1 de nov de 2015

Projeto de “autorregulação” da mídia será enviado ao Congresso em 2016

Segundo Ministro das Comunicações, André Figueiredo (PDT), liberdade de imprensa não sofrerá riscos e projeto final será debatido com setores envolvidos

O Congresso Nacional deve receber em 2016 o projeto de “autorregulação” da mídia, informou o ministro das Comunicações, André Figueiredo (PDT) neste sábado (31) ao portal “O Estado de São Paulo”. A liberdade de imprensa não sofrerá riscos, garantiu o ministro.

“Quando falamos em regulação da mídia logo se tem em mente a intervenção do Estado na liberdade de imprensa, na censura de conteúdo e isso não queremos em hipótese alguma”, afirmou.

A intenção, segundo informou Figueiredo, é que “a mídia se autorregule”. Porém, o ministro defende que seja feito um debate aprofundado com os setores envolvidos para a elaboração do projeto final. A proposta “será construída por várias mãos, sem a preponderância do governo”, frisou.

“Defendemos a autorregulação da mídia, para que possamos a partir da experiência do próprio setor definir mecanismos que garantam democratização da mídia”, destacou.

Figueiredo garantiu que a regulamentação de conteúdo está “totalmente descartada”. “A não ser que seja citação ao terrorismo ou a crimes de estado”, ressaltou.

O ministro das comunicações foi enfático ao afirmar que em relação a autorregulamentação econômica “o segmento pode se proteger para evitar a concentração em torno de grande grupos”, declarou.

Michelle Chiappa
No Agência PT de Notícias
Leia Mais ►

Turquia: partido de Erdogan vence eleições e consegue maioria no Parlamento

AKP teve quase 50% dos votos, enquanto CHP, maior partido de oposição, teve 25%; esquerda pró-curda HDP tem 10% e terá representação parlamentar

O presidente turco, Recep Erdogan, saúda apoiadores após votar hoje em Istambul
O AKP (Partido Justiça e Desenvolvimento), do presidente Recep Tayyip Erdogan, conseguiu recuperar a maioria no Parlamento turco nas eleições realizadas neste domingo (01/11).

Com 97% das urnas apuradas, o governante AKP somava 49,4% dos votos, enquanto o social-democrata CHP (Partido Republicano do Povo), principal partido de oposição, somava 25,4%. O partido de centro-esquerda pró-curdo HDP (Partido Popular Democrático) e o ultradireitista MHP (Partido da Ação Nacionalista) superaram o mínimo de 10% de votos e também terão representação no Parlamento.

O primeiro-ministro Ahmet Davutoglu, do AKP, declarou após a divulgação dos resultados que hoje era “um dia de vitória”. “Espero que nós possamos servi-los bem pelos próximos quatro anos”, disse em evento com apoiadores. Já a co-líder do HDP, Figen Yuksekdag, afirmou em entrevista coletiva que o resultado das eleições de hoje são resultado de uma política deliberada de polarização levada a cabo por Erdogan.

As eleições deste domingo foram convocadas em agosto por Erdogan após falharem as negociações para a formação de uma coalizão de governo no Parlamento. A convocação de novas eleições foi considerada uma manobra do AKP para conseguir maioria absoluta e governar sozinho, o que de fato se concretizou: projeções indicam que o partido pode conseguir 325 das 550 cadeiras do Parlamento, superando com folga as 276 cadeiras que configuram maioria.

Nos últimos meses na Turquia houve uma série de violentos ataques que atingiram especialmente os apoiadores da esquerda, em especial o HDP. Em junho, dois dias antes das eleições, um atentado durante o comício do líder do partido, Selahattin Demirtas, deixou dois mortos e 100 feridos.

Em outubro, a Turquia sofreu o maior atentado de sua história recente, em que mais de 100 pessoas morreram na explosão de bombas durante uma manifestação convocada pela esquerda em prol da paz no país, na capital Ancara. Após a tragédia, pela qual o governo culpou o Estado Islâmico, o HDP acabou cancelando a maior parte dos eventos e diminuindo a intensidade de sua campanha. O partido passou dos 13% de votos que tinha conseguido em junho para pouco mais de 10% nas eleições realizadas hoje.

Além disso, com o rompimento do cessar-fogo entre membros do PKK (Partido de Trabalhadores do Curdistão, banido no país) e forças do governo em julho e a escalada da violência entre os dois lados, Erdogan foi acusado de usar o medo da população para conseguir votos para seu AKP, que insistiu durante a campanha que era o único partido capaz de restaurar a estabilidade no país.

Opositores do AKP tinham a esperança de que estas eleições pudessem ser uma oportunidade para frear o que consideram as crescentes tendências autoritárias de Erdogan, que se mostram, por exemplo, na perseguição a jornalistas.

Na última sexta-feira (30/10), dois dias antes das eleições, mais de 50 editores de diferentes veículos internacionais — como New York Times, France Presse e El Pais, entre outros — assinaram uma carta aberta a Erdogan para alertá-lo a respeito das violações que o país vem cometendo contra a imprensa. Em ranking realizado em 2015 sobre liberdade de imprensa, a Turquia ficou na posição 149, sendo o primeiro lugar ocupado pelo país com a maior liberdade; 180 países foram ranqueados.

Leia Mais ►

Lula assombra a oposição

Ocorre o inevitável: descrença na política e desmanche dos partidos favorecem o líder

"Eu vou sobreviver", diz Lula a seus algozes na reunião do Diretório
Nacional do PT
Há mais de 12 anos a oposição tucana, após ser expulsa de um ciclo de poder de oito, procura com o apoio solidário da mídia um remédio para voltar a ocupar o Palácio do Planalto e os demais vetustos conservadores.

Para isso é preciso vencer Lula. A qualquer preço. Como não pode fazer o ex-presidente beber cicuta e, ainda mais, sem um programa alternativo de governo convincente, a dita oposição sentou-se ao piano para tocar o samba de uma nota só: corrupção.

Essa hipocrisia moralista remete à célebre observação entediada de Millôr Fernandes: “Estou cansado de sentar à mesa com corruptos para falar da corrupção”.

Na continuidade desse objetivo político, os oposicionistas, sem sucesso, abalados por quatro derrotas na disputa pela Presidência da República, partiram para o desespero. Resolveram sacrificar os políticos e os partidos e, para isso, não se importaram em atear fogo às próprias vestes.

A oposição plantou vento e colheu tempestade.

Essa é a tradução mais próxima do resultado apontado pela recém-publicada pesquisa Ibope, cujo objetivo foi o de perceber o sentimento do eleitor sobre os prováveis presidenciáveis na eleição de 2018. O resultado está nos porcentuais elevadíssimos de repulsa aos políticos e, por dedução, à política.

Lula lidera esse ranking negativo com 55% de rejeição, em empate quase numérico com José Serra, que tem 54%. Em empate técnico com esses dois, estão Geraldo Alckmin e Ciro Gomes, com 52%, seguidos por Marina Silva com 50% e por Aécio Neves com 47% de rejeição.

Intenção-de-votos-2015Embora a pesquisa foque a rejeição, pode-se projetar o possível resultado nas urnas, se a eleição fosse hoje, a partir da resposta dos eleitores a duas perguntas: a certeza do voto e a possibilidade de votar (tabela).

“O resultado da pergunta sobre a certeza do voto, manifestada pelo eleitor, é, nesse momento, a mais consistente indicação da pesquisa”, assegura Carlos Augusto Montenegro, presidente do Ibope.

Há algumas surpresas no resultado dessa sondagem. A elevada rejeição a Aécio e a Marina. Ele tinha 32% e Marina 31% em outubro de 2014. Um aumento de 15% e 19%, respectivamente.

O porcentual de rejeição a Lula, elevada em 22% desde maio de 2014, é facilmente explicável. Além do intenso ataque da mídia, o ex-presidente recebe reflexos da crise econômica conjuntural.

Os resultados da pesquisa fazem vislumbrar uma trajetória para a vitória de Lula maior do que a de seus adversários. O esforço do desmanche da política e dos partidos beneficia os líderes com capacidade de transferir e captar votos de diferentes classes sociais. Favorece, assim, a Lula.

Maurício Dias
No CartaCapital
Leia Mais ►

Gilberto Carvalho: Quem vai lavar a honra de meus filhos?

Reajo hoje com a indignação de quem serve ao país há 19 anos com a honestidade que recebi dos meus pais e com o desejo central de mudar a vida dos pobres deste País.

Reajo com a dor de um pai que vê seus filhos expostos à execração pública sem que nenhum fato, nenhuma acusação formal tenha sido contra eles apresentada.

A quebra dos meus sigilos fiscal e bancário e da minha família apenas atestará de maneira definitiva o que acima afirmo. Meu patrimônio pessoal se restringe à posse de uma chácara de 3 hectares na região do Entorno (Goiás), a um apartamento financiado por 19 anos no Banco do Brasil e um veículo que tem o valor de R$45.000,00.

Minha filha era proprietária de uma empresa que infelizmente quebrou e tem uma dívida a pagar com bancos de pouco mais de um milhão de reais. Meus dois filhos são funcionários públicos com rendimentos em torno de R$5.000,00. Não tenho nada a esconder. E me orgulho de não ter acumulado bens.

Não tenho medo de ser investigado e considero dever da Polícia Federal, da Receita Federal e de qualquer órgão de controle realizar a investigação que julgar necessária. Faz parte do ônus e dos deveres inerentes da vida pública.

O que não vale e não pode é de maneira fantasiosa e leviana fazer interpretações ridículas de material apreendido com pessoas suspeitas e transformá-las em acusação, sem prova alguma, contra pessoas honradas e dar publicidade a tais interpretações como se verdades fossem.

Quem vai lavar a honra de meus filhos enxovalhada por tal irresponsabilidade? Basta ter acesso ao relatório da Receita Federal e da Polícia Federal colocados ontem a público para constatar o que acima afirmo.

Reitero o que afirmo no meu depoimento à Polícia Federal e desafio que provem o contrário: recebi o Sr. Mauro Marcondes, na condição de vice-presidente da Anfavea, que estava em busca de audiência com o Presidente Lula. As mensagens eletrônicas trocadas foram sempre por meio do e-mail oficial. Nunca o encontrei fora do meu gabinete.

Nunca tratei com ele do mérito da MP 471, ou da MP 512, aprovadas por unanimidade no congresso com elogios de vários próceres da oposição, porque beneficiavam o desenvolvimento do setor automotivo no País e particularmente no Nordeste e Centro Oeste.

Jamais o Gabinete do Presidente Lula teve em qualquer momento participação em negociatas desta natureza. E não há nenhuma acusação sustentável a respeito disso. Estou tomando as providências jurídicas cabíveis para não apenas fazer a defesa de minha família como para responsabilizar a todos que de maneira leviana e irresponsável atacam a honra de quem sempre lutou pela justiça.
Leia Mais ►

Levy se desdiz ou se demite já!

Ministro da Fazenda do Governo 'Cerra'?


A agência Reuters informou que o Ministro Levy disse no Marrocos, num evento de coxinhas internacionais, essa turma que lava dinheiro no Grão Ducado de Luxemburgo e prega a moralidade, que a Petrobras não será mais a operadora unica do pré-sal.

O ministro das Minas, Eduardo Braga fez o mesmo num evento no Texas, com os coxinhas do petroleo internacional, e levou uma chinelada publica da Presidenta.

Ja faz tempo que o Joaquim Levy rumina dentro do Ministerio da Fazenda uma formula para tirar a Petrobras do pré-sal e entregá-lo ao 'Cerra', para doá-lo à Chevron.

O Conversa Afiada e o destemido senador Requião sabem que um sub do sub do Levy preparava um "projetinho" para enfiar pela goela abaixo da Presidenta.

Com um daqueles argumentos "é uma ordem de cima".

Como se alguém fosse bobo.

Isso faz parte da agenda neolibeles do Levy: ele tenta empurrar pela goela da Presidenta o que a Presidenta repudia.

Como se sabe, Levy é um tucano enrustido.

Como os delcidios, que no Senado, votam com o 'Cerra'...

Mas, o Levy não tem o poder de mudar o regime de partilha.

Mas, não custa tentar.

Não custa botar lenha numa fogueira extinta - a do 'Cerra'.

O Conversa Afiada esperou o domingo inteiro para ver se o Levy ia se desdizer.

Atribuir a um erro da tradução da Reuters ...

Não se desdisse.

Portanto, melhor se demitir.

E ficar no Marrocos mesmo.

Paulo Henrique Amorim
Leia Mais ►

A revolução silenciosa entre os evangélicos contra os Malafaias e os Felicianos

Malafaia é o oposto de Cristo
Uma revolução silenciosa está acontecendo neste exato momento. Não importa a forma como se apresentam os opressores ou os adornos com que se tentem enfeitar as correntes da opressão. Mais cedo ou mais tarde a razão há de prevalecer e alguma justiça invariavelmente se fará presente.

A utilização da fé de pessoas honestas e bem intencionadas por parte de inescrupulosos cujo único intuito é o de se locupletarem tanto no poder político, quanto na acumulação financeira, é algo tão detestável e desprezível quanto a própria escravidão.

Não é preciso lembrar que o regime escravocrata brasileiro, que ilustres membros da grande mídia nacional tentam vergonhosamente levar a crer que nada tem relação com os elevados níveis de racismo observados no Brasil, era perfeitamente legal e normalmente aceito pela sociedade da época como um direito universal.

Assim também o é com mercadores da fé que movimentam milhões de reais em todo o mundo sob o cínico argumento de que todo o montante arrecadado serve exclusivamente para o “fortalecimento da obra de Deus”. Nada vai mais contra os ensinamentos de Jesus.

O fato é que o escárnio, o desprezo e a desfaçatez com que certos “líderes” religiosos estão tratando a sua própria religião, chegou a um nível tão absurdo que os próprios fiéis já não os enxergam mais como representantes daquilo que eles realmente acreditam e defendem.

Simplesmente não existem mais qualquer motivos que se queiram honestos para que pessoas honradas e decentes sigam as vontades mesquinhas de gente como o Pastor Malafaia, Marcos Feliciano e Eduardo Cunha, que vêem na política e na riqueza, e não na fé, as suas verdadeiras salvações.

Assim deve ser e assim está sendo. Representantes e integrantes de movimentos religiosos protocolaram junto à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, um manifesto em que pedem a saída imediata do Presidente da Casa, Eduardo Cunha. Malafaia, que consegue ver em Cunha um exemplo de honestidade e correção, saiu em defesa de seu pupilo com a sua já peculiar falta de educação e de respeito.

Declarou num post no Twitter, que as pessoas que assinaram o manifesto pertencem ao que ele chama de “Petralhada gospel” e que simplesmente não passam de uma “cambada de hipócritas a serviço do PT”. O que Malafaia não entende é que essas pessoas pertencem a um tipo de igreja que não admite por parte de seus integrantes a prática de crimes e o enriquecimento ilícito fazendo uso inclusive da própria igreja.

Marcos Feliciano, que completa a tríade fundamentalista, está no momento muito ocupado tentando desqualificar o ENEM e uma das maiores pensadoras da era moderna, Simone de Beauvoir. Na sua página no Facebook, o “iluminado” provavelmente criou uma das teses mais estapafúrdias da história para tentar justificar o pensamento feminista e libertador que norteou toda a obra de Beauvoir. Segundo o parlamentar, Simone de Beauvoir só agia daquela forma porque queria ser homem e assim agradar o seu pai.

Com esses três “religiosos”, só Deus na causa mesmo.

Carlos Fernandes
No DCM
Leia Mais ►

Afinal, o que os evangélicos querem da política?

A pesquisadora Bruna Suruagy conta o que descobriu sobre a bancada da bíblia, alvo de sua tese de doutorado


A professora de psicologia Bruna Suruagy, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, fez 42 entrevistas para sua tese de doutorado Religião e política: ideologia e ação da ‘Bancada Evangélica’ na Câmara Federal. Ouviu parlamentares da bancada evangélica (de 2007 a 2011), assessores e jornalistas. Continuou acompanhando o movimento dos políticos evangélicos e o crescimento da bancada no Congresso. Em entrevista à Pública, Bruna explica como acontece a seleção dos candidatos dentro das igrejas, o esquema político das principais denominações pentecostais e o que querem os políticos evangélicos.

Como começou sua pesquisa sobre a bancada evangélica?

Meu objetivo era entender como se processava a articulação entre os discursos religiosos e políticos. Foi na legislatura de 2007 a 2011, que aconteceu logo após a CPI das Sanguessugas que apresentou alguns nomes de parlamentares evangélicos. Na ocasião, a Igreja Universal retirou a candidatura de muitos parlamentares e o início da legislatura de 2007 foi bastante tenso por conta desse processo. Teve uma redução significativa da bancada. Na época eles estavam com 45 membros.

Quando os evangélicos passaram a se organizar politicamente?

Antes da década de 1990, já existiam vários parlamentares evangélicos, mesmo antes da Constituinte – muitos protestantes históricos e alguns pentecostais, mas não existia uma organização institucional da campanha desse grupo específico. Eram evangélicos que decidiam se candidatar e eventualmente recebiam o apoio de suas igrejas. Claro que, embora independentes, havia na Câmara uma certa articulação em nome sobretudo da manutenção dos interesses e valores morais próprios desse grupo. Mas no início da década de 1990 a Universal passou a protagonizar a participação política entre os evangélicos e já começou atuando com um plano político. Ela criou uma forma de fazer política no sentido de quase atuar como partido.

Funciona assim: A cúpula da igreja, formada por um conselho de bispos da confiança de Edir Macedo, indica candidatos em um procedimento absolutamente verticalizado, sem a participação da comunidade. Os critérios para a escolha desses candidatos geralmente têm base em um certo recenseamento que se faz do número de eleitores em cada igreja ou em cada distrito. E cada templo, cada região, tem apenas dois candidatos, que seriam o candidato federal e o estadual. Ela desenvolve uma racionalidade eleitoral a partir de uma distribuição geográfica dos candidatos e a partir de uma distribuição partidária dos candidatos. Isso mudou um pouco agora porque existe um partido que é da Universal, o PRB, que fica cada vez mais forte no Congresso. Na época, havia uma distribuição por vários partidos para garantir a eleição. E são escolhidos bispos com um carisma midiático, que conduziram programas, radialistas e mesmo não bispos, mas figuras que se destacavam como comunicadores. Porque existe uma interface da mídia religiosa com a igreja e a política.

Não são parlamentares que se destacam na questão litúrgica como grandes estudiosos da Bíblia — até porque a tradição pentecostal está mais na produção de emoções e de momentos afetivos do que de fato na liturgia. Então os bispos e líderes religiosos que promovem essas catarses coletivas e demonstram esse carisma institucional são normalmente os escolhidos para candidatos. A Universal se tornou um modelo para outras igrejas porque a cada novo mandato havia um aumento significativo dos parlamentares da Universal. A Assembleia de Deus, que hoje tem a maioria dos deputados, mas que não funcionava assim, passou a ter a Universal como modelo. Não atuando da mesma forma porque o funcionamento institucional é outro. A Assembleia é uma igreja com muitas dissidências e muitas divisões internas, por isso não é possível estabelecer hierarquicamente os candidatos oficiais. As igrejas têm fortes lideranças regionais e uma fragilidade do ponto de vista nacional. A sede não tem tanta força e, por isso, eles criam prévias eleitorais. As pessoas se apresentam voluntariamente ou são levadas pela própria igreja e ainda há a ideia de que alguns são indicados por Deus porque mobilizam grandes multidões, ou contagiam, como dizia Freud, também termina sendo um critério.

Então tem uma lista, depois uma pré-seleção que passa por um conselho de pastores — isso em cada ministério [a Assembleia de Deus é uma igreja com muitas ramificações]. É interessante que os que pretendem se candidatar assinam um documento se comprometendo a apoiar o candidato oficial caso ele não seja escolhido. Na Universal, como o poder é nacional, tem uma sede hierarquizada que consegue controlar a instituição, candidaturas independentes não acontecem. Até porque os parlamentares que foram eleitos com esse apoio institucional e que na segunda legislatura tentaram se candidatar de forma independente não ganharam as eleições. A vitória está totalmente atrelada à instituição. Existe uma estratégia bem construída porque eles preveem uma fidelidade de 20%, que não é alta. A Assembleia de Deus está tentando construir essa fidelidade e essa unidade política que são extremamente difíceis devido a essa fragmentação interna. E faz as prévias nacionais com a participação de pastores e obreiros, novamente sem a participação da comunidade — não é um processo transparente. No Congresso então você tem essas lideranças religiosas que demonstram uma maior habilidade na interlocução com o sujeito, um carisma que gera catarse, contágio, impacto afetivo e as lideranças que foram identificadas e constituídas pela igreja como nomes importantes para ocupar o cenário nacional.

A bancada evangélica é homogênea?

Na bancada evangélica no Congresso e também nas bancadas estaduais e municipais, você tem uma diversidade tão grande de integrantes que não dá pra pensar esse grupo como um bloco coeso, homogêneo. Muitos vêm representando a Assembleia de Deus e a Universal e algumas neopentecostais que tentam imitar essa estratégia, como, por exemplo, Sara Nossa Terra, de onde saiu o Cunha. Você tem muitos parlamentares das chamadas protestantes históricas [batistas, presbiterianas, luteranas, metodistas] que têm uma candidatura totalmente independente porque não há um plano político já estabelecido dentro das igrejas. Eles simplesmente são evangélicos, mas a trajetória política geralmente não se dá dentro da igreja e não há uma vinculação direta ao exercício da fé. Esses parlamentares gostam de dizer que separam bem a fé no âmbito privado da política na esfera pública. Mas é uma distinção contraditória porque eles tomam, sim, como referência algumas crenças e valores para orientar suas práticas parlamentares e votações como quando se discute aborto e homofobia,a por exemplo.

Lembro que um parlamentar me disse na época em que fiz as entrevistas que não há como fazer uma separação absoluta porque um marxista, por exemplo, vai acabar se submetendo a essa orientação de consciência na hora de atuar. E que ele, como cristão, se submete a essa orientação de consciência. Mas que vota orientado pela consciência, e não por uma filiação religiosa ou institucional específica. Então, nas protestantes históricas, não há essa presença ostensiva da instituição. A pentecostal, que traz consigo a teologia da prosperidade, que tem a presença do neoliberalismo, do conservadorismo institucional e moral, já tem essa coisa de práticas políticas fisiológicas e clientelistas. É um grupo heterogêneo, mas os parlamentares pentecostais têm uma posição mais orientada pelas instituições religiosas. O mandato não é do parlamentar; é pouco do partido, é mais da instituição.

Isso já é combinado com relação aos temas que eles vão defender? “Te ponho lá mas você me garante que o aborto não sai!”

No começo, a gente tem a impressão de que a igreja interfere totalmente em tudo. Mas o Edir Macedo, por exemplo, é um líder muito complexo. Alguns parlamentares me contaram que ele determinou que eles precisavam ter uma formação política. Então eles frequentam cursos de formação política na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Alguns outros cursos são dirigidos para bispos e parlamentares da Igreja Universal. Eles disseram isso explicando que não iam totalmente despreparados. “A gente tem uma formação, antes de vir tenta entender e conhecer.” O grande paradoxo da Universal é que no período eleitoral há uma mistura entre religião e política que é clara, não é velada. Ela se dá dentro do templo, o templo vira palco, o púlpito vira palanque político e as discussões pragmáticas sobre as eleições acontecem no púlpito. Tem toda uma pedagogia eleitoral que acontece dentro do templo. E no Parlamento eles tentam separar o discurso político do discurso religioso. Na verdade, isso começou a ser exigido pela cúpula da Universal depois de aparecerem escândalos e irregularidades envolvendo parlamentares evangélicos. Na época, quem era o grande líder político era o Bispo Rodrigues, que era o braço-direito do Edir Macedo. Depois dos escândalos do caso Waldomiro e do mensalão [que o levou à condenação a seis anos e três meses de prisão por lavagem de dinheiro], ele renunciou em 2005, perdeu o título de bispo e retiraram todas as candidaturas dos parlamentares justamente para não arranhar a imagem da igreja. Dizem que o Edir Macedo tem o privilégio de não participar desses momentos.

Tem até um líder de outra igreja, o Robson Rodovalho, que é da Sara Nossa Terra, que se candidatou e se elegeu, que dizia que era muito difícil para ele como líder estar ali. Que para o Edir Macedo era muito mais fácil porque, se algum parlamentar fosse citado ou cometesse alguma irregularidade, ele simplesmente diria que não sabia de nada. No caso dele, a igreja correria o risco de se enfraquecer. O que me chamou atenção quando fiz as entrevistas foi que nenhum tinha mais o título de bispo. Com os outros, eu começava sem perguntar nada sobre a religião, e eles mesmos em algum momento entravam nessa parte da fé. Já os parlamentares da Universal não falavam de Deus, era um discurso totalmente parlamentar. Não mais progressista, mas eles queriam separar os processos. E, segundo um deles, o próprio Edir Macedo orienta os parlamentares a seguir as orientações do partido nas votações exatamente para que eles não tenham divergências e eventualmente percam as verbas públicas destinadas às emendas parlamentares.

Então qual é o grande interesse da Universal?

Quando as temáticas são institucionais, relacionadas a isenção fiscal, alvará de funcionamentos das igrejas, doações de terrenos, distribuição de concessão de rádios e TV, a transformação de eventos evangélicos em eventos culturais pra receber financiamento da Lei Rouanet, questões relacionadas à lei do silêncio. Aí eles atuam de forma articulada, como um bloco, convergem em nome desses interesses, como em relação a questões morais. Com algumas diferenças, mas muitas aproximações. Alguns cargos dos gabinetes têm que ficar à disposição da igreja, que indica quem vai ocupar. É uma igreja pragmática, tem muito mais interesses institucionais do que morais. Se for analisar do ponto de vista moral, é muito mais flexível e aberta do que igrejas como a Assembleia de Deus. Essa, sim, tem um discurso de natureza moral além do institucional, de manutenção da ordem. Quando há convergência nesses temas institucionais e morais, a bancada se articula. É importante salientar que poucas vezes você verifica a articulação desse bloco de forma totalmente coesa. Eles excluem a política nessa discussão de pauta dos parlamentares evangélicos para criar uma falsa aparência de unidade. Muitas vezes a imprensa anuncia a bancada evangélica como um ser único, e para a bancada é muito interessante aparecer assim como um corpo único, um bloco suprapartidário…

E dizer “a bancada” convenientemente não dá nomes, né?

Exatamente, uma entidade com um poder e as divisões não aparecem. Mas no discurso desses parlamentares que estão à frente e que normalmente são os das igrejas pentecostais apresentam a bancada dessa forma. “A bancada decidiu”.

Eles se reúnem?

A mídia faz parecer que sim, mas não. Porque eles estão filiados a partidos e a movimentação na Câmara se dá por partidos. Eles ficam muito indignados com a falta de poder que têm, porque têm poder na igreja, mas a divisão por partido privilegia o alto clero. Você tem alguns líderes partidários que definem as orientações e eles tem que seguir ou são punidos de alguma forma, principalmente não tendo as verbas públicas para realização das emendas parlamentares. “Estou aqui mas não tenho muito poder de decisão, tenho sempre que obedecer partido, não tenho autonomia” eram reclamações constantes. Estou falando principalmente desse grupo pentecostal, que é o mais barulhento e que fala pela bancada, principalmente os assembleianos [da Assembleia de Deus]. Eles têm o Feliciano, o Cunha, o João Campos, que é o líder da Frente. Engraçado que na época em que eu fiz a pesquisa o Eduardo Cunha era superinexpressivo como integrante da bancada evangélica. Mas eles se reúnem muito pouco, às vezes no dia do culto, quarta de manhã, fazem o ritual religioso e têm alguma discussão sobre projetos de lei e discussão de pauta.

O interessante é a atuação dos assessores. Eles acompanham os projetos diariamente, em uma tentativa de mapeamento dos projetos em tramitação e seleção dos mais importantes, projetos “anticristãos”. Você também tem uma distribuição dos parlamentares pelas comissões que eles consideram mais importantes como a de Seguridade Social, de Direitos Humanos, de Constituição Justiça e Cidadania. Aí eles vão tentando barrar a tramitação dos projetos. Alguns mais ativos tentam conseguir posto de presidente ou relator. Você tem uma estratégia bem elaborada, mas não conta com uma participação tão ativa quanto parece. É uma bancada barulhenta, intempestiva, aguerrida, beligerante, e esse barulho cria a impressão de volume, de quantidade de poder, de coesão. Acho que também é uma estratégia de parecer maior do que é pelo grito. Que é o que acontece nas próprias igrejas. As igrejas têm esse discurso de guerra, de combate. O exército da Universal que deixou todo mundo perplexo, mas isso sempre aconteceu, é o discurso de todas as igrejas. A convocação nas igrejas tem todo esse ritual bélico mesmo. E o soldado é aquele que está ali para obedecer e para combater. A bancada usa isso também. Você valoriza o tamanho do adversário para convocar os integrantes. Mas eu ouvi muitos relatos de parlamentares que estavam acompanhando votações e que tinham poucos para impedir a continuação da votação. Aí o assessor ligava para a lista da FPE: “Esse é pró-vida, vou chamar”. Aí liga: “Deputado, vem aqui, pede vista”. Eles têm uma assessoria que conhece os procedimentos regimentais e que orienta os parlamentares que muitas vezes não sabem nem o que está acontecendo ali. Tem uma disponibilidade em participar quando convocados e uma entrega total de alguns pela causa.

Qual é a missão da bancada evangélica nesse sentido? Ao meu ver, é de preservação, não de criação. Eles não querem criar projetos, querem manter tudo intacto. É uma atuação ideológica, se posicionar contra projetos inovadores, transformadores. Agora que houve algumas críticas, eles estão tentando elaborar projetos mais numa perspectiva de manutenção de uma ordem do que de transformação. É uma ação mais combativa, defender uma ordem social hegemônica. Os projetos que estão surgindo são pra fazer frente a projetos que estão em andamento, por exemplo, com relação a projetos do grupo LGBT. Criminalização da homofobia — criminalização da heterofobia. São projetos estapafúrdios. Aborto, drogas, criminalização da homofobia, casamento entre pessoas do mesmo sexo, são contra a discussão de gênero, a favor do ensino religioso, contra todos os projetos pedagógicos e educativos que combatem qualquer tipo de discriminação de gênero, sexual…

Você acha que é uma causa legítima? Eles acreditam mesmo nisso?

Antes do Eduardo Cunha, eles estavam caminhando para um discurso mais coerente com aquele espaço. No fim de 1980, os discursos condenavam o aborto e justificavam trazendo passagens bíblicas, dizendo que Deus não permite. Depois a bancada amadureceu um pouco nesse sentido, entendeu que não dava pra usar esse discurso porque não tinha coerência e começaram a argumentar de forma mais legislativa, aderir a um discurso que tinha mais ressonância naquele contexto. Toda moral é um sistema de controle. A sexualidade é um tema central na igreja com um discurso muito forte constante porque a sexualidade de alguma forma expressa liberdade. Então, você tem um sistema normativo de controle. É genuíno no sentido de que eles acreditam nessas coisas, mas virou, sim, um jogo de poder com os movimentos LGBT, por exemplo. O aborto é um tema controverso. Alguns acham que o aborto deveria ser crime hediondo, que é um assassinato. Mas outros, como os da Universal, acham que o aborto é uma possibilidade. É uma defesa genuína de posições morais que eles querem transferir para a realidade social. É legítimo que um grupo pense assim. O que não é legítimo é trazer esse discurso para a esfera pública de um Estado laico.
Leia Mais ►

Enquanto isso em Floripa...

Placa que alerta movimento intenso de pedestres impede a passagem pela calçada em Jurerê, Florianópolis.

Leia Mais ►

Hebe, 1997. Quando a Veja ainda fazia um pouco de jornalismo

Leia Mais ►

Lobista confirma à Justiça repasse de US$ 1 milhão a Cunha


João Augusto diz que repassou recursos para conta indicada pelo filho de um ex-deputado peemedebista como retribuição por informações privilegiadas que ajudaram a viabilizar negócio no Benim. Ele afirma que só soube depois que a conta era de Cunha



O lobista João Augusto Rezende Henriques, apontado como um dos operadores do PMDB, confirmou à Justiça ter repassado mais de US$ 1 milhão ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Segundo ele, o depósito em conta bancária foi feito a pedido de Felipe Diniz, filho do falecido deputado Fernando Diniz (PMDB-MG).

Os repasses, de acordo com o lobista, começaram a ser feitos no mês em que ele ajudou a concretizar um negócio de US$ 34,5 milhões da Petrobras no Benim. Em maio de 2011, a estatal brasileira comprou 50% do direito de exploração de um campo de petróleo no país africano.

Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, que preside a Operação Lava Jato na Justiça Federal em Curitiba, o lobista confessou que repassou recursos para a conta indicada por Diniz como retribuição por informações privilegiadas que ajudaram a viabilizar o negócio. João Augusto contou que só soube posteriormente que a conta pertencia a Cunha.

“Isso aí foi o que eu já falei. Eu queria pagar ao filho do Fernando Diniz, porque ele já tinha morrido. E a conta que ele tinha me dado, eu soube depois que era do Eduardo Cunha. Foi 1 milhão, 1 milhão e pouco. Foi em 2012, 2013, por aí. Não tenho precisamente a data”, declarou. A denúncia já havia sido feita pelo lobista em depoimento à Polícia Federal, em setembro. Mas agora é a primeira vez que ele confirma a acusação contra o presidente da Câmara em depoimento à Justiça. Cunha diz que jamais recebeu “qualquer vantagem indevida de quem quer que seja”.

No Congresso em Foco
Leia Mais ►

Petrobras sai das transmissões da Fórmula 1 e piora a crise da Globo

Por audiência em queda ou por "irregularidades" em contratos, perda do milionário patrocínio é mais um acidente no percurso ladeira abaixo da antes todo-poderosa emissora dos Marinho

A nova diretoria da Petrobras, sem gente como Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco, ex-diretores pegos pela Operação Lava Jato em milionários esquemas de corrupção, cancelou o patrocínio às transmissões da Fórmula 1 pela Rede Globo a partir de 2016.

Pode ter sido uma decisão técnica devido à audiência da antes todo-poderosa emissora ter despencado. Mas ainda há de se esclarecer se alguma auditoria nos contratos da estatal com a Globo, no âmbito da própria Lava Jato, encontrou algo escuso e que a boa prática administrativa desaconselha, pra dizer o mínimo.

O direito sobre as transmissões da temporada 2016 da principal categoria do automobilismo mundial só foram garantidas à Globo faltando dois meses para o fim do ano, o que indica que as negociações foram difíceis e faz imaginar um provável rebaixamento no valor da cota de patrocínio, ainda não divulgado.

A Rede Globo vende seis cotas de patrocínio para o "produto" Fórmula 1. Para a temporada que vem, continuaram a cerveja Itaipava, a Renault, o banco Santander e a TIM. Na cota que foi da Petrobras entra a Unilever. Estas empresas cortaram verbas publicitárias para o veículo Televisão no primeiro semestre deste ano, conforme noticiamos aqui na Rede Brasil Atual. Com a Fórmula-1 não deve ser diferente.

A sexta cota foi preenchida em 2015 pela Zap Imóveis, empresa relativamente pequena do próprio Grupo Globo. A empresa foi incorporada pelo grupo em 2013, ano em que faturou R$ 60 milhões, com o objetivo de faturar R$ 100 milhões até o fim deste ano. Com esse porte, porém, a Zap não teria cacife para ser uma das patrocinadoras da Fórmula-1, caso tivesse que pagar de fato. Para se ter uma comparação, a empresa fabricante da Itaipava iniciou 2015 com estimativa de faturamento na casa dos R$ 12 bilhões.

Ou seja, sem conseguir mais um patrocinador de peso, os irmãos Marinho irão patrocinar eles mesmos. A Globo cobre a falta de um sexto patrocinador do peso de uma Petrobras com um subproduto do próprio Grupo Globo, sem receber nada de fato. Ainda que seja rubricado como investimento e contando com o retorno que pode resultar da publicidade, é certo que a operação é na verdade (mais um) rombo no caixa da Globo.

Mas os problemas da Globo não estão apenas na programação esportiva, o que inclui o futebol brasileiro. Já há um crescente movimento de consumidores e torcedores, descontentes com a imposição pela emissora de jogos às 22h das quartas-feiras e a relação da Globo com a CBF, recheada de denúncias de corrupção e propinas sobre a venda de direitos de transmissão das partidas, já causa impactos na audiência.

Mas a emissora amarga o fato de que, pela segunda vez em sua história, uma de suas novelas perde para uma emissora concorrente a audiência no chamado horário nobre e, pior, com um produto na qual a Globo sempre foi referência, a novela. Segundo o Ibope, "Os Dez Mandamentos", a novela bíblica da Record, tem batido diariamente os dois principais produtos da Globo: o Jornal Nacional e a novela das 21h, A Regra do Jogo. Nunca uma novela de outra emissora venceu o principal produto do jornalismo da Globo e a principal novela da "excelência" em novelas do país.

Na briga pela audiência, a Globo chegou a espichar a edição do último dia 14 do "Jornal Nacional" em 14 minutos, que teve 58 minutos no total, só para a sua novela não começar já apanhando da rival. Mesmo assim perdeu a briga no Ibope.

Para a outrora 'vênus platinada' o ano de 2016 promete. Com a audiência despencando, o faturamento com anúncios e patrocínios também rolam ladeira abaixo. A ver.

Helena Sthephanowitz
No RBA



Globo vende a F1 a ela própria

zap interna.jpg

A Globo informou:
A Globo fechou a venda do projeto de comunicação da temporada 2016 da Fórmula 1. Os patrocinadores são Cerveja Itaipava, Renault, Santander, TIM, Unilever e ZAP Imóveis.

As marcas terão presença garantida em todas as transmissões, coberturas editoriais e matérias online do evento, em um plano de comunicação integrado que atingirá os amantes da velocidade em qualquer plataforma. Durante os 11 meses da temporada, que terá 21 corridas, serão mais de 1.000 inserções na TV, distribuídas entre envolvimento, transmissão das provas, resumo dos treinos, chamadas, flashes e cobertura jornalística. A visibilidade das marcas dos patrocinadores será ampliada também com a presença na Globo.com.


São Paulo, 29 de outubro de 2015

O Conversa Afiada informou que, para vender o patrocínio do Brasileirinho — aquele torneio do Corinthians contra qualquer coisa —, a Globo teve que baixar o preço da tabela e mesmo assim perdeu a Luiza e a Volks.

Agora, a Globo se orgulha de ter fechado o patrocinio para a Fórmula 1, que perde para qualquer calhambeque

Até o Rubinho seria capaz de ganhar da F1 da Globo!

Acontece que para fechar o patrocínio da F1, a Globo teve usar um calhau: ela própria fechou a cota, com uma empresa dela mesma, a ZAP Imóveis.

Como se observa aqui, a ZAP faz parte das Organizações (sic) Globo.

Com a triunfal chegada do Marín aos Estados Unidos, pode-se concluir que a Globo está mais cercada que o Lula!

E isso porque a implacável Dra Bernardes, da Zelotes, ainda não se debruçou sobre as atividades da Globo Overseas Investment BV.

Leia Mais ►

Os carros são da Jesus.com, mas o dinheiro da gasolina é do povo


O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, está sendo acusado de usar parte de sua verba parlamentar para abastecer a frota de carros de luxo de duas empresas que tem com a esposa: a Jesus.com e a C3 Produções

Os escândalos envolvendo o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não param. Desta vez, o deputado está sendo acusado de usar parte de sua verba parlamentar para abastecer a frota de carros de luxo de duas empresas que tem com a esposa: a Jesus.com e a C3 Produções.

A equipe do jornal Folha de S. Paulo teve acesso a 32 cupons fiscais de postos de combustível com a identificação, à caneta, de quatro dos sete veículos das companhias. Segundo foi apurado, os automóveis são quase sempre abastecidos em um posto na Barra da Tijuca, ao lado do endereço residencial de Cunha.

O deputado garante que o valor ressarcido representa gastos relacionados exclusivamente ao seu mandato. Os carros de luxo serão alvo de investigação no inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que avalia as contas secretas no exterior atribuídas ele e sua família.

No Fórum
Leia Mais ►

Nardes tratou de consultoria quando já era ministro do TCU


Investigação da PF indica que Nardes já ocupava uma cadeira na corte quando foi acionado para tratar de assuntos da empresa de consultoria Planalto, investigada na Operação Zelotes por suspeita de fraude fiscal

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes tratou de assuntos da empresa de consultoria Planalto quando já ocupava uma cadeira na corte, de acordo com uma investigação da Polícia Federal. A informação foi divulgada pelo jornal “Folha de S. Paulo” neste domingo (1°).

Segundo o jornal, os indícios, datados de novembro de 2006, contradizem a versão de Nardes, que afirmou à publicação ter se afastado completamente em maio de 2005 da empresa, da qual era sócio, para assumir a vaga no TCU.

A Planalto Soluções e Negócios, registrada em nome do sobrinho do ministro, Carlos Juliano Nardes, e de Clorimar Piva, é investigada na Operação Zelotes, que apura suposto esquema de pagamento de propina no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda.

Segundo os investigadores, Nardes e o sobrinho receberam, na Planalto, R$ 2,6 milhões da SGR Consultoria, que teria corrompido conselheiros do Carf para favorecer diversas empresas.

A menção a Nardes, porém, já aparece nos autos de outra investigação, iniciada pela PF em 2006, denominada Operação Aqueronte, que não chegou a ser desencadeada. Isso porque havia suspeitas sobre pessoas com foro privilegiado e o caso seguiu para o Supremo Tribunal Federal (STF), onde acabou arquivado pelo ministro Luiz Fux, em 2012.

A movimentação do processo mostra que a Procuradoria-Geral da República voltou a consultar os autos em setembro deste ano. Ali, João Augusto Nardes surge como interlocutor de Piva e Carlos Juliano, em documentos coletados com autorização judicial.

De acordo com a “Folha”, o e-mail mostra que Piva pediu ajuda a uma pessoa que a PF identifica como Nardes para renovar contrato de uma empresa gaúcha vencedora de licitação no valor de R$ 25 milhões no Ministério da Saúde. O objetivo era a confecção de cartões do SUS.

Na mensagem dirigida a “caro João Augusto”, enviada em 27 de novembro de 2006 a um endereço de que os investigadores afirmam ser do ministro, Piva diz que é preciso “renovar o contrato” da empresa, “uma vez que o prazo expira em 31/12/06″. E escreveu: “Temos até quarta para tentar solucionar o problema”.

Piva explicou que o Ministério da Saúde não liberou todos os nomes para a empresa fazer o serviço e “resolveu licitar a confecção de cartões ‘provisórios’, com data marcada para 04/12/06″.

O sócio da Planalto ainda completou: “Parece que tem outros interesses envolvidos. A empresa EGEL é séria, comprou equipamentos quando venceu a licitação e agora corre o risco de perder o contrato”.

Na documentação a que a reportagem teve acesso, não aparece uma eventual resposta de Nardes.

À “Folha”, o ministro do TCU afirmou não se recordar de ter recebido e-mail de Clorimar Piva para tratar de licitação no Ministério da Saúde, mas admitiu que Piva pode ter mandado um e-mail para ele.

No Agência PT de Notícias, com informações da “Folha de S. Paulo”
Leia Mais ►

Capas de Veja e Isto É se completam, basta olhá-las pra entender



A revista Veja desta semana traz o ex-presidente Lula em trajes de presidiário.

Não há nada que permita o jornalismo comprometido com o mínimo de seriedade defender esse absurdo.

Lula não é réu. E se fosse, teria direito à defesa.

Tornar quem quer que seja em um presidiário antes de ser condenado é algo que foge completamente a qualquer possibilidade de se estar exercendo a liberdade de imprensa.

É autoritarismo de imprensa.

É jogo sujo da pior espécie.

É transformar o veículo de comunicação em arma de guerra, em instrumento de golpe.

Na história da imprensa marrom brasileira poucos veículos tiveram coragem pra tanto.

Eles sempre buscavam se esconder em ilustrações, em formas sub-reptícias de ataque. Nunca ousaram uma montagem tão direta e tão sem provas.

De alguma forma, o que é mais absurdo, é que só estão fazendo isso com Lula porque o atual ministro da Justiça preferiu ilustrar a capa da Isto É. No destaque da revista sem leitores ele diz que todos podem ser investigados na sua gestão.

Ou seja, ao invés de dizer que vai punir o delegado que conduziu as investigações de Luís Carlos, filho do ex-presidente, de forma absurdamente fora da lei, ele posa de justiceiro.

O jurista Pedro Serrano que já se posicionou a favor de outras decisões polêmicas de José Eduardo Cardoso é peremptório em dizer que sua atitude neste caso foi pífia. Que o ministro tinha todos os elementos para impedir que esse constrangimento da família do ex-presidente fosse tratado como algo natural. Que o ministro devia e podia ter agido dentro da lei punindo o delegado da PF.

Ao contrário, Zé Eduardo se tornou capa da Isto É para permitir que Lula se tornasse presidiário na Veja.

Não é por acaso, amigos.

A capa da Isto É complementa a da Veja e da Época.

Se havia alguma dúvida em relação ao papel que o ministro da Justiça desempenha em relação ao governo e aos seus aliados, principalmente do PT, não resta mais dúvida alguma.

Basta olhar as três capas.
Leia Mais ►

FHC faz revelações inéditas — assista


Leia Mais ►

A capa verdadeira da veja


Leia Mais ►

Na hora das provas

Além das evidências de mentiras de Paulo Roberto Costa, que já goza o prêmio de liberdade plena por suas delações, o documento de defesa entregue ao juiz Sergio Moro por Marcelo Odebrecht expõe, também, os riscos que os métodos da Lava Jato levam às decisões da Justiça neste caso.

Os registros eletrônicos de Marcelo, cifrados ou muito sintetizados, foram "traduzidos" por interpretações dos integrantes da Lava Jato, que as utilizaram como "provas" nas acusações. Muitas dessas ilações parecem lógicas e irrefutáveis, de fato, como rastros comprometedores de Marcelo com práticas perseguidas pela Lava Jato. As explicações dos mesmos registros, porém, uma a uma feita por Marcelo, parecem também lógicas e irrefutáveis. E, algumas, até coincidentes com fatos externos conhecidos, e citados.

Com um ano e sete meses de Lava Jato, as diferenças entre delação premiada e investigações mostram-se ainda. Ou se mostram ainda mais, quando tudo passa dos depoimentos em inquéritos para os julgamentos, que devem pesar as bases para condenar ou absolver. Presume-se que, à falta de investigações, a decisão de um juiz, na discórdia entre ilações de aparência lógica e explicações de aparência lógica, só disponha da opção subjetiva para apresentar como decisão. Um nível de insegurança muito alto, portanto.

No caso de Marcelo Odebrecht, seus registros eletrônicos são apenas parte na acusação. Há também delações premiadas que mencionam sua empresa nas transações corruptas em torno da Petrobras. Mas por Paulo Roberto Costa, e não só por ele, evidenciam-se problemas em delações que deveriam ser evitados por investigações da Polícia Federal e de procuradores. No que se refere a tais evidências, está claro que não houve investigações ou foram insuficientes, fosse na profundidade, fosse na qualidade técnica.

Há esclarecimentos devidos ao país tão abalado pelo que a Lava Jato irradiou. O risco de condenações e absolvições baseado em subjetividades, e por desejo de julgadores ou por pressões, pode ser muita coisa, menos Justiça.

Logo quem

Quer dizer que o PMDB tem ideias para um governo e repele as do atual. Não tem sequer originalidade na visão contrária ao governo. Mas, se é crítico, por que não sai do governo, não desgruda, quer sempre estar em mais um pedaço dele?

O PMDB não tem autoridade política nem moral para lançar "ideias" programáticas contrárias ao governo, por cujas deficiências e deformações tem grande responsabilidade. Assim como tem responsabilidade na gestação e na progressão da crise política que alimenta a crise econômica: é o PMDB de Eduardo Cunha, pois não? É o PMDB chantagista, do ministério por apoio, dos cargos a mais por cada votação na Câmara, e das traições apesar do êxito das chantagens. É o PMDB desprovido de qualquer compromisso com o país e com a população.

Michel Temer diz que o PMDB terá candidato próprio à Presidência. Não está claro se fala de sua ambição ou se é uma ameaça.

Um momento

O descontrole do general Antonio Hamilton Martins Mourão resultou muito positivo. Como disse, ele está vendo que o "inimigo interno" continua por aí, e não é tranquilizador para ninguém que, à frente de mais de 50 mil homens armados, esteja alguém dado a visões. Além disso, o segundo general Mourão é dado também a impropérios e insultos ao poder constituído (o Mourão primeiro foi aquele que iniciou o golpe de 64 e se definiu como uma "vaca sagrada").

Destituído do Comando Militar da Região Sul, o general Antonio Mourão deu oportunidade à expectativa de que os recentes pronunciamentos de generais, se interregnos ocasionais forem inevitáveis, não significam o retorno à desprofissionalização dos militares para fazerem política.

Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►

A mídia brasileira está 200 anos atrasada e aqui está a explicação

O JN vive de subsídios
No livro Vida e Morte dos Barões da Imprensa, não vertido para o português, o escritor Piers Brandon conta uma coisa interessante.

Os barões ingleses e americanos surgiram a partir de mais ou menos 1830. Até então, os jornais viviam basicamente de subsídios governamentais, e isso de alguma forma evitou o surgimento de colossos como Pulitzer e Hearst.

Até 1830, o jornalismo nos Estados Unidos e na Inglaterra, os dois países com a melhor mídia do mundo, viveu uma fase pré-capitalista.

Por essa métrica, a dos subsídios, você logo chega à conclusão de que o jornalismo brasileiro está 200 anos atrasado.

Em pleno 2015, sem o dinheiro público as grandes empresas de mídia brasileiras simplesmente não sobrevivem.

Escrevi certa vez que cada pastilha da sede da Globo foi paga pelo contribuinte, e não exagerei.

Considere as múltiplas maneiras pela qual o dinheiro público vai dar nas corporações jornalísticas.

Você tem a bilionária publicidade federal. Mesmo com audiências cadentes a Globo tem recebido 500 milhões ao ano do governo federal.

Não sei se rio ou choro quando leio a infâmia de que o DCM vive do governo. Ora, se dependêssemos do governo simplesmente não existiríamos.

A estrutura publicitária do governo é voltada para as grandes empresas. É muito mais fácil para a Globo buscar em Brasília meio bilhão ano após ano do que um site como o DCM conseguir um milésimo disso, ou até menos, com um audiência que cresce todo dia.

Não dependemos do governo — graças a Deus.

As grandes empresas sempre dependeram, e os privilégios contínuos as fizeram ser ineficientes como filhos mimados.

Não é apenas a publicidade federal que abarrota a caixa das empresas. Os governos estaduais também contribuem fortemente para o enriquecimento dos barões.

O governo de Aécio em Minas foi uma festa para a Globo, que sempre lhe deu em contrapartida tratamento vip. O governo do PSDB chega ao cúmulo de comprar milhares de assinaturas da Veja que vão dar em escolas cujos alunos sequer tiram os exemplares do envelope.

Até o papel de jornais e revistas é subsidiado. É o chamado “papel imune”. Um dinheiro que poderia construir escolas fica na Folha, na Globo, na Abril, no Estadão e por aí vai.

Jânio ficou incomodado com isso. Num pronunciamento em cadeia nacional, denunciou o mau uso do dinheiro público com o papel subsidiado pelo povo.

No programa, ele segurava uma edição dominical do Estadão.

Isso foi em 1961. Jânio logo passou, e o papel imune está ainda vivíssimo, mais de meio século depois.

O BNDES também foi sempre uma fonte de subsídio para as companhias de jornalismo. A nova gráfica da Globo foi feita com financiamento maternal do BNDES. A Abril reformou a tecnologia de seu departamento de assinaturas, poucos anos atrás, com dinheiro do BNDES.

Não bastasse todas essas coisas, há um subsídio indireto que se chama reserva de mercado.

Jornais e revistas criticaram a reserva de mercado duramente nos anos 1980. Com Collor se iniciou a abertura econômica, e a reserva de mercado desapareceu de quase todos os setores.

Mas não da imprensa.

Grandes empresas internacionais ficaram impedidas de se instalar no Brasil.

Foi bom apenas para os barões. Para a sociedade, foi um horror.

Num artigo em que defendeu a reserva, a Globo alegou que os chineses poderiam fazer propaganda comunista com os canais de tevê que porventura comprassem.

A imprensa brasileira opera num sistema pré-capitalista, como os barões americanos e ingleses dos primórdios do século 19.

Por isso é tão ruim.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►