6 de nov de 2015

Eduardo Cunha será escorraçado da vida pública

Cunha dirá que não possui contas, mas empresas que controlam dinheiro na Suíça


Aliados do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), já vazaram para a imprensa parte da defesa que o peemedebista pretende apresentar ao Conselho de Ética da Casa para fugir de um processo de cassação. Segundo informações da Folha e do Estadão, Cunha vai dizer que não mentiu sobre possuir contas na Suíça. Ele dirá que o dinheiro que mantém no exterior está em posse de duas empresas que ele abriu lá fora para administrar a venda de carne enlatada e aplicações no mercado financeiro.

Segundo a Folha, a defesa de Cunha pode até garantir ao deputado uma sobrevida na Câmara, pois os aliados e aqueles que dependem do peemedebista para derrubar a presidente Dilma Rousseff (PT) do poder agora ganharam um roteiro de justificativas para as denúncias feitas contra Cunha pela Procuradoria Geral da República, no âmbito da Lava Jato.

Porém, segundo informações do jornalista Kennedy Alencar, membros do Ministério Público Federal já apontaram que a defesa de Cunha é "frágil" diante dos indícios levantados pela PGR e pelo Ministério Público da Suíça contra o parlamentar. Eles teriam citado, por exemplo, a identificação de datas de inúmeros depósitos que coincidem com o pagamento de propina relatado por delatores da Lava Jato. Cunha diz que em suas contas não entravam depósitos de origem duvidosa, apenas saiam os rendimentos de suas aplicações financeiras e do trabalho de mascate, iniciado há mais de 20 anos.

Ao Conselho de Ética, Cunha vai alegar que desconhecia a origem do depósito de 1,3 milhão de francos suíços feito em 2011 em uma de suas contas, conforme relatado na Lava Jato pelo lobista João Henriques, réu delator ligado ao PMDB e preso na operação.

Para explicar o fato de ter ficado com o dinheiro, ele vai dizer que suspeita que era referente a um pagamento de um empréstimo de 1 milhão de dólares que fez, em meados de 2007, ao ex-deputado Fernando Diniz (PMDB), morto em 2009. À época, Diniz teria perdido muito dinheiro em negócios no exterior e recorreu a Cunha, segundo a versão do presidente da Câmara. O delator disse à Lava Jato que enviou o dinheiro a Cunha a pedido do filho de Fernando Diniz, mas que não sabia que a conta na Suíça pertencia ao presidente da Câmara.

Para justificar o restante do dinheiro nas quatro contas ligadas pela PGR a Cunha, ele dirá que parte é fruto da venda de carne enlatada para a África e de operações no mercado financeiro, que datam das décadas de 1980 e 1990, e que seus negócios nada têm a ver com empresas da administração pública. O Estadão escreveu que antes de virar político, Cunha descobriu um “filão de mercado: a venda de carne processada e enlatada em consignação para países africanos. Como o negócio cresceu, ele decidiu abrir uma conta fora do Brasil”.

Na Câmara, para escapar da cassação de mandato, Cunha dirá ainda que não faltou com a verdade na sessão da CPI da Petrobras na qual ele afirmou que não possui contas no exterior em seu nome. Ele vai dizer que as contas confirmadas pela PGR são de dois trustes que pertencem ao deputado, mas são controlados por terceiros - logo, não são simplesmente contas bancárias em paraísos fiscais.

“Como mostram os documentos enviados ao Brasil pela Suíça, as contas de Cunha são administradas por empresas e trustes controlados por ele, e que têm ele e seus familiares como beneficiários. O deputado disse aos colegas que foi questionado na CPI se era titular de contas e diz que isso ele não é, porque elas foram registradas por empresas que abriu fora do país”, escreveu a Folha. “O Código de Ética diz que ocultar parte relevante do patrimônio é quebra do decoro parlamentar e, portanto, motivo para cassação", acrescentou.

Cunha pretende, por fim, reconhecer que seu único erro foi o de não declarar sua fortuna aos órgãos competentes. De acordo com os relatos, ele dirá que nunca deixou na conta valor que atingisse o valor mínimo obrigatório para declaração de renda. Porém, vai negar a denúncia da PGR, de que o dinheiro que chegou a irrigar seus fundos na Suíça teriam circulado por ao menos 23 contas bancárias numa aparente tentativa de encobrir a origem criminosa dos recursos. Ele também vai negar que sua família tenha gastado 59 mil dólares com cursos de tênis. “O dinheiro teria sido usado para pagar a escola e o alojamento de um dos seus filhos naquele país.”

No GGN



O que se deve esperar agora no caso Cunha


Com a abertura dos trabalhos na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados e nomeado o relator que irá conduzir o parecer que será apreciado pelos seus pares, foi dada a largada, oficialmente, para o processo que definirá o futuro do cidadão que já entrou para a história da casa mais importante da república como o seu pior e mais irresponsável presidente. E isso é realmente um feito difícil de se alcançar.

Eduardo Cunha, em apenas meses de atuação como a terceira pessoa na hierarquia democrática do país, conseguiu fazer com que retrocedêssemos décadas em assuntos de extrema importância social, econômica e política; articulou das formas mais desonestas possíveis, medidas que beneficiavam diretamente os seus patrocinadores; desrespeitou como jamais visto, as regras e rituais estabelecidos pelos regulamentos internos em prol de seus interesses particulares e afrontou perigosamente a independência e a harmonia existente entre os três poderes.

Desde a época do caricato Severino Cavalcante, que chegou à presidência da Câmara em fevereiro de 2005 e teve que renunciar pouco tempo depois por envolvimento em cobrança de propinas, não víamos alguém tão desqualificado moralmente à frente de uma instituição de tamanha importância. Severino deve estar se regozijando por ter encontrado alguém mais despreparado para o cargo que ele próprio. Numa entrevista dada em setembro deste ano, o ilustre declarou, triunfante, que a Câmara dos Deputados sob a liderança de Cunha, “piorou muito”. Seria cômico se não fosse trágico.

O fato é que Cunha, no alto da sua arrogância, não poderá mais seguir os passos de Severino, renunciando ao mandato para não perder os direitos políticos uma vez que o inquérito já foi instaurado. A partir daqui, a julgar pelas acusações que pesam contra ele e pela materialidade das provas que se juntaram, segue-se um caminho sem volta que se inicia na sua merecida expulsão do parlamento brasileiro e vai dar em sua entrada apoteótica na cela do presídio mais próximo.

Evidente que isso seria garantido se contássemos com um sistema judicial realmente justo, se o Congresso Nacional não fosse povoado em grande parte por seres alheios à moral e à ética e se não possuíssemos uma arquitetura política que permite tantos conluios. Se por um lado o presidente da Comissão de Ética, José Carlos Araújo (PSD-BA), é um antigo desafeto de Eduardo Cunha, por outro, o relator, Fausto Pinato (PRB-SP), pertence a um dos partidos que ainda dão um suporte vergonhoso à permanência de Cunha na presidência.

O líder da bancada do partido, Celso Russomanno (PRB-SP), que não é exatamente um político conhecido por sua coerência e atuação, disse, em nota, que não irá haver nenhuma pressão sobre o relator. Sobre o fato do seu partido ter apoiado em massa a candidatura de Eduardo Cunha, disse, também em nota, que “naquela ocasião as denúncias agora trazidas à tona não eram conhecidas”. A inocência de Russomanno e de seu partido é comovente.

Seja como for, a relatoria do processo está definitivamente nas mãos de um parlamentar de primeira investidura e que só foi eleito graças à votação expressiva e sem sentido do próprio Russomanno que o levou à tira-colo. Não deixa de ser uma enorme oportunidade para que esse rapaz faça honrar os exatos 22.097 votos que conseguiu amealhar no maior colégio eleitoral do país.

A cassação do mandato de Eduardo Cunha é algo que se impõe sob todos os aspectos. Esse cidadão, sozinho, ridicularizou a Constituição Federal Brasileira, envergonhou todos os cristãos que, de boa-fé, lhes deram a sua confiança, trabalhou diuturnamente para a piora do cenário político e econômico do país, compactuou com o que de mais imoral pode existir na política e elevou a sua ganância e prepotência a um patamar superior ao da própria nação.

Como se não bastasse, a defesa que ele e seus advogados se propuseram a fazer para esclarecer as denúncias gravíssimas que se acumulam dia após dia é, seguramente, uma das maiores demonstrações de desrespeito a seus julgadores e principalmente aos cidadãos brasileiros. Atribuir milhões de dólares a pagamentos de empréstimos que ele nem se lembra a depósitos efetuados por “inimigos” e à venda de carne moída é chamar a todos de palhaço.

Se a justiça e a razão forem atendidas, Eduardo Cunha será escorraçado da vida pública, Fausto Pinato terá mostrado o seu valor e teremos virado uma das páginas mais ridículas da história do Congresso Nacional.

Carlos Fernandes
No DCM



Aécio pula do barco: Cunha “contamina” a Câmara e “provas são contundentes” contra ele


Aécio Neves, hoje, depois de meses de batons na cueca de Eduardo Cunha com o apoio cego de seu pitbull Carlos Sampaio ao presidente da Câmara:

“A posição dele é muito frágil. Claro que ela contamina toda a instituição, a convergência. A partir do momento em que surgem as denúncias, nossa bancada tem que votar com as provas, e as provas são contundentes contra Cunha”.
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O modelo caça às bruxas da Lava Jato


A versão de que a Lava Jato é isenta e só recorre a vazamento de delações premiadas tornadas públicas é constantemente desmentida pelos fatos. Ou melhor, pelos boatos.

Tome a reportagem do Valor de hoje, “Diretor da Oi ligado ao PT vira alvo da Lava Jato”.

Lá, fica-se sabendo que José Zunga Alves de Lima é suspeito de atuar em favor da Oi.

Os motivos que alicerçam a suspeitas são os seguintes:
  1. Ele é visto pela Polícia Federal como tendo “bom trânsito” junto a altos escalões do governo federal. Aliás, como todo conselheiro de agência reguladora que vai trabalhar no setor privado.

  2. Além de diversos contatos com autoridades, em nome da Andrade Gutierrez, “os quais  podem ter sido beneficiados por repasses ou travestidos de doações eleitorais, chama a atenção a intermediação do contato entre Zunga e Benedicto Junior (presidente da Odebrecht Infraestrutura) buscando resolver problemas relacionados ao Consórcio Mobilidade Bahia”.

  3. Zunga é próximo a Lula, que o indicou para conselheiro da Anatel.

  4. Zunga prestou assessoria à Gamecorp, de Lulinha, vendida para a Andrade.

  5. O relatório admite que Zunga pode ter sido procurado por Benedicto Junior devido ao fato da Andrade ter enfrentado o mesmo problema em São Paulo.
Ao jornal, Zunga negou conhecer qualquer pessoa da Odebrecht e negou interferências na Bahia, afirmando não ter nenhum conhecimento por lá.

Apenas isso bastou para que a Lava Jato vazasse as suspeitas contra uma pessoa, a suspeita ganhasse as páginas dos jornais e, a partir de agora, se inicie uma caça às bruxas.

Zunga intermediou repasses “travestidos de doações eleitorais”? Não há nenhuma comprovação no relato da PF. Ele “pode” ter feito isso, segundo o próprio relato.

Os únicos dados objetivos — e que explicam esse julgamento público — é de ele ter sido da CUT e, segundo o relatório, ser próximo a Lula.

No começo, eles pegaram meu vizinho, depois pegaram outros na rua, depois pegaram os judeus...

Há uma consciência jurídica no país, mas essa escalada está sendo alimentada de forma por uma mídia irresponsável e por um Ministro da Justiça medroso.

Luís Nassif
No GGN
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Joice Hasselmann, apresentadora do canal de vídeos da Veja, é demitida


A jornalista e apresentadora do TVeja, Joice Hasselmann, foi desligada de suas funções.

Joice foi denunciada por 65 plágios de veículos como Gazeta do Povo, Bem Paraná e G1 pelo Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas do Paraná (Sindijor-PR), que comprovou a cópia dos conteúdos.

DCM levantou na época que Joice Hasselmann plagiou também a própria Veja. Era um material original da Agência Estado e com título alterado, mas copiado palavra por palavra.

Até a denúncia, Joice fazia cerca de cinco vídeos semanais. Ela teve a participação reduzida e ficou com apenas um programa, dando mais espaço para Augusto Nunes, que a levou para a redação.
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Rompimento de barragens evidencia crimes ambientais de mineradoras


Crimes Ambientais

Até quando seremos reféns das mineradoras?


Em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, região de Ouro Preto, estourou a barragem de rejeitos da mineradora Samarco, uma união das multinacionais Marcona e Samitri, com participação da Vale. O número de mortos ainda não é certo, mas juntamento com feridos podem chegar a 60. A recomendação da empresa é no sentido de que os moradores da região deixem as suas casas em virtude da existência de novos riscos.

Os bombeiros atuam no local e o acesso à região é difícil. O quadro é de desespero e o socorro às vitimas está sendo feito por helicópteros enviados para o local pelo governo de Minas.

Enquanto isto a Vale, de Eike Batista, quer promover o destombamento provisório da Fazenda Velha, no município de Rio Acima, e construir uma barragem de rejeitos a 100 metros do combalido Rio das Velhas, o que é totalmente vedado pelas leis que regulam a matéria.

Para tanto, contam com a aprovação do projeto de lei 2846/2015 enviado pelo governador Fernando Pimentel (PT) à Assembleia Legislativa, que de acordo com fontes oposicionistas “já é visto como definitivamente aceito em plenário”, através de ajuste de interesse do presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Fernando Coura, ligado a Eike Batista e Pimentel. Quais as razões precípuas desta ligação? “Financiamento de campanha (?) indagam os ecologistas.

Visto como um retrocesso na política ambiental, definindo a proposição como “o AI-5 do Meio Ambiente”, integrantes do Movimento pelas Serras de Minas Gerais, sob promessa de sigilo, argumentam que esta posição deixa mal o governador Fernando Pimentel e o secretário de Meio Ambiente, deputado estadual Sávio de Souza Cruz.

Eles se preocupam igualmente com as áreas das águas e matas de canga deixadas fora do projeto da presidente Dilma Rousseff ao criar o Parque Nacional do Gandarela. Isto possibilitará a Vale dar sequência ao Projeto Apolo. Se aprovado o “AI-5 do Meio Ambiente” em última instância a decisão sobre projetos ambientais ficará a cargo do governador Pimentel, relegando todas as conquistas até hoje alcançadas.

Minas está vivendo uma situação crítica em termos dos rios São Francisco, Doce, Paraopeba e das Velhas. A cidade do Serro através, do Codema já rejeitou a implantação de uma segunda cava de Mina da Anglo American e em Conceição do Mato Dentro, próxima ao Serro, início do Vale do Jequitinhonha a água já começa a se transformar em “artigo de luxo”, o mesmo ocorrendo em Viçosa, na zona da mata mineira devido ao mineroduto da Ferrus Resorce. Talvez a aparição em cena do “Imponderável de Souza” leve as autoridades a refletir melhor. Afinal, a população de Minas Gerais não pode continuar sendo refém de mineradoras.

Geraldo Elísio-Repórter
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Portal R7 cunhou

R7 cria episódio da bolinha de papel para Eduardo Cunha


O portal R7, ao noticiar a chuva de dólar que o deputado Eduardo Cunha (PMDB) recebeu essa semana de um manifestante na Câmara, criou um episódio muito similar ao que tentaram fazer com José Serra (PSDB) em sua empreitada presidencial, em 2010.

O tucano foi alvo de uma simples bolinha de papel no meio da rua, que muitos suspeitam que tenha partido até mesmo de integrantes de sua própria equipe, e, não fosse a internet para difundir as imagens reais do evento, Serra, inclinado ao drama, poderia ter alegado um dano irreparável à sua saúde após o atentado.

No caso de Cunha, a atmosfera dramática foi criada pelo R7, não pelo deputado. O veículo escreveu que o presidente da Câmara foi alvo de um "protesto violento", pois um "manifestante solitário" teria jogado contra o parlamentar um "bloco" de dinheiro falso, bem na cabeça do peemedebista.

O que se vê em imagens que viralizaram essa semana, no entanto, foi uma verdadeira "chuva" de dólares com a cara de Cunha estampado. Nas cenas, o peemedebista demonstra incômodo, mas segue com a entrevista que concedia à imprensa, no Salão Verde da Câmara.

O manifestante solitário do R7, na verdade, é secretário-geral da União Nacional de Estudante, que ficou detido por algumas horas após entregar a Cunha a "encomenda" da Suíça. Outro grupo, o Levante Popular da Juventude, também participou do ato e teve um de seus membros igualmente detido.

No GGN
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Direito de Resposta — Entrevista com Roberto Requião


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A imprensa ética não deve temer o Direito de Resposta, diz Requião

Em entrevista a CartaCapital, o senador do PMDB-PR rebate as críticas da grande imprensa ao projeto que regulamenta o direito de resposta

Com a aprovação do projeto que regulamenta o direito de resposta em veículos de comunicação, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) comemora uma batalha que vinha travando quase isoladamente no Senado Federal faz quatro anos.

A primeira Lei de Imprensa no Brasil que trata do tema data de 1923, de autoria do senador Adolfo Gordo. De lá pra cá, entre interregnos de ditadura e democracia, direitos e garantias fundamentais foram ora subtraídos ora restituídos.

Com a Constituição de 1988, o artigo 5º previu o direito de resposta, mas prescindia de norma infraconstitucional para sua regulamentação.

Com a derrubada da Lei de imprensa pelo Supremo Tribunal Federal, em 2009, um vazio jurídico foi criado dificultando a defesa de quem se sentia ofendido por informação divulgada pela imprensa. Requião acredita que a imprensa terá mais cautela em divulgação de denúncias.

O que muda na relação entre órgãos de comunicação e seus denunciados?

É a regulamentação do princípio constitucional do direito de resposta, que não atingirá nenhuma empresa de comunicação que se comportar dentro do princípio da ética. O código de ética do jornalismo diz que sempre deve ser ouvida a outra parte.

O meio de comunicação que publicar uma matéria — que não pode ser censurada de jeito nenhum, pois a censura é uma estupidez — e der igual espaço para o acusado se defender, nunca será atingido. Mas hoje a imprensa acusa, julga, condena e não deixa a parte falar. Não se trata de ser verdade ou não ser verdade, o que é acusação tem que ter contraditório.

O que inspirou o projeto?

O escândalo da Escola Base em São Paulo [Famoso caso de estudo dentro da área de jornalismo]. Em 1994, o casal Icushiro Shimada e Maria Aparecida Shimada, donos de uma escola na Aclimação — a Escola Base —, área nobre da capital paulista, foram acusados injustamente de abuso sexual de crianças. Eles foram presos e tiveram a escola destruída e pichada. A mulher morreu em 2007 e o marido em 2014.

Os processos contra os veículos de comunicação ainda correm na justiça. Um outro casal sócio da escola, que também foi preso, processa órgãos de imprensa pela forma como o caso foi divulgado. O laudo mostrou que as crianças não eram violentadas, mas sim, tiveram irritação causada pelas fraldas). Outro caso foi a acusação injusta contra o senador Luiz Henrique (PMDB-SC) de ter ajudado uma pessoa a furar fila para uma cirurgia. Ele morreu sem ter o direito de se defender.

Houve pressão da grande imprensa?

Sim. A Abert (Associação Brasileira dos Emissoras de Rádio e Televisão) mandou representante nos gabinetes dos senadores. Pressão em cima do plenário. Teve senador que votou contra porque representa esses interesses. Na verdade estou garantido o direito ao contraditório, essência da democracia.

A imprensa ficará mais cautelosa?

As empresas vão pensar muito no que estão fazendo. Já pensou o Jornal Nacional ser desmentido ao vivo? Lembra do Brizola? Precisou de 5 anos para ter aquele direito de resposta. (Em 1994, o apresentador Cid Moreira teve que ler um pedido de direito de resposta ao vivo. O incidente foi considerado histórico dentro do direito e pela dimensão que teve).

Sem nenhuma lei,  os órgãos de comunicação tomaram o freio nos dentes, passaram a condenar sem dar oportunidade de defesa a ninguém, defendendo seus interesses comerciais e ideológicos.



A grande imprensa criticou o projeto

É desespero, o esperneio. Querem consagrar o direito em chantagear todo mundo. Quem proceder com ética não será atingido pela lei. Os tempos de ferir a honra e dignidade acabaram.

Acredita que a presidente Dilma vá sancionar o projeto?

Espero que sim, a não ser que o Levy vete!

Henrique Beirangê
No CartaCapital
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Uma reforma administrativa com foco errado


Não existe nada pior na administração pública do que as medidas tomadas de afogadilho. Principalmente quando mexem com processos internos da máquina pública.

A estrutura do Estado é diferente de uma empresa privada. Na empresa privada há um objetivo unificador: o lucro. E toda uma literatura a respeito da organização de cada setor, identificando as melhores práticas.

O setor público é diferente. Ele deve refletir a própria estrutura social e política da República. Por isso mesmo não se move por manuais, mas por construções sociais e econômicas personalíssimas.

***

A transformação de secretarias de direitos humanos em Ministérios foi uma dessas obras sociais construídas ao longo de anos. Abriu-se espaço para as novas bandeiras. Esses espaços foram sendo apropriados por representantes dos mais diversos setores. Depois, ganharam status de Ministério, podendo transitar por outros ministérios através de políticas horizontais.

Era como cada minoria se visse representada na estrutura do governo – e do Estado.

Em cima do novo modelo, foi construída toda uma engenharia social, de consolidação de laços com segmentos da sociedade e de formas de relacionamento intra-governo, como ocorre com a Secretaria de Direitos Humanos, das Mulheres, da Igualdade Racial e assim por diante.

Internamente, foram anos e anos para aprimorar as formas de relacionamento com outros Ministérios e autarquias.

* * *

O mesmo aconteceu com outras políticas horizontais voltadas para produtividade, como é o caso do setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC).

Hoje em dia é setor estratégico para qualquer país. Seu faturamento global supera os das próprias indústrias petrolífera e automobilística. Caminha para ser a próxima revolução industrial, com a chamada Internet das Coisas.

Em vários países tornou-se peça central na formulação de políticas econômicas e principalmente na formulação das agendas futuras.

No Brasil, apenas o setor industrial de TICs tem faturamento superior a R$ 100 bilhões, com mais de 130 mil empregos diretos. Além disso, foi responsável pela construção de vários centros de P & D (Pesquisa e Desenvolvimento) bancados por setores produtivos.

A reforma administrativa anunciada pretende extinguir a Secretaria de Política de Informática, hoje ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

Na outra ponta, a junção do Ministério da Previdência com o do Trabalho criará um pterodáctilo que não dará conta nem de uma coisa ou outra.

* * *

Ora, mesmo deixando de lado as diferenças entre Estado e iniciativa privada, nenhum dos dois ambientes pode-se basear em análises simplórias de superposição de funções para definir  enxugamento.

Em todas as organizações há setores-âncora para cada atividade horizontal, cujas ações são distribuídas pelos diversos departamentos. Cabe a esses setores definir a formas de implementação de cada politica corporativa da qual ele é responsável.

Há um grande desafio pela frente, que consiste na desburocratização do Estado. É tarefa ciclópica mas, seguramente, não é esse o caminho percorrido pela reforma administrativa.

Implementada de afogadilho, ela poderá destruir grande parte dessa cultura do setor público, que permitiu avanços substanciais em diversas frentes. Praticamente paralisou os trabalhos nesses órgãos, substituiu o entusiasmo pela descrença, desmontará programas vitoriosos.

Tudo isso pela economia de alguns salários de Ministérios e Secretários, de valor ínfimo perto do orçamento público.

Luís Nassif
No GGN
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Nota à sociedade

Luís Cláudio Lula da Silva prestou, ontem (4/10), em Brasília, esclarecimentos ao Delegado de Polícia Federal Marlon Cajado, que preside os inquéritos da "Operação Zelotes". Teve a oportunidade de afastar suspeitas que foram precipitada e injustamente lançadas sobre sua atuação profissional e remuneração recebida pelos trabalhos prestados pela LFT Marketing Esportivo. São cinco os mais significativos pontos de sua fala:

Sobre o know-how esportivo: Luís Cláudio mostrou que sua expertise não se restringe à formação superior em Educação Física, mas tem lastro na prestação de serviço, por 5 anos ininterruptos, em 4 dos mais destacados clubes de futebol do País — São Paulo Futebol Clube, Sociedade Esportiva Palmeiras, Santos Futebol Clube e Sport Club Corinthians Paulista. Já como proprietário da LFT Marketing Esportivo, Luís Cláudio prestou, por cerca de 2 anos, assessoria ao Corinthians, trabalho que teve por objeto, dentre outras frentes, o desenvolvimento do esporte amador e a captação de patrocínio privado. Ele mencionou também a experiência de organização, nos últimos 4 anos, de um campeonato nacional de futebol americano, conhecido como "Torneio Touchdown". Desta liga participam, dentre outros, os seguintes times: Flamengo, Botafogo, Vasco da Gama, Santos, Portuguesa e Corinthians;

Sobre a Marcondes & Mautoni: Luis Claudio confirmou ter prestado serviços para a Marcondes & Mautoni, através da LFT Marketing Esportivo. Disse ter chegado a essa empresa quando procurava patrocínio no setor da indústria automobilística, medida necessária pela perda do patrocínio da Hyundai, após 2 anos de participação no "Torneio Touchdown". Registrou nunca ter tido, até então, nenhum contato com o Sr. Mauro Marcondes e que foi no campo estritamente profissional a natureza da relação que se estabeleceu;

Sobre o tipo de trabalho realizado: Luís Cláudio confirmou a existência de contratos entre a LFT e a Marcondes & Mautoni, o que ficou provado pelo confronto com material de informática apreendido pela Polícia Federal, quando da busca e apreensão nesta última empresa. Ao final dos trabalhos, foram entregues relatórios sobre cada um dos projetos elaborados, resumindo os temas analisados, tendo conservado cópia deste material. Ressalvou que os trabalhos eram originais dentro de sua área de atuação, demandando horas de pesquisa, avaliações setoriais e elaboração propriamente dita. O foco, em grande parte, estava relacionado à Copa do Mundo FIFA 2014 e às Olimpíadas 2016. O material foi colocado à disposição da PF ontem e hoje (5/10) efetivamente entregue, por seus advogados, na Superintendência de São Paulo da PF. Os advogados receberam esse material, para subsidiar providências jurídicas tornadas necessárias após a desmesurada exposição midiática do tema;

Sobre os pagamentos recebidos: Luís Cláudio confirmou ter recebido pagamentos — e não repasses — da Marcondes & Mautoni entre junho de 2014 e março de 2015, à medida que os trabalhos contratados foram executados. Disse que todos os valores foram declarados à Receita Federal e que houve a emissão de notas fiscais, com os devidos impostos recolhidos. Informou também que já usou parte substancial para viabilizar o "Torneio Touchdown" e continuará a dispor do capital para essa finalidade, porque acredita no negócio e no seu potencial de desenvolvimento no País.

Sobre a inexistência de quadro de funcionários: A LFT não tem corpo de funcionários no regime CLT. Luís Cláudio esclareceu que, para os trabalhos em questão, não houve subcontratação ou terceirização de outras empresas, o que poderia ter ocorrido, se houvesse a implementação dos projetos ofertados. Em relação à Touchdown, informou que, da mesma forma, a empresa não possui funcionários em regime CLT e que contrata prestadores de serviço, que emitem notas fiscais por cada atividade exercida.

No caso de Luís Cláudio Lula da Silva houve uma inversão lógica do procedimento. O ato de busca e apreensão foi requerido por dois membros do Ministério Público Federal, embora o relatório da Polícia Federal, elaborado após mais de 7 meses de investigação, não apontasse nenhuma situação concreta que pudesse, ainda que remotamente, configurar indício da prática de qualquer crime por Luis Cláudio. Se havia alguma dúvida, um depoimento — como o ocorrido na data de ontem — teria sido suficiente para superá-la e afastar a existência de qualquer ilegalidade.
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Entrevista com José Eduardo Cardozo


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Entrevista com Cláudio Lembo


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Erundina: “a reforma da mídia é mais importante que a reforma agrária”

Em meio aos esforços para lançar um novo partido, a deputada critica ainda o PT e os movimentos sindicais, que teriam sido “domesticados”

Erundina: “Parte da crise deste momento do país é a
desmobilização da sociedade civil”
Para a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), a reforma e a democratização dos meios de comunicação no Brasil são “mais importantes que a reforma agrária e urbana” pois, segundo ela, “no dia em que se fizer a reforma e a democratização das comunicações sociais no Brasil, teremos força política para fazermos todas as outras reformas estruturais que o Brasil deve à sociedade brasileira.”

A parlamentar participou de um seminário para discutir a dívida pública brasileira, realizado no último final de semana em São Paulo, e falou também sobre o quadro político em Brasília. “Parte da crise deste momento no país é a desmobilização da sociedade civil”, afirmou.

Ex-prefeita de São Paulo pelo PT entre 1989 e 1992, Erundina creditou o problema também a uma desmobilização de alguns setores. “Se domesticou o movimento sindical, inclusive, por governos ditos democratas populares, caso do Partido dos Trabalhadores e as esquerdas do país. Hoje não se tem mais oposição sindical, situação sindical. O 1º de maio nós sabemos como é celebrado. É com festas, shows muito caros, sorteio de automóveis e apartamentos”.

Prestes a completar 81 anos, Luiza Erundina revelou ainda que começará a coletar assinaturas para a criação de um novo partido do qual fará parte, o Raiz Movimento Cidadanista. O começo da coleta será no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre (RS), em janeiro de 2016. Serão necessárias quase 500 mil assinaturas para criar o que seria o 35º partido brasileiro.

A nova agremiação política é uma dissidência da Rede, encabeçada por Marina Silva, e surgiu após a ex-ministra apoiar o candidato tucano Aécio Neves no segundo turno presidencial, em 2014.

Erundina afirma que a nova agremiação é de esquerda e adepta do “eco-socialismo”: “a ideologia que permeia essa organização é o socialismo atualizado na sustentabilidade, na questão ecológica ambiental e preservação da natureza”.

Camilla Feltrin
No CartaCapital
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Globo manda Marcelo Campos Pinto embora


Figura-chave nos bastidores do futebol brasileiro nas últimas duas décadas Marcelo Campos Pinto está deixando a Globo Esportes, braço de negociações de direitos esportivos do Grupo Globo. O executivo ficou desgastado internamente após os escândalos envolvendo corrupção nas negociações de direitos da Fifa e Conmebol e da prisão de José Maria Marin, ex-presidente da CBF, de quem era próximo. Em maio, na festa de encerramento do Campeonato Paulista, Campos Pinto discursou que Marin "fez história no futebol brasileiro".

Comunicado assinado por Roberto Irineu Marinho, presidente do Grupo Globo, distribuído a diretores na quinta-feira (5), informa que Campos Pinto vai se aposentar no final do ano. Em seu lugar, a partir de segunda-feira (9), assumirá Pedro Garcia, diretor de Negócios dos canais SporTV, Premiere e Combate. A Globo Esportes ficará subordinada a um Comitê de Direitos Esportivos, formado por Carlos Henrique Schroder (diretor-geral da Globo), Alberto Pecegueiro (diretor-geral da Globosat) e Jorge Nóbrega (membro do conselho administrativo do grupo).

Nos últimos anos, Campos Pinto foi figura fundamental nos bastidores do futebol brasileiro. Deu as cartas nas negociações de direitos de transmissão. Em 2011, com a implosão do Clube dos 13, conseguiu manter o futebol na Globo negociando diretamente com os clubes. A TV passou a ser a principal fonte de receitas dos times. No ano passado, segundo estudo do Itaú BBA, Globo e seus canais pagos injetaram R$ 1,210 bilhão nas 23 maiores agremiações futebolísticas do país que arrecadaram R$ 3,113 bilhões no total.

A aposentadoria de Campos Pinto já vinha sendo planejada desde o primeiro semestre. A área de direitos esportivos da Globo e Globosat será liderada em breve por Roberto Marinho Neto filho de Roberto Irineu Marinho, como antecipou o em junho. Pedro Garcia, que está assumindo a Globo Esportes, será o braço direito de Marinho Neto, o executivo que se exporá nas negociações com cartolas.

A assessoria de imprensa do Grupo Globo diz que qualquer informação que não esteja no comunicado de Roberto Irineu Marinho é especulação. Leia a íntegra do comunicado:
"Comunico que, a partir de 9 de novembro, a Globo Esportes passa a se subordinar ao Comitê de Direitos Esportivos, formado por Carlos Henrique Schroder, Alberto Pecegueiro e Jorge Nóbrega. A estrutura da nova Globo Esportes englobará as equipes e atividades de TV Globo e Globosat já envolvidas hoje nos processos de aquisição de direitos esportivos. Pedro Garcia, atualmente diretor dos canais e produtos de esporte da Globosat, será responsável por liderar essa equipe conjunta, respondendo por toda estratégia de aquisição de direitos esportivos do Grupo Globo. Além disso, Pedro continuará supervisionando os canais Sportv e os serviços de pay per view PFC e Combate.

Marcelo de Campos Pinto, que durante vários anos liderou as negociações de direitos de futebol e Olimpíadas, deverá se aposentar no final do ano, apoiando a organização da nova estrutura durante novembro e dezembro.

Esta mudança representa mais uma etapa na busca de sinergias e integração entre as operações do Grupo Globo. Desejo ao Pedro muito sucesso em suas novas atribuições. Ao Marcelo, meu agradecimento pelo importante trabalho realizado durante mais de vinte anos de atuação no Grupo Globo.”

Roberto Irineu Marinho"

Daniel Castro
No Notícias da TV
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Sobre a compra de votos da emenda da reeleição de 1997


Fernando Rodrigues por quatro meses colheu provas da compra dos votos no Congresso. Nesse vídeo ele explica o que aconteceu e como foi abafado esse escândalo.

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A entrevista no SBT mostrou por que Lula é tão temido

Um orador
Você pode não gostar de Lula. Pode detestar. Pode abominar.

Mas você vê uma entrevista como a que ele concedeu ontem ao jornalista Kennedy Alencar, no SBT, e logo entende por que os caras têm tanto medo dele.

Imagine Lula, numa eventual campanha em 2018, debatendo com Aécio. Ou com Serra. Ou com Alckmin.

Ou com quem quer que seja.

É concorrência desleal. É profissional versus mirins.

O tempo deixou claro que desde Lacerda os brasileiros não viam um talento tão notável em oratória.

Com a diferença de que Lacerda falava a língua da classe média, e Lula fala a língua do povo.

Lula é um natural, para usar uma expressão inglesa. Nasceu orador. O resto foi consequência, da carreira sindical à presidência.

Ele fala com graça, com verve, com espírito. E, talvez o maior de seus atributos retóricos, transmite sinceridade.

Tudo isso se viu na entrevista de ontem.

A forma como ele referiu às invencionices contra seu filho Lulinha faz você rir e refletir. Ele disse que Lulinha é dono da Casa Branca e da Torre Eiffel.

Só com muito mau humor para não deixar escapar uma risada.

As referências a FHC foram também um dos pontos altos da entrevista.

Primeiro, na questão de fundo: a inveja que FHC parece ter de Lula. Com o correr dos dias, FHC foi diminuindo do ponto de vista histórico e Lula aumentando.

Hoje é claro que FHC governou para os ricos, para a plutocracia. E Lula para os excluídos.

É justo, num país tão desigual, que Lula seja por isso tão maior que FHC.

Lula deu também uma resposta definitiva a FHC na questão da corrupção. Toda vez que ele falar em corrupção tem que pensar na emenda que permitiu sua reeleição.

O Congresso foi comprado com dinheiro vivo, embalado em malas, para que FHC pudesse ter um segundo mandato.

Na questão da Petrobras Lula deixou escapar uma estocada sutil mas doída na imprensa.

Disse que jamais a nossa gloriosa imprensa o avisou de corrupção na Petrobras. É verdade. Nunca jornais e revistas fizeram nada no campo investigativo sobre a Petrobras.

É uma mídia viciada em vazamentos, em receber tudo no colo e depois gritar como se estivesse fazendo um outro Watergate.

Na entrevista, Lula mostrou também um bom senso que vem faltando a quase todo mundo.

Ficar falando em eleições três anos antes é uma insensatez. É conhecida a grande frase de Keynes: “A longo prazo estaremos todos mortos”.

Há um tempo para cuidar de eleições, e não é este de agora. Há problemas presentes que devem ser enfrentados antes de nos debruçarmos sobre 2018.

Temos na presidência da Câmara, por exemplo, um embaraço monstruoso, Eduardo Cunha.

E temos também uma imprensa que se bate até contra o direito de resposta, uma coisa sagrada em qualquer democracia.

Há hora para tudo.

Por enquanto, o que se viu, ontem, é que não é à toa que os caras temem tanto Lula.

Quem não temeria se estivesse no lugar deles?

Paulo Nogueira
No DCM
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Sheherazade treme na base após entrevista de Lula


Quem esperava um Lula acuado na entrevista que concedeu ao jornalista Kennedy Alencar nesta quinta-feira no SBT, deve ter tomado um susto.

Sereno e bem-humorado, o ex-presidente articulou bem as palavras, mostrou — com convicção flagrante — indignação com as acusações que lhe são feitas e, de quebra, lembrou fatos que o distinto público não está acostumado a ver.

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A dupla de apresentadores do Jornal do SBT (Sheherazade e um outro de quem ninguém lembra o nome), no intervalo entre a primeira e a segunda partes da entrevista, ainda tentaram prejudicá-lo.

A dupla destacou que Lula “Diz que não tem medo de ser preso”, como se sua prisão fosse iminente. Na verdade, tratava-se de resposta do ex-presidente a alusão do entrevistador a declaração do seu ex-chefe de gabinente, Gilberto Carvalho, de que pretendem “prendê-lo” para impedir que se candidate em 2018.

Lula fez o que melhor sabe, mostrou emoção e indignação diante da enormidade de tal hipótese. Mas melhor ainda foi a tranquilidade que demonstrou ante a artilharia do entrevistador.

Perguntado pelo entrevistador se poderia ser candidato em 2018 só para barrar a volta da “oposição” ao poder, matou a pau ao responder que só será candidato se tudo que construiu em seu governo estiver em risco.

Se Lula nunca tivesse governado o país, essa fala não teria tanto sentido. Mas com o recall que sua imagem no vídeo provocou — lembrança de como as pessoas melhoraram de vida durante seus dois mandatos —, a frase tem uma significação imensa para o público do SBT, composto, majoritariamente, pelas classes C e D.

Perguntado se não teria que saber de tudo que se passava em seu governo, recorreu às metáforas que o tornaram o presidente mais bem avaliado da história brasileira em um final de mandato: “Quantas vezes, Kennedy, você não sabe nem o que os seus filhos estão fazendo dentro da sua casa”.

Perfeito. Esse tipo de metáfora fala mais ao homem da multidão do que qualquer discurso empolado.

Perguntado sobre o volume de casos de corrupção no Brasil que vem sendo revelado, lembrou que tudo isso só está vindo a público porque hoje, ao contrário do que acontecia antes, tudo é investigado, doa a quem doer.

Por fim, confrontado com declarações desairosas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre si, vale mais traduzir o que ele deixou transparecer na resposta do que suas palavras literais. Em síntese, disse ao público que FHC o ataca porque tem inveja de ele ter terminado seu mandato com 80% de aprovação enquanto que o tucano terminou seu governo ao rés do chão.

Qualquer um poderia ter dado as respostas que Lula deu. Todos os que acompanham política sabiam o que seria perguntado e o que ele responderia. O importante, porém, não é o que foi dito pelo ex-presidente, mas a forma como foi dito e por quem foi dito.

Ainda que a direita midiática ache que é possível simplesmente fazer sumir da cabeça das pessoas o que representaram os oito anos de governo Lula para a esmagadora maioria dos brasileiros, isso é impossível. O povo pode ter memória curta, mas não é retardado.

Ao fim da entrevista, ressurge a dupla de apresentadores. Ambos lívidos, desconcertados, vendo que o Lula que tinham acabado de ouvir definitivamente não era o que esperavam.

A cara de abatimento de Sheherazade, ao anunciar as notícias do próximo bloco do telejornal após o fim da entrevista de Lula, disse tudo.

Eduardo Guimarães
No Blog da Cidadania
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Vídeo da entrevista de Lula a Kennedy Alencar

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