10 de nov de 2015

PSDB e DEM sempre “chafurdaram” na corrupção e não têm moral para acusar Dilma, diz Solla


Solla diz não haver acordo com Cunha e cobra cassação

O deputado federal Jorge Solla (PT-BA) cobrou a oposição para que dê celeridade ao pedido de cassação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em pronunciamento no plenário da Câmara de Deputados, nesta terça-feira (10). O petista negou haver qualquer acordo com a bancada de seu partido para livrar a cabeça do peemedebista.

“Não faço acordo com corruptos. Não há nenhum acordo com Eduardo Cunha. Assinei, assim como a maioria da bancada do PT, o pedido de cassação de seu mandato. E se precisar de minha assinatura para colocar para votar amanhã sua cassação neste plenário, eu assino”, disse.

O deputado recordou que quem elegeu e apoiou Eduardo Cunha nos momentos em que o presidente da Câmara foi alvo das investigações foram os deputados da oposição. “Quando elegeram Eduardo Cunha presidente da Câmara, sabiam o corrupto que estavam colocando aqui. Elegeram, sustentaram e sustentam um corrupto. Fizeram com o único e exclusivo objetivo de criar instabilidade política e tentar viabilizar o impeachment de Dilma”, afirmou.

“Esta casa precisa dar a única resposta possível para esta situação vexatória, que é cassar o presidente desta Câmara. Qualquer atitude que não seja esta é estar conivente com a presença deste senhor no comando da Câmara e merece a repulsa de toda a população”, completou.

Por fim, Jorge Solla ainda ironizou a explicação de Cunha para as contas na Suíça em nome de empresas Off-shore que têm o próprio presidente da Câmara como beneficiário final. “Por tudo que fez nesta Câmara neste ano, todas as manobras, todas as negociatas, eu estimava mais a perspicácia do presidente da Câmara. Não é possível que ele acredite mesmo que com essa desculpa esfarrapada vá convencer este parlamento e o povo brasileiro”, disse.

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Mensalão tucano, uma história surreal!

Até a Folha tucana está envergonhada e não tem mais como esconder esta história absurda, surreal. No Brasil, como se fosse uma cláusula pétrea, nenhum tucano de alta plumagem vai para a cadeia! Basta se filiar ao PSDB, que a impunidade está garantida. Em editorial publicado na semana passada, o jornal criticou a morosidade do Judiciário no julgamento do chamado "mensalão tucano" — que até recentemente o próprio veículo chamava carinhosamente de "mensalão mineiro" para aliviar a barra dos culpados. Vale conferir o artigo, que partindo de onde partiu pode representar um novo capítulo na sangrenta guerra no ninho entre os paulistas e os mineiros que se bicam pelo controle da legenda:

* * *

Editorial - 04/11/2015

História sem fim

Publicada por esta Folha, a reportagem "Mensalão tucano segue parado na Justiça" mostra que se tornou real um receio manifestado não só por petistas, mas por todos os que esperam do Judiciário uma atuação imparcial, pouco importando para o desfecho do processo as características pessoais do réu — como sua filiação partidária.

Encontra-se parada há nada menos que 19 meses a ação movida contra Eduardo Azeredo (PSDB), ex-governador de Minas Gerais. Remetido aos tribunais mineiros em março de 2014, o caso tardou um ano até chegar aos cuidados da juíza substituta da 9ª Vara Criminal de Belo Horizonte.

Na última sexta (30), completaram-se mais sete meses sem novidades. Falta apenas a sentença, mas a magistrada reclama, não sem razão, da extensão da ação penal (são 52 volumes). Afirma que só anunciará a decisão após estudá-la a fundo. É justo.

Pode-se lembrar, todavia, talvez com ainda mais razão, que o processo estava pronto para ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal em fevereiro de 2014. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedia a condenação de Azeredo a 22 anos de prisão.

Segundo a acusação, Azeredo desviou recursos públicos para bancar sua campanha à reeleição, em 1998, por meio de um esquema montado pelo publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza - anos depois condenado por participação no mensalão petista.

Doze dias após Janot apresentar suas alegações finais, Azeredo renunciou ao mandato de deputado federal. Com isso, abdicou do foro privilegiado, e o STF enviou o processo à primeira instância.

A manobra surtiu o efeito que Azeredo desejava, e o exemplo logo foi seguido pelo empresário Clésio Andrade (PMDB-MG), que renunciou a seu mandato no Senado em julho de 2014. Seu processo também foi remetido à 9ª vara de Belo Horizonte, onde pouco avançou.

Após tantas delongas, o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia e o tesoureiro da campanha de 1998, Cláudio Mourão, já se livraram das acusações; Azeredo poderá se beneficiar da prescrição em 2018.

No ritmo manso da Justiça diante do chamado mensalão tucano, já não espantará se todos terminarem impunes — e a maior suspeita incidirá sobre o próprio Judiciário.

* * *

O editorial é quase irretocável. A Folha só cometeu um erro. A maior suspeita sobre a impunidade de Eduardo Azeredo não incidirá somente sobre o Judiciário. Ela também recairá sobre a mídia parcial e partidarizada. Durante o triste reinado de FHC, a imprensa privatista, empolgada com a imposição do receituário neoliberal de desmonte do Estado, da nação e do trabalho, evitou cumprir o fictício papel do quarto poder, fiscalizando os tucanos. Houve até denúncias de corrupção, mas elas sempre foram tímidas em função da defesa do projeto maior do neoliberalismo. A privataria das estatais e a compra dos votos para a reeleição de FHC, só para citar dois exemplos, nunca foram investigadas a fundo.

Com o novo ciclo político aberto com a vitória de Lula no final de 2002, porém, a mídia partidarizada mudou radicalmente de postura. Como teorizou a tagarela Judith Brito, executiva da própria Folha e então presidenta da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), a imprensa passou a exercer a "posição oposicionista". Nos últimos anos, principalmente a partir da operação midiática-judicial do chamado "mensalão petista", o seu esforço foi para criar no imaginário popular a ideia de que a corrupção foi inventada pelo PT. Na prática, a mídia ajudou a chocar o ovo da serpente fascista, que se expressa nas cenas de ódio de alguns midiotas que rosnam pelo "Fora Dilma" e pela volta dos militares ao poder.

Neste período, o julgamento do "mensalão tucano" — que envolveu exatamente as mesmas figuras que deram origem ao "mensalão petista" - simplesmente foi esquecido. Na sua falsa cruzada moralista, a mídia seletiva preferiu ocultar os tucanos acusados de corrupção — sejam os envolvidos no "mensalão mineiro" ou na construção de "aecioporto", sejam os metidos nas maracutaias do metrô paulista — que a imprensa até hoje rotula carinhosamente de "cartel dos trens". Neste sentido, a total impunidade dos caciques do PSDB não é culpa, apenas, do Judiciário. A mídia ajudou a construir esta história surreal.

Em tempo: Outra prova cabal de que os tucanos não vão para a cadeia foi dada no final de outubro. O ministro Teori Zavascki, do STF, determinou o arquivamento do inquérito que investigava a denúncia de que o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) recebeu R$ 1 milhão do doleiro Alberto Youssef no esquema de corrupção da Petrobras. Ele acolheu parecer da Procuradoria Geral da República, que não apontou elementos para a continuidade das investigações, contrariando a própria Polícia Federal. O ex-governador de Minas Gerais comemorou a decisão: "Serenamente, confiei na Justiça. E agora ela acontece. Agradeço o apoio de todos". De fato, basta ser filiado ao PSDB para escapar da cadeia!

Altamiro Borges
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Cunha mostra passaportes com 37 viagens à África para provar que vendia carne moída


Eduardo Cunha teria mostrado a líderes da oposição e governistas cópias de seus passaportes para comprovar a fabulosa Tese da Carne Moída.

Neles, apareceriam 37 carimbos de países como Zaire e Congo, onde ele vendia a carne. Assim o presidente da Câmara amealhou sua fortuna, segundo ele mesmo.

O Brasil é surreal.



No DCM
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O senso incomum do conservadorismo

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=7832

O principal inimigo da inteligência é o senso comum. A sua grande astúcia é se exibir como o máximo da sabedoria e da sensatez. O senso comum é a inteligência da burrice. Em todas as situações, ele escolhe o caminho mais fácil e só aparentemente mais lógico. As cadeias estão lotadas, o senso comum sustenta que há impunidade. O combate às drogas fracassa, o senso comum garante que falta repressão. A desigualdade aumenta, levando com ela a violência, o senso comum explica que é melhor diminuir os investimentos sociais.

O senso comum é a ignorância ao alcance de todos pelo menor preço. O país está em crise, o senso comum entende que a saída é criar desemprego. Diante de qualquer crítica às distorções do capitalismo, com suas famosas devastadoras crises cíclicas, o senso comum reage simplificando: “Vai pra Cuba, comunista safado”. Se alguém critica a hipocrisia da oposição, também afundada em escândalos de corrupção e com percepção seletiva para denúncias, só vendo a ladroeira do adversário, que age da mesma maneira, o senso comum tem resposta pronta: “Coisa de petralha”. O senso comum é a pobreza de espírito satisfeita com sua performance esquálida, mas sem complexo de inferioridade.

O senso comum nunca se olha no espelho.

Inculto por excesso de confiança, o senso comum adora dar conselhos de especialista: “Fica no teu campinho, que tu dominas”. O senso comum é metástase do cérebro. O clichê torna-se medida de sofisticação, a banalidade vira parâmetro de originalidade, o reducionismo toma o lugar da complexidade, a estupidez se converte em argumento lógico. O senso comum costuma se expressar pela indignação moralista, que confunde com moralidade. O senso comum resulta da sistemática falta de observação do vivido, que se dissimula de realismo e de sistematização de “conhecimentos” práticos. O senso comum detesta intelectuais e teóricos, salvo quando eles legitimam seus dogmas. O senso comum é pragmático, oportunista e antagônico.

Antagônico, no caso, deve ser entendido como, digamos, um neologismo: anta fingida. O senso comum é alta filosofia do homem “midiocre”. O senso comum radicaliza as dicotomias ao mesmo tempo em que as declara ultrapassadas ou extintas. Considera chato tudo o que supera a sua lógica rasteira do entretenimento supostamente sem ideologia. De resto, para o senso comum ideologia é sempre o pensamento do outro, aquele que o contraria ou desmascara. Diante de qualquer pensamento desconstrutor, o senso comum saca o seu revólver falso e dispara uma saraivada de balas de goma açucaradas com o molho da mediocridade. Em 1888, o senador Paulino de Souza, representante máximo do senso comum escravista, indignava-se dizendo que a abolição da escravatura era inconstitucional, antieconômica e desumana.

O senso comum exala uma incomum capacidade para defender o pior como melhor. Motoristas cometem infrações de trânsito em demasia, o senso comum culpa a indústria da multa. As coisas andam mal, o senso comum tem a explicação: culpa da esquerda retrógrada ou da direita.

O senso comum tem a incomum capacidade de errar por excesso de acerto.
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O que passou pela cabeça de Roberto Civita ao usar um avião pago pelos cidadãos mineiros?

“Ele não toma decisão nenhuma sem me consultar”
Tive uma relação franca e aberta com Roberto Civita em meus anos de Abril. Uma vez ele me disse que me tinha como a um filho, e em outra me chamou de um dos melhores publishers do mundo, uma “mosca branca”, para usar sua expressão, por eu reunir segundo ele habilidades de editor e de administrador.

Pessoalmente, era uma pessoa adorável, um contador de casos divertido e inteligente.

Roberto Civita teria sido um excelente embaixador da Abril, uma posição em que poderia usar as virtudes que lhe faltavam como editor.

Jornalistas, dizia ele, têm uma vantagem sobre todas as demais atividades. Podem saciar sua curiosidade sem parecerem fofoqueiros: é o jornalismo que as leva a fazer perguntas e mais perguntas, muitas delas indiscretas.

Até por causa disso, jamais deixei de perguntar nada a RC. Nos últimos anos dele, perguntei várias vezes como ele deixara a Veja chegar ao abismo editorial em que hoje está atolada.

Cheguei a cunhar uma expressão em 2006: a Veja se “mainardizara”. Tornara-se uma extensão do então colunista Diogo Mainardi.

Curioso notar, quase dez anos depois, que a imprensa como um todo se mainardizou, na fúria persecutória e desonesta contra Lula.

Tudo isso posto, eu perguntaria a Roberto Civita, hoje, se não lhe ocorreu que era uma indecência viajar no avião de Minas Gerais, com a mulher Maria Antônia, por convite de Aécio.

Milton Friedman, o brilhante economista conservador, tinha uma frase muito citada na mídia brasileira: “Não há almoço grátis.” Jornalistas da Folha dizem que era o motto de Octavio Frias, o velho.

Também não existe vôo grátis. Alguém paga, e no caso era o contribuinte mineiro. A gasolina, o piloto, a manutenção, tudo isso foi bancado, na viagem de RC e sua mulher, pelo cidadão de Minas.

É parte da cultura da plutocracia brasileira: nós podemos tudo.

Você pode imaginar como a Veja trataria o assunto se chegasse à revista a informação de que Lula e Mariza voaram de graça num avião cedido por um governador petista.

É uma lei não escrita segundo a qual os escravos têm que obedecer a leis que não vigoram para os donos.

O episódio joga luzes também nas relações entre Aécio e o PSDB e os barões da mídia.

Os tucanos optaram, em sua trajetória, em se acercar não do povo, mas dos donos das empresas de jornalismo.

É revelador o depoimento do jornalista Clayton Netz, que me substituiu na direção da Exame em 2000.

“Certa vez, no fim de 2002, eu estava na sala do Roberto Civita quando a conversa foi interrompida pelo Aécio, que à época era presidente da Câmara dos Deputados”, conta Clayton. “O Doutor Roberto disse: ‘Esse rapaz vive ligando para mim. Não toma nenhuma decisão sem me consultar’.”

Sim. Fora as mamatas concretas oferecidas com dinheiro público, os proprietários das corporações de mídia se viciaram em ser adulados abjetamente por políticos como Aécio.

Parte do ódio a Lula se explica no fim da bajulação. Lula não os consultava. Eles não podiam mais dizer para as mulheres, os amigos e mesmo subordinados como Clayton: “O presidente não toma nenhuma decisão sem me consultar.”

De volta à minha questão: o que RC teria pensado ao subir no avião?

A melhor resposta, para mim, é: nada.

Para ele e para seus colegas barões, privilégios com o dinheiro público eram, como na França dos Luíses, direitos adquiridos.

Paulo Nogueira
No DCM
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Tonico Pereira cobra retratação de Lilian Witte Fibe


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UFSC Explica: Feminismo

Quanto mais fácil se comunicar, mais fácil discutir. Mas também é mais importante discernir informação de preconceito ou falsos conhecimentos. A série “UFSC Explica” oferece o viés acadêmico, com participação de pesquisadores da instituição, sobre assuntos em evidência na sociedade. O primeiro é o feminismo, em destaque pela redação a respeito de violência contra a mulher e pela questão sobre construção de gênero, ambas no último Enem; pelos protestos em várias cidades brasileiras e por constantes notícias. Para falar dele, apresentamos perguntas básicas à professora Cristina Scheibe Wolff, do Departamento de História da UFSC.

Ela é doutora em História pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-doutorado nas universidades de Rennes (França) e Maryland (Estados Unidos). Atualmente, atua como coordenadora do Programa de Pós-Graduação em História e do Laboratório de Estudos de Gênero e História, é uma das editoras da revista Estudos Feministas, além de integrante do Instituto de Estudos de Gênero da UFSC.  Sua pesquisa atual trata das relações de gênero na resistência às ditaduras no Cone Sul, nos anos 1960-1980, e do feminismo.

Também apresentamos sugestões de leitura levantadas pela professora e grupos de pesquisa da UFSC que trabalham a questão.

1. O que é feminismo?

Mulher vota na primeira eleição aberta ao voto feminino no Brasil, em maio de 1933, no Rio de Janeiro. Fonte: Agência O Globo.
Mulher vota na primeira eleição aberta ao voto feminino no Brasil, em maio de 1933, no Rio de Janeiro.
Fonte: Agência O Globo.
Em minha opinião, podemos falar de feminismo de duas formas: feminismos são movimentos de mulheres contra a opressão, preconceitos e violências que sofrem por serem mulheres, ou seja, baseados no gênero. E, ao mesmo tempo, feminismo é um conjunto de ideias que se contrapõe às construções de gênero vigentes na nossa sociedade, que implicam uma superioridade masculina. Nesse sentido, o feminismo propõe a equidade entre mulheres e homens, em termos de direitos, lugares sociais, possibilidades.

2. Podemos considerar o feminismo um movimento homogêneo? Quais as principais diferenças entre as vertentes?

Existem muitos tipos e formas de movimentos feministas. Certamente o feminismo no Brasil não pode ser o mesmo que o feminismo no Egito ou na Índia, onde as opressões que as mulheres sofrem são diferenciadas.  Além disso, mesmo no Brasil há diferenças nas reivindicações e nas perspectivas de vários grupos feministas. Por exemplo, vários grupos de mulheres negras chamam atenção para a dupla opressão que essas mulheres sofrem em seu cotidiano.

3. Como e quando surgiu o feminismo? Quais suas raízes históricas anteriores?

Embora muitas mulheres tenham se insurgido ao longo da história contra a opressão e os preconceitos, foi no final do século XIX que surgiu um movimento organizado por mulheres, que reivindicava, naquele momento, o direito ao voto e à educação para as mulheres, que foi denominado feminismo. Esse movimento começou na Inglaterra e nos Estados Unidos e logo se espalhou em vários países, inclusive no Brasil e na América Latina. As mulheres reivindicavam através de folhetos, jornais, passeatas e outros tipos de manifestação pública.

4. Por que se fala em “ondas” do feminismo?

Muitas vezes se usa o termo “ondas” para diferenciar diversas “fases” do feminismo, entendendo que as ondas vêm e vão e se sobrepõem; e, portanto, não são fases que terminam abruptamente.  O sufragismo, ou luta pelo voto das mulheres, foi considerado como a primeira “onda” do feminismo, e o feminismo que surgiu a partir da segunda metade do século XX, mais preocupado com outras reivindicações como o direito ao próprio corpo, a luta contra a violência de gênero e igualdade no espaço de trabalho é visto como de “segunda onda”.

5. Como o feminismo chegou ao Brasil e como se desenvolveu aqui? Quais as diferenças hoje entre o movimento no país e fora dele?

Desde o século XIX pelo menos temos feministas no Brasil. Em 1838, a escritora e professora Nísia Floresta publicou o livro Direitos das mulheres e injustiça dos homens, no qual defendia as ideias expostas por Mary Wollstonecraft  no seu texto A Vindication of the Rights of Woman. Mas foi a partir da República que começa a haver um movimento mais articulado de mulheres, que, já no século XX, tem a liderança de Berta Lutz e vai conquistar o voto para as mulheres em 1934. Além disso, grupos de mulheres anarquistas e operárias já se reuniam.  É no ano de 1975, porém, Ano Internacional da Mulher, que, em plena ditadura civil-militar, aparecem novos jornais e grupos feministas, inaugurando uma nova onda desse movimento no Brasil.

6. Qual a importância do feminismo para os homens e como eles podem se posicionar?

Manifestação pelos direitos  das mulheres em São Paulo, 2015. Fonte: Mídia Ninja.
Manifestação pelos direitos das mulheres em São Paulo, 2015.
Fonte: Mídia Ninja.
O feminismo não é contra os homens, e sim a favor de uma relação mais igualitária e justa entre homens e mulheres. Ele é um movimento e um conjunto de ideias que pretendem uma humanidade melhor, uma sociedade menos hierárquica, em que as pessoas não sejam constrangidas pelo gênero nas suas escolhas e possibilidades e em que as violências não possam ser justificadas pelo gênero. Dessa forma, acredito que os homens podem e devem se posicionar a favor do feminismo.

7. A palavra feminismo ainda assusta? Por quê?

Durante muito tempo as feministas foram ridicularizadas, e ainda hoje é comum que se insultem as mulheres que lutam por seus direitos e por uma sociedade mais justa, confundindo essa luta com uma “falta de feminilidade”. Isso acontece justamente porque na nossa sociedade a feminilidade foi muitas vezes construída com características como a meiguice, suavidade, fraqueza, vulnerabilidade. Mas a história nos mostra que as mulheres são fortes, sempre trabalharam, sempre sustentaram sua família e inclusive aguentaram muita violência. Está na hora de construirmos outras feminilidades.

8. Por que o feminismo ainda é necessário hoje?

Porque a violência de gênero é muito grande e comum; porque as mulheres têm em média renda 30% menor que a dos homens; porque muitos ainda acham que as crianças, pessoas idosas e trabalhos domésticos são responsabilidades das mulheres; porque as meninas são julgadas por sua aparência física mais do que por sua inteligência; porque há profissões que são consideradas mais masculinas ou mais femininas; porque muitos homens acham que não devem chorar, cuidar dos filhos ou parecer “muito sensíveis”, e que podem bater nas mulheres ou estuprá-las. Por tantas razões ainda!

Sugestões de leitura:
Revista Estudos Feministas, disponível no site www.ieg.ufsc.br e no www.scielo.br/ref
PINTO, Céli Regina Jardim. Uma história do feminismo no Brasil. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2003.
PINSKY, Carla B.e  PEDRO, Joana Maria (Orgs.) . Nova História das Mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 2012.
WOLFF, Cristina Scheibe; SALDANHA, Rafael Araujo. Gênero, sexo, sexualidades Categorias do debate contemporâneo. Retratos da Escola, v. 9, p. 29-46, 2015. Disponível em http://www.esforce.org.br/index.php/semestral/article/view/482

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VALE: Os efeitos dramáticos do desastre ambiental que a mídia esconde

Existe uma 3ª represa abarrotada de lama tóxica da Vale em Mariana, MG. 
Moradores temem que se rompa também. A Vale diz que não há risco. E havia?
Esta sopa de lama tóxica que desce no rio Doce e descerá por alguns anos toda vez que houver chuvas fortes e irá para a região litorânea do ES, espalhando-se por uns 3.000 km2 no litoral norte e uns 7000 km2 no litoral ao sul, atingindo três UCs marinhas – Comboios, APA Costa das Algas e RVS de Santa Cruz, que juntos somam uns 200.000 ha no mar.

Os minerais mais tóxicos e que estão em pequenas quantidades na massa total da lama, aparecerão concentrados na cadeia alimentar por muitos anos, talvez uns 100 anos.

RVS de Santa Cruz é um dos mais importantes criadouros marinhos do Oceano Atlântico. 

O Mar de Lama tóxica de Mariana contém arsênio, antimônio, zinco e cobre a assusta moradores.
1 ha de criadouro marinho equivale a 100 ha de floresta tropical primária.

Isto significa que o impacto no mar equivale a uma descarga tóxica que contaminaria uma área terrestre de de 20.000.000 de hectares ou 200.000 km2 de floresta tropical primária.

E a mata ciliar também tem valor em dobro. 

Considerando as duas margens são 1.500 km lineares x 2 = 3.000 km2 ou 300.000 ha de floresta tropical primária.

Vocês não fazem ideia!

O fluxo de nutrientes de toda a cadeia alimentar de 1/3 da região sudeste e o eixo de ½ do Oceano Atlântico Sul está comprometido e pouco funcional por no mínimo 100 anos!

Bombeiro disse que não poderiam salvar um cavalo atolado na lama tóxica, pois não havia cordas.

Conclusão: esta empresa tem que fechar.

Além de pagar pelo assassinato da 5ª maior bacia hidrográfica brasileira.

Eles debocharam da prevenção e são reincidentes em diversos casos.

Demonstram incapacidade de operação crassa e com consequências trágicas e incomensuráveis.

Como não fechar?

Representam perigo para a segurança da nação!

O que restava de biodiversidade castigada pela seca agora terminou de ir.

Quem sobreviverá?

Quais espécies de peixes, anfíbios, moluscos, anelídeos, insetos aquáticos jamais serão vistas novamente?

A lista de espécies desaparecidas foram quantas?

Se alguém tiver informações, ajudariam a pensar.

Barragens e lagoas de contenção de dejetos necessitam ter barragens de emergência e plano de contingência.

Como licenciar o projeto sem estes quesitos cumpridos?

Qual a legalidade da licença para operação sem a garantia de segurança para a sociedade e o meio ambiente?

Sendo Rio Federal a juridição é do governo federal, portanto os encaminhamentos devem serem feitos ao MPF.

André Ruschi é pesquisador da Estação Biologia Marinha Augusto Ruschi, em Aracruz, Santa Cruz, ES.
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O crime da Samarco (VALE) em Mariana


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Paulo Rocha cala tucanos


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