3 de nov de 2015

Ciro chama Cunha de "câncer" — assista



Ciro Gomes afirmou que acredita na abertura do processo de cassação contra o atual presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Inclusive, o processo que analisará a questão será instaurado nesta terça (3), pelo Conselho de Ética da Câmara.

"Não é possível que o parlamento brasileiro ainda sobreviva com o mínimo de respeitabilidade popular sem resolver esse câncer", respondeu Ciro, que também afirmou que o peemedebista seria envolvido "em tudo que não presta".

Relação entre Michel Temer e Cunha

Questionado sobre a relação entre o vice-presidente da República Michel Temer e o presidente da Câmara dos Deputados, Ciro não hesitou em afirmar que ambos teriam uma parceria. "Ele é íntimo do Eduardo Cunha", disse. O presidente da Transnordestina afirmou já ter denunciado manobra de Cunha e Temer, enquanto o cearense ainda era deputado. "Eu sei o que eu estou dizendo", completou.

Candidatura para 2018

Sobre disputa à Presidência da República em 2018, Ciro ainda não confirma se será candidato pelo PDT. "Serei, se achar que for necessário e não houver outro melhor do que eu pra fazer o que tem que ser feito pelo Brasil", disse o ex-ministro. Segundo ele, no entanto, isso não dependeria unicamente de sua vontade.

"Tenho estudado o Brasil,  compreendo as questões brasileiras, conheço a geografia econômica do país, conheço as inteligências do país , conheço o território do país, tenho muito amor pelo Brasil, tenho planos para o país e, se isso for traduzido em candidatura, tanto melhor. Se não, vamos achar outro que faça melhor  pelo Brasil", finalizou.

Com informações do jornalista José Maria Melo
Leia Mais ►

Começa processo que pode levar à cassação de Cunha




Um entre os três nomes sorteados há pouco pelo Conselho de Ética da Câmara será escolhido amanhã como relator do processo de cassação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e com isso o processo teve início oficial. Foram sorteados os deputados Zé Geraldo (PT), Vinicius Gurgel (PR) e Fausto Pinato (PRB). Foram excluídos do sorteio, segundo regra regimental, os deputado do PMDB, partido de Cunha, do Rio de Janeiro, seu estado, e o deputado Julio Delgado, do PSB, que com ele disputou a presidência da Câmara em fevereiro. A escolha do relator, entre os três sorteados, será do presidente do Conselho, José Carlos Araújo (PSD-RJ).

Conhecido o nome do relator amanhã, ele terá dez dias para decidir-se pela abertura ou não do processo de cassação, algo equivalente à aceitação de uma denúncia pelos tribunais. A partir desta data, Eduardo Cunha teria dez dias para renunciar ao mandato, e no seu caso também à presidência da Câmara, para preservar os direitos políticos. Depois deste prazo, mesmo que ocorra a renúncia, ela não impedirá mais o prosseguimento do processo de cassação. Muitos deputados e senadores já fizeram uso desta "janela da renúncia" para escapar da cassação, preservar os direitos políticos e com isso se eleger na eleição seguinte.

Eduardo Cunha, entretanto, tem jurado que não renuncia em hipótese alguma. E como ele tem também negado as contas na Suíça, é grande a curiosidade da Casa sobre a linha de defesa que ele adotará no Conselho de Ética. O início do processo, com a escolha do relator, entretanto, não assegura qualquer celeridade à ação. No caso do deputado André Vargas, o último cassado pela Câmara, o prazo entre o início do processo no Conselho e o julgamento pelo plenário foi de oito meses. Imagine-se com Cunha, que tem mais poder e capacidade de jogar com o regimento e as regras.

Enquanto ele estiver no mandato e no cargo, terá em mãos a granada do impeachment, com a qual vem jogando com o governo e com a oposição.

Tereza Cruvinel
Leia Mais ►

Requião contesta "Documento do PMDB"




Leia Mais ►

A situação de Haddad não é tão ruim quanto parece

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2015/11/03/situacao-de-haddad-nao-e-tao-ruim-quanto-parece/

haddad 13

O mais recente Datafolha aponta que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, quebrou novo recorde de rejeição na avaliação de seu governo, 49% de ruim e péssimo. E que só 15% dos paulistanos consideram sua gestão ótima ou boa.

Em qualquer situação essa é uma péssima notícia. Não há como tratar números como esses apenas relativizando-os. É preciso enxergar o óbvio, Haddad está em maus lençóis para disputar sua reeleição.

Ao mesmo tempo quem quiser costurar uma análise da gestão de Haddad e de suas chances para a reeleição não pode apenas olhar esses dados brutos. É preciso descer um pouco mais a análise para a parte não aparente do Iceberg.

E daí surgem alguns aspectos curiosos.

Haddad está melhor avaliado entre jovens e pessoas com nível de escolaridade e renda mais altos.

E tem desempenho pior exatamente nos bairros da cidade onde garantiu sua eleição. Ou seja, nas periferias.

Ao mesmo tempo uma pesquisa de intenção de votos mostra que se o prefeito tem 15% de ótimo é bom, apenas 12% se mostram dispostos a votar nele. E mesmo assim, com tão baixa porcentagem, ele está embolado em segundo lugar com Marta Suplicy e Datena, que têm 13%.

Celso Russomano, que atualmente dispara como favorito ao pleito, tem 34%.

Mas isso ainda não é tudo.

Os candidatos do PSDB não empolgam e o PT mesmo tendo perdido boa parte do seu capital eleitoral na cidade ainda se mantém com 11% de preferência entre os paulistanos, liderando a pesquisa entre os partidos políticos.

Tudo isso no meio da maior crise política dos últimos tempos. Que se está atingido de alguma forma a todos, está demolindo o PT.

Dito isso, por que o blogueiro acha que a situação de Haddad, sendo ruim, não é tão desesperadora.

Porque o prefeito tem o que defender. E mesmo governando em meio a um cataclisma político político e econômico, tem conseguido firmar uma marca de gestão.

Os enfrentamentos civilizatórios que Haddad tem proposto (redução de velocidade, ciclovia, abertura de ruas aos domingos, Braços Abertos etc) constroem uma narrativa que apontam um caminho.

São Paulo só será uma cidade razoável para se viver, se vier a enfrentar os seus demônios. E entre eles o carro parece ser o maior.

Ou seja, São Paulo só conseguirá dialogar com o futuro, se melhorar suas artérias. Se o sangue vier a fluir menor. E para isso precisa trocar gastos com infraestrutura para carros por investimento em gente. E trocar o espaço que antes era só desses automóveis por áreas para a cidade.

Haddad sabe que não ganha só com esse discurso, mas essa marca já é dele. E permite abrir um debate que fará seus adversários se posicionarem. O que dirão eles? Que são contra as ciclovias? Que são contra a Paulista aberta? Que o prefeito é maluco?

Ou que as propostas não são ruins, mas têm que ser melhor discutidas? E o que acharão desses candidatos em cima do muro aqueles que estão fulos da vida com o prefeito? O que acharão aqueles que estão a favor de suas ideias?

A verdade é que a pauta das eleições tende a ser dada pelo governo de Haddad. E quem dá a pauta da disputa, passa a ter mais chances.

O desafio do governo petista em São Paulo é reencontrar a periferia. É ampliar o diálogo com os setores que tradicionalmente votam no partido, para que a avaliação de ótimo é bom que é de 15% agora, chegue em junho do ano que vem em pelo menos 25%. E que a de ruim é péssimo, que é de 49% caia no mínimo para menos de 40%.

Se isso acontecer, Haddad entrará na disputa fazendo campanha de canudinho, mas com chance de melhorar esses índices no decorrer do primeiro turno e, com a ajuda da sua sorte, que não é pequena, passar pra reta final.

Aí é que o bicho vai pegar. Hoje há um discurso geral de que Russomano perde para qualquer um no segundo turno. O blogueiro não tem essa avaliação. O apelo popular do candidato da Igreja Universal não é pequeno. E a periferia, junto com os bairros mais conservadores de classe média, podem decidir a eleição para ele.

Maluf derrotou Suplicy em São Paulo com certa facilidade depois do governo de Luíza Erundina.

Por outro lado, se o PSDB for ao segundo turno, a situação do prefeito tende a ser ainda mais complicada. Porque o candidato tucano terá a máquina do governo do estado a seu favor e provavelmente o apoio de todos os outros adversários.

Mas e em relação a Marta e a Datena? O blogueiro acha que as pesquisas mostram que a senadora tende a ser engolida pela dinâmica de campanha e perder boa parte da sua atual intenção de votos. Já escrevi aqui que na próxima disputa Marta vai acabar saindo para deputada federal, porque suas últimas decisões lhe tiraram boa parte do seu eleitorado. Será que grupos LGBT que sempre deram grande apoio à Marta farão isso de novo depois dos rasgados elogios que ela fez a Eduardo Cunha?

Datena, por outro lado, pode nem sair candidato. E se vier a sair, terá de se engalfinhar com Russomano, que tem mais estrada e eleitorado consolidado.

São Paulo, como sempre, abre a temporada de caça às eleições municipais. E se tudo indica que é na cidade que o PT tem suas maiores resistências, pode ser também daqui que aconteça a volta por cima do partido.

Quem estiver apostando todas as suas fichas contra Haddad pode se dar mal. Ele ainda tem quase um ano de governo pela frente e mesmo num lago só de lodo, tá conseguindo dar umas remadas.

Ou seja, Haddad ainda está vivo.
Leia Mais ►

Homenagem a Milton Bellintani


Morre, aos 56 anos, o jornalista e professor Milton Bellintani

Faleceu na madrugada desta terça-feira (3/11), aos 56 anos, o jornalista e professor Milton Bellintani, vítima de um ataque cardíaco.

Milton foi editor de diversas publicações da Editora Abril de 1987 a 2001, entre elas Placar, e editor-adjunto do caderno "Cotidiano", da Folha de S.Paulo, em 2002. Cobriu a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos.

Atuava com temas de direitos humanos há mais de 30 anos, com foco na verdade, memória e justiça. Diretor do Núcleo de Preservação da Memória Política, coordenador da Comissão da Verdade do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, também foi voluntário e diretor-executivo da Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo.

Coordenou o curso de complementação universitária "Descobrir São Paulo - Descobrir-se Repórter", do Projeto Repórter do Futuro e foi ombudsman do Contraponto – jornal-laboratório do curso de jornalismo da PUC/SP (2012-2013).

De 2005 a 2008 atuou no Terceiro Setor, em projetos de comunicação da Fundação Kellogg para a América Latina e o Caribe a da CEPAL - Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe das Nações Unidas. Desenvolve, ainda, projetos editoriais voltados à inclusão de pessoas com deficiência desde 2005.

Em 2014, foi co-curador da exposição "Política F.C. — o futebol na ditadura", ao lado da subeditora do Portal IMPRENSA, Vanessa Gonçalves.

A morte do jornalista deixou os amigos em choque. Na redes sociais, muitos lamentaram o falecimento precoce de Bellintani. Em nota, o Núcleo Memória comentou a passagem do diretor. "Milton se destacou pelo seu profissionalismo e dedicação à causa da Memória, Verdade e Justiça, tendo ocupado ultimamente várias funções de responsabilidade entre elas a de presidente da Comissão da Verdade do Sindicato dos jornalistas de SP e da Associacao Amigos do Arquivo Público do Estado. No Núcleo teve participação importantíssima e muito de nosso projetos se devem a ele".

Leia Mais ►

Novembro azul não é Outubro rosa


O câncer de próstata é o câncer mais frequente e uma das principais causas de morte por câncer em homens no Brasil e no mundo. Muitas estratégias foram estudadas para tentar reduzir as mortes por este câncer. Desde a década de 1990 até cerca de 2008 acreditava-se que se homens sem sintomas realizassem o PSA e o toque retal periodicamente conseguiríamos combater esse problema e salvar vidas.  Contudo, entre 2008 e 2013, diversas instituições de saúde atualizaram suas diretrizes sobre o rastreamento do câncer de próstata, modificando as suas recomendações.

O senso comum diz que a melhor maneira de lidar com o câncer é fazer o diagnóstico e iniciar um tratamento agressivo o mais cedo possível. Essa crença faz com que as pessoas não se preocupem muito sobre quais os malefícios que um exame ou tratamento podem causar.

Qualquer intervenção médica pode produzir benefícios e também malefícios, e esse balanço com relação ao rastreamento populacional com o exame do PSA está mudando significativamente.

O TelessaúdeRS não apoia a campanha Novembro Azul (idealizada pelo Instituto Lado a Lado em parceria com a Sociedade Brasileira de Urologia) por entender que as melhores evidências científicas atuais apontam que mais homens serão prejudicados pelo rastreamento com PSA e exame de toque do que terão benefício. Esta campanha não aborda, de forma responsável, os possíveis malefícios do rastreamento e a importância da decisão informada e preferências pessoais dos homens na decisão de realizar o exame.

1. O que são estratégias de rastreamento?

O rastreamento é uma estratégia que busca encontrar pessoas aparentemente saudáveis que estejam com risco aumentado de desenvolver uma doença como o câncer ou diabetes, por exemplo. O objetivo é identificar estas situações clínicas antes que a pessoa manifeste sintomas para que o diagnóstico e tratamento adequado seja implementado. Contudo, não é uma ação isenta de riscos.

2. O que é o exame do PSA?

É um exame de sangue utilizado para tentar identificar pessoas com câncer de próstata. Níveis altos de PSA podem indicar a presença do câncer, mas isso também pode ocorrer em outras situações frequentes como o aumento da glândula (hipertrofia prostática benigna), ou inflamação (também chamada de prostatite). Ele também pode não identificar uma parte dos homens que de fato têm câncer de próstata.

3. Que outros exames são utilizados para o rastreamento do câncer de próstata?

Geralmente o toque retal é utilizado em conjunto com o PSA para o rastreamento do câncer de próstata, mas as evidências atuais indicam que mesmo a realização de ambos os exames não garante um melhor desempenho do rastreamento.

4. Existem outros exames que podem detectar o câncer de próstata?

Atualmente não existem outros exames de rastreamento capazes de identificar precisamente o câncer de próstata. Diversos testes estão sendo desenvolvidos para melhorar a acurácia do rastreamento com PSA. Entretanto, neste momento, não existe evidência científica suficiente para apontar se eles são precisos.

5. Quais são os possíveis danos do rastreamento com o PSA? Não é um simples exame de sangue?

O PSA é um exame de sangue simples, mas se o resultado for positivo, os homens provavelmente serão submetidos a outros exames, o que pode causar danos importantes.

Em um a cada seis homens que se submetem ao rastreamento sistemático do câncer de próstata (com PSA e toque retal) por 11 anos, a presença de um câncer que não existe é  sugerida. Isto é chamado de resultado “falso-positivo”, e pode causar preocupação, ansiedade, e levar a outros exames que na verdade não seriam necessários. Dentre eles, a biópsia, por exemplo, que pode ter complicações como febre, infecção, sangramento, problemas urinários e dor.

Um pequeno número de homens precisará internar em um hospital por causa destas complicações. Atualmente, quando um câncer de próstata é diagnosticado, não existem maneiras de prever com certeza se esse câncer nunca causará problemas e não necessita de tratamento ou se é um câncer agressivo. Isso significa que muitos cânceres diagnosticados não causariam problemas (chamamos isto de “sobrediagnóstico”).

Como existe tanta incerteza hoje em dia sobre quais cânceres de próstata precisam ser tratados, quase todos os homens com este câncer descobertos através do PSA e toque retal são tratados com cirurgia, radioterapia ou tratamento hormonal. Muitos desses homens não necessitam de tratamento porque o seu câncer não vai crescer ou causar problemas. Isso é chamado de “sobretratamento”.

O tratamento para o câncer de próstata também pode causar danos importantes e geralmente duradouros como disfunção erétil e incontinência urinária como consequência da cirurgia, problemas intestinais devido à radioterapia e um pequeno risco de morte ou complicações sérias devido à cirurgia.

A imagem abaixo pode ajudar a entender melhor o que sabemos hoje com relação aos riscos e benefícios do rastreamento do câncer de próstata com o PSA e o toque retal. É uma representação com base nas pesquisas mais recentes que mostra o que acontece quando comparamos dois grupos de mil homens com as mesmas características e riscos de desenvolver câncer de próstata.

Ambos os grupos foram acompanhados por 11 anos. O da esquerda são homens que não realizaram qualquer tipo de rastreamento para o câncer, enquanto que os homens do grupo da direita realizaram PSA e toque retal sistematicamente.

Fontes:  Ilic et al. (2013) Cochrane Database of Systematic Reviews, Art. No.:CD004720.Harding Center for
Risk Literacy. (2014).
Disponível em: https://www.harding-center.mpg.de/en/health-information/facts-boxes/psa


Após 11 anos de acompanhamento podemos observar que o número de homens que morreram por câncer de próstata é o mesmo nos dois grupos (7 homens). Contudo, no grupo que fez o rastreamento, 20 homens foram diagnosticados e tratados para o câncer sem necessidade e 160 homens sem câncer tiveram resultado falso-positivo e realizaram biópsia também sem necessidade. Ou seja, em resumo, ao final de  uma década, no grupo que não realizou rastreamento 783 homens estavam sadios e não sofreram danos, enquanto que no grupo que fez rastreamento apenas 603 homens estavam nesta situação.

6. Como decidir se devo fazer o exame do PSA?

Esta é uma decisão difícil frente ao cenário de incerteza atual sobre esse rastreamento. Sabemos que alguns grupos de homens apresentam fatores de risco que aumentam a chance de desenvolver esse câncer, tais como homens negros e/ou com história familiar de câncer de próstata (especialmente familiares de 1º grau que tiveram câncer de próstata antes dos 65 anos). O melhor conselho é discutir os riscos e benefícios do rastreamento com o seu médico de confiança, levando em consideração seus fatores de risco, preferências pessoais, saúde atual e estilo de vida.

7. Existe alguma outra situação em que o PSA e o exame de toque retal estão sempre indicados?

Sim. Sempre que o homem apresentar sintomas que podem estar relacionados com o câncer de próstata esses exames estão muito bem indicados. Nestes casos, não chamamos de rastreamento e sim de investigação diagnóstica.

8. Quais são os sintomas do câncer de próstata?

Os sintomas do aumento da próstata por motivos benignos (hiperplasia prostática benigna) ou malignos (câncer de próstata) são muito semelhantes, embora as causas benignas sejam muito mais frequentes. Em ambas as situações o PSA e o toque retal devem ser realizados. Os sintomas mais frequentes incluem:
  • diminuição da força do jato urinário
  • dificuldade para iniciar a micção
  • necessidade súbita de urinar
  • urinar várias vezes à noite
  • sensação de esvaziamento incompleto da bexiga
Na presença de quaisquer desses sintomas o homem deve procurar o seu serviço de saúde de referência para investigação e acompanhamento.

9. Existe alguma outra maneira de prevenir o câncer de próstata?

Na verdade, existe sim. As evidências atuais indicam que a alimentação saudável e a prática de exercício físico ajudam a reduzir o risco de câncer de próstata, além de ajudar a prevenir também as doenças cardiovasculares – principal causa de mortalidade no mundo.

10. Quem mais, além do TelessaúdeRS, têm essa opinião?

Não defendemos esta opinião sozinhos. Por exemplo, os governos do Canadá e do Reino Unido, países cujos sistemas de saúde estão entre os melhores do mundo, também compartilham dessa opinião e não recomendam o rastreamento sistemático de sua população para o câncer de próstata. Outras instituições também assumiram esta posição, como o INCA (Instituto Nacional do Câncer) no Brasil, o USPSTF (US Preventive Services Task Force) nos Estados Unidos, e o CTFPHC (Canadian Task Force on Preventive Health Care) no Canadá. O próprio Richard Ablin, cientista que descobriu o PSA em 1970, escreveu um artigo para o New York Times em 2010 reconhecendo que sua descoberta não é apropriada quando utilizada para o rastreamento populacional.

Texto escrito por Thiago Frank, Médico de Família e Comunidade.


O TelessaúdeRS está atento ao debate científico e se compromete a atualizar sua posição sobre esse tema à luz de novas evidências que possam ajudar a compreender melhor os riscos e benefícios do rastreamento do câncer de próstata

Referências:

US Preventive Services Task Force:

Canadian Task Force on Preventive Health Care:

Instituto Nacional do Câncer (INCA):

UK National Screening Committee:

Artigo do Richard Ablin no New York Times:

Publicado originalmente dia: 17/11/2014
No Blog do Mário
Leia Mais ►

Holofotes na Zelotes

Ao investigar um filho de Lula e o ex-ministro Gilberto Carvalho, a operação deixa o limbo e ocupa o noticiário

O Grupo RBS, filiado à Globo, pagou 11,9 milhões para se livrar de uma dívida de 150 milhões

A nova linha de investigação coloca em
 segundo plano os crimes tributários
Até a manhã da segunda-feira 26, a Operação Zelotes era a “prima pobre” dos escândalos de corrupção no Brasil. Enquanto a Lava Jato recebia a atenção quase exclusiva da mídia e revirava o mundo político e econômico, a história do pagamento de propinas por empresas para abater dívidas tributárias, em um esquema estimado em 19 bilhões de reais, vivia relegada a esparsas notas de jornais e breves citações no rádio e na tevê. Salvas as exceções de praxe.

Tudo mudou. E os empresários acusados de oferecer benesses a funcionários públicos em troca da “domesticação” do Leão da Receita só têm a agradecer. As denúncias criminais contra eles não têm prazo para seguir adiante. Já no caso do suposto comércio de leis, novo foco da Zelotes, espera-se algum resultado até antes do Natal, em virtude das prisões decretadas na segunda 26 e das buscas e apreensões autorizadas.

Entre os encarcerados por ordem da juíza Célia Regina Ody Bernardes, da 10ª Vara Federal de Brasília, figura José Ricardo da Silva, peça-chave nas apurações. Silva integrava o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão federal no qual se processava o sumiço fraudulento de dívidas, e controla a SGR, empresa que, apontam as investigações, intermediava os contatos entre subornadores e agentes públicos corruptos.

As algemas alcançaram ainda um ex-sócio de Silva, um diretor da associação das montadoras, a Anfavea, e sua mulher, um famoso lobista, Alexandre Paes dos Santos, e um ex-candidato a deputado pelo PMDB do Piauí. Todos unidos pela crença de um delegado da PF e de um procurador que a juíza Bernardes acolheu: os citados negociaram subornos para arrancar do governo e do Congresso a renovação, em 2009, de benefícios fiscais concedidos à indústria automotiva por duas leis dos anos 90.

Uma aprovação que interessava particularmente à Mitsubishi e à Caoa, cujos presidentes, Paulo Arantes Ferraz e Carlos Alberto de Oliveira Andrade, respectivamente, foram interrogados no mesmo dia das prisões.

A desconfiança de que houve comércio de leis colocou nos autos do processo e no noticiário um filho e um veterano colaborador do ex-presidente Lula. O delegado da Polícia Federal que comanda as investigações, Marlon Cajado, concentrou-se em Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula por oito anos e ministro de Dilma Rousseff por quatro. Já o procurador José Alfredo de Paula e Silva, da força-tarefa do Ministério Público, mirou Luis Claudio Lula da Silva.

No relatório de 166 páginas que convenceu a juíza a autorizar as prisões, interrogatórios e buscas, Cajado acusa Carvalho de participar no passado de um “conluio” com o diretor da Anfavea preso, Mauro Marcondes. Segundo o relatório, há poucas dúvidas sobre as negociatas de Marcondes com a Mitsubishi e a Caoa para renovar os incentivos fiscais.

Idem para sua tentativa de usar Carvalho. Não há, porém, provas ou indícios de que o petista tenha feito algo ilegal ou sido pago. Talvez por isso, o delegado não tenha solicitado à Justiça sua prisão ou interrogatório, nem buscas em sua casa.

Carvalho depôs à PF por conta própria no dia da operação. Em notas e entrevistas, diz que os sigilos fiscal e bancário dele e de sua família estão à disposição. Que não tem medo de ser investigado. Que deixou o governo com o patrimônio de antes.

E que virou alvo por causa de “interpretações ridículas” do delegado, como a de que uma anotação achada na empresa de Marcondes (“providenciar presentes para as filhas de Gilberto Carvalho”) seria sinônimo de propina. Eram bonecas para duas filhas adotivas do ex-ministro, que conhece Marcondes desde os tempos do Lula sindicalista.

Bonecas para filhas adotivas de Carvalho viraram propina e não se entende o elo com Luis Claudio
Marcondes também é o problema do filho do ex-presidente. Dados da Receita Federal mostram que, em 2014, sua firma pagou 1,5 milhão de reais à LFT, empresa de marketing esportivo aberta por Luis Claudio em 2011. Para o procurador José de Paula, o pagamento seria “muito suspeito”.

Ele pediu buscas na LFT, autorizadas pela Justiça. O pagamento, crê o procurador, estaria ligado à Medida Provisória 627, assinada por Dilma Rousseff em novembro de 2013 para desfazer um imbróglio jurídico sobre a tributação de multinacionais brasileiras. Hipótese esquisita. A MP foi editada quase um ano antes do pagamento à LFT.

O dispositivo favorável ao setor automotivo não estava na MP. Foi inserido posteriormente pelo Congresso. Luis Claudio não tem poder em Brasília. Ao justificar os pagamentos, seus advogados dizem que a LFT prestou serviços a Marcondes em quatro projetos. Falta explicar a natureza desses projetos.

A metamorfose da Zelotes deriva de descobertas ao longo das investigações sobre o esquema no Carf, principalmente a partir do aprofundamento das apurações sobre o relacionamento de Marcondes e Silva com a Caoa e a Mitsubishi.

As montadoras tinham dívidas que poderiam desaparecer após a renovação das leis de incentivo fiscal e a inclusão de alguns novos dispositivos. A renovação, acreditam Cajado e José de Paula, tinha o “sórdido objetivo” de “criar um fato novo que viria a fulminar” as dívidas tributárias da Mitsubishi.

Andrade, da Caoa, depôs. Silva era um elo. Puga, do Safra, negociou o abatimento dos débitos
A nova linha de investigação garantiu os holofotes à Zelotes. O desinteresse da mídia e do Judiciário havia sido apontado pelo procurador original do caso, Frederico Paiva, em uma audiência pública na Câmara dos Deputados, em maio. Segundo ele, casos de corrupção no Brasil só escandalizam se há político no meio. “Quando atingem o poder econômico, não há a mesma sensibilidade”, afirmara.

O ex-governador paulista Claudio Lembo havia dito coisa parecida à TV Gazeta dias antes. “O que aconteceu no Carf é gravíssimo, mas a imprensa não fala (…) Lá está o núcleo da minoria branca fazendo corrupção efetiva”, mas “há um conluio nacional de preservação de quem está dentro do Carf.”

O Jornal Nacional, da TV Globo, ilustra a opinião de Paiva e Lembo. Quando a Zelotes se tornou pública, em março, o telejornal veiculou reportagem de 2 minutos e 28 segundos. No dia das duas ações posteriores, noticiou em 30 segundos. Após a mais recente ação, o assunto ficou 7 minutos e 24 segundos no ar na segunda-feira 26. Destaque óbvio para o filho de Lula.

O comportamento da Justiça também é outro. O juiz original do caso, Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, tinha uma postura, digamos, cautelosa. Após autorizar grampos telefônicos e de e-mails, vetou sua prorrogação.

Além disso, decretou sigilo do processo, jamais deu aval a pedidos de prisão e negou permissão para uma ação em 8 de outubro. Esta só saiu depois de um recurso do Ministério Público a instâncias superiores. Leite também se recusou a enviar ao Supremo Tribunal Federal as investigações referentes ao ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União, procedimento recentemente determinado pela juíza Bernardes.

Não surpreende o fato de o magistrado ter sido acionado na corregedoria do Tribunal Regional Federal por uma procuradora da República após a Zelotes ir às ruas em março. Por esse motivo, o caso passou às mãos de Bernardes.

Ressurge das cinzas o
 indefectível lobista APS.
Frederico Paiva, do MPF,
lembrou que desvios das
empresas não chamava
atenção da imprensa
A postura do juiz, diz um dos procuradores da força-tarefa, afetará o desfecho da operação. A interrupção dos grampos, em 2014, impediu a produção de mais provas. As denúncias criminais terão valores inferiores ao seu potencial de 19 bilhões de reais, soma do montante de 74 processos sob suspeita no Carf.

A Mitsubishi é uma das mais enroladas, a ponto de seu presidente, Paulo Ferraz, e o antecessor, Eduardo de Souza Ramos, terem proposto em vão ao Ministério Público um acordo de delação premiada. Retransmissora da Globo no Rio Grande do Sul, a RBS devia 150 milhões de reais em um processo de 2009, depositou 11,9 milhões, entre 2011 e 2012, em uma conta da SGR e, em 2013, triunfou no Carf.

A Gerdau livrou-se, em 2012, de 1 bilhão de reais em um julgamento com o voto favorável de José Ricardo da Silva. A JBS tinha três processos que somavam 180 milhões de reais, quando uma escuta telefônica flagrou um conselheiro do Carf a comentar sobre uma reunião que teria com a empresa para tratar de “honorários”.

O setor bancário esbaldou-se. O Santander é protagonista de um caso no qual estariam “mais bem configurados os crimes de corrupção ativa e passiva”, segundo um relatório de Cajado enviado à Justiça no início do ano. O banco discutia uma dívida de 5 bilhões de reais e, conforme grampos, pagou 500 mil a um conselheiro. O Safra teria gastado 28 milhões de reais em suborno para se livrar, em 2014, de um processo de valor dez vezes maior.

Uma negociação feita por um integrante do conselho de administração, João Inácio Puga, revela, de acordo com o relatório de Cajado, “um comprovado caso de corrupção ativa e passiva”. HSBC, Brascan e até o Opportunity, do “famoso banqueiro Daniel Dantas”, também se refestelaram.

Resta saber se a juíza terá o mesmo pulso firme com as empresas. Perfil para tanto ela parece ter. É da Associação Juízes para a Democracia, entidade progressista da qual foi dirigente. Em julho, cassou uma portaria do Ministério Público que liberava a compra de passagens de primeira classe para procuradores em viagem ao exterior, uma “mordomia”, anotou no despacho.

No ano passado, assinou um manifesto de magistrados e acadêmicos contra o trabalho voluntário na Copa do Mundo, descrito como exploração. Por outro lado, há quem aponte o fato de ela ser irmã de um prefeito do PSDB. A melhor forma de a magistrada afastar eventuais dúvidas sobre sua conduta é atuar com isenção e equilíbrio.

André Barrocal
No CartaCapital
Leia Mais ►

Os Dez Mandamentos vence a Globo em SP, Rio e BH pela 1ª vez


O capítulo “especial” de “Os Dez Mandamentos” exibido na noite desta segunda-feira (02) não bateu o recorde da novela, como a emissora esperava, mas alcançou ótimos resultados. Pela primeira vez, segundo dados prévios do Ibope, a trama de Vivian de Oliveira superou a Globo numa mesma noite nos três principais centros do país.

Entre 20h35 e 21h42, “Os Dez Mandamentos” venceu em São Paulo (23,1 a 22), no Rio de Janeiro (24,1 a 22,9) e em Belo Horizonte (22,1 a 19,2). Esses números podem sofrer alteração na manhã de terça-feira, quando o Ibope divulgar os dados consolidados.

Nos 11 minutos em que a novela bíblica enfrentou “A Regra do Jogo”, entre 21h31 e 21h42, o resultado foi bem mais expressivo: 25,5 a 21,5 (SP), 25,5 a 22,3 (RJ) e 24,4 a 19,6 (BH).

O recorde de “Os Dez Mandamentos” foi alcançado há uma semana, na última segunda-feira. A novela registrou média de 23,6 em São Paulo e 26 no Rio.

recordpresidente3
O capítulo desta segunda-feira, que prometia mostrar a morte dos primogênitos do Egito, terminou antes que a praga enviada por Deus se concretizasse. A esperada cena ficou para o capítulo desta terça-feira.

O presidente da Record, Luiz Claudio Costa, acompanhou o capítulo divulgando números de audiência no Twitter, o que está impedido de fazer por contrato com o Ibope. “Olha, audiência não posso, mas o jogo de basquete que estou vendo está 25 a 21… Que jogão!!”, escreveu.

Costa também ironizou a duração do “Jornal Nacional”, esticado até as 21h30. “Acabou o horário de verão? JN as 21:25??”.

Leia Mais ►

A informação mais interessante dos Diários de FHC não virou notícia

Os barões queriam publicidade dele
A informação mais interessante do primeiro volume dos Diários de FHC no governo não foi notícia.

FHC conta o que os empresários de mídia queriam dele assim que assumiu a presidência.

Não eram reformas políticas para modernizar o capitalismo brasileiro, não eram medidas que reduzissem a pavorosa desigualdade social, não eram sequer compadres nos ministérios.

Não, não era nada disso. Era uma coisa mais efetiva para eles.

Era publicidade.

Era, em outras palavras, o dinheiro do povo.

FHC dá até a cifra de publicidade do governo: 500 milhões de dólares anuais. É muito dinheiro, reconhece. Isso daria hoje quase 2 bilhões de reais.

Era isso que os barões queriam.

FHC não revela isso em tom condenatório, o que mostra que como intelectual ele é muito menos agudo do que imagina ser.

Não.

Ele fala como se isso fosse absolutamente normal: passar em doses colossais dinheiro do povo para as corporações de jornalismo.

Neste sentido, FHC foi menos que Jânio. Tão logo assumiu, em 1961, Jânio se incomodou com os subsídios que o governo — o povo — dava para a imprensa.

A publicidade, então, era muito menor. A maior manifestação de transferência de dinheiro público para os barões da imprensa se dava pelo “papel imune”. As empresas não recolhiam imposto sobre o papel usado para fazer jornais e revistas.

Num pronunciamento em rede nacional, com um catatau que era o Estadão de domingo nas mãos, Jânio denunciou a mamata.

Jânio duraria pouco depois disso. E o papel imune perdura até hoje.

Três décadas depois, era exatamente o dinheiro público que a imprensa queria de FHC, como ele candidamente narra na primeira parte de seus Diários.

E ele não via conflito ético nisso. Nem em ser amigo dos donos de jornais e revistas, ou de prepostos deles.

O jornalista Ricardo Kotscho, que foi assessor de Lula nos primórdios, conta um episódio que ajuda a entender a guerra que a Veja move contra Lula.

Kotscho disse que Roberto Civita lhe pediu que agendasse uma conversa com Lula. O objetivo era, previsivelmente, o dinheiro do povo. Civita queria mais publicidade para a Abril.

Não foi atendido na dimensão de seus desígnios, e o resto é história.

Porque é assim que a imprensa sempre reage quando a mão amiga dos governos não passa a ela dinheiro do povo.

Antes da etapa final de sua campanha contra Jânio, Carlos Lacerda, governador do Rio, foi a Brasília.

Pediu dinheiro público para sua Tribuna da Imprensa, que cambaleava nas mãos do filho.

Não foi atendido. E massacrou Jânio.

As coisas por mais que mudem jamais mudam no Brasil, não nos privilégios da imprensa.

E é isso que FHC deixa escapar em seu catatau. A imprensa quer é publicidade. Dinheiro público que vai dar em fortunas particulares que estão entre as maiores do país.

Ao morrer, Roberto Marinho era o homem mais rico do país.

Esta é a mídia brasileira. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, a imprensa se modernizou a partir de meados do século 19, com o fim dos subsídios públicos.

Os grandes barões, como Hearst e Pulitzer, brotaram de um capitalismo genuíno.

No Brasil, em pleno 2015, as companhias jornalísticas vivem ainda do dinheiro do contribuinte.

Por isso são tão ineficientes.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Simone de Beauvoir e o Enem

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=7813

O Enem, apesar de ainda precisar ser aprimorado, é uma evolução em relação aos clássicos vestibulares. Em 2015, causou polêmica ao citar a escritora e filósofa francesa Simone de Beauvoir. Vereadores de Campinas, num surto hilariante de obscurantismo, aprovaram moção de repúdio a Simone. Em 1949, ela publicou um dos mais influentes livros do século XX, O segundo sexo. Virou referência para o feminismo. Boa de fórmulas, como costumam ser os franceses, cravou: “Não se nasce mulher, torna-se”. Nada há de diabólico nisso. Significa apenas que papéis sociais são definidos socialmente. O lugar da mulher nas sociedades dominadas pelos homens nada tem a ver com anatomia, biologia ou natureza.

É só uma construção histórica.

Papai no trabalho, mamãe em casa? A anatomia nada tem a ver com isso. Essa concepção é apenas uma construção histórica que se converteu em ideologia machista. O próprio das ideologias é a naturalização de “verdades”. Seria assim por força da natureza. Conversa fiada. Sempre que uso tal expressão, ruborizo. É desagradável, vulgar, impositivo, autoritário. Em alguns casos, contudo, parece inevitável. Simone de Beauvoir foi uma maravilhosa intelectual.

O machismo gostaria de reduzi-la ao papel de “mulher” de Jean-Paul Sartre.

Os vereadores de Campinas, que aprovaram a censura contra ela, enxergam-na como um monstro propagador da perigosa ideia de gênero. Graças a mulheres como Simone os machos foram tirados da zona de conforto que os situava como chefes de família e os liberava das tarefas domésticas e da divisão de todas as responsabilidades.

Simone ajudou a mostrar que as mulheres não são objetos nem propriedades dos homens. Mais do que isso, que não precisam ser protegidas por seus senhores da guerra nem tuteladas. Fazer um jovem refletir sobre gênero é mais importante do que obrigá-lo a marcar uma cruzinha para responder a questões transcendentais como: quando Caxias “pacificou” o Rio Grande do Sul ele era? a) Barão, b) Duque, c) Conde, d) Visconde, e) Nenhuma das repostas anteriores. O conhecimento funciona como um sistema de hierarquia social. Fixa dominantes e dominados. A educação, muitas vezes, cumpre o triste papel de reprodutora das desigualdades dominantes. A meritocracia só será justa e real quando as condições de preparação entre os competidores forem equivalentes. Fora disso, é uma farsa. Simulacro.

A fórmula de Simone pode ser aplicada aos machistas e aos obscurantistas. Não se nasce machista. Torna-se. Não se nasce obscurantista. Torna-se. Pela cultura. De certo modo, a natureza é uma invenção cultural. Simone morreu em 1986. Ao longo dos seus 78 anos, escandalizou os conservadores, iluminou o caminho das mulheres, lutou contra a barbárie da dominação masculina. Ainda continua chocando os retardatários de Campinas. É a glória.

Em 1888, diante da impossibilidade de frear a libertação dos escravos, o senador Paulino de Souza bradou: a abolição é inconstitucional, antieconômica e desumana. Para alguns, a emancipação da mulher também. Belo Enem. A questão de gênero é fundamental.

Só os machões temerosos é que tentam negá-la.
Leia Mais ►

O Jogo e a Liturgia



A carreira política implica certos ritos e sacrifícios.

Homem do povo, conhecedor das virtudes da discrição e da humildade, teria sido mais conveniente, por parte do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, segurar, entre outras coisas, os ímpetos empresariais de seus parentes mais próximos.

Assim, ele teria evitado que seu filho entrasse no campo em que “brilham” outros rebentos, não tão famosos, de lideranças adversárias, que chegaram até mesmo a montar empresas no exterior na época das privatizações, mas que não atraem e, convenientemente, para alguns, nunca atraíram a mesma atenção da Justiça ou da Mídia.

Homem preocupado com a separação entre poder e prosperidade, o ex-presidente uruguaio José Mujica costuma aconselhar quem tem a intenção de enriquecer a manter distância da política, para poder se dedicar plenamente àquele tipo de atividade, que, como o próprio nome indica, é privada, em sua essência e natureza.

Até porque — com muita justiça — como excelente administrador, possuidor de títulos de Doutor Honoris Causa de algumas das melhores universidades do mundo e — assim como outros ex-presidentes brasileiros que receberam milhões da mesma forma — um palestrante bem-sucedido, que tem muito a dizer em áreas que vão, por exemplo, da recomposição das reservas internacionais, à expansão do crédito e do consumo e ao combate à pobreza, Lula teria renda suficiente para cuidar de toda sua família, sem dar a seus inimigos — que não são poucos — a oportunidade de implantar junto à opinião pública factóides sobre si mesmo e sua família, como o de ser dono da FRIBOI, ou de numerosas fazendas cujas escrituras nunca apareceram, sem quase nunca ter reagido, em anos de sórdida campanha, institucional e juridicamente, a esses boatos e mentiras.

Não importa se o Congresso está cheio de empresários, ou de filhos de empresários, bem ou mal sucedidos, muitos deles processados por suas atividades profissionais ou com problemas na justiça.

Não importa se pode parecer injusto limitar a filhos de operários o acesso ao empreendedorismo, menos quando, como é o caso, trata-se de filhos de operários que também ocuparam o cargo de Presidente da República.

A História implica, para seus protagonistas, uma abordagem estratégica que abarque toda a extensão e a natureza dos acontecimentos que a conformam, em uma determinada época e momento.

Faz parte da visão do estadista — e Lula pode corrigir isso, se quiser, no futuro — evitar certas áreas do tabuleiro, controlando não apenas os bispos e as torres, mas também — sem relaxar e sem benevolência — os peões mais próximos do Rei, para parar de continuar armando, desnecessariamente, os adversários, em uma guerra que é, por muitas vezes, tão cruenta quanto injusta.
Leia Mais ►

Homenagem a Eduardo Cunha


Leia Mais ►

Institucionalização da Biopirataria ou um presente para Amazônia?

Coordenador do Centro Global de Gastronomia e Biodiversidade da Amazônia, anuncia na Itália que Belém
será cidade-sede.
Os telejornais da Rede Globo apresentaram nesta última sexta-feira (30) e reapresentaram nesta segunda-feira (02), uma matéria com a culinária paraense em destaque na EXPOMILÃO, evento gastronômico realizado na capital Italiana, onde Belém do Pará foi anunciada como cidade-sede do Centro Global de Gastronomia e Biodiversidade da Amazônia. Neste pomposo projeto, está previsto um barco dotado de um laboratório de pesquisa, uma escola superior, um restaurante e um museu que circulará os municípios da região, com pesquisadores do mundo inteiro.

Antes da Itália, o projeto foi lançado em Belém, no dia 15 de outubro, onde o governador do Estado Simão Jatene (PSDB) e o prefeito de Belém Zenaldo Coutinho (PSDB), anunciaram que o empreendimento, coordenado pelo jornalista Roberto Smeraldi é fruto de uma parceria público-privada, entre o Governo do Estado, Prefeitura de Belém e um conjunto de organizações da sociedade civil ligadas à área de gastronomia.

Sem qualquer informação sobre quanto sairá dos cofres públicos da prefeitura e do governo do Estado, a implantação do Centro Global de Culinária e Biodiversidade da Amazônia fará parte da programação comemorativa dos 400 anos da fundação de Belém e recepcionará chefs de vários países, no evento “Diálogos Gastronômicos”, previsto para o mês de Agosto de 2016.
O jornalista Roberto Smeraldi, ao lado de Simão Jatene e Zenaldo Coutinho Apresenta o projeto Global de
Culinária e Biodiversidade da Amazônia
Foto: ORMNews
Nós, povos da Amazônia sabemos que temos a maior biodiversidade do planeta, cobiçada por grandes interesses internacionais. Daqui, sai matéria prima para a indústria farmacêutica, de cosméticos, entre tantas outras. A biopirataria já usou várias estratégias, de pesquisadores até missionários religiosos, para coletar e traficar várias espécies e biomas, que depois foram patenteados e vendidos como produtos estrangeiros. Ter um centro desse aqui pode ser muito bom, mas também muito arriscado.

Imagine um grupo de pesquisadores brasileiros indo até os EUA, Europa ou qualquer parte do mundo, tentar montar uma base científica para estudar alguma coisa valiosa e estratégica para a economia daquelas nações. Seria possível?

Os brasileiros, principalmente os paraenses, não podem cair novamente nessa conversa de gentileza estrangeira, com suas promessas de desenvolvimento colonialista, pois foi assim que levaram nosso ouro e a borracha, estão levando nossos minérios, nossa energia e nossos animais silvestres. Não é de hoje que tentam estudar a imensurável riqueza de nossa biodiversidade, a maior e mais complexa do planeta e hoje inexistente em grande parte dos países desenvolvidos, pois muitos acabaram com suas reservas, enquanto que outros protegem com unhas e dentes o que lhes restou.

Não temos informações se este projeto será acompanhado por algum órgão de pesquisa científica do Estado brasileiro, como sequer algum centro de pesquisa ou universidade brasileira.

Assista a matéria do Bom Dia Brasil e tire suas conclusões.



Diógenes Brandão é ativista social e autor do blog As Falas da Pólis. Como representante da sociedade civil organizada, coordenou a última Conferência Estadual de Meio Ambiente, realizada em 2013, em Belém do Pará.
Leia Mais ►

Mensalão tucano continua parado na Justiça de Minas Gerais

O tucano Eduardo Azeredo
Nada mudou no processo do mensalão tucano contra o ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB) desde março de 2014, quando foi enviado do STF (Supremo Tribunal Federal) à Justiça de Minas Gerais.

A ação já saiu do Supremo pronta para julgamento, mas demorou um ano até chegar às mãos da juíza substituta da 9ª Vara Criminal de Belo Horizonte, Melissa Pinheiro Costa Lage. Na última sexta (30), o caso completou sete meses em suas mãos à espera de sentença.

O mensalão tucano, mais antigo e considerado um embrião do mensalão petista, é apontado pelo Ministério Público Federal como um esquema de desvio de R$ 3,5 milhões (cerca de R$ 14 milhões, corrigidos) de empresas públicas mineiras para financiar a fracassada campanha de reeleição de Eduardo Azeredo, em 1998.

Em 2014, ele era deputado federal e renunciou ao cargo para que o processo voltasse à primeira instância, onde é possível um número maior de recursos. Com 67 anos completados em setembro, Azeredo chegará aos 70 em 2018, quando as acusações apontadas pela Procuradoria-Geral da República prescreverão e ficarão impunes.

Desde março, o ex-governador é diretor executivo da Fiemg (Federação de Indústrias de Minas) e tem um salário de R$ 25 mil. Ele e os outros réus do caso sempre negaram as acusações.

A assessoria do Tribunal de Justiça mineiro diz que o próximo passo que a juíza tomará no processo será a sentença. Desde março, ela tem frisado a extensão da ação, com 52 volumes, e diz que a decisão será tomada após a leitura de cada um.

Em comparação, o mensalão petista, cujo julgamento aconteceu em 2012 pelo Supremo, tinha 147 volumes.

Outro réu no mensalão tucano que tinha foro privilegiado e seria julgado no Supremo, o empresário Clésio Andrade (PMDB), renunciou ao Senado em julho de 2014.

O processo de Clésio também está na 9ª Vara e pouco avançou –ainda falta ouvir uma testemunha de defesa e o próprio empresário.

O depoimento do ex-senador estava marcado para julho, mas ele faltou à audiência sob a alegação de que só compareceria após o depoimento da última de suas testemunhas, que deve acontecer em dezembro.

O interrogatório do réu é a última fase do processo de instrução, e a juíza sabe disso", afirma Eugênio Pacelli, advogado de Clésio.

Terceiro processo

Um terceiro processo do mesmo caso com oito réus, incluindo o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, condenado no mensalão petista, foi desmembrado em dois após pedido da defesa do ex-presidente do Bemge (antigo banco estatal de Minas Gerais) José Afonso Bicalho.

Bicalho é acusado de ter liberado verbas para empresas de Valério. Em janeiro, ele foi nomeado secretário da Fazenda do governador Fernando Pimentel (PT) e, por causa do cargo, pediu para ser julgado pelos desembargadores do Tribunal de Justiça.

Nesses processos, ainda falta ouvir os réus e as testemunhas de defesa. Bicalho também tem 67 anos.

Quando a denúncia desse terceiro processo foi aceita, eram 12 réus. Mas o ex-vicegovernador de Minas e ex-ministro Walfrido dos Mares Guia e o coordenador da campanha de Azeredo em 1998, Claudio Mourão, foram beneficiados com a prescrição ao completar 70 anos. Assim, numa conta que leva em consideração a data da acusação, não serão mais julgados.


José Marques
No fAlha
Leia Mais ►