8 de nov de 2015

Publicações da Abril omitem nome de Civita entre “convidados” dos vôos de Aécio


Duas publicações da Abril repercutiram a notícia do empréstimo de aeronaves por parte de Aécio Neves quando governador de Minas. Aécio cedeu avião e helicóptero para artistas, políticos e empresários.

Nem a Exame e nem o Huff Post Brasil mencionaram que entre os “convidados” estava o dono da editora, Roberto Civita.

A Veja ignorou o assunto.

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Os motivos da demissão da apresentadora da TVeja

Quem queria ver Serra?
Estava na cara que Joice Hasselmann ia durar pouco na Veja.

Não por ela. Joice fez o que se esperava que fizesse. No comando dos vídeos da Veja conseguiu ser mais antipetista do que Rachel Sheherazade. Derrubou Dilma algumas vezes — na fantasia, mas a Veja gosta desse tipo de ficção.

Os plágios também não podem ter contado muito para uma revista cuja política editorial aceita barbaridades infinitamente maiores como atribuir contas no exterior sem checar, como no caso Romário.

Joice teve um bom desempenho de acordo com o que a Veja queria dela.

O que levou seu emprego estava completamente fora de seu controle.

Primeiro, foi o estapafúrdio modelo de televisão adotado pela Veja. Na Era Digital, os vídeos são curtos, agudos.

Os vídeos da Veja são o oposto disso. Longos, maçantes, monótonos. São uma mostra da dificuldade mortal que a Veja encontra para se adaptar à internet.

É como se a Veja, em sua arrogância obtusa, quisesse que a internet se adaptasse a ela.

Uma ida ao canal de vídeos da Veja no YouTube conta tudo. As audiências são famélicas. Ou alguém acha que o internauta está disposto a ouvir Serra e congêneres por uma hora?

Num dos momentos mais desgovernados da TVeja o blogueiro Ricardo Setti foi objeto de uma interminável homenagem logo depois de ter sido desligado.

Joice recebeu uma encomenda absurda, e entregou o que lhe pediram.

Não daria certo nem se Ophra estivesse no lugar de Joice.

O segundo fator é a agonia da Abril. As receitas caem brutalmente sem que haja nenhuma chance de retorno.

Menos publicidade, menos vendas em bancas, menos assinaturas.

E, importante, menos publicidade oficial. O governo Alckmin prestigia os amigos, como sempre, mas o Planalto deixou de anunciar na Veja depois de anos de gangsterismo editorial impune.

Nenhuma grande empresa jornalística brasileira sobrevive sem o dinheiro do povo, sobretudo os mensalões milionários derivados da publicidade federal.

E ainda mais uma empresa como a Abril, que vive de uma mídia obsoleta, as revistas impressas, sem saber fazer a mídia nova, que é a internet.

Foi dentro desse quadro que, pouco tempo atrás, Rodrigo Constantino perdeu o emprego. (Magoado, sem classe nenhuma, previu uma morte horrível para a Veja, não sem antes, numa ciclotimia de doente, rogar a seus leitores que não cancelassem a assinatura da revista em retaliação ao chute que lhe deram.)

A Abril vai ficar menor, menor e menor. Quem puder sair vai sair, como fez Lauro Jardim ao se transferir para o Globo.

Daqui a pouco os donos se perguntarão se faz sentido manter executivos e jornalistas caros — os que sobraram.

Joice não tinha mesmo futuro no Titanic.

A rigor, ela entrou no Titanic quando já fazia água, depois do triste encontro com o iceberg.

Não havia chance mesmo de uma viagem melhor do que a que teve.

Paulo Nogueira
No DCM
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Globo encontra “especialista” para convencer anunciantes a não migrar para a internet

Audiência despenca
O desespero da Globo com a queda vertiginosa e constante de sua audiência produziu nessa semana uma das entrevistas mais patéticas da história da televisão.

Acostumada a manipular a audiência, a Globo tenta agora enganar também os anunciantes.

No programa Milênio da Globo News, o “especialista” em mídias Michael Wolff tentava de todo modo convencê-los a continuar a investir em anúncios na TV e não na internet. (assista a seguir).



Mas os canais de televisão se tornam aos poucos canais de internet. Emissoras que produzem e compartilham vídeos em tempo real.

Canais na internet também já são capazes de transmitir conteúdo ao vivo, e há muitos a nossa escolha.

Não precisam transmitir o dia todo, mas se quiserem podem também vender espaço para igrejas ou teleshops e completar sua programação.

A qualidade do vídeo depende do quanto o usuário da internet pode pagar por velocidade e equipamentos.

Mas não é difícil imaginar um futuro em que todo computador poderá reproduzir ao vivo e on line conteúdos de alta qualidade, gratuitos ou pagos, via internet.

E então qual seria exatamente a diferença entre esses canais e os canais de tevê?

As smarts tvs já funcionam como um computador conectado à internet para assistir a vídeos. O Netflix é maior do que muitas TVs.

E o entrevistador, o jornalista Marcelo Lins, confessa:

“Os executivos (incluídos seus patrões?) estão preocupados com a queda da audiência.”

O desespero desses executivos trouxe Michael Wolff ao Brasil.

Wolff é estadunidense, escreve para a revista Vanity Fair, edita uma publicação especializada em publicidade e propaganda chamada Ad Week e também foi escolhido pelo magnata das comunicações Robert Murdoch para escrever sua biografia, o que nos dá um bom indício da relação que Wolff mantém com os barões da mídia. E o quanto está disposto a tentar ajudá-los em troca de dinheiro. Foi chamado pela New York Magazine de “um homem raivoso de aluguel”.

Para chegar às conclusões fantásticas apresentadas na entrevista, Wolff cita como exemplos o SuperBowl (a final do maior campeonato de futebol americano nos Estados Unidos) e o Buzzfeed.

“O SuperBowl com uma audiência de 100 milhões de pessoas gera uma receita com anúncios publicitários de 1 bilhão de dólares. O Buzzfedd, com 200 milhões de visitantes únicos mensais, gera 10 milhões”.

A partir dessa constatação, a conclusão mais óbvia — e dramática para as emissoras de TV — parece ser a de que os anunciantes estão gastando muito na televisão, por resultados que podem alcançar na internet gastando uma parcela ínfima desse orçamento.

Mas Wolff tem uma defesa a fazer, e segundo ele, os anunciantes que preferem a televisão sabem o que fazem, pois o “tráfego” na internet é muito diferente da “audiência” da tevê.

“20% dos anúncios na internet sequer são vistos, pois as pessoas saem da página antes de carregá-los. Há também os robôs e gente que fica clicando várias vezes…”

Sobre o controle remoto, que há décadas tornou possível fugir dos intervalos comerciais na televisão com apenas um clique, nenhuma palavra. Sobre pessoas que deixam a tevê ligada e vão fazer outras coisas também não.

A empresa ComScore divulgou recentemente uma pesquisa que mostra que no Brasil, assim como em toda a América Latina, o número de pessoas que assiste a vídeos on-line (82% no Brasil, 81% na AL) já é maior do que o dos que assistem televisão aberta (72% no Brasil, 70% na AL).

E mais uma vez a lógica e as evidências trabalham contra as previsões, esperanças ou torcida de Wolff: o acesso à internet ainda é restrito e deve crescer muito nos próximos anos, assim como a acesso a smartphones, tablets, notebooks, computadores.

Já o potencial de crescimento da tevê é pequeno, pois ela já está presente na maioria dos lares, e quem não assiste mais a tevê, parece não assistir principalmente por escolha própria, e não por falta de acesso.

Tudo isso, aliado à série de recordes negativos históricos na audiência da Globo, que não param de ser quebrados em todos os horários, fazem a entrevista com o Wolff lembrar algo como “Ne me quitte pás”, interpretada por Jaques Brell no auge de sua agonia, prestes a ser abandonado pelo que mais ama.

O que a Globo mais ama é o dinheiro, as bilionárias verbas publicitárias que fizeram da família Marinho a mais rica do Brasil.

Wolff, aliás, disse que seu sonho era ser brasileiro, trabalhar na televisão brasileira.

“Trata-se de um mercado impressionante. Houve um momento nos Estados Unidos no qual a televisão era a voz mais singular e poderosa, mas não tem mais a singularidade que parece ainda ter aqui”.

Essa voz singular e poderosa no Brasil durante décadas se chamou Rede Globo.

E é péssimo para a democracia que exista uma única voz superpoderosa na mídia.

Wolff deve saber disso, mas sua raiva e conclusões variam de acordo com quem aluga seus comentários.

Leonardo Mendes
No DCM
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A riqueza secreta das nações

Dilma, cuidado com o Delcidio!


Adam Smith escreveu a Bíblia do capitalismo, A Riqueza das Nações, em 1776.

Gabriel Zucman, 28 anos, professor assistente de Economia da Universidade da Califórnia, em Berkeley, acaba de lançar “A riqueza secreta das nações”, com prefácio de Thomas Piketty.

(Piketty, como se sabe, lançou livro revolucionário também com um título provocador: “O Capital no Século XXI”.)

Piketty demonstrou que sempre que o retorno do Capital for maior do que o crescimento da Economia a desigualdade piora.

E isso vai minar a base ideológica do Capitalismo no Século XXI: o sistema da meritocracia.

Piketty não conseguiu estudar a situação no Brasil, como fez com os Estados Unidos, a Inglaterra e a França, porque os dados do Brasil sobre a renda dos ricos não prestam!

Zucman é orientando de Piketty.

E escreveu esse que Piketty considera “o melhor livro sobre os paraísos fiscais”.

Zucman conta a historia dos paraísos fiscais — onde a Suíça desempenha papel superior; faz uma avaliação quantitativa do espantoso papel dos paraísos fiscais na Economia do mundo de hoje; e propõe um registro mundial das pessoas e empresas que se escondem em paraísos fiscais.

Ele reforça a sugestão de Piketty: a criação de um imposto mundial sobre o dinheiro.

Como diz Piketty, no prefácio: os paraísos fiscais aumentam a desigualdade de renda e são uma ameaça à Democracia.

8% de TODA a riqueza financeira do mundo estão escondidos em paraísos fiscais.

Quem mais esconde dinheiro são europeus, como os alemães, franceses, ingleses e italianos.

Russos escondem em paraísos fiscais cerca de 50% de sua riqueza financeira!

A África, 30%

E a América Latina deposita US$ 220 bilhões em paraísos fiscais.

A lavagem internacional se utiliza de vários domicílios, geralmente a partir da Suíça.

Luxemburgo, que não é um país, mas uma lavanderia, assim como Porto Rico, Hong-Kong, Cingapura — as lavanderias asiáticas cresceram com a pressão sobre os suíços — as Ilhas Virgens Cayman, Jersey, Panamá, a Irlanda etc.

As empresas e pessoas aplicam os US$ 2 trilhões (!!) e 300 bilhões depositados na Suíça em fundos mútuos de Luxemburgo, fundos mútuos da Irlanda, ações de empresas globais, e títulos de empresas.

O dinheiro lavado no  mundo chega a numero inacreditável: US 7 trilhões e 600 bilhões!

Eliminar as perdas da Receita Federal americana com a lavagem de dinheiro seria o equivalente a um aumento de 20% (!!!) do imposto sobre todos os que estão no 0,1% mais ricos dos Estados Unidos.

Zucman mostra que o esporte favorito das empresas americanas é se transferir para paraísos fiscais.

É o que fazem o Google, a Apple e a Microsoft, do bonzinho Bill Gates…

O Google é uma empresa “incorporada” na Irlanda e, para efeito fiscal, fica nas Bermudas...

As empresas americanas sonegam por ano US$ 130 bilhões.

Como Piketty, Zucman não considera uma “quimera”, como diria a Urubóloga, cobrar um imposto mundial sobre fortunas financeiras, como também acha perfeitamente possível montar uma central de informações que se comuniquem, automaticamente, sobre as transações de lavagem.

Uma forma de constranger a Suíça, por exemplo, a colaborar, seria a França e a Itália, vizinhas, cobrarem uma imposto de 30% de importação de produtos vindos da Suíça…

Se a França e Itália quiserem saber quem lava dinheiro na Suíça…
O ansioso blogueiro acompanha com redobrada atenção às movimentações não-financeiras dos parlamentares petistas José Mentor e Delcídio Amaral (aquele do projeto do "Cerra" da Chevron…)  de repatriação de dinheiro de lavagem.

Deve ser, primeiro, uma grande operação, de pai para filho.

Os fraudadores lavaram com o dólar a R$ 2 e vão “repatriar” com o dólar a R$ 3,8.

De pai pra filho!

Depois, não vão repatriar tudo, claro.

A menos que se concretizem as sugestões do Zucman.

E mais, senador Delcídio?

— o sonegador não será punido?

— não vai ter que pagar nada ao Tesouro?

— o sonegador será identificado?

— o Governo brasileiro saberá quem são eles?

O Governo Dilma precisa de dinheiro.

E o Delcídio botou o projeto dele de volta à ordem do dia.

Longe do Conversa Afiada querer emular o dos chapéus, que mantém uma 'colona' de Livros na 'Fel-lha' e no Globo, na qualidade de Correspondente da Amazon no Brazil! (revisor… não mexa !).

Mas, seria interessante se a Presidenta Dilma mandasse buscar o livro do Zucman.

Para se proteger do Delcídio!

Paulo Henique Amorim
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Este não vai ser o país do ódio. Ninguém vai nos tirar das ruas de BH


"Este não vai ser o país do ódio. Ninguém vai nos tirar das ruas de Belo Horizonte.

Estive há pouco na Cervejaria Bar Brasil, um bar tradicional de BH, com minha esposa Vera, Carlão Pereira e sua esposa Jussara. Estávamos ali conversando entre amigos, sendo tratados com toda a gentileza pelos garçons. Pagamos a conta e levantamos para sair quando um homem em uma mesa próxima à porta começou a gritar, fazendo acusações de corrupção e levantando um daqueles cartazes — "Fora PT, Fora Dilma"...

Me aproximei e pedi 30 segundos para conversarmos. Ele retrucou que iria me "conceder 10 segundos". Respondi que colocasse num papel e assinasse todas as acusações sem provas em relação a mim, que amanhã mesmo eu entraria com uma ação contra ele. Então a conversa mudou, com ele dizendo que "eram acusações em relação ao PT". Uma câmera já estava posicionada desde o início, esperando para flagrar o momento "espontâneo".

Algumas mesas ao redor, articuladas a essa primeira, começaram a ampliar o barulho, tentando nos intimidar. Não arredamos pé. Respondemos às acusações sem fundamento, exigimos respeito, mantivemos a firmeza. O acusador da primeira mesa rapidamente foi embora em silêncio, enquanto nós permanecemos ali.

Tivemos uma conversa altiva e buscamos negociação e diálogo, com convém a uma sociedade democrática. Fizemos isso porque ninguém vai nos tirar das ruas e dos bares de BH. Nenhuma reação de uma manifestação organizada, travestida de espontânea, vai nos intimidar e limitar nosso direito de sentar com os amigos e a família em um bar numa tarde de domingo em qualquer cidade.

Porque este não vai ser o país do ódio generalizado, mesmo que esse seja o sonho de tantos que não conseguiram vencer democraticamente.

Este não vai ser o país onde se toma o poder pela força, usando mentiras e calúnias sem fundamento.

Este não vai ser o país onde quem grita mais alto tem razão. Este vai continuar sendo o país da democracia, de quem sabe ouvir, compreender e debater."

Patrus Ananias
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Como interpretar a inédita correção do Globo na 1.a página

Estreia desastrosa no Globo: Lauro Jardim no novo endereço
Um mês depois de entrar com fanfarra no Globo, Lauro Jardim levou a maior bofetada de sua carreira neste domingo.

Com atraso, é verdade.

Numa inédita correção de primeira página, como se fosse um jornal escandinavo, o Globo desmentiu que Lulinha foi citado na delação premiada de Fernando Baiano.

Foi a primeira nota de Lauro no Globo, e ele avisou que ela ia provocar estrondo.

Provocou, mas não exatamente da maneira que ele imaginava. No curto espaço em que a informação sobreviveu, o colunista do Globo Jorge Bastos Moreno, um jornalista de bom coração que crê nos bons propósitos das empresas de mídia, saudou a estreia de Lauro como “triunfal”.

Talvez agora Moreno pudesse voltar ao assunto.

É uma errata histórica sob vários aspectos, não apenas para a reputação de Lauro.

Demonstra o acerto de Lula ao decidir, subitamente, processar jornalistas que publicam barbaridades sem prova contra ele.

Provavelmente o Globo quis dar uma advertência a Lauro, e aos demais jornalistas: prestem mais atenção ou vão terminar na primeira página, sob esculhambação.

Mas é também provável que os Marinhos tenham reagido à intensa reação de Lula na Justiça.

A confissão
A confissão
O episódio joga luzes também na ida de Lauro Jardim para o Globo.

O Globo, como todas as empresas, tem demitido levas de jornalistas, sob a pressão do avanço da mídia digital.

Por que contratar Lauro neste momento?

Há sempre a hipótese do antigo complexo de inferioridade da Globo em relação à Abril, mas não parece uma explicação forte o suficiente.

Existe também uma coisa prática: Lauro tem boas fontes no Ibope, e em seus últimos tempo na Veja vinha dando, com frequência, as estrepitosas quedas de audiência da Globo em tudo, das novelas ao Jornal Nacional.

É uma tradição da Globo comprar gente que a exponha. Paulo Francis foi um caso clássico. Contratado ele, cessaram suas críticas ferozes a Roberto Marinho, as quais começaram no Pasquim e se transferiram para a Folha depois.

Lauro, no seu novo endereço, parou de falar no Ibope da Globo, naturalmente. Suas fontes no Ibope não devem ter ficado exatamente felizes.

E fez o básico, no universo jornalístico destes dias: pôs foco em Lula. Nada agrada mais aos donos das corporações jornalísticas que ataques a Lula.

Na Veja, os donos não se importam sequer em saber se as denúncias são verdadeiras.

Mas o Globo ainda não chegou a este estágio de antijornalismo, pelo que se viu na inédita correção de primeira página.

O gesto do Globo pode antecipar também o direito de resposta, aprovado pelo Senado e na dependência de aprovação de Dilma.

Toda sociedade avançada, no mundo, tem vigorosos sistemas de resposta para erros da mídia.

A imprensa não está acima da sociedade, por mais que no Brasil ela se comporte como se estivesse.

Os cidadãos têm que estar protegidos de abusos. E não estão.

A proteção — o direito de resposta é um dos pilares dela, mas não o único — tem efeitos positivos até para jornais e revistas. Força-os a ser melhores, mais responsáveis, mais cuidadosos na hora de fazer uma denúncia.

Em pequena escala, é o que certamente acontecerá com Lauro Jardim no Globo depois da correção na primeira página.

Ele vai ser mais cuidadoso daqui por diante, mesmo quando se tratar de ataques à vítima prioritária da mídia, Lula

Paulo Nogueira
No DCM
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Chico Alencar: Acusação que honra o acusado

Tem momentos na vida pública em que o que nos parece dissabor acaba tornando-se um trunfo, ou troféu, para o resto da vida. Lembro-me, lá pelos idos de 1996, quando dois procuradores da República, amigos meus até hoje, resolveram endossar uma “queixa crime” que um policial federal do Rio apresentou contra mim em consequência de uma série de matérias que publiquei em  O Dia, sobre crimes cometidos por policiais federais do Rio. Apesar das informações verdadeiras, calçadas em documentos públicos, os procuradores, caso não falhe a minha memória, se apegaram ao título da matéria: “Mocinhos e Bandidos”. Me denunciaram por calúnia ou injúria, ou as duas coisas. O que me parecia ser mais um aborrecimento, tornou-se em um ganho maravilhoso. A denúncia foi prontamente rejeitada por um dos juízes mais duros em suas sentenças e até hoje um magistrado altamente respeitado, o atual desembargador federal Guilherme Calmon. Ao rejeitá-la, registrou que a reportagem era um trabalho em prol da sociedade. É um verdadeiro diploma que guardo comigo até hoje.

Este episódio me vem à memória ao ver o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) ser acusado junto ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados por ninguém menos do que o deputado Paulo Pereira (SD-SP), o Paulinho da Força. É o “roto” falando do “bom caráter”.

Em situações normais não deveríamos sequer temer uma denúncia como esta. Mas, o problema é que não vivemos situações normais, principalmente em um parlamento dominado por Eduardo Cunha (PMDB-RJ) companheiro de momento — pois políticos como eles se fazem companheiros apenas nos momentos que interessam — do, usando a expressão de Chico Alencar, “Paulinho mandado“.

Na Câmara Federal dominada por Cunha, tudo pode acontecer. Logo, precisamos, como diz Caetano Veloso na música “Divino, Maravilhoso”,
“… estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte”,
para que o mal não vença. e, no final das contas, Chico Alencar consiga, a partir desta denúncia espúria, um atestado de bons antecedentes. Isto, porém, só se conseguirá com a pressão da sociedade a favor do bem. Como estamos vendo, o Conselho de Ética da Câmara pode ser capaz de tudo, até mesmo de barganhar a situação do Chico Alencar com a de Eduardo Cunha, justamente denunciado pelo PSOL e pela Rede.

Esta denúncia nada mais é do que uma forma de intimidação ao parlamentar do Rio apontado pelo site Congresso em Foco, recentemente, ao lado do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) como os dois melhores parlamentares do país, em eleição feita por jornalistas (Para jornalistas, Chico Alencar e Randolfe Rodrigues são os melhores parlamentares do país),

Para se entender o despautério desta denúncia, republico abaixo a carta de Chico Alencar com as explicações sobre a acusação que lhe fez “Paulinho mandado“.

 “Os cães ladram, Sancho. É sinal de que estamos avançando”
(Miguel Cervantes, D. Quixote de la Mancha)

Na divulgação da Representação ao Conselho de Ética contra mim, no último 29/10, reiterada em 3/11, em Plenário, (assista a seguir), o deputado Paulo Pereira da Silva/SD disse que estava “oferecendo oportunidade para que eu me explicasse”. O deputado acrescentou que “tinha sido alvo do mesmo procedimento pelo PSOL, em 2008″, revelando ânimo vingativo por fatos que agora o tornaram réu no Supremo.



A pressão para rápido recebimento das informações que ele havia pedido à Diretoria Geral da Câmara, inclusive através de um servidor que disse ser “da Presidência”, indicam que há outros interesses por trás da referida Representação (ou, melhor dizendo, Retaliação ao PSOL). Seu autor é um “Paulinho mandado” de Cunha.

Mesmo com esses “vícios de origem”, contesto, desde já, as acusações do indigitado deputado, em respeito à população, à companheirada e, por óbvio, à minha própria história. Faço-o com base no texto que o acusador entregou à imprensa, pois ainda não recebi a notificação.

No documento de 11 páginas (que pede a cassação de meu mandato!), detectei nada menos que 25 mentiras, falsidades, afirmações enganosas e impropriedades. Mas me atenho às “acusações” centrais, para não abusar de sua paciência:

1) “Financiamento ilegal de campanha”. O acusador parte do fato de que sete servidores DE LONGA DATA do meu gabinete doaram recursos próprios para minha campanha a deputado federal em 2014. Ora, estas doações VOLUNTÁRIAS são um direito líquido e certo, foram feitas dentro da legalidade e declaradas na prestação de contas, aprovadas na Justiça Eleitoral.

O acusador colocou, no quadro dos doadores, a remuneração de cada companheiro(a) como Secretário Parlamentar, como se esta fosse obrigatoriamente a única fonte de renda de cada um. Omitiu propositadamente que o teto destas doações LEGAIS é de 10% do rendimento bruto declarado no I.R. do ano anterior ao da eleição.

Mais: tenho orgulho dessa colaboração cidadã, derivada de consciência política e movida a ideal. Doações que se somaram às de 82 outras pessoas físicas, inclusive deste parlamentar. Doações de servidores que também foram recebidas por diversos outros dos atuais deputados, de diferentes legendas e estados. Ainda há quem faça política com grandeza e espírito coletivo!

Destaque-se, ademais, que não consta que o deputado Paulinho tenha sequer proposto a vedação desse tipo de doação nos recentes debates sobre a Reforma Política. Até porque ele também recebeu contribuições de pelo menos cinco assessores.

Por fim, esclareço que minha campanha ano passado totalizou gastos de R$ 180.746,65 (cento e oitenta mil, setecentos e quarenta e seis reais e sessenta e cinco centavos), uma das menores somas entre os 46 eleitos pelo Rio de Janeiro.

Reitero: as contas foram julgadas e aprovadas pela Justiça Eleitoral.
O Conselho de Ética não pode ser transformado em tribunal revisor da Justiça Eleitoral, como quer o acusador. Aliás, “líder” sindical de campanhas milionárias (R$ 2.859.448,49 em 2014) que recebe polpudas doações … do patronato! Só da Odebrecht, da UTC e da Queiroz Galvão (todas com executivos condenados na Operação Lava Jato) o deputado recebeu R$ 207.038 (duzentos e sete mil e trinta e oito reais), mais que o nosso total.
2) “Vultosas quantias da Verba Indenizatória foram empregadas na elaboração de material de campanha, em especial de conteúdo eletrônico via internet (…) pela empresa Sede Informática Ltda, baixada na Receita desde 31/12/2008”.

A primeira afirmação é absolutamente falsa, sem indício comprobatório mínimo.

De fato, a referida empresa encontrava-se baixada desde o fim de 2008, supostamente por trânsito do status de Limitada para Micro Empresa Individual, como soube muito depois. Sua situação irregular, entretanto, NUNCA NOS FOI INFORMADA, BEM COMO A COORDENAÇÃO DE GESTÃO DA COTA PARLAMENTAR – COGEP, DA CÂMARA DOS DEPUTADOS, TAMBÉM NÃO DETECTOU O PROBLEMA, relativo às notas fiscais apresentadas.

Como ressaltei no arrazoado do RESSARCIMENTO à Câmara, feito de forma voluntária e a despeito da COMPROVAÇÃO DO SERVIÇO PRESTADO (justamente para evitar exploração política baixa como esta da inepta Representação), só tomei conhecimento da situação irregular da empresa em 24/7/2014. Esta informação me chegou através de Comunicação do então presidente Henrique Eduardo Alves, a respeito do arquivamento do Aviso 591 do TCU, que incidia sobre vários deputados em situação similar (ao menos 23).

De minha parte, o informe do arquivamento pela CD não satisfez: surpreso, busquei a origem do problema, dialoguei com o representante da ONG que fiscaliza as contas dos parlamentares (OPS), autora da reclamação ao TCU e ao MP. E, em carta ao Diretor Geral da época, Dr. Sérgio Contreiras, decidi pelo RESSARCIMENTO AOS COFRES PÚBLICOS do que tinha sido reembolsado em notas fiscais irregulares, malgrado a comprovação do serviço prestado, repito. E do entendimento de que a responsabilidade primeira pela própria situação fiscal é da empresa, e sua verificação, pela COGEP, conforme Ato da Mesa 43/2009 de 21/5/2009. É patente que fui vítima da irresponsabilidade da Sede Informática e da desatenção do órgão de controle da CD.

O acusador alega que um contrato de fevereiro de 2009, com a mesma empresa — mero ajuste para colocação de novo endereço de meu escritório no Rio — não consta da documentação solicitada pelo Ministério Público do Distrito Federal à Procuradoria da Casa, fantasiando com isso uma absurda “omissão de informar”. Com isso, agride não só a mim como aos próprios órgãos da Câmara dos Deputados!  Envio desnecessário, por sinal, já que não continha nenhuma novidade em relação ao contrato original. Mas, ainda assim, encaminhado ao MP. Minha falta de ciência da condição de baixada na Receita, reitero, só foi superada em julho de 2014.

Face a tudo isso, não poderia ser outra a decisão do MP/DF:  PROMOVER O ARQUIVAMENTO DO INQUÉRITO CIVIL 1.16.000.031100/2014 (arquivamento que o meu acusador, arrogantemente, contesta!)

Em resumo, a Procuradora Mirella de Carvalho Aguiar concluiu pela “boa-fé do deputado, inexistência de qualquer dano ao erário, comprovação do serviço prestado” e, ainda assim, “ressarcimento aos cofres públicos”. Além da disponibilidade voluntária deste deputado em prestar todas as informações sem ter sido convocado para tanto. A Promoção do Arquivamento pelo MPF afirma, enfaticamente, inexistência de qualquer improbidade administrativa.

AS QUESTÕES OBJETO DE ATAQUE DO DEPUTADO PAULO PEREIRA, PORTANTO, JÁ FORAM EXAMINADAS E DECIDIDAS PELOS ÓRGÃOS DE CONTROLE COMPETENTES E PRÓPRIOS – TRE/TSE E MPF -, como determina o ordenamento republicano.
Não é cabível que contas de campanha aprovadas pela Justiça Eleitoral e mesmo o uso da Cota Parlamentar, quando já apreciado pelos departamentos da Casa, venham a ser objeto de disputa política (baixa, menor) no âmbito do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da CD. Isto apequena a missão do órgão e abre perigoso precedente para uma “guerra de todos contra todos”.
Vale destacar a média de gasto anual da chamada Verba Indenizatória que nosso mandato faz:  2011 – 74%; 2012 – 45%; 2013 – 52%; 2014 – 38%; 2015 – 39% (até 23/10).

Estes porcentuais já revelam o absurdo da “denúncia” de que “montei esquema engenhoso para benefício próprio”, chegando o acusador a inventar um calunioso “sistema criminoso de ciclos”, envolvendo “contratação de cabos eleitorais, empresas fantasmas, serviço de boca de urna, recolhimento forçado de doações eleitorais” e outras sandices, sem O MENOR INDÍCIO DA MAIS ELEMENTAR PROVA.

No âmbito jurídico, poderíamos falar de “denunciação caluniosa” e “litigância de má fé”.

Por fim, invoco minha história de vida, com 16 anos de magistério em sala de aula e minha vida parlamentar no sétimo mandato eletivo. Estes foram conquistados sempre em torno de ideias e causas, com empenho austero, exortando o chamado “voto de opinião”. Como é notório, exercidos com transparência e posições claras.

Com este lastro, REPUDIO as mentiras de uma peça encomendada, com evidente intuito intimidatório — inócuo, por suposto. E cujo autor é réu no STF, acusado de crime contra a ordem financeira (com recursos do BNDES), lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Trata-se de um caso em que o currículo de quem acusa — um Paulinho mandado — honra o “acusado”.

Marcelo Auler
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Colaborador de Aécio doa R$ 1,5 mi para projeto de Neymar, que apoiou candidato

O Instituto Projeto Neymar Jr., mantido pelo atacante do Barcelona em Praia Grande, no litoral paulista, captou R$ 1,5 milhão com a empresa Titans Group através da Lei de Incentivo ao Esporte. A companhia tem entre seus sócios o publicitário Mino Mazzamati, que trabalhou na campanha de Aécio Neves à presidência em 2014.

A Titans realizou dez repasses entre os dias 21 de agosto e 29 de outubro, todos com o mesmo valor de R$ 150 mil. O total é superior ao que o projeto havia arrecadado até então: R$ 1,385 milhão. Assim, o instituto se aproxima do que foi aprovado para captação. A entidade arrecadou R$ 2,885 milhões dos R$ 3,09 milhões permitidos.

Mazzamati é apontado como um dos principais coordenadores da campanha digital de Aécio no ano passado. Ele teria atuado na criação do portal e do perfil no Twitter do candidato, que ainda não tinha presença na rede social.

Em outubro de 2014, às vésperas do segundo turno, Neymar declarou apoio ao presidenciável do PSDB. O jogador publicou um vídeo em seus canais na internet.

– Eu vou apoiar o candidato Aécio Neves, por que me identifico muito com a proposta que ele tem para o Brasil — afirmou o camisa 10 da Seleção.

Além da Titans, o projeto de Neymar arrecadou outros R$ 530 mil com a Sabesp, a companhia de saneamento básico do Estado de São Paulo.

A Lei de Incentivo ao Esporte permite o repasse de parte do Imposto de Renda devido. Empresas podem doar até 1% do valor, porcentagem que sobe para 6% para pessoas físicas.

Leonardo Lourenço
No Bastidores FC
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No Twitter, Cunha apaga mensagens favoráveis a Dilma

Personagem bastante ativo no Twitter, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), costuma seguir a cartilha de políticos do mundo inteiro, que recorrem ao microblog para mandar recados e deixar claro aos seguidores seus posicionamentos não apenas em política, mas sobre assuntos diversos. Mas algumas mensagens polêmicas foram apagadas do perfil do deputado fluminense.

As postagens deletadas foram levantadas pela Folha com a utilização de ferramentas de monitoramento das redes sociais, que fazem a captura e guardam as mensagens, permitindo acesso mesmo aos textos já apagados. O instrumento, contudo, não permite saber quando as mensagens foram retiradas. 

O peemedebista, que criou sua conta no serviço em 2010, mudou seu posicionamento político algumas vezes de lá para cá, chegando a defender a presidente Dilma Rousseff quando ela se elegeu.

Atualmente, Cunha se diz rompido com o governo federal, com quem, apesar de tudo, continua a fazer acordos velados para se manter no cargo. O congressista é alvo de um processo de cassação no Conselho de Ética.

Logo após a vitória de Dilma Rousseff nas eleições de 2010, Cunha escreveu no microblog: "Dilma mereceu essa grande vitória. Estaremos juntos com ela para o Brasil seguir mudando". Dias antes da primeira posse da atual presidente, novos elogios: "A maioria do povo brasileiro entendeu bem o raciocínio da Dilma e a elegeu. Entendeu também o quanto ruim foi o governo de FHC (Fernando Henrique Cardoso)."

Questionado, o presidente da Câmara disse desconhecer a retirada das mensagens. "Não foi determinada por mim", ressaltou. Ainda segundo Cunha, a administração de seu perfil é feita por sua equipe, apesar de reconhecer que ele mesmo publica algumas mensagens.

Comentários polêmicos envolvendo o cenário político internacional também foram deletados. Por diversas vezes Cunha citou o ex-presidente uruguaio José Mujica na época em que o país discutia a legalização da maconha. "Impressionante a agenda do mal desse maconheiro Mujica", disse o peemedebista em 2012.

Evangélico e publicamente contrário a políticas que favoreçam gays, Cunha se incomodou com as cenas de beijo entre os atores Mateus Solano e Thiago Fragoso, na novela "Amor à Vida", na TV Globo em 2014. "Não poderia deixar de expressar a minha repulsa pela cena da TV de beijo gay", postou Cunha. Mesmo mantendo posição conservadora em relação aos gays, o deputado apagou as postagens.

Fábio Monteiro | Débora Álvares
No fAlha
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Novas mídias: das ruas à rede


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Que Brasil é este?

O evento será transmitido ao vivo pela TVT
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Nota de pesar: Presidenta Dilma lamenta morte do ex-prefeito de Porto Alegre João Verle


Foi com pesar que recebi a notícia da morte do ex-prefeito de Porto Alegre João Verle, um dos fundadores do PT no meu querido Rio Grande do Sul. Aos familiares e amigos de Verle, transmito meus sentimentos.

Dilma Rousseff
Presidenta da República
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Globo publica errata admitindo que mentiu sobre filho de Lula


Essa é histórica.

O colunista Lauro Jardim, egresso da Veja, estreou no Globo com uma notícia bombástica que virou manchetão de capa.

Delator da Lava Jato diz que pagou despesas de filho de Lula.

Era mentira.

O delator não cita o filho de Lula.

A errata, claro, fica escondida no pé de página.

Tinha que publicar manchetão assim: Globo mentiu pra você, de novo. Filho de Lula não foi citado.

Ainda chegaremos lá.

Por enquanto, vale saborear esta modesta vitória contra a mentira.

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Miguel do Rosário
No Cafezinho
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Mídia de merda


Mas eu sempre me pergunto: e os jornalistas?

Esses jornalistas que estão nessas redações, que diariamente participam dessa farsa que virou a imprensa brasileira, não se envergonham?

Saem do trabalho e vão para casa, normalmente, sem nenhum remorso?

Sem nenhuma reflexão crítica e moral do que fazem, do massacre do qual participam?

Deitam na cama e dormem?

Tranquilos?

Leandro Fortes
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O drama não noticiado de Mariana-MG


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Jatos desiguais

Uma busca preliminar no que sucedeu desde a "Operação Juízo Final", criada há um ano para a prisão de dirigentes de empreiteiras, faz mais do que surpreender. E, dadas as indagações que suscita, clama por uma reflexão sobre as características não difundidas da Lava Jato e seus efeitos presentes e futuros.

Menos de uma semana depois daquela decisão que elevou o juiz Sergio Moro às culminâncias do prestígio, dava-se outro fato determinante na Lava Jato. Ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco assinava, em 19 de novembro, o acordo de delação premiada. Sua advogada era Beatriz Catta Preta, que mais tarde abandonaria os seus clientes, invocando ameaças recebidas. Ela e um batalhão de 14 procuradores e delegados da Polícia Federal assinaram o acordo.

Catta Preta já conduzira acordo semelhante para Julio Camargo. Sem vínculo com a Petrobras, esse lobista chegou a uma posição de destaque no noticiário da Lava Jato a partir da confissão de que ganhou muito dinheiro fazendo, em transações com dirigentes da estatal, a intermediação para as contratações da coreana Samsung e da japonesa Mitsui.

Mas Barusco foi o mais prolífico. Aqui mesmo, e quando seu nome mal fora citado, saiu a informação de que era o mais temido não só pelos já implicados, por estar com a vida pendente de um câncer. Foi dele a promessa de devolver quase U$ 100 milhões. Dinheiro de suborno recebido das maiores empreiteiras brasileiras. Mas não só. Além do que recebeu como gerente da Petrobras, depois Barusco foi subornado como diretor de uma empresa, a Sete Brasil, constituída para a produção de sondas destinadas ao pré-sal. Os estaleiros Jurong e Keppel Fels, de Cingapura, lhe pagaram alto pela obtenção e pelo valor das respectivas contratações.

Para não ficar só nas empreiteiras do Brasil e em grupos asiáticos, uma subornadora europeia enfeita a lista: um dos mais recentes delatores premiados, João Antonio Bernardi, descreveu subornos milionários de dirigentes da Petrobras para a contratação da italiana Saipem.

Decorrido um ano da Juízo Final, Ricardo Pessoa, dono da UTC, foi o mais noticiado dos dirigentes de empreiteiras brasileiras presos pela PF, com suas idas e vindas em torno da delação premiada. Dentre esses executivos, já há condenados a penas altas, como Sergio Mendes, da Mendes Júnior, com recente sentença de 19 anos. Em síntese, quem dentre eles não se dobrou à delação premiada, ou já está condenado, ou aguarda sentença em processo criminal por corrupção ativa, via suborno — e outras possíveis acusações em cada caso.

Nenhum dos dirigentes das empresas estrangeiras que pagaram suborno foi preso. Nem teve sua casa visitada pela PF para busca e apreensão de documentos. Nenhum está ou foi submetido a processo por suborno. Só os intermediários passaram por busca e apreensão. Como nos crimes de morte em que o matador e o intermediário são presos, mas o mandante não é incomodado. O Brasil conhece bem este tipo de critério.

As empreiteiras brasileiras acusadas de prática de suborno estão proibidas de firmar contrato com a Petrobras. O que tem implicações múltiplas também para a própria Petrobras.

As empresas estrangeiras Jurong, Keppel Fels, Saipem, Samsung e Mitsui não receberam visitas policiais para busca e apreensão nas filiais que todas têm no Brasil. Nem sofreram medida alguma por serem, como as brasileiras, acionadoras de corrupção e pagadoras de subornos. E continuam liberadas para fazer contratos com a Petrobras.

A diferenciação de tratamentos suscita inúmeras indagações, das quais a primeira pode ser esta: o objetivo da Lava Jato, e tudo o que a partir daí se irradia para o país todo, não era a corrupção, e só a corrupção?

Ah, sim, uma das cinco estrangeiras praticantes de corrupção, a Mitsui, ficou liberada para se tornar até sócia da Petrobras na Gaspetro. É o que acaba de fazer.

Janio de Freitas
No fAlha
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Aécio transportou Civita, Huck & Cia nas asas de MG


Nos anos em que foi governador de Minas Gerais, o tucano Aécio Neves (PSDB-MG) transportou, de graça, em aeronaves do estado, ou seja, com o dinheiro dos contribuintes mineiros, barões da mídia, como Roberto Civita, dono da Abril já falecido, e seus amigos, como o apresentador Luciano Huck, da Globo; outros que usaram os serviços da "AeroAécio", sem desembolsar um centavo, foram Ricardo Teixeira, ex-CBF, Maria Antonia Civita, esposa de Roberto, Sandy & Júnior, José Bonifácio Sobrinho, o Boni, e o ator Milton Gonçalves; cessão não onerosa das aeronaves contraria a lei e justifica improbidade administrativa; Aécio, que há um ano tumultua a vida política e econômica do País com sua obsessão golpista, diz que os voos "atenderam a interesses do Estado"

Graças à Lei de Acesso à Informação, os contribuintes mineiros saberão o uso que foi dado, pelo governo de Minas Gerais, às aeronaves oficiais, nos anos em que o estado foi governado pelos tucanos Aécio Neves (PSDB-MG) e Antonio Anastasia (PSDB-MG), ambos senadores.

Nos oito anos de governo Aécio, houve nada menos que 198 voos sem autoridades oficiais a bordo. Com Anastasia, foram 60 voos sem o governador ou ou autoridades cuja legislação autoriza o voo — ou seja, ambos contrariaram a lei, configurando atos de improbidade administrativa. Os dados foram obtidos pelos repórteres Ranier Bragon e Aguirre Talento, que recorreram à Lei de Acesso à Informação e publicam reportagem na edição deste domingo da Folha de S. Paulo.

O mais surpreendente, no entanto, é a lista de passageiros. Nos 12 anos de governo tucano, a "AeroAécio" transportou barões da mídia e amigos pessoais de Aécio.

Em 2010, por exemplo, Aécio cedeu o helicóptero oficial para que Roberto Civita, ex-presidente da Abril, já falecido, e sua esposa Maria Antonia visitassem o Museu de Inhotim, no interior de Minas Gerais.

Outro passageiro da "AeroAécio" foi o apresentador Luciano Huck, da Globo, que usou aviões oficiais para viajar ao interior de Minas — num dos voos, viajou acompanhado da dupla sertaneja Sandy & Júnior.

Também passageiro frequente, quase com direito a cartão fidelidade, Ricardo Teixeira, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, usou três vezes o helicóptero oficial e três vezes o jato para se deslocar entre Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Também voaram nas asas do contribuinte mineiro o ator Milton Gonçalves e o empresário José Bonifácio Sobrinho, o Boni, que foi um dos homens-forte da Globo.

"Interesses do Estado"

Questionado pela reportagem, Aécio respondeu por meio de sua assessoria e disse que todos os voos "atenderam a interesses da administração do Estado".

Em relação ao caso Civita, por exemplo, ele afirmou que era importante apresentar o Museu Inhotim a um dos empresários de comunicação do País, como se Civita, bilionário, não pudesse se deslocar com seus próprios recursos. No caso de Huck, Aécio disse que a cessão do avião se justificou para que fosse divulgado o roteiro da Estrada Real.

É Aécio o personagem "moralista" que, há mais de um ano, vem tumultuando a vida política e econômica do País, com sua obsessão golpista, desde que foi derrotado nas eleições presidenciais de 2014.

No 247
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