7 de nov de 2015

Pimenta diz que Zelotes vai atingir “magnatas da corrupção e queridinhos da mídia” em breve

A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, da Câmara
dos Deputados, aprovou por unanimidade, o requerimento do
deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS).
Foto: Guilherme Santos/Sul21
O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), presidente da subcomissão que acompanha a Operação Zelotes, afirmou no início da tarde deste sábado (7), em uma série de postagens no Twitter, que novas etapas da operação Zelotes vão revelar em breve o “esquema mais podre de corrupção que já se teve notícias”.

A Zelotes investiga a compra de votos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) em julgamentos sobre a sonegação de bilhões de reais em impostos por parte de grandes empresas, o que também está sendo apurado pela na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Carf.

Sem adiantar nomes, ele disse que serão reveladas informações sobre os “mega sonegadores” e sobre como eles se aproveitam da “banda podre” da burocracia estatal. Em um dos tuítes, ele afirmou que filhos de envolvidos no esquema teriam até R$ 500 milhões em conta. “Tem cerveja que vai estar morna logo. Zelotes está esquentando a chapa e vocês vão aparecer Magnatas da corrupção, queridinhos da mídia”, escreveu o deputado.

Confira os tuítes do deputado:



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Aécio chega a Salvador dando um chega pra lá no povão!

Na quinta e sexta feira, o ex-candidato derrotado à Presidência da República e senador, Aécio Neves (PSDB), resolveu tirar o fim de semana para  passear em Salvador com o prefeito ACM Neto (DEM). Afinal, ninguém é de ferro, trabalhar contra o Brasil, às terças e quartas-feiras, cansa! O fato teria passado despercebido se não fosse as imagens da andança do senador ocioso. Note na imagem o braço de Aécio dando um “chega pra lá” no eleitor que tentava fazer um selfie com o senador.

 Olha lá o braço do tucano Aécio Neves dando um chega pra lá no eleitor dele


 Não viu? Eu mostro de novo

 Olha aí. Viu agora?

Segundo contou a colunista Mônica Bergamo, Aécio passou uma tarde em Itapuã com o  prefeito ACM Neto (DEM). O tucano que  já está novamente em campanha eleitoral para a presidência em 2018, roda o país, visitando diretórios regionais para vencer eventuais prévias contra Geraldo Alckmin.

O “chega pra lá” de Aécio no eleitor, lembra outra imagem muito comentado em 2010, quando  o tucano José Serra disputava a eleição presidencial com a presidente Dilma. Serra, pegou a mão da eleitora, fingiu que beijou, mas tascou um beijo na própria mão


Agora, dá para entender do por que Aécio Neves  ter mandado fazer boneco de papelão para representá-lo nas  fotos com o povão!


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Chico Alencar: 'Os argumentos de Eduardo Cunha dão anistia a todos os réus'

Chico Alencar: "A barreira do cinismo (dos argumentos de Cunha) começa a mostrar alguma fissura"
Líder do movimento que representou contra Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no Conselho de Ética da Câmara, o deputado federal Chico Alencar (Psol-RJ) analisou, para o Jornal do Brasil, os argumentos do presidente da Casa para tentar se defender contra as acusações de lavagem de dinheiro e corrupção passiva por manter contas secretas na Suíça com dinheiro ilícito desviado da Petrobras.

Para o parlamentar do Psol, o comportamento de Eduardo Cunha, em entrevistas concedidas a diversos veículos nesta sexta-feira (6), é um comportamento de autodefesa muito primário e infantil.

"Só quem entende da ecologia humana pode dar uma resposta mais adequada a isso, mas é costumeiro o infrator negar até mesmo quando há um flagrante delito. A (ex-deputada) Jaqueline Roriz, quando foi flagrada recebendo dinheiro e colocando na bolsa, deve ter dito que não tinha nada a ver com a propina. Isso é um comportamento de autodefesa, muito primário, muito infantil. É como o menino que rouba o doce na geladeira e diz para a mãe que não comeu, mesmo estando com a cara toda marcada de doce", comparou Chico Alencar.

O líder da bancada do Psol na Câmara disse, ainda, considerar estranhas as tentativas do deputado para obter uma absolvição da opinião pública diante de tantas evidências e pelo fato de Cunha ser, como presidente da Casa que legisla, um grande conhecedor da Legislação brasileira. Para Chico, a demora para apresentar uma defesa desde quando surgiram as denúncias sinaliza para a fragilidade das respostas.

"Os argumentos dele dão anistia a todos réus, é só ter um bom advogado. A estratégia de defesa é primeiro negar para não ser réu confesso e, depois, armar uma versão. É estranho como ele demorou para falar sobre assunto. E ele pode ter êxito no Conselho de Ética por conta do julgamento político, “ah, de fato, era só um trust”, dirão alguns que vão tentar defendê-lo, mas aquilo é seu dinheiro, suas contas, seu ativo", afirmou o deputado.

O parlamentar do Psol disse, ainda, que, pelas entrevistas, "a barreira do cinismo (de Cunha) começa a mostrar alguma fissura", já que ele admitiu que talvez possa se arrepender por não ter declarado alguma conta, mas que "a estratégia do direito, que é não assumir a culpa, junto com a psicologia humana de negar as evidências cola no mundo da política". "O Maluf (procurado pela Interpol) não pode viajar para o exterior, mas aqui ele é deputado federal, é a República da impunidade", comparou Chico Alencar.

Eduardo Cunha já foi duas vezes denunciado recentemente no Supremo Tribunal Federal (STF) pela Procuradoria-Geral da República, que recebeu informações da Procuradoria suíça sobre a existência de contas secretas em nome do presidente da Câmara e que têm como beneficiários sua mulher, Cláudia Cruz, e sua filha Danielle.

Eduardo Miranda
No JB
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Eduardo Cunha diz a jornal que dinheiro na Suíça "não é nada de mais"

Deputado enfrentou protestos na semana, como a chuva de dólares falsos com seu rosto estampado
Denunciado duas vezes ao Supremo Tribunal Federal (STF) por lavagem de dinheiro e corrupção passiva pelo Ministério Público Federal, o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse, em entrevista à "Folha de S.Paulo" deste sábado (7), que não vê problemas em ter dinheiro no exterior.

"(Tem) gente dizendo que tenho bilhão de dólar, que sou milhardário. Se você trabalha 48 meses e consegue obter um lucro este montante, não é nada de mais. Fazendo a coisa correta, óbvio", disse o peemedebista, que voltou a negar que seja titular das contas.

Na defesa que pretende apresentar ao Conselho de Ética da Casa, onde também enfrenta um processo pela cassação de seu mandato por quebra de decoro parlamentar e que foi antecipada em entrevistas a diversos veículos nesta sexta-feira (6), Cunha voltou a negar que seja titular de contas secretas na Suíça. Ele argumentou que possui apenas um contrato com um trust.

"Tenho um contrato com um trust, e ele é o proprietário nominal dos ativos que existiam. O trust é responsável pela gestão e as condições pré-contratadas. Sou beneficiário usufrutuário em vida e os meus sucessores em morte", afirmou o deputado, acrescentando que não é ele o dono do trust: "Sou apenas o contratante do trust. Eu contratei o trust e passei os ativos, tem recursos, ações e cotas de fundos".

Questionado sobre o fato de o MPF ter acusado o desvio de recursos da Petrobras para a conta, Cunha também negou. "Foi tudo depositado no trust, não na minha conta. O trust não reconheceu a entrada e nada fez com o dinheiro".

As informações contra Cunha foram enviadas ao Brasil pelo Ministério Público da Suíça. O Supremo pediu o bloqueio e o sequestro do dinheiro que está nas contas atribuídas a Eduardo Cunha e que têm como beneficiários seus familiares, a mulher, Claudia Cruz, e a filha Danielle.

No JB
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Mera coincidência


Não tenho procuração para defender A ou B e penso que crimes de qualquer natureza ou 'tamanho' devam ser todos investigados, independentemente do cargo ou status do suspeito, respeitados todos os trâmites e procedimentos determinados pelo Estado de Direito. Mas vamos lá, um minutinho de atenção para um modesto e simples exercício de análise de discurso. Observem as duas matérias abaixo, publicadas hoje pelo 'Estadão'. Estão na mesma página. A notícia sobre o ex-presidente Lula recebe destaque, está no alto, embora as doações já fossem conhecidas. O título sugere que foi Lula, pessoa física, quem recebeu o dinheiro, e não o Instituto Lula, o que faz muita diferença. A empresa é nomeada — Odebrecht. E quem faz a afirmação tem nome também, é a Polícia Federal, estratégia discursiva que pretende garantir legitimidade à afirmação. Argumento de autoridade


Passemos agora à segunda notícia, que vem abaixo, com menos destaque, embora essa fosse, jornalisticamente, a novidade — pela primeira vez, foram identificados repasses para o Instituto FHC. Notem também que, enquanto lá 'Lula recebeu...', aqui a 'empreiteira doou...'. Faz toda a diferença. Ações atribuídas a sujeitos diferentes. Além disso, a empreiteira não tem nome, é genericamente chamada de 'empresa'. O destinatário da grana é o Instituto FHC, não o ex-presidente FHC. E quem chancela a denúncia é um 'laudo', e não mais a PF. Generalidades, de novo. Pergunto — esse tratamento narrativo absurdamente diferenciado e seletivo é casual? Mera coincidência?


Chico Bicudo
No Esquerda Caviar
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A importância de personagens negros na construção de um país civilizado


“A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil.”
Joaquim Nabuco (1849 – 1910)

O Brasil é provavelmente o país mais racista do mundo. Os brancos aqui são minoria, negros e pardos são 50,7% da população, mas os brancos são esmagadora maioria no Congresso, nos governos estaduais e municipais, nos ministérios, no Judiciário, na presidência e diretorias de empresas privadas, nas universidades, nos anúncios publicitários e nos papéis principais de filmes, novelas e séries de televisão. Os negros e pardos são pouco mais da metade dos brasileiros, mas são 62% da população carcerária e 68% das vítimas de homicídio, isso num país onde a polícia mata seis pessoas por dia.

Na crescente intolerância brasileira, em que os ignorantes, os preconceituosos, os falsos religiosos achacadores, os homofóbicos, os que não gostam de pobres, pretos, índios e de nordestinos, os racistas e os fascistas perdem a vergonha de demonstrar sua indigência mental em público, está cada vez mais difícil ser feliz. São frequentes os sinais de agressividade, trogloditas histéricos — quase sempre covardemente em grupo — que atacam pessoas em restaurantes, lojas, livrarias, aviões ou nas redes sociais. Os agressores são, via de regra, toscos formados por uma sociedade — família, escola, mídia, igrejas, governo, redes sociais — que não ensina a pensar, são midiotas alimentados por uma imprensa parcial e de má qualidade e por comunicadores e parlamentares que vivem de sua infâmia, destilando pobreza de espírito em troca de audiência e votos.

Tentar entender como pensam os fascistas e como chegam ao poder, com sua pregação de ódio, preconceito e ignorância, é o desafio da hora no Brasil. Para ajudar, recomendo a leitura de Mein Kampf: A História do Livro, do jornalista e documentarista francês Antoine Viktine (Nova Fronteira, 2010). Ele analisa em profundidade como um panfleto alucinadamente racista e belicista escrito por um psicopata como Adolf Hitler se tornou o best-seller que lhe abriu o caminho para o poder, isso numa sociedade culta como a alemã. Mein Kampf (Minha Luta) é um rol de atrocidades que revela o profundo ódio de Hitler pelos judeus, pelos negros, pela França e pela raça humana em geral, e mesmo assim foi ignorado por muitos e, pior, aceito por muita gente.

No livro, Hitler se refere aos franceses como um “povo que está cada vez mais no nível dos negros” e que assim “põe surdamente em perigo, através do apoio que dá aos judeus para atingir seus objetivos de dominação universal, a existência da raça branca na Europa”. Ainda assim, depois de ter lido esse texto e com Hitler já no poder (1933), o ministro do Exterior francês Louis Barthou foi capaz de declarar que “se existe na terra um homem que quer a paz é Hitler”. Mas nem todo mundo se enganou com Hitler. Winston Churchill, que leu e estudou Mein Kampf, manifestou a grande preocupação de que alguém com tais pensamentos governasse a Alemanha e conclui que Hitler não era “frequentável”. Quando o mundo percebeu que as ideias de Hitler, na prática, significavam destruição e morte, já era tarde demais.

Não sei quando, no Brasil, a discordância democrática e civilizada passou do ponto e se tornou a intolerância que temos hoje. Sei que o racismo que formou nosso país, a última nação escravagista do Ocidente, é a mais cruel e desumana forma de violência. Como explicar a uma criança que ela é discriminada por causa da cor da sua pele? Como sonhar com a possibilidade de um dia virmos a ser um país civilizado sem assumirmos e superarmos nossa criminosa desigualdade social e o nosso escandaloso racismo?

Uma etapa fundamental deste processo civilizatório é a construção de um imaginário positivo habitado por personagens negros. Fica difícil às crianças negras crescer com autoestima lendo livros, gibis, vendo filmes, programas de tevê e anúncios publicitários em que o padrão de beleza e virtude é branco, onde negros só fazem papel de escravos, empregados domésticos, bandidos, excluídos ou famintos. Por isso é tão importante o trabalho de atores negros como Taís Araújo, Lázaro Ramos, Luiz Miranda, Camila Pitanga, Grande Otelo, Milton Gonçalves, Fabricio Boliveira, Helio de La Peña, Flávio Bauraqui, Zózimo Bulbul, Ruth de Souza, Zezé Motta, Zezé Barbosa, João Acaiabe, Sirmar Antunes, Álvaro Costa, Érico Brás, Ailton Graça, Sheron Menezes, Lea Garcia, Elisa Lucinda, Leandro Firmino, Darlan Cunha, Douglas Silva, Seu Jorge, Neusa Borges, Sergio Menezes, Paulo Américo, Audri D’Anunciação, Antônio Pitanga e, infelizmente, nem tantos outros.

Por tudo isso, as pessoas que publicaram comentários racistas na página da Taís Araújo devem ser identificadas e processadas criminalmente, ela prestou um serviço ao país quando denunciou os criminosos à polícia. A democracia pressupõe a convivência com ideias diferentes das suas desde que essas ideias respeitem os princípios básicos da civilidade. Racistas, fascistas, nazistas, machistas, homofóbicos, exploradores da fé alheia, não são frequentáveis. Com essa gente, não tem conversa.

Jorge Furtado
No ZH
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O papel da mineradora Samarco na Lista de Furnas e em outros escândalos em MG

Advogado que trabalhou para a Samarco disse possuir gravações comprometiam Aécio Neves
A lista de Furnas tem cinco páginas e seu conteúdo pode ser separado em duas faces. Nas páginas 1, 2, 3 e 4, estão relacionados os nomes dos 156 políticos que receberam dinheiro para a campanha eleitoral de 2002. Eram todos da base aliada do então presidente Fernando Henrique Cardoso. É o que se poderia chamar de a lista dos corruptos.

No final da página 4 e na página 5, estão relacionados os nomes de 101 empresas, as que deram dinheiro para financiar os candidatos. É o que se poderia chamar de a lista dos corruptores.

Nesta lista , estão fornecedores diretos da estatal Furnas e empresas com as quais o então diretor de Planejamento, Engenharia e Construção, Dimas Toledo, mantinha contatos, como operador que administrava os interesses de seus políticos protetores, rol em que Aécio Neves era o destaque.

Na relação dos corruptores, estão nomes conhecidos como a Alstom e a Siemens, no grupo das fornecedoras de equipamentos, a Camargo Correa, a Odebrecht e a Mendes Júnior, no grupo das empreiteiras, a Baurense, no grupo das prestadoras de serviço, e a Samarco Mineradora, no grupo das grandes consumidoras de energia (veja na página 4 da lista abaixo).

Com o rompimento da barragem da Samarco em Mariana, interior de Minas, na última quinta-feira, a lama que destruiu casas, matou pelo menos uma pessoa e provocou o desaparecimento de outras 13, traz à tona uma relação estreita entre a Samarco e as administrações do PSDB em Minas Gerais e também no Espírito Santo, não só no caso da Lista de Furnas.

No ano 2000, uma operação de compra de créditos do ICMS, no valor à época de R$ 67 milhões, resultou num escândalo que levou à prisão o presidente da Assembleia Legislativa do Estado e colocou no banco dos réus o então governador, José Ignácio, do PSDB, a mulher dele, Maria Helena Ferreira, e o ex-ministro Aníbal Teixeira.

Os créditos do ICMS eram da Samarco, que os vendeu para a estatal de energia do Espírito Santo, Escelsa, sem que houvesse aprovação da Procuradoria do Estado. Um dos intermediários era o lobista Nílton Monteiro, que mais tarde denunciaria a Lista de Furnas.

Passado para trás na negociação dos créditos de ICMS da Samarco, ficou sem receber a comissão e denunciou o esquema. Uma investigação da Polícia Federal descobriu que parte do dinheiro recebido pela Samarco foi parar na conta de laranjas de deputados estaduais e ajudaram a comprar a eleição do deputado José Carlos Gratz a presidente da Assembleia. Gratz acabou preso e José Ignácio, nove anos depois, foi condenado a oito anos de cadeia. Ele recorreu da sentença e até hoje não foi preso.

O escândalo, que resultou na CPI da Propina, jogou luzes sobre a movimentação de Nílton Monteiro, o da Lista de Furnas, pelo submundo da política. Depois da propina no Espírito Santo, denunciou o Mensalão de Minas e a Lista de Furnas.

Nos três casos, o da Propina, o do Mensalão e da Lista, os documentos que apresentou tiveram autenticidade comprovada.

Em Minas, onde morava, Nílton respondeu a um inquérito movido pelos diretores da Samarco, por causa da denúncia no Espírito Santo. No curso da investigação, de denunciante a Samarco passou à denunciada, por apresentar provas falsas contra Nílton Monteiro.

Em 2010, um advogado que trabalhou tanto para o lobista Nílton Monteiro quanto para a Samarco prestou um depoimento considerado bombástico, em que confirmou possuir gravações que comprometiam a empresa Samarco e integrantes do primeiro escalão do governo de Minas, entre os quais o próprio governador Aécio Neves.

Depois disso, o inquérito desapareceu num trânsito entre a Delegacia e o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. Peças foram reapresentadas, na remontagem dos autos, como manda a lei, mas a versão final não inclui o depoimento bombástico desse advogado, além de outros documentos considerados importantes.

Nesta semana, dois dias antes da barragem da Samarco rachar, o delegado João Otacílio, que tomou o depoimento daquele advogado — chamado Joaquim Engler Filho — confirmou em juízo o teor do depoimento e reiterou que foi afastado por causa da investigação que se aproximava do governador Aécio Neves.

Um advogado que acompanha este caso de perto é Dino Miraglia, o primeiro a denunciar o desaparecimento do inquérito e a fraude na remontagem do processo. Depois disso, teve a casa e o escritório invadidos pela Polícia Civil, numa operação com mandado judicial, obtido por policiais que o acusavam de pertencer a uma quadrilha de estelionatários.

A operação contou com cães e movimentou um helicóptero, com voos rasantes sobre o condomínio onde o advogado morava. Dino Miraglia viu um investigador arrombar a porta do banheiro quando a esposa, chorando, se refugiou ali. Perdeu o casamento e muitos clientes.

Dino Miraglia, que já foi chamado de Cidadão Mais Você, no programa de Ana Maria Braga, por tirar da cadeia um homem condenado injustamente, hoje evita dar entrevista, e fala com poucos amigos. A um deles, disse que, se o governo de Minas remover a lama da Samarco, vai encontrar, além de vítimas, esqueletos no armário do governo de Aécio Neves/Antônio Anastasia, com casos de truculência policial, manipulação da justiça e corrupção.

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Joaquim de Carvalho
No DCM
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Abaixo a desigualdade, abaixo a ditadura

Dados mostram como ditadura aumentou a desigualdade, inclusive no período de maior crescimento econômico. 

“Tudo mudou muito rapidamente após a ruptura institucional em 1964 e não há nenhuma explicação melhor para o salto da desigualdade. A solução que a ditadura deu para a crise econômica e fiscal de 1964 a 1967 foi fazer um ajuste recessivo brutal. Por vários caminhos, as decisões político-econômicas diminuíram o custo do trabalho e aumentaram os ganhos de capital.”
(Pedro Ferreira de Souza, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA - e da Universidade de Brasília).

 
Enquanto isso, a Revista Veja, em 1972, fazia coro com a visão da ditadura de crescer sem aumentar salários:

"O assalariado vai querer ganhar mais apenas para consumir; a empresa desejará maiores lucros para investir, criar novas fábricas, novos empregos, de que o país precisa – logo, ela tem prioridade."

A matéria está publicada no El País e é de autoria de Flávia Marreiro, com base em pesquisa do Ipea que reproduz metodologia utilizada pelo francês Thomas Piketty, em seu livro O Capital do Século XXI (2014).

Série inédita brasileira mostra salto da desigualdade no começo da ditadura


Em 1965, a fração recebida pelo 1% mais rico, considerando apenas os rendimentos tributáveis brutos (só o passível de pagar tributo), era cerca de 10% do bolo total. Apenas três anos depois, a cifra vai a 16%. Em outras palavras, se em 1965 o 1% mais rico ganhava cerca de 10 vezes a renda média do país, em 1968 esse número subiu para 16 vezes. É a partir desse patamar, já alto, que durante o milagre, a disparidade segue aumentando.

As conclusões acima fazem parte dos resultados preliminares do estudo feito por Pedro Ferreira de Souza, pesquisador do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e da UnB. Souza integra um núcleo pioneiro do estudo da desigualdade no Brasil, que vem usando, pela primeira vez sistematicamente, informações das declarações do Imposto de Renda de quase um século de registros tributários brasileiros. Ao lado de Fabio Castro e do orientador Marcelo Medeiros (UnB e IPEA), utiliza a mesma metodologia do francês Thomas Piketty, que deu novo impulso ao debate global sobre as consequências econômicas e sociais da desigualdade com seu livro O Capital do Século XXI (2014).

Piketty não tratou de Brasil em seu livro — há dados apenas de Argentina e algo da Colômbia — e a maior parte da reflexão do francês está voltada às economias desenvolvidas. Por isso, os dados de Souza também ajudam a inserir a economia brasileira e da América Latina nos novos estudos sobre a desigualdade e a trajetória dela no tempo.

O pulo do gato desta linha de pesquisa está em, ao usar dados do imposto de renda, corrigir distorções na medição de desigualdade que aparecem quando se utilizam pesquisas de amostragem como a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE. No Brasil e no resto do mundo, esse tipo de pesquisa acaba subestimando a renda dos ricos: quer porque eles são menos acessíveis, quer porque têm menos habilidade ou intenção de falar de maneira precisa sobre seus ganhos.


"A emergente literatura sobre 'top incomes' (a concentração de renda no topo) conseguiu operar uma mudança nas interpretações da desigualdade nos países desenvolvidos. A ambição da análise dos meus dados é contribuir para isso no Brasil. Mudar o ponto de vista ajuda tanto a iluminar novas dimensões de antigos fenômenos quanto a revelar mudanças e características até então pouco visíveis”, escreve Souza.

Um debate acalorado

Com seus dados sobre o período da ditadura, o pesquisador de 33 anos está enveredando por uma discussão que movimentou os principais nomes da literatura econômica do país nos últimas décadas. Foi um debate extremamente acalorado nos anos 70, quando saíram os dados do Censo daquele ano.

As cifras registraram, em comparação ao Censo de 60, uma alta da desigualdade.

Numa época de polarização ideológica e rejeição à ditadura, duas principais correntes se firmaram. De um lado, estavam o brasileiro Rodolfo Hoffmann e o americano Albert Fishlow que apontavam para o arrocho salarial — o salário mínimo, já descontada a inflação, perdera 20% do seu valor real entre 1964 e 1967 —, além da repressão, como fator de importância na desigualdade.

O outro lado se firmaria em 1972, quando veio à luz o hoje clássico estudo de Carlos Langoni, que seria depois presidente do Banco Central nos anos 80. Usando dados exclusivos do Censo e outros dados tributários cedidos pelo então ministro Delfim Netto, Langoni usou a chamada teoria do capital humano para apontar o nível de educação como principal fator isolado para explicar o aumento da desigualdade. Como o Brasil crescia a taxas altas no milagre, a demanda por profissionais qualificados era maior que a oferta deles no mercado, forçando o aumento dos salários e, portanto, da renda, dos que estavam nesse topo.

Obviamente, nenhuma das duas correntes explicava o todo, ainda mais quando se levaria tempo até ter dados organizados e anuais. Para complicar o panorama, a ditadura viu no estudo de Langoni um meio de construir a narrativa do "bolo em crescimento", o que carimbaria a análise dele por muito tempo.

"A filosofia do ministro pode ser assim entendida: se a riqueza nacional cresce de 100, não é possível distribuir senão esses 100; daí uma política ter que optar: quem ficará com essa nova fatia, ou com a maior parte dela? A resposta é esta: o assalariado vai querer ganhar mais apenas para consumir; a empresa desejará maiores lucros para investir, criar novas fábricas, novos empregos, de que o país precisa — logo, ela tem prioridade", escreve a revista Veja em 1972 sobre a filosofia de Delfim Netto citando o trabalho de Langoni. Pelo texto, o jornalista Paulo Henrique Amorim ganharia o Prêmio Esso, o mais prestigioso do jornalismo.

Na interpretação de Souza, a série histórica da desigualdade no Brasil que ele produziu faz o debate pender para Fishlow e Hoffmann quase quatro décadas depois. "Tudo mudou muito rapidamente após a ruptura institucional em 1964 e não há nenhuma explicação melhor para o salto da desigualdade. A solução que a ditadura deu para a crise econômica e fiscal de 1964 a 1967 foi fazer um ajuste recessivo brutal. Por vários caminhos, as decisões político-econômicas diminuíram o custo do trabalho e aumentaram os ganhos de capital", descreve o pesquisador.

A questão está longe de soar ultrapassada. No prefácio da terceira edição do estudo de Langoni lançado em 2005, outro expoente do estudo da desigualdade do Brasil, Marcelo Neri, da FGV e ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos sob Dilma Rousseff escreve: "Ouso dizer que o estudo de Langoni não foi superado. Seja pela atualidade da técnica utilizada (.), seja pelos resultados substantivos, que permanecem tão atuais quanto antes".

"A ironia da história é que o argumento de Langoni pode ter sido relativamente pouco relevante para entender a mudança na desigualdade na década de 1960, mas certamente é relevante, pelo menos parcialmente, para entender os níveis e tendências da desigualdade no Brasil nas últimas décadas", diz Souza, que passou o último ano na Universidade da Califórnia (Berkeley), sob a supervisão do francês Emmanuel Saez, parceiro de Piketty.

Com a série histórica, Souza não joga luz apenas no imbróglio da ditadura. Em seu trabalho, o pesquisador relaciona os ciclos políticos brasileiros e a desigualdade. Houve aumento dela durante a Segunda Guerra Mundial, quando a incipiente indústria nacional foi beneficiada pela forçada substituição de importações. No período depois e até a chegada na ditadura, há queda no índice, que chegou ao ponto histórico mais baixo. Sobre os dados de antes de 60, também inéditos, o pesquisador diz que ainda não tem uma interpretação definitiva sobre a queda da desigualdade: era um ciclo democrático, de substituição de importações, de urbanização. Uma pista é que na Argentina, também uma economia primária em transformação, o comportamento é parecido.

"O que os dados do Pedro (Souza) estão mostrando é que o caso brasileiro, de certa forma alinhado com o caso argentino, sinalizam que as explicações clássicas da desigualdade talvez não sirvam para todos os países do mundo. Talvez a gente precise de um outro tipo de explicação. Talvez não exista uma explicação geral, mas sim explicações locais", diz Medeiros, seu orientador na UnB.

Assim como nos anos 60 e 70, os 80 são de alta da desigualdade mais uma vez, mas, pondera o pesquisador, há "ruído" na tabela por causa da hiperinflação. É possível, afirma, apontar que a partir de "algum momento dos anos 1990", já na democracia, a desigualdade começa a cair.

Ciclos políticos e Governo Lula

Parte dos dados tributários, usados em trabalhos conjuntos dele com Medeiros e Fabio Castro, também complexifica a trajetória da desigualdade na era Lula-Dilma. Se as medições baseadas na PNAD mostraram uma queda da desigualdade depois de 2001, os números calculados com base nos dados tributários mostram uma estabilidade (mesmo na PNAD, há estabilidade em 2012 e 2013 no índice). Ou seja: pode ter havido redistribuição de renda, e consequente maior bem-estar, para grupos da base da pirâmide sem que isso tenha mexido na fatia relativa ao 1% mais rico. Por causa disso, na tabela da desigualdade no topo, há pouca alteração. O dado que contestava a narrativa sobre queda de desigualdade sob Lula provocou controvérsia durante as eleições presidenciais no ano passado.

"A pergunta que mais me fascina é: sob que condições sociedades democráticas e capitalistas conseguem redistribuir renda? A ênfase da literatura de top incomes é no papel de choques mais ou menos exógenos, principalmente a Segunda Guerra, para a queda da desigualdade", conta Souza. Ele lembra que, ao contrário do que o senso comum pode induzir a pensar, os países desenvolvidos tiveram, no começo do século 20, patamares de desigualdade próximos ao dos países latino-americanos e do Brasil na mesma época. Agora, as taxas se afastaram: enquanto o 1% mais rico na França tem 10% da renda, nos EUA a taxa é de 20%. No Brasil, 25%, a mais concentrada e desigual entre as grandes economias para as quais há dados.

"Não há casos bem conhecidos de países que tenham saído de um nível brasileiro e gradualmente, sem sobressaltos ou catástrofes, tenham chegado a níveis de desigualdade franceses, por exemplo. Não quero soar pessimista, talvez inventemos algo para resolver isso", lança o pesquisador, sem muita convicção. É um pensamento sombrio, ainda mais quando o país em crise discute como sair do maior retrocesso do PIB em 25 anos sem perder o que avançou em termos de combate à desigualdade e pobreza no período.

Antonio Lassance
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O dinheiro da Odebrecht para FHC era limpo e o do Instituto Lula, sujo?


A revelação de que, ao longo de 13 meses, o Instituto Fernando Henrique Cardoso recebeu quase R$ 1 milhão em “mesadas” da Construtora Odebrecht — aparentemente sem a contraprestação de serviços — é destas coisas de deixar a oposição com um elefante entalando a goela.

Como, agora, acusar Lula de lobista da empreiteira?

Sem contar a história da “palestra que não podia ser palestra” negociada pela Braskem com FHC através de e-mails. Como a Braskem, além  de grande cliente da Petrobras é 49% pertencente à petroleira e, portanto, seu dinheiro também é metade Petrobras.

Será que algum procurador vai chamar Fernando Henrique para depor e justificar o recebimento desta bolada, como fizeram a Lula?

Será que alguém acredita que a doação nada tem a ver com “política”, mas que se deve a algumas aulas particulares dadas pelo ex-presidente tucano aos executivos, do tipo “Curso Rápido de Como Falir um País? Ou um “Guia Prático para Comprar Patrimônio Público na Bacia das Almas”?

O castigo à soberba e  à hipocrisia do “Lorde” veio a cavalo.

Vai ter de sustentar que o que ele recebia era “cheiroso” e o pago ao Instituto Lula por palestras, com nota fiscal e declarado era “sujo”.

Aliás, será que FHC registrou os valores da mesma forma?

Fernando Henrique teve todas as oportunidades de ser claro. Mas em abril deste ano desconversou e saiu pela tangente ao responder a uma pergunta de empreiteiras ajudavam a bancar seu instituto:

“Pode ser que tenha recurso aqui, não sei. Muita gente deu recurso. Mas aqui o recurso é para fazer o que estamos fazendo. Não tem nenhuma relação com política, com partido, nada”, afirmou o ex-presidente, depois de ser questionado se o Instituto FHC recebeu doações das empreiteiras que estão sob investigação da Lava-Jato”, disse ele ao Valor Econômico.

Convenhamos que R$ 975 mil reais em um ano não é uma quantia “esquecível”.

A não ser que FHC esteja criando uma nova versão de sua famosa frase: “esqueçam o que recebi”…

Fernando Brito
No Tijolaço
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O espírito do passado

Dilma Rousseff tem de mostrar que a democracia ainda precisa de uma guerrilheira

Os velhos tempos de uma jovem desassombrada
Véspera eleitoral de 2010, almoço em uma “mansão” de bairro “nobre”. Singulares situações, embora largamente justificadas, me escalam à mesa de alguns “colunáveis” a rodearem o rei da Suécia, como se sabe casado com brasileira e desde então a fazer lobby do seu célebre caça Gripen. Coloquei algumas palavras entre aspas por obra de respeitosa adequação ao linguajar do jornalismo nativo.

Permito-me uma digressão. Eu também moro em região “nobre”, os Jardins paulistanos, e me abalo a garantir que de nobre ali não há coisa alguma. O bairro do almoço, de fato um banquete, é ainda mais graúdo, e me pergunto como o chamariam os repórteres ao confrontá-lo com o meu. Nobilíssimo? Principesco?

Reina naquele recanto uma acentuada balbúrdia arquitetônica, de sorte a impor no mesmo cenário a casa dos sete anões, sempre à espera da neve, e Tara, moradia neoclássica de Scarlett O’Hara, em meio aos algodoais. Ou a vivenda de Zorro e um disco voador.

Há outros contrastes, contudo, naquele faiscante rincão: nele se encravam favelas do tamanho de históricas cidades europeias, uma Siena ou uma Bruges. Sem maior tormento por parte dos moradores, acham tudo muito natural. Afora os assaltos.

Retorno ao almoço opíparo. Inquietava a alguns dos convivas a perspectiva de ver eleita uma “guerrilheira” (continuam as aspas) de origem búlgara, uma tal de Dilma Rousseff. A conversa produzia um ruído desagradável aos meus ouvidos e lá pelas tantas não me contive e, de lança em riste, proclamei que uma coisa é ser guerrilheiro contra uma ditadura e outra é sê-lo contra um Estado de Direito.

É a diferença entre Dilma, digamos, e Cesare Battisti, o assassino que ganhou asilo no Brasil graças à devastadora ignorância nativa, alimentada, inclusive, por muitos ditos esquerdistas nas nossas plagas.

Exagerei, repito. Em determinados momentos pareço-me com Pickwick, a personagem de Dickens que perdia as estribeiras enquanto aumentava a empolgação do revide. Deveria eu era ter dado uma gargalhada. Nem sempre, infelizmente, reajo como convém no confronto com a selvageria.

Por exemplo. Como reagir diante das últimas capas das revistas Veja e Época? Independentemente das acusações que precisam ser provadas, algo similar não aconteceria, disso tenham certeza, em qualquer país civilizado e democrático.

Deputados-pedem-impeachment
Os adeptos do “Fora Dilma” acham, em boa ou má-fé, que o impeachment resolve
Thyago Marcel/Câmara dos Deputados
Ninguém à mesa imaginava que algum dia ainda culparia Lula por ter cumprido a mesma tarefa desempenhada pelo rei da Suécia, afável presença, alheia ao entrevero, e a quem não foi simples explicar-lhe as razões. De todo modo, alguém perguntara se um nascido em terra estrangeira, ou seja, o abaixo assinado, teria direito de tomar aquelas ofensivas atitudes.

A evocação se deve a uma consideração posterior: Dilma Rousseff não foi a “guerrilheira” sugerida naquele almoço guardado na memória. Fez, porém, um governo inquestionável até final 2013, conforme prova em sua magistral coluna desta edição o professor Delfim Netto. Os problemas fermentaram em seguida, e não apenas como efeito da crise econômica mundial. Os resultados estão aí, e nos penalizam a todos.

Os adeptos do “Fora Dilma” acham, em boa ou má-fé, que o impeachment resolve. Enganam-se, obviamente. Nada pior do que golpear fatalmente a nossa incipiente democracia. Do seu lado, Dilma, para não conferir sentido à sua presidência, não tem, na minha opinião, outra saída a não ser encarnar o espírito da guerrilheira prometida, e temida, e não cumprida.

Adaptada aos dias de hoje e às esperanças de quem sonha o Brasil como um país feliz para todos. Trata-se de reencontrar a energia da juventude combativa para assumir a chefia afetiva do governo e reavaliar as políticas até aqui implantadas, e as figuras políticas chamadas a pô-las em prática.

Trata-se, sobretudo e antes de mais nada, de enfrentar de cara aberta uma oposição desvairada, apoiada pelo delírio midiático e favorecida pela tibieza das reações dos seus alvos. Contra a desesperança, é preciso mostrar imperiosamente que o País não está desgovernado.

Mino Carta
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As atividades comerciais do IDP e a justiça que não quer ver


Nos próximos dias 9 a 11 de novembro, o IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público) estará realizando seu 18º Congresso de Direito Constitucional.

O IDP é de propriedade de Gilmar Mendes, Ministro do Supremo Tribunal Federal. Dentre os patrocinadores do evento, empresas com grandes demandas no STF.

Pergunto aos preclaros Ministros do STF, aos membros do Conselho Nacional de Justiça: até quando se passará ao largo dessa ação mercantilista de Gilmar, fingindo que faz parte da normalidade?

A imprensa escandaliza até patrocínios de empresas a congressos de juízes — isto é, a toda uma categoria de juízes. Levanta até a marca do vinho servido para esquentar as denúncias. E essas denúncias geram representações junto ao CNJ.

Como fechar os olhos a patrocínios que beneficiam diretamente um Ministro do STF que é relator de inúmeros processos envolvendo seus patrocinadores?

Onde está a moralidade, nesses tempos saudados como novos pelo advento da Lava Jato?

Há um cadáver no meio da sala da casa da moralidade. E finge-se que ele não existe.


Luís Nassif
No GGN
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Manuscrito aponta ‘custo ministro’ de R$ 2,5 mi para Nardes

Os procuradores da Zelotes encaminharam a Janot um papel manuscrito recolhido na casa do advogado Edison Pereira Rodrigues, ex-presidente do Carf e ligado à SGR Empresarial, que liga a propina ao ministro do TCU


Reportagem publicada na edição deste fim de semana da revista ‘Istoé’ aponta que o ministro do Tribunal de Contas da União Augusto Nardes pode ter recebido R$ 2,5 milhões do esquema apurado pela Operação Zelotes.

De acordo com a matéria, os procuradores da Zelotes encaminharam ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, um papel manuscrito recolhido na casa do advogado Edison Pereira Rodrigues, ex-presidente do Carf e ligado à SGR Empresarial.

“O documento mostra que seu autor incluiu o que chamou de “custo ministro” ao fazer cálculos sobre uma prestação de serviço cujo resultado final é “R$ 2.556.974”. Para os investigadores é uma referência a Nardes”, diz a reportagem.

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Fonte: Revista Istoé
No início de outubro, o jornal “Folha de S. Paulo” revelou que documentos da Polícia Federal, confiscados durante investigações da Operação Zelotes, comprometeriam o ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU).

De acordo com os documentos obtidos pela reportagem, o ministro Nardes “ainda era um dos donos da empresa Planalto Soluções quando ela fechou uma parceria com uma das principais firmas de consultoria envolvidas no escândalo do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais)”.

Foi Nardes que, no mesmo mês, recomendou a rejeição das contas 2014 do governo Dilma Rousseff.

No Agência PT de Notícias, com informações da ‘Istoé’
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Brasil-EUA: A submissão, a “cooperação” e a soberania

http://www.maurosantayana.com/2015/11/brasil-eua-submissao-cooperacao-e.html

A vocação para submissão de parcelas do Judiciário e da área de segurança brasileiras às autoridades norte-americanas é impressionante.

Como exemplo, temos a “colaboração” prestada pelo Ministério Público e pela Operação Lava-a-jato a procuradores norte-americanos que estão recolhendo provas contra a Petrobras e oferecendo acordos de delação premiada a presos brasileiros submetendo-se colonizada, e alegremente — nas barbas do Ministério da Justiça — às autoridades de um país estrangeiro, como se elas tivessem jurisdição em território nacional, em uma causa que envolve uma empresa de controle estatal que pertence não apenas aos seus “investidores” diretos, mas a todos os cidadãos brasileiros.

Depois, temos a romaria de procuradores e juízes aos EUA, para receber “homenagens” relacionadas a assuntos internos nacionais, e a recente presença de ministros da Suprema Corte em reuniões do Diálogo Interamericano — uma espécie de Foro de São Paulo às avessas — nos EUA. Já imaginaram um procurador norte-americano se deslocando para o Brasil para ser premiado por sua atuação, na investigação, digamos, de corrupção na General Motors, ou na AMTRAK, uma das maiores empresas estatais dos EUA — tradicionalmente deficitária — com mais de 20.000 funcionários, e presente nos 48 estados da Federação?

Como se não bastasse, agora, chega a vez do Rio de Janeiro tomar a iniciativa de anunciar a próxima abertura de um escritório da agência norte-americana de controle de drogas no Estado, a pretexto de prestar, às autoridades fluminenses, "consultoria" no combate ao tráfico e ao contrabando de armas.

Perguntar não ofende.

Considerando-se que as áreas de defesa e de relações internacionais são prerrogativa da União, e o fato de a agência norte-americana ser federal e não estadual, não seria o caso desses convênios e acordos passarem antes pelo crivo e aprovação do Itamaraty, do Ministério da Defesa, do Ministério da Justiça e da Comissão de Defesa e Relações Externas da Câmara dos Deputados?

Quando é que o Brasil vai começar a impedir ou a controlar as atividades de agentes norte-americanos de inteligência — espiões, leia-se, porque de outra coisa não se trata — em nosso território?

Essas áreas, tão solícitas em implorar o prestimoso “auxílio” norte-americano, e em aparecer nos Estados Unidos, em eventos mais "sociais" do que outra coisa, já ouviram ou conhecem o significado do termo reciprocidade, aplicado à relação entre estados soberanos?

Já se imaginou a Polícia Federal brasileira abrindo um escritório nos EUA, para prestar "consultoria" à polícia nova-iorquina no combate ao tráfico de armas?

Isso nunca ocorreria, pelo simples fato de que a população, a imprensa, o Judiciário e o Congresso dos EUA não o aceitariam, porque, ao menos nesse aspecto, eles têm vergonha na cara.

Vergonha, em nosso lugar, com esse tipo de atitude, não é outra coisa que países latino-americanos — com exceção do México, cada vez mais um estado norte-americano — vão sentir ao saber dessa notícia.

Vergonha, em nosso lugar e não outro sentimento, é o que vão ter nossos parceiros do BRICS, ao saber dessa notícia, já que todo o mundo sabe como os EUA agem: primeiro abrem um escritório em uma determinada área, depois um monte de escritórios de "cooperação" em várias outras áreas, e, depois, dificilmente dão o fora, sem criar problemas, a não ser que sejam derrotados e escorraçados, como ocorreu ao fim da guerra do Vietnam.

Ou alguém aqui imagina a Rússia, a Índia e a China convidando a polícia e os órgãos de inteligência norte-americanos a instalar escritórios e operar em seus respectivos territórios?

Não.

Eles não fazem isso, assim como não admitem que imbecis, em seus comentários de internet, em portais russos, indianos ou chineses, preguem a entrega de suas empresas ou de seu país aos EUA, ou encaminhem petições de intervenção à Casa Branca, como comumente ocorre, nestes tempos vergonhosos que vivemos, em portais e sites brasileiros.

Talvez por isso, a Rússia, a China e a Índia, sejam potências espaciais, militares e atômicas, enquanto nós estamos nos transformando, cada vez mais, em um ridículo simulacro de província norte-americana, apesar de sermos, com mais de 250 bilhões de dólares emprestados, o terceiro maior credor individual externo dos EUA.

Em tempo: em sua comunicação com a imprensa, o governo do Rio de Janeiro conclui dizendo que não pode dizer quando vai começar a operar o escritório norte-americano em território fluminense.

O anúncio oficial da instalação não será feito por nenhuma autoridade brasileira.

Ele será feito — incrível e absurdamente — como se estivesse ocorrendo em território norte-americano, pelo próprio governo dos EUA.

Nesta toada, conviria começar a pensar, com urgência, na realização de um plebiscito para a entrega do Brasil aos Estados Unidos.

Com isso, os bajuladores poderiam exercer seu amor aos gringos sem precisar de visto, ou de se deslocar para Miami ou Nova Iorque.

Aprenderíamos o inglês como primeira língua, sem necessidade de pagar as mensalidades do curso de idiomas.

E todos nós receberíamos em dólares, trabalhando e descansando quando Deus nos permitisse, já que nos EUA não existe sequer a obrigação de pagar férias remuneradas, por exemplo.

A questão é saber, se, juntamente com as riquezas e o território brasileiros, os EUA, tão ciosos de sua nacionalidade — aceitariam receber, sob sua bandeira, a "estirpe" de invertebrados morais, hipócritas, entreguistas, submissos e antipatrióticos em que estamos nos transformando.
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