2 de nov de 2015

O "código de ética" de Eduardo Cunha

Os meninos fascistas de Eduardo Cunha, que bravateiam contra a corrupção, mas adoram tirar selfies com o presidente da Câmara Federal, devem estar alucinados. A situação do seu herói é cada dia mais grave. As provas contra o correntista suíço se acumulam e ele não tem mais como escapar da degola. A única manobra disponível para adiar a sua cassação é a chantagem com o governo e a oposição no embate sobre o processo de impeachment de Dilma — o que deve desnortear os golpistas mirins. Na semana passada, Eduardo Cunha chegou ao cúmulo de segurar a votação do novo Código de Ética da Câmara dos Deputados para adiar o processo da sua própria cassação.  

A proposta que altera o Código de Ética prevê, entre outras mudanças, o fim do parecer preliminar do relator de qualquer processo disciplinar no Legislativo. Com isso, os pedidos de punição — inclusive o de cassação de mandato — podem ir direto para a Conselho de Ética e, na sequência, para votação pelo plenário da Câmara Federal. Como o novo código não foi aprovado, suas mudanças não valerão para o achacador Eduardo Cunha. Segundo revela a Folha, "a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou o projeto que reformula o Código de Ética há oito dias, mas o texto esteve na pauta por quase dois meses, e ficou por mais de três meses esperando ser pautado".

O novo Código de Ética prevê ainda a diminuição do tempo para a apresentação da chamada defesa prévia, sem deixar de garanti-la ao longo do processo. A regra atual fixa que, se o relator decidir dar prosseguimento ao caso, o acusado terá dez dias para apresentar a sua defesa, indicar provas e arrolar testemunhas. Isso foi mantido, mas foi acrescido ao texto o prazo de dois dias para que, assim que notificado, o deputado acusado ofereça as suas razões para que o processo não tenha seguimento. Depois desse período, o relator também terá dois dias para dizer se acolhe ou não a justificativa.

"A manobra para atrasar a tramitação do texto, desde o início, foi articulada por Eduardo Cunha que, denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro e suspeito de envolvimento no esquema da Lava Jato desde o início do ano, já atuava para amenizar os efeitos do pedido de cassação de seu mandato", descreve a Folha. Apesar das medidas protelatórias, o presidente do Conselho de Ética, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), já garantiu que instalará o órgão nesta terça-feira (4), quando será eleito o relator do processo contra o lobista. Os fascistas mirins, que carregaram faixas do "Somos Todos Cunha" nas marchas golpistas, devem estar, de fato, desesperado e desnorteados! O que fazer?

Altamiro Borges
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Professores da BA debatem crise e mídia

Altamiro Borges — jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e organizador do livro “Para entender e combater a Alca” — foi o primeiro palestrante do Seminário Base Nacional Comum. Muito aplaudido pelo público, Altamiro elogiou a participação dos dirigentes sindicais da capital e do interior, “poderiam estar passeando nesse feriadão”, e alertou que sua palestra teria enfoque na conjuntura. “Sim, porque não está fácil, e quem falar que está, mente, é charlatão”, frisou.

Para ele, o quadro está extremamente complexo e perigoso, mas em todo o mundo. “É uma crise mundial, profunda”, acentua. As mortes de imigrantes que tentam escapar de guerra civil em seus países “podem ser creditadas na conta dos Estados Unidos”, denuncia Altamiro, afirmando que os EUA trocam sangue por petróleo e causam muito mal aos trabalhadores em todo o mundo.

O problema, alerta Altamiro, é que a mídia não só mente, como omite informações importantes para a compreensão geral, e nessa omissão, segundo ele, fica parecendo que a crise é só brasileira. “Há uma manipulação clara, que realça a crise nacional, que existe, mas não tem a dimensão do que estamos vendo nos Estados Unidos e na Europa. Por exemplo, o Brasil está com 8% de desemprego, a Espanha, porém está com um índice de 27%. Os EUA atravessam grave crise em termos de desemprego, mas só se ouve falar na crise do Brasil”, criticou.

Em sua opinião, há hoje uma polarização da sociedade que faz germinar um novo fascismo tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. “O que faz também a direita no Brasil sair do armário”, ilustra.

Ele elogiou o crescimento do Brasil, em termos sociais e educacionais a partir do governo Lula. “A ascensão social incomoda a elite e a classe média. De 2004 para cá foram 19 leis de interesse do trabalhador, inclusive a PEC das domésticas, isto não é pouco”, ressalta. Enquanto as potências capitalistas acabavam com direitos trabalhistas, o Brasil, nesse período criava-as e ampliava a inserção social, afirma Altamiro.

Ele critica o presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha, e lembra que o parlamentar tem denúncias de corrupção desde os tempos em que dirigiu a Telerj, no Rio de Janeiro, “mas a mídia omite”. Segundo ele, a grande mídia só fala agora do Eduardo Cunha porque as contas não declaradas do parlamentar, na Suiça, viraram caso internacional.

“Vencemos a eleição presidencial, com dificuldade, mas vencemos, no entanto, perdemos feio a eleição para o Congresso Nacional. Tínhamos uma bancada sindical de 94 deputados, hoje são 45. Houve crescimento das bancadas do armamento; da que explora a fé do povo; dos barões do agronegócio, por isso elegeu-se Eduardo Cunha, por isso Dilma tem que ceder em muitas votações, a fim de manter a governabilidade”, justifica o palestrante.

Ele criticou as operações Lava-Jato e Zelotes, considerando-as com alvos seletivos. Em relação à crise política, Altamiro chama a atenção para que os sindicatos busquem a unidade porque os derrotados na eleição tentam desestabilizar o governo com proposta de impeachment (“eles consideram isto o ideal”) de presidente Dilma Rousseff ou, se essa proposta não for adiante, ou enquadrar a chefe da Nação, que não tem maioria no Congresso Nacional.

Ele cita Engels, ao lembrar ao público que a luta é política, econômica e de ideias. “Temos eleições no próximo ano, vamos à luta, é preciso superar as divergências naturais e buscar a unidade no sindicato. Vamos partir para a luta de ideias e sejamos produtores de notícias, a internet está aí, vamos também construir a Frente Brasil Popular”, sugeriu.

No APLB
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É inadmissível fonte em off ocupar manchete principal na mídia


Mídia tradicional passou a dar manchete principal a colunistas com textos sem citação de fontes (o chamado off) e desprezo ao contraditório. Antes, as colunas ficavam em seções específicas de opinião, ou, de vez em quando, associadas a uma notícia de peso, tratadas como uma análise dela. Hoje, o vale tudo tomou conta, principalmente nos grandes portais.

A televisão é pioneira no Brasil de produzir reportagens em off aos borbotões. Só que sempre teve cuidado de promover algum tipo de contraponto. Embora terríveis por se basearem em declarações de um contra o outro, com parco material comprobatório, pelo menos com o contraditório elas acabam imprimindo viés jornalístico ao trabalho.

Jornalismo de off na imprensa séria de outros países raramente ganha espaço – ainda mais na manchete principal. Não se publica um mísero texto na mídia dos grandes centros de produção de notícias, sem que se identifique uma fonte ou não se coloque uma declaração em on, com raríssimas exceções.

A forma acintosa do uso desse expediente está presente nas manchetes dos principais portais do País diuturnamente, a maioria com pretensas notícias de bastidores da podre política de Brasília, sem identificação da fonte de informação e nenhum balanceamento dos fatos.

Quem colabora com textos para a mídia séria do exterior, onde o conteúdo é tratado como de importância absoluta à credibilidade do veículo, sabe que colunas desse tipo jamais seriam publicadas lá fora — nem na mídia pequena e segmentada.

Informações incapazes de terem contextualização equilibrada dos fatos são consideradas absolutamente fora do padrão jornalístico — mesmo para colunistas, que possui mais liberdade no tratamento dos fatos.

Aqui no Brasil, preocupados em desqualificar um lado, não citam se quer os interesses que movem suas fontes em off nas críticas displicentes que fazem. Uma total subestimação à inteligência do leitor.

Reportagens da grande mídia também têm seguido este caminho. Abandonaram a necessidade de responder as seis perguntas básicas na elaboração de uma notícia — ou a singular técnica de se reproduzir um fato.

Descreve-se na matéria “o quê”, “quem”, “quando” e “onde”. Não se aprofunda no “como”, e não se tem claro o “por quê” — este último é o mais significativo de todos e responsável em dar sustentação à informação, além de tratar-se do item que remete à técnica de ouvir os dois lados da notícia.

Na ânsia de atender a imprensa patronal, pretensos jornalistas se entregaram à criação imaginária. Quando seus textos andavam resguardados em seções opinativas, ou vez ou outra apareciam vinculados às matérias importantes como exercício de compreensão, eram aceitáveis.

Mas relacioná-los como manchete principal e mais importante de um veículo, baseando-se em informação em off com óbvias motivações ignoradas no texto, vê-se que o jornalismo brasileiro chegou ao fundo do poço.

Augusto Diniz
No GGN
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Sinfonias para a brutalidade

FHC, um Telhada uspiano?
Hoje leio em O Estado de São Paulo a enésima coluna golpista de Fernando Henrique Cardoso, com o título “Por uma agenda nacional”.

Desta vez, não apenas indica como deve ser a saída da presidenta eleita, mas desce o programa inteiro para o novo governo que deve assumir no seu lugar.

Vale a pena parar um instante sobre alguns detalhes do seu dispositivo discursivo, diga-se de passagem, nada sofisticado.

Cardoso não começa falando de política, mas da sua própria vida social e cultural. Conta que acaba de voltar de Berlim, onde assistiu à execução de duas sinfonias de Beethoven, na Filarmônica, a cargo de um grande regente, e o quanto isso o confortou.

Dado que a informação não tem qualquer relação temática com o resto do texto, mas inicia a coluna, deve entender-se como apenas a “captatio benevolentiae”, momento de atrair corações e mentes para o que lhe segue. E como tal, diz muita coisa.

Se for para pensar em viagens ao exterior, a maior parte da base eleitoral de FHC e seu partido provavelmente estejam mais preocupados com não poder ir a Maimi, Cancun ou como muito, Dubai, e não tenham cogitado investir em chegar a Berlim para ouvir um concerto desses.

Por isso mesmo, provavelmente não façam o simples raciocínio de que muitos, mas muitíssimos brasileiros podem baixar por Youtube e escutar, inclusive com boa amplificação, se reunirem uma mínima infraestrutura, a bela sessão que assistiu o ex-presidente.

Menos ainda imaginam que, graças ao trabalho de professores e estudantes e a uma certa diminuição da desigualdade social, a mesma sessão ou outras semelhantes possam já ter sido escutadas em salas da periferia das nossas cidades, e ainda aprofundadas com instrutivas explicações dadas por quem trabalha em projetos de extensão.

Talvez, por que não, em alguma dessas escolas “ociosas” que o partido do colunista viajante está tentando fechar em São Paulo e no Paraná.

Se nada disso passa pelas hipóteses desses leitores, o efeito pavão está conseguido: Fernando Henrique, o culto, assistiu à sessão de gala e teve que voltar a este imerecido chão para nos falar das “agruras” da política. Escutemo-lo, ele sabe.

Na coluna, FHC reitera que a presidenta Rousseff deve ter a “grandeza” de renunciar (é a terceira vez que o diz), e imediatamente propõe “cinco ou seis pontos fundamentais” para sair da crise.

Nada de impostos às grandes fortunas, que no Brasil são ridiculamente baixos. Nem uma palavra sobre os lucros escandalosos dos banqueiros, quem ganha tem que continuar ganhando.

As propostas são aumentar a idade mínima de aposentadoria, reduzir o gasto público e precarizar mais o trabalho assalariado “mesmo a despeito do legislado”.

Esses são os componentes concretos da “agenda”, mais algumas formulações já rituais sobre “credibilidade das instituições políticas”.

E parece que não contente com fazer um plano de governo para o Brasil, Cardoso está fazendo propostas para a Argentina.

Segundo a Folha de São Paulo também de hoje, ele foi opinar sobre o governo argentino atual como “desastroso”, torcer pelo candidato opositor (Macri) e recomendar a ele que “tem que vencer o preconceito de que pertence a uma classe alta, não com palavras, mas com gestos de aproximação com pessoas de todos os tipos”.

Se tivesse, quanto menos, se dado ao trabalho de averiguar algo mais sobre “seu” candidato, FHC não teria produzido esse conselho descabido. Macri foi durante anos presidente do clube Boca Juniors, o mais popular da Argentina, e não precisa, portanto, que logo o tucano ele vá lhe ensinar a parecer “povo”.

Mas o que chama a atenção é um contraste: que para atrair o público argentino Cardoso recomende “modéstia”, mas para obnubilar o leitor do Estadão se valha do pavoneio atrasado de contar que ouviu música erudita na Alemanha.

Isso me lembra um belo estudo de Gulhermo O´Donnell [1] que, comparando os modos discursivos de ratificação da distância social na Argentina e no Brasil, observava, na Argentina, gestos de encurtamento dessa distância que, sem deixar de ratificar a diferença existente, atuam como traços de uma formação social historicamente menos desigual.

O´Donnell resumia esses gestos no clisé coloquial “Y a mí qué me importa?” (extensível, segundo o mesmo cientista, como “Y a mí qué m…. me importa?”).

Acontece que a sociedade brasileira também mudou um pouco, e a anacrônica tentativa de esnobar por ter ido a um concerto só funciona com quem não para um minuto a pensar. Por isso, meu convite é a um sonoro e mercosulino “Então você foi a Berlim? Descobriu Beethoven? Y a mí qué m… me importa?”.

O que pode importar que Cardoso escute Beethoven (em Berlim ou na casa dele) se seus vereadores, em Campinas, votam pelo repúdio a Simone de Beauvoir, que parece que era “do mil e trocentos”?

Dá para associar com algum tipo de mérito ou de hierarquia no campo cultural projetos de lei como o “escola sem partido”, de autoria de deputados do partido de FHC?

A qual refinamento cultural corresponde a aliança com o fundamentalismo religioso em tantos espaços legislativos para restringir direitos elementares?

E é, acaso, de um alto padrão civilizatório ter deputados que se autodenominam “bancada da bala”, que se vangloriam de quantos mataram, e ainda nomear um deles para presidir uma comissão de direitos humanos, como faz o partido de Cardoso em São Paulo?

Não está na hora, por esses e por tantos motivos, de os setores progressistas deixarem de ver nesse senhor um “aristocrata” (com ou sem empatia com o termo) e comecem a ver como um dos coronéis da brutalidade, do retrocesso cultural, educacional e democrático?

Citar música erudita não resolve, nem sequer indo à Filarmônica de Berlim. Recomendaria aos que, diante da “alta cultura” de FHC, pressupõem que deve “saber o que é bom” para o país e o mundo, ler o livro Efeito Beethoven. Complexidade e valor na música de tradição popular, de Diego Fischerman [2].

Talvez desse modo entenderiam que, ao serem postas como artefato retórico, as sinfonias recuam ao lugar de música de uso, não se diferenciando a cena de escuta na Filarmônica da de uma telenovela ou de um reality, gêneros sem dúvida muito mais adequados ao projeto cultural que pode acompanhar a “agenda” do Estadão e de FHC.

[1] O’ DONNELL, G. (1984) “¿Y a mí, que me importa?” Notas sobre sociabilidad y política en Argentina y en Brasil. Kellog Institute. Working paper 9.

[2] Buenos Aires: Paidós, 2013.

Adrián Pablo Fanjul, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, que não se explica como um vulgar golpista declarado continua sendo professor emérito da casa.
No Viomundo
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Oposición en Venezuela genera matriz sobre fraude electoral


El politólogo Francisco Rodríguez Landaeta aseguró que la estrategia de la oposición para los comicios parlamentarios del 6 de diciembre se basa en el desconocimiento de los resultados.

La estrategia electoral de la oposición para las elecciones parlamentarias del 6 de diciembre en Venezuela está enfocada en generar una matriz de opinión sobre la existencia de fraude, de no obtener los resultados que desea, aseguró el politólogo Francisco Rodríguez Landaeta.

En entrevista con el programa Agenda Abierta de teleSUR, el analista precisó que este sector se vale de encuestadoras para hablar de un resultado favorable para la oposición, pero que al tener conocimiento que no obtendrán ventaja como se intenta hacer creer al electorado, habla de fraude electoral.

Landaeta argumentó que la oposición quiere valerse del “voto castigo” en las venideras elecciones; es decir, conseguir simpatizantes a partir de los puntos en que el Gobierno debe mejorar. Sin embargo, consideró que los venezolanos han demostrado que, más allá de una coyuntura, respaldan el proyecto socialista.

El analista señaló que el elector tiene el conocimiento de que, con la oposición, las políticas sociales están en peligro”; además, apuntó que el sector opositor en Venezuela se rige por un programa político que no da a conocer y que está enfocado “en un modelo neoliberal”.

Landaeta aseguró que la estrategia se dirige al desconocimiento de los resultados, “ellos saben que se están jugando todo”, dijo.

Recordó que los que desean ocupar ahora cargos en la Asamblea Nacional respaldaban las guarimbas, “hecho que estaba destinado al fracaso”.

“El votante chavista no va a poner en juego los logros sociales que se han conseguido en 15 años”, manifestó el politólogo, al tiempo que señaló que el reto del nuevo Parlamento es buscar nuevos mecanismos para seguir profundizando los proyectos socialistas.

Añadió que el sistema electoral en Venezuela es uno de los más seguros y transparentes a nivel internacional, debido a la cantidad de veedores y procesos que se han realizado, por lo consideró como un hecho que este sistema está muy blindado, “por lo que hablar del fraude es bastante remoto, por no decir imposible”.


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A identidade secreta de Aécio


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Cunha é escrachado pela juventude em Brasília


Na tarde desta segunda-feira (02), cerca de 400 jovens realizam escracho em frente à casa do presidente da Câmara, deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), localizada na chamada ‘Península dos Ministros’ do Lago Sul, área nobre de Brasília.

O objetivo do ato é denunciar Cunha, investigado por corrupção e principal articulador da ofensiva conservadora contra a classe trabalhadora no país, e pedir sua deposição de presidente da Câmara.

Para Janderson Barros, do coletivo de juventude do MST no DF, o Cunha representa a agenda conservadora do Congresso que retira direitos fundamentais do povo brasileiro.

“Lutamos contra essa bancada conservadora que está no Congresso que não nos representa. A retirada de direitos do povo coordenada pelo Cunha é um retrocesso. Por isso, precisamos de uma reforma política para reestruturar a sociedade e a juventude tem um papel fundamental nesse processo”, salienta Barros.

As pautas do Cunha e seu próprio histórico político — do partido de Collor, passando pela legenda herdeira da ditadura até a agremiação que liderou a oposição oficial do regime militar — além da confusão ideológica que reina no sistema político brasileiro, criaram um cenário em que o deputado  utilizando-se de manobras,  algumas delas torcendo a legalidade, recolocou em votação, da noite para o dia, questões da sua agenda conservadora que havia legalmente perdido.

Cunha é proponente de projetos considerados machistas e homofóbicos, como o Projeto de Lei (PL) 1.672, de 2011, que institui o Dia do Orgulho Hétero, a PL 5069/13, que proíbe o Sistema Único de Saúde (SUS) de oferecer às mulheres vítimas de estupro a pílula do dia seguinte e de prestar-lhes orientações sobre o direito ao aborto. Todos são bandeiras do presidente da Câmara que garante a fidelidade de deputados eleitos por conta das ajudas financeiras para as suas campanhas e pelo quoficiente eleitoral.

De acordo Laura Lyrio, da coordenação do Levante, a juventude se soma à luta pelo ‘Fora Cunha’ e afirma que o retrocesso contra os direitos do povo brasileiro deve ser barrado.

“A juventude está na rua para defender que um outro projeto para o Brasil é possível e que não aceitaremos sem lutar projetos como o 5069, que é uma violência contra o corpo das mulheres, uma das muitas que o Estado comete”, afirma Laura.

Ele também é o principal articulador da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 171/93, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos, do PL 4.330, que libera a terceirização em qualquer função nas empresas, e de tornar o financiamento privado de campanhas eleitorais constitucional, mesmo após decisão de ilegalidade do Supremo Tribunal Federal (STF). E do Estatuto da Família.

Manhattan brasiliense

A Península dos Ministros é um reduto de milionários. São senadores, deputados, ministros e os principais empresários da cidade que ai reside. Embora nenhum terreno esteja à venda, estima-se que o valor de um deles fique em torno de 4,5 milhões.

O nome oficial do local é Parque Ecológico Península Sul que foi criado com o objetivo de disponibilizar essa área nobre do lago Paranoá a toda a população do DF. Uma vez que, é um espaço público não pode ser restringido apenas para uma parcela “privilegiada” da população.

Em agosto deste ano, a operação da Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) para retirada e desocupação de construções irregulares na orla do Lago Paranoá passou pela mansões oficiais da Península, incluindo a da Câmara dos deputados, utilizada pelo Cunha, cujo processo ainda está em negociação, com a derrubada suspensa, por enquanto.

Diante disso o Governo do DF, que tem tratado o povo à base de cassetete, sofre um grande dilema se cumpre ou não uma decisão judicial da derrubada de imóveis ilegais que ocupam a orla do Paranoá. Além, de alimentar a segregação social já existente, uma vez que prioriza os investimentos e melhorias em áreas onde se concentra a população com maior poder aquisitivo, político e social e toma atitudes opostas ao direito garantido pela Constituição.
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Drones captam a rota de milhares de refugiados na fronteira da Croácia


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Leitura dominical sobre corrupção

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=7804

Leio na Folha de S. Paulo:

“BNDES contornou norma interna para socorrer norma interna de amigo de Lula”

– O ex-presidente tornou-se o rei dos lobistas.

“Nardes tratou de consultoria após entrar no TCU, indica e-mail”

– Conselheiro do TCU, relator das pedaladas da Dilma está enrolado. A Zelotes bateu-lhe no peito.

“Cunha abasteceu frota de luxo com verba da Câmara”

– As provas contra Eduardo Cunha acumulam-se, mas ele permanece.

Por quê?

Simples:

“Cunha acelera pautas conservadoras”.

– Quais?

– “Uma delas é a PEC 99, que permite a entidades religiosas a apresentação de ação direta de inconstitucionalidade ou de ação declaratória de constitucionalidade ao Supremo Tribunal Federal. Na prática, a proposta iguala essas entidades à Presidência e demais instituições que hoje têm essa prerrogativa, como as Mesas do Senado e da Câmara e a Procuradoria-Geral da República”.

– “Outro projeto polêmico que deve ir ao plenário nas próximas semanas é o estatuto da família, que define a entidade familiar apenas como a união entre homem e mulher, excluindo qualquer caso de união homoafetiva”.

– “Outro tema polêmico avançou: uma comissão especial aprovou o texto-base da proposta que revoga o estatuto do desarmamento. Chancelada pela “bancada da bala”, a proposta afrouxa as regras para porte de armas, permitindo que até deputados e senadores tenham armas, além de passar de 25 para 21 anos a idade mínima permitida para tal”.

– Tradução: se o corrupto faz política social, deve cair imediatamente. Se acelera pautas conservadoras, pode ficar. A esquerda escandaliza-se com a corrupção da direita. A direita escandaliza-se com a corrupção da esquerda. O observador racional diz: a corrupção deve ser punida e não tratada como ideologia.

“PMDB lança manifesto”

propostas:

– Desvinculação das pensões do salário mínimo.

Tradução: abandonar os aposentados ao relento

– Fim das rubricas obrigatórias de gastos públicos

– Tradução: fim dos gastos obrigatórios com saúde e educação

Possível explicação: o PMDB, com seu repentino e oportuno programa neoliberal, prepara-se para romper com o PT e aliar-se com o PSDB imaginando que os tucanos ganharão a próxima eleição. É o manifesto mais oportunista do momento. Hora de trocar de barco.

“Relator do orçamento quer cortar 35% do Bolsa Família”

– Ricardo Barros é do PP. O PP é campeão de participação na Lava-Jato. Mas é o útil para o grande fim: podar a ajuda aos mais pobres. PMDB, PP e PSDB se dão as mãos.

Era esperado.
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FHC, sem medo do ridículo


Na grande crise de 2003, a imprensa foi atrás de todos os ex-presidentes. Três deles se comportaram como ex-presidentes, chamando a opinião pública à razão. Foram eles José Sarney, Itamar Franco e Fernando Collor de Mello. Independentemente de história e linha de pensamento, comportaram-se com a responsabilidade que se exige de um ex-presidente. O único carbonário foi FHC, pequeno, mesquinho.

Não parou por aí. Sua vida pós-presidência tem sido um exercício permanente de mesquinharia, agora, aproveitando-se de uma releitura oportunista da mídia sobre seu governo — meramente devido à necessidade de se criar um contraponto ao governo Lula.

FHC tem colaborado, de forma pertinaz, para destruir sua reputação perante os observadores isentos da história. Fala pelos cotovelos, sem observar nenhuma regra mínima de conduta que se espera de um ex.

Sua última obra prima é esse primor de lógica política:
  • Se Dilma não conseguir as reformas, também não conseguirá governar.

  • A saída que tem, então, é se oferecer para o altar de sacrifícios: se o Congresso der as reformas, ela ofereceria, em troca, seu cargo de presidente, renunciando.

  • Com esse gesto de desprendimento, ela recuperaria sua força política, diz esse gênio da análise política.
E de que serviria recuperar, sendo ex-presidente? Provavelmente para poder participar do chá das 5 na Academia Brasileira de Letras.

Não é fácil para aliados forçar interpretações sobre a era FHC. Ele poderia facilitar a vida dos amigos e aliados não se expondo tanto assim ao ridículo.


Dilma deveria dizer que só renuncia se Congresso aprovar reformas, sugere FHC

Tucano avalia que, se propusesse mudanças eleitorais e na Previdência, petista recuperaria força política; caso contrário, restará 'empurrar o tempo com a barriga'

Porto Alegre - Em entrevista na manhã desta sexta-feira, 30, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que a presidente Dilma Rousseff teria como melhor alternativa para a crise política propor um pacto pelo qual aceitaria renunciar ao mandato mediante a aprovação de reformas que dificilmente o Congresso e os partidos aceitariam fazer por conta própria, como melhorar os sistemas partidário-eleitoral e o previdenciário. "Ou ela assume e chama o País às falas, apresenta um caminho crível para o País e recupera a força para poder governar, ou então ela pelo menos deixa uma marca forte: 'Eu saio se vocês aprovarem tal e tal coisa", afirmou o ex-presidente tucano, em entrevista à Rádio Gaúcha, do Grupo RBS.

"Como a presidente está em uma situação tão delicada, tão difícil, de tão baixa popularidade e, ao mesmo tempo, com tanta dificuldade de aprovar qualquer coisa no Congresso, o que seria com grandeza? 'Olha aqui, vocês querem que eu saia? Eu saio, mas vocês primeiro me deem tais e tais reformas, para criar um clima mais positivo'", afirmou FHC. Para o tucano, as prioridades dessa agenda deveriam ser as regras das disputas eleitorais e o sistema público de pagamento de pensões e aposentadorias. "Muda a reforma eleitoral, porque esse sistema está fracassado. Mexe a Previdência, porque se não vai falir. Exige umas tantas coisas que sejam anseios nacionais e (diz:) 'Se fizerem isso, eu caio fora'. Um gesto e, se fizer isso, nem cai fora, porque ganha (força política)."

Há pelo menos dois meses, FHC tem defendido publicamente a renúncia como um "gesto de grandeza" para Dilma. Logo após as manifestações contra o governo e o PT de 16 de agosto, : "Se a própria presidente não for capaz do gesto de grandeza ­ renúncia ou a voz franca de que errou, e sabe apontar os caminhos da recuperação nacional ­, assistiremos à desarticulação crescente do governo e do Congresso, a golpes de Lava Jato. Até que algum líder com força moral diga, como o fez Ulysses Guimarães, com a Constituição na mão, ao Collor: você pensa que é presidente, mas já não é mais".

Na entrevista desta sexta­feira, motivada pelo , em que relata o dia a dia no Palácio do Planalto, FHC se mostrou cético em relação à situação de Dilma. "Do jeito que está, ela pode até ficar (até o fim do mandato), mas vai empurrar o tempo com o barriga sem conseguir resultados satisfatórios", avaliou. Por isso, segundo o tucano, a renúncia seria o "menos custoso" ao País.

"Impeachment é um processo longo. É um debate que paralisa o País. Uma decisão do Tribunal (Superior) Eleitoral que anule a eleição provoca também uma grande confusão, eleição de novo", afirmou FHC, seguindo caminho diferente do defendido pela maioria do PSDB, que encampa um pedido de afastamento da presidente e contesta a campanha à reeleição de Dilma no TSE. "Tudo isso é muito fácil de falar, mas quem conhece o processo histórico sabe que tem um custo para o país muito elevado." Ao comparar na semana passada as dificuldades de seu governo com o PT na oposição às enfrentadas por Dilma, FHC disse ao Estado que os tucanos não deveriam agir como os petistas fizeram no passado.

Luís Nassif
No GGN
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Ex-agente duplo conta como a CIA promove ‘guerras não violentas’ para implodir governos

A missão da CIA para Raúl Capote era formar líderes universitários e criar o projeto “Genesis”, com o objetivo
de estabelecer em Cuba a estratégia do “golpe suave”, elaborada por autores como Gene Sharp.
Fotos: Guilherme Santos/Sul21
Entre 2004 e 2011, o escritor e professor cubano Raúl Antonio Capote Fernández atuou, a pedido da inteligência cubana, como agente duplo infiltrado na CIA. Raúl Capote foi contatado muito jovem por pessoas ligadas à agência de inteligência norte-americana e convidado a participar de um projeto que pretendia criar uma “oposição de novo tipo” em Cuba, capaz de, após o desaparecimento de Fidel Castro, iniciar uma “revolução suave” que acabasse por derrubar o governo de Havana. A sua missão era formar líderes universitários e criar o projeto “Genesis”, com o objetivo de estabelecer em Cuba a estratégia do “golpe suave”, elaborada por autores como Gene Sharp.

Em entrevista ao Sul21, Raúl Capote conta essa experiência, relata como ela fracassou em Cuba e diz que ela já foi aplicada em países como Venezuela, Irã e Líbia e que segue sendo implementada em diversas regiões do mundo. “A ideia da guerra não violenta consiste em ir solapando os pilares de um governo até que ele imploda. O objetivo não é fazer com que um governo renuncie. Se isso acontecer, o projeto fracassou. A ideia é que o governo imploda e que isso cause caos. Com o país em caos, é possível recorrer a meios mais extremos”, assinala.

Raúl Capote veio a Porto Alegre a convite da Associação Cultural José Martí/RS para participar de uma série de encontros e debates. Ele mantém o blog El Adversário Cubano, onde conta outros detalhes sobre essa história e sobre outras “guerras não violentas” em curso no planeta.

Como é que você começou a trabalhar com assuntos de segurança em Cuba e sob que circunstâncias se tornou um agente duplo, atuando infiltrado na CIA?

Isso começou em 1986. Eu era um jovem inquieto e rebelde que fazia parte de uma organização chamada Associação Hermanos Saiz, que agrupava jovens poetas, pintores e escritores. Esse espírito rebelde para nós era algo muito natural. Fomos ensinados a ser assim. Creio que os serviços especiais norte-americanos confundiram esse espírito de rebeldia com um espírito de possível oposição ao sistema. Eles começaram a se aproximar de nós. Eu vivia em Cienfuegos, no centro-sul de Cuba, uma cidade que tinha uma importância estratégica nesta época porque a revolução queria convertê-la num centro industrial para o país. Havia muitas obras em construção, entre elas uma central Eletronuclear e fábricas de todo tipo. Era uma cidade muito jovem e onde trabalhavam muitos cubanos que tinham se formado na União Soviética e em outros países do campo socialista. Creio que essa conjuntura de ser uma cidade jovem e industrial, com muitos jovens interessados em temas da cultura, da política e da economia, chamou a atenção da CIA.

“A primeira pessoa que veio falar conosco foi Denis Reichler, um jornalista freelancer da revista Paris Match,
que para nós era uma espécie de ídolo do jornalismo esportivo”.
Eles começaram a se aproximar de nós por meio de organizações não-governamentais. A primeira pessoa que veio falar conosco foi Denis Reichler, um jornalista freelancer da revista Paris Match, que para nós era uma espécie de ídolo do jornalismo esportivo. O que admirávamos nele era sua atuação como jornalista que havia estado na África e em muitos outros lugares. Era uma referência positiva para se aproximar de um grupo de jovens tão rebelde. Ele nos colocou em contato com organizações não-governamentais que, supostamente, estavam interessadas em financiar projetos artísticos em Cuba. Nos colocou em contato com pessoas que começaram a planejar ajuda econômica e a trabalhar com nós, em um processo de aproximação que buscava ganhar a nossa confiança. Éramos jovens e estávamos começando a fazer literatura ou artes plásticas. Ainda não tínhamos nenhuma obra, só tentativas.

Era um processo de aproximação feito com muita cautela e sem pressa. Neste período, a Segurança de Estado cubana entrou em contato comigo, me explicou o que estava acontecendo, que aquelas pessoas não pertenciam, de fato, a organizações não governamentais e quais eram as suas reais intenções. Isso me dava três possibilidades. A primeira era seguir trabalhando com eles. A segunda era interromper o trabalho e o contato com eles. E a terceira possibilidade, que me foi proposta pela segurança cubana, era seguir trabalhando com eles, converter-me em um agente da segurança cubana e tratar de decifrar quais eram os planos dessas pessoas no mundo da cultura e das artes, especialmente junto à juventude.

Esse contato com a agência de segurança cubana e o trabalho que se seguiu daí aconteceram ainda em 1986?

Sim, em 1986. Para mim era algo extraordinário. Nos anos 80, existia na sociedade cubana toda uma mística sobre o trabalho da segurança cubana, que sempre foi muito popular. Havia uma história legendária sobre ela, que tinha frustrado planos da CIA contra Cuba. Pertencer a essa organização me pareceu algo maravilhoso. Não avaliava, então, o quão complicado seria o trabalho que eu teria que enfrentar nem a quantidade de renúncias que eu teria que fazer. Eu tinha 20 anos quando comecei esse trabalho. Foi um longo processo. Houve um momento em que ocorreu uma interrupção desse movimento de aproximação feito pelos inimigos de Cuba. Em 1987, houve uma grande denúncia pública. Mais de 30 agentes da segurança cubana expuseram o trabalho de quase 96 oficiais da CIA que estavam atuando dentro do país.

“Em 2004 começou o processo do meu recrutamento pela CIA.
Neste ano, conheci muitos oficiais da agência, inclusive aquele
que seria meu chefe mais tarde”.
Isso fez com que a CIA se tornasse mais cautelosa e tomasse algumas precauções. Passaram-se então alguns anos de contato muito leve por meio de algum jornalista ou de um representante de uma ong. Em 1994 eu fui morar em Havana e passei a trabalhar como organizador do sindicato de trabalhadores da cultura na cidade. Era uma mudança radical em muitos sentidos. Até então eu trabalhava com um universo de 3 ou 4 mil jovens e passei a dirigir 40 mil trabalhadores da cultura. Isso me tornou um alvo ainda mais interessante para a CIA. Eu era líder de um sindicato onde estavam praticamente todos os trabalhadores da cultura – artistas, músicos, escritores. Era um sindicato muito forte. Aí os contatos voltaram.

Eles passaram a me visitar com um plano mais complicado. Começaram a falar em dar informações sobre como se movia esse mundo da cultura, sobre como os jovens viam a Revolução naquele momento, etc. Esse processo vai se incrementando com o passar dos anos até 2004. Neste período, entramos em contato com associações e fundações mais vinculadas com o governo dos Estados Unidos como a Usaid e a Fundação Panamericana para o Desenvolvimento. Em 2004 começou então o processo do meu recrutamento pela CIA. Neste ano, conheci muitos oficiais da agência, inclusive aquele que seria meu chefe mais tarde.

Conheceu esses oficiais da CIA em Cuba mesmo?

Sim, em Cuba. Em 2004, então, eles me recrutam e eu me converto em um agente da CIA com uma tarefa muito específica. Minha tarefa não era fazer espionagem, até porque eu não tinha acesso mesmo a informações muito importantes, ou praticar ações encobertas ou atos terroristas, como normalmente faziam em Cuba. O meu trabalho era promover a guerra cultural, a guerra no terreno das ideias, que eles definem muito bem ao chamar de guerra cultural. Nós usamos expressões complicadas para isso como subversão político-ideológica ou algo do gênero. Eles simplificam. É guerra cultural mesmo. O que eu não imaginava era chegar a conhecer o quanto de verdade havia no controle real que a CIA tem sobre os meios de comunicação e a indústria cultural nos Estados Unidos e no mundo inteiro. Descobri que isso existe de fato, não é teoria da conspiração como alguns acreditam.

A CIA utiliza o cinema, as rádios, as televisões os jornais e outros canais a partir de um plano prévio. A agência criou um departamento que se especializou neste tipo de guerra cultural. Eu entrei neste mundo e conheci muitas pessoas que trabalhavam nele. Em 2005, eu me converti em chefe de um projeto específico da CIA em Cuba, chamado de Projeto Gênesis.

Você chegou a ir aos Estados Unidos para fazer algum tipo de treinamento especial ou para reuniões?

Sim, tive contato direto com eles. O Gênesis era um projeto muito bem pensado e que me permitiu conhecer também como a CIA estava trabalhando na América Latina com a mesma ideia de guerra cultural. Esse projeto não foi uma novidade cubana, mas sim o resultado de um trabalho realizado pelos Estados Unidos em muitas regiões da América Latina. Ele começou a ser implementado no processo de transição democrática na América Latina, no Chile e em muitos outros lugares. Essa experiência partiu da constatação de que as universidades latino-americanas tinham sido nas últimas décadas um foco de insurreição e de formação de militantes de esquerda. Eles decidiram mudar isso e converter a universidade latino-americana em um centro de produção do pensamento da direita e não da esquerda. Eles pensavam que o fato de essas universidades terem atravessado um período de repressão muito grande, quando muitos professores e estudantes militantes de esquerda foram mortos, facilitava um pouco esse trabalho de conversão.

“A ideia era criar uma nova classe dirigente dentro das universidades
e, por consequência, nos seus respectivos países”.
Assim, começaram a implementar em toda a América Latina um milionário plano de integração acadêmica. Muitos estudantes e professores foram fazer esse intercâmbio nos Estados Unidos, onde realizaram diversos cursos, entre eles o famoso curso de liderança. A ideia era criar uma nova classe dirigente dentro das universidades e, por consequência, nos seus respectivos países. A quantidade de líderes mundiais hoje que são fruto desses programas é impressionante. Esse processo foi aplicado na Venezuela, por exemplo, com uma ênfase muito forte, a partir de 2009.

Entre 2003 e 2004 se enviava, mensalmente, um grupo de dez estudantes com um professor para cursos de formação e liderança na antiga Iugoslávia, atual Sérvia, sob a coordenação do antigo grupo de resistência sérvio, onde estava Srdja Popovic e uma série de jovens que contavam a experiência da derrubada de Milosevic.

Participavam desses cursos também o Instituto Albert Einstein, o Instituto de Luta pela Guerra Não Violenta, criado pelos sérvios, o multimilionário húngaro George Soros que colocou muito dinheiro neste projeto, e o Instituto Republicano Internacional que recebia fundos do governo norte-americano e o aplicavam nestes cursos. Aí se formaram muitos dos líderes da chamada Primavera Árabe e muitos líderes da oposição síria. Criou-se toda uma estrutura para fomentar o uso da chamada luta não violenta e do golpe suave. Estudantes venezuelanos, acompanhados de alguns professores, começaram a fazer esses cursos de forma periódica. O objetivo era repetir esse processo em Cuba, para formar ativistas especializados no manejo da guerra não violenta.

Eu recebi uma preparação intensa de como se organiza um golpe suave para derrubar um governo, quais são as medidas fundamentais para construir essa estratégia. É claro que, dentro de Cuba, seria muito mais difícil fazer essa formação. A alternativa encontrada foi usar o sistema de bolsas de estudo para promover o intercâmbio de estudantes. A ideia era propor, por exemplo, uma bolsa de estudos de seis meses ou mais em Jerusalém para um estudante de história ou ciências sociais. Ou então oferecer para uma jovem estudante de arte uma bolsa em Colônia, na Alemanha. Escolheu-se universidades muito pontuais, que não fossem norte-americanas e que pudessem ser atrativas para determinadas áreas de interesse. Mas os cursos oferecidos nestas universidades não eram exatamente sobre arte ou sobre história, mas sim sobre formação de lideranças, com cursos de inglês, cursos de táticas de guerra não convencional, sobre como funcionavam as organizações democráticas. O objetivo era que, mais tarde, esses estudantes se transformassem em elementos de mudança em Cuba.

E os estudantes que recebiam essas bolsas, sabiam da real natureza desse intercâmbio?

Não sabiam. O truque da bolsa era que, em geral, oferecia um curso de seis meses. As pessoas supunham que o curso era relacionado com a sua especialidade. Por que não passar seis meses em Jerusalém, Colônia ou outro local, com tudo pago, recebendo um curso de inglês, entre outras coisas? – pensavam. A agência estimava que, se cada dez estudantes, um se convertesse em um futuro opositor, já seria um grande lucro.

“A estratégia, em resumo, era aplicar a cartilha de Gene Sharp, teórico do golpe suave. A ideia da guerra não
violenta consiste em ir solapando os pilares de um governo até que ele imploda”.
Foto: Divulgação
Esse plano começou a ser implementado em Cuba com muita força a partir de 2005, 2006, sem muitos resultados. Para surpresa da CIA, não houve muitos interessados pelos cursos, que não tiveram o impacto esperado junto aos jovens cubanos. Além disso, eu é que estava dirigindo a operação…Era possível que não tivesse êxito…(risos). Outro plano envolvendo a minha atuação como agente era fazer com que eu ocupasse uma posição elevada dentro do Ministério da Educação. Pretendiam me dar todo o apoio possível para tanto, apoio acadêmico e inclusive monetário. A ideia era me converter em uma pessoa imprescindível no sistema de educação cubano por minhas relações e contatos no mundo acadêmico.

Uma das coisas mais importantes para eles nesta época era o tempo que lhes restava. Estavam muito preocupados com essa questão temporal, pois aguardavam o momento do desaparecimento de Fidel. Avaliavam que muitos dos líderes históricos da Revolução Cubana não estariam mais em condições de assumir o posto de comando quando isso acontecesse. Trabalhavam com um período de dez ou quinze anos, no qual se formaria em Cuba uma nova oposição, que não teria nada a ver com a oposição anterior, que eles próprios consideravam desprestigiada e sem base social. Queriam criar uma oposição de novo tipo.

Como pretendiam fazer isso?

A estratégia utilizada em Cuba se diferenciou um pouco daquela usada em outros lugares. Eles queriam formar uma oposição de esquerda, pois avaliavam que uma oposição de direita não teria êxito em Cuba, pelo enraizamento da tradição e do pensamento revolucionário e também pelo fato que a direita nunca teve uma posição muito significativa junto ao povo cubano. Passaram a tentar criar, então, organizações que fossem supostamente de esquerda. Essa era a estratégia central do projeto Genesis. Para nos auxiliar nesta tarefa, nos deram acesso a modernos meios eletrônicos de comunicação que nos permitiram acessar a internet, as redes sociais e outros espaços. A ideia era nos dotar de uma grande capacidade de mobilização e começar a gerar conteúdo dentro do país. Isso tudo seria feito em segredo, em baixo perfil, nos treinando no uso dessas novas tecnologias.

“Em 2007, me entregaram um equipamento de comunicação que se
conectava por satélite com o Departamento de Defesa e que
não podia ser rastreado”.
Em 2007, me entregaram um equipamento de comunicação que se conectava por satélite com o Departamento de Defesa e que não podia ser rastreado. Esse equipamento permitia que eu tivesse comunicação direta com meu chefe em Washington e também criar uma rede em Cuba indetectável. De forma concomitante com isso, se começou outro projeto por meio do qual começaram a introduzir telefones celulares no país. Em função do bloqueio imposto pelos Estados Unidos, Cuba não tinha muitos celulares. Eles começaram a distribuir celulares de maneira gratuita, por diferentes meios, e criaram o programa ZunZuneo, que pretendia ser uma espécie de twitter cubano.

Essa rede começou a distribuir mensagens de texto principalmente e notícias relacionadas ao esporte, à cultura e às artes. A ideia era criar dentro do país um hábito de consultar essa página e fazer com que as pessoas confiassem neste espaço. Assim, no momento necessário, o site começaria a enviar mensagens para mobilizar ações contra a revolução. Fizeram alguns testes no país, em determinados momentos, que não deram resultado, mas seguiram implementando o projeto. Mais tarde, fizeram alguns aperfeiçoamentos e criaram outro sistema que se chamou Piramideo, parecido com o ZunZuneo, mas com alguns acréscimos fruto de experiências no Oriente Médio, especialmente no Irã, onde foi utilizado como ferramenta de mobilização em determinadas situações dentro do país.

Qual foi o impacto dessas iniciativas na sociedade cubana, especialmente junto à juventude? Elas tiveram visibilidade?

Tudo era feito pensando em um determinado momento no futuro de Cuba onde deveria ocorrer uma mudança de governo. Eles pensavam que isso ocorreria entre 2015 e 2016, que é exatamente o momento que estamos vivendo agora. Neste momento, segundo o planejamento feito, já deveria estar formada uma oposição social de novo tipo, saída da universidade e integrada principalmente por estudantes e professores, mas também por artistas, pequenos comerciantes e representantes de outros setores que apoiassem essa ideia. O surgimento público desse novo movimento político se daria através do lançamento da organização Fundação Genesis para a Liberdade, que deveria se dar em um ano em que ocorressem eleições em Cuba (que ocorrem a cada cinco anos).

Essa organização até poderia ser considerada uma fundação, mas de “genesis” não tinha nada e de liberdade muito menos. Em primeiro lugar, porque o líder da organização, eu no caso, era um agente da CIA. Em segundo lugar, eu não podia tomar nenhuma decisão sem ouvir o grupo consultivo que era constituído por oficiais da CIA. Então, de liberdade não tinha nada. Por meio dessa fundação, se esperava criar um oi mais de um partido político supostamente de esquerda. O discurso desse novo partido consistiria em dizer que era preciso reformar e modernizar o socialismo cubano. A nossa principal palavra de ordem era esta: modernizar. “Precisamos colocar o socialismo à altura do tempo”, “a época heroica já passou”, “ninguém mais faz isso no mundo”…diríamos coisas assim.

“O nascimento da Fundação Genesis como organização seria
acompanhado por uma grande campanha midiática”.
Eles acreditavam que, com o desaparecimento de líderes históricos carismáticos da Revolução como Fidel, esse novo movimento político teria um grande impacto na sociedade cubana levando inclusive a uma fratura na unidade interna do país. O nascimento da Fundação Genesis como organização seria acompanhado por uma grande campanha midiática. Haveria uma coletiva de imprensa com alguns dos mais importantes meios de comunicação do mundo. O passo seguinte seria organizar ações de rua, manifestações, ocupação de espaços públicos de maneira pacífica com o objetivo de causar impacto na sociedade.

Qual era a meta principal dessa tática?

Em resumo, aplicar a cartilha de Gene Sharp, teórico do golpe suave. A ideia da guerra não violenta consiste em ir solapando os pilares de um governo até que ele imploda. O objetivo não é fazer com que um governo renuncie. Se isso acontecer, o projeto fracassou. A ideia é que o governo imploda e que isso cause caos. Com o país em caos, é possível recorrer a meios mais extremos. A meta em Cuba era esta: causar um caos tal no país que fizesse desabar todos os pilares da revolução. Neste cenário, várias possibilidades eram consideradas, entre elas, uma “intervenção humanitária” dos Estados Unidos no país. Outra era a instalação de um governo de transição que levasse a um governo de direita.

O truque fundamental do projeto Genesis era que tinha supostamente um discurso de esquerda, mas as propostas reais que defendia consistiam em privatizar praticamente tudo, inclusive a saúde e a seguridade social. Era um socialismo anti-socialista e anti-social, com terríveis medidas de austeridade. Eles diziam para não nos preocuparmos, pois o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e a comunidade cubana no exterior iriam apoiar a “reconstrução do país”. Mas esse projeto nunca conseguiu ter base social nem conseguiu formar estudantes como pretendia…

E você, na condição de agente duplo, se esforçava na implantação do projeto ou trabalhava contra ele?

Fazia tudo o que podia para que não tivesse resultado. Era um jogo de xadrez muito interessante. Eu tinha que fazer com que eles acreditassem que estava funcionando e, na prática, fazer com que não funcionasse. Era bem difícil. Mas o projeto tinha muitos pontos débeis. Um deles era a crença de que a revolução dependia de uma única pessoa. Acreditar que a Revolução Cubana é Fidel é um erro. Outro erro era acreditar que os cubanos são pessoas ingênuas.

Em 2006, Fidel anunciou que estava se afastando de suas funções por problemas de saúde e que seria substituído por Raul (seu irmão, Raul Castro). Esse era um momento propício para aplicar a estratégia da Fundação Genesis e eles precipitaram um conjunto de ações. Acreditavam que poderia ocorrer um levantamento no centro de Havana.

Para tanto, usaram um médico chamado Darsi Ferrer, um contrarrevolucionário desconhecido. No dia 13 de agosto de 2006, data de aniversário de Fidel, ele deveria provocar um levantamento em Havana e convocar uma coletiva para dizer que o país estava mergulhado no caos, que havia militares sublevados e que a população não queria Raul no governo. Planejaram gravar em um estúdio, de modo muito parecido com o que fizeram na Líbia onde filmaram ações que, na verdade, não estavam acontecendo. O plano era filmar cenários de repressão como se os militares cubanos estivessem reprimindo a população, e transmitir essas imagens para todo o mundo. A mim me surpreendeu muito que um oficial da CIA em Cuba tivesse o poder de pautar e subordinar os mais importantes meios de comunicação do mundo. Era isso que estava se planejando ali.

“Quando essas imagens do “caos” em Cuba tivessem sido transmitidas ao mundo, eu deveria convocar uma
coletiva de imprensa e pedir uma intervenção militar dos Estados Unidos para conter as violações de direitos
humanos”.
E qual era o seu papel neste plano?

Quando essas imagens do “caos” em Cuba tivessem sido transmitidas ao mundo, eu deveria convocar uma coletiva de imprensa e pedir uma intervenção militar dos Estados Unidos para conter as violações de direitos humanos. Eu não era um contrarrevolucionário ou opositor, mas um professor e acadêmico conhecido no país. A credibilidade da minha aparição seria maior. Fiquei com um grande conflito interno neste período. Eu jamais iria fazer aquele pedido de intervenção militar dos Estados Unidos.

O que aconteceu, então?

As coisas começaram a dar errado para eles muito rapidamente. Depois do anúncio do afastamento de Fidel, passaram-se alguns dias e não houve nenhum caos no país, que seguiu funcionando normalmente. Não houve manifestações, protestos, nada. As pessoas seguiram com suas vidas. O outro problema que ocorreu é que o médico escolhido para desencadear o levante ficou sabendo que os principais canais de Miami estavam dizendo que um opositor cubano chamado Darsi Ferrer iria se imolar pela democracia. Aquilo foi uma surpresa total, pois não estava em seus planos colocar fogo no próprio corpo e morrer. Ele ficou convencido que iam matá-lo e, no dia 13 de agosto, ao invés de ir ao lugar escolhido para a execução do plano, sai de casa e inventa uma desculpa para não ir até lá. E o projeto fracassa.

Quando você abandona a condição de agente duplo?

Em 2010, quando a Líbia entrou em situação de guerra civil, o governo cubano me pediu para participar de uma denúncia pública para que as pessoas ficassem sabendo como esse tipo de golpe é tramado. Era uma decisão muito difícil, pois trazia riscos para mim e para minha família. Mas aceitei a proposta e começamos a gravar um conjunto de programas chamado “As razões de Cuba”, onde um grupo de agentes como eu vai à televisão contar o que tinham vivenciado. O programa foi dividido em capítulos. O meu foi ao ar em 4 de abril de 2011, onde contei tudo isso na televisão.

Fora de Cuba, se fala muito da situação de restrição de acesso à internet e às redes sociais na ilha, que haveria controle e a população não teria livre acesso à rede. Qual é mesmo a situação do acesso à internet em Cuba?

Sim, constantemente se acusa o governo cubano de não permitir o livre acesso à internet. É uma grande mentira. Se formos olhar os discursos de Fidel nos anos 90, veremos que a revolução cubana sempre defendeu o acesso livre à internet. O problema é que os donos da internet são os norte-americanos, Cuba está cercada de cabos submarinos de fibra ótica, mas não pode usá-los por causa do bloqueio. Cuba não tem acesso à tecnologia necessária para garantir o acesso à internet para todos os seus cidadãos por que as empresas são proibidas, pelos Estados Unidos, de negociar com Cuba. Em função desse quadro, o acesso à internet tornou-se muito caro para Cuba. E ela é lenta porque é preciso uma infraestrutura que garanta que o sinal chegue em todos os lugares do país. Nós acreditamos que a internet é uma ferramenta para defender e propagar a revolução. Os Estados Unidos não querem que Cuba tenha livre acesso à internet, porque sabem isso significaria que poderíamos divulgar muito mais nossas ideias também.

É impossível no mundo hoje que uma sociedade se desenvolva sem a internet. Nós temos a Universidade de Ciências Informáticas, que é uma das maiores da América Latina e forma todos os anos milhares de engenheiros criadores de softwares e técnicos nesta área. É uma universidade que se auto-financia com a venda desses softwares. Temos escolas técnicas em todas as províncias que formam milhares de jovens para o uso das redes sociais e das novas tecnologias. Apesar do alto custo que ainda representa, a acesso e uso da internet em Cuba tem aumentado enormemente, apesar de todos os bloqueios que ainda sofremos.

Marco Weissheimer
No Sul21
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“Não há chance de intervenção militar”, diz comandante do exército

Comandante do Exército defende afastamento de general que criticou o governo e diz não haver motivo para intervenção

Comandante do Exército afirma que apenas ele pode falar sobre questões institucionais
Dois dias depois de se ver obrigado a demitir o Comandante Militar do Sul, general quatro estrelas Antonio Hamilton Martins Mourão, e transferi-lo para a Secretaria de Economia e Finanças do Exército, em Brasília, por conta de declarações de cunho político nas quais pregou o “despertar de uma luta patriótica” e disse também que "a vantagem da mudança (da presidente da República) seria o descarte da incompetência, má gestão e corrupção", o Comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, concedeu entrevista na qual avisou que quem fala pela Força é ele. Mas defendeu que “militar pode falar” e “tem de falar”, ressalvando, no entanto que “cada um na sua esfera de atribuição”. O general advertiu que “em questões institucionais, quem se manifesta é o comandante”.

O general Villas Bôas reconheceu que “há uma crise ética no País” embora ressalve que a chegada do PT ao poder “não tem responsabilidade nisso”. Disse também que “a corrupção está instalada no Brasil”, mas ressaltou que todas as instituições estão em pleno funcionamento e que “não há chance” de intervenção politica dos militares. Ao falar da crise econômica citou que ela teve forte impacto na Força, que “temos problemas nas fronteiras”, que está faltando munição e a substituição dos 226 mil fuzis FAL, da década de 60, pode demorar 226 anos porque atualmente só há recursos para se comprar mil fuzis por ano.

A seguir, os principais pontos da entrevista concedida pelo general, no último sábado, em seu gabinete, no Quartel General do Exército, quando comemorou, com chimarrão na mão, pesquisa da Fundação Getúlio Vargas que aponta as Forças Armadas como as instituições com mais credibilidade no País, nove pontos acima da Igreja, que está em segundo lugar. Gaúcho de 63 anos, o general Villas Bôas comanda os 217 mil homens do Exército, desde fevereiro passado.

A demissão do general Mourão foi uma punição exemplar?

Trata-se de um oficial reconhecido na Força, que tem todo o respeito do comandante. Mas esta questão não pode ser abordada de maneira simplista. Em momento conturbado, não é desejável nada que produza instabilidade ou insegurança. A nossa preocupação é de cooperar para manutenção da estabilidade para que as instituições possam cumprir seus papéis e caminhar em direção à solução da crise em nome da sociedade.

Foi isso que nos moveu, para que nenhum movimento venha gerar insegurança ou instabilidade. Essa movimentação (do general Mourão) teve o sentido de mostrar que toda e qualquer manifestação do Exército tem de ser institucional.

O sr. teme que este episódio possa levar a solidariedade ou indisciplina na Força?

Dentro do Exército, não, absolutamente. No Exército, isso não é mérito meu, recebi assim. O Exército nunca esteve tão disciplinado e tão coeso. Não há preocupação neste sentido. Todo e qualquer pronunciamento desta natureza, neste momento tem de ser institucional, por intermédio do seu comandante. Isso que aconteceu, se não se tomasse nenhuma providência, poderia ser um precedente e poderia voltar a acontecer, inclusive com manifestações em outro sentido. A intenção é essa. Fazer um sinal de que este procedimento não pode ser aceito.

Se outros militares da ativa fizerem declarações como essa podem sofrer punições semelhantes?

Não há como estabelecer um parâmetro rígido de comportamento porque tudo depende do contexto, do teor, da conjuntura. Mas, de uma maneira geral, sim. Manifestações tanto em um sentido, quanto em outro, não são desejáveis. Institucionalmente quem se manifesta em nome do Exército é o comandante.

Militar não deve falar?

Militar tem de falar, pode falar. É lógico que, cada um na sua esfera de atribuição e nas questões institucionais, quem se manifesta é o comandante. A sociedade brasileira se desacostumou a ouvir os militares e sempre que os militares se manifestam isso causa alguma reação, repercussão, e não deve ser assim. O segmento militar faz parte da sociedade e do Estado e tem um papel muito importante.

Diante desta crise toda que vivemos no País, qual é o papel dos militares?

Eu acho estranho que declarações do general Mourão estejam sendo interpretadas como tendência de atuação do Exército, Eu tenho sido bastante enfático, em várias ocasiões, dizendo que o papel do Exército é preservação, manutenção da estabilidade e toda e qualquer atuação do Exército será absolutamente institucional e constitucional. Não há nenhum risco de que o Exército venha atuar fora destes limites.

Então não há chance de os militares tentarem alguma aventura?

Não há chance disso. O Brasil é um país com instituições sólidas e amadurecidas, que estão cumprindo seus papeis. O Brasil é um país sofisticado, com sistema de pesos e contrapesos, ou seja, não há necessidade de a sociedade ser tutelada. Nosso papel é essencialmente institucional, legal e focado na manutenção da estabilidade para permitir que as instituições cumpram suas funções.

O sr. falou do risco de uma crise política atual se transformar em crise social e isso sim dizia respeito às Forças Armadas...

O Exército passou 14 meses como força de pacificação na Favela da Maré porque havia risco de crise social e o Exército foi chamado a intervir. Não há alarmismo nisso. É uma situação prevista na Constituição. Tanto é que fomos empregados, na Maré, no Alemão, em terra indígena em Mato Grosso. E nos preocupa sim porque se a crise econômica prossegue, o desempego, a falta de perspectiva, é natural que isso acabe se transformando em um problema social e problema social se se agrava, se transforma em violência, e se se transforma em violência, passa a nos dizer respeito diretamente. Este é o papel constitucional do Exército e isso não manifesta nenhuma intenção de quebra de institucionalidade. Nosso papel é manter a estabilidade e nos preocupa qualquer coisa que venha eventualmente a quebrar esta estabilidade

Isto não tem nada a ver com intervenção política?

Absolutamente. Isso não tem nada a ver. É bom que fique claro isso.

O governo tem baixíssima credibilidade, pesquisas ruins, e sob acusação de corrupção, problemas éticos, econômicos. A presidente tem condição de enfrentar e superar este momento?

Cabe às instituições solucionarem. Temos o Supremo Tribunal Federal, o Ministério Público, o Tribunal de Contas da União, a Polícia Federal, todas as institucionais do Executivo, Legislativo e Judiciário, estão funcionando.

A gente sente que há uma incerteza. São tantos atores, as variáveis que se movimentam que é difícil dizer qual será o desfecho disso. Mas eu acredito que o desfecho vai ser institucional. Esta situação vai se solucionar sem quebra da normalidade institucional do País.

O presidente da CUT convocou a população a pegar em armas e ocupar trincheiras para defender o mandato da presidente...

Este tipo de manifestação nos preocupa porque se trata de incitamento à violência. Ela não contribui para a estabilidade do País e a normalidade do funcionamento das instituições. Mas é algo que diz respeito à segurança publica diretamente. Então nos preocupa mas, de maneira nenhuma, vai provocar nossa atuação.

O sr. teme que, caso o Congresso decida pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff haja uma convulsão social e o Exército tenha de entrar?

O Exército deve estar preparado para qualquer emprego previsto na Constituição.

Um presidente da Câmara dos Deputados acusado de vários crimes é um problema?

Esse é um problema que toca diretamente e deve ser solucionado no ambiente do Legislativo. Não faz parte das atribuições do Exército.

Há uma crise ética no País?

Há uma crise ética no País. Inclusive, eu acho interessante que está muito comum, muito mais do que se pensa, as pessoas nos demandarem, exigir que o Exército tome providências para solucionar a crise. Mas as pessoas estão demandando, na verdade, são os valores que as Forças Armadas encarnam e representam e que a sociedade está carente. E há a percepção que sem a restauração destes valores é difícil que o Brasil recupere trajetória de evolução, do progresso e do desenvolvimento.

A chegada do PT ao poder tem responsabilidade nisso?

Não, absolutamente. Essa crise ética da sociedade brasileira é um processo que não se instaura de um momento para o outro. Isso já vem de algum tempo. Nem mesmo a autoridade da professora na sala de aula está sendo mais reconhecida. A questão ética se agravou, mas paralelamente as instituições tem cumprido com muito mais eficiência e visibilidade os seus papéis.

O sr. concorda com a ideia de que a corrupção está instalada no Brasil ou não?

Concordo. Mas eu diria que este é um estado de coisas que nós vivemos. Durante a Operação Pipa, no Nordeste, 60% dos 6800 caminhoneiros que trabalham na distribuição de água tentaram algum tipo de fraude. Não se trata de estigmatizar o caminhoneiros. Não é isso. Os caminhoneiros fazem parte da sociedade brasileira. São práticas que se tornaram comuns na sociedade e isso é a base de uma pirâmide . A medida que vai subindo, vai se potencializando.

O Exército foi muito atingido pelos cortes?

O corte de 40% no orçamento provocou redução do ritmo de implantação dos projetos. Reduzimos ao mínimo que não produzisse descontinuamento dos projetos. Mas, se a situação perdurar no próximo ano, causará perdas irreparáveis. Não é só que não vamos fabricar tal equipamento. São concepções, tecnologias, capacitação de pessoal, estruturação física de fabricação que se perde, além de capital intelectual. Este é um aspecto muito preocupante. O ministro da Defesa, Aldo Rebelo, está empenhado em buscar soluções para que se produza regularidade, continuidade e previsibilidade nos recursos para os projetos de defesa.

E no custeio, o corte afetou?

Conseguimos chegar ao final do ano sem precisar recorrer a medidas tomadas anteriormente que foram extremamente negativas para a força como o licenciamento mais cedo ou adotar meio expediente. São medidas que, se prolongadas, causam até desprofissionalização. Nos preocupa nos próximos anos que o custeio também se agrave e as consequências serão graves. Não podemos cortar efetivo. No Nordeste, por exemplo, onde executamos tarefas de distribuição de água, eu tenho gente passando sede. É importante que se tenha essa compreensão que o nosso custeio não pode sofrer mais corte porque quem vai sofrer consequências será a própria sociedade.

Os cortes vão trazer problemas para as fronteiras?

Hoje nós já temos problemas nas fronteiras. Apesar de todo o esforço, todo o sacrifício de nosso pessoal, nós temos dificuldades para cumprir nossas missões.

O Sisfron (sistema de vigilância das fronteiras) está ameaçado?

Está ameaçado. A previsão original era de instalação em dez anos, de 2012 a 2022. Com o ritmo orçamentário que se estabeleceu, essa conclusão já foi adiada para 2035 e agora, com a crise, se estima que não ficará pronto antes de 2065. Ou seja, todas as as tecnologias desenvolvidas agora já estarão obsoletas. E este é um projeto fundamental, importantíssimo, talvez o mais urgente para o dia a dia da sociedade brasileira, que está ameaçado.

Os equipamentos do Exército estão obsoletos?

Em equipamentos básicos, de comunicações, não. Um soldado brasileiro equipado tem a mesma configuração de um soldado de país desenvolvido, mas sistemas mais complexos que estávamos em desenvolvimento serão prejudicados. O desenvolvimento de mísseis e foguetes sofrerá atrasos. O sistema de artilharia anti aérea também. A produção do blindado guarani, está sofrendo atraso tanto no ritmo de aquisições, como no desenvolvimento de outros mais modernos para o futuro. O prejuízo é qualitativo e quantitativo.

E os fuzis estão obsoletos?

Nós usamos ainda o fuzil FAL da década de 60, que já está se tornando obsoleto. A Imbel (Indústria de Material Bélico) desenvolveu o fuzil IA2, que já está sendo usado pelas tropas brasileiras no Haiti. Este fuzil está sendo produzido, mas num ritmo muito menor do que seria necessário. Precisamos substituir os 226 mil fuzis. Mas só estamos comprando mil deles por ano. Nós também continuamos carentes de munição. Está faltando munição e isto deixa o adestramento prejudicado. Não está sistematizada a produção de munição num ritmo suficiente para atender nossa demanda.

Isso quer dizer que caso precise haver emprego da Força, nós poderemos ter problemas?

Poderemos.

Há preocupação com este emprego muito constante das Forças Armadas?

Há preocupação porque este emprego deve ser episódico. Nossa tropa não é preparada para ações policiais. Neste tipo de emprego, a solução para o problema local vem de os outros setores da sociedade. As Forças Armadas entram para dar estabilidade, para que outros órgãos possam chegar para trabalhar e prover o atendimento da população, inclusive a polícia.

As Forças Armadas estão sendo chamadas para exercer o papel que as Polícias Militares não conseguem?

Tenho profundo respeito pela Polícia Militar. É uma profissão que é exercida em uma sociedade com total perda de disciplina social, com cultura do ilícito e é uma profissão que o chefe de família, a cada manhã, se despede da família, sem saber se volta pra casa. Os policiais são extremamente corajosos. E é uma instituição estigmatizada junto à sociedade. Eles têm um valor enorme. Ainda há restrições que sofrem em razão da legislação da área penal, mais ainda a questão dos direitos humanos, que protege muito mais quem pratica o crime, do que o próprio policial. Por tudo isso tenho profundo respeito pela polícia.

O País está preparado para as olimpíadas?

Os recursos estão sendo alocados e a participação do Exército não se resumem só à segurança.

Um dos maiores complexos esportivos está sendo construído na região da Vila Militar, em Deodoro (RJ) e temos participação no desenvolvimento dos jogos, vários setores da organização e segurança.

Há algum risco?

Há algum risco na organização do evento e esta é uma preocupação natural que temos. Daí a importância da promulgação lei antiterrorismo pelo Congresso, recentemente. O Brasil não tem tradição de terrorismo, mas os jogos olímpicos o tem.

Tânia Monteiro
No OESP
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E se alguém escrevesse sobre a mulher de Nelson Motta como ele fala da mulher de Lula?

Ele
De todos os sub jabores que surgiram nos últimos anos, poucos desempenham um papel tão patético quanto Nelson Motta.

Sem formação política, ex-escada de Paulo Francis no Manhattan Connection (onde era chamado por Francis, de maneira indulgente, de “Nelsinho”), o jornalista tem uma coluna no Globo há décadas.

Migrou da resenha de música para a detonação de qualquer coisa ligada a Dilma, PT, Lula etc, o que dá mais ibope. Em seu artigo mais recente, conseguiu tratorar um inimigo perigosíssimo: a mulher de Lula, Marisa Letícia.

Baseado no que lê de terceira mão sobre as supostas desavenças entre Lula e Dilma em torno da operação Zelotes, Motta escreve que “em oito anos de lulato ela [Marisa] nunca abriu a boca (cada vez maior) em público”.

“No núcleo duro lulista, sabe-se que ele morre de medo da ‘Galega’, e uma vez chegou a se queixar a jornalistas que, por desobedecê-la em alguma decisão política, estava sofrendo uma greve sexual em casa e, sabe como é, Lula não passa sem um sexozinho”, continua.

“Imaginem as opiniões da eminência loura sobre o atual momento do Brasil e da família Lula da Silva.”

Chutando a esmo, Motta chama uma mulher que nunca viu e que, até onde se sabe, não cometeu nenhum crime, de vaidosa viciada em plásticas, burra, manipuladora e corrupta.

Tudo bem? Claro que sim — porque com Lula e família vale tudo. Mas só nesse caso, porque Motta é um mestre da bajulação de poderosos, um puxa saco de primeiríssima classe.

Há uma blague segundo a qual não existe documentário musical no Brasil sem um depoimento dele. Por inércia e ignorância dos produtores, Nelson acaba entrando em qualquer coisa porque, desde os anos 60, pega carona em artistas da MPB ou roqueiros. É um personagem marginal que se vende como protagonista.

Vem faturando com biografias de mortos repletas de invenções e conjeturas. Em “A Primavera do Dragão”, sobre Glauber Rocha, trocou o nome de um grande amigo do cineasta, o “Bananeira”. O resultado: páginas e páginas de histórias atribuídas a outro cidadão. Além disso, a atriz Sonia Pereira, do filme “Mandacaru Vermelho”, é identificada como Sonia Coutinho. Sem contar os demais erros.

Biógrafos sérios de Glauber classificaram a empreitada de “picaretagem editorial”.

Valente de ocasião, se deixa subjugar também por figuras como Roberto Carlos. O filme sobre Tim Maia tinha uma cena tirada de seu livro em que um assistente de Roberto atira uma nota de dinheiro amassada para um suplicante Tim.

Roberto reclamou, a sequência foi eliminada da versão para a TV — e o próprio Nelsinho saiu em defesa do rei, desmentindo a si mesmo.

“O Roberto, acho que era tranquilo com ele, porque sabia o valor que o Tim tinha como cantor e compositor, tanto que levou o Tim para a Jovem Guarda. O Roberto fez o que pôde”, disse o incrível Nelsinho na Globo.

Nelsinho já pensou se fizessem com ele o que ele faz suas vítimas? E se alguém descrevesse, digamos, as sessões de botox de suas ex Marília Pera, Costanza Pascolato, Marisa Monte? E se alguém tecesse considerações sobre a capacidade intelectual de suas filhas Joana, Esperança e Nina?

Caetano Veloso apontou que Nelson Motta foi o único crítico musical que fez carreira sem falar mal das pessoas. Seria preciso acrescentar “algumas pessoas” a essa descrição.

O grande talento de Nelsinho é o de ser um sicofanta seletivo. Um doce de coco com gente como Caetano, uma hiena maldosa e desonesta com quem não tem como se defender.

Kiko Nogueira
No DCM
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