11 de nov de 2015

Rede Globo, a "TV irrealidade" que ilude o Brasil


Gigante da mídia cativa os telespectadores com novelas vazias e comentários ineptos no noticiário. 

No ano passado, a revista "The Economist" publicou um artigo sobre a Rede Globo, a maior emissora do Brasil. Ela relatou que "91 milhões de pessoas, pouco menos da metade da população, a assistem todo dia: o tipo de audiência que, nos Estados Unidos, só se tem uma vez por ano, e apenas para a emissora detentora dos direitos naquele ano de transmitir a partida do Super Bowl, a final do futebol americano". 

Esse número pode parecer exagerado, mas basta andar por uma quadra para que pareça conservador. Em todo lugar aonde vou há um televisor ligado, geralmente na Globo, e todo mundo a está assistindo hipnoticamente. 

Sem causar surpresa, um estudo de 2011 apoiado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontou que o percentual de lares com um aparelho de televisão em 2011 (96,9) era maior do que o percentual de lares com um refrigerador (95,8) e que 64% tinham mais de um televisor. Outros pesquisadores relataram que os brasileiros assistem em média quatro horas e 31 minutos de TV por dia útil, e quatro horas e 14 minutos nos fins de semana; 73% assistem TV todo dia e apenas 4% nunca assistem televisão regularmente (eu sou uma destes últimos). 

Entre eles, a Globo é ubíqua. Apesar de sua audiência estar em declínio há décadas, sua fatia ainda é de cerca de 34%. Sua concorrente mais próxima, a Record, tem 15%. 

Assim, o que essa presença onipenetrante significa? Em um país onde a educação deixa a desejar (a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico classificou o Brasil recentemente em 60º lugar entre 76 países em desempenho médio nos testes internacionais de avaliação de estudantes), implica que um conjunto de valores e pontos de vista sociais é amplamente compartilhado. Além disso, por ser a maior empresa de mídia da América Latina, a Globo pode exercer influência considerável sobre nossa política. 

Um exemplo: há dois anos, em um leve pedido de desculpas, o grupo Globo confessou ter apoiado a ditadura militar do Brasil entre 1964 e 1985. "À luz da História, contudo", o grupo disse, "não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original". 

Com esses riscos em mente, e em nome do bom jornalismo, eu assisti a um dia inteiro de programação da Globo em uma terça-feira recente, para ver o que podia aprender sobre os valores e ideias que ela promove. 

A primeira coisa que a maioria das pessoas assiste toda manhã é o noticiário local, depois o noticiário nacional. A partir desses, é possível inferir que não há nada mais importante na vida do que o clima e o trânsito. O fato de nossa presidente, Dilma Rousseff, enfrentar um sério risco de impeachment e que seu principal oponente político, Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, está sendo investigado por receber propina, recebe menos tempo no ar do que os detalhes dos congestionamentos. Esses boletins são atualizados pelo menos seis vezes por dia, com os âncoras conversando amigavelmente, como tias velhas na hora do chá, sobre o calor ou a chuva. 

A partir dos talk shows matinais e outros programas, eu aprendi que o segredo da vida é ser famoso, rico, vagamente religioso e "do bem". Todo mundo no ar ama todo mundo e sorri o tempo todo. Histórias maravilhosas foram contadas de pessoas com deficiência que tiveram a força de vontade para serem bem-sucedidas em seus empregos. Especialistas e celebridades discutiam isso e outros assuntos com notável superficialidade. 

Eu decidi pular os programas da tarde — a maioria reprises de novelas e filmes de Hollywood — e ir direto ao noticiário do horário nobre. 

Há dez anos, um âncora da Globo, William Bonner, comparou o telespectador médio do noticiário "Jornal Nacional" a Homer Simpson — incapaz de entender notícias complexas. Pelo que vi, esse padrão ainda se aplica. Um segmento sobre a escassez de água em São Paulo, por exemplo, foi destacado por um repórter, presente no jardim zoológico local, que disse ironicamente "É possível ver a expressão preocupada do leão com a crise da água". 

Assistir à Globo significa se acostumar a chavões e fórmulas cansadas: muitos textos de notícias incluem pequenos trocadilhos no final ou uma futilidade dita por um transeunte. "Dunga disse que gosta de sorrir", disse um repórter sobre o técnico da seleção brasileira. Com frequência, alguns poucos segundos são dedicados a notícias perturbadoras, como a revelação de que São Paulo manteria dados operacionais sobre a gestão de águas do Estado em segredo por 25 anos, enquanto minutos inteiros são gastos em assuntos como "o resgate de um homem que se afogava causa espanto e surpresa em uma pequena cidade". 

O restante da noite foi preenchido com novelas, a partir das quais se pode aprender que as mulheres sempre usam maquiagem pesada, brincos enormes, unhas esmaltadas, saias justas, salto alto e cabelo liso. (Com base nisso, acho que não sou uma mulher.) As personagens femininas são boas ou ruins, mas unanimemente magras. Elas lutam umas com as outras pelos homens. Seu propósito supremo na vida é vestir um vestido de noiva, dar à luz a um bebê loiro ou aparecer na televisão, ou todas as opções anteriores. Pessoas normais têm mordomos em suas casas, que são visitadas por encanadores atraentes que seduzem donas de casa entediadas. 

Duas das três atuais novelas falam sobre favelas, mas há pouca semelhança com a realidade. Politicamente, elas têm uma inclinação conservadora. "A Regra do Jogo", por exemplo, tem um personagem que, em um episódio, alega ser um advogado de direitos humanos que trabalha para a Anistia Internacional visando contrabandear para dentro dos presídios materiais para fabricação de bombas para os presos. A organização de defesa se queixou publicamente disso, acusando a Globo de tentar difamar os trabalhadores de direitos humanos por todo o Brasil. 

Apesar do nível técnico elevado da produção, as novelas foram dolorosas de assistir, com suas altas doses de preconceito, melodrama, diálogo ruim e clichês. 

Mas elas tiveram seu efeito. Ao final do dia, eu me senti menos preocupada com a crise da água ou com a possibilidade de outro golpe militar — assim como o leão apático e as mulheres vazias das novelas.

Vanessa Barbara
The International New York Times
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Musa das manifestações foi parar no cabaré

Conhecida como “Musa da Direita”, após mostrar os seios nas manifestações “coxinhas” de março deste ano na Avenida Paulista (SP), a empresaria do ramo de fitness, Juliana Isen, vai se apresentar nesta quinta-feira, 12/11/2015, em Goiânia, na Estância MM, uma das mais antigas casa de shows e streep-tease da capital. A proprietária, Maria Machadão (MM) dá nome ao local, que é famoso pela circulação de scort-girls (garotas de programa). A consumação (ou couvert) para assistir ao show de Ju Isen é de R$ 55,00, com entrada a partir das 14h.

Juliana-Isen-pelada-na-Sexy-Especial-1Após mostrar os seios na manifestação, onde colou num dos mamilos o adesivo “Fora Dilma”, e postou-se entre manifestantes e policiais, Juliana posou para fotos na Revisa Sexy e ensaios na Revista Ego. Em entrevista ao portal IG resumiu sua ideologia: “Ser de direita é não gostar do PT”.

Talvez por ser declaradamente antipetista um dos out-doors convidando para apresentação  de Ju Isen em Goiânia tenha sido colocado na Rua 115, no Setor Sul, em Goiânia, ao lado do Diretório Metropolitano do PSDB. A placa convida para o show de Ju Ises, nos dias 12 e 13 de dezembro, e para a apresentação de Rosara Ferreira, Miss Bumbum, nos dias 19, 20 e 21 de novembro.

Desde a derrota nas urnas, em outubro de 2014, o senador Aécio Neves (PSDB), tem utilizado de todos os expedientes para derrubar a presidenta Dilma Roussef (PT). Aécio permitiu que o partido que dirige (PSDB) ampliasse  relações com grupos de extrema-direita, como aqueles que querem a volta da ditadura, são contra o aborto em mulheres vítima de estupro, ou com tipos burlescos como o “Batman do Leblon”, e a “Musa das Manifestações”.

Este vale-tudo,  tem feito o PSDB pisar em bandeiras históricas do partido, como a Lei de Responsabilidade Fiscal que os tucanos atropelaram no Congresso Nacional ao apoiar as pautas-bombas do presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O próprio apoio a Cunha — réu nas denúncias de desvios da Petrobrás (que agora o PSDB quer rever), mostra o descompromisso do partido com aspectos da legalidade e moralidade. A única coisa que importa a Aécio e seus seguidores é derrubar um governo legitimamente eleito por 54 milhões de brasileiros.

Juliana e o PSDB
Por estas atitudes arrivistas do tucano-mor, não estranha que a “Musa das Manifestações” se apresente num cabaré, ou que Aécio, na sua sanha como mal perdedor, coloque no puteiro o PSDB de Mário Covas, Franco Monteiro e Henrique Santillo.

No Blog do Marcus Vinícius
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Relação direta entre PF e empresa canadense alarma advogados da "lava jato"

Canal direto da polícia com a RiM, fabricante dos aparelhos BlackBerry,
era funcionário que fica no Canadá.
Entre as inovações na cooperação internacional da operação “lava jato” está a relação entre a Polícia Federal brasileira e a empresa canadense Research in Motion (RiM), fabricante dos aparelhos BlackBerry. Depoimentos prestados no decorrer da operação mostram que a PF e a RiM criaram um canal direto para cumprimento de ordens judiciais de quebra de sigilo, sem passar pelo Ministério da Justiça, pela Procuradoria-Geral da República ou pela subsidiária brasileira da companhia, violando regras de cooperação internacional em investigações criminais.

A alegação ainda não passou pelo crivo judicial, mas quem acompanha o caso considera que possivelmente é mais grave que o drible dado pelo Ministério Público Federal nas leis de cooperação internacional para trazer da Suíça documentos sobre a Odebrecht. Isso porque no caso suíço, houve troca de informações entre órgãos oficiais. No caso da OAS, são contatos diretos da Polícia Federal com uma empresa estrangeira.

Pelo que foi dito à Justiça e à CPI da Petrobras — na Câmara dos Deputados — a RiM criou um e-mail para receber as ordens judiciais diretamente da PF do Brasil. Os delegados afirmam que as informações vieram da filial brasileira da empresa, mas, ao mesmo tempo, dizem que o contato deles com a companhia é Andrew Ma, o responsável pelo endereço de e-mail, que é funcionário da RiM no Canadá.

A alegação é feita pela empreiteira OAS pelo menos desde o oferecimento da denúncia contra o presidente da empresa, Leo Pinheiro, pelo Ministério Público Federal à 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, no início deste ano. A denúncia se baseia em informações obtidas por meio da quebra de sigilo do telefone BlackBerry do doleiro Alberto Youssef, que indicavam a participação do executivo no esquema de pagamento de propina a diretores da Petrobras — o objeto de investigação da “lava jato”.

Naquela ocasião, a defesa da OAS afirmava que, como não se tinham informações sobre como foram obtidas as informações sobre as mensagens trocadas entre Youssef e Pinheiro, as provas eram nulas. Alegava a defesa que, como não havia rastros do pedido de cooperação internacional, as informações foram obtidas diretamente com a empresa, no Canadá.

Os próprios agentes da PF, no entanto, contaram que uma missão da Polícia Federal foi até a sede da RiM e criou um canal de comunicação para cumprimento das ordens judiciais. As ordens eram enviadas por e-mail pela PF para um endereço de e-mail da companhia, que tem uma divisão, chamada Public Safety Operation (PSO), apenas para atender a esse tipo de pedido feito por autoridades policiais.

A RiM é uma empresa que se diz cuidadosa com seus servidores. Não adota a prática corrente no mercado de tecnologia e telecomunicações de alocar os servidores em países do Oriente Médio ou da África, com regras flexíveis sobre a guarda e a posse de dados alheios. Centraliza toda a sua operação no Canadá, onde há leis rígidas para proteção de dados. E as mensagens trocadas por meio da rede do BlackBerry, chamada BBM, são criptografadas e ficam armazenadas nesses servidores canadenses.

Para ter acesso ao conteúdo das mensagens, portanto, somente por meio de ordem judicial, que deve obedecer a um tratado de cooperação internacional. Esse tratado entre Brasil e Canadá foi promulgado no Decreto 6.747/2009, que fala especificamente da cooperação em matéria penal.

Sem fronteiras

O caminho estabelecido pelo decreto é que o pedido deve ser feito pela polícia ao Judiciário brasileiro, que o encaminha para a autoridade central (Procuradoria-Geral da República, no Brasil), que o envia à autoridade central canadense (Ministério da Justiça). Pelo que contaram os agentes da PF à Justiça Federal e à CPI da Petrobras, nada disso foi feito.

De início, o próprio juiz que toca a operação, Sergio Fernando Moro, estranhou. O pedido da PF era para que a 13ª Vara intimasse a RiM para fornecer informações sobre Alberto Youssef.

Moro pediu esclarecimentos, porque, a princípio, o destinatário da intimação que ele estava prestes a assinar deveria ser “uma empresa no Brasil, ainda que representante de outra no exterior”. Mas a PF respondeu que a interceptação seria “transmitida por canais diretos entre o Departamento de Polícia Federal e a referida empresa”.

O canal direto era Andrew Ma, funcionário da RiM no Canadá. Era ele o responsável pelo e-mail que a área de PSO criou para atender aos pedidos da PF.

Em depoimento à Justiça Federal, o delegado responsável pela “lava jato”, Marcio Anselmo, disse que os pedidos eram feitos à BlackBerry no Brasil. O mesmo foi dito pelo delegado Sergio de Arruda Costa Macedo à CPI da Petrobras na Câmara.

A CPI descobriu que houve uma missão especial de delegados da PF ao Canadá, em maio de 2012. A PF não entregou à Comissão o relatório da viagem, alegando problemas técnicos no Serpro, o serviço de processamento de dados do governo federal.

Mas Macedo contou aos deputados que foi à sede da RiM discutir procedimentos técnicos para o envio das informações pela BlackBerry de São Paulo à Polícia Federal, em cumprimento às ordens judiciais de quebra de sigilo.

Essa versão é fragilizada pelo depoimento dado pelo representante da companhia no Brasil, João Stricker, à Justiça Federal. Segundo ele, a RiM não tem servidores no Brasil. “A área que cuida de toda essa área de interceptação e de, de tudo que é solicitado nesse aspecto, fica no Canadá e se chama PSO. Essa comunicação é feita diretamente entre a PSO e quem solicitou”, disse.

Depois, o agente da PF Alonso Calda Souto disse que era o responsável por receber as ordens judiciais e encaminhá-las por e-mail à BlackBerry: “Eu recebo a ordem e envio para o e-mail, um e-mail único também, que foi disponibilizado pela BlackBerry. Ela responde nesse mesmo e-mail e eu encaminho a resposta para a unidade que solicitou”.

A defesa da OAS demonstrou, em juízo, que quem assina os e-mails é Andrew Ma, e Alsonso Calda Souto confirma que ele “é um funcionário da BlackBerry no Canadá”.

Sem informação

Em depoimento à CPI da Petrobras, o ministro da Justiça, José Edurado Cardozo, disse ter sido informado pela PF que a BlackBerry Brasil recebe a intimação judicial e transmite os dados às autoridades. Explicou que, como se tratava de uma empresa sediada no Brasil, não seria necessário um acordo específico de cooperação.

Entretanto, os deputados questionaram como se dá o tratamento formal dessas informações. Se a PF pede à filial brasileira, mas tudo fica no Canadá, como é essa tramitação? Isso precisa de tradução? O sigilo é quebrado em outro país?

Cardozo não soube responder. Coube aos delegados da PF tentar esclarecer, e, para isso, foram à Câmara depor no dia 5 de agosto deste ano. “Em geral, os delegados demonstraram desconhecer praticamente o que teriam feito no Canadá. Tudo indica que foi uma viagem para entrega de meios e esclarecimentos para a PF de como poderia lidar com os dados que receberia”, afirma o relatório da CPI da Petrobras.

Garantias

O delegado Sergio de Arruda Costa Macedo explicou que agentes da PF foram à RiM no Brasil com as ordens judiciais de quebra de sigilo e foram orientados a procurar a empresa no Canadá.

“Dentro dessa reunião [na sede da RiM no Canadá] foram estabelecidos alguns procedimentos, dentre os quais como seria feito o envio das ordens judiciais brasileiras ao escritório da BlackBerry no Brasil. E ficou estabelecido que seria um e-mail o único ponto de contato entre a Polícia Federal e a BlackBerry no Brasil. E esse e-mail, dentro da Polícia Federal, é o rim.dicor, e, dentro da BlackBerry é o pso.br. Esse foi o procedimento estabelecido”, contou o delegado.

O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) insistiu em saber o que seriam esses procedimentos, e sobre como teria acontecido a autorização judicial para a obtenção dos dados. Macedo não soube responder. E também disse não ter conhecimento do termo de cooperação Brasil-Canadá para procedimentos criminais e recuperação de ativos.

Ele também não soube precisar o que fora fazer no Canadá, apenas que “havia demandas judiciais de interceptação de BlackBerry que estavam sendo demandadas para o escritório da BlackBerry de São Paulo”.

Mas o delegado deu certeza que os dados interceptados foram enviados à PF pela “BlackBerry de São Paulo”. “A nossa viagem não viabilizou a interceptação desses dados. Simplesmente, por orientação da própria da BlackBerry do Brasil, a gente foi ao Canadá para que eles nos passassem as questões técnicas, os requisitos técnicos para que a gente pudesse receber esses dados na forma com que eles trabalham com todos os outros órgãos de segurança pública.”

Pedro Canário
No Conjur
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O papel da mídia na Lava Jato segundo Sérgio Moro


Qual o papel da mídia na Lava Jato?

Esta é a questão que caberá a Sérgio Moro responder num encontro neste final de novembro da associação dos editores de revistas, a Aner.

Soube disso por Paulo Henrique Amorim, e só não fiquei espantado porque já vi tantos absurdos que perdi o direito de me surpreender.

Nem os donos de revistas e nem Sérgio Moro parecem ter noção de uma coisa chamada conflito de interesses.

Num mundo menos imperfeito, a Justiça e a imprensa manteriam uma distância sagrada e inviolável porque é dever de cada uma delas fiscalizar a outra.

Mas no Brasil Justiça e imprensa têm uma relação promíscua, para mal da sociedade.

O pior é que juízes e jornalistas parecem não ter ideia disso. E aí é aquela coisa: quando você não sabe o problema não vai descobrir a solução.

Você encontra fotos e mais fotos de jornalistas como Merval e Reinaldo Azevedo abraçados a juízes como Gilmar Mendes, como se pertencessem à mesma torcida organizada de um clube.

Em algum momento no futuro, e esperamos que quanto antes, esta relação abjetamente íntima não será mais tolerada.

Jornalista não tem amigo, disse famosamente talvez o maior deles, Joe Pulitzer, ele mesmo imerso numa absoluta solidão para desempenhar suas funções de editor.

Juiz também não deveria ter, pelas mesmas razões: como julgar um amigo?

Que Moro ignora isso já tinha ficado claro quando ele, claramente deslumbrado, subiu a um palco para receber um prêmio da Globo.

Mais recentemente, ele abraçou o tucano João Dória numa palestra para empresários. Tutti fratelli, pareciam dizer. Todos irmãos.

Mas agora ele superou, dado o papel destrutivo e desonesto das revistas na cobertura da Lava Jato, sobretudo a Veja de Giancarlo Civita.

Se tivesse algum conhecimento jornalístico, Moro diria, diante da pergunta que lhe competirá responder: apurar as coisas com cuidado.

Jamais fazer, por exemplo, o que a Veja fez no segundo turno ao publicar uma capa com uma afirmação do delator Youssef que se comprovou absolutamente falsa.

Para lembrar, a revista disse que o delator afirmara que Dilma e Lula sabiam de tudo no escândalo da Petrobras.

Isso quase deu a vitória a Aécio, tamanha a exploração dessa falácia pela Veja no maior colégio eleitoral do país, São Paulo.

Quando vieram à luz os fatos, alguns meses depois, com a publicação da delação real de Youssef, ficou claro que ele não dissera o que a Veja lhe atribuíra.

Dilma prometeu processar a Veja, mas aparentemente ela — infelizmente para a sociedade, vítima do gangsterismo da revista — desistiu.

Quanto a Moro, já que ele não tem conhecimento nenhum para falar com propriedade de qual deveria ser o papel da mídia numa operação com a Lava Jato, ao menos ele poderia ser breve e responder, com os fatos que estão aí.

Sua resposta caberia numa linha curta: “O papel da mídia é publicar vazamentos escolhidos para matar o PT.”

Paulo Nogueira
No DCM
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Bastidores de uma tragédia

Os relações públicas da Samarco dão uma surra no Estado brasileiro, que sucumbe ao poder econômico



O rio do Carmo, 50 quilômetros abaixo de onde as barragens romperam!

A mineradora Samarco, joint venture da Vale com a australiana BHP Billiton, teve um lucro líquido de R$ 2,8 bilhões em 2014. Ou seja, limpinhos!

Como se sabe, o Brasil é uma “mãe” para as mineradoras. A Agência Pública fez uma reportagem interessante a respeito, quando Marina Amaral perguntou: Quem lucra com  a Vale?

O “pai” das mineradoras é Fernando Henrique Cardoso. Em 1996, com a Lei Kandir, isentou de ICMS as exportações de minérios!

O que aconteceu com a Vale, privatizada a preço de banana, é o mesmo que se pretende fazer com a Petrobras: colocar a empresa completamente a serviço dos acionistas, não do Brasil.

O que isso significa?

Auferir lucros a curto prazo, custe o que custar.

A questão-chave está no ritmo da exploração das reservas minerais.

Num país soberano, o ritmo é ditado pelo interesse público. É de interesse da população brasileira, por exemplo, inundar o mercado com o petróleo do pré-sal, derrubando os preços? Claro que não.

Quem lucra, neste caso, são os países consumidores. Os Estados Unidos, por exemplo. Portanto, quando FHC privatizou parcialmente a Petrobras, vendendo ações na bolsa de Nova York, ele transferiu parte da soberania brasileira para investidores estrangeiros. Eles, sim, querem retorno rápido. Querem cavar o oceano às pressas, até esgotar o pré-sal. É a dinâmica do capitalismo!

O Brasil é um país sem memória. Não se lembra, por exemplo, do que aconteceu na serra do Navio, no Amapá. Uma das maiores reservas de manganês do mundo foi esgotada porque interessava aos esforços dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Ficamos com o buraco e a destruição ambiental…

Obviamente, não é um problema brasileiro. Fui pessoalmente às famosas minas de diamante de Serra Leoa, na África, que mereceram uma visita da rainha Elizabeth. Investiguei o entorno. O local de onde sairam bilhões de dólares em diamantes não tinha rede de esgoto, nem de distribuição de água.

O mesmo está acontecendo neste exato momento com o coltan, do Congo, um mineral utilizado pela indústria eletroeletrônica. A exploração do coltan financia uma guerra interminável de milicias, que exportam o mineral para a Bélgica praticamente de graça!

Serra Leoa, Congo, Brasil…

Infelizmente, estamos no mesmo nível.

Como denuncia seguidamente o Lúcio Flávio Pinto, o ritmo da exploração do minério de ferro de Carajás é um crime de lesa-Pátria.

Por que haveria de ser diferente nas reservas de Minas Gerais?

A economia do estado, tanto quanto a brasileira, ainda é extremamente dependente da exportação de commodities. À Vale interessa produzir rápido, derrubar o preço a qualquer custo para apresentar lucro no balanço.

Infelizmente, a elite brasileira até hoje se mostrou incapaz de formular um projeto soberano de país. Isso vale para PSDB, PT e todos os outros, como ficou evidente na tragédia de Mariana.

Não podemos culpar a mineradora Samarco pela tragédia antes de uma investigação independente e rigorosa. Mas, será que ela vai acontecer?

Do prefeito de Mariana ao senador tucano Aécio Neves, passando pelo governador petista Fernando Pimentel, todos deram piruetas para salvaguardar a Samarco. Pimentel deu uma entrevista coletiva na sede da mineradora!

Enquanto isso, milhões de metros cúbicos de lama desceram o rio do Carmo e chegaram ao rio Doce.

A Samarco diz que a lama é inerte, ou seja, não oferece risco à saúde.

Numa situação ideal, não caberia à Samarco dizer isso — com reprodução martelada em todos os telejornais da Globo.

O familiar de um desaparecido comentou comigo que, na Globo, as vítimas da tragédia não tinham rosto…

A Vale, afinal, é grande patrocinadora.

Espanta é que os governos federal, estadual e municipal, que em tese deveriam atuar de forma independente — em nome do interesse público — não o façam.

A primeira providência em um país civilizado seria uma análise de emergência na lama, para determinar se ela oferece algum risco à saúde.

Afinal, milhões de brasileiros podem entrar em contato com os rejeitos, seja nas margens dos rios, seja através da água consumida.

Além disso, o tsunami de lama carregou corpos humanos e de animais por uma longa extensão, de centenas de quilômetros.

No entanto, a não ser pelo esforço de relações públicas da Samarco, as pessoas afetadas, como testemunhei pessoalmente, estão totalmente no escuro.

Mais adiante, outras questões importantes vão surgir.

O rio do Carmo foi completamente destruído, de ponta a ponta. Quem vai pagar a conta? O Estado brasileiro ou a Samarco?

A Samarco fez o que se espera de uma empresa privada, que pretende minimizar os impactos sobre si do desastre ambiental que produziu.

De forma competente, acionou seu esquema de relações públicas para deixar no ar a ideia de que o rompimento de duas barragens foi consequência de um terremoto.

Transferiu os desabrigados para hoteis, evitando a ebulição de centenas de pessoas que, conjuntamente, poderiam conjurar contra uma empresa da qual sempre desconfiaram.

Conversei com os sobreviventes de Bento Rodrigues: todos sempre acharam um exagero o crescimento vertical, contínuo, da barragem, para guardar mais e mais lama.

Segundo eles, a Samarco começou a comprar novas áreas de terra porque pretendia construir uma outra barragem, mais próxima do povoado, para dar conta do armazenamento dos rejeitos.

Que a Samarco cuide de seus interesses é parte do jogo.

O espantoso é ver a captura do Estado brasileiro, em todas as esferas, pelo interesse privado.

Basta uma consulta às pessoas comuns, que vivem sob as barragens de rejeitos — que se contam às centenas em Minas — para que elas denunciem: as empresas aumentam indefinidamente as cotas, sem transparência, sem qualquer consulta pública, sem planos de resgate de emergência, sem um básico sinal sonoro para dar o alerta em caso de acidente.

É bem mais barato que construir uma nova barragem, certo? Lembrem-se: estas empresas estão a serviço do lucro de seus acionistas e a maioria deles não mora em Mariana, provavelmente nem mora no Brasil.

Minas Gerais, acossada pela crise econômica, sucumbe à lógica das mineradoras: como denunciou o leitor Reginaldo Proque, está tramitando na Assembleia Legislativa um projeto para simplificar o licenciamento ambiental, de autoria do governo Pimentel.

Em resumo, os desabrigados das margens do rio do Carmo fazem o papel, em carne e osso, da crise de representação da política brasileira.

Ninguém os ouve, nem consulta.

Quando muito, são sobrevoados por helicópteros que “representam” um Estado servil ao poder econômico.

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Se a nota ‘errada’ sobre o filho de Lula continua no ar, a correção do Globo é mentira

Lulinha, da Friboi
A famosa correção da nota de Lauro Jardim no Globo, segundo a qual o delator Fernando Baiano teria citado um filho de Lula, gerou o barulho esperado, mas é uma meia culpa — com o perdão do trocadilho infame.

A barrigada que deu origem à série continua firme e forte no ar, desacompanhada de qualquer errata, como você pode ver aqui. Ou seja, na prática, a correção não tem validade.

Lá está a “bomba”:

“Está destinada a causar um estrondoso tumulto a delação premiada de Fernando Baiano, cuja homologação foi feita pelo ministro Teori Zavascki na sexta-feira. O operador (de parte) do PMDB na Petrobras pôs no olho do furacão nada menos do que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.” Etc etc.

A falsa denúncia continuará desinformando milhares de revoltados on line. É uma versão renovada da clássica matéria da revista Forbes que colocava a família entre as mais ricas do mundo. A reportagem nunca existiu, mas desde então Lulinha é dono da Friboi.

As derivações também seguem no jornal sem qualquer aviso de que estão baseadas num, vamos dizer, “equívoco”. “A nora de Lula denunciada por Baiano é a mulher de Lulinha”, cravou o Lauro dias após a história original. Segue no site para quem quiser.

A indigência é tamanha que Lauro não chega a um acordo quanto ao número de noras de Lula — uma hora fala em três, noutra em quatro.

O desmentido tímido foi publicado no Globo quase um mês depois, sendo que sumiu da home à noite. Era um truque com os leitores e com as vítimas, já que a mentira permanece acessível a qualquer clique, prontinha para ser usada, exatamente como veio ao mundo.

Kiko Nogueira
No DCM
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Merval: PSDB errou ao colocar suas fichas no impeachment. E as suas, Merval?


No seu comentário, hoje, na rádio CBN, ainda comemorando a miniaturização de Lauro Jardim depois do “quebrei a cara na estreia” de “O Globo errou” sobre Lulinha, Merval Pereira voltou a assumir, com toda a autoridade, o ar de grande estrátego da oposição brasileira.


“O PSDB errou muito ao jogar todas as suas fichas no impeachment, não apenas no impeachment, mas em encontrar um caminho para o impeachment passando por cima de várias etapas…Pressionado pelos movimentos de rua, os jovens deputados do PSDB foram muito afoitos, achando que podiam apressar, não entendendo que com isso estavam dando condições ao governo de denunciar um golpe…”

Apressar, “seo” Merval? Mas quem mais apressadinho que o senhor, que  na véspera da eleição, embalado pela criminosa capa da revista Veja, escrevia que se as delações mostrassem beneficiamento de Dilma e de Lula — algo em que duzentas vezes ele disse ter havido, de lá para cá —  “o impeachment da presidente será inevitável, caso ela seja reeleita no domingo“.

Se alguém jogou todas as fichas no impeachment na mídia, tirando os siderados da Veja — aquela turma que acha comunismo até em videogame — foi o senhor Merval Pereira, que agora joga a toalha, apesar de, olimpicamente, fazer a ressalva de que, na condição de membro honorário do STF, do Senado e da Santíssima Trindade, está “convencido de que há razões para o impeachment”.

Ah, a propósito, Merval desanca Eduardo Cunha, dizendo que ele era um político suspeito desde antes de aparecerem as contas na Suíça. O estimado leitor e a cara leitora devem se lembrar de como o colunista de O Globo combateu Eduardo Cunha, como o denunciou, como protestou contra sua eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, não é?

Não lembram, não? Como vocês são desmemoriados…

O fato objetivo é que Merval fala como porta-voz da “velha guarda” tucana, que está furiosa com o que Merval chama de “cabeças-pretas” do partido, aecistas todos, que transformaram o partido numa sucursal parlamentar do “Revoltados Online” e acena para que usem o documento do PMDB como eixo de articulação da oposição.

O problema, Merval, continua. Com quem negociar com o PMDB sem que se desenhe o golpismo? Com o próprio Cunha? Com Michel Temer que, se assumir uma posição “impixista”  vai se expor à condição de traidor que quer abocanhar o poder presidencial?

O projeto golpista — parte I — ruiu. E está difícil assumir que a fase dois é bloquear a candidatura Lula em 2018. E não é no voto, é na mídia e na manipulação de delações, ações e investigações policiais e judiciais.

Porque as fichas da UDN, a velha e a esta versão 2.0 que temos por aí, não foram nunca os votos, e sua mesa não eram as urnas, onde só teve um rápido e frustrante sucesso, com Jânio Quadros, assim mesmo “de carona”.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Confira a íntegra do documento em defesa do PT, da verdade e da democracia


O Partido dos Trabalhadores divulgou, nesta quarta-feira (11), o documento em defesa da legenda, da verdade e da democracia.

A publicação, de 32 páginas, foi elaborada por um grupo de dirigentes da Comissão Executiva Nacional do PT, diante dos ataques contra a sigla.

No texto de abertura da revista digital, que também será disponibilizada impressa nos diretórios regionais, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, fala sobre a escalada de mentiras, calúnias, factoides, distorções e manipulações na tentativa de criminalizar a sigla.

Comandada pela mídia monopolizada, a campanha de cerco e aniquilamento conta com a colaboração solerte de políticos de vários partidos, de setores do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal”, explica Rui.

Rui Falcão reforça a importância de a militância compartilhar e divulgar o documento, como forma de defesa da legenda.

Na revista, o PT apresenta dados para contrapor a campanha de ódio, intolerância e mentiras contra o governo Dilma Rousseff e contra a sigla.

Além disso, o caderno reforça a importância dos governos petistas para o combate à corrupção do Brasil, critica a Operação Lava Jato, utilizada para criminalizar o PT, e apresenta diversas comparações entre, por exemplo, doações ao PT e a outros partidos políticos.

“Empresas fizeram doações quase iguais ao PSDB e ao PT nas eleições nacionais, inclu- sive as apontadas na “Operação Lava Jato”. Nas eleições para o governo de São Paulo, o PSDB recebeu o dobro no quadro geral e levou 92% das doações de empresas da “Operação Lava Jato”, diz o texto.

“Empresas acusadas de participarem do chamado Trensalão bancaram mais da metade da campanha de Geraldo Alckmin, sem que isso incriminasse o governador de São Paulo e seu partido, o PSDB. Por que, então, acusar as finanças do PT, todas legais e declaradas à Justiça Eleitoral, de ilícitas e originárias de propina?”, continua o documento em defesa do PT.

A revista digital também faz críticas à atuação da mídia, que divulga notícias de forma tendenciosa e com a intenção de criminalizar o PT.

O escandaloso muro de silêncio sobre o Petrolão do PSDB não se limita à Força Tarefa e ao juiz Sergio Moro. No dia 7 de fevereiro de 2015, quando já eram públicas as primeiras informações sobre o cartel e as propinas no governo FHC, a Rede Globo proibiu expressamente qualquer menção ao ex-presidente tucano em seus noticiários sobre a “Operação Lava Jato”, lembra o documento.

Leia e divulgue o documento, na íntegra.
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Mídia estimula locaute de caminhoneiros

Por motivos óbvios, a mídia patronal sempre foi radicalmente contra as greves dos trabalhadores. Ela só apoia uma "paralisação" quando esta tem objetivos sinistros. Assim foi no Chile, em 1972, quando o jornal El Mercurio estimulou o locaute dos caminhoneiros, que ajudou a criar o clima para o golpe que depôs o presidente Salvador Allende e resultou na ditadura sanguinária de Augusto Pinochet. Foi assim também no Brasil, em 1964, quando a imprensa apoiou a "revolta dos sargentos", que serviu de pretexto para o golpe militar. Nesta semana, dois episódios evidenciam esta manipulação. A mídia dá destaque ao locaute ilegal dos caminhoneiros e invisibiliza e criminaliza a justa greve dos petroleiros.

Os jornais e as emissoras de rádio e tevê apresentam uma overdose de notícias sobre a tal "greve dos caminhoneiros". Há detalhada descrição das estradas bloqueadas, longas entrevistas com os "líderes grevistas" e forte exposição da sua "pauta de reivindicação". Na prática, como confessam os próprios conspiradores, a "paralisação" tem um único objetivo: "derrubar a presidenta Dilma". O movimento não conta sequer com o apoio dos sindicatos da setor e, segundo estas entidades, já está em franco declínio, sobrevivendo apenas graças à violência dos bloqueios nas estradas. Mesmo assim, a mídia patronal não para de falar na "greve dos caminhoneiros", num evidente estímulo à ação golpista.

No noticiário desta terça-feira (10), a Folha registrou, sem qualquer menção crítica, que a "greve" já atingia 28 pontos em sete Estados, "sendo 17 bloqueios parciais e onze pontos de concentração sem interditar as pistas". O jornal da famiglia Frias, conhecido por suas históricas posições golpistas, deu até o mapa da "paralisação", Estado por Estado. No mesmo rumo, Estadão e O Globo também deram destaque em suas capas à "greve dos caminhoneiros". O termo locaute, que caracteriza um crime pela atual legislação, nem sequer é usado pela mídia patronal. É explícita a torcida dos barões da imprensa pela ampliação da paralisação, que pode resultar inclusive no desabastecimento da economia. 

Dilma denuncia "componentes de crime"

Diante desta evidente conspiração — que reúne oportunistas do setor e grandes empresários, contando com o apoio da mídia privada —, o governo Dilma parece que finalmente decidiu reagir. Nesta terça-feira, a presidenta afirmou que o movimento tem "componentes de crime". Durante visita as obras do Metrô do Rio de Janeiro, ela foi enfática: "Tem que ficar claro que reivindicar neste país é um direito de todo mundo. No Brasil, há muito tempo que isto não é crime, porque lutamos por isso. Agora, este país é responsável. Interditar estradas, comprometer a economia popular, desabastecer alimentos ou combustíveis, isso tem componentes de crimes já previstos", relata o Jornal do Brasil.

Já o paquidérmico ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, mostrou que ainda tem algum sangue nas veias e "determinou que a Polícia Rodoviária Federal aplique multas e, se for preciso, use a força para desobstruir rodovias bloqueadas por caminhoneiros", relata a repórter Paula Soprana, do revista Época. Ela ainda informa que "a advocacia-Geral da União estuda a possibilidade de ajuizar ação contra os motoristas que participam da interdição de vias". Sem qualquer sinal de crítica, a publicação da famiglia Marinho destaca que o "protesto foi convocado pelo Comando Nacional do Transporte e conta com o apoio de movimentos sociais [sic] como Vem Pra Rua, Revoltados Online, Avança Brasil, Maçons BR e o Movimento Brasil Livre". Os grupelhos fascistas até parecem inofensivos!

A justa greve dos petroleiros

Enquanto dá ampla e "neutra" cobertura ao locaute ilegal dos "caminhoneiros", a mídia patronal tenta invisibilizar a justa greve dos petroleiros — deflagrada no domingo retrasado. Não há qualquer "mapa" da paralisação, Estado por Estado, nem entrevistas com os líderes sindicais. Nesta terça-feira, informa a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a segunda rodada de negociação com a estatal foi suspensa. Apesar da intransigência do governo, a categoria segue paralisada "pela retomada dos investimentos, manutenção dos ativos, preservação dos postos de trabalho, mudanças na área de segurança e saúde e manutenção de direitos". A greve atinge as principais unidades da Petrobras.

"Sem avanço na negociação, a tendência é que a categoria radicalize seu movimento. Os informes dos sindicatos da FUP são de que em várias unidades a produção nas unidades do Sistema Petrobrás está paralisada ou parcialmente interrompida", descreve o boletim da federação. A mídia patronal, que historicamente sempre sabotou a estatal e seus trabalhadores, faz de conta que nada está acontecendo. A paralisação quase sumiu do noticiário. Quando ela é citada, o objetivo é de criminalizá-la. 

Na sexta-feira (6), a Folha até publicou editorial venenoso contra a paralisação. A mesma famiglia Frias, que acoberta o locaute dos "caminhoneiros", critica a "irresponsável greve dos petroleiros" e afirma que a Petrobras "se tornou uma organização capturada não só por partidos, mas também por sindicatos e parte do corpo executivo, que se valem de posições de comando e influência para impor agenda própria e obter vantagens desmedidas. São grupos que trabalham em detrimento dos direitos e benefícios dos acionistas, ultrajando princípios como gestão eficiente e integridade nas relações com a coletividade". Na greve dos petroleiros, a Folha não escamoteia as suas posições patronais!

Altamiro Borges
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“Caminhoneiro” de matéria da RBS TV tem o mesmo nome e cara de vereador do PP em Três Cachoeiras

Vereador de Três Cachoeira, Flavio Raupp Lipert (PP), à direita na foto
O Jornal do Almoço, da RBS TV (Globo), exibiu nesta terça-feira uma reportagem intitulada “Caminhoneiros fazem paralisação e pedem por melhorias nas condições de trabalho no RS”.

A matéria trata da greve dos caminhoneiros autônomos que têm como uma das suas principais reivindicações a renúncia da presidenta Dilma Rousseff. A reportagem, (assista abaixo) entre outras coisas, mostra a mobilização dos motoristas no município de Três Cachoeiras e traz o depoimento do “caminhoneiro” Flávio Lipert que cobra diálogo do governo a garantia de um trabalho com dignidade para a categoria. Excluída a possibilidade de uma incrível conjunção de homonímia com semelhança física, o caminhoneiro em questão é o vereador de Três Cachoeiras, Flávio Raupp Lipert, eleito vereador para a Legislatura 2013-2016 pelo PP, com 740 votos.



O vereador Flávio Lipert seria caminhoneiro? Sua página no Facebook, que ainda traz muitas publicações da campanha da senadora Ana Amélia Lemos para o governo do Rio Grande do Sul, informa que ele é proprietário da empresa FRL Assessoria e não traz registros de sua atividade como caminhoneiro. Os guias telefônicos na internet indicam o Escritório de Advocacia Flavio Raupp Lipert como uma empresa de confiança sediada no município de Três Cachoeiras. Deve ser tudo uma grande coincidência, é claro.

Marco Aurélio Weissheimer
No RS Urgente
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Portugal: cai governo de Passos Coelho, e partidos de esquerda devem formar novo gabinete

PS, Partido Comunista, Bloco de Esquerda e Verdes apresentaram moções pedindo dissolução do gabinete; esquerda tem maioria no Parlamento

Governo de Pedro Passos Coelho em Portugal caiu no fim da tarde desta terça-feira (10/11)
O governo do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho (PSD) foi dissolvido no fim desta tarde (horário local) (10/11) em Portugal com 123 votos a favor e 107 contra. Com o resultado, a aliança do Partido Socialista (PS) com agremiações de esquerda deve assumir o governo do país, já que tem maioria no Parlamento.

Os quatro partidos que devem entrar no governo — PS, PCP (Partido Comunista Portugês), o BE (Bloco de Esquerda) e o PEV (Partido Ecologista “Os Verdes”) — apresentaram moções pouco antes pedindo a dissolução do gabinete de Passos Coelho. A feita pelos Socialistas foi aprovada e, assim, marcou o fim de 4 anos de administração do PSD.

A expectativa é que o líder do PS, António Costa, vire o novo premiê do país. Após a aprovação da moção, Costa afirmou que "aguarda serenamente" a decisão do presidente Aníbal Cavaco Silva, que é o responsável por nomear alguém para formar governo.

Na semana seguinte à eleição, Passos Coelho tentou negociar uma aliança com o PS para formar um governo com maioria parlamentar, porém não obteve resultados.

Líder do PS (Partido Socialista) e provável futuro premiê, António Costa, discursou na Assembleia da
República, em Lisboa
Em discurso nesta tarde no plenário da Assembleia, Costa adotou um tom duro contra o governo. “O que [Passos Coelho] nos apresenta é um executivo minoritário, que não criou condições de governabilidade e estabilidade. Portugal precisa de um novo governo”, disse. “Acabou um tabu, derrubou-se um muro, venceu-se mais um preconceito”, declarou ele, em referência à importância histórica dos acordos entre a esquerda portuguesa.

“Querem converter uma soma de derrotas numa maioria negativa para afastar o governo que ganhou as eleições”, declarou Passos Coelho, também em discurso no plenário. “Sempre defendemos o serviço público, mesmo quando fizemos privatizações”, afirmou. Um dos líderes do PSD na Assembleia, Luís Montenegro, declarou que “hoje se derruba o governo do povo, o governo que o povo escolheu”.

Entenda o caso

Em 22 de outubro, o presidente Cavaco Silva indicou Passos Coelho para formar um novo governo, após sua legenda, Portugal à Frente, ficar à frente nas eleições com 36,8% dos votos. No entanto, a coligação não conseguiu a maioria dos assentos na Assembleia. O PS, que registrou 32,4% no pleito de 4 de outubro, articulou uma aliança com os partidos de esquerda, que soma mais da metade das cadeiras do Parlamento.

Pedro Passos Coelho assumiu o cargo em junho de 2011, substituindo o socialista José Sócrates. Em troca do pacote de resgate financeiro da chamada Troika (União Europeia, Banco Central Europeu e FMI) para sair da crise econômica, o governo de Passos Coelho implementou medidas de austeridade, com corte em benefícios sociais e aumento de impostos.

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