4 de nov de 2015

PIG sente o golpe. Direito de Resposta é aprovado


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Ano perdido

O custo social da crise é alto. Inútil, porém, para a oposição. Nem Dilma sai do cargo antes da hora nem está sepultada a chance do PT em 2018

Digamos ser verdadeira a opinião de que a crise econômica brasileira é política. Ou em formulação um pouco mais refinada: sua origem estaria na política e não na economia.

Não é algo incontroverso, mas são tantos os que concordam com a ideia que ela deixou de ser polêmica. A maioria dos analistas econômicos, o mercado, a mídia internacional e a “grande” imprensa local a repetem diariamente. Sem falar na oposição partidária, cujos expoentes a defendem com unhas e dentes. São eles que mais insistem na tese de que, de forma simplificada, se Dilma Rousseff fosse removida, por bem ou por mal, do cargo para o qual foi eleita, os problemas econômicos do País se resolveriam. Ou, no mínimo, seriam substancialmente menos graves.

Se acreditarmos nesse argumento, dele decorrem duas consequências lógicas. Primeira: não teriam sido eventuais erros na política econômica do primeiro governo Dilma nem as medidas que tomou desde o início do segundo mandato as razões maiores das dificuldades presentes. Ao dizer que “a crise é política”, perdemos a condição de responsabilizar a economia, incluída a forma de administrá-la.

Quem sustenta a tese presume que as causas fundamentais da crise estão na má gestão política: atritos com as principais lideranças do Congresso e do Judiciário, incapacidade de formar maiorias estáveis na Câmara e no Senado, falta de diálogo com as oposições e ausência de interlocução com movimentos sociais, entre outras. Aí estariam os verdadeiros entraves que impedem a solução dos problemas atuais.

A segunda consequência é menos óbvia. Se a origem da crise fosse primordialmente a incompetência da gestão econômica, seria fácil e até natural inculpar o governo. É dele a obrigação de evitá-la. Mas, se acharmos que a “crise é política”, as culpas teriam de ser repartidas.

A inconformidade da oposição em face dos resultados eleitorais é parte inevitável da instabilidade política
Créditos: Lula Marques
É possível a um governo fabricar sozinho uma crise econômica, apenas com seus próprios equívocos. Mas não uma crise política. Para se defrontar com uma, exige-se a ação da oposição. Sem ela, mesmo que sejam graves, a incompetência e a incapacidade de ação política não criam perturbações significativas.

O governo Dilma pode ter errado na gestão econômica e sido inábil na condução política. Mas não é sua a culpa pela crise política que o confronta. E, se subscrevermos a tese de que a “crise é política”, não seria dele a responsabilidade pelas atuais dificuldades econômica. Certamente, não a responsabilidade exclusiva.

Neste fim de outubro de 2015, essas questões vêm à mente. Completa-se um ano da vitória de Dilma Rousseff na última eleição, em meio à mais longa e grave crise política do Brasil moderno, pois as anteriores foram mais breves (a de Fernando Collor durou três meses) ou mais circunscritas (Fernando Henrique Cardoso nunca deixou de ser o predileto das elites).

Os 12 meses de instabilidade política são fruto do inconformismo da oposição partidária, que insiste em não aceitar os resultados eleitorais. Suas lideranças abdicaram de qualquer papel de pedagogia política e se deixam conduzir pelo que de mais retrógrado, preconceituoso e burro existe na sociedade. Para fragilizar o governo, fazem um jogo parlamentar nefasto ao País. As corporações da “grande” mídia, suas aliadas, criaram e difundiram um clima de pânico na opinião pública, que levou os brasileiros a expectativas completamente irracionais a respeito da economia, como mostraram diversas pesquisas recentes, assim agravando os problemas existentes.

A “crise política” que produziram (e à qual o governo não conseguiu reagir) está na raiz da crise econômica. E nenhum dos segmentos da oposição se preocupa com o custo social e humano da estratégia de seu aprofundamento. Enquanto fazem seu jogo, a população perde renda e emprego, é forçada a conter projetos e a adiar sonhos.

O pior é que provocaram muito prejuízo à toa. Nem Dilma vai sair antes da hora do cargo para o qual a maioria da população a elegeu nem conseguiram sepultar a chance de vitória do PT na próxima eleição.

O saldo deste ano, que nos fizeram perder com seu impatriotismo, é péssimo, para o Brasil e para as oposições.

Marcos Coimbra
No CartaCapital
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VEJA calunia Lula mais uma vez e ex-presidente vai à Justiça

http://www.institutolula.org/veja-calunia-lula-mais-uma-vez-e-ex-presidente-vai-a-justica
Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolaram, nesta terça-feira (3), primeiro dia útil após o fim-de-semana, ação de reparação por danos morais contra a editora Abril, responsável pela revista Veja, no Foro Regional de Pinheiros. A edição de nº 2450 da publicação, que foi às bancas na última semana, exibe na capa uma montagem mentirosa, ofensiva e grotesca do rosto de Lula sobre corpo vestido com uniforme de presidiário estampado com nomes de envolvidos em investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.

Não há nenhuma ação penal em curso no país contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao contrário do que a capa faz parecer. Já a revista Veja sofre inúmeros processos pelas mentiras publicadas contra diversos pessoas e organizações, não apenas o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Recentemente, por exemplo, o senador Romário (PSB-RJ) anunciou processo contra o semanário.

“A imagem que a capa da revista VEJA pretendeu sugerir aos seus leitores e à sociedade em geral, portanto, não possui qualquer lastro na realidade fática ou jurídica. Independentemente das afirmações e críticas contidas no interior da própria revista — sempre com evidente manipulação e falta de critério jornalístico —, não poderia ela estampar em uma capa uma imagem falsa e ofensiva, como se verifica no vertente caso”, diz o texto da ação, que classifica de “sórdida mentira” a reportagem de capa da revista.

O texto destaca ainda que a exibição da imagem não se deu apenas nas bancas de revistas, mas também em pontos de publicidade espalhados pelo país, reafirmando a intenção da revista de denegrir a honra e a imagem de Lula.

“Note-se, ainda, que no vertente caso não se está diante de qualquer situação que possa ser enquadrada como direito de crítica ou, ainda, a configurar mero animus narrandi. Simplesmente porque, insista-se, não há qualquer situação jurídica que possa permitir que a Ré [editora Abril] possa difundir à sociedade uma imagem do Autor vestindo trajes peculiares àqueles que foram condenados pela Justiça e estão cumprindo pena privativa de liberdade”, conclui a ação.

Os advogados do ex-presidente já entraram com outras duas queixas-crime, uma interpelação criminal e uma ação de indenização contra jornalistas da revista, além de queixa-crime específica contra a apresentadora da TVeja, Joice Hasselman, por conta da prática recorrente da revista de atentar contra a honra do ex-presidente. 

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