora como “responsável'' mostra que a Síndrome de Estocolmo, quando um agredido passa a ter simpatia pelo agressor, atinge sempre a administração pública de forma patética. A imprensa que faz um papel central na cobrança das investigações de corrupção, estranhamente perde o mesmo ímpeto nesta situação. Lembrando que empresas financiaram partidos em eleições.

9) Se o governo federal existisse e fosse autônomo, Dilma teria pego um avião imediatamente para sobrevoar o local, colocaria a Vale contra a parede e aproveitaria a comoção pública para reabrir a discussão sobre a regulamentação da mineração no Brasil, com efetiva participação das comunidades atingidas e foco na responsabilidade empresarial e no direito ao território e à dignidade humana. O jornalista que acha que Brasília não tem responsabilidade neste caso precisa de um curso rápido sobre as competências da União.

10) Pouco depois do mar de lama chegar à praia, o assunto será substituído por outro. Mas a tragédia acontecerá de novo em Minas Gerais, como tem acontecido periodicamente. O cronômetro já foi posto em contagem regressiva. Com a anuência não só do Estado, que peca pela falta de fiscalização e punição, mas também de parte da imprensa, que segue mais competente em monitorar o poder político do que os atores econômicos.

Leonardo Sakamoto
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Cunha usou nome da mãe como senha

Documento de banco suíço mostra que presidente da Câmara forneceu dados pessoais para acessar informações de conta


O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), forneceu o nome da mãe como contrassenha a ser usada em consultas ao banco suíço Julius Baer. A informação consta dos documentos de abertura da conta Triumph-SP, uma das quatro atribuídas ao deputado pela Procuradoria-Geral da República. Para investigadores envolvidos no caso, trata-se de mais um indicativo de que os recursos no exterior eram diretamente controlados pelo peemedebista.

Entre os procedimentos de segurança, o banco exige que o cliente responda a uma pergunta secreta, definida no momento da criação da conta. Ela serve para acessar o serviço de helpdesk (suporte técnico).

A questão escolhida na abertura da Triumph-SP foi “O nome de minha mãe”. A resposta a ser dada, preenchida numa das fichas de abertura, era “Elza”. O deputado é filho de Elza Cosentino da Cunha.

Para os investigadores, o uso de informações pessoais para acessar a conta enfraquece os argumentos de Cunha, que desde a semana passada afirma não ter ingerência sobre os valores nela depositados.

Em entrevista publicada no sábado passado, o presidente da Câmara afirmou ter repassado recursos de seus negócios no exterior, entre eles a venda de carne enlatada na África, para agentes fiduciários, os quais seriam os responsáveis pela administração dos ativos.

A Triumph-SP seria uma conta de truste, ou seja, uma conta de “confiança”, gerida por terceiros com autorização do deputado. “Contratei o truste, os ativos passaram para o truste, para sua gestão. Sou o beneficiário em vida, como se eu fosse ‘usufrutuário’ do bem”, disse Cunha.

Registro. Documento do banco na Suíça mostra o nome da mãe de Eduardo Cunha como ‘pergunta secreta’
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E Lauro Jardim conseguiu ressuscitar Lillian Witte Fibe

Ela
Lauro Jardim, com seu espetacular fiasco na estreia no Globo, conseguiu ressuscitar Lillian Witte Fibe.

Também Lillian confiou cegamente numa informação de Lauro que ganhou a manchete do Globo há um mês.

Um delator, segundo Lauro, teria dito que pagou despesas de 2 milhões de reais para Lulinha, filho de Lula.

Vi, outro dia, a primeira página do Globo. Lauro aparecia numa foto como um galã das novelas de antigamente. Imagino que naquele dia ele pode até ter dado autógrafos no Leblon.

Bem, o único problema é que não era verdade. Só que em seu comportamento bovino e obtuso a imprensa repercutiu amplamente o erro de Lauro.

Demorou, mas vieram os desmentidos, à luz dos fatos reais. Antes de tudo, o do próprio Globo, que submeteu Lauro a uma humilhação em praça pública ao corrigir a barrigada numa inédita primeira página.

Como Lauro não perdeu o emprego mal se iniciou nele é um mistério. Que sua reputação foi trucidada, disso não há dúvida.

Depois, vieram desmentidos do Estadão e da Folha. Os dois jornais foram obrigados a dizer que tomaram como verdade uma notícia do Globo.

E as coisas acabaram chegando a ela, Lillian Witte Fibe, uma jornalista de economia que teve seus dias de glória nos anos 1980, quando fazia na televisão mais ou menos o que Míriam Leitão faz hoje.

Em comum, as duas têm o fato de, sendo especialistas em nada, discorrer sobre tudo.

Líllian foi minguando a partir da década de 1990 até sumir. Ou quase. Hoje, ela faz ponta no programa de Jô Soares. É uma de suas meninas, um grupo de jornalistas de explosivo teor de reacionarismo. Perto delas Jô parece Robespierre.

Mas ficou, de Lillian, uma lembrança forte para os que a viram trinta anos atrás.

Um destes é o veterano ator Tonico Pereira. Ele gravou um vídeo perguntando se Lilian não iria se retratar.

O vídeo, postado nas redes sociais, viralizou. E então todos ficaram sabendo que Lillian estava, primeiro, ainda na ativa e, segundo, que passara adiante o descalabro de Lauro Jardim.

Cobrada por Tonico, ela admitiu também seu erro nas redes sociais.

Pediu desculpa com exclamação no Twitter, (veja abaixo). Assim: desculpa!

Com sua retratação exclamativa, o ciclo de desmentidos provocado pela inépcia de Lauro Jardim parece ter se esgotado.

Ou quase.

Em menor medida, cobram no Twitter o mesmo gesto do jornalista e radialista Jorge Bastos Moreno, do Globo.

Moreno é aquele boa praça que acredita nas boas intenções e no compromisso com a verdade das empresas jornalísticas, a começar pelas Organizações Globo.

Em seu concorrido Twitter, Moreno bateu palmas de pé para a “estreia triunfal” — é dele a expressão — de Lauro Jardim.

Até aqui, Moreno não desmentiu a informação que ajudou prontamente a veicular. Mas também é verdade que jamais voltou a citar furos de Lauro Jardim.

Moreno jamais teve a notoriedade de Lillian Witte Fibe, e por isso não ocorreu a ninguém fazer o que Tonico Pereira fez com ela. Pode continuar a fingir que não é com ele.

Se Lillian olhar para o lado positivo das coisas, poderá até agradecer a Lauro Jardim.

Graças a Lauro ela voltou a ser notícia.

Paulo Nogueira
No DCM



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Outra represa da Samarco está em risco


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Réu no STF, “Paulinho da Força” quebra decoro com apoio a Cunha no Conselho sem Ética


É um escândalo, leitor. O que está acontecendo na política brasileira é felliniano, bizarro, digno de um Teatro do Absurdo. À luz do dia, sem um mínimo de pudor, grupos políticos promovem barbaridades como a que se ensaia, neste momento, no Conselho de Ética da Câmara.

Revisemos enredo que um Federico Fellini não engendraria melhor.

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, foi denunciado ao STF (Supremo Tribunal Federal) por suspeita de ter recebido US$ 5 milhões em propina do esquema investigado pela operação Lava Jato – ele teve seu nome ligado a contas secretas na Suíça. Em seguida, aparecem provas de que ele realmente tem essas contas.

Para conhecer melhor os detalhes das provas contra Cunha, assista o vídeo:


No último dia 13 de outubro, Deputados do PSOL e da Rede entregaram ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados representação contra Cunha, pedindo sua cassação por quebra de decoro parlamentar.

No dia 5 de novembro, deputado de primeiro mandato Fausto Pinato (PRB-SP), 38 anos, foi anunciado como relator do processo de cassação de Cunha (PMDB-RJ) sob escrutínio daquele Conselho. O parlamentar foi escolhido em uma lista tríplice pelo presidente do órgão, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA).

Na semana passada, os partidos indicaram seus representantes para a investigação contra Cunha no Conselho de Ética. O partido Solidariedade (SD) indica o deputado federal Wladimir Costa (SD-PA). Uma semana depois, Costa renúncia “por motivo de saúde” e o Solidariedade indica, para seu lugar, o mais ferrenho aliado de Cunha, Paulo Pereira da Silva, o “Paulinho da Força”, de São Paulo.

Na manhã desta terça-feira (11/11), “Paulinho” dá entrevista tão revoltante à Rádio Jovem Pan que até um antipetista fanático como o dublê de historiador Marco Antonio Villa e sua colega Silvia Poppovic (os entrevistadores) se revoltaram.

Villa e Poppovic se mostram visivelmente perturbados com a fala de “Paulinho”. Sem uma réstia de pudor, sem se preocupar em parecer golpista, ele diz, escancaradamente, que, violando os princípios básicos que devem nortear os membros do Conselho de Ética (impessoalidade e distanciamento), atuará como “defensor” de Cunha.

O deputado paulista diz, na cara-dura, que as provas a favor de seu amigo são “contundentes”. Perguntado por Villa se acredita na inocência de Cunha, cala-se. Ante a insistência dos entrevistadores, “Paulinho” torna-se agressivo e chega muito perto de insultá-los.

Na prática, o amigo — e, proximamente, julgador — de Cunha diz que participará do Conselho de Ética não para analisar o que a lei exige que ele analise como participante daquele Conselho (a culpa ou inocência do investigado), mas para defender o investigado como estratégia para “derrubar” Dilma Rousseff — ele não fala em impedir, mas em derrubar, um termo que remete a golpismo.

Ouça a entrevista


É um acinte, um escândalo, uma afronta à lei, à tal “ética” que, supostamente, deveria ser o objetivo daquele Conselho. O objeto desse colegiado deixa de ser a busca REAL da culpa ou da inocência de Cunha e passa a ser a absolvição do investigado antes mesmo da análise de seu caso.

Com essa entrevista de Cunha à Jovem Pan, o Conselho de Ética passa a ser um Conselho sem Ética, voltado para aliviar para o investigado à revelia de qualquer prova de sua culpabilidade, o que conspurca inapelavelmente a imagem não só da Câmara dos Deputados, não só do Congresso Nacional, mas do Poder Legislativo brasileiro.

É exigível e urgente, pois, não apenas a destituição de “Paulinho da Força” do Conselho de Ética.

Além disso, “Paulinho” deve se tornar alvo desse Conselho por clara, insofismável, escandalosa quebra de decoro parlamentar, pois as palavras dele, que o leitor acaba de ouvir, dizem, “apenas”, a enormidade de que tal Conselho é uma farsa.

Eduardo Guimarães
No Blog da Cidadania
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O que Carlinhos Cachoeira e Sérgio Moro têm em comum


Há mais pontos em comum entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o justiceiro Sérgio Moro — o juiz que rompeu com os limites jurídicos na Operação Lava Jato — do que possa supor a vã leitura dos clássicos criminais: ambos dividem a mesma musa.

Na canção “Umas e Outras”, de Chico Buarque, Moro seria “umas”.

Se uma nunca tem sorriso

É pra melhor se reservar

E diz que espera o paraíso

E a hora de desabafar

A vida é feita de um rosário

Que custa tanto a se acabar

Por isso às vezes ela pára

E senta um pouco pra chorar

Que dia! Nossa, pra que tanta conta

Já perdi a conta de tanto rezar

Carlinhos Cachoeira seria “outras””:

Se a outra não tem paraíso

Não dá muita importância, não

Pois já forjou o seu sorriso

E fez do mesmo profissão

A vida é sempre aquela dança

Onde não se escolhe o par

Por isso às vezes ela cansa

E senta um pouco pra chorar

Que dia! Puxa, que vida danada

Tem tanta calçada pra se caminhar

Ao contrário da freira e da prostituta, no entanto, o justiceiro e o chefe de quadrilha são muito mais parecidos, por terem caso com a mesma mulher: a revista Veja. E não propriamente por suas (delas) virtudes.

Veja é a companhia que pediram a Deus (ou ao diabo). Atende a seus interesses — desde que conciliados com os dela; presta-se aos serviços sujos que só as amantíssimas dedicam à pessoa amada; permite que ambos atinjam seus objetivos, quaisquer objetivos, ao falar por eles o que não poderiam dizer em nome próprio e mentir sobre pontos que, não constando dos autos, não poderiam ser ditos por ambos, Moro por submissão à legalidade, Cachoeira por medo da lei.

Ambos estão longe de acreditar nas virtudes excelsas da revista. Pelo contrário, o que os fascina é a falta de escrúpulos, a capacidade de tangenciar seguidamente os limites da legalidade, de manipular informações em favor da parceria, fazendo o trabalho sujo que nem justiceiro nem o bicheiro podem perpetrar à luz do dia, pois coibidos por lei.

O fascínio dos salões

Graças à revista, ambos puderam ser aceitos nos grandes salões, Moro acreditando que de forma permanente, Cachoeira, por sua profissão mais instável, apenas durante algum período, até ser alvo da Operação Monte Carlo da Polícia Federal.

No 9o Fórum Nacional dos Editores de Revista, Moro será recebido pessoalmente por Giancarlo Civita, o dono da Veja, para a palpitante palestra “O jornalismo investigativo de qualidade como pilar da democracia e das instituições brasileiras”.

Externará, em caráter público, o mesmo entusiasmo com o papel ético do "jornalismo investigativo de qualidade" expresso por Cachoeira em caráter privado, apreciando uma capa da Veja — com material que ele havia fornecido — e bradando de peito estufado para seu comparsa Cláudio Abreu: “Nós estamos ajudando a limpar o Brasil”, conforme escuta captada pela PF.

Ou quando, dentro do acordo com a revista, Veja transformou seu afilhado, então senador Demóstenes Torres, em paladino da moral. Graças a essa fama, Demóstenes pode ampliar exponencialmente sua influência em benefício dos negócios da organização criminosa.

A entrevista de Páginas Amarelas com o paladino foi celebrada no bunker de Cachoeira, talvez com a mesma euforia com que, no bunker da Lava Jato, procuradores, delegados e o juiz Moro celebram as capas que emplacam:

CLAUDIO - ..."o Combativo Parlamentar diz que o Congresso age bovinamente, o TCU está sobre fogos, os promotores cansados, situação que põe em risco o Estado de direito do Brasil". Mole, cara?

CARLINHOS - É foda mesmo viu! Fala bem aí?

CLAUDIO - E muito bem,

CARLINHOS e o amigo lá, o Inspetor da Receita hem, me ligando, me parabenizando e agradecendo, me convidando e o pessoal no cerimonial ligando pra me colocar lá no estande de autoridades na destruição dos produtos piratas

CARLINHOS - Você que mais traz né, cara?

CLAUDIO - Como é que é?

CARLINHOS - Você é quem mais traz

CLAUDIO - Faz o que, o viado?

CARLINHOS - Você é o que mais traz

CLAUDIO - Que mais traz?

CARLINHOS – É, uai!

CLAUDIO - Mas eu trago produtos piratas, porra?

CARLINHOS – Ah, pirata não, você traz os produtos, né (...)

CLAUDIO – É, show de bola aqui viu, bicho, show de bola, tá falando bem cara. Eu li a reportagem aqui no IPAD.

O show de bola da Veja é velho conhecido de Moro.

Como especialista em organizações criminosas, certamente acompanhou todos os factoides da revista visando beneficiar Cachoeira, através de ataques a seus adversários. Acompanhou os assassinatos de reputação de inúmeros inocentes.

É certo que justiceiro que se preze não tem que se preocupar com inocentes. Inocentes são apenas paspalhos que estão na hora errada no lugar errado, e que investigações malfeitas colocam na nossa frente apenas para atrasar as condenações dos culpados.

Moro entendeu claramente que o jogo Cachoeira-Veja visava trazer ganhos recíprocos, um ganha-ganha prático, objetivo, direto.

A hipocrisia moralista

Um como oficial da lei, outro como marginal, tanto Moro quanto Cachoeira praticam a mesma hipocrisia moralista que marca a história política não apenas do Brasil, mas das nações em geral.

Historicamente, a denúncia da corrupção sempre fez parte do arsenal da mídia, de acordo com uma métrica traçada pela própria imprensa.

O exercício do poder exige um conjunto de pactos políticos e econômicos, nem sempre transparentes, nem sempre legítimos. O público preferencial da mídia — a classe média — não tem noção mais aprofundada sobre as formas de apropriação do orçamento público pelos diversos grupos políticos, o impacto de operações anti-sonegação anuladas por interferência política, o valor econômico das concessões de rádio e televisão distribuídas como moeda de troca.

Muitas vezes o denuncismo é ferramentas de chantagem, moeda de troca. É como se as irregularidades estivessem expostas em grandes prateleiras, com todo tipo de embalagem. À mídia basta selecionar o alvo recalcitrante, buscar a irregularidade correspondente e tratar de superdimensioná-la com manchetes e interpretações facilmente digeríveis pelos leitores.

Nem se busque minimizar os escândalos da Petrobras. Como diz a Força Tarefa — com toda propriedade — é o maior escândalo de corrupção já descoberto no país.

Ao definir o foco único da corrupção, no entanto, a mídia abre a gaiola para todos os aliados poderem se esbaldar com o queijo público sem serem incomodados. Líderes da oposição poderão preservar as práticas denunciadas em seus adversários, poderão manter contas em paraísos fiscais, em nome de offshores (igualzinho Eduardo Cunha), poderão receber de empreiteiras igualmente beneficiadas por eles, sem serem incomodados.

O pacto exige que delegados, procuradores e o juiz Moro dividam os “bandidos” em dois grupos: para os “bandidos deles”, pau; para os “nossos bandidos”, condescendência total.

E, assim como no pacto Veja-Cachoeira, ambos os lados cumprem o que prometem.

O Estadista Moro

Dizem que os Estadistas são amorais. Fecham acordos com o diabo para alcançar seus objetivos. Aliam-se a criminosos, se for necessário, estendem os limites das leis, tudo o que for necessário para preservar o Poder.

Nesse sentido, Moro é o desenho completo do Estadista sem escrúpulos, que ocupa rigorosa e amplamente todos os espaços legais, vale-se do clamor da turba para ampliar esse espaço, embora não seja claro o tipo de Estado que aspire.

Não se entenda esse “sem escrúpulos” como indício de desonestidade financeira ou coisas menores. Significa que, para atingir os objetivos de Poder (com P maiúsculo), vale tudo: transformar pecador em santo; venal em confiável. E o pior jornalismo da história em "jornalismo investigativo de qualidade".

No caso da mídia, não há sequer a necessidade de uma delação para se redimir: basta entrar no jogo e Moro fechará os olhos, por exemplo, à capa de Veja sobre o grampo sem áudio, que registrou a conversa camarada entre os ínclitos Gilmar Mendes e Demóstenes Torres, visando derrubar o delegado Paulo Lacerda e o Sérgio Moro da Satiagraha — o juiz Fausto De Sanctis.

Deixará de lado a manipulação grosseira de Veja de relatório denunciando grampo no STF (Supremo Tribunal Federal), inclusive com apresentação de dados falsos  sobre os equipamentos da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência).

Esquecerá a maneira como, com a ajuda inestimável da mídia, foram abafadas as CPIs do Banestado, de Cachoeira.

Para quê se importar com grandes pecados do passado, se os pecados do presente ajudam a viabilizar a Lava Jato e a abrir os salões da capital para o juiz modesto do interior (perdão, Paraná!), que se fez à custa de seu próprio esforço e de uma notável (sem ironia) visão estratégica?

Pouco importa se a revista estimula a intolerância, se blinda os aliados, se ajuda a alimentar um clima que expõe as vísceras do que de pior o país tem. A intolerância é aliada tanto de Moro quanto de Cachoeira, por impedir as filigranas, a divulgação de ângulos que fujam da narrativa criada por ambos.

Na CPI de Cachoeira, um trecho do relatório aborda a necessidade de reconhecimento social por parte de Cachoeira, de ser recebido nos salões, ser considerado. Não conseguirá, como Moro, ser premiado pelo O Globo, ser acolhido por Giancarlo Civita, porque as semelhanças entre eles terminam por aí. Um ainda poderá ambicionar a união estável com papel passado; o outro sempre será a amante oculta.

No fundo, esta é a moeda do suborno, acolhida pelos grandes e seletivos moralistas, o grande instrumento da mídia, quase tão forte como os assassinatos de reputação: o uso despudorado da lisonja, ferramenta que toca o coração dos fracos e amolece a vontade dos fortes.

Luiz Nassif
No GGN
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Direito de resposta: Dilma fechou a Veja!

Quero ver o jornal nacional pegar o detrito sólido e...


Saiu no Globo:

Dilma sanciona lei sobre direito de resposta

Texto estabelece obrigação de retificar informação errada de forma proporcional ao prejuízo

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff sancionou a nova lei que estabelece as regras do direito de resposta à pessoas ou instituições ofendidas por meio de reportagens divulgada por meios de comunicação social. Pelo texto publicado no Diário Oficial da União nesta quinta-feira, a resposta à uma determinada ofensa ou a retificação de uma informação errada deve ser deve ser proporcional ao prejuízo. Pessoas ou instituições ofendidas tem prazo de 60 dias a partir da publicação ou transmissão da informação para pedir resposta ou retificação.

Caso a empresa de comunicação não acolha o pedido de resposta, a pessoa ofendida poderá recorrer à Justiça. A partir daí, a Justiça terá 30 dias para deliberar sobre o assunto. O juiz do caso poderá, antes mesmo da decisão final, multar a empresa, alvo da ação.A partir daí, a pessoa ofendida também poderá ajuizar outra ação em busca de indenização para reparação de danos. A lei do direito de resposta foi aprovada a partir de um projeto do senador Roberto Requião (PMDB-PR).

(...)

Interrompe-se o circuito Golpista.

O detrito sólido de maré baixa produzia um detrito de grosso calibre, o Gilberto Freire com "i" mandava a editoria "o Brasil é uma m..." embalar e o William Bonner o apresentava como se fosse Chanel #5.

Os parlamentares do PSDB, como Álvaro Dias, o Catão dos Pinhais, que se limita a ler jornais e assistir à Globo, denunciavam o detrito!

No dia seguinte a Fel-lha reproduzia o detrito expelido pelo Álvaro Dias.

O jn copiava a Fel-lha e o detrito ia aumentando...

Agora, vai ser mais difícil.


Paulo Henrique Amorim
No CAf
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Pendência inesperada

Eduardo Cunha e alguns outros citados na Lava Jato vão ter seus destinos de réus determinados também por decisões judiciais alheias aos atos de que são acusa­dos. É que está em curso uma be­la divergência, ainda silenciada, em torno do que vários juristas e professores de direito conside­ram um erro formal no âmbito da Lava Jato. Capaz mesmo de invalidar provas decisivas, por exemplo, no caso de Eduardo Cunha. Da Lava Jato sai uma ex­plicação, discreta e, por ora, sem o resultado pretendido.

O problema está na maneira de obter dados e providências dos promotores suíços, referentes a possíveis contas e movimentos fi­nanceiros de interesse da Lava Ja­to. O acordo de colaboração en­tre Brasil e Suíça contra crimes financeiros obriga que todo in­tercâmbio tenha um único ponto de partida ou chegada aqui, e ou­tro lá. No Brasil, tal ponto é o setor específico do Ministério da Justiça. A obrigação evita que in­vestigações suíças se vejam asso­berbadas por pedidos que não passaram por uma avaliação do seu fundamento e origem.

O primeiro sinal de contas e movimentações suspeitas, com probabilidade de servirem a ne­gócios ilícitos sob investigação no Brasil, foi dado pelos suíços. A partir do sinal, a Lava Jato tentou a obtenção direta das informa­ções complementares e dos docu­mentos comprovadores, mas os suíços não saíram dos termos do acordo. Como uma providência admirável, foi divulgada aqui a ida de três integrantes da Lava Ja­to à Suíça, para buscar a docu­mentação. Sobre os resultados da viagem, a prodigalidade de vaza­mentos da Lava Jato não se con­firmou.

A iniciativa da missão passava à margem do setor específico do Ministério da Justiça e das exi­gências do acordo com a Suíça. A ação direta do Ministério Públi­co, inclusive autorizada pelo pro­curador-geral Rodrigo Janot, é vista por vários juristas e profes­sores ouvidos por algumas das defesas como procedimento irre­gular capaz de levar à invalidação de parte das acusações a diferen­tes réus. Da Lava Jato, vem a res­posta de que seus emissários ape­nas foram selecionar, na relação suíça de suspeitos, os nomes a se­rem encaminhados ao Ministério da Justiça para o pedido à Suíça.

Mas é ao menos duvidoso que, para tal fim, a viagem fosse ne­cessária. Mais do que não se ne­gar à colaboração pelos canais corretos, os suíços têm mesmo a iniciativa das informações. Foi assim, além da Lava Jato, na cor­rupção do metrô e dos trens pau­listas, até que um procurador en­furnou a documentação e os suí­ços se aborreceram. A base do trabalho deles é a investigação, não a delação premiada, e os suí­ços disseram sentir-se desconsi­derados pelo descaso do Ministério Público brasileiro.

Se nem mesmo um precisaria viajar, três procuradores apenas para repassar uma lista de nomes parece um pouco exagerado. E, à parte a divergência que os magis­trados vão decidir, é esquisito que até o procurador-geral Ro­drigo Janot conduzisse a opera­ção excluindo o Ministério da Justiça e os termos de um acordo internacional.

Os chefões

A pretensão de impor aos de­putados do PT a obediência à di­reção partidária, nos votos petis­tas contra ou a favor de Eduardo Cunha no Conselho de Ética, é autoritária e imoral. O líder Sibá Machado, que não se distinguiu por uma posição nítida quanto ao presidente da Câmara, redi­me-se com sua recusa a substituir a consciência pessoal pela obediência.

O comando do PT fala em re­fundação do partido. Convém que o ponto de partida seja a ex­plicação de que os petistas refun­dados não precisam ser pessoas de consciência, porque não pode­rão usá-la.

Janio de Freitas
No fAlha
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Joaquim Levy caiu



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